Facebook Twitter LinkedIn Youtube Flickr SoundCloud
05/05/2021 14:29

Livro analisa políticas para usuários de drogas na América Latina

Publicação do Ipea em parceria com a Cepal apresenta experiências e desafios na Argentina, Brasil, Colômbia, México e Uruguai

A trajetória das políticas de atenção a pessoas que fazem usos problemáticos de drogas, o panorama institucional contemporâneo das ofertas de atenção a esse público e as políticas e programas atuais desenvolvidos na Argentina, Brasil, Colômbia, México e Uruguai estão no centro temático do livro “Alternativas de Cuidado a Usuários de Drogas na América Latina: Desafios e Possibilidades de Ação Pública” que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lança nesta quarta-feira (5/5). A publicação, em parceria com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) da Organização das Nações Unidas (ONU), traz visões e experiências de autores dos cinco países, incluindo consultores da Cepal e pesquisadores do Ipea dedicados à temática.

O livro consolida os achados do projeto “Desigualdades Sociais e Implementação de Políticas Públicas na América Latina: Políticas de Atenção e Cuidado a Pessoas que Fazem Uso Problemático de Substâncias Psicoativas”, conduzido pelas duas instituições sob a coordenação de Roberto Coelho Pires e Maria Paula Gomes dos Santos, técnicos de planejamento e pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest) do Ipea. Eles também são responsáveis pela organização da publicação.

Na apresentação da obra, a diretora da Diest, Flávia Schmidt, afirma esperar que os esforços empreendidos fomentem discussões robustas, ampliando o debate sobre temas de interesse público, além de contribuírem para viabilizar processos melhor informados de tomada de decisão. “Eles avançaram ao investigar, de forma mais ampla, os distintos modos de atenção e cuidado a esse público, que frequentemente está entre os mais vulneráveis da população, em muitas dimensões”, assinala Schmidt.

Com o livro, Schmidt destaca a realização do projeto que, desde seu início, teve a integração espontânea de diferentes grupos de pesquisa, vinculados a distintas linhas de investigação do Ipea, bem como a contribuições de diferentes olhares e experiências apresentadas pela Argentina, Brasil, Colômbia, México e Uruguai.A partir das experiências documentadas, o livro conecta os diferentes olhares em um impecável trabalho de integração analítica”, destaca.

Assim, a professora de ciências antropológicas da Universidade de Buenos Aires (UBA), Florencia Corbelle, apresenta dois serviços situados na zona norte da Área Metropolitana de Buenos Aires, enquanto o professor de antropologia social na Universidade Nacional da Colômbia, Andrés Góngora, a antropóloga Johanna Salazar e o mestre em biopolítica global Ramiro Borja analisam os centros de escuta na Colômbia. A professora e pesquisadora do Programa de Política de Drogas do Centro de Pesquisa e Docência Econômicas (Cide) do México, Angélica Ospina-Escobar, aborda os desafios do sistema de atenção e cuidado ao uso problemático de drogas naquele país.

A obra conta ainda com o capítulo assinado pela pesquisadora do Núcleo de Análise da Criminalidade e da Violência, da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade da República (UdelaR), do Uruguai, Clara Musto, que apresenta o caso uruguaio. Em outro capítulo, a pesquisadora do Ipea Milena Karla Soares analisa os cem anos de regulação do consumo de drogas e o tratamento jurídico conferido aos usuários dessas substâncias ao longo da década de 1920 até os dias atuais, na América Latina, nos cinco países em foco na publicação.

Organizadores do livro, Pires e Santos, por sua vez, são coautores do capítulo que trata da evolução histórica e dos desafios para implementação das políticas de cuidado a usuários e álcool e outras drogas no Brasil. Segundo eles, durante quase todo o século XX, as aproximações do Estado brasileiro com as pessoas identificadas como usuários de drogas se deram, predominantemente, por meio de seu braço penal. “Somente no fim daquele século, as necessidades de cuidados específicos a esse público ganhariam espaço em agendas governamentais, tornando-se objeto de políticas públicas assistenciais”, pontuam os autores.

Pires e Santos também assinam os capítulos que abrem e encerram a publicação. No primeiro, eles apresentam os desafios e possibilidades de ação emergentes em contextos de extrema desigualdade social e, no capítulo final, apontam as tendências e desafios das políticas de cuidado a usuários de drogas nesses países. Em ambos, eles contaram com a coautoria da pesquisadora no Subprograma de Pesquisa para o Desenvolvimento Nacional (PNPD) na Diest, Luiza Gomes Luz Rosa.

O livro revela que está em curso, na região uma complexificação do panorama institucional das ofertas de atenção a pessoas que fazem usos problemáticos de drogas, evidente nas modalidades alternativas de tratamento que têm emergido nesses países, observam os três autores no último capítulo da publicação. Apesar de aportarem inegáveis avanços, essas modalidades emergentes ainda enfrentam desafios para a sua consolidação, em termos de financiamento, articulação institucional e ampliação de acesso aos segmentos mais vulneráveis do público-alvo.

Acesse a íntegra do livro

Assessoria de Imprensa e Comunicação
61 99427-4553
61 2026-5136 / 5240 / 5191
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 
 

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a Licença Creative Commons Atribuição 2.5 Brasil.
Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
Expediente – Assessoria de Imprensa e Comunicação