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04/05/2021 16:32

Brasil pode aumentar exportações para asiáticos e sul-americanos com corredor rodoviário


Prevista para 2023, infraestrutura deve promover expansão comercial para o Pacífico

Expandir os mercados exportadores do Mato Grosso do Sul, ampliar o dinamismo econômico entre o Brasil e a região Ásia-Pacífico e articular as cadeias produtivas do Norte chileno, do Noroeste argentino, do Chaco paraguaio e do Centro-Oeste brasileiro são os principais objetivos do Corredor Rodoviário Bioceânico. Nesse contexto, as exportações brasileiras de produtos como celulose, soja, minério de ferro, proteína animal, entre outros, deverão atingir novo patamar. O projeto de integração física, que conectará Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, com os portos do Norte do Chile, foi analisado também sob a ótica do potencial de seus mercados.

Planejada em 2015, a rota é o único projeto de infraestrutura que envolve mais do que dois países em execução na América do Sul. Com previsão de conclusão para 2023, a obra de infraestrutura deverá facilitar a expansão do intercâmbio comercial com o Oeste. Essa análise é detalhada no livro “Corredor Bioceânico de Mato Grosso do Sul ao Pacífico: produção e comércio na rota de integração sul-americana”, que foi lançado nesta terça-feira (4/5), em webinar realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A publicação é uma coedição com a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

Na abertura do evento, o diretor de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea, Ivan Oliveira, destacou que o estudo teve como foco reconhecer características específicas sul-mato-grossenses e que iniciativas semelhantes deverão ser desenvolvidas pelo instituto. “O desafio que cada um dos nossos estados tem em sua inserção internacional é parte da agenda do Ipea e esse projeto marca muito claramente esta perspectiva”, afirmou.

O reitor da UEMS, Laércio Carvalho, informou que a universidade mantém estudos nos municípios do estado por onde passa o corredor para identificar o potencial regional. “Estamos com projetos de ensino, pesquisa e extensão para somar com o desenvolvimento do estado e com as melhores tomadas de decisão”, disse.

Para o coordenador nacional do Corredor Rodoviário Bioceânico do Ministério das Relações Exteriores (MRE), João Carlos Parkinson, o estudo do Ipea inovou por ser integral e levou em conta diversos aspectos como a infraestrutura e os fluxos de comércio. Ele ainda explicou que, ao considerar as cadeias de valores, é possível compreender melhor os benefícios do projeto. “A cadeia de valor é uma maneira de você levar benefícios para todos os territórios. Você não terá apenas um ganhador; você terá vários ganhadores”, analisou.

Por último, o secretário de estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar do Governo de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, avaliou que os estudos poderão identificar exemplos de desenvolvimento conjunto para os moradores da região, ao abordar diferentes temáticas relacionadas. “Infraestrutura é o primeiro foco, segundo alfândega e, paralelamente, projetos de desenvolvimento social, agricultura, pecuária e conectividade”, citou.

Potencial Econômico

Os principais produtos explorados economicamente pelos portos e cidades beneficiadas pelo Corredor Bioceânico, que são relevantes para o Mato Grosso do Sul, estado brasileiro mais impactado pela rota, tiveram suas potencialidades analisadas pelo livro, tanto do ponto de vista do cenário mundial quanto do atual mercado brasileiro. Dentre os produtos avaliados, com competitividade que poderá ser positivamente influenciada em função da logística proporcionada pela aproximação com o Pacífico e as demais regiões conectadas com rodovia, estão a celulose, a soja, as proteínas animais, os fertilizantes, o minério de ferro, o lítio e o sal.

No caso específico da celulose, o corredor, de acordo com o estudo publicado, poderia ampliar ainda o mercado já consolidado. O Brasil responde hoje por mais 46% das exportações globais de celulose de eucaliptos e o Mato Grosso do Sul é responsável por 25,9% desse total. Em 2019, a celulose representou quase 40% das exportações totais do estado.

A estimava da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) é que a economia permitida pelo Corredor Bioceânico, ao substituir o comércio do Mato Grosso do Sul via portos brasileiros do Atlântico e Canal do Panamá pelos portos do Norte do Chile, poderia chegar a US$ 70 milhões anuais no caso das vendas de celulose para a região Ásia-Pacífico.

Maior fornecedor de carne bovina do mundo e com cerca de um terço do rebanho nacional concentrado na região Centro-Oeste, o Brasil é também o quarto maior produtor global de frango e principal exportador mundial de pedaços e miudezas comestíveis, movimentando neste último mercado aproximadamente US$ 4,3 bilhões.

No cenário mundial, destacado no estudo, em 2019, somente a China importou do mundo mais de US$ 930 milhões de carne de frango e o mercado brasileiro abasteceu 80% deste valor, essencialmente com porções de tulipas e pés de galinha. Desse mercado, o Mato Grosso do Sul, também em 2019, exportou US$ 210,7 milhões, que foram destinados sobretudo à Ásia e ao Oriente Médio.

A expectativa é que o estabelecimento do Corredor Bioceânico possa acentuar ainda mais o papel do Mato Grosso do Sul nos cenários nacional e internacional e consolidar não apenas as relações econômicas, como as comerciais e produtivas, criando articulações entre o Brasil com o Chaco paraguaio, o Noroeste argentino e o Norte do Chile.

No caso do lítio, embora o Brasil ainda tenha um mercado incipiente, a exploração mineral e o processamento industrial no chamado Triângulo ABC do Lítio (Argentina, Bolívia e Chile) poderão se tornar estratégico também para o desenvolvimento da região em torno do Corredor Bioceânico. Na medida em que, segundo os pesquisadores, haja integração entre as cadeias produtivas regionais do lítio, as reservas e os parques industriais, o Brasil poderia inclusive converter-se em processador industrial do mineral, sobretudo desenvolvendo baterias recarregáveis.

Entre os desafios a serem enfrentados pelo Corredor apontados pelo pesquisador Pedro Silva Barros, está o fato de a rota se comportar como um catalisador de uma rede de desenvolvimento que amplia seus benefícios para além dos setores exportadores já consolidados, como soja, celulose e carnes tradicionais. “O corredor permitirá a articulação da pequena e média produção do Centro-Oeste brasileiro, Paraguai e noroeste da Argentina com cadeias produtivas chilenas que já têm logística estruturada para mercados asiáticos”, acrescentou.

Sobre o livro

A publicação é parte integrante do projeto Integração regional: o Brasil e a América do Sul, desenvolvido pela Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte) e da participação do Ipea nas reuniões do Grupo de Trabalho criado pelos presidentes do Brasil, da Argentina, do Chile e do Paraguai para debater o tema. Coordenada pelo pesquisador Pedro Silva Barros, a publicação também é de autoria dos professores Raphael Padula da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luciano Severo da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), e das pesquisadoras Sofia Samurio e Julia Gonçalves, ambas do Ipea. O livro é uma coedição com a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

O coordenador do projeto Integração Regional, Pedro Silva Barros, assegurou que o estudo sobre o Corredor Bioceânico segue em andamento e, no segundo semestre de 2021, será apresentada uma nova publicação, resultado de cooperação entre o Ipea e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que expande a análise realizada para o Mato Grosso do Sul para as regiões argentinas, chilenas e paraguaias próximas ao corredor. No segundo estudo, oportunidades de negócios envolvendo outros produtos serão detalhadas, como é o caso de azeitonas, azeite, vinhos, café, açúcar, algodão, milho e produtos lácteos.

Acesse a íntegra da publicação.

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