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06/11/2020 11:00

Estudo mostra as chances de óbito por Covid-19 entre trabalhadores formais do RJ


Pesquisadores do Ipea e da UFRJ apontam risco mais elevado para trabalhadores da saúde e segurança

Um estudo pioneiro divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta quarta-feira (04) revela em que medida fatores socioeconômicos e ocupacionais influenciam a probabilidade de óbito por Covid-19 no estado do Rio de Janeiro. Uma das constatações é que trabalhadores empregados em estabelecimentos dos setores de saúde e segurança apresentam, respectivamente, uma chance de morrer 146% e 125% superior à dos ocupados em outras atividades.

A análise, feita por pesquisadores do Ipea e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), se baseou no conjunto de pessoas que estavam no mercado formal de trabalho em 2018 – as quais representam, aproximadamente, a metade dos casos da doença no estado. Trabalhadores do comércio essencial, da imprensa e dos serviços essenciais têm, respectivamente, 30%, 49% e 38% mais chances de óbito que os demais grupos. Os empregados no serviço público, mesmo depois de retirados os profissionais da saúde e da segurança, ainda apresentam 37% a mais de chances de morrer de Covid-19.

Os resultados mostram que, a cada ano a mais de idade, a probabilidade de óbito por Covid-19 aumenta em 18%. Os homens têm 135% a mais de chance de morrer da doença do que as mulheres. No caso dos pretos, pardos e indígenas, o risco é 39% maior que o dos brancos. Já quem possui nível superior completo tem 44% a menos de chance de morrer pela doença – provavelmente explicado pela possibilidade de adesão às medidas de isolamento social, como, por exemplo, o teletrabalho. Quem trabalha na região metropolitana é mais suscetível, com 141% a mais de probabilidade de óbito.

Os pesquisadores utilizaram dados da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, que disponibiliza casos confirmados da doença desde o início da pandemia, em 08 de março. Para identificar características socioeconômicas dos indivíduos, a equipe associou os registros à base de dados Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2018 (última versão disponível), que é um registro administrativo de empresas do setor formal a respeito de vínculos trabalhistas estabelecidos. Ao todo, a base de dados utilizada tem registros de mais de 145 mil casos de Covid-19 e quase 13 mil mortes ocorridas até 4 de julho.

Fernanda De Negri, coordenadora do Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade do Ipea e uma das autoras do estudo, espera que esses resultados ajudem a calibrar as medidas de prevenção da doença a serem adotados pelo setor público, inclusive no desenho de uma estratégia de imunização, no momento em que uma vacina for aprovada. “Uma questão a ser investigada no futuro é se as diferenças observadas entre as ocupações e as atividades econômicas irão desaparecer após as medidas de reabertura que estão em andamento no estado”, disse a pesquisadora.

Acesse aqui a íntegra do estudo.

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