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28/08/2020 10:22

Combate à Covid-19 deve observar as particularidades de cada estado

Pesquisa do Ipea abordou as principais diferenças entre SP, AM, CE, RJ e PE e como elas afetaram a dinâmica epidêmica, a economia e as políticas de contenção da doença

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) analisou como as particularidades dos estados brasileiros interferem no avanço ou contenção da Covid-19. Entre os resultados, ficou evidenciada a importância de uma abordagem desagregada para a formulação de políticas de combate à epidemia no Brasil. A adoção de políticas únicas para um país da dimensão do Brasil pode provocar reações desproporcionais nos estados, agravando de forma desnecessária a recessão econômica em alguns deles.

A pesquisa avaliou características cinco Unidades da Federação (São Paulo, Amazonas, Ceará, Rio de Janeiro e Pernambuco), escolhidas por serem as mais atingidas pela pandemia no momento da análise dos dados. O economista e pesquisador do Ipea responsável pelo estudo A Macroeconomia das Epidemias: Heterogeneidade Interestadual no Brasil, Geraldo Góes, explica que foram analisados dados referentes ao pico de infectados, ao tempo necessário para alcançá-lo, à profundidade e à duração das recessões, à população total infectada e à quantidade de mortes em cada estado.

De acordo com Góes, os resultados evidenciam que “as diferenças dos estados implicam também trajetórias ótimas de políticas de contenção distintas para cada um deles”. “Isso foi determinante para a tomada de decisões sobre quando adotar as medidas de distanciamento social, o melhor momento para enrijecer essas medidas e quando flexibilizá-las”, explicou.

Outro ponto destacado foram as perdas econômicas que ocorreram durante a pandemia. Entre os cinco estados pesquisados, os que mais sofreram nesse aspecto foram Ceará e Pernambuco. No caso do Ceará, de março a maio deste ano a queda no consumo e nas horas de trabalho ofertadas pela população economicamente ativa foi de 18,11%, na comparação com o mesmo período de 2019. Já em Pernambuco, houve uma redução de 17,66%.

Segundo o autor da pesquisa, a queda no consumo e nas horas de trabalho ofertadas nesses estados aconteceu porque a população tinha informações sobre a baixa capacidade de atendimento do sistema de saúde local e o crescimento de taxas de mortalidade. “Tendo conhecimento dessa situação, os indivíduos internalizam o aumento dessas taxas e respondem abrindo mão de consumo e trabalho para reduzir suas probabilidades de serem infectados, o que, por sua vez, aprofunda a recessão econômica”, explicou Góes.

Para o pesquisador, o estudo reforça a importância de conter a pandemia no país de maneira diferenciada em cada estado. Por exemplo, se a política nacional for além da requerida para determinadas UFs, estas podem sofrer abalos mais graves em suas economias. Num pior cenário, se a política adotada por todo o país for aquém da requerida por determinados estados, a consequência pode ser a elevação do número de mortos. Portanto, em última análise, o enfrentamento desagregado da pandemia pode colaborar tanto para a menor severidade da recessão econômica sofrida pelo país como um todo, quanto para a preservação de um maior número de vidas.

Acesse o estudo completo

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