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26/08/2020 13:44

Levantamento reúne recomendações para a volta às aulas no Brasil


Estudo realizado pelo Ipea aponta os principais alertas da OMS, Fiocruz e do Unicef sobre atividades escolares durante a pandemia

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizou um levantamento das principais recomendações de organismos internacionais e brasileiros sobre o retorno às aulas no período pandêmico da Covid-19. O objetivo é contribuir com os gestores da educação, em seus diferentes níveis, que planejam a retomada presencial das atividades educacionais no Brasil.

A nota técnica Levantamento das Recomendações para a Volta às Aulas em Tempos de Covid-19 destaca que pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveram um manual de biossegurança para auxiliar as instituições de ensino brasileiras na retomada das atividades, em que indicam a reabertura apenas quando houver a redução sustentada do número de novos casos de Covid-19. Isso porque as decisões governamentais de reabertura têm sido objeto de disputa judicial em Unidades da Federação como Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Entre as recomendações da Fiocruz estão a adequação de procedimentos para higienização e desinfecção de todas áreas do espaço escolar; a destinação de uma área específica para o isolamento dos casos suspeitos de Covid-19; a formação de equipe de trabalho para acompanhamento pedagógico e psicossocial para a comunidade escolar; a articulação com o sistema de saúde local para a realização de testes e o rastreamento dos contatos; a comunicação interna sobre biossegurança e proteção da vida; a prevenção do abandono escolar; a elaboração de calendário escolar e o planejamento de um retorno gradual e parcial.

O levantamento também destaca informações do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) que indicam que “o fechamento das escolas decorrente da pandemia de Covid-19 representa um risco sem precedentes para a educação, a proteção e o bem-estar das crianças”. Segundo o pesquisador do Ipea e economista Luis Cláudio Kubota, autor do estudo, apesar do esforço que muitas unidades de ensino públicas e privadas têm feito para minimizar as perdas dos estudantes com o isolamento social, os prejuízos com o aprendizado serão significativos – especialmente no caso das famílias com menores recursos de conectividade, infraestrutura domiciliar e nível de escolaridade dos responsáveis.

O economista lembra que os impactos negativos do fechamento das escolas em função da pandemia incluem ainda questões como a falta de acesso à alimentação oferecida pelas instituições e ao suporte psicossocial, além da ansiedade causada pela ausência de rotina escolar e de interação com colegas estudantes.

Segundo uma pesquisa coordenada pelo Conselho Nacional de Juventude (Conjuve) com 24.161 jovens brasileiros, 24% dos estudantes de 15 a 18 anos pesquisados informaram que já́ pensaram em não voltar à escola após o isolamento social. “Quanto mais as crianças em pior condição socioeconômica ficam fora da escola, menor a probabilidade de voltar”, explica Kubota.

No Brasil, o custo do abandono escolar equivale a R$ 372 mil por jovem, o que representa R$ 214 bilhões ao ano. Para o pesquisador do Ipea, o Brasil tem a oportunidade de aprender com as experiências de outros países e as recomendações de organismos internacionais, minimizando, na medida do possível, os efeitos do período de fechamento das escolas. “No entanto, é importante lembrar que o Brasil é um país continental extremamente desigual, onde o acesso à rede de água tratada e esgoto varia assim como o acesso à internet e, claro, essas diferenças estão associadas a uma má́ distribuição de renda que torna a questão da abertura ainda mais complexa”, concluiu.

Acesse a íntegra da Nota Técnica

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