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07/08/2020 09:45

Boletim reúne artigos sobre estrutura de classes, meritocracia e desigualdades

Em edição temática, o Boletim de Análise Político-Institucional nº 23 apresenta textos inéditos que exploram dados levantados pelo projeto Radiografia do Brasil Contemporâneo

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada publicou nesta sexta-feira, 07, a edição 23 do Boletim de Análise Político-Institucional. Neste número temático, o boletim reúne textos que exploram os dados levantados e organizados no projeto Radiografia do Brasil Contemporâneo, dedicado à produção de um estudo qualitativo de grande escala, realizado pelo Ipea entre 2015 e 2016. O projeto buscou entender de que maneira a ação do Estado impacta concretamente a vida dos entrevistados e como essa ação é interpretada pelos diferentes segmentos sociais.

A Radiografia se insere no debate levantado pelas implicações sociológicas do movimento de ascensão social experimentado por uma parcela significativa da população brasileira a partir do início dos anos 2000. Dados utilizados mostram que, de 2003 a 2014, 32 milhões de brasileiros saíram da condição de miséria e outros 30 milhões deixaram a condição de pobreza.

Em “Espaço social e estrutura de classes nas regiões metropolitanas brasileiras”, o pesquisador Emerson Rocha busca compreender as atitudes dos brasileiros no espaço social, a partir do conceito estabelecido pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu. O texto aplica uma análise de componentes principais com o objetivo de identificar se as escalas de atitudes referentes ao trabalho, à família, à comunidade, à política e ao consumo cultural revelam estilos de vida próprios em cada classe social. O estudo se insere nas discussões sobre a pertinência do conceito de classe, entre outros aspectos.

O sociólogo e pesquisador do Ipea Marco Natalino investiga, no artigo “Pobreza, redistribuição e o Programa Bolsa Família na percepção dos brasileiros”, as diferenças e similaridades nas percepções das classes sociais sobre o Bolsa Família. Dentro desse panorama, ele aborda como se dá a captura de valores e cognições a respeito da pobreza, desigualdade social, redistribuição e das avaliações da sociedade civil sobre os beneficiários julgados “merecedores” e “não merecedores” de transferências de renda.

Com base em entrevistas, o sociólogo Félix Lopez, do Ipea, analisa enquadramentos e repertórios utilizados pela população brasileira para explicar as razões das desigualdades que marcam a imagem do país. O artigo revela a existência de pelo menos cinco enquadramentos que relacionam o padrão atual de discrepância social à herança colonial, ao Estado, à corrupção política, a desequilíbrios educacionais e aos atributos individuais.

O conceito “sociologia do guichê” é utilizado pelo pesquisador Roberto Pires em seu artigo “Encontros burocráticos e suas reverberações simbólicas: uma exploração das experiências de interação cotidiana com agentes do Estado”. Pires trata de situações em que pessoas interagem com funcionários do governo, os chamados encontros burocráticos. “Meritocracia e a reprodução da desigualdade: análise comparativa de trajetórias sociais entre agentes do campo jurídico” traz os resultados preliminares da análise sobre as trajetórias dos bacharéis de direito provenientes de diferentes classes. O artigo da pesquisadora Mariana Garcia destaca a inserção da classe média alta nas posições mais prestigiosas do campo jurídico estatal, o que inclui melhores carreiras e salários.

Leia a íntegra do Boletim de Análise Político-Institucional

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