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30/06/2020 11:36

Ipea prevê crescimento da dívida pública e redução de margem fiscal


Análise trimestral destaca necessidade de disciplina fiscal e reformas

A deterioração fiscal causada pela pandemia de Covid-19 pode fazer com que a proporção da dívida bruta do governo federal em relação ao PIB passe de 75,8% no final de 2019 para 93,7% no final de 2020.  De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o impacto pode ser ainda maior caso os atuais programas emergenciais de apoio à economia sejam estendidos além do tempo previsto.  As previsões estão na análise trimestral de conjuntura econômica, divulgada nesta terça-feira, 30.

O documento, chamado de Visão Geral da Conjuntura, traz projeções das despesas fiscais nos próximos anos e conclui que, em 2023, o espaço fiscal - que indica quanto o governo pode gastar com despesas discricionárias - atingiria nível equivalente a 64% do valor estimado para 2020, em termos reais – já descontada a inflação. Isso colocaria em risco o funcionamento da máquina pública e a continuidade de diversas políticas sociais, e reforça a importância de medidas voltadas para a contenção dos gastos obrigatórios.

No que diz respeito ao endividamento público, a análise mostra duas possíveis trajetórias. Os cenários se diferenciam pelo ritmo de crescimento do PIB nos próximos anos, mas ambos pressupõem esforço fiscal compatível com a manutenção do teto de gastos até 2036. Os resultados mostram que, no cenário de crescimento mais baixo, a disciplina fiscal seria capaz de estabilizar a razão dívida-PIB e fazê-la cair gradualmente a partir de 2029, mas deixaria o país vulnerável a choques adversos durante longo período de tempo. Já no cenário caracterizado por crescimento mais elevado, a dívida em proporção do PIB diminuiria a partir de 2022 e convergiria mais rapidamente para patamares menos arriscados. A recomendação é a combinação de disciplina fiscal com um conjunto de medidas e reformas que aumentem a eficiência e a produtividade na economia brasileira.

As previsões macroeconômicas para 2020 e 2021 divulgadas no início de junho estão mantidas: queda de 6% no Produto Interno Bruto (PIB) para 2020 e alta de 3,6% para 2021. Apesar da projeção de queda de 10,5% no segundo trimestre do ano corrente, há expectativa de retomada da atividade econômica nos próximos trimestres. O mês de abril foi considerado o fundo do poço devido às quedas em relação ao mês de março na indústria (-18,8%), no comércio (-17,5%) e nos serviços (-11,7%), de acordo com pesquisas mensais do IBGE.

Confira a íntegra da análise no site da Carta de Conjuntura

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