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22/06/2020 09:40

Pesquisa aponta fragilidades no noticiário da imprensa sobre fluxo de imigrantes

Foram analisadas publicações entre os anos de 2010 e 2018 de três veículos de imprensa de grande circulação no país

O noticiário da grande imprensa sobre o fluxo migratório no Brasil caracteriza-se por limitações no debate sobre políticas de acolhimento social e informações com termos pejorativos. A conclusão faz parte do livro A Midiatização do Refúgio no Brasil, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O estudo apresenta uma análise de discurso de dez mil notícias sobre imigrantes. Os dados mostram alta adjetivação nas informações e o impacto das notícias no processo de formulação das políticas de inclusão social.

A pesquisa analisou as publicações entre 2010 e 2018 de três veículos de imprensa (Folha de São Paulo, O Globo, Estado de São Paulo). As principais nacionalidades mencionadas no período foram cidadãos venezuelanos (69%), haitianos (56%) e sírios (18%). De acordo com os dados coletados, observa-se o uso de termos imprecisos como “refugiados”. A denominação adequada é “solicitantes de refúgio”, conforme adotado no texto da Lei de Imigração Brasileira. Além disso, as notícias divulgadas utilizam como fonte de informação apenas relatos jornalísticos e informações colhidas nas fronteiras do país, contendo ausência de dados estatísticos e fontes oficiais.

Na avaliação do pesquisador do Ipea e engenheiro agrônomo, João Brígido Bezerra, a pesquisa apresenta dados que confirmam a fragilidade na cobertura jornalística da grande mídia sobre o fluxo migratório no país. Segundo ele, em alguns casos foi possível coletar informações publicadas na mídia de caráter xenofobista. “A imprensa tem um importante papel na construção das políticas de acolhimento aos imigrantes. É preciso que ela esteja em consonância com a Lei de Imigração Brasileira para contribuir nesse processo construtivo”, destaca o pesquisador.

O livro contou com o apoio da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi) e Coordenação de Estudos em Cooperação Internacional da Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Coint/Dinte). Ele é um desdobramento de outras análises que incluíram a elaboração de um perfil sociodemográfico dos imigrantes no Brasil com base nos registros do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).

O Ipea deverá divulgar ainda este ano a próxima fase do estudo sobre fluxo migratório no Brasil. Entretanto, a pesquisa vai apresentar uma análise sobre os dados coletados relacionados ao fluxo migratório em Brasília. O estudo deverá contar com a colaboração de entidades do governo local no fornecimento de informações quantitativas e qualitativas para a consolidação do perfil sociodemográfico dos imigrantes na Capital.

Leia a íntegra da pesquisa.

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