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15/05/2020 10:24

Redução de gastos com inovação afeta indústria de equipamentos médicos

Estudo aponta retração nos investimentos desde 2008

A falta de investimentos em inovação repercute na maior fragilidade tecnológica do Complexo Industrial da Saúde (CIS), evidenciada no atual contexto da pandemia do novo coronavírus. A redução mais acentuada ocorreu na indústria de equipamentos médicos, cujos itens são atualmente um desafio para aquisição pelo Sistema Único de Saúde (SUS), revela um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com base na Pintec 2017, pesquisa trienal que avalia o esforço de inovação das empresas brasileiras dos setores industrial e de serviços.

A versão mais recente da Pintec, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em meados de abril, refere-se ao período de 2015 a 2017, e envolveu 116.962 empresas com 10 ou mais trabalhadores que fizeram algum tipo de inovação em produtos ou processos. A análise do Ipea abrangeu indicadores de investimentos em inovação, em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e a participação da P&D na inovação, em relação às receitas líquidas de vendas das indústrias farmacêutica, de equipamentos e de materiais médicos que compõem o CIS.

“O setor de equipamentos médicos é o mais preocupante, pois fornece produtos relevantes para o SUS e mantém indicadores desfavoráveis de gasto em P&D desde 2011”, revela o pesquisador Rafael Leão, um dos autores do estudo. Diante do cenário atual da pandemia, o estudo constata a necessidade de uma capacidade tecnológica e produtiva nacional autônoma, para dar respostas tecnológicas e produtivas às necessidades de saúde pública.

A análise identificou que o total de investimentos deste segmento em inovação caiu de 10,6% das receitas líquidas em 2011 para 1,9% em 2017. No caso da indústria farmacêutica, esse indicador saiu de 4,9% em 2008 para 3,5% em 2017, e na indústria de materiais médicos, passou de 0,7% em 2008 para 1,7% em 2014, declinando para 1% em 2017. No conjunto do Complexo Industrial da Saúde, os investimentos em inovação foram reduzidos de forma contínua desde 2011, quando passou de 4,6% das receitas líquidas para 3,5% em 2017, e acompanhou a indústria de transformação no Brasil, que caiu de 2,5% para 1,7% nesse período.

Considerando-se apenas os gastos em pesquisa e desenvolvimento, o CIS registrou recuo entre 2011 (2,7%) e 2017 (2,3%) – tendência contrária à indústria de transformação. De novo, o setor de equipamentos médicos se destaca negativamente, com queda nos investimentos de 7,6% em 2011 para 1,1% em 2017.

O pesquisador chama a atenção, porém, para a elevação consistente de gastos em P&D em proporção às inversões totais em atividades inovadoras, tanto no CIS quanto na indústria de transformação. Isso sinaliza uma tendência de alteração do padrão brasileiro, em direção ao que já fazem países desenvolvidos como Alemanha, França, Espanha e Itália. “A qualidade do gasto em inovação na indústria brasileira, mais especificamente a de transformação e a farmacêutica, que surpreendeu e ultrapassou 70%, impactando positivamente o CIS, converge para o padrão de países desenvolvidos”, conclui o pesquisador.

Acesse a íntegra do estudo

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