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08/04/2020 19:08

Estudo mapeia acesso ao SUS para pacientes mais vulneráveis ao novo coronavírus

Pesquisa do Ipea sobre mobilidade urbana nas 20 maiores cidades do Brasil aponta locais que vão precisar de mais atenção dos gestores públicos

Cerca de 1,6 milhão de moradores das principais cidades brasileiras residem a mais de 5 km de um hospital público com capacidade para internação em UTI. Cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Curitiba destacam-se com mais de 100 mil habitantes em condições potencialmente vulneráveis e acesso mais difícil a hospitais com leitos de UTI e respiradores mecânicos. Os dados constam no estudo Mobilidade Urbana e o Acesso ao SUS para Casos Suspeitos e Graves de Covid-19 nas 20 Maiores Cidades do Brasil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O trabalho traz uma série de mapas que registram onde moram os grupos sociais vulneráveis de baixa renda e acima de 50 anos de idade, com dificuldade de acesso ao SUS e mostra que mais de 228 mil pessoas moram a mais de 30 minutos de caminhada de uma unidade de saúde. Também aponta quais são os estabelecimentos de saúde que deverão enfrentar gargalo mais severo para atender à demanda de internações de pacientes em estado grave, uma vez que a Covid-19 tem causado rápido crescimento do número de doentes internados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e deverá sobrecarregar ainda mais a capacidade do SUS.

Os pesquisadores mapearam, ainda, as áreas dentro das 20 cidades que seriam boas candidatas a ter um hospital de campanha: geralmente, nas periferias dos grandes centros urbanos, com baixa oferta de equipamentos de saúde e piores condições de urbanização e renda. De acordo com o estudo, é nessas áreas que prefeituras e serviços de saúde devem desenvolver estratégias de atendimento, seja pré-hospitalar ou de unidades móveis (como Samu), seja aprimorando os serviços de consulta por telefone, online, ou com agentes comunitários.

O envolvimento de gestores locais na organização do transporte é outro aspecto destacado na pesquisa. Embora a redução dos serviços de transporte público possa ser uma estratégia relevante para reduzir os níveis de mobilidade urbana e limitar a disseminação do vírus, o documento alerta que isso pode restringir o acesso aos estabelecimentos de saúde para profissionais do setor, pacientes e familiares de baixa renda sem alternativa de deslocamento.

Acesse a íntegra do estudo

 
 

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