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G1.com.br: Diferenças entre famílias revelam extremos da desigualdade no DF Segundo Ipea, Distrito Federal tem a maior desigualdade de renda do país. Região é única com piora na desigualdade entre 1995 e 2008, diz estudo. Duas famílias das localidades de Águas Claras e Cidade Estrutural, entrevistadas pelo G1, simbolizam os dois extremos da desigualdade de renda do Distrito Federal, apontada em estudo do Instituto Brasileiro de Pesquisas Econômicas (Ipea) como a maior do país. De acordo com o estudo, divulgado nesta terça, de 1995 a 2008, somente o Distrito Federal registrou piora na desigualdade de renda em comparação com as demais unidades da federação. Geralda Dias da Silva (à esq.), na casa onde mora na Cidade Estrutural; Kátia Pereira (dir.), no apartamento de quatro quartos, em reforma, na localidade de Águas Claras (Foto: Tcherena Correia/G1)saiba mais   Ipea destaca desigualdade social do DF nos 50 anos de Brasília Prosperidade Funcionário público federal, Marcelo Pereira, 46 anos, está na ponta da escala da melhoria de vida nos anos avaliados pela pesquisa. De 2005 a 2010, ele e a família deixaram o apartamento de 78 metros quadrados em que viviam em Taguatinga para um outro com o dobro do tamanho. A família de quatro pessoas mora agora em um apartamento de 170 metros quadrados, com quatro quartos. O imóvel, avaliado em R$ 400 mil, já está quitado. A esposa de Pereira, Kátia, não trabalha, e estuda Direito em uma universidade privada de Brasília. Os dois filhos, de 4 e 10 anos, estudam em escolas privadas. Na análise de Pereira, as oportunidades oferecidas em Brasília para quem tem estudo são as responsáveis pela melhora financeira. “Brasília tem muitas oportunidades de concursos públicos. Muitas pessoas vêm de outros estados para isso. Eu mesmo vim de Santa Catarina e me formei aqui. Os salários oferecidos aqui são maiores e nos dão condições de viver de uma forma melhor. Tanto que estamos sempre querendo melhorar mais ainda”, conta Pereira, graduado em duas faculdades pela Universidade de Brasília (UNB). As melhorias almejadas pela família Pereira não pararam na compra do imóvel. A reforma do apartamento de Águas Claras, uma região que sofre forte expansão imobiliária, com centenas de edifícios em construção, já está em fase final. Ao mesmo tempo, a família prepara para agosto a próxima viagem de férias,  para os Estados Unidos. Pereira e a esposa sonham que os filhos vivam em condições financeiras ainda melhores. “ Queremos que eles [filhos] estejam muito bem preparados para o futuro profissional. Boa parte do que ganhamos investimos neles”, conta Kátia. Escassez No outro extremo da desigualdade de renda no Distrito Federal está a desempregada Geralda Dias da Silva, 52 anos. Mãe de seis filhos, ela chegou a Brasília vinda da Paraíba em 1990. Só conseguiu espaço para erguer o barraco na Cidade Estrutural, uma das localidades mais pobres do Distrito Federal. Por anos, trabalhou como catadora de material reciclado, junto com o marido. Conseguiram substituir os papelões do barraco por tijolos. Os filhos estudaram, mas não chegaram à faculdade. Com o passar dos anos, Geralda e o marido ficaram doentes e atualmente dependem dos filhos para viver. “Tenho dificuldades financeiras. Hoje gastamos em média R$ 400 por mês. São os filhos que nos mantêm. Por sorte, meus filhos estão casados, têm trabalho e podem ajudar. Teve um tempo que era melhor. A gente podia comprar mais coisas. Agora, tivemos de reduzir até as verduras e frutas, que são mais caras", lamenta a dona-de-casa. Da Cidade Estrutural, Geralda sai poucas vezes por ano. Vai ao Plano Piloto, no centro de Brasília, apenas quando precisa de consulta médica. Mas reclama do preço da passagem do transporte público, entre R$ 1,50 e R$ 3. Os custos com transporte, assim como alimentos, estão entre as principais queixas da desempregada. Ela diz lamentar a desigualdade de renda tão grande no Distrito Federal. “Nós, pobres, deveríamos ser vistos com outros olhos. Nós, que geralmente trabalhamos para colocar a comida na mesa dos ricos. Se tivéssemos ao menos metade da estrutura que é dada no Plano Piloto seria muito melhor. Eu talvez não tivesse o esgoto aberto na frente da minha casa. Teria melhores condições para viver“, lamenta a desempregada. O Ipea projeta que, em 2016, o país terá superado a miséria (pobreza extrema) e reduzido a 4% a taxa nacional de pobreza absoluta.  
Radio Renascença (SP): Brasil: Quase 13 milhões deixaram a pobreza em 13 anos Brasil poderá “eliminar” a pobreza absoluta na segunda década do século XXI. Cerca de 12,8 milhões de brasileiros deixaram a condição de pobreza, entre 1995 e 2008, resultado do bom desempenho da economia, revelou uma pesquisa hoje divulgada. O estudo do Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (Ipea) indicou que o Brasil poderá “eliminar” a pobreza absoluta, “uma das suas principais chagas”, na segunda década do século XXI. “Quando se projecta no tempo a redução nas taxas de pobreza, alcançada no período de maior registo da sua diminuição recente (2003-2008), pode-se inferir que, em 2016, o Brasil terá superado a miséria e diminuído a taxa de pobreza”, refere o texto. O estudo “Dimensão, evolução e projeCção da pobreza por região e por estado no Brasil” salienta que o percentual da população brasileira em condições de pobreza diminuiu de 43,4% para 28,8%, no período em análise. O IPEA salienta, entretanto, a necessidade da continuidade da “combinação do crescimento económico com avanços sociais”, com o “aperfeiçoamento de políticas públicas”, sobretudo em regiões mais pobres. “O crescimento económico, ainda que indispensável, não se mostra sufi ciente para elevar o padrão de vida dos brasileiros”, refere o estudo, ao destacar que regiões com maior expansão económica “não foram necessariamente as que mais reduziram a pobreza e a desigualdade”.                          
Estadão.com.br (SP): Iniciativa privada receosa com papel do governo na Copa de 2014 e Rio 2016 Empresas demoram a usar eventos como forma de investimento por falta de planejamento públco SÃO PAULO - Apreensão. Essa é a definição para o momento que a iniciativa privada vive em relação aos dois principais eventos que o Brasil nesta década: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio. Uma pesquisa feita pela Deloitte (empresa que presta vários serviços, dentre os quais consultoria), juntamente com o IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores), apontou a expectativa e as ações do mercado diante de tais desafios. Na pesquisa, realizada entre os meses de abril e maio deste ano, apenas 12% das empresas afirmaram que já implementaram um plano específico para aproveitar as oportunidades que tais megaeventos esportivos trarão ao País. Outros 14% apontaram que possuem um plano, mas ainda não o implementaram. Para um dos sócios da Deloitte, Robson Calil, a falta de ações mais agressivas da iniciativa privada tem uma explicação: a indefinição do governo federal quanto ao plano estratégico de ação, assim quanto, onde e como serão investidos os recursos financeiros para viabilizar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, no Rio. "Ainda não se sabe qual é o planejamento do governo para os eventos. É preciso saber o que será feito para, aí sim, a iniciativa privada se posicionar." O principal receio das empresas é a possível associação de sua marca à má administração dos recursos dos eventos e à falta de conclusão dos projetos, evitando, assim, a construção de uma boa imagem do País no exterior. "O último evento de tal porte aconteceu [no Brasil] em 50 [Copa do Mundo], e era algo meramente esportivo. Hoje, não. A Copa é um evento econômico, que envolve muitas coisas, e a preocupação recorrente é o legado que o País terá disso", disse Calil. Apesar do ceticismo, 85% das empresas entrevistadas acreditam que o País, assim como a iniciativa privada, terá um retorno financeiro igual ou melhor aos dos outros países que sediaram a Copa do Mundo, enquanto 91% confiam que o Brasil sairá, após os Jogos Olímpicos de 2016, com uma infraestrutura muito mais adequada às necessidades do País. Dentro deste cenário positivo, 58% das entrevistadas pretendem investir na Copa de 2014, enquanto 61% nos Jogos de 2016. INVESTIMENTO PESADO. Com as indefinições do governo federal, as empresas esperam o aquecimento do mercado, em decorrência da Copa do Mundo, a partir do segundo semestre de 2011, tendo como ápice o meio do ano de 2013, época da realização da Copa das Confederações, no Brasil. No caso das Olimpíadas, o ápice é esperado somente para o primeiro semestre de 2016. O investimento financeiro para a Copa de 2014 está estimado em R$ 60,8 bilhões (de acordo com os valores divulgados pelas cidades-sede), sendo que São Paulo é responsável por R$ 33,4 bilhões do montante. Rio aparece em segundo na lista, com R$ 11 bilhões. Já para os Jogos Olímpicos, uma variedade de valores foi jogada, variando de R$ 3,3 bilhões a R$ 90 bilhões. O valor mais concreto, até o momento, é de R$ 30 bilhões. Como base, Londres espera investir, para os Jogos de 2012, US$ 13,7 bilhões (aproximadamente R$ 24 bilhões), sendo 64,2% oriundos do setor público. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) acredita que o valor investido nos eventos será sobreposto por mais de R$ 100 bilhões de riquezas para o País até o ano de 2027. Já a iniciativa privada não confia que o valor estipulado será o gasto. Para 75%, as despesas serão muito acima do que foi dito até o momento. SETORES BENEFICIADOS. O setor privado enxerga que a indústria da construção será a mais beneficiada pelos eventos, uma vez que falta infraestrutura ao País. Turismo, hotelaria, lazer, transporte aéreo e infraestrutura aeroportuária também foram destacados como setores que receberão grandes investimentos.  
Administradores.com (SP): Ideias sem dono: o calvário de quem tenta registrar uma marca no Brasil Proteção a propriedade intelectual no país ainda é frágil Por Simão Mairins Quase todos os países que hoje despontam como economias de sucesso têm investido pesado no desenvolvimento de novas tecnologias, no sentido de fortalecer sua indústria, principalmente, a de bens de consumo. No Brasil, no entanto, a situação segue um ritmo mais lento e sofre com um entrave muito grande: a morosidade nos processos de concessão de patentes. Na matéria "Quanto custa o futuro?" apresentamos alguns dados que demonstram um índice baixíssimo de investimentos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil, que convive, em consequência, com um número muito reduzido de patenteamentos de produtos e processos. Com a lentidão nos registros, a situação fica ainda mais difícil. Mas a paciência não é uma virtude que precisa ser cultivada apenas por quem espera a concessão de uma patente. Do início até o fim de um processo para qualquer tipo de registro, é preciso esperar, em média, dois anos. Para quem tenta registrar uma marca, isso tem sido motivo de grandes dores de cabeça, que, muitas vezes, vão parar na Justiça, em disputas sem fim.  "A demora no registro de marcas leva a uma situação de muita insegurança jurídica no que tange à propriedade destas", afirma João Fernando Moreira Júnior, gerente comercial da Marpa, companhia que assessora empresas em processos de registro no Brasil e no exterior.  João Fernando explica que há muitos casos em que empresas já estão com processos em andamento no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial – órgão responsável pelos registros no Brasil, e têm de entrar em litígios na Justiça por conta do uso indevido de sua marca por terceiros. "Na medida em que o trâmite dos processos de registro junto ao INPI demora, em média, dois anos – quando não há contratempos – dá-se margem para disputas fora da esfera administrativa do INPI", afirma o gerente da Marpa. Segundo João Fernando, empresas que utilizam indevidamente uma marca costumam procurar brechas legais para manterem o uso enquanto não há uma decisão definitiva, e aproveitam a morosidade do INPI para ganhar tempo. "A empresa que é a depositária da marca e tem anterioridade, embora sem o registro no órgão competente, sofrerá o ônus de ter que conviver com o plágio até uma decisão terminativa e o esgotamento da esfera administrativa, sob pena de correr riscos e custos acessórios diante de um eventual revés", explica João Fernando. Como resolver o problema? O grande desafio, no tocante ao registro de marcas no Brasil, definitivamente, é reduzir o tempo dos processos. De acordo com o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, João Maria de Oliveira, embora o INPI justifique a demora como algo normal ao tipo de procedimento, a questão pode ser mais rápida. Como? João Fernando Moreira acredita que os trâmites podem ganhar celeridade com a "ampliação no quadro de Colaboradores do INPI, a capacitação contínua do quadro funcional, investimento em TI, informatização de todos os processos e digitalização de todo o acervo do banco de dados do INPI". O gerente da Marpa acrescenta, ainda, que poderia ser criado um mecanismo de "prioridade" em casos de litígio. "Hoje acontece exatamente o contrário. Os processos que envolvem mais de uma empresa interessada ou que são passíveis de conflito com outros processos, têm o seu prazo de julgamento protelado por longos anos. Existem casos de processos tramitando há 10 anos no INPI, sem nenhuma deliberação conclusiva", afirma João Fernando. Qual a importância de ter um ® em sua marca?  João Fernando Moura Júnior explica:  "A marca é um ativo intangível que integra o patrimônio da empresa. Para que a empresa seja legalmente a detentora desta marca, precisa registrá-la junto ao órgão competente e obter a concessão da mesma, cumprindo todo o ritual administrativo. A partir deste momento, pode inclusive avaliar o seu valor e lançá-lo no balanço patrimonial, o que proporciona uma melhor relação capital próprio X capital de terceiros e uma avaliação mais fidedigna do valor real do patrimônio líquido.  O registro da marca também proporciona segurança para a empresa, uma vez que evita qualquer risco de disputa pela marca na esfera administrativa ou judiciária, evita custos com contratempos e eventuais disputas, limita ou evita uma possível investida de terceiros para causar confusão no mercado e prejuízos ao detentor da marca, proporciona maior agilidade para resolver eventuais litígios e obter ressarcimentos pelo uso indevido da marca, possibilita o posicionamento e a diferenciação da empresa num mercado cada vez mais competitivo, sendo a marca uma identificação que caracteriza a empresa e os seus produtos, tornando-a única no mercado".  
Administradores.com (SP): Quanto custa o futuro? Mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento são fundamentais, se o Brasil quiser mesmo ser grande Por Simão Mairins  Close Compartilhar ImprimirÉ quase consenso entre organismos e especialistas de todo o mundo que o Brasil, em alguns anos, será uma das cinco maiores potências do planeta. Bons resultados no mercado internacional e a blindagem demonstrada na crise econômica fortaleceram essa opinião e ajudaram a deixar o governo ainda mais otimista. No entanto, o crescimento comemorado atualmente segue caminhos duvidosos e a sustentabilidade da boa fase ainda é uma incógnita. No Brasil de hoje já não se fala mais em país do futuro, mas, sim, do presente. Só que, quando o assunto é economia, uma coisa não pode estar dissociada da outra. A sustentabilidade, a longo prazo, da boa fase vivida atualmente, depende estritamente do que se faz agora. Será que o Brasil está mesmo no caminho certo? Exportador de commodities Entre os chamados Brics – bloco de emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China – os dois últimos têm despontado na frente, investindo pesado em inovação tecnológica e formação de mão de obra. Com essas características, ambos, principalmente a China, estão se consolidando como fortes exportadores de bens industrializados. Enquanto isso, o Brasil se fortalece como um dos maiores fornecedores mundiais de commodities, ou seja, bens de valor agregado muito baixo, como minérios e produtos agrícolas. Posicionado de tal maneira no mercado internacional, o Brasil assume dois riscos sérios. O primeiro é o de ter um desequilíbrio na balança comercial, porque os países que importam commodities brasileiras vendem de volta produtos manufaturadas por valores superiores.  Outro problema é que nenhuma das grandes economias do mundo (nem as que despontam atualmente) se constituiu como tal sem uma sólida indústria de bens de consumo. No entanto, o Brasil ainda depende, majoritariamente, do agronegócio e da indústria de base.  Hoje, o país começa a investir em formação de profissionais, com a ampliação do número de universidades e de escolas técnicas, mas os resultados ainda devem demorar um pouco. Segundo João Maria de Oliveira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, a Coréia do Sul levou cerca de 20 anos para colher os frutos dos investimentos feitos em formação de mão de obra para seu mercado.  Registro de patentes  Outra questão fundamental para o posicionamento do Brasil no mercado internacional de forma sólida é o registro de patentes. Na economia liberal, a propriedade de processos e tecnologias é um dos principais fatores responsáveis pela competitividade nos mercados, e quem desenvolve e patenteia sai na frente.  "O registro de patente que está sendo feito agora é que vai determinar o posicionamento de uma empresa no futuro", disse João Maria, em conferência promovida pelo Ipea para jornalistas. Ele explica que muitas empresas no mundo investem em pesquisas no intuito de desenvolver tecnologias e patenteá-las visando um nicho que pode ser criado no futuro.  No Brasil, no entanto, a indústria investe menos de 1% de seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento, número bastante inferior, por exemplo, ao da Alemanha, que investe 2,6%, segundo dados do Ipea.  O índice brasileiro de investimentos em pesquisa e desenvolvimento está acima da média latino-americana, mas ainda é, majoritariamente, de origem pública. Segundo gráficos do Ipea, de 0,91% do PIB brasileiro que é investido nesse campo, mais da metade parte dos governos. O setor de petróleo e gás, através da Petrobras, é, no Brasil, o que mais detém patentes, e coloca o país em uma posição de vanguarda na área, no plano internacional. Mesmo assim, o Brasil responde por menos de 0,1% do total de produtos ou processos patenteados no mundo. Pesa ainda o fato de o processo de registro de patentes no Brasil ser muito lento, o que, além de dificultar o posicionamento das tecnologias nacionais no mercado externo, gera uma situação de insegurança jurídica internamente. O órgão federal responsável pelo registro de patentes no Brasil é o INPI – Instituto Nacional da Propriedade Industrial, que é encarregado, também, pelo registro de marcas no país, processo que, da mesma forma, é criticado pela morosidade. Confira a matéria que fizemos sobre este assunto
Diário da Região Online (SP): Pobreza absoluta cai, mas as desigualdades persistem  Rubens Cardia  A pobreza extrema só será eliminada em todo o País em 2016 Embora os índices de pobreza no Brasil tenham experimentado queda mais acelerada nos últimos anos, a melhoria das condições econômicas da população desde o Plano Real não teve uma distribuição uniforme entre as regiões do País É o que indica o trabalho “Dimensão, evolução e projeção da pobreza por região e por estado no Brasil”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem. Enquanto a taxa de pobreza absoluta caiu 33,6% entre 1995 e 2008 em todo o País, a redução foi de apenas 12,7% na região Centro-Oeste. Já a queda da taxa de pobreza extrema, cuja média nacional reduziu 49,8% no período, foi reduzida em apenas 22,8% na Região Norte. Já a Região Sul teve resultados bem acima da média nacional nos dois casos: queda de 47,1% da pobreza absoluta e 59,6% da extrema. Segundo o Ipea, os dados mostram que a redução da pobreza não tem uma relação direta apenas com o crescimento econômico. A região Centro-Oeste, que teve a menor queda na proporção de brasileiros com renda per capita abaixo de meio salário mínimo (pobreza absoluta), registrou no período estudado a melhor média do País de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) por habitante: média de crescimento anual de 5,3%. Por outro lado, o Sul reduziu a pobreza em maior proporção, mesmo tendo registrado o menor ritmo de crescimento do PIB por habitante entre as regiões: 2,3% anuais. “O crescimento econômico, ainda que indispensável, não se mostra suficiente para elevar o padrão de vida de todos os brasileiros. A experiência recente do País permite observar que as regiões com maior expansão econômica não foram necessariamente as que mais reduziram a pobreza e a desigualdade”, diz o estudo do Ipea, que sugere a combinação entre crescimento e políticas públicas voltadas para o combate à pobreza. De acordo com as projeções do Ipea com base no ritmo da redução da pobreza no governo Lula (2003-2008), o Paraná poderá se tornar o primeiro Estado brasileiro a erradicar a pobreza absoluta já em 2013. A mesma condição já poderia ser alcançada no ano seguinte por São Paulo. Em 2015, a pobreza estaria eliminada no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Distrito Federal. Entre os Estados em que o desafio é maior para que a média nacional da taxa de pobreza absoluta fique em 4% da população em 2016, como projeta o estudo, estão Alagoas, Maranhão, Pernambuco, Paraíba e Piauí. Nestes estados, a taxa de pobreza absoluta ainda estava acima de 50% da população em 2008. Já a condição de pobreza extrema, que caracteriza a miséria de famílias com rendimento per capita abaixo de um quarto de salário mínimo, será eliminada em todo o País até 2016, segundo o Ipea. No entanto, o estudo prevê que os estados de Santa Catarina e Paraná superarão essa condição já em 2012. No ano seguinte, atingiriam o mesmo objetivo Goiás, Espírito Santo e Minas Gerais. Em 2014, a miséria seria eliminada em estados como São Paulo e Mato Grosso.    
TV Globo: Bom Dia Brasil: Mais de 12 milhões de brasileiros saem da miséria, mas ainda há muito a fazer Ainda são muito grandes ainda as diferenças entre as condições de vida das populações das diferentes regiões. O estudo é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A distância entre pobres e ricos diminuiu no país nos últimos 13 anos. Mais de 12 milhões de brasileiros saíram da miséria. Mas ainda são muito grandes ainda as diferenças entre as condições de vida das populações das diferentes regiões. O estudo é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Roberval dos Santos é catador de papel e mora com a mulher e o filho em uma favela na periferia de Maceió (AL). Ele ganha menos de R$ 100 por mês: “Estou no sufoco, estou cozinhando agora na lenha, o gás faltou. Não dá para comprar mais nada”. Paulo César Canuto vive em uma favela do Rio de Janeiro, está desempregado há nove anos, vive de bicos e também não ganha nem salário-mínimo todo mês: “Não chega a isso [salário mínimo]. Tem que pagar um monte de conta, não dá para tirar nem isso, vai quebrando um galho, mas não é suficiente”. Na estatística do Ipea, Paulo César faz parte do grupo que está na faixa de pobreza absoluta, quem ganha meio salário mínimo por mês. Tem menos gente vivendo nessa faixa, segundo os números, nos últimos 13 anos. Diminuiu também o grupo que vive na condição de pobreza extrema, com renda de até um quarto de salário-mínimo. O presidente do Ipea, Márcio Pochamn, afirma que os programas de transferência de renda têm um grande impacto na redução da pobreza, mas não bastam: “É necessário políticas educacionais, de saúde e de transporte, porque são elas que reduzem o custo da sobrevivência e garantem condições para que as pessoas venham a caminhar com as próprias pernas”. O estudo mostra que a redução nas taxas de pobreza foi desigual entre as diversas regiões do país no período que vai de 1995 a 2008. No Sul, há menos miséria do que no Nordeste - 5,5% contra 24,9% da população. Santa Catarina tem o menor índice de pessoas muito pobres (2,8%), enquanto em Alagoas quase um terço dos habitantes são miseráveis (32,3%). O estudo também compara a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) per capita com a queda nas taxas de pobreza por regiões. O cruzamento dos dados revela que onde a riqueza aumentou mais, a pobreza caiu menos e vice-versa.  
Rádio Nacional AM: Ipea diz que Brasil pode acabar com a miséria em seis anos Segundo a rádio Nacional AM, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea, diz que entre 1995 e 2008, 12,8 milhões de pessoas saíram da condição de pobreza absoluta, melhorando a situação de rendimento de até meio salário mínimo por mês, enquanto mais de 13 milhões de pessoas superaram a condição de pobreza extrema, ou seja, saíram da condição de quem registrava rendimento médio domiciliar por pessoa de até um quarto de salário mínimo mensal. Com isso, o Ipea apontou a possibilidade de o Brasil reduzir para 4% a taxa de pobreza em seis anos.    
Portugal Digital (Portugal): Estudo do Ipea indica que Brasil pode acabar com a miséria em 2016 Entre 1995 e 2008 saíram da condição de pobreza absoluta 12,8 milhões de pessoas enquanto 13,1 milhões superaram a condição de pobreza extrema. Da Redação, com agência Rio de Janeiro- Até 2016, o Brasil pode superar a miséria e diminuir a taxa nacional de pobreza absoluta (rendimento médio domiciliar per capita de até meio salário mínimo por mês), segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre pobreza e miséria. O levantamento apresentado terça-feira (13) no Rio de Janeiro alerta que, para atingir esse ideal, o país precisa equilibrar a desigualdade que existe entre os estados em relação às taxas de redução da pobreza. Segundo o levantamento baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), entre 1995 e 2008 saíram da condição de pobreza absoluta 12,8 milhões de pessoas enquanto 13,1 milhões superaram a condição de pobreza extrema (rendimento médio domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo mensal). O desafio, segundo o Ipea, é fazer com que os estados apresentem ritmos diferenciados de redução da miséria, justamente por apresentarem níveis diferentes de distribuição de renda e de riqueza. Entre 1995 e 2008, as taxas de pobreza extrema entre as unidades da federação foram bem desiguais. Em 1995, Maranhão (53,1%), Piauí (46,8%) e Ceará (43,7%) eram os estados com maior proporção de miseráveis em relação à população. Treze anos depois, Alagoas assumiu o topo do ranking, com a taxa de pobreza extrema de 32,3%. Na outra ponta da lista, Santa Catariana (2,8%), São Paulo (4,6%) e Paraná (5,7%) apresentaram os melhores resultados. Em relação à pobreza absoluta, entre os estados que tiveram os melhores resultado nesse período estão Santa Catarina, que reduziu a taxa em 61% no período de 13 anos, Paraná (52,2%) e Goiás (47,3%). Já o Amapá (12%), o Distrito Federal (18,2%) e Alagoas (18,3%) tiveram as menores taxas de redução do universo de pessoas nessas condições. As informações são da ABr.  
Folha de S. Paulo (SP): Mutirão tenta tirar criança de abrigos Justiça inicia ação para detectar crianças e jovens que estão há mais de dois anos longe do convívio familiar Juízes irão até os locais com promotor, defensor público, familiares e técnicos de prefeituras; meta é cumprir o ECA JOSÉ BENEDITO DA SILVA DE SÃO PAULO A Justiça de SP fará a partir do próximo dia 27 um mutirão em todos os abrigos de crianças e adolescentes do Estado para garantir um ponto fundamental do Estatuto da Criança e do Adolescente: o direito ao convívio familiar. A ação vai reavaliar a situação de cada um dos cerca de 13 mil abrigados hoje no Estado -4.000 na capital. A ofensiva é fortalecida pela nova lei de adoção, que acrescentou ao ECA, no final de 2009, dois pontos: ninguém pode ficar em abrigos por mais de dois anos e todos têm direito a ter sua situação reavaliada a cada seis meses. As chamadas "audiências concentradas" vão durar três meses e serão realizadas nos próprios abrigos -públicos ou mantidos por ONGs. Além do juiz, a audiência terá promotor, defensor público, familiares e representantes da prefeitura nas áreas de assistência social, educação, saúde e habitação. "Esses abrigos deveriam elaborar para cada criança um plano individual de atendimento, com participação da prefeitura, para prever as necessidades dela e da família, mas a maioria não faz", diz o juiz Eduardo Rezende Melo, da Coordenadoria de Infância e Juventude do TJ. O plano deve contemplar ainda todas as potencialidades da criança, os aspectos que devem ser favorecidos. Não há idade mínima para uma criança ir para um abrigo nem um motivo único. Pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de 2004 mostra que 24% estavam abrigados só porque a família era pobre. Depois vêm abandono (19%), violência doméstica (12%) e dependência química dos pais (11%). Os abrigos não recebem menores infratores. "O ECA estabelece expressamente que a falta de recursos materiais não constitui motivo suficiente para perda ou a suspensão do poder familiar", diz Fernando Henrique de Moraes Araújo, coordenador de Infância e Juventude do Ministério Público. O Ministério do Desenvolvimento Social conclui, com a Fiocruz, nova pesquisa sobre abrigados -a estimativa é que haja 50 mil no país. LONGE DE CASA Outro problema é a distância dos abrigos. "A lei diz que as crianças fiquem em abrigos perto de casa, para facilitar a visita das famílias", afirma Melo, que critica a falta de uma central de vagas. "Você tem de ficar ligando de abrigo em abrigo para saber se tem vaga", diz. Outro problema é a demora dos processos judiciais. Araújo cita, entre outras causas, a dificuldade de achar interessados na adoção, varas em que juízes e promotores acumulam funções, locais sem equipamentos e equipes técnicas qualificadas e a "ausência de olhar comprometido com a causa". No Nordeste, a pobreza extrema recuou 40,4% em 13 anos, mas a região ainda tem a maior taxa, de 24,5% em 2008.
Jornal do Brasil (RJ): Saem da pobreza 13 milhões de brasileiros Saíram da pobreza absoluta quase 13 milhões de brasileiros entre 1995 e 2008, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Pesquisas Econômicas (Ipea). A faixa considera famílias com rendimento médio por pessoa de até meio salário mínimo mensal e recuou de 43,4% para 28,8% do total da população no período. A pesquisa abrange os primeiros anos da estabilidade monetária, de 1995 a 2008, período que corresponde aos governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. A maior queda foi verificada na região Sul, onde a porcentagem da população em pobreza absoluta recuou 47,1%, de 34% para 13% do total. Com isso, a região ultrapassou o Sudeste como detentora do melhor indicador no conjunto dos quatro estados desta região, a população em pobreza absoluta recuou de 29,9% para 19,5% do total. Na região Nordeste, houve queda de 28,8% na taxa de pobreza absoluta. Ainda assim, 49,7% da população local vivia, em 2008, com até meio salário mínimo mensal em 1995, essa porcentagem era de 69,8%. Pobreza extrema Saíram da pobreza extrema caracterizada pelo rendimento médio domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo por mês 12,1 milhões de brasileiros, reduzindo quase à metade a taxa de pessoas nessas condições, de 20,9% para 10,5%. A melhora mais significativa na taxa de pobreza extrema também foi na região Sul, onde o indicador recuou 59,6%, de 13,6% para 5,5% também a menor das regiões pesquisadas
O Estado de Minas (MG): Miséria tem prazo para acabar Inclusão econômica Pobreza absoluta caiu de 43,4% da população brasileira para 28,8% no período de 1995 a 2008. Se o ritmo se mantiver, país terá mais igualdade social até o fim da década Zulmira Furbino Marina Rigueira A miséria no Brasil deve acabar em 2016, mas será dizimada três anos antes em Minas. A previsão é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou ontem um estudo sobre a pobreza extrema e a pobreza absoluta no Brasil, o Comunicado Ipea 58. O levantamento foi feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), Contas Nacionais e Contas Regionais, todas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise mostra que, entre 1995 e 2008, 12,8 milhões de pessoas saíram da pobreza absoluta, configurada pelo rendimento médio domiciliar per capita de até meio salário mínimo mensal. Nesse período, outros 13,1 milhões de brasileiros superaram a pobreza extrema, caracterizada pelo rendimento médio familiar per capita de até um quarto do salário mínimo ao mês. Entre os que já se beneficiaram com o encolhimento da miséria estão pessoas como a pedreira de alvenaria Vitória Milas Vieira, que vive no Aglomerado da Serra, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e tem sete filhos. Todos empregados. Há 10 anos, não era tão fácil arrumar emprego. O salário mínimo hoje nos possibilita um consumo que vai além do básico, que era apenas alimentação e vestuário, diz. Recém-formada pelo Senac, Vitória está procurando um emprego melhor, agora que tem uma especialização. Antes, eu não poderia deixar de trabalhar para ajudar minha filha e minha neta. Hoje, todos em casa trabalham e temos uma condição melhor, diz. A vida da professora Ana Cláudia Santos também melhorou nesse período. Era muito difícil encontrar emprego. Não tive o que minhas filhas têm hoje, pois o rendimento médio da minha casa não era suficiente, explica. O Ipea acredita que, na próxima década, os problemas de pobreza absoluta e extrema serão erradicados do território nacional. Para os brasileiros, isso significa escalar um degrau importante no pódio da igualdade econômica mundial. Num horizonte próximo, o Brasil vai entrar num patamar até agora só alcançado pelos países desenvolvidos, que superaram a pobreza extrema e reduziram a pobreza absoluta a níveis muito baixos, diz o presidente do instituto, Márcio Pochmann. De acordo com ele, porém, para continuar caminhando nesse sentido, será necessário articular ações econômicas e sociais diferenciadas para cada região brasileira nos próximos anos, uma vez que o ritmo de queda da pobreza no país é muito diferente entre as regiões e os estados. Alguns vão superar a pobreza antes dos outros. PADRÃO DE VIDA Os números mostram, porém, que para elevar o padrão de vida de todos os brasileiros, será preciso mais do que crescimento econômico. Isso porque a redução da pobreza nos últimos anos, apesar de expressiva, foi desigual entre as diferentes regiões do país. No Sul, por exemplo, a pobreza absoluta caiu 47,1%, enquanto a pobreza extrema recuou 59,6%. Já no Norte, a pobreza absoluta retrocedeu 14,9% e a pobreza extrema caiu 22,8%. Olhando daqui para a frente, as primeiras unidades da federação a eliminarem a pobreza extrema no país serão Santa Catarina e Paraná, que acabarão com o problema em 2012. No ano seguinte, a miséria será dizimada em Minas, Goiânia e Espírito Santo. Em 2014 será a vez de São Paulo e Mato Grosso . Um ano depois, Tocantins, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Os outros estados só alcançarão esse objetivo em 2016. Para continuar reduzindo a pobreza, o país deve continuar a manter a estabilidade monetária e o crescimento econômico. Precisa também integrar e articular as políticas sociais com metas nacionais e estatuais, e com instrumentos para monitorar essa queda, diz Pochmann. Na avaliação dele, a redução da pobreza extrema deve ser atribuída aos programas de transferência de renda, que são fundamentais para enfrentar a indigência. Já a erradicação da pobreza absoluta depende do crescimento econômico, do aumento do salário mínimo e do crescimento voltado para o mercado interno.
Jornal do Commercio (PE): Brasil pode superar a miséria até 2016 Segundo estudo realizado pelo Ipea, o País pode acabar com a miséria e reduzir a taxa nacional de pobreza em seis anos. Para isso, é preciso equilibrar as desigualdades entre os Estados brasileiros Até 2016, o Brasil pode superar a miséria e diminuir a taxa nacional de pobreza absoluta (rendimento médio domiciliar per capita de até meio salário mínimo por mês), segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre pobreza e miséria. O estudo “Dimensão, evolução e projeção da pobreza por região e por Estado no Brasil", apresentado ontem, no Rio de Janeiro, alerta que, para atingir esse ideal, o País precisa equilibrar a desigualdade que existe entre os Estados em relação às taxas de redução da pobreza. Segundo o levantamento baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), entre 1995 e 2008 saíram da condição de pobreza absoluta 12,8 milhões de pessoas, enquanto 12,1 milhões superaram a condição de pobreza extrema (rendimento médio domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo mensal). O desafio, segundo o Ipea, é fazer com que os Estados apresentem ritmos diferenciados de redução da miséria, justamente por apresentarem níveis diferentes de distribuição de renda e de riqueza. Entre 1995 e 2008, as taxas de pobreza extrema entre as unidades da federação foram bem desiguais. Em 1995, Maranhão (53,1%), Piauí (46,8%) e Ceará (43,7%) eram os Estados com maior proporção de miseráveis em relação à população. Treze anos depois, Alagoas assumiu o topo do ranking, com a taxa de pobreza extrema de 32,3%. Na outra ponta da lista, Santa Catariana (2,8%), São Paulo (4,6%) e Paraná (5,7%) apresentaram os melhores resultados. Em relação à pobreza absoluta, entre os Estados que tiveram os melhores resultado nesse período estão Santa Catarina, que reduziu a taxa em 61% no período de 13 anos, Paraná (52,2%) e Goiás (47,3%). Já o Amapá (12%), o Distrito Federal (18,2%) e Alagoas (18,3%) tiveram as menores taxas de redução do universo de pessoas nessas condições. Entre as regiões brasileiras, enquanto a taxa de pobreza absoluta caiu 33,6% entre 1995 e 2008 em todo o País, a redução foi de apenas 12,7% na região Centro-Oeste. Já a queda da taxa de pobreza extrema, cuja média nacional reduziu 49,8% no período, foi reduzida em apenas 22,8% na Região Norte. Já a Região Sul teve resultados bem acima da média nacional nos dois casos: queda de 47,1% da pobreza absoluta e 59,6% da extrema. Segundo o Ipea, os dados mostram que a redução da pobreza não tem uma relação direta apenas com o crescimento econômico. A região Centro-Oeste, por exemplo, que teve a menor queda na pobreza absoluta, registrou no período a melhor média do País de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) por habitante: 5,3%.    
O Globo (RJ) Coluna Panorama Econômico - Míriam Leitão: Os pobres Eles são disputados como moeda política em época de eleição e servem para emoldurar biografias. Mas o que os números e fatos mostram é que há uma continuidade no processo de redução da pobreza brasileira nos últimos 17 anos. É bom que tenha continuidade. Por outro lado, seria necessário dobrar a renda dos pobres brasileiros para se chegar a um nível adequado ao desenvolvimento do Brasil. Há vários equívocos que se pode cometer na análise do progresso brasileiro no combate à pobreza. O pior é achar que o fenômeno está restrito a um governo. Mas é o que políticos, de partidos diferentes, fazem durante as eleições. Houve uma forte queda no percentual de pobres e extremamente pobres quando a inflação desabou no Plano Real. Nos anos seguintes, no entanto, esses percentuais ficaram estagnados no novo patamar. No governo Lula, tem havido uma queda constante, ano a ano. Para que a conta fique correta, não se pode registrar a partir de 1995, mas de 1993, quando se pega o que havia antes do Plano Real. O percentual de pobres e extremamente pobres sai de 47% e vai para 38,6%, e lá fica em torno desse número até o fim do governo Fernando Henrique. Em 2003 há uma pequena elevação para 39,4% e começa um novo período de queda, desta vez constante até chegar a 25,3% em 2008. O percentual dos extremamente pobres cai de 23% antes do Real para 17,3%. Cai ligeiramente para 16,5% em 2002. Sobe um pouco em 2003 e depois cai todos os anos, numa média de 1,7 ponto percentual por ano, até 8,8% em 2008. A explicação do progresso não decorre de apenas um evento, mas de vários, e alguns relacionados a decisões tomadas em administrações anteriores. O maior especialista brasileiro no assunto, Ricardo Paes de Barros, analisa a questão tecnicamente atrás das causas. Ele não acha que o Bolsa Família é o maior responsável pela queda recente da pobreza: - O Bolsa Família faz com que mais brasileiros se aproximem da linha, mas para cruzar a linha da pobreza foram necessários outros fatores como por exemplo o aumento do salário mínimo, o impacto da Previdência por causa do aumento do salário mínimo, o progresso educacional, a melhoria no mercado de trabalho do interior, a redistribuição de recursos públicos. No caso do progresso educacional, tem mais a ver com o que aconteceu no governo anterior do que no atual. Em alguns indicadores educacionais houve até estagnação nos últimos anos. Os avanços dos últimos três governos - Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula da Silva - mostraram ao país um fato animador: está dentro das nossas possibilidades eliminar a pobreza extrema, e reduzir substancialmente o percentual de pobres no Brasil. Outra constatação também é inevitável: ainda estamos muito atrás do que deveríamos estar dado o nível de desenvolvimento econômico do país. A discussão inteligente deveria ser, não sobre quem fez mais, mas como e com que novas políticas pode-se reduzir mais rapidamente a pobreza e extrema pobreza no Brasil. Mas discussões inteligentes não são o mais comum em época eleitoral. Agora é o tempo em que as versões simplificadas prevalecem sobre as visões mais complexas da realidade. Nos últimos anos, Ricardo Paes de Barros, do Ipea, tem liderado vários estudos de diversos especialistas, no Brasil e no exterior, sobre esse tema. Em um dos estudos mais atuais, "Sobre a evolução recente da pobreza e da desigualdade no Brasil", escrito por Ricardo com Mirela de Carvalho, do Programa Nacional de Pesquisa do Desenvolvimento, Samuel Franco, do Iets, Rosane Mendonça, da UFF, Andreza Rosalém, do Iets, eles mostram várias boas notícias. Desde 2001 tem havido aumento maior da renda dos mais pobres do que dos mais ricos. A desigualdade tem caído. Em 2008, o dado foi ainda mais animador: a renda per capita da população como um todo subiu 5,1%, enquanto a dos 10% mais pobres subiu 15%; três vezes mais. A má notícia é que a desigualdade brasileira continua enorme. "O que uma família do 1% mais rico pode gastar em três dias equivale ao que um brasileiro que está entre os 10% mais pobres pode gastar em um ano." Segundo o estudo: "em função da elevada desigualdade que ainda prevalece, a pobreza e, em particular, a extrema pobreza ainda está acima do que se poderia esperar de um país com a nossa renda per capita." O que a próxima, ou o próximo, governante deve fazer é evitar os erros e confirmar os acertos desse período de mais de uma década e meia de avanços.  
O Globo (RJ): Participação de estatais cresceu 34,4% Professor de economia da USP considera esse aumento um atraso Geralda Doca BRASÍLIA. A participação das estatais na economia brasileira cresceu no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, revela estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Lula iniciou o segundo mandato com as empresas públicas abocanhando uma fatia de 34,4% do patrimônio líquido dos 350 maiores grupos econômicos do país. No primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, as estatais representavam 51,4%. Com as privatizações, o índice caiu para 31,8%. O grupo formado pelas empresas mais importantes do país, que foi a base de comparação do estudo, produz o equivalente a 40% do Produto Interno Bruto (PIB). A pesquisa mostra também que a participação do faturamento das estatais no conjunto das 350 empresas também subiu na comparação entre os dois governos: saiu de 22,5%, no fim do período FH, para 25,4% no início do segundo mandato do governo Lula. A pesquisa faz parte da tese de doutorado de Eduardo Pinto, com o título "Governo Lula e bloco no poder", e que será defendida no Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em agosto. - Há uma tendência de aumento da participação das estatais - disse o pesquisador. Segundo ele, parte desse aumento está relacionado à Petrobras. Além de ter criado subsidiárias, influenciou no resultado da estatal o aumento do preço internacional do petróleo. A mesma observação é feita pelo professor do Departamento de Economia da UFRJ Reinaldo Gonçalves. Para ele, o que deve ser levado em consideração não é o fato de o governo do PT ter aumentado o número de estatais, mas a ingerência política nessas empresas: - É grave a forma pela qual o governo usa essas empresas para atingir objetivos políticos. O aparelhamento crescente das estatais é muito ruim para o Brasil. Para o professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo Fábio Kanczuk, o avanço das estatais é um retrocesso, porque representa um maior peso para o Estado e para a sociedade. - É um atraso para o país - criticou.
O Estado de S. Paulo (SP): Pobreza cai mais onde crescimento foi menor Estudo do Ipea mostra que PIB per capita, de 1995 a 2008, cresceu menos no Sul e Sudeste, regiões de maior redução de pobres e miseráveis Fernando Dantas As regiões brasileiras que menos cresceram entre 1995 e 2008 foram as que tiveram maior redução da pobreza e da miséria. E, inversamente, as que mais se expandiram foram as com menor queda da pobreza e da miséria. Essa constatação, aparentemente paradoxal, está num estudo recém-divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o trabalho, as Regiões Sul e Sudeste apresentaram os menores crescimentos médios anuais do Produto Interno Bruto (PIB) per capita de 1995 a 2008, de respectivamente 2,3% e 2,5%. Ainda assim, a Região Sul teve as maiores quedas médias anuais da pobreza e da miséria, de 3% e 3,7%. Na Região Sudeste, a pobreza caiu 2,3% ao ano, segundo melhor resultado do Brasil, e o recuo médio anual da miséria foi de 2,7%, também o segundo melhor, junto com o Nordeste. Já a Região Centro-Oeste foi a que mais se expandiu naquele período, com crescimento médio anual do PIB per capita de 5,3%. Em segundo lugar, vem a Região Norte, com 3,6%. A pobreza e a miséria, porém, tiveram quedas anuais de apenas 0,9% e 2,3%, no caso da Região Centro-Oeste; e de 1,1% e 1,6%, na Região Norte. Todas as outras regiões do Brasil tiveram quedas anuais médias da pobreza e da miséria, entre 1995 e 2008, superiores às das Regiões Centro-Oeste e Norte. Marcio Pochmann, presidente do Ipea, diz que não há estudos prontos para avaliar por que esse fenômeno paradoxal ocorreu, mas os técnicos do Ipea já estão investigando. A sua hipótese inicial é de que a presença de uma economia mais desenvolvida e geradora de empregos na indústria e nos serviços, de instituições mais consolidadas e de organizações da sociedade civil mais atuantes possa explicar porque Sul e Sudeste tiveram mais avanço nos indicadores sociais, mesmo crescendo menos. Inversamente, regiões mais dependentes da agropecuária de exportação e da extração de recursos minerais teriam um tipo de crescimento menos criador de empregos, e menos eficaz socialmente. "O futuro do Brasil não pode estar apenas na produção de bens primários para a exportação", disse Pochmann. Fim da miséria. O estudo divulgado ontem mostrou também que uma grande ênfase na redução das desigualdades regionais será necessária para que o Brasil acabe com a miséria e reduza a pobreza a apenas 4% da população em 2016. Essas projeções estão num estudo de janeiro do Ipea, e podem ocorrer desde que o ritmo de redução da pobreza e da miséria entre 2009 e 2016 seja o mesmo apresentado entre 2003 e 2008. O problema, porém, é que, para que aquelas projeções se cumpram, em alguns Estados, como Alagoas e Maranhão, os indicadores terão de ser melhorados num ritmo bem mais rápido do que o do País como um todo.  
Valor Econômico (SP): PIB regional mais elevado não garante redução maior da pobreza, mostra Ipea Rafael Rosas, do Rio O crescimento econômico registrado no Brasil nos últimos anos não foi suficiente para elevar o padrão de vida de todos os brasileiros. De acordo com o boletim sobre pobreza e miséria, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as regiões com maior expansão econômica não foram necessariamente as que mais reduziram a pobreza e a desigualdade. Entre 1995 e 2008, a região Centro-Oeste, por exemplo, registrou o maior ritmo médio anual de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) per capita do país (5,3%), mas teve o pior desempenho na redução média anual da taxa de pobreza absoluta (-0,9%) e a segunda pior evolução na queda média da taxa de pobreza extrema (-2,3%). A região Sul, que registrou o menor ritmo de expansão anual do PIB por habitante (2,3%), foi a região do país com o melhor desempenho em termos de redução das taxas de pobreza absoluta (-3%) e pobreza extrema (-3,7%) no mesmo período. O estudo do Ipea, feito com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), Contas Nacionais e Contas Regionais, todas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , mostra que entre 1995 e 2008, 12,8 milhões de pessoas saíram da pobreza absoluta, configurada pelo rendimento médio domiciliar per capita de até meio salário mínimo mensal. No período, outras 12,1 milhões deixaram a pobreza extrema, que engloba as pessoas que vivem com rendimento médio domiciliar per capita de até um quarto de salário mínimo por mês. Em termos percentuais, a taxa de pobreza absoluta passou de 43,4% para 28,8% da população e a pobreza extrema caiu de 20,9% para 10,5%. O Ipea crê que o Brasil poderá eliminar, nos próximos dez anos, os problemas de pobreza absoluta e extrema. "Para isso, a combinação do crescimento econômico com avanços sociais observada no período recente precisa ser aprofundada, com o necessário aperfeiçoamento de políticas públicas de alcance nacional, sobretudo daquelas voltadas ao atendimento das regiões e Estados menos desenvolvidos", diz o texto do Ipea. Segundo o órgão, "ganha maior relevância o papel do Estado - em suas distintas esferas governamentais e concomitantemente às instituições da sociedade civil - na execução de uma política nacional de desenvolvimento que possibilite ao país enfrentar todos os problemas de ordem social".
Zero Hora (RS): Desigualdade se mantém Entre 1995 e 2008, o Rio Grande do Sul reduziu o percentual de pobreza absoluta de 31,5% para 19,5% da população. O número de miseráveis caiu de 11,4% para 6%. A queda, no entanto, não representa equilíbrio na distribuição de renda. Pela metodologia utilizada pelo Ipea, o Índice de Gini, a desigualdade mudou pouco no período. Em 1995, os gaúchos tinham índice de 0,56. Em 2008, esse indicador ficou em 0,50. A escala, que varia de um a zero, indica que, quanto mais próximo de um, maior o fosso entre os que têm mais e os que recebem menos dinheiro. Estipular metas para a melhoria dos índices de distribuição de renda e desenvolver mecanismos para que a sociedade possa cobrar por elas são ações apontadas por Marcio Pochmann, presidente do Ipea, como caminhos para obter um quadro social mais equilibrado.    
Zero Hora (RS) (Primeira Página): Estudo prevê a erradicação da miséria no RS Ipea, que analisou quadro de todo o país, contabiliza 2,75 milhões de gaúchos na pobreza. BASE DA PIRÂMIDE Miséria deve acabar em 2015 no RS Estudo do Ipea, órgão do governo, estima que 2,75 milhões de gaúchos que viviam com até meio mínimo vão melhorar de vida   Imagine ver o Rio Grande do Sul sem miséria ou pobreza absoluta condições em que pessoas vivem com um quarto ou meio salário mínimo por mês. A projeção pode tornar-se realidade em 2015, aponta levantamento divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do governo federal, com base nas taxas de redução da pobreza absoluta e da miséria no país. O quadro será obtido caso o ritmo de redução nos índices de pobreza continue crescendo, segundo o órgão. Baseado em dados de 1995 a 2008, o estudo revelou que 13 milhões de brasileiros deixaram a condição de pobreza extrema no país (veja quadro ao lado). Pela projeção, o Brasil não terá mais miseráveis em 2016 e somente 4% da sua população viverá em pobreza absoluta. Em 2008, esses percentuais eram de 10,5% e 28,8%, respectivamente. Obter esse resultado, no entanto, não depende somente de estatísticas. De acordo com o sociólogo Salvatore Santagada, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), os programas sociais de distribuição de renda, a previdência para idosos e portadores de necessidades especiais e a participação de mais pessoas no mercado de trabalho foram os responsáveis pelo aumento na renda. A ascensão da classe C reflete o momento da economia do país. Mas alerta que será necessário fazer com que essas políticas públicas se somem ao aumento na atividade econômica para erradicar as condições subumanas de vida no país e no Rio Grande do Sul. O professor do Programa de pós-graduação em Economia da UFRGS, Sabino Porto Jr avalia que o Estado sofreu décadas com o desequilíbrio das contas, freando investimentos e, consequentemente, o crescimento do PIB o que teria ocasionado essa desafasagem em relação aos Estados vizinhos. Para ele, porém, é preciso relativizar os resultados da pesquisa, que não mostra os índices de qualidade de vida do Rio Grande do Sul: Considerando questões como saúde, educação e saneamento básico, teremos um quadro mais otimista no Rio Grande destaca. Especialista nos estudos sobre renda, o coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, Marcelo Neri, faz um contraponto. Somente haverá erradicação da miséria e da pobreza em 2016, se o país destinar investimentos de todas as áreas para os programas sociais ou se houver um crescimento no PIB em níveis superiores aos da China. Prefiro uma meta mais realista, de reduzir pela metade a pobreza e a miséria. Para isso, será necessário financiar a distribuição de renda que promova a qualificação pessoal através da educação e da saúde.
O Globo: (RJ) (Primeira Página): Concentração de renda sobe apenas no DF O país tirou 12,8 milhões de pessoas da pobreza entre 1995 e 2008, com melhora na distribuição da renda em todas as regiões. A exceção foi o DF, onde a concentração cresceu com a alta de salários e a contratação de servidores. Desde 1995, 13 milhões saíram da miséria Ipea: desigualdade caiu em todo país, à exceção do Distrito Federal. Para analista, isso reflete expansão do funcionalismo Danielle Nogueira Entre 1995 e 2008, durante os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula, o Brasil reduziu em 12,8 milhões o número de pessoas vivendo na pobreza, segundo estudo divulgado ontem pelo Ipea. Outros 13,1 milhões saíram da miséria. A redução da pobreza veio acompanhada por uma melhora na desigualdade de renda em todos os estados do país, à exceção do Distrito Federal. O Índice de Gini (que mede a desigualdade e, quanto maior, pior) subiu de 0,58 para 0,62 no Distrito Federal nesse período. Na média nacional, o Gini caiu de 0,6 para 0,54 entre 1995 e 2008. Ironicamente, a região que apresentou o maior crescimento econômico no período foi também a de pior desempenho nos indicadores sociais. No Centro-Oeste, houve alta média anual de 5,3% no Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) per capita. Mas a taxa de pobreza na região caiu apenas 0,9% ao ano, o ritmo mais lento em todo o país. Por outro lado, o Sul viu o percentual de pobres cair 3% ao ano, apesar de seu PIB per capita ter avançado apenas 2,3% em média, por ano, no período - a menor expansão econômica registrada. Sul desbanca Sudeste e é região com menos pobres O Ipea considera miseráveis - ou que vivem na pobreza extrema - pessoas com renda inferior a um quarto de salário mínimo. Já pobres são os que ganham menos de meio salário mínimo. Atualmente, o piso nacional está em R$510. Para o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, os números do Sul e do Centro-Oeste reforçam a tese de que crescimento da economia não se traduz necessariamente em mais emprego e renda. - No Sul, predomina a agricultura familiar, que emprega mais gente e cuja produção é voltada para o mercado interno. No Centro-Oeste, são grandes propriedades voltadas para o mercado externo. É um modelo que contribui para o aumento das exportações brasileiras, mas do ponto de vista social talvez não seja a melhor saída. Com os avanços em seus indicadores sociais, o Sul desbancou o Sudeste como região com menor taxa de pobreza. Entre os sulistas, a taxa de pobreza caiu de 34% para 18% entre 1995 e 2008. No Sudeste, ela recuou de 29,9% para 19,5%. O avanço da desigualdade de renda no Distrito Federal, por sua vez, é resultado da concentração de funcionários públicos na capital federal. - Isso reflete o aumento de contratações por parte do governo federal e o inchaço dos salários do funcionalismo - avalia o economista sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) Flavio Comim, frisando que isso veio acompanhado de maior profissionalização do quadro. Pobreza ainda atinge 53,9 milhões de brasileiros Apesar da melhora nos indicadores nacionais, o Brasil ainda tinha 53,9 milhões de pessoas vivendo na pobreza em 2008, sendo 19,9 milhões na miséria. Entre os estados, Santa Catarina teve o melhor desempenho, reduzindo a taxa de pobreza de 29,8% para 11,6%. Já Alagoas foi o que apresentou o pior resultado, com taxa de pobreza de 56,6% em 2008, a maior do Brasil, embora menor que a registrada em 1995 (69,3%), quando estava atrás de Bahia, Piauí, entre outros. É de lá, portanto, que terá de vir o maior esforço para que o Brasil erradique a miséria em 2016. O Ipea prevê que, a um ritmo de crescimento de 4,2% do PIB por ano entre 2008 e 2016, o Brasil não terá mais miseráveis e a parcela de pessoas vivendo na pobreza cairá para 4%. Sonia Rocha, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), ressalva que tomar a linha de pobreza como única pode distorcer os resultados. Como o custo de vida é distinto em cada região, diz, o patamar usado para medir a pobreza deveria ser diferente em cada uma delas. Quanto ao fato de os números do Ipea balizarem a promessa de campanha da candidata à Presidência do PT, Dilma Rousseff, de erradicar a miséria em dez anos, Pochmann disse que "a agenda de pesquisa do Ipea não acompanha a agenda política" e que qualquer candidato pode usar os números da instituição. - Se isso acontecer, o Ipea está cumprindo sua missão.  

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