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Diário do Nordeste (CE): Tributos em excesso Os economistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) vêm de alertar para o crescimento dos gastos públicos brasileiros, equiparados apenas aos de alguns países da Europa Ocidental. Tais gastos estão, assim, entre os mais elevados de todo o mundo e contribuem sensivelmente para a constante elevação da já pesada carga tributária. A propósito, a CNI e outras entidades empresariais estão lançando campanha para, mais uma vez, chamar a atenção do País em relação ao polêmico problema. Sempre que se aproxima a realização de eleições, voltam à baila os debates sobre o excesso de impostos pagos pela população, sobretudo com ênfase na injusta desigualdade existente no critério da incidência tributária, que tende a perpetuar as imensas diferenças observadas entre as classes sociais. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os 10% mais ricos do País detêm 75% da riqueza nacional. Causa espécie o fato de que apenas 10% do montante de recursos arrecadados pelo governo federal, estados e municípios, retornam à sociedade na forma de saúde, educação, segurança e saneamento, enquanto detentores de títulos da dívida pública levam cerca de 35% do orçamento da União, parcela tendente a crescer à medida que sobe a taxa básica de juros a beneficiar os credores. Em relação aos outros países da América Latina, o Brasil aparece em primeiro lugar quanto ao volume da carga tributária, apresentando o dobro da média observado no restante da região. Atribui-se, entretanto, a esse elevado somatório de impostos, um dos respaldos que ajudou o País a superar a crise financeira internacional ocorrida a partir de 2008. Se o pressuposto é verdadeiro, isso quer dizer que a carga tributária já era excessiva anteriormente e não precisaria ser aumentada depois do retorno à normalidade econômica. Outra ala de economistas afirma que o problema não residiria somente na quantidade de impostos que se paga, mas na maneira como é efetuada a arrecadação desse dinheiro. Oneram também os contribuintes os empecilhos nos emperrados costumes burocráticos, nas dificuldades para se calcular o valor real do imposto e, posteriormente, recolhê-lo, bem como nas inúmeras exigências, fiscalizações e embargos, por vezes, sem qualquer finalidade prática. Estudo recente realizado pelo Banco Mundial demonstra que o Brasil ocupa uma das piores posições na relação de países onde se gasta mais tempo para quitar os tributos, pois uma empresa nacional consome em média, anualmente, 2,6 mil horas para fazê-lo. O custo para arrecadar os impostos também é bastante elevado, tendo chegado a 11,3 bilhões de reais em 2009, equivalentes a 1,35% da arrecadação total. Sempre presente na pauta de realizações prometidas pelos candidatos em época de eleições, a reforma tributária tem sido sistematicamente relegada na agenda de soluções em favor do futuro desenvolvimento do País, que não pode prescindir de mudança tão necessária a sua plena viabilidade, desde que complementada por investimentos sociais produtivos e com a necessária redução das atuais disparidades econômicas.
R7 Notícias: economia aquecida no 2º semestre Alta dos juros e fim de incentivos fiscais, porém, vão pesar negativamente no PIB ...O nível de emprego, o poder de consumo dos brasileiros e a oferta de crédito deverão ajudar a manter o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma das riquezas de um país) no segundo semestre, só que em ritmo mais moderado. A expectativa consta em um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta segunda-feira (9). Segundo o documento, entre os fatores que podem influenciar positivamente o PIB está “o estímulo ao poder de compra da parcela de consumidores de baixa renda, em razão do aumento do salário mínimo e da manutenção dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família”. O mercado de trabalho aquecido também será um dos pilares para o crescimento da economia nos últimos seis meses deste ano. De acordo com o comunicado, “os resultados positivos observados no mercado de trabalho têm contribuído de maneira importante para estimular os níveis de consumo”. - Através do aumento do emprego formal, mais pessoas passam a ter acesso não somente à renda proveniente do salário, mas também ao mercado de crédito, que está associado ao consumo de bens com maior valor agregado. A oferta de crédito deverá permanecer em alta no segundo semestre, o que poderá gerar “impacto positivo nos setores de bens duráveis e da construção civil”. Quer ler mais notícias do R7? Clique aqui ...- A expansão do crédito tem sido de grande importância para explicar o bom desempenho da economia. A maior concorrência entre os bancos, a expansão do crédito consignado, a extensão dos prazos para os financiamentos etc. todos estes elementos têm tornado o crédito mais acessível ao consumidor, estimulando setores importantes da economia. O crescimento da economia brasileira poderia ser maior, segundo o Ipea, se não fosse a retirada dos estímulos ao consumo, “como o fim da redução do IPI (imposto sobre produtos industrializados) para alguns setores”. O instituto aponta ainda que o “início de um ciclo de aumento da taxa básica de juros” também influencia negativamente no crescimento. Com a Selic maior, ocorrerá “o encarecimento do crédito, a contração dos prazos e o aumento da seletividade nas novas concessões, afetando diretamente o consumo das famílias”. Segundo o Ipea, o grau de endividamento das famílias e a incerteza quanto ao cenário externo também são fatores que podem frear um crescimento maior da economia brasileira até o fim do ano. O estudo do Ipea volta a afirmar o que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse em maio deste ano. Na ocasião, com base na redução das vendas de veículos em abril e maio, Mantega projetou que o Brasil teria expansão menor nos últimos trimestres de 2010. Segundo o ministro,o Brasil deverá encerrar 2010 com um crescimento entre 5,5% e 6%.
24 News (SP): Ipea diz que inflação está em queda, mas aponta “sinal amarelo” nas contas externas O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou hoje (9) sua análise trimestral da economia, apontando uma trajetória descendente do índice da inflação, mas demonstrando preocupação com o futuro das contas externas. Os dados fazem parte da Carta de Conjuntura de junho, publicação que reúne as conclusões dos principais economistas do instituto em relação aos cenários econômicos do país. O coordenador do documento, economista Roberto Messenberg, afirmou que a inflação para este ano não terá tendência ascendente, devendo ficar entre 4% e 5%, dentro da meta estipulada pelo governo, de 4,5%. Por conta disso, ele considerou precipitada a decisão do Banco Central (BC) de aumentar a taxa básica de juros da economia. “Acho que eles [BC] erraram lá atrás, quando divulgaram um relatório de inflação que era francamente contrário às atas que vinham emitindo ao longo do ano passado. Isso sancionou as expectativas de alta da inflação na economia e os obrigou a tomar medidas nesse sentido, com uma elevação brutal da taxa de juros, quando, na verdade, o cenário anterior traçado por eles estava mais correto, de que o mercado estava com expectativas exageradas e que haveria uma convergência na frente”, afirmou. Para Messenberg, a maior preocupação no cenário futuro não é o descontrole nas contas públicas, como pregam alguns economistas, pois ele acredita que é necessária a participação efetiva do Estado como indutor da economia, possibilitando, entre outras coisas, destravar os gargalos que prejudicam o crescimento.. O economista chamou a atenção para o descompasso na balança internacional, com o descolamento das exportações em relação às importações, principalmente de produtos como bens de consumo. “O sinal amarelo são as taxas de crescimento do déficit comercial, de aumento das importações em relação às exportações. As importações têm se acelerado de maneira contundente. Isso é preocupante, porque pode sinalizar a necessidade crescente de recursos para o fechamento do balanço de pagamentos na economia, quando justamente o investimento direto está escasseando.” O economista classificou o processo como “enxurrada de importações”, que estaria prejudicando a indústria nacional, operando abaixo de sua capacidade histórica. Segundo ele, a solução não passa unicamente por uma desvalorização cambial – que para funcionar teria que ser muito forte –, mas deve incluir mecanismos de redução de custos de produção, como desoneração tributária para alguns setores, além de investimentos em infraestrutura e logística de transportes. Messemberg elogiou a atuação do governo federal durante a crise econômica, por intermédio do grande aporte de financiamento às empresas via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do apoio ao sistema financeiro por meio do BC.  “O BNDES teve um papel fundamental de expansão do crédito direcionado para as empresas, que não estavam contando com recursos externos, assim como o BC, que também entrou dando liquidez para o capital de giro”, destacou. Segundo ele, caso não houvesse essa intervenção do governo na economia, a queda do Produto Interno Bruto (PIB) seria de três a quatro pontos percentuais no ano passado, em vez do índice apurado, de – 0,2%.
Revista Portose Navios (RJ): Gargalo logístico eleva custo e pode travar a produção      Problemas e desequilíbrios na infraestrutura, gargalos e nós na logística e pesada burocracia. Esse diagnóstico não é de hoje, mas vem se acirrando com a rápida expansão econômica. "Faltou alguém dizer que o Brasil cresceria como está crescendo e que o mundo compraria como vem comprando", diz Reinaldo Moura, fundador e diretor do Grupo IMAM, especialista em gestão industrial e técnicas ligadas a ela, como qualidade e produtividade, logística, movimentação, armazenagem e embalagem de materiais, entre outras. Para ele, o impacto dessas deficiências é visível na dificuldade de escoamento da produção, que, nos últimos anos, vem se multiplicando. "Produzir é relativamente fácil. O problema é ver-se diante de filas de navios e caminhões nos portos", diz. Pior, segundo ele, "é que esses problemas entram numa reação em cadeia cujos resultados são custos elevadíssimos." Um navio parado à espera para atracar, dependendo da época do ano, pode custar, por exemplo, entre US$ 30 mil e US$ 80 mil por dia. E eficiência nesse setor, afirma Moura, se mede pelo menor tempo de permanência no porto. Esses e outros problemas de infraestrutura em aeroportos, rodovias e ferrovias fizeram com que os custos logísticos no Brasil consumam anualmente cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a Secretaria Especial de Portos (SEP). Nos Estados Unidos, que estão longe de ser exemplo em logística, como a Holanda, Bélgica ou a Alemanha, o custo é de 8% do PIB. Embora o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estime que os investimentos em portos, ferrovias e transporte rodoviário cheguem a R$ 76 bilhões nos próximos três anos, há uma série de fatores que precisam ser contornados para a concretização efetiva. Para o setor portuário, que é responsável por 75% a 85% do total das exportações e das importações brasileiras, em termos de valor, o banco acredita que R$ 14 bilhões serão direcionados. Mas esses recursos parecem não ser suficientes. O Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea) avalia que serão necessários pelo menos R$ 43 bilhões para atacar os gargalos. E apenas R$ 10 bilhões, ou cerca de 23% desse montante, estão previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ou seja, faltam R$ 33 bilhões, montante que terá de ser desembolsado pela iniciativa privada. "Precisamos de segurança jurídica, de menos burocracia e da não interferência política no setor", diz Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP). O Ipea avalia que são necessárias novas instalações portuárias, além de acessos terrestres aos terminais. Afirma ainda que há urgência de espaços para movimentação de cargas, dragagens, sistemas de segurança, sinalização, saneamento e eletrificação dos portos. Em 2009, os portos movimentaram 760 milhões de toneladas entre exportações e importações, 70% acima do apurado dez anos antes, de acordo com a ABTP. A estimativa para os próximos quatro anos é movimentar pelo menos 1 bilhão de toneladas por ano. Esse crescimento pode ser afetado pela carência de acessos rodoviários e ferroviários. Estimativas do Ministério da Agricultura apontam que 20% da safra de grãos (mais de 20 milhões de toneladas) são embarcados em portos distantes dos locais de produção. Para reduzir em parte os custos logísticos para pelo menos 10% do PIB, a SEP elaborou, em 2007, o Plano Nacional de Dragagem (PND), que receberá R$ 1,6 bilhão do PAC. "Trata-se de um dos maiores programas de dragagem do mundo, mas deveria estar muito mais adiantado", diz Manteli, da ABTP. O PND deve receber R$ 1 bilhão do PAC 2, parte de um total de R$ 3,78 bilhões destinados a obras gerais em portos. Entre os projetos está o da ampliação do Porto de Santos, orçado em R$ 1 bilhão. O investimento permitirá dobrar a capacidade do porto. Indagado sobre como as empresas estão enfrentando essas deficiências e gargalos em logística - responsável por prover infraestrutura necessária, equipamentos e informações para poder escoar a produção e, claro, exportar parte dela - Moura, do IMAM aponta três saídas. Primeiro, antecipar as necessidades para não interromper a produção. Depois, construir mais e maiores armazéns e centros de distribuição. E, finalmente, investir em equipamentos e sistemas para administrar o excesso de produtos.  
Amazônia (PA): Destino do lixo é discutido Produção de lixo urbano na Região Metropolitana de Belém aumentou 24% A produção de lixo urbano na Região Metropolitana de Belém aumentou 24%, entre 2000 e 2006, com uma média de 2,3 quilos por domicílio, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). A estatística desperta a preocupação de pesquisadores e gestores da administração pública, que estarão reunidos no seminário "Planejamento e gestão integrada de resíduos sólidos urbanos no Pará", que ocorrerá amanhã, no hotel Goldmar. O evento será realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp), em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), e secretarias de Estado de Governo, de Meio Ambientee de Orçamento, Planejamento e Finanças. O debate na esfera estadual já irá considerar a lei que cria a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada no último dia 2, após duas décadas de tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. A lei altera a maneira como é tratado o lixo no País, atribui e define a obrigação de cada esfera do governo e da sociedade no destino dos resíduos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, entre outras medidas, prevê o fim dos lixões, proíbe a presença de catadores de lixo e a criação de animais nos aterros sanitários nos quais os resíduos serão armazenados. A nova lei incentiva ainda participação da sociedade na prática da coleta seletiva, separando o lixo orgânico dos resíduos recicláveis, e determina às empresas que recolham materiais recicláveis oriundos de produtos como pneus, latas, garrafas, embalagens de agrotóxicos, entre outros. "Essa problemática desafia a capacidade dos órgãos governamentais, tanto por insuficiência de recursos e infraestrutura, como a falta de espaço para disposição final, principalmente nos grandes centros urbanos. Isso tem desdobramentos na saúde pública, com a proliferação de doenças e no meio ambiente, com a emissão de gases de efeito estufa, poluição do solo e de mananciais de água", afirma a coordenadora do Núcleo de Estudos Ambientais do Idesp, Sabrina Forte, que também coordena o evento. O Pará, segundo Sabrina, apresenta sérias deficiências no trato dos resíduos sólidos urbanos, especialmente na Região Metropolitana de Belém. A porcentagem de domicílios atendidos na RMB pela coleta, segundo dados do Imazon, aumentou de 94%, em 2001, para 98% em 2006. Entretanto, a disposição final dos resíduos é insatisfatória, pois apenas 65% do lixo coletado foi destinado ao aterro do Aurá. "Entretanto, o Estado vem enfrentando essa problemática, através do Programa de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (PGIRS), que visa a gestão integrada, assessoria técnica e estruturação da coleta seletiva", destaca a pesquisadora. O seminário abordará temas como marco regulatório, experiências de gestão, a participação dos catadores no gerenciamento, educação ambiental e as experiências e perspectivas de gestão consorciada.
Revista Portos e Navios RJ): Ferrovias vão ter salto de competitividade      A Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) avalia que, se o governo federal não acelerar os investimentos na expansão da malha ferroviária nacional, o setor chegará, já em 2012, a um estrangulamento, dentro dos padrões nos quais opera hoje. Otimista, porém consciente das dificuldades e da carência de recursos, o diretor-executivo da entidade, Rodrigo Vilaça, acredita que, até 2015, a malha ferroviária nacional poderá atingir 35 mil quilômetros, ante os 28,5 mil quilômetros atuais. Espera ainda que, até 2020, as linhas possam chegar a 40 mil quilômetros. Diante dessa expectativa, os investimentos das concessionárias em 2010 devem se aproximar dos R$ 3 bilhões. "Com a ampliação da malha ferroviária e com os recursos disponíveis das concessionárias, esperamos dar um salto na produtividade", diz Vilaça. De acordo com ele, se as linhas férreas crescerem para 35 mil quilômetros até 2015, a carga transportada poderá passar das atuais 460 milhões de toneladas úteis por ano para mais de 600 milhões de toneladas úteis. Isso quer dizer que, de acordo com o executivo da ANTF, o volume da carga transportada pelo setor (minérios, produtos siderúrgicos, derivados de petróleo e álcool, produtos do agronegócio e insumos da construção civil, principalmente), em relação a tudo que é movimentado no país, cresceria de 26% para 28% em cinco anos. O BNDES estima que o setor ferroviário deverá receber R$ 29 bilhões em investimentos até 2013. Mas é bom lembrar que, entre 1996 e 2009, o governo federal investiu R$ 1,14 bilhão, enquanto as concessionárias aplicaram nesse mesmo período R$ 20,96 bilhões. Mas a carência de recursos públicos não está restrita apenas ao setor ferroviário. Para dotar o país de um sistema rodoviário eficiente, seriam necessários mais de R$ 180 bilhões, de acordo com o Ipea. E o PAC prevê apenas 13% desse montante. O BNDES avalia, no entanto, que o setor receberá aporte de R$ 33 bilhões entre 2010 e 2013. A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) prefere não falar em investimentos futuros. Moacyr Duarte, presidente da entidade, acredita que todo e qualquer investimento trará redução de custos no transporte, porque ele está diretamente ligado ao tempo de viagem, entre outros fatores. Ele lembra que, entre 1996 e 2009, o setor investiu R$ 19,13 bilhões. (V.G.)  
Correio Braziliense (DF): Inflação abaixo de 3% está longe Cultura do passado e indexação de contratos impedem que o país registre índices de preços menores que os atuais. Piso para IPCA é estrutural Por Gabriel Caprioli Apesar de ter abandonado muitos dos péssimos hábitos adquiridos durante os anos de hiperinflação, como fazer a compra do mês no dia do pagamento, o brasileiro ainda guarda na memória traços da época. Tanto que 15 anos de estabilidade, alguns mecanismos de indexação e de reajuste de produtos e serviços continuam sustentando uma inflação estrutural, resistente até mesmo à forte queda dos alimentos, como se vê agora. Para agentes do mercado, esse piso inflacionário está situado entre 3% e 4% e é influenciado, entre outros fatores, pela renda, mais precisamente o salário mínimo, parâmetro para boa parte dos reajustes que perturbam o Banco Central. O primeiro grupo que carrega a inércia inflacionária é o de preços administrados pelo governo: tarifas de energia elétrica e de telefonia, combustíveis, passagens de ônibus e pedágios, entre outros. De acordo comMaria Andreia Parente Lameiras, técnica de planejamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a influência dos índices de preços anteriores nos preços regulados pelo setor público tem diminuído com o passar dos anos, mas ainda guarda relação com inflações passadas. Nos preços livres, que são impactados diretamente pela política de juros do BC, os mecanismos mais comuns de transmissão são os contratos formalizados, dos quais o aluguel de imóveis é o mais representativo. Entretanto, a maior influência, segundoMaria Andreia, está no incremento dos salários e da renda do trabalhador. Não é uma regra, mas o que vemos é que o aumento do salário mínimo acaba contaminando, com algum percentual, o reajuste nos preços dos serviços, destaca. A relação pode ser observada de forma mais clara em segmentos que dependem mais diretamente de mão de obra como empregados domésticos, cabeleireiros, pedreiros, mecânicos, manicures, entre outros. Diagnóstico à vista Umexemplo da persistência inflacionária pôde ser observada em 2006.Mesmo com o avanço de apenas 1,22% nos preços de alimentosque têm grande peso no orçamento das famílias e, portanto, na inflação , o menor desde 1997, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 3,14%.Movimento semelhante está sendo desenhado este ano, no qual as taxas de junho e de julho ficaram em zero, a despeito de o grupo alimentação ter computado deflação de 0,9% e de 0,7%, respectivamente. Omercado comoumtodo aposta firme emumíndice fechado para o ano de 5%. Na avaliação de Lameiras, é possível reduzir a influência dos mecanismos de indexação nos preços futuros, mas dificilmente ela poderá ser eliminada. Existem casos em que a indexação é inevitável e a inflação passada servirá de base para a correção de alguns contratos, diz a técnica do Ipea, órgão que, em parceria com o Ministério da Fazenda, desenvolve estudos para diagnosticar, mais claramente, quais são os pontos mais críticos que sustentam essa espécie de círculo vicioso inflacionário. Poupança O piso da inflação, arrastado de um ano para o outro, dificulta a redução das metas perseguidas pelo BC, que tem a prerrogativa de controlar o avanço de preços. A meta deste ano e do próximo é de 4,5%, com intervalos de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.Tal percentual está acima da média verificada entre os países desenvolvidos (de 1% a 2%) e entre os emergentes (2% a 3%). Independentemente das dificuldades para a definição de um objetivo menor, o próprio presidente do BC, Henrique Meirelles, já admitiu ao Correio que, ao longo dos anos, o Brasil precisará perseguir uma meta de inflação de 3% ao ano. Nas últimas decisões do Conselho Monetário Nacional (CMN), composto pela autoridade monetária e pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, o BC tem sido voto vencido no debate sobre a redução da meta. Apesar de reconhecer a influência da indexação nos índices correntes,Maria Andreia acredita que é possível acomodar a inflação estruturalemumameta mais enxuta. Emrelação a outros países, de fato, nossa meta é alta. Mas esses mecanismos não impedem o BC de perseguir uma taxa menor, afirma. O BC se debate ainda para resolver a indexação da caderneta de poupança à taxa referencial (TR). Da forma como está estruturada hoje, a correção dos depósitos, de 0,5% ao mês ou de 6% ao ano além da TR, estabeleceu um piso para a taxa básica de juros (Selic). Esse assunto é espinhoso e somente um presidente da República em início de mandato terá condições de fazer o que deve ser feito: mudar o sistema de correção da poupança, que implicará em alterações nos contratos de financiamento da casa própria e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), ambos atrelados à TR, afirmaumtécnico da Fazenda. IGP-Macelera emagosto » Os analistas estão de olho na primeira prévia de agosto do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) que será divulgada hoje. Na avaliação do economista Elias Celestino, do Banco Santander, o indicador mostrará aceleração dos preços, reflexo do aumento de 35% do minério de ferro no mês passado. Ele aposta em taxa de 0,45% ante o 0,14% de igual período de julho. Pelas suas contas, ainda não haverá repasse total da alta no minério para a inflação, mas, ainda assim, o impacto no IGP-M será de 0,44%. O economista chama a atenção ainda para o comportamento dos produtos agropecuários, pois a deflação registrada em coletas anteriores de preços deve diminuir, devido ao aumento dos preços dos bovinos e da soja. Já o leite e o milho ajudarão a aliviar o indicador. O IGP-M deve trazer duas boas notícias: a manutenção da queda do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a desaceleração do Índice Nacional da Construção Civil (INCC).  
Valor Econômico (SP): Ferrovias vão ter salto de competitividade A Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) avalia que, se o governo federal não acelerar os investimentos na expansão da malha ferroviária nacional, o setor chegará, já em 2012, a um estrangulamento, dentro dos padrões nos quais opera hoje. Otimista, porém consciente das dificuldades e da carência de recursos, o diretor-executivo da entidade, Rodrigo Vilaça, acredita que, até 2015, a malha ferroviária nacional poderá atingir 35 mil quilômetros, ante os 28,5 mil quilômetros atuais. Espera ainda que, até 2020, as linhas possam chegar a 40 mil quilômetros. Diante dessa expectativa, os investimentos das concessionárias em 2010 devem se aproximar dos R$ 3 bilhões. "Com a ampliação da malha ferroviária e com os recursos disponíveis das concessionárias, esperamos dar um salto na produtividade", diz Vilaça. De acordo com ele, se as linhas férreas crescerem para 35 mil quilômetros até 2015, a carga transportada poderá passar das atuais 460 milhões de toneladas úteis por ano para mais de 600 milhões de toneladas úteis. Isso quer dizer que, de acordo com o executivo da ANTF, o volume da carga transportada pelo setor (minérios, produtos siderúrgicos, derivados de petróleo e álcool, produtos do agronegócio e insumos da construção civil, principalmente), em relação a tudo que é movimentado no país, cresceria de 26% para 28% em cinco anos. O BNDES estima que o setor ferroviário deverá receber R$ 29 bilhões em investimentos até 2013. Mas é bom lembrar que, entre 1996 e 2009, o governo federal investiu R$ 1,14 bilhão, enquanto as concessionárias aplicaram nesse mesmo período R$ 20,96 bilhões. Mas a carência de recursos públicos não está restrita apenas ao setor ferroviário. Para dotar o país de um sistema rodoviário eficiente, seriam necessários mais de R$ 180 bilhões, de acordo com o Ipea. E o PAC prevê apenas 13% desse montante. O BNDES avalia, no entanto, que o setor receberá aporte de R$ 33 bilhões entre 2010 e 2013. A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) prefere não falar em investimentos futuros. Moacyr Duarte, presidente da entidade, acredita que todo e qualquer investimento trará redução de custos no transporte, porque ele está diretamente ligado ao tempo de viagem, entre outros fatores. Ele lembra que, entre 1996 e 2009, o setor investiu R$ 19,13 bilhões. (V.G.)  
Valor Econômico (SP): Gargalo logístico eleva custo e pode travar a produção Por Vladimir Goitia, de São Paulo Problemas e desequilíbrios na infraestrutura, gargalos e nós na logística e pesada burocracia. Esse diagnóstico não é de hoje, mas vem se acirrando com a rápida expansão econômica. "Faltou alguém dizer que o Brasil cresceria como está crescendo e que o mundo compraria como vem comprando", diz Reinaldo Moura, fundador e diretor do Grupo IMAM, especialista em gestão industrial e técnicas ligadas a ela, como qualidade e produtividade, logística, movimentação, armazenagem e embalagem de materiais, entre outras. Para ele, o impacto dessas deficiências é visível na dificuldade de escoamento da produção, que, nos últimos anos, vem se multiplicando. "Produzir é relativamente fácil. O problema é ver-se diante de filas de navios e caminhões nos portos", diz. Pior, segundo ele, "é que esses problemas entram numa reação em cadeia cujos resultados são custos elevadíssimos." Um navio parado à espera para atracar, dependendo da época do ano, pode custar, por exemplo, entre US$ 30 mil e US$ 80 mil por dia. E eficiência nesse setor, afirma Moura, se mede pelo menor tempo de permanência no porto. Esses e outros problemas de infraestrutura em aeroportos, rodovias e ferrovias fizeram com que os custos logísticos no Brasil consumam anualmente cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo a Secretaria Especial de Portos (SEP). Nos Estados Unidos, que estão longe de ser exemplo em logística, como a Holanda, Bélgica ou a Alemanha, o custo é de 8% do PIB. Embora o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estime que os investimentos em portos, ferrovias e transporte rodoviário cheguem a R$ 76 bilhões nos próximos três anos, há uma série de fatores que precisam ser contornados para a concretização efetiva. Para o setor portuário, que é responsável por 75% a 85% do total das exportações e das importações brasileiras, em termos de valor, o banco acredita que R$ 14 bilhões serão direcionados. Mas esses recursos parecem não ser suficientes. O Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea) avalia que serão necessários pelo menos R$ 43 bilhões para atacar os gargalos. E apenas R$ 10 bilhões, ou cerca de 23% desse montante, estão previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ou seja, faltam R$ 33 bilhões, montante que terá de ser desembolsado pela iniciativa privada. "Precisamos de segurança jurídica, de menos burocracia e da não interferência política no setor", diz Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP). O Ipea avalia que são necessárias novas instalações portuárias, além de acessos terrestres aos terminais. Afirma ainda que há urgência de espaços para movimentação de cargas, dragagens, sistemas de segurança, sinalização, saneamento e eletrificação dos portos. Em 2009, os portos movimentaram 760 milhões de toneladas entre exportações e importações, 70% acima do apurado dez anos antes, de acordo com a ABTP. A estimativa para os próximos quatro anos é movimentar pelo menos 1 bilhão de toneladas por ano. Esse crescimento pode ser afetado pela carência de acessos rodoviários e ferroviários. Estimativas do Ministério da Agricultura apontam que 20% da safra de grãos (mais de 20 milhões de toneladas) são embarcados em portos distantes dos locais de produção. Para reduzir em parte os custos logísticos para pelo menos 10% do PIB, a SEP elaborou, em 2007, o Plano Nacional de Dragagem (PND), que receberá R$ 1,6 bilhão do PAC. "Trata-se de um dos maiores programas de dragagem do mundo, mas deveria estar muito mais adiantado", diz Manteli, da ABTP. O PND deve receber R$ 1 bilhão do PAC 2, parte de um total de R$ 3,78 bilhões destinados a obras gerais em portos. Entre os projetos está o da ampliação do Porto de Santos, orçado em R$ 1 bilhão. O investimento permitirá dobrar a capacidade do porto. Indagado sobre como as empresas estão enfrentando essas deficiências e gargalos em logística - responsável por prover infraestrutura necessária, equipamentos e informações para poder escoar a produção e, claro, exportar parte dela - Moura, do IMAM aponta três saídas. Primeiro, antecipar as necessidades para não interromper a produção. Depois, construir mais e maiores armazéns e centros de distribuição. E, finalmente, investir em equipamentos e sistemas para administrar o excesso de produtos.
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Jornal do Commercio (PE): Faltou crescer institucionalmente, dizem acadêmicos Por Paulo Sérgio Scarpa A grande mudança realizada pelo governo Lula ocorreu nos gastos públicos com as transferências sociais, como o Bolsa Família, afirmou o economista Carlos Eduardo Soares, da Universidade de São Paulo, na mesa-redonda Brazil on the Road to Good Governance (algo como Brasil no caminho da boa governança), no 7º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), no Recife. Mas melhorou pouco institucionalmente, advertiu. O atual governo não fez a reforma da Previdência, apesar da forte liderança de Lula, e o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, entre 2004 e 2005, olhou apenas para as reformas com baixo custo político, como a reforma do crédito. Apesar disso, acentuou o professor para uma plateia de estudantes e professores, o Brasil melhorou muito em sua política macroeconômica em comparação com os anos 90, mas disse não esperar por reformas mais profundas: As elites políticas brasileiras não fazem reformas quando as coisas vão bem no País, vaticinou. Para ele, saúde e educação podem ser consideradas duas catástrofes no atual governo. O setor público não funciona neste País, que fez o Bolsa Família o melhor programa social, mas o governo não faz avaliação sobre o impacto que o programa provoca. Carlos Eduardo lembrou ainda que Lula fala em promover reformas, mas não fez a política, a principal delas. Na Câmara, apenas o deputado federal Arnaldo Madeira (PSDB-SP) defende de fato o voto distrital, que gasta menos com as transferências e diminui a corrupção, definiu. Professor de Ciência Política na Universidade de Michigan (EUA), Carlos Pereira ponderou que o regime brasileiro não gera maioria eleitoral, mas sustenta ainda uma situação singular: A maioria dos legisladores tem mais recursos para permanecerem no poder por causa de suas bases eleitorais. E contou que, a seu ver, o País não tem qualquer possibilidade de risco democrático enquanto o governo não tiver condições de criar uma maioria no Congresso. Carlos Pereira provocou risos na plateia ao lembrar que Lula se reelegeu apesar do mensalão, e obteve ainda altos índices de popularidade e aprovação. Para Paulo Tafner, pesquisador do Ipea, Instituto de Pesquisa Aplicada, órgão da Presidência da República, o papel das elites na história do Brasil varia muito pouco com o passar dos anos. As elites voluntariosas acham de bom tom acabar com a pobreza para acabar com a violência, mas é para proteger os seus filhos. Essa é uma das explicações, mas existem outras, disse. Ele considerou como avanço a ampliação dos direitos básicos dos cidadãos, mas lembrou que o País precisa lidar com a cristalização dos privilégios constitucionais. Tafner se referiu particularmente aos privilégios concedidos ao setor público pela Constituição de 1988. Um ascensorista do setor público ganha seis vezes mais que um da iniciativa privada, exemplificou.    
Jornal do Commercio (PE): O eleitorado brasileiro converge para o centro ENTREVISTA - PAULO TAFNER Pesquisador do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), órgão da Presidência da República, Paulo Tafner prevê que o Brasil passará por mudança eleitoral nas próximas décadas em decorrência do envelhecimento e morte de uma geração de analfabetos, a qual será substituída por jovens alfabetizados, e muito mais críticos na hora de votar e avaliar o governo. O Brasil atingiu o ápice do seu eleitorado, previu durante o 7º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), no Recife. A seguir, leia trechos da entrevista concedida a Paulo Sérgio Scarpa. JC Qual será o futuro do eleitorado brasileiro? PAULO TAFNER O eleitorado vai aumentar em quantidade, mas as participações relativas vão se modificar bastante. Os jovens terão seu número reduzido drasticamente em aproximadamente em 50% nos próximos 30, 40 anos. Isso é, o principal grupo de eleitores será o mais maduro, mais vivido e nessa medida mais conservador. A médio prazo, o Brasil deve se encaminhar para políticas mais liberais, mais centradas, em valores conservadores e de reformas de estrutura no sentido de integrar o País ao resto do mundo, não ao contrário. JC Isso significaria um voto mais crítico em relação ao voto de hoje? TAFNER Acho que tende a mudar o perfil do eleitor. Daqui a uma década e meia, não teremos praticamente eleitores analfabetos, a quantidade de eleitores pobres será muito menor do que hoje, e o número de eleitores que dependam de transferências do governo, à exceção dos recursos da Previdência, tenderá também a ser menor. Então isso fará com que o eleitorado seja menos dependente de ações do Estado, e nessa medida talvez mais crítico ao próprio Estado tendo em vista que algumas das políticas públicas são especialmente ineficientes, como a saúde e a educação no Brasil. JC Essa mudança dependerá de qual fator? TAFNER Há uma mudança demográfica em curso no País que não há nada que um presidente da República possa fazer para mudar isso. Por outro lado, há uma dinâmica econômica que é pouca influenciada pelo governo. O setor privado vem andando bem, vem investindo, aplicando na capacitação de sua mão de obra, a economia mundial vem crescendo. E os efeitos de uma ação pública são mais reduzidos. Então, essas mudanças ocorrerão independentemente da vontade de um governo. Isso fará com que o eleitor daqui a 20 anos tenha uma outra perspectiva ao escolher o seu governante. JC Isso implicaria em uma mudança partidária, para que os partidos acompanhem a sociedade? TAFNER A política partidária responde ao eleitor mediano, se ele caminha mais para o centro, tenderá a ser conformar uma composição partidária no centro, os extremos serão expelidos. O mesmo acontecerá se mais a direita ou à esquerda. Mas há bastante tempo o eleitorado brasileiro está se convergindo para um posicionamento de centro, queremos governantes que tenham empenho e atitude, mas que tenham sobretudo uma visão de mundo e uma implementação de políticas numa ótica de centro. Ou seja, eficiência, gasto público para os mais pobres e infraestrutura para que a economia possa crescer.    
Folha de S.Paulo (SP): Dilma distorce números, e Serra faz críticas periféricas Petista faz projeções sem base para a educação; tucano não propõe soluções A julgar pelo debate, as ambições de Dilma são a reforma tributária e a regulamentação da emenda sobre a saúde Por Gustavo Patu A petista Dilma Rousseff distorceu números para superfaturar os méritos do governo Lula, enquanto o tucano José Serra se dedicou a promessas típicas de governadores e prefeitos, como a criação de vagas em escolas e a promoção de mutirões. O primeiro debate da campanha eleitoral apresentou, de um lado, a situacionista que oferece algo entre a continuidade e a mera celebração de feitos reais e imaginários; do outro, o principal oposicionista que limita quase todas as suas críticas e propostas a aspectos periféricos da administração federal. A julgar pelas afirmações de anteontem à noite, na Band, as principais ambições de Dilma para o futuro são a reforma tributária e a regulamentação da emenda constitucional que disciplina os gastos em saúde, ambas já encaminhadas pelo presidente Lula, mas empacadas no Congresso Nacional. Há ainda a torcida declarada para a erradicação completa da miséria e ampliação dos recursos públicos para a educação para o equivalente a 7% do Produto Interno Bruto, que seriam um desdobramento natural das conquistas recentes. SEM BASES A primeira se baseia em um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que projeta o fim da pobreza extrema em 2016 caso seja mantido até lá o ritmo de melhora da renda contabilizado de 2004 a 2008; os anos de 2003, de aumento da pobreza, e de 2009, de crise econômica, ficam convenientemente fora da conta. Já a segunda não tem nem sequer base conhecida. Pela última estimativa oficial disponível, os gastos de União, Estados e municípios em educação chegaram a 4,7% do PIB em 2008 -Dilma falou em algo entre 5% e 6%. Se for mantido o ritmo de aumento do governo Lula, a meta mencionada pela petista só seria atingida em 17 anos. De resto, sobra o rosário de cifras já disseminado pelo PT na internet. Algumas consistentes, como a redução da dívida pública de 60% para 42% do PIB, outras enganosas, como a do suposto reajuste real de 74% concedido ao salário mínimo -o índice em oito anos ficou pouco acima da metade dos 100% prometidos por Lula para seus primeiros quatro anos. Sem contestar a louvação ao presidente Lula, Serra concentrou ataques contra a redução dos mutirões em saúde, descendo a detalhes como as cirurgias de próstata e varizes, e a problemas na relação do governo com as associações de apoio a crianças excepcionais. SEM SOLUÇÕES Criticou, é verdade, os atrasos nas obras de infraestrutura e, depois de instado por um jornalista, as taxas de juros e a carga tributária, também elevadas na gestão tucana. Não apresentou, porém, nenhuma solução -no máximo, disse que expandirá para o país a experiência da nota fiscal paulista. Repetiu ter triplicado o "nível de investimentos" no Estado, mas multiplicado por três, de fato, foi apenas o valor nominal desses gastos. Pelo mesmo critério, os investimentos federais, mais volumosos, teriam sido duplicados no período. E prometeu acabar com o loteamento político das estatais, em particular nos Correios, na única objeção ao governo Lula que ultrapassou o âmbito gerencial.
Folha de S.Paulo (SP): Para reduzir a pobreza é preciso investir em produtividade Por Geraldo Barros* De meados dos anos 1990 para cá, o Brasil passou por pelo menos duas experiências de marcante sucesso no campo da economia. Uma foi o controle da inflação a partir do Plano Real. É consensual que a política macroeconômica em vigor é a maior responsável pela estabilidade monetária. Outra experiência positiva é a redução que começa a ocorrer nos índices de concentração de renda e de pobreza. Suas causas ainda estão sendo investigadas. O Índice de Gini, que mede a concentração da distribuição de renda, caiu de 0,60 para 0,552 de 1994 a 2007. Nos seis anos entre 2001 e 2007, a extrema pobreza caiu sete pontos percentuais, estando na casa dos 10% da população hoje. Duas conquistas inéditas no Brasil! Vários analistas têm apontado, como responsáveis por esses avanços, o programa Bolsa Família, os aumentos de salário mínimo e das aposentadorias e pensões etc. Com isso, mais dinheiro (renda nominal) tem chegado às mãos dos mais pobres, ficando a falsa impressão de facilidade para vencer problemas crônicos. Alternativamente, os bons resultados podem ser atribuídos ao crescimento da disponibilidade de bens e serviços consumidos pela população mais pobre, com destaque para os alimentos. As medidas mencionadas acima -na forma de transferências de renda- aumentam a demanda; se a oferta não crescer, haverá elevação de preços e o impacto das medidas pode desaparecer, como sistematicamente ocorreu no passado com o salário mínimo, por exemplo. Seus aumentos nominais eram dizimados pela inflação que vinha em seguida. Felizmente, a oferta tem crescido expressivamente. Na agropecuária, José Garcia Gasques, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), calculou crescimento de produtividade de 82% após o Plano Real, o que permitiu queda de 45% nos preços reais de alimentos. Ao mesmo tempo, a produção agropecuária cresceu 80%. Aumentos de produtividade também foram observados na economia como um todo, porém em escala muito inferior -menos de 10%, conforme Fernando Holanda Barbosa, da FGV (Fundação Getulio Vargas). Fernando Gaiger, do Ipea, verificou que, com a forte queda de preços, as famílias estão gastando menos com alimentação e vestuário e, com isso, estão melhorando a habitação e usando mais os serviços urbanos. Adriana Ferreira Silva, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP), avaliou em R$ 642 bilhões o total de renda transferida da agropecuária para a sociedade, na forma de maior produção a menores preços entre 1995 e 2008. As conquistas no campo da pobreza e da desigualdade podem ter se devido, portanto, muito mais a grandes investimentos na geração de tecnologia e em incentivos para seu uso -que levaram a aumentos de produtividade na agropecuária- do que a mecanismos de transferência que, apesar de necessários, não são suficientes para garantir os avanços alcançados na luta contra a pobreza. *GERALDO BARROS é professor titular da USP/Esalq e coordenador científico do Cepea/Esalq/USP  
Globo (RJ): Rodovias: estudos confirmam críticas Dados de CNT e Ipea mostram estradas federais em péssimo estado. País também vai mal em portos e aeroportos Por Geralda Doca e Gustavo Paul BRASÍLIA. As deficiências da infraestrutura nacional - um dos responsáveis pelo custo Brasil, que derruba a competitividade do setor produtivo nacional - foram um dos principais pontos de confronto entre os candidatos do PT, Dilma Rousseff, e do PSDB, José Serra, no debate entre os presidenciáveis. As críticas de Serra ao estado de conservação das rodovias federais encontra respaldo em levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ambos mostram que o índice de estradas em condições deficientes ou péssimas, em 2009, é de 69%. Além das rodovias, o tucano apontou entraves graves nos portos - chegou a recomendar a Dilma uma visita ao terminal de Salvador - e ressaltou a situação dos aeroportos: segundo ele, 19 dos 20 principais terminais do país operam no limite. Os candidatos também trocaram farpas sobre as condições do saneamento básico no país. Dilma rebateu e disse que houve crescimento dos investimentos em transporte no governo Lula e que Serra usava números velhos. Ela destacou desembolsos em saneamento. No caso dos portos, no levantamento Doing Business 2010 do Banco Mundial, o Brasil ocupa a 100ª colocação entre 183 países no quesito "comércio entre fronteiras", com a exigência de oito documentos nas exportações, contra média de 4,3 documentos nos países desenvolvidos. O custo médio por contêiner chega a US$1.540, contra US$1.089 nos países ricos. Outro levantamento, o The Logistics Performance Index de 2010, mostra que o Brasil ocupa a 109ª posição - em universo de 119 países - no tempo médio para liberação de mercadorias pela alfândega. Segundo o Ipea, em 2002, último ano do governo Fernando Henrique, os investimentos nos portos (públicos, privados e financiados pelo BNDES) somaram R$1,172 bilhão. Em 2008, governo Lula, pelo último dado disponível, a soma foi de R$1,683 bilhão. No caso dos aeroportos, Serra acertou no diagnóstico, mas errou nos números. Segundo estudo do BNDES, as deficiências se concentram em 13 terminais. Estudo do Ipea mostra situação de pré-colapso em dez aeroportos essenciais, como Brasília, Santos Dumont, Congonhas e Guarulhos. Os investimentos da Infraero aumentaram de 2004 a 2006, mas caíram à metade em 2009, para R$425,5 milhões. Dilma destacou a falta de investimentos do governo do PSDB em saneamento, dizendo que os tucanos investiam R$264 milhões ao ano e que, hoje, investe-se isso em um único estado. A área, realmente, foi pouco atendida, porque o endividamento público travava desembolsos do FGTS, e o ajuste fiscal não dava espaço orçamentário. No caso do FGTS, em 1995, foram contratadas obras de saneamento no valor de R$82,3 milhões; em 2000 não houve contratação e em 2002 chegou a R$750 milhões. Em 2003, foi de R$1,3 bilhão e em 2009 passou a R$2,4 bilhões. Os recursos do Orçamento - não disponíveis na gestão tucana - chegaram a R$6,582 bilhões em 2009.  
Correio Braziliense (DF): Desigualdade social no Brasil Artigo de Frei Betto FREI BETTO Escritor, é autor de Cartas da prisão (Agir), entre outros livros Relatório da ONU (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Pnud), divulgado em julho, aponta o Brasil como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo. Quanto à distância entre pobres e ricos, nosso país empata com o Equador e só fica atrás de Bolívia, Haiti, Madagáscar, Camarões, Tailândia e África do Sul. Aqui temos uma das piores distribuições de renda do planeta. Entre os 15 países com maior diferença entre ricos e pobres, 10 se encontram na América Latina e Caribe. Mulheres (que recebem salários menores que os homens), negros e indígenas são os mais afetados pela desigualdade social. No Brasil, apenas 5,1% dos brancos sobrevivem com o equivalente a US$ 30 por mês (cerca de R$ 54) O percentual sobe para 10,6% em relação a índios e negros. Na América Latina, há menos desigualdade na Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai. A ONU aponta como principais causas da disparidade social a falta de acesso à educação, a política fiscal injusta, os baixos salários e a dificuldade de dispor de serviços básicos, como saúde, saneamento e transporte. É verdade que nos últimos 10 anos o governo brasileiro investiu na redução da miséria. Nem por isso se conseguiu evitar que a desigualdade se propague entre as futuras gerações. Segundo a ONU, 58% da população brasileira mantém o mesmo perfil social de pobreza entre duas gerações. No Canadá e países escandinavos, esse índice é de 19%. O que permite a redução da desigualdade é, em especial, o acesso à educação de qualidade. No Brasil, em cada grupo de 100 habitantes, apenas nove possuem diploma universitário. Basta dizer que, a cada ano, 130 mil jovens, em todo o Brasil, ingressam nos cursos de engenharia. Sobram 50 mil vagas. E apenas 30 mil chegam a se formar. Os demais desistem por falta de capacidade para prosseguir os estudos, de recursos para pagar a mensalidade ou necessidade de abandonar o curso para garantir um lugar no mercado de trabalho. Nas eleições deste ano votarão 135 milhões de brasileiros. Dos quais, 53% não terminaram o ensino fundamental. Que futuro terá este país se a sangria da desescolaridade não for estancada? Há, sim, melhoras em nosso país. Entre 2001 e 2008, a renda dos 10% mais pobres cresceu seis vezes mais rapidamente que a dos 10% mais ricos. A dos ricos cresceu 11,2%; a dos pobres, 72%. No entanto, há 25 anos, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esse índice não muda: metade da renda total do Brasil está em mãos dos 10% mais ricos do país. E os 50% mais pobres dividem entre si apenas 10% da riqueza nacional. Para operar uma drástica redução na desigualdade imperante em nosso país é urgente promover a reforma agrária e multiplicar os mecanismos de transferência de renda, como a Previdência Social. Hoje, 81,2 milhões de brasileiros são beneficiados pelo sistema previdenciário, que promove de fato distribuição de renda. Mais da metade da população do Brasil detém menos de 3% das propriedades rurais. E apenas 46 mil proprietários são donos de metade das terras. Nossa estrutura fundiária é a mesma desde o Brasil império! E quem dá emprego no campo não é o latifúndio nem o agronegócio, é a agricultura familiar, que ocupa apenas 24% das terras mas emprega 75% dos trabalhadores rurais. Hoje, os programas de transferência de renda do governo incluindo assistência social, Bolsa Família e aposentadorias representam 20% do total da renda das famílias brasileiras. Em 2008, 18,7 milhões de pessoas viviam com menos de 1/4 do salário mínimo. Se não fossem as políticas de transferência, seriam 40,5 milhões. Isso significa que, nesses últimos anos, o governo Lula tirou da miséria 21,8 milhões de pessoas. Em 1978, apenas 8,3% das famílias brasileiras recebiam transferência de renda. Em 2008 eram 58,3%. É uma falácia dizer que, ao promover transferência de renda, o governo está sustentando vagabundos. O governo sustenta vagabundos quando não pune os corruptos, o nepotismo, as licitações fajutas, a malversação de dinheiro público. Transferir renda aos mais pobres é dever, em especial num país em que o governo irriga o mercado financeiro engordando a fortuna dos especuladores que nada produzem. A questão reside em ensinar a pescar, em vez de dar o peixe. Entenda-se: encontrar a porta de saída do Bolsa Família. Todas as pesquisas comprovam que os mais pobres, ao obterem um pouco mais de renda, investem em qualidade de vida, como saúde, educação e moradia. O Brasil é rico, mas não é justo.
Valor Econômico (SP): Mercado volta a criar empregos para menor escolaridade Por Luciano Máximo, de São Paulo Nos 12 meses encerrados em maio, o mercado formal de trabalho criou 5 mil novos empregos por dia, um ritmo bem mais intenso que aquele dos 12 meses anteriores, quando eram precisos três dias para criar as mesmas 5 mil vagas com carteira de trabalho assinada. Esse "apetite" das empresas por funcionários permitiu a volta ao mercado de trabalho dos profissionais com menor - ou até nenhuma - escolaridade. Inclusive analfabetos têm sido contratados. Levantamento feito pelo Valor no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho revela que nos 12 meses que vão de junho de 2008 a maio de 2009 - período do pré e pós-crise -, o Brasil fechou o balanço de admissões e demissões no azul, com a geração de 580,2 mil vagas. O resultado líquido, contudo, é formado pelo saldo positivo de 881,3 mil novos postos para profissionais que frequentaram a escola por mais tempo, e pelo fechamento de 300 mil vagas para trabalhadores analfabetos ou com até a 8ª série completa. Dados mais recentes indicam dinâmica diferente, com a expansão também das contratações de pessoal com baixa escolaridade. De junho de 2009 a maio de 2010, quase 330 mil posições foram preenchidas por brasileiros com no máximo o ensino fundamental completo, superando as demissões dos 12 meses anteriores. Trabalhadores com esse perfil responderam por uma participação de 15% no saldo líquido de mais de 2 milhões de postos de trabalho abertos no período. O movimento de contratação de pessoas que frequentaram a escola por menos tempo ocorre em todos os cinco grandes setores utilizados pelo Caged: agropecuária, comércio, construção civil, indústria e serviços. Somente o setor de obras responde por mais de 50% dessa tendência. Entre junho de 2009 e maio deste ano, foram abertos 172 mil postos para trabalhadores que chegaram até a 8ª série, contra um saldo de 8,8 mil na comparação com os 12 meses anteriores. Apesar de todo esse aquecimento, Luiz Antônio Caruso, gerente-executivo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), conta que a atividade sofre para atrair mão de obra jovem e mais bem qualificada. "A construção civil tem o maior percentual de trabalhadores com 45 anos ou mais do mercado. Podemos deduzir que essa indústria recruta profissionais com menor escolaridade, porque não tem capacidade de atração como outras atividades. Isso também repercute no Senai; existem muitas regionais que não conseguem fechar turmas para os cursos técnicos do setor", argumenta Caruso. Na visão de economistas, a ampliação das contratações de mão de obra com baixa escolaridade reflete o dinamismo atual do mercado de trabalho brasileiro, estimulado por um crescimento econômico que poderá chegar a 7% este ano, segundo projeções do mercado financeiro e do próprio Banco Central. Também existe uma reposição natural dos cortes ocorridos durante a crise. Além disso, o fenômeno indica a necessidade de avanço das políticas públicas de emprego e formação profissional, expõe pontos fracos do sistema educacional do país e sugere que as empresas precisam gastar mais para qualificar seus empregados. O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, afirma que o Brasil não pode cometer os mesmos erros do passado, quando as políticas de formação e qualificação de trabalhadores eram descasadas com a demanda do mercado. "Houve problemas sérios de escassez de mão de obra e grande movimento migratório de trabalhadores durante o milagre econômico [década de 1970]. Nem uma legislação com subsídios fiscais a empresas que qualificavam seus empregados deu certo", ilustra. Para ele, empresas e governo devem focar as demandas futuras do mercado de trabalho. "A continuidade do crescimento coloca a questão da formação de profissionais como um avanço importante. Será preciso também atuação maior dos empresários nesse quesito." O pesquisador Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (CPS-FGV), enxerga uma competição entre mercado de trabalho e escola. "É uma tendência preocupante, ligada com a qualidade da educação formal no Brasil: o mercado está chamando, e as pessoas estão deixando de concluir os estudos para ir trabalhar. Por outro lado, tem muita gente aderindo a cursos técnicos", afirma. Segundo ele, a taxa de conclusão de programas profissionalizantes entre brasileiros em idade ativa cresceu 75% nos últimos seis anos. Neri também chama atenção para um ponto que considera muito importante: o desinteresse dos jovens pela escola e a consequente falta de consciência de que, quanto maior a escolaridade, maiores as chances de conseguir um emprego e ter um salário maior. "Estudos mostram que a renda de uma pessoa passa de R$ 700 para R$ 1.700 só pelo fato de concluir o ensino médio. É pouco? Sim, mas é muito melhor do que R$ 700", aponta Neri.  
DCI (SP): Pesquisa CNT/Sensus aponta Dilma com 41,6% e Serra, 31,6% abnor gondim / agências A vantagem da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, sobre o adversário do PSDB, José Serra, passou de 2 para 10 pontos percentuais na pesquisa Sensus divulgada ontem pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Marina Silva, do PV, tem 8,5%. Ao divulgar pesquisa ontem que aponta o aumento da vantagem da candidata petista (41,6% das intenções de voto) sobre o presidenciável tucano (31,6%), o presidente da CNT, Clésio de Andrade, virou alvo de críticas juntamente com a entidade que preside. "Nem sei por que entidades que vivem das contribuições que incidem sobre a folha de pagamentos se intrometem na vida política fazendo pesquisas para atender interesses não revelados", disparou o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA). Ele se referia ao fato de o presidente da CNT ter anunciado que vai inaugurar o comitê Helécio em Belo Horizonte, na próxima segunda-feira, como presidente do PR de Minas Gerais, onde já foi vice-governador do hoje candidato ao Senado Aécio Neves. O comitê vai apoiar Dilma, o candidato Hélio Costa (PMDB) e o próprio Aécio. Ao mesmo tempo, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou que não acredita na pesquisa CNT/Sensus, porque considera os resultados desse instituto "muito disparatados em relação aos outros". Segundo ele, pesquisas internas encomendadas pelo PSDB apontam José Serra com ligeira vantagem de quatro pontos percentuais à frente da petista. "Se me disserem que Dilma está empatada com Serra, eu acredito, ou que ela está um pouco atrás, ou até um pouco à frente dele, eu também acredito. Mas não acredito numa diferença muito grande de pontos", concluiu o tucano. Mais cedo, o presidente do PSDB e coordenador da campanha tucana, senador Sérgio Guerra, escreveu em seu Twitter que não comentaria o resultado do instituto Sensus porque "eleição é coisa séria". A CNT não apresentou nenhuma proposta aos candidatos. Levantamento feito pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) apontou que os próximos governos precisam investir R$ 180 bilhões para recuperar e manter a malha rodoviária do País. A assessoria da entidade informou que o presidente estava viajando de retorno a Belo Horizonte e não poderia responder às críticas. Sobre a pesquisa, apontou que a sua credibilidade deve ser debitada ao instituto responsável pela coleta de dados. Durante o anúncio dos dados, Andrade avaliou que as críticas da chapa encabeçada por José Serra à "criminalização" do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT) explicam o desempenho do ex-governador de São Paulo nas pesquisas sobre a corrida presidencial. Isso porque, explicou, em relação à pesquisa anterior, de maio de 2010 , Dilma subiu quase seis pontos - tinha 35,7%. "Criminalizar quem faz benefício social, com certeza acaba afetando. Não adianta tentar separar o PT do presidente Lula ou a candidata Dilma do presidente Lula, porque não se consegue", argumentou Andrade. O presidente da CNT apontou também que, nas últimas semanas, o deputado Índio da Costa (DEM-RJ), candidato a vice-presidente na chapa de Serra, acusou os petistas de vinculação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e com o narcotráfico, situação que motivou a justiça a conceder direito de resposta ao PT. Também o candidato e o presidente nacional do PSDB disseram haver uma relação "conhecida" entre PT e Farc. Na simulação espontânea da pesquisa CNT/Sensus, quando o entrevistado aponta seu candidato a presidente sem ter acesso a uma lista com possíveis candidatos, Dilma também ocupa a posição dianteira, com 30,4%. Neste cenário, Serra tem 20,2% e Marina Silva outros 5,0%. José Maria Eymael (PSDC) tem 3,0%. Votos brancos e nulos são 3,8%. Eleitores indecisos são 27,9%. Apesar de não poder concorrer, o presidente Lula foi citado por 5,0% dos entrevistados. Em um eventual segundo turno, Dilma venceria Serra por 48,3% contra 36,6%. Neste contexto, os votos brancos e nulos chegam a 5,7%. Os eleitores indecisos são 9,6%. Isso foi destacado no blog de Andrade na internet. A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 31 de julho e 2 de agosto, com dois mil entrevistados, e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 29 de julho de 2010, sob o número 21411/2010. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Vantagem da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, sobre o adversário do PSDB, José Serra, passou de 2 para 10 pontos percentuais na pesquisa Sensus divulgada pela CNT. Tucanos questionam legitimidade.
BBC Brasil: Em Caracas, Lula tenta convencer Chávez a retomar diálogo com a Colômbia Em Bogotá, Lula assiste a posse do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta sexta-feira, em Caracas, com seu colega venezuelano Hugo Chávez em uma tentativa de convencer a Venezuela a retomar o diálogo com a Colômbia para que os dois países possam atuar juntos no controle da segurança na fronteira. De Caracas, o presidente Lula viaja a Bogotá para acompanhar a cerimônia de posse do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, onde deve reiterar seu pedido para a abertura de um diálogo. O governo brasileiro interpreta como um sinal positivo o silêncio do presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, durante a crise diplomática que resultou na ruptura de relações entre os dois países, e aposta que a curto prazo um canal de diálogo mais pragmático e menos conflitivo poderá ser estabelecido entre ambos governos. "Sabemos que o presidente Santos quer dialogar (com Chávez), e o Brasil espera que essa propensão ao diálogo leve a uma melhora" nas relações entre Caracas e Bogotá, afirmou o porta-voz da Presidência Marcelo Baumbach. Monitoramento conjunto Além do diálogo, o Brasil defende o monitoramento conjunto da fronteira entre Colômbia e Venezuela, de 2,1 mil km de extensão, para coibir a entrada e saída de grupos armados irregulares que reiteradamente são o pivô de conflitos entre Caracas e Bogotá. "A questão da fronteira é importante, porque enquanto Venezuela e Colômbia não cooperarem no controle fronteiriço, vamos viver de sobressaltos, a agenda política interna acaba predominando, sem construir uma solução efetiva para o problema", afirmou à BBC Brasil uma fonte diplomática da Presidência. A proposta, que já havia sido anunciada pelo assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, é similar às atividades que estão sendo realizadas pela Comissão Binacional de Fronteira (Combifron) entre Colômbia e Equador. A cooperação, que foi reativada em 2009, é integrada por altos comandos militares e promove a troca de informações e de monitoramento terrestre e aéreo das zonas fronteiriças. Para o governo venezuelano, no entanto, a discussão deve ir além do controle fronteiriço. Um diplomata do ministério venezuelano de Relações Exteriores disse à BBC Brasil que "apesar" da existência dos mecanimos de cooperação da Combifron, o governo de Álvaro Uribe decidiu invadir território do Equador para bombardear um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que fora instalado ali, ataque que resultou na morte de Raúl Reyes, o número dois na hierarquia de comando da guerrilha, em março de 2008. " É importante controlar as fronteiras, porém, o governo venezuelano acredita que apenas com o fim do conflito armado na Colômbia poderemos alcançar um ambiente de paz na região ", afirmou o diplomata. Na semana passada, o chanceler venezuelano Nicolás Maduro viajou por sete países integrantes da Unasul para tentar articular uma proposta de internacionalização e monitoramento internacional de um virtual acordo de paz na Colômbia. A iniciativa foi vista como "intromissão em assuntos internos" por parte do governo de Álvaro Uribe, que reiterou a via militar como saída para acabar com a guerra colombiana. A crise entre Caracas e Bogotá voltará a ser discutida em uma reunião de Cúpula de Presidentes da Unasul, ainda sem data determinada. Eixo Caracas-Brasília A visita à Venezuela marca o décimo encontro trimestral dos presidentes desde 2007, o último antes de decisivas eleições, legislativas na Venezuela e presidenciais no Brasil. Em Caracas, o presidente Lula participará de uma reunião da Cúpula América do Sul-África (ASA) e depois terá uma reunião de trabalho no palácio de Miraflores, com Chávez, na qual os presidentes devem repassar o andamento dos projetos de cooperação binacional nos setores agrícola, financeiro, habitacional. Também deverá ser instalado um escritório do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) em Caracas. O acordo prevê a cooperação nas áreas de integração produtiva entre o sul da Venezuela e o norte do Brasil, entre outros projetos de desenvolvimento. "O eixo Caracas-Brasília tem sido fundamental para dinamizar os processos de integração no continente", afirmou à BBC Brasil o embaixador da Venezuela em Brasília, Maximilien Arvelaiz. A Venezuela conta com ajuda brasileira para desenvolver setores produtivos em uma tentativa de reduzir a dependência das importações e ampliar o campo industrial e agrícola venezuelano, com acordos de transferência de tecnologia, projetos nos que já atua a ABDI (Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e a Embrapa. A assimetria na balança comercial entre os países - aspecto visto como problemático pelo presidente brasileiro e comentado a cada novo encontro com Chávez - , no entanto, prevalece. No acumulado do primeiro semestre, as exportações brasileiras para a Venezuela tiveram um aumento de 7% em relação ao mesmo período de 2009, totalizando US$ 1,7 bilhão. Apesar do aumento de 135,4% em relação ao primeiro semestre do ano passado, as exportações venezuelanas para o Brasil no acumulado do ano não superaram os US$ 465 milhões, de acordo com dados do ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Lula viaja a Bogotá na tarde da sexta-feira, onde participará do jantar de despedida do presidente colombiano Álvaro Uribe. No sábado, o presidente e outros 12 mandatários latino-americanos assistem à posse do novo presidente colombiano Juan Manuel Santos.

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