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Gazeta do Povo (PR): Brasil precisa enriquecer antes que comece a envelhecer Queda na natalidade deixa o país em condições de melhorar infraestrutura, mas oportunidade acabará quando os trabalhadores de hoje se tornarem os aposentados de amanhã Para cada cinco brasileiros que são ou muito novos ou muito ve­­lhos para trabalhar, dez estão em idade para fazer parte da força de trabalho. Em meados da década de 60, essa relação era de nove para dez – ou seja, em tese os salários de dez trabalhadores serviam para o sustento deles e de mais nove pessoas. A mudança na estrutura etária da população, motivada pelo menor número de filhos por mulher, indica que o Brasil vive hoje uma janela de oportunidade para investir na qualidade dos serviços públicos. Com menos crianças, a necessidade de aumento da infraestrutura, como hospitais e escolas, é limitada, e o governo pode se concentrar em melhorar o que já existe. Mas essa também é uma corrida contra o tempo, com data marcada para terminar: a partir de 2025, a razão de dependência da população voltará a crescer, devido a um aumento mais acelerado no número de idosos do que no de adultos. Como gostam de dizer os economistas, o dilema do Brasil é ficar rico antes de ficar velho. No início dos anos 1950, cada mulher brasileira tinha em média 6,1 filhos. Hoje, a média é de 1,8 filho, segundo o IBGE. O nível fica abaixo do que os demógrafos estabelecem como “taxa de reposição”, de 2,1 filhos – um para repor o pai, um para repor a mãe e 0,1 para compensar a taxa de mortalidade das crianças que não chegam à idade adulta. Com o atual ritmo, o país caminha para enfrentar uma redução no número de habitantes. “Eu não estranharia se daqui a 15 anos o Brasil começasse a ter um programa pró-natalista”, diz Paulo Tafner, economista do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) e co-autor do livro De­­mografia: a ameaça invisível, escrito com o economista Fábio Giambiagi. Saiba mais Veja que no futuro menos trabalhadores vão sustentar mais pensionistasPrevidência sob controle é o maior desafio. Para o Brasil manter estável a relação entre PIB e gasto com a Previdência, o país precisa crescer entre 3,7% e 3,8% ao ano até 2040. A estimativa foi feita pelo economista Paulo Tafner, do Ipea. Nos últimos 30 anos, na média, o país cresceu 2,4% ao ano. De 1994 para cá, o crescimento foi de 3,9%. “Agora, esse é um cálculo que não leva em conta uma situação em que o país continue a dar ganho real para o aposentado. Se isso acontecer, essa projeção de crescimento necessária para manter a Previdência vai explodir”, diz Tafner. Leia a matéria completa Oportunidade e risco Até 2025, a queda no número de filhos pode ser encarada como uma oportunidade. Menos filhos significam mais mulheres no mercado de trabalho. Também quer dizer mais investimento na educação dos filhos. “Imagine uma família com seis filhos e outra com dois. Supondo que tenham renda parecida, os filhos da família maior vão receber menos investimento, seja na saúde ou na educação, por exemplo”, diz José Eustáquio Diniz Alves, doutor em demografia e professor do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence/IBGE). O círculo virtuoso continuaria: filhos que recebem mais investimentos em saúde e educação podem se tornar adultos mais produtivos. “Mas a produtividade não vem do nada. É preciso melhorar a qualidade da educação. O que o governo economiza com a diminuição de alunos precisa ser gasto no aumento do gasto per capita na educação básica. Aí é que reside a grande oportunidade. Se o país conseguir fazer essa transição, podemos ficar numa situação boa”, afirma Tafner. No Brasil, o gasto médio por estudante na educação primária é de US$ 1.566. A média para os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo relatório da instituição, é de US$ 6.437. No Chile, por exemplo, o valor é de US$ 2.087 por aluno – 33% maior do que o do Brasil. Outra vantagem associada à queda na fecundidade feminina é o aumento da poupança, tanto das famílias quanto do governo. Esse aumento tem reflexo direto nos investimentos. Quanto mais o país poupa, em geral, mais potencial de investimento ele tem. Tudo isso, lembra Tafner, ocorre à sombra de uma ameaça, caso o país não enriqueça no tempo necessário. “Mais tarde, a queda no número de crianças vai ter um reflexo no número de trabalhadores, que também vai começar a cair. Vai ser menos gente para suportar um número maior de pensionistas. É uma ameaça”, diz.  
A Notícia (SC): Do Paraná, mas bem joinvilenses A família de Eugênio e Maria Eliza é um símbolo da principal mudança na cidade Os números confirmam o que os catarinenses já devem ter percebido: Santa Catarina é uma terra com vocação natural para receber “forasteiros”. Em 2008, mais de 153 mil moradores do Estado afirmaram a pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) serem naturais de outras unidades da federação. Nos 12 anos que o levantamento abrange, o pico de gente de fora vivendo em Santa Catarina ocorreu em 2003: mais de 213 mil pessoas. O principal parceiro de “trocas” é o Paraná, que é também para onde vai a maior parcela dos catarinenses. A história parece familiar a muitos moradores de Joinville. E tudo indica que a cidade catarinense mais populosa acompanha o mesmo raciocínio. Afirmar com amplidão, apenas o Censo 2010 fará, quando for totalmente concluído no ano que vem. Mas é possível apontar desde agora o que dirá. Há dez anos, o recenseamento já tinha mostrado que os paranaenses representavam a metade dos moradores de Joinville que eram naturais de outros Estados. Em março, um levantamento por amostragem com pessoas que têm filhos e vivem em Joinville revelou que mais de 57% dos entrevistados afirmaram ter nascido em outro lugar. Pouco mais de 24%, em outras cidades catarinenses. E 23%, no Paraná. A maior parte dos “forasteiros” se concentrou na faixa etária dos 41 aos 50 anos (66%). Outra parte da pesquisa, dessa vez com adolescentes e jovens entre 12 e 21 anos, mostrou percentual inferior de nascidos fora: 25%. Mas 10% se declararam paranaenses. A situação é muito parecida com a vivida na casa onde moram Eugênio Farias e a mulher, Maria Eliza, de 69 anos. Atualmente, não é a mesma casa, mas sempre foi o mesmo lote há 21 anos, no bairro Comasa, zona Leste de Joinville. Eugênio conheceu Maria Eliza em Chopinzinho, município com cerca de 20 mil habitantes no Sudoeste do Paraná. Resolvido, o casal trouxe a prole inteira – sete filhos. “O que tinha de mudança era quase nada”, ele conta. Hoje, são sete filhos, noras e genros, 17 netos e dois bisnetos. Aos 70 anos, ele é sincero quando conta por que deixou a cidade onde nasceu e aprendeu a ser agricultor. “Vim às escuras, para procurar serviço”, lembra Eugênio, que no início achou Joinville estranha, cheia de mangues. Mas se encantou com a tranquilidade de poder deixar as portas de casa abertas e conviver bem com os vizinhos no lugar conhecido como “Vila Paranaense”. Trabalhou em fundições e indústrias, se aposentou quando tinha carteira assinada como segurança. “O bom daqui é que nunca me faltou trabalho”. 10 % Dos adolescentes e jovens entre 12 e 21 anos entrevistados neste ano em Joinville contaram ter nascido no Paraná. Outros 24% disseram ser de outras cidades catarinenses. 57 % Dos moradores de Joinville consultados em março e abril de 2010 que têm filhos afirmaram ter nascido em outros Estados ou em outras cidades catarinenses. 2 Vezes mais pessoas que moram em Santa Catarina afirmaram serem nascidas em outros Estados em 2008 que o número de catarinenses que deixaram o Estado. 33 Em cada cem pessoas que declararam ter escolhido Santa Catarina para morar em 2008 são nascidas no Paraná (51 mil pessoas). Mais de 34 mil catarinenses estavam no PR na época.
Expresso MT (MT): Estrangeiro poderá ter 100% de empresa aérea brasileira A engenharia financeira que as companhias aéreas LAN e TAM estão fazendo para demonstrar que a segunda continuará sob controle de brasileiros será dispensável caso seja aprovado o projeto de lei que amplia a participação de estrangeiros no setor.    O projeto, que já passou por comissões e aguarda votação na Câmara dos Deputados, permite que estrangeiros detenham 100% de uma empresa aérea nacional, desde que exista reciprocidade. Hoje estrangeiros só podem deter 20% de uma empresa aérea brasileira. De autoria do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o projeto aumenta essa participação para 49%. Porém, um parágrafo menos conhecido do mesmo projeto prevê que o Brasil faça acordos bilaterais que permitam, mediante reciprocidade, que a participação estrangeira chegue a 100%. A Folha apurou que o parágrafo foi incluído por pressão do Ministério da Defesa. O Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias) defende os 49%, mas é contra permitir que estrangeiros detenham o controle. "Se você permite isso, amanhã a Solange [Vieira, presidente da Anac] faz acordos bilaterais com todos os países", diz José Márcio Mol- lo, presidente do sindicato. Um dos argumentos usados para justificar a proteção é a soberania nacional. Sobretudo entre militares, acredita-se que o Brasil não deve depender de estrangeiros para se conectar com o mundo. No caso do Chile, há sinais, no entanto, de que um eventual acordo bilateral poderá contar com a simpatia militar. Sinais surgiram com a visita do ministro Nelson Jobim (Defesa) a Santiago na terça da semana passada. Na ocasião, Brasil e Chile celebraram um acordo para viabilizar a construção do cargueiro KC-390, um projeto da Embraer em parceria com a Força Aérea. Jobim foi recebido pelo presidente chileno, Sebastián Piñera, que, até vencer as eleições, neste ano, era acionista da LAN. SEM JUSTIFICATIVA Para Respício do Espírito Santo, professor de transporte aéreo da UFRJ, o argumento da soberania nacional não mais se justifica. "Quer algo mais estratégico do que telefonia e energia, setores em que não há restrição ao capital estrangeiro?" A economista Lúcia Helena Salgado, do Ipea, também defende a liberação. "Precisamos de investimento, oferta e concorrência, e não há razão técnica para discriminar o capital estrangeiro, salvo a situação em que o capital brasileiro seja discriminado", ressalta. Para Jorge Medeiros, professor da Escola Politécnica da USP, o Brasil já permite, na prática, que estrangeiros controlem o setor. "A lei, do jeito que está, não garante a soberania nacional", diz. "A cargueira ABSA tem 80% de capital nacional, mas todos sabem que é da LAN. A Varig foi comprada por um fundo americano. E agora temos a LAN comprando a TAM."    
O Estado de S. Paulo (SP): Governo tenta aliviar papel do BNDES Banco ajudou a evitar uma queda maior da atividade econômica em 2009, mas País necessita de alternativas de investimento em infraestrutura Por Alexandre Rodrigues O governo ensaia medidas para criar alternativas de financiamento de longo prazo que tirem das costas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a tarefa de incentivar o investimento na economia. No entanto, aumentar o volume de crédito para grandes obras de infraestrutura e ampliação de capacidade produtiva na indústria pode não ser suficiente para alterar a dinâmica de crescimento com baixo investimento que limita a economia do País. Fortalecido com empréstimos de R$ 180 bilhões do Tesouro, o BNDES emprestou R$ 210 bilhões entre 2009 e o primeiro semestre deste ano. O banco contribuiu para evitar uma queda maior da atividade econômica em 2009 ao suprir a escassez de crédito provocada pela crise mundial desencadeada em 2008, mas o resultado do esforço mantido este ano não deve passar da recomposição do nível de investimento de 2008. Desde 2006, o Brasil experimentava trajetória consistente de aumento da taxa de investimento na economia, que chegou a 18,7% do PIB em 2008. A crise fez com que ela caísse para 16,7% do PIB no ano passado, em vez dos 19,7% projetados. Neste ano, com a política de juros de longo prazo subsidiados pelo BNDES, o governo comemora a perspectiva de 18,9% - mesmo assim, ainda distante do nível entre 22% e 25% estimado como necessário para sustentar um crescimento seguro da economia. Segundo o coordenador do grupo de Análises e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Messenberg, apesar de todo o esforço do governo para financiar empreendimentos pelo BNDES, o investimento continua crescendo a reboque do consumo. Ele sustenta que a dinâmica só será alterada se o governo abandonar o que chama de "liderança envergonhada" do investimento. Para o economista, em vez de tentar influenciar o investimento privado pelo BNDES, o governo deveria investir diretamente em grandes projetos de infraestrutura, sem ter de montar quebra-cabeças com bancos públicos e fundos de pensão, e viabilizar o investimento privado no rastro deles. "A questão não é apenas de falta de financiamento de longo prazo. É preciso definir uma estratégia clara", diz Messenberg, para quem é possível elevar o investimento público direto de 3% para 6% do PIB. Para ele, será uma obrigação do próximo governo reorientar o foco da política econômica da estabilidade para o investimento e assumir essa liderança. "Definiu-se no Brasil que o investimento vem do setor privado, mas isso não funciona. O setor privado no Brasil fica esperando o setor público e as vantagens que ele vai oferecer. O dilema que se enfrenta é sair ou não desse paradigma."  
O Estado de S. Paulo (SP): Pensamento único Por Daniel Piza A vitória cada vez mais provável de Dilma Rousseff no primeiro turno das eleições presidenciais confirma a opinião de que o governo Lula foi tão mal elogiado quanto mal criticado. Confirma, mais ainda, a convergência estéril das correntes políticas do Brasil. O próprio PT, que antes criticava tanto o "pensamento único" e chamava o governo FHC de "neoliberal" (embora ninguém saiba de um governo neoliberal que tenha aumentado os impostos de 29% para 34% do PIB), hoje representa o pensamento único, como a aliança com o PMDB de José Sarney e Michel Temer não deixa duvidar. Os admiradores tratam isso como "amadurecimento" e os críticos preferem se concentrar nos comportamentos pessoais e/ou caprichar em previsões apocalípticas. O saldo é o mesmo pensamento único, ou melhor, a falta única de pensamento. O fato central e cristalino é que o governo Lula tem a popularidade que tem porque não mudou a política econômica do antecessor, que tanto atacara, e ainda a melhorou em alguns aspectos, depois de ter aprendido suas lições. Seguiu com as metas de inflação, o câmbio flutuante e o superávit primário, dando ao Banco Central uma espécie de autonomia branca, sob direção de um ex-tucano, Henrique Meirelles, e dando muita alegria ao mercado financeiro, em especial aos grandes bancos e empresas. Fez uma política inédita de acúmulo de reservas financeiras, acima de US$ 250 bilhões, para ganhar a confiança do sistema internacional. E revigorou instituições como BNDES e Banco do Brasil, justamente para incentivar essas grandes companhias, privadas ou não. Na política social, também partiu da base legada por oito anos de FHC e a ampliou. Fez o Bolsa Família, que custa apenas R$ 12 bilhões anuais aos cofres públicos, e institutos de pesquisa como o Ipea logo trataram de atribuir ao programa o motivo da aprovação de Lula, agora em 79%. Mas há motivos bem mais determinantes que o Bolsa Família, a começar pela política de crédito, que tanto estimulou o consumo (ou consumismo, para usar o termo preferido da velha esquerda "antiburguesa"). E a continuar por conjunturas que independem da vontade do governo, como o bom momento da economia mundial entre 2003 e 2008 e a tendência de ascensão dos emergentes, sob comando da China. O Brasil passou a crescer em média 5% (o deste ano, previsto para 7%, é atípico porque antecedido de um ano de recessão) e o desemprego caiu a 7%. É na continuidade desses números que a população está votando. A simbologia de Lula como "um de nós que chegou lá", em vez de doutores e professores, ajuda bastante, mas de nada adiantaria se não fosse o sucesso econômico. Se tivessem honestidade intelectual, os membros do atual governo reconheceriam que o anterior preparou boa parte do terreno para esse sucesso, mas aí seria pedir demais. Dilma e os demais preferem dizer como estava a economia em 2002, com juros mais altos que nunca, e "esquecem" de informar que o motivo era a apreensão com a promessa petista de "romper com o modelo econômico". Lula não rompeu com modelo algum, assim como não investigou a corrupção que disse que investigaria. Sabiamente, delegou a economia e outras áreas a quem entende dos assuntos, e tratou de viajar Brasil adentro e mundo afora fazendo discursos. Sob seu governo, a corrupção atingiu níveis altíssimos, mas, com o povo e o mercado satisfeitos e a oposição de rabo preso, a minoria que preza a ética seguiu bradando à toa na caatinga. É por isso que, eleitoralmente, não adianta o PSDB criticar a violação de dados de Eduardo Jorge e outros na Receita Federal. Eticamente, criticar esse absurdo é o que qualquer cidadão deveria fazer, contra qualquer partido que seja (e muitos grão-tucanos são conhecidos por suas fábricas particulares de dossiês políticos). No entanto, eis a cara do Brasil pós-Lula e pós-FHC: um Brasil mais rico na economia e mais pobre na política. Há quem diga que isso não é um problema, mas eles serão os primeiros a apontar os dedos acusatórios quando novas demandas vierem. Num país onde metade das pessoas não tem acesso a esgoto, vive na informalidade e tem péssimo nível de instrução, as acomodações podem durar menos a partir de agora. E o consenso mental tucano-lulista não resolverá os problemas. Rodapé. Na próxima quarta-feira, dia 1.º, das 19 h às 22 h, na Livraria da Vila da Alameda Lorena, 1.731, em São Paulo, será lançado meu 17.º livro, Noites Urbanas (Bertrand Brasil, 176 págs., R$ 33). São contos que se passam em São Paulo, cidade que é uma cornucópia de histórias ainda por contar. Há um pouco de tudo, até suicídio e assassinato, mas a tônica é o constante dilema dos paulistanos em relação à sua cidade, que amam e odeiam ao mesmo tempo, e essa mesma tensão pode gerar tanto o conflito social como a intensidade criativa, tanto a melancolia como a vitalidade. Daí o motivo por que adotei o estilo indireto livre, que mescla a terceira pessoa com a primeira, e procurei sempre trabalhar com a concisão, com a maior economia possível de recursos, entre o realista e o sugestivo. Há dez contos longos, na maioria inéditos, e 18 dos minicontos que os leitores desta coluna já conhecem. Há duas semanas, como faz sempre que um livro meu é lançado, a Folha publicou uma resenha negativa sobre Noites Urbanas, escrito por um professor da Unicamp, Alcir Pécora, conhecido por ser incapaz de elogio. Resenha, por assim dizer - é um apanhado de achismos, à base de clichês, com a pressa de quem não leu o livro com atenção. Ele acha meu estilo "sem graça", acha minhas tramas "previsíveis" e acha que meus personagens são "caricaturas da metrópole terceiro-mundista". Para tentar justificar, diz que o problema é que uso frases curtas e "filosofantes" (sic), o que por si só eliminaria dois terços da literatura já escrita no mundo... Sugere ter adivinhado o final de Golpe de Vista, mas não comenta sua ambivalência. E o que sabe o professor sobre a vida da metrópole terceiro-mundista? O mais divertido é quando diz que os textos não são "nem crônicas nem alegorias". Talvez porque sejam... contos? O que mais me motivou foi o desafio técnico, aquele que só conhece a fundo quem pratica. Por mais que em alguns casos a história tenha sido baseada em fatos que testemunhei, o teor autobiográfico não tem quase importância. Criei situações e personagens que ganharam autonomia, muito além da vaga ideia inicial da qual nasceram, e eu mesmo me surpreendi às vezes com os tipos de cenas e detalhes que foram aparecendo. Na contracapa, a editora estampou um trecho de Saquê, sobre o amor de um adolescente por uma nissei, Nara: "Ela atendia a todos os seus desejos e ordens, mesmo sem poder distinguir uns e outras, e se submetia a esses caprichos porque pareciam pouco numerosos em contraste com suas declarações, gentilezas e sacrifícios. Um dia, enquanto prendia mais uma vez o cabelo em coque com um par de palitos vermelhos, a seu pedido, se deu conta de que Alberto não estava olhando para ela, mas para o que queria ver. Ele amava mais o Japão que ela involuntariamente representava do que ela própria; amava a fuga, não o fato." Cadernos do cinema. Quem não pode reclamar muito do cinema atual são as crianças. Vi com meus filhos desde as férias Shrek para Sempre, final inferior mas digno de uma série muito divertida, Toy Story 3, mais um show de criatividade da Pixar, e Meu Malvado Favorito, bobo para os adultos, mas cheio de imaginação também; meus filhos viram ainda O Pequeno Nicolau, com a história do menino que todo estudante inicial de francês conhece. O que sobressai na safra, ao contrário dos adultos, é que os filmes não ficam em fórmulas e, ao mesmo tempo, não querem ser mais do que são. De la musique. Ivan Lins e Milton Nascimento foram alguns dos nomes citados por leitores para tentar contrapor o que escrevi sobre a perda de prestígio da MPB. Eu havia citado o encontro de 1967 entre Jobim e Sinatra, cujo disco mais completo, de 1979, acaba de ser relançado pela Reprise, e dos contemporâneos dei o exemplo menor de Chico Buarque sendo gravado aqui e ali, como por Stacey Kent e Brad Mehldau. Bem, os exemplos de Ivan e Milton, ou de João Donato e outros mais, também não se comparam em termos de prestígio - e não de retorno financeiro - ao de Jobim e Sinatra, ou seja, o maior cantor do mundo em atividade gravando um CD dedicado exclusivamente a um compositor brasileiro. E mesmo as canções de Ivan e Milton que aparecem em coletâneas estrangeiras foram compostas nos anos 70 e 80. Nas duas últimas décadas, não dá para negar que a MPB deixou esse patamar tão admirável. Por que não me ufano. Vendo o trânsito de São Paulo, cada vez mais dominado por carros que parecem tanques, de tão grandes e agressivos (e com insulfilmes nas janelas que obstruem a visão dos outros motoristas), e por motoboys, que morrem à média de dois por dia, e ouvindo as notícias de assaltos a mão armada em avenidas como a Pacaembu e a Marginal Tietê, penso de novo em como é errado que as eleições para governadores sejam feitas no mesmo dia que as presidenciais. Os debates locais ficam em segundo plano; só se fala de questões federais, quando assuntos como segurança, metrô e educação - educação que tem problemas gravíssimos em São Paulo - são atributos que pesam muito mais nas administrações estaduais. Eleição para governador deveria ser junto com a eleição para prefeito.  
Folha de S.Paulo (SP): Estrangeiro poderá ter 100% de empresa aérea brasileira Projeto de lei que amplia a participação de companhia do exterior para 49% também abre brecha para controle total Associação entre a companhia aérea LAN, do Chile, e a TAM, do Brasil, poderá ser beneficiada pela norma Por Mariana Barbosa, de São Paulo A engenharia financeira que as companhias aéreas LAN e TAM estão fazendo para demonstrar que a segunda continuará sob controle de brasileiros será dispensável caso seja aprovado o projeto de lei que amplia a participação de estrangeiros no setor. O projeto, que já passou por comissões e aguarda votação na Câmara dos Deputados, permite que estrangeiros detenham 100% de uma empresa aérea nacional, desde que exista reciprocidade. Hoje estrangeiros só podem deter 20% de uma empresa aérea brasileira. De autoria do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), o projeto aumenta essa participação para 49%. Porém, um parágrafo menos conhecido do mesmo projeto prevê que o Brasil faça acordos bilaterais que permitam, mediante reciprocidade, que a participação estrangeira chegue a 100%. A Folha apurou que o parágrafo foi incluído por pressão do Ministério da Defesa. O Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias) defende os 49%, mas é contra permitir que estrangeiros detenham o controle. "Se você permite isso, amanhã a Solange [Vieira, presidente da Anac] faz acordos bilaterais com todos os países", diz José Márcio Mol- lo, presidente do sindicato. Um dos argumentos usados para justificar a proteção é a soberania nacional. Sobretudo entre militares, acredita-se que o Brasil não deve depender de estrangeiros para se conectar com o mundo. No caso do Chile, há sinais, no entanto, de que um eventual acordo bilateral poderá contar com a simpatia militar. Sinais surgiram com a visita do ministro Nelson Jobim (Defesa) a Santiago na terça da semana passada. Na ocasião, Brasil e Chile celebraram um acordo para viabilizar a construção do cargueiro KC-390, um projeto da Embraer em parceria com a Força Aérea. Jobim foi recebido pelo presidente chileno, Sebastián Piñera, que, até vencer as eleições, neste ano, era acionista da LAN. SEM JUSTIFICATIVA Para Respício do Espírito Santo, professor de transporte aéreo da UFRJ, o argumento da soberania nacional não mais se justifica. "Quer algo mais estratégico do que telefonia e energia, setores em que não há restrição ao capital estrangeiro?" A economista Lúcia Helena Salgado, do Ipea, também defende a liberação. "Precisamos de investimento, oferta e concorrência, e não há razão técnica para discriminar o capital estrangeiro, salvo a situação em que o capital brasileiro seja discriminado", ressalta. Para Jorge Medeiros, professor da Escola Politécnica da USP, o Brasil já permite, na prática, que estrangeiros controlem o setor. "A lei, do jeito que está, não garante a soberania nacional", diz. "A cargueira ABSA tem 80% de capital nacional, mas todos sabem que é da LAN. A Varig foi comprada por um fundo americano. E agora temos a LAN comprando a TAM."  
Jornal do Brasil (RJ): Perigo de mais armas liberadas (CHAMADA DE CAPA) Caso propostas sejam aprovadas, novas categorias poderão ter porte Tramitam na Câmara dos Deputados 58 propostas de alteração no Estatuto do Desarmamento. Quase a metade prevê aumento das categorias que poderiam ser autorizadas a andar armadas. Entre os que podem vir a ter direito ao porte de arma estão advogados, educadores sociais, taxistas, guardasparque, guardas municipais de cidades com até 50 mil habitantes, agentes de segurança socioeducativos e conselheiros tutelares.
Jornal do Brasil (RJ): Polêmica sobre porte de armas longe do fim Cerca de 60 projetos de lei buscam alterar Estatuto Por Ana Paula Siqueira BRASÍLIA Depois de quase sete anos após sua aprovação, o Estatuto do Desarmamento ainda provoca polêmicas e está longe de ser um tema de consenso no país. Apenas na Câmara dos Deputados tramitam 58 propostas de alteração do texto. Quase a metade prevê aumento das categorias que poderiam ser autorizadas a andar armadas. Quem é contra o desarmamento quer que esse direito seja estendido a todos os cidadãos. Já os defensores lutam para que as propostas não sejam rejeitadas. Entre as categorias que podem vir a ter direito ao porte de arma estão advogados, educadores sociais, taxistas, guardasparque, guardas municipais de cidades com até 50 mil habitantes, agentes de segurança socioeducativos e conselheiros tutelares. Para o diretor do Instituto Sou da Paz, Denis Mizne, uma das principais contribuições do Estatuto foi justamente restringir o porte de armas. E afirma que o número de homicídios é proporcional ao de armas nas ruas: A ideia de ampliar o porte para as categorias é completamente equivocada e perigosa. Tem um conjunto de absurdos que, em nosso ponto de vista, só se justifica para atender a indústria de armas que perdeu clientes com o Estatuto. Estudo do Sou da Paz mostra que 150 mil armas estão nas mãos de colecionadores. Outras 91 mil são usadas pelas empresas de segurança. Dessas, 22 mil foram roubadas, furtadas ou extraviadas desde que o Estatuto entrou em vigor, em 2003. Contra as restrições O diretor da Associação Nacional dos Proprietários e Comerciantes de Armas (ANPCA), Leonardo Arruda, critica o fato de que apenas algumas categorias possam ter direito ao porte de armas. Ele acredita que deva haver critérios que impeçam pessoas desequilibradas ou desonestas de possuírem armas. Contudo, discorda da proibição generalizada. A lei é extremamente rígida, tudo é proibido. As categorias profissionais ficam lutando para ter esse direito critica. Pessoas que transportam dinheiro para um banco podem usar armas, mas um cidadão que leva sua família, que é o seu bem mais precioso, não. Atualmente, somente quem provar a necessidade de ter uma arma, desde que comprovada sua idoneidade, pode obter o porte. É necessário, entre outros, apresentar certidões negativas com relação a antecedentes criminais, ocupação lícita e residência fixa. Apenas integrantes das Forças Armadas, agentes de segurança pública e privada, auditores da Receita Federal, auditores-fiscais do Trabalho, agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Departamento de Segurança do Gabiente de Segurança Insitucional da Presidência da República e guardas municipais de cidades com mais de 50 mil habitantes pode ter porte de arma, assim como colecionadores e praticantes de tiro. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que as mortes causadas por armas de fogo estão caindo desde que o Estatuto entrou em vigor. Com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, a pesquisa mostrou que, em 2003, foram 39.325 mortes por armas de fogo. Em 2007, foi registrada queda de 10,8%, com pouco mais de 35 mil mortes.  
Correio do Brasil (RJ): Os noves fora de José Serra Por Gilson Caroni Filho, do Rio de Janeiro O que estamos assistindo agora, com as tentativas tucanas de plantar escândalos e judicializar a campanha, é a uma gigantesca operação de engodo de candidatura sem perspectiva. Secundado pela mídia que sempre o apoiou, e hoje se declara “independente”, Serra não tem escrúpulos em conspurcar a credibilidade do jogo político às vésperas de uma eleição presidencial. O que ele e seus sócios do PPS e do DEM estão querendo fazer é um autêntico golpe de mão, uma quartelada midiática para evitar que a sociedade possa comparar dois projetos de país. José Serra, o acaciano retórico Estado por Estado as notícias são parecidas. Há um rápido processo de cristianização do candidato tucano. No Nordeste é um arraso: quem fez oposição a Lula nos últimos quatro anos, desembarca da nau serrista para cuidar da própria sobrevivência política. Nem mais em São Paulo, Estado que o elegeu senador, prefeito e governador, Serra voa em céu de brigadeiro. O repúdio não se dirige apenas contra sua melancólica figura, mas ao estilo de governo posto em prática nos oito anos em que o neoliberalismo vigorou no país. Há algo de covarde na recusa de uma comparação retrospectiva, mas também há algo de didático no exame das decisões de um ator político. Quando se nega a comparar o governo a que pertenceu com a gestão petista, Serra afirma “que não faz política olhando para o retrovisor”. Certamente preferia que tudo fosse diferente, mas, no beco sem saída em que se encontra, não é possível acertar o caminho com manobras abruptas. Seu trem em marcha ré colidiria com os desastres da política econômica de FHC, o padrinho a ser ocultado. Vamos aos fatos: a abertura comercial, promovida pelo consórcio demo-tucano, não trouxe ganhos de competitividade à indústria nacional. Ao contrário, causou um efeito devastador em setores, como o têxtil, transformando segmentos que produziam localmente em meros importadores de insumos. De acordo com estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), depois de oito anos de economia submetida à concorrência internacional, sem instituição de políticas públicas adequadas, as conseqüências apareceram nos resultados negativos da balança comercial, em menos geração de emprego e renda no Brasil. Os pesquisadores concluíram que a importação de matérias-primas provocou o esgarçamento dos setores intermediários de produção, aqueles encarregados de produzir os insumos para os fabricantes de produtos finais. A análise dos resultados na década de 1990 demonstrou maior competitividade na produção de commodities e vulnerabilidade das atividades de maior conteúdo tecnológico, aquelas com maior valor agregado e responsáveis pela geração de mais postos de trabalho. Nesse contexto, cabe a pergunta: como Serra teria condições de apresentar sua política industrial, sem renegar totalmente o pensamento do PSDB? Seguindo os preceitos do Consenso de Washington, a possibilidade de o Brasil tornar-se exportador de produtos básicos, que seriam processados em outros países, e importados posteriormente, era o que se afigurava como horizonte à época. Na indústria química, o crescimento das importações levou à desativação de centros de produção de insumos. Princípios ativos para a produção de medicamentos que, nos anos 80, começaram a ser produzidos aqui, com a abertura desregulada, passaram a ser fornecidos pelos Estados Unidos e por países europeus. Nos tempos ministeriais de Serra, a saúde que interessava era a da indústria farmacêutica internacional. Não lhe peçam, portanto, para apresentar propostas programáticas para o setor. Além das platitudes, o vazio é total. No campo energético, o desastre não foi menor. A decisão de vender usinas prontas, em plena operação, sem ao menos abrir aos investidores a oportunidade, e o consequente risco, do empreendimento novo, gerou uma situação de insegurança energética, com 70% do mercado de distribuição e boa parte da geração privatizados. Sem agregar energia nova, o governo de FHC pensou em esquartejar Furnas quando o movimento mundial ditava fusões. Não faltavam, ainda, os defensores da venda da Chesf, detentora de grandes reservatórios – alguns de alta importância ecológica e social – antes de se regulamentar o uso múltiplo das águas. O que Serra teria a dizer sobre o descalabro? Por que a doce e ética Marina silencia sobre o tema? Por que não discutir sobre as consequencias desastrosas da Alca, a Área de Livre Comércio das Américas, programada para se instalar em 2005 e que, fatalmente, nos levaria a novo pacto colonial? Serra, o “Zé que joga pesado” não pode defender o passado sem deixar de fazer um elogio à rasteira da soberania nacional. Por isso, dele só se pode esperar a pregação golpista, o denuncismo como método. E um genérico de Elba Ramalho em seu programa eleitoral. O ex-presidente da UNE jogou sua biografia no ralo das circunstâncias. Da soma dos fatores a que se submeteu, deixando de fora os nove, sobra rigorosamente nada. Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior, colaborador do Correio do Brasil e do Jornal do Brasil
Portos e Navios (RJ): Seminário debaterá posição dos portos na exploração do Pré-Sal      Pontal do Paraná teria capacidade para receber grandes navios petrolíferos e abrigar estaleiros Os desafios e possibilidades de atuação dos portos públicos do Paraná na exploração de petróleo da camada Pré-Sal estão entre os temas que serão discutidos no seminário “Perspectivas do Desenvolvimento do Litoral Paranaense a partir do Pré-Sal”, que acontece no próximo dia 3, em Antonina. O evento é promovido pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, com apoio da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, Prefeitura de Antonina e Fundação Araucária. O Plano Estratégico dos Portos do Paraná, estudo que traça ações e o possível cenário para o setor portuário estadual nos próximos 20 anos, destaca o potencial de Antonina e Pontal do Paraná para atender as diversas atividades ligadas à extração de petróleo. “Pontal do Paraná, por exemplo, cuja baía tem grande profundidade, teria capacidade para receber grandes navios petrolíferos e abrigar estaleiros para construção naval, apoio marítimo e bases de exploração do Pré-Sal”, afirma o superintendente da Appa, Mario Lobo Filho. Antonina, por sua vez, devido sua localização geográfica estratégica, teria potencial para empreendimentos de menor porte e bases de apoio logístico. O Governo do Estado recebe propostas de empresas interessadas em desenvolver projetos neste sentido. “Temos quatro projetos voltados para suporte e montagem das plataformas, um deles em estágio bastante avançado”, disse o diretor do porto de Antonina, Paulo Moacyr Rocha Filho. “Atrair este tipo de negócio para a cidade significa criação de empregos e geração de renda. O impacto positivo é muito grande, porque a economia local é fortalecida e, consequentemente, melhora a qualidade de vida das pessoas que moram aqui”, completa. PROGRAMAÇÃO - O seminário coemçará às 9 horas, com solenidade de abertura seguida da primeira mesa de debates: “O desenvolvimento do litoral do Paraná a partir do Pré-Sal”, será moderada pelo superintendente Lobo Filho e pelo secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Nildo Lübke. Como expositores estão confirmados o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Alexandre Rocha Santos Padilha e o governador Orlando Pessuti. É esperada a confirmação dos ministros da Ciência e Tecnologia, Sérgio Machado Rezende; e das Minas e Energia, Márcio Pereira Zimmermann. A partir das 13h30, acontecerá o painel “O impacto do Pré-Sal no desenvolvimento do Litoral do Paraná: aspectos econômicos e sociais”. Os debatedores serão os prefeitos de Antonina, Carlos Augusto Machado, e de Pontal do Paraná, Rudisney Gimenes. Será confirmada a participação do presidente Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann. O último painel, com o tema “Perspectivas do setor naval a partir do Pré-Sal”, acontecerá das 15h20 às 17h, e terá como expositor João Alberto De Negri, técnico do Ipea. Participam do debate o prefeito de Paranaguá, José Baka Filho, o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Volnei Bisogrin e Lenita Turchi, do Ipea. O encerramento está previsto para as 18 horas. SERVIÇO: Seminário “Perspectivas do Desenvolvimento do Litoral Paranaense a partir do Pré-Sal” Data: 3/9/2010 (sexta-feira) Horário: 9h às 18h. Local: Camboa Capela - Rua Vale Porto, 208. Centro Histórico - Antonina  
MSN: Governo tenta aliviar papel do BNDES O governo ensaia medidas para criar alternativas de financiamento de longo prazo que tirem das costas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a tarefa de incentivar o investimento na economia. No entanto, aumentar o volume de crédito para grandes obras de infraestrutura e ampliação de capacidade produtiva na indústria pode não ser suficiente para alterar a dinâmica de crescimento com baixo investimento que limita a economia do País. Fortalecido com empréstimos de R$ 180 bilhões do Tesouro, o BNDES emprestou R$ 210 bilhões entre 2009 e o primeiro semestre deste ano. O banco contribuiu para evitar uma queda maior da atividade econômica em 2009 ao suprir a escassez de crédito provocada pela crise mundial desencadeada em 2008, mas o resultado do esforço mantido este ano não deve passar da recomposição do nível de investimento de 2008. Desde 2006, o Brasil experimentava trajetória consistente de aumento da taxa de investimento na economia, que chegou a 18,7% do PIB em 2008. A crise fez com que ela caísse para 16,7% do PIB no ano passado, em vez dos 19,7% projetados. Neste ano, com a política de juros de longo prazo subsidiados pelo BNDES, o governo comemora a perspectiva de 18,9% - mesmo assim, ainda distante do nível entre 22% e 25% estimado como necessário para sustentar um crescimento seguro da economia. Segundo o coordenador do grupo de Análises e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Messenberg, apesar de todo o esforço do governo para financiar empreendimentos pelo BNDES, o investimento continua crescendo a reboque do consumo. Ele sustenta que a dinâmica só será alterada se o governo abandonar o que chama de 'liderança envergonhada' do investimento. Para o economista, em vez de tentar influenciar o investimento privado pelo BNDES, o governo deveria investir diretamente em grandes projetos de infraestrutura, sem ter de montar quebra-cabeças com bancos públicos e fundos de pensão, e viabilizar o investimento privado no rastro deles. 'A questão não é apenas de falta de financiamento de longo prazo. É preciso definir uma estratégia clara', diz Messenberg, para quem é possível elevar o investimento público direto de 3% para 6% do PIB. Para ele, será uma obrigação do próximo governo reorientar o foco da política econômica da estabilidade para o investimento e assumir essa liderança. 'Definiu-se no Brasil que o investimento vem do setor privado, mas isso não funciona. O setor privado no Brasil fica esperando o setor público e as vantagens que ele vai oferecer. O dilema que se enfrenta é sair ou não desse paradigma.'
Jornal Cidade Rio Claro (SP):  RC é destaque na Revista Veja no ranking de cidades com crescimento acima da média Rio Claro está mesmo na "crista da onda" como diz o ditado popular. Depois de figurar no ranking da Revista Você S/A entre as 100 melhores cidades para se trabalhar e fazer carreira, a cidade deve aparecer em mais um ranking de desenvolvimento. Fontes extraoficiais dão conta de que o município foi incluído numa pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). De acordo com essas fontes, o instituto elencou 22 cidades que se destacaram com crescimento econômico acima da média do País. E Rio Claro faria parte desse grupo. Existe a expectativa de que os dados da pesquisa sejam publicados pela Revista Veja, edição que chega às bancas neste sábado (28). Na edição anterior, a revista publicou chamada no índice para a matéria. Procurada, a prefeitura não negou nem confirmou a informação. Revista Você S/A Depois de ficar alguns anos sem figurar na lista das 100 mais, Rio Claro voltou a integrar o rol das 100 melhores cidades do Brasil para se trabalhar e fazer carreira. A pesquisa feita pela Revista Você S/A, divulgada na edição nº 145, de julho de 2010. O município aparece na 83ª posição. Quando a comparação é feita entre as cidades da região Sudeste, Rio Claro aparece em 48º lugar de 53 municípios elencados. Se levado em conta, somente as cidades do Estado de São Paulo, o desempenho é ainda melhor: 30ª posição. Isso significa que ela é a 30ª do Estado - que tem 645 municípios - para fazer carreira.
Clik Paraiba (PB): Seminário nacional relaciona desenvolvimento econômico e o uso das águas  A partir do dia 1° de setembro todos os interessados em entender as interfaces da gestão dos recursos hídricos com o desenvolvimento sustentável poderão participar, em João Pessoa (PB), do seminário nacional Diálogo: Água e Desenvolvimento Econômico. Na pauta do encontro estão incluídos pontos importantes da relação entre água e desenvolvimento, entre eles o uso dos recursos hídricos como insumo para os setores produtivos, a água como elemento estruturante das políticas públicas setoriais e a conexão entre desenvolvimento econômico e as diretrizes do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH). O secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), José Machado, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Porchmann, o diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Silvano Silvério, e o secretário de meio ambiente do estado da Paraíba, Francisco Jácome Sarmento, vão participar do seminário em João Pessoa. A abertura será realizada a partir das 19h no dia 1º de setembro no Espaço Cultura da Paraíba (FUNESC). Nos dias 2 e 3 o evento continua no Auditório do SEBRAE, das 8h às 18h. Para conferir a programação e garantir a vaga no seminário é preciso fazer inscrição pelo site http://www.cnrh.gov.br/seminario/aguaeconomia até o dia 27 de agosto. Se houver vagas, também será possível se inscrever no local nos dias do evento. O encontro faz parte das atividades de Revisão do PNRH, que é o instrumento orientador do planejamento das águas nacionais e trata do tema desenvolvimento econômico em vários de seus programas. A organização do Diálogo é resultado de parceria entre a Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU/MMA) e o IPEA, com apoio do Institudo de Desenvolvimento Municipal e Estadual da Paraíba, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Ciência e Tecnologia (SEMARH/PB) e da Agência Nacional de Águas. Água no Brasil A ampla disponibilidade de recursos naturais dá vantagens comparativas e competitivas ao Brasil. Mas para aproveitar da abundância é fundamental que o modelo de desenvolvimento econômico a médio e longo prazo seja sustentável do ponto de vista ambiental. Isso significa garantir a capacidade de utilização dos recursos por gerações futuras em níveis iguais ou superiores aos atuais. A água é um insumo indispensável para a realização das principais atividades econômicas do país, daí a grande importância da gestão eficiente desse recurso, também fundamental à vida. Embora o Brasil detenha grandes reservas de água doce, tem também regiões hidrográficas com baixa disponibilidade hídrica e bacias que, mesmo tendo considerável disponibilidade de água, concentram demandas elevadas ou comprometimento qualitativo dos recursos, caracterizando graves quadros de escassez. Diante desse quadro, é necessário dialogar sobre o impacto que o desenvolvimento das atividades produtivas pode acarretar na quantidade e a qualidade das águas do país. Um aspecto importante deste diálogo é o planejamento estratégico e a inclusão da dimensão ambiental, considerando as decisões tomadas pelos agentes econômicos e suas implicações para as bacias hidrográficas
Correio Braziliense (DF): Conexão diplomática Por Silvio Queiroz Diplomacia que põe mesa Sem as atenções que merecem as visitas dos chefes de Estado e governo, uma delegação ministerial da África do Sul esteve durante a semana em Brasília para fechar acordos de cooperação no desenvolvimento de programas sociais mais precisamente, de segurança alimentar e transferência de renda. Os dois países vêm trocando experiências no terreno desde 2003, com viagens de técnicos e gestores a intervalos regulares. Desta vez, o interesse dos africanos se concentrou sobre um ajuste de foco nos programas, para dirigi-los mais às famílias, como é feito por aqui. Ver de perto como funcionam as iniciativas brasileiras mais bem-sucedidas foi a preocupação que prevaleceu na definição da agenda, como ficou marcado na visita ao restaurante popular da Estrutural (foto), na quinta-feira. Aqui, o usuário se senta e come com dignidade. Queremos aprender como vocês fazem isso, disse a vice-ministra do Desenvolvimento Social, Bathabile Dlamini, que chefiou a delegação. A África do Sul tem programas de transferência de renda que contemplam 40 milhões de pessoas, e a ministra acredita que a cooperação com o Brasil ajudará a cumprir as metas do milênio, fixadas pela ONU a principal delas é reduzir a pobreza pela metade até 2015. Vitrine global Não é por acaso que caberá à ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, a missão de apresentar os resultados do país no cumprimento dos Objetivos do Milênio, em Nova York, durante reunião preparatória à Assembleia Geral da ONU. Nos próximos dias 22 e 23, a ministra participará de mesa redonda sobre combate à fome, à pobreza e às desigualdades entre sexos. Levará dados do Ipea que atestam a redução da extrema pobreza em 80%, acima da meta de 75% fixada pelo próprio país para 2015 a ONU estabeleceu 50%. Ainda segundo o Ipea, o país também conseguiu reduzir a fome pela metade. Márcia Lopes aproveitará para reunir-se com os colegas de pasta do continente americano para coordenar planos conjuntos. Em julho, ela assumiu o comando da Comissão de Desenvolvimento Social da Organização dos Estados Americanos (OEA). Neste semestre, com a Presidência brasileira do Mercosul, a ministra coordena as iniciativas do bloco nessa área.  
O Estado de S. Paulo (SP): Bancos públicos devem mostrar como trazem ganhos sociais Análise: Mansueto Almeida* O governo vem, desde 2007, capitalizando a Caixa Econômica Federal e o BNDES para aumentar a capacidade de empréstimos desses dois bancos. Essas capitalizações vinham ocorrendo, preponderantemente, por meio de empréstimos concedidos aos bancos públicos com prazo de vencimento longo. Essas operações são mais convenientes do que uma capitalização pura e simples porque criam um crédito (o empréstimo aos bancos públicos) que compensa o débito (dívida emitida). Não se afeta, portanto, a dívida líquida do setor público, uma das variáveis mais importantes nas análises fiscais. Mas há um limite para a participação desse tipo de capital no valor do capital total. Assim, a capitalização com ações da Petrobrás evita que se bata nesse limite. Além disso, como não é empréstimo, os bancos públicos não ficam na obrigação de pagar juros ao Tesouro Nacional. Para um investidor privado, aquela operação significaria apostar numa rentabilidade maior dos bancos públicos (BNDES e CEF) do que da estatal de petróleo. Mas, para a União, um ente público, a medida tem menos a ver com rentabilidade do investimento e mais com uma decisão legítima de política econômica, que neste caso significa o fortalecimento dos bancos públicos. Na prática, é como se o Tesouro Nacional vendesse parcela de sua participação na Petrobrás, e, com o dinheiro arrecadado, capitalizasse os bancos públicos, em vez de utilizar o "recurso arrecadado com a venda de ações" para construir mais hospitais, ou mais escolas, abater mais dívida, reduzir parcela dos impostos que incide sobre a folha salarial ou até mesmo diminuir a cessão de barris concedidos para capitalização da Petrobrás. Dado que se fez opção pelo fortalecimento de bancos públicos, faz-se cada vez mais necessário que essas instituições expliquem de que forma suas operações de empréstimos trazem mais ganhos sociais do que ganhos privados. Esse debate é necessário e saudável em uma democracia, principalmente em um país de desigualdade de renda tão elevada como o Brasil, que precisa avaliar e monitorar de forma cuidadosa o uso alternativo de recursos públicos. *Economista do Ipea  
O Estado de S. Paulo (SP): Um hub port para o Brasil Por Milton Lourenço* Não há dúvida de que o futuro da matriz de transporte do Brasil passa por um sistema de cabotagem eficiente. Afinal, além de reduzir custos e tempo, a cabotagem tem a grande vantagem de tirar caminhões e carretas das rodovias e das cidades, o que significa redução de emissões de dióxido de carbono. Mas, ainda que não se possa deixar de reconhecer o esforço do governo em atrair para os portos investimentos privados tanto de investidores brasileiros quanto de internacionais, falta um plano diretor que defina como será o serviço de cabotagem daqui a 10, 15 ou 30 anos. Em outras palavras: cinco anos após um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) - fundação pública vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República - sugerir a implantação de um hub port (concentrador de cargas) no Brasil, pouco foi feito. Não se sabe nem mesmo se esse hub port será no litoral de São Paulo ou se serão necessários pelo menos dois hub ports - um na Região Sudeste e outro na Região Norte/Nordeste. Seja como for, é preciso que haja o quanto antes algumas definições: se o Porto de Santos não aparece como a alternativa adequada para funcionar como hub port, em razão de um estágio de saturação e ausência de áreas para expansão retroportuária, seria recomendável que os técnicos da Secretaria Especial de Portos (SEP) ou de outro órgão governamental apontassem a melhor opção, levando em conta condições topográficas para a instalação de infraestrutura de acesso ferroviário e rodoviário, além de condições naturais favoráveis para a atracação de navios de grande porte. E mais importante: é preciso que esse hub port esteja perto do mercado produtor e do mercado consumidor. Com o projeto do futuro hub port pronto, é claro que será mais fácil despertar o interesse do investidor privado, a quem caberá construir (e explorar) os terminais e pôr para funcionar equipamentos modernos. Portanto, se o governo não fizer antes a sua parte e não der sinais de que fará os investimentos necessários para a construção de acessos viários e ferroviários, não haverá nenhuma possibilidade de que o investidor privado venha a assumir esse papel sozinho. Até porque corre o risco de ser obrigado a interromper trabalhos - e perder investimentos - diante do primeiro obstáculo do Ibama. Portanto, seria recomendável que a partir de 2011 o novo governo viesse com clara disposição de estabelecer um plano diretor para o funcionamento de um hub port no País, o que obviamente incluiria incentivos à cabotagem. Incluiria também desoneração fiscal e tributária, para estimular a modernização dos estaleiros atuais e a implantação de novos estaleiros destinados especialmente à construção de embarcações de cabotagem, além de isenção de ICMS sobre o combustível marítimo. Sem contar a adoção de regime aduaneiro especial, já que a alfândega não pode continuar a dispensar o mesmo tratamento a cargas provenientes de outros Estados como se procedessem do exterior, o que, inclusive, contraria o espírito federativo. É claro que sempre haverá quem diga que nada se faz neste país sem incentivos fiscais, o que significa levar o Estado a abrir mão de receitas. Mas é de lembrar que, se há Estados que, estimulados por uma ensandecida "guerra fiscal", são capazes de continuar a oferecer incentivos fiscais para que as indústrias automotivas continuem a bater recordes de produção e a entulhar de veículos cidades e rodovias, com certeza darão melhor destino a esses recursos se forem para estimular o sistema de cabotagem, que ajudará a tirar caminhões das ruas. É de lembrar ainda que, se o Plano Nacional de Logística de Transporte (PNLT) prevê que a participação do transporte aquaviário na matriz de transporte brasileiro sairá de 13%, em 2005, para 29%, em 2025, é preciso que esse esforço comece de imediato. E essa largada só se pode dar com algumas definições. Uma delas é estabelecer onde será o grande hub port brasileiro. *PRESIDENTE DA FIORDE LOGÍSTICA INTERNACIONAL, É DIRETOR DO SINDICATO DOS COMISSÁRIOS DE DESPACHOS E AGENTES DE CARGAS (SINDICOMIS)  
Revista Istoé: Dilma: este governo já começou? A candidata nega, mas a liderança folgada nas pesquisas deflagrou um processo inevitável na sua campanha: a disputa por cargos e a discussão das primeiras medidas econômicas Por Guilherme Queiroz Em vídeo, o redator-chefe da DINHEIRO, Leonardo Attuch, dá mais detalhes sobre prováveis medidas econômicas e os nomes fortes de um governo Dilma. Cuidadosa ao extremo, a candidata petista Dilma Rousseff se traiu na madrugada da segunda-feira 23, diante de centenas de trabalhadores reunidos na porta da fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Eu vou ser a primeira presidenta deste país, disse ao lado do presidente Lula, que já a havia apresentado como tal. O ato falho é compreensível para quem está quase 20 pontos à frente do segundo colocado nas pesquisas, o tucano José Serra, e vive uma situação que nem mesmo seu mentor conseguiu em suas duas campanhas vitoriosas.   Embora tenha proibido a equipe de comentar o assunto para evitar o salto alto, a verdade é que a perspectiva de vitória no primeiro turno já deflagrou uma disputa inevitável por cargos e especulações sobre as primeiras medidas a serem adotadas no início do governo. Dilma estabeleceu a lei do silêncio, mas ela própria tratou de desmentir notícias de que faria um aperto fiscal. Aos auxiliares mais próximos, coube a tarefa de disseminar que Dilma não fala sobre cargos nem mesmo com eles.   E enviou-se também um recado ao PMDB para que os caciques do partido não se precipitem. O candidato a vice, Michel Temer, que no início do mês disse que a divisão do governo era como a partilha do pão, veio a público se desculpar. Pode ser que o PMDB venha a ocupar cargos e ministérios, mas não existe essa coisa de dividir governo, explicou.   De todo modo, já estão sendo estudadas mudanças na estrutura administrativa. Uma das ideias da candidata é criar um conselho de especialistas em diversas áreas, como economia, energia, segurança e meio ambiente, dentro do Palácio do Planalto, assim como ocorre na Casa Branca. Com nomes fortes perto da Presidência, os ministérios teriam um perfil mais técnico e menos fisiológico. Na economia, Dilma nega a intenção de fazer um aperto fiscal.   O Brasil tem uma dívida líquida cadente. Não vejo o menor sentido, rebateu na terça-feira 24. É certo, porém, que o novo governo terá que segurar as despesas para que elas cresçam menos do que as receitas.   Mas o ajuste pode ser gradual porque acontecerá num cenário de crescimento estimado em 5%. Basta segurar as despesas para reduzir o déficit nominal e com isso diminuir a dívida em relação ao PIB, como defende o ex-ministro Antônio Palocci, hoje o braço direito de Dilma. A candidata, por sua vez, também avalia que, no seu eventual governo, haverá espaço para que a taxa de juros brasileira se aproxime dos padrões internacionais, sem comprometer a meta de inflação, fixada em 4,5% até 2012.   No mercado, já é grande a expectativa em relação aos nomes que vão compor a futura equipe econômica. Uma maior influência de Palocci sobre a Fazenda sinalizaria um compromisso com o controle fiscal.   Além dele, e apesar da recusa de Dilma em discutir nomes até mesmo com os auxiliares mais próximos, já existe um grupo de colaboradores que, pela proximidade com a candidata, tem espaço garantido no governo. É o caso de Erenice Guerra, que era sua secretária-executiva e ficou com sua vaga na Casa Civil.   Também devem ter lugar garantido técnicos com quem ela trabalhou, como Valter Cardeal, diretor de Engenharia da Eletrobras, responsável por coordenar a montagem do consórcio que vai construir a usina de Belo Monte.   O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquin, é um nome de confiança de Dilma e tem sido lembrado para a presidência da estatal do pré-sal por ter coordenado a elaboração do marco regulatório da exploração das novas áreas petrolíferas, assim como a diretora de gás e energia da Petrobras, Maria das Graças Foster. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, outro nome muito ligado a Dilma, também pode permanecer no cargo ou assumir outra função. Marcio Pochmann, presidente do Ipea, especialista em emprego, pode ir para um cargo ligado a políticas sociais.   Condutor da atual política industrial, calcada na formação de grandes grupos empresariais brasileiros, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, deve ocupar um posto- chave na equipe econômica. Já o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que é filiado ao PMDB, deve manter um assento importante como conselheiro próximo de Dilma para assuntos relacionados à economia.   Um outro efeito imediato da consolidação de Dilma na dianteira da corrida eleitoral é o crescimento de seu poder de atrair recursos para sua campanha. Na contramão, míngua a capacidade de arrecadação de José Serra na proporção que a concorrente se distancia na liderança. É o efeito da corrida com um cavalo só.   Do ponto de vista do investimento, colocar recursos numa campanha em via de ser derrotada é jogar dinheiro fora, diz o cientista político Fábio Wanderley Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais.  Na primeira prestação parcial de contas ao Tribunal Superior Eleitoral, os petistas arrecadaram R$ 11,6 milhões, enquanto as doações para a campanha tucana ficaram em R$ 3,6 milhões, atrás dos R$ 4,2 milhões amealhados por Marina Silva, do PV.   O tesoureiro do PV, Álvaro de Souza, atesta a dificuldade em conseguir doações, apesar da boa receptividade por parte dos empresários. Em termos de doadores, é surpreendente. Mas em termos de volume está abaixo da expectativa. É inegável que nos veem como uma candidatura que está em terceiro lugar nas pesquisas, disse ele à DINHEIRO.   Uma vitória no primeiro turno também daria a Dilma maior força para negociar com os partidos aliados na formação do novo governo. Seria um trunfo para começar o governo, com maior independência em relação ao presidente Lula, avalia o cientista político Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília.   Mas a coordenação da campanha não quer falar sobre as vantagens no primeiro turno. Ganhar é bom. Ponto, resume o deputado José Eduardo Cardozo, um dos coordenadores da campanha de Dilma.   O grau dessa autonomia na divisão do poder depende do desempenho do PT nas urnas e sua capacidade de se igualar em número à bancada do PMDB, a maior do Congresso. As pesquisas internas no partido têm mostrado resultados animadores, sobretudo em São Paulo, onde o PT espera aumentar sua bancada de 14 para até 18 deputados.   Ao todo, o PT teria cerca de 100 deputados, ficando não muito atrás do PMDB, equilibrando a relação de forças entre os dois partidos. O quadro favorável levou, nas últimas duas semanas, petistas a já começarem a conversar com o PMDB sobre um revezamento na presidência da Câmara e do Senado, fator importante para acelerar a aprovação de projetos de interesse do governo. Mas um interlocutor próximo à candidata garante que as duas legendas podem sair desapontadas. Nem o PT nem o PMDB levarão tudo o que imaginam, garante.
O Estado de S.Paulo (SP): Depois das eleições, é provável um aperto fiscal As contas fiscais das três esferas de governo, divulgadas quinta-feira, mostraram o pior resultado desde o início da série, em 2001. No período janeiro a julho, o déficit nominal como proporção do PIB passou de 1,90%, em 2008, para 3,22%, em 2009, chegando em 2010 a 3,29%, ou R$ 65,5 bilhões. O que torna inevitável um ajuste após as eleições. O resultado primário - do qual se deduzem os juros da dívida - foi positivo em apenas 2,14% do PIB, ou R$ 42,5 bilhões, neste ano, muito inferior ao projetado pelas consultorias econômicas privadas, ou do que os 2,18% do PIB de igual período de 2009, e, ainda mais, dos 5,43% de 2008, de R$ 92,7 bilhões. No governo central, a distribuição de recursos para investimentos, mas também para pessoal, é crescente: o déficit nominal de R$ 12,5 bilhões, em julho, dobrou em relação a junho. E o superávit primário de R$ 770 milhões teria se transformado em déficit sem o pagamento de dividendos de R$ 934 milhões do BNDES no mês passado. Pouco ajudou a queda do déficit do INSS, de R$ 2,7 bilhões, em junho, para R$ 2,5 bilhões, em julho. Em termos de desequilíbrio fiscal, o superávit primário de 2010 assemelha-se mais ao de 2009, em torno de 2% do PIB, quando se justificava uma política antirrecessiva - nos dois casos, ficaram muito abaixo da meta de 3,3% do PIB. O descumprimento da meta em 1,27 ponto porcentual (p.p.) do PIB, nos últimos 12 meses, foi maior no governo federal (0,87 p.p.) do que nos governos estaduais (0,26 p.p.) e nas estatais (0,14 p.p.). Entre junho e julho, as despesas de custeio e capital aumentaram quase R$ 6 bilhões, de R$ 17,8 bilhões para R$ 23,7 bilhões - do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) saíram 60% do acréscimo. E as despesas com pessoal e encargos sociais cresceram R$ 3,5 bilhões (28,5%), ritmo muito mais acelerado do que no ano. Em vez de usar o aumento da arrecadação de impostos para equilibrar as contas, como recomendaria a sucessão que se avizinha, o governo agiu com liberalidade - e, ainda que promova um arrocho fiscal a partir de outubro, é improvável que consiga se aproximar da meta de superávit primário. Caberá ao próximo governo, provavelmente, fazer o aperto, por mais que os candidatos à Presidência tentem desmenti-lo, para não perder eleitores. Como prognosticaram os economistas Samuel Pessoa, da FGV, e Mansueto de Almeida, do Ipea, em estudo recente, se o governo quiser manter os investimentos em 2011, terá de decidir entre aumentar a carga tributária e cortar os reajustes do salário mínimo.  
Estadão.com.br (SP): Depois das eleições, é provável um aperto fiscal As contas fiscais das três esferas de governo, divulgadas quinta-feira, mostraram o pior resultado desde o início da série, em 2001. No período janeiro a julho, o déficit nominal como proporção do PIB passou de 1,90%, em 2008, para 3,22%, em 2009, chegando em 2010 a 3,29%, ou R$ 65,5 bilhões. O que torna inevitável um ajuste após as eleições. O resultado primário - do qual se deduzem os juros da dívida - foi positivo em apenas 2,14% do PIB, ou R$ 42,5 bilhões, neste ano, muito inferior ao projetado pelas consultorias econômicas privadas, ou do que os 2,18% do PIB de igual período de 2009, e, ainda mais, dos 5,43% de 2008, de R$ 92,7 bilhões. No governo central, a distribuição de recursos para investimentos, mas também para pessoal, é crescente: o déficit nominal de R$ 12,5 bilhões, em julho, dobrou em relação a junho. E o superávit primário de R$ 770 milhões teria se transformado em déficit sem o pagamento de dividendos de R$ 934 milhões do BNDES no mês passado. Pouco ajudou a queda do déficit do INSS, de R$ 2,7 bilhões, em junho, para R$ 2,5 bilhões, em julho. Em termos de desequilíbrio fiscal, o superávit primário de 2010 assemelha-se mais ao de 2009, em torno de 2% do PIB, quando se justificava uma política antirrecessiva - nos dois casos, ficaram muito abaixo da meta de 3,3% do PIB. O descumprimento da meta em 1,27 ponto porcentual (p.p.) do PIB, nos últimos 12 meses, foi maior no governo federal (0,87 p.p.) do que nos governos estaduais (0,26 p.p.) e nas estatais (0,14 p.p.). Entre junho e julho, as despesas de custeio e capital aumentaram quase R$ 6 bilhões, de R$ 17,8 bilhões para R$ 23,7 bilhões - do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) saíram 60% do acréscimo. E as despesas com pessoal e encargos sociais cresceram R$ 3,5 bilhões (28,5%), ritmo muito mais acelerado do que no ano. Em vez de usar o aumento da arrecadação de impostos para equilibrar as contas, como recomendaria a sucessão que se avizinha, o governo agiu com liberalidade - e, ainda que promova um arrocho fiscal a partir de outubro, é improvável que consiga se aproximar da meta de superávit primário. Caberá ao próximo governo, provavelmente, fazer o aperto, por mais que os candidatos à Presidência tentem desmenti-lo, para não perder eleitores. Como prognosticaram os economistas Samuel Pessoa, da FGV, e Mansueto de Almeida, do Ipea, em estudo recente, se o governo quiser manter os investimentos em 2011, terá de decidir entre aumentar a carga tributária e cortar os reajustes do salário mínimo.    
ABN: Ipea estima crescimento de 9,2% da produção industrial Estimativa do indicador PIM é referente à comparação entre julho de 2010 e o mesmo mês do ano anterior O indicador de Produção Industrial Mensal (PIM) de agosto do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que o resultado da produção in dustrial mensal de julho de 2010 registrará crescimento de 9,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Na comparação com junho deste ano, a previsão é de que tenha havido crescimento de 0,9% na produção com ajuste sazonal. Todos os indicadores setoriais voltaram a registrar crescimento na comparação com o mesmo perío do de 2009. Os indicadores são os mesmos utiliza dos no modelo de previsão da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – fluxo de veículos pesados em rodovias concedidas; expedição de papelão ondulado; produção de autoveículos; e carga de energia. O principal avanço foi registrado no setor de autoveículos: 2,9% na passagem de junho para julho, na série livre de influências sazonais. Na comparação com o mesmo período de 2009, houve alta de 12,1% sobre julho de 2009. Também houve aumento no indicador de fluxo de veículos pesados. O crescimento foi de 1,1% na comparação com junho e de 11,4% com relação a julho de 2009. O indicador Carga de Energia ficou estável na comparação com o mês anterior. Na comparação com julho de 2009, houve crescimento de 7,2%. A única queda foi registrada no indicador referente às vendas da indústria de papelão ondulado: -0,4% com relação a junho. Na comparação com julho de 2009, no entanto, a variação foi positiva, de 12%.  

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