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Estudo apresentado em Vitória pelo presidente do Ipea contém balanço do desempenho estadual em nove áreas
Em entrevista à Desafios do Desenvolvimento, diretor fala sobre o trabalho de sua equipe e parcerias firmadas
La Calle Online (Uruguai):Récord de popularidad para Dilma tras un año de gestión Dilma Rousseff completó su primer año de gobierno con un récord de popularidad para esa primera etapa. Con 59% de aprobación, supera a todos los presidentes que la precedieron.   Con 59% de aprobación, supera a todos los presidentes que la precedieron, incluido su sponsor, el ex presidente Lula da Silva (42%). Entre los encuestados la semana pasada por la consultora Datafolha , 80% visualiza a la jefa de Estado brasileña como “muy inteligente”; 70% la considera “sincera” y 72% destaca su temperamento “decidido”. La encuesta revela que la presidenta pudo atravesar 2011, con la caída de 7 ministros en medio de denuncias de escándalos, sin que esto arañara su imagen. Y, a diferencia de Lula, consiguió atraer una gran parte de la clase media brasileña tradicional que le fue esquiva a su mentor. Otro dato singular es que la admiración de sus ciudadanos ocurre en un contexto de severa crisis internacional; y a pesar de esas circunstancias externas desfavorables, en Brasil 46% de las personas confían en que en 2012 la economía del país va a mejorar. Más aún: 60% de los consultados por la encuestadora consideraron que su situación financiera personal será más sólida que el año pasado. Según el director de Datafolha, Mauro Paulino, citado ayer por el diario Folha de São Paulo , “la población estaba preocupada con la crisis internacional, pero percibió que ésta no afectó su bolsillo”. En ese contexto, contribuyó a la buena imagen presidencial “la firmeza demostrada por Dilma, lo que pasó la impresión de que es rápida para decidir y no titubea”. Los expertos no tienen dudas en cuanto al impacto que la consolidación de Dilma tiene en la política. La oposición navega sin rumbo, por falta de un eje que le permita “golpear” con eficacia al gobierno. Sus jefes vieron que las denuncias de corrupción, que llevaron a sucesivos desgajamientos del gabinete nacional, lejos de involucrar a la presidenta, le prestó un gran servicio: la rapidez con que fueron despedidos ministros encontrados “culpables” por la población, explica su fama de “sincera” y “eficaz”. Como afirma la columnista de Folha Eliane Canthanede, en cuanto la economía esté bajo control, Dilma demostrará seguridad, el sector productivo no irá a presionarla, los trabajadores mantendrán su empleo e ingresos, los socios políticos del gobierno no se desmadrarán con exigencias y “los adversarios no tendrán qué decir ni hacer”. Si la economía juega un papel central en la popularidad del gobierno de Rousseff, como afirman inclusive los propios encuestadores, está claro que la presidenta cosecha lo que fue sembrado por su antecesor Lula en sus dos gestiones (entre 2003 y 2010). Fueron las políticas sociales implantadas en ese período lo que provocó un gran cambio en el perfil socio económico de la población brasileña. De acuerdo al Instituto de Investigaciones Económicas Aplicadas (IPEA) se produjo en el período 2004-2009 un cambio estructural en la distribución de la renta ; y es allí donde debe buscarse la percepción de los brasileños sobre una mejoría global. No es un detalle la inclusión de grandes contingentes en el mundo del consumo. La formalización de los empleos, el aumento del salario mínimo y la suba general de la remuneración del conjunto de personas ocupadas, llevó a que gruesas capas de población salieran de la extrema pobreza (se calcula que son 10 millones que dejaron de ser excluidos). Estos 10 años registraron, también, cambios notorios en la situación de los ancianos, que se vieron beneficiados por jubilaciones y pensiones con ajustes atados a las variaciones del
Valor Econômico (SP): A resiliência da América do Sul    Artigo de Paulo M. Levy   A resiliência da América Latina na esteira da crise financeira de 2008 foi notável, especialmente quando comparada ao desempenho da região nos anos 1980 e 1990. Mas, enquanto a economia mundial depara-se com incertezas renovadas, a região precisa encontrar novas estratégias para reduzir o impacto potencial de mercados financeiros voláteis e da estagnação prolongada nas economias mais ricas do mundo. Embora o crescimento na América Latina se correlacione com as tendências globais, há uma boa chance de que em 2012 as economias da região voltem a superar o desempenho dos países industriais. A contração do comércio mundial e a redução dos fluxos financeiros provavelmente desaceleração o crescimento em certa medida, mas o ritmo anual deverá continuar próximo à média de 4% da região entre 2000 e 2008. Um motivo para essa previsão é que a liquidez abundante nos mercados internacionais e a continuidade da demanda elevada na China e Índia podem impedir os preços das commodities - especialmente dos produtos agrícolas - de caírem tanto como durante a crise de 2008-2009. Os ganhos nas relações de troca foram cruciais para o crescimento da América Latina, dado o baixo índice de poupança doméstica da região, porque encorajam os investimentos, mas têm relativamente pouco impacto negativo no balanço de conta corrente. As fortes entradas de capitais, especialmente de investimentos externos diretos, e a recuperação das relações de troca desde 2009 deixaram a região menos vulnerável a choques externos - ou seja, à repetição da repentina reversão de fluxos de capitais observada no final de 2008 e início de 2009. Mais importante, a maioria dos países latino-americanos agora tem em vigor medidas anticíclicas para suavizar qualquer impacto externo negativo. Por exemplo, quando surgiram os primeiros sinais de turbulência, muitos países que estavam apertando sua política monetária, interromperam as altas de juros ou, como o Brasil, começaram a reduzi-los. A maioria dos recentes ajustes nos países latino-americanos, além disso, impediu que suas posições orçamentárias e déficits em conta corrente se tornassem fontes de vulnerabilidade. Esse parece ser o caso, por exemplo, do Peru, onde políticas fiscais sólidas mantiveram os déficits e a inflação sob controle. Isso também é verdadeiro na Colômbia, onde a forte arrecadação orçamentária poderia permitir um aumento temporário nos gastos para conter riscos externos. As exceções dignas de atenção são a Argentina e a Venezuela, onde as tensões macroeconômicas reduziram o espaço para ações anticíclicas, e no México, cujo destino está ligado, pelos amplos laços comerciais, ao dos Estados Unidos. O Brasil, maior país e um dos mais prósperos da região, reflete muitas das tendências econômicas na América Latina. Depois do surgimento da crise financeira mundial no último trimestre de 2008, as taxas de juros do Brasil caíram acentuadamente, o crédito teve forte expansão e a política fiscal deixou de ser neutra e passou a ser altamente expansionista. O financiamento maciço do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pelo Tesouro brasileiro também agiu como proteção contra o declínio nos investimentos. O estímulo proporcionado por essas políticas levou a um forte crescimento, tanto no consumo como nos investimentos, com o que a atividade econômica recuperou-se rapidamente. Embora a valorização do real tenha mantido os preços de bens comercializáveis sob controle, os dos bens não comercializáveis, especialmente os de serviços, continuaram como fonte de pressão inflacionária. Para combater a aceleração da alta dos preços, as autoridades adotaram medidas no fim de 2010 para esfriar a demanda doméstica sobreaquecida, primeiro por meio de restrições ao crédito e maiores exigências de reservas para os bancos - as chamadas medidas "macroprudenciais" - e depois por meio da retomada da alta das taxas de juros. Mas a deterioração repentina das condições financeiras externas e as perspectivas de estagnação prolongada na Europa e EUA, levaram o Brasil a reverter as políticas no fim de agosto. O Banco Central já cortou seus juros básicos em 150 pontos base, para 10,5%, e a tendência de baixa prevista deverá levar as taxas reais para seus menores patamares históricos no período pós-crise. O preço a pagar, no entanto, pode muito bem ser que a inflação anual continue significativamente acima da meta de 4,5%. De fato, mais recentemente, as restrições de crédito adotadas no fim de 2010 foram relaxadas, como forma de estimular a demanda dos consumidores. Além disso, a política fiscal brasileira deverá mudar de restritiva para neutra ou ligeiramente expansionista neste ano. O governo prometeu promover a mudança de forma mais suave do que em 2009-2010, permitindo, portanto, flexibilidade para reduzir as taxas de juros no longo prazo. Neste ano, o governo elevou o salário mínimo em 14% seguindo a atual regra de ajuste, com forte impacto nos benefícios da previdência social, e deverá retomar os investimentos públicos que foram reprimidos em 2010. Essas medidas, somada à redução na arrecadação com impostos, deverão reduzir o superávit primário e contribuir para reanimar a demanda. A América Latina obteve progresso substancial em sua estrutura de políticas macroeconômicas, dando a suas autoridades mais espaço de manobra para suavizar o impacto dos choques internos. Mas administrar a demanda é apenas parte do trabalho quando se trata de alimentar o crescimento econômico de longo prazo. Depois de terem conduzido seus países com sucesso pela crise, as autoridades da América Latina deveriam dedicar maior atenção à retomada dos esforços de reforma voltados a melhorar a competitividade e assegurar a sustentabilidade de altos índices de crescimento. (Tradução de Sabino Ahumada)   Paulo M. Levy analista econômico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Copyright: Project Syndicate, 2012.
Valor Econômico (SP): Licitação verde   Dos copos de café aos cartuchos de impressora, setor público planeja dobrar volume de compras usando critérios ambientais. Por Sérgio Adeodato, para o Valor, de São Paulo A estratégia de promover pregões eletrônicos para a compra compartilhada de produtos com critérios ambientais ganha escala na administração pública, levando o mercado a adaptar-se a novos padrões nas licitações. Após experiência pioneira no ano passado, um grupo com mais de dez instituições federais do Rio de Janeiro prepara atualmente um novo leilão on-line destinado à aquisição coletiva de no mínimo 48 itens - do papel reciclado aos cartuchos de impressoras e copos de cafezinho mais amigáveis ao meio ambiente. "O desafio é conciliar preço e qualidade, além de garantir o abastecimento e a abrangência na competitividade", diz Jorge Peçanha, da Fundação Oswaldo Cruz, que coordena o grupo. "Queremos derrubar o mito de que o produto sustentável é necessariamente mais caro que o convencional", completa Renato Cader, um dos idealizadores do sistema compartilhado quando dirigia o setor de compras do Jardim Botânico do Rio. "Devido ao maior poder de compra do trabalho conjunto, o primeiro leilão gerou em média uma economia de 50% em relação aos preços identificados na pesquisa prévia de mercado", informa Cader. Ele hoje dirige a Agência Nacional do Cinema, membro de uma rede de 38 instituições públicas que se articulam para a adoção dos novos critérios nas licitações. O trabalho, diz, envolve romper barreiras legais, técnicas e até culturais. E há questões complexas a resolver, como a especificação dos produtos e a maior adesão dos fornecedores. No pregão anterior metade dos itens não foram atendido - situação que, segundo Cader, pode ser vencida com uma política mais efetiva e a maior escala de compra públicas. "O projeto é estender a licitação compartilhada para a administração federal em Brasília neste ano", revela Delfino Natal de Souza, secretário de logística e tecnologia de informação do Ministério do Planejamento (MP), lembrando que já existe instrumento legal para que as licitações não se restrinjam ao critério do menor preço. A Instrução Normativa 01, do MP, de janeiro de 2010, abre essa possibilidade para 216 órgãos federais em todo o país. "A tendência é a cultura de compra sustentável chegar também às estatais, que têm legislação própria", afirma Souza. O Acórdão 1152/2011 do Tribunal de Contas da União prevê a questão ambiental como uma vantagem nas licitações para além da isonomia. Isso significa, segundo analistas, que órgãos públicos estão sujeitos a autorias e punição no caso de descuido com a sustentabilidade. Nos últimos dois anos, foram realizados mais de 2,1 mil processos licitatórios com quesitos de sustentabilidade no setor federal, somando R$ 21 milhões na aquisição de bens e serviços. "Em 2012, a expectativa é atingir o dobro a partir da maior conscientização e capacitação dos gestores públicos", prevê o secretário. No total, as compras públicas representam entre 10% e 15% do PIB, algo em torno de R$ 360 bilhões ao ano, o que demonstra o expressivo poder de influência ainda a ser explorado para induzir o mercado a práticas sustentáveis. "Para mudar a escala dos números e vencer a última resistência dos gestores públicos é necessário consolidar o suporte jurídico, transformando a instrução normativa em lei", analisa Samyra Crespo, secretária de articulação institucional do Ministério do Meio Ambiente. Uma das medidas, segundo ela, será mexer na Lei 8666, das licitações, que permite diferentes interpretações e tornam as compras coletivas do governo sujeitas à impugnação. "Sem clareza na legislação, muitos órgãos públicos preferem fazer o tradicional para não correr o risco de paralisar projetos e obras", explica Samyra. Ela informa que outro desafio é fazer a agenda de sustentabilidade da administração pública sair do papel, como é o caso do programa Esplanada Sustentável, que hoje tem a adesão formal de apenas 16 dos 37 ministérios. Até 2016, o plano é capacitar 1 mil servidores por ano para a adoção de critérios ambientais nas licitações. Diante do desafio ambiental, funcionários públicos começam a lidar com questões novas, como emissões de carbono e ciclo de vida dos produtos - desde a matéria-prima até o descarte. "O cenário atual é bastante positivo, em função da política nacional sobre mudanças climáticas e da nova legislação sobre resíduos, que têm as licitações sustentáveis como ferramenta", analisa Luciana Betiol, da Fundação Getúlio Vargas. O poder de compra dos governos é chave também no debate internacional, porque a adoção de normas ambientais envolve questões de competitividade e pode servir como barreira comercial. No documento nacional preparatório para a Rio+20, a reunião sobre economia verde que a ONU realizará em junho no Rio de Janeiro, o Brasil mostrou-se disposto a apoiar um pacto global para compras governamentais. Nas transações internacionais, o mecanismo pode induzir a redução de poluição nos países exportadores. O tema é abordado em recente estudo da pesquisadora Adriana de Moura, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ela cita que, na média, as compras públicas sustentáveis reduzem em 25% as emissões de carbono nos países europeus do grupo Green-7 (Áustria, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Holanda, Suécia e Reino Unido). Em São Paulo, o governo estadual criou um selo verde para diferenciar produtos no catálogo de compras públicas. No total de 124 mil itens, 500 têm o emblema ambiental e correspondem a 5% do consumo total, que soma R$ 25 bilhões ao ano. "A adesão dos setores do governo é crescente e já impacta o mercado", avalia Denize Cavalcanti, da Secretaria do Meio Ambiente. Ao seguir a política estadual, a Sabesp substituiu veículos por frota bi-combustível e passou a comprar equipamentos de baixo consumo energético e sem metais tóxicos como chumbo, cádmio e mercúrio. A empresa, responsável por gastos de R$ 2 bilhões em obras, começou a utilizar entulho reciclado na construção de adutoras. "Como efeito cascata o mercado está aderindo à tecnologia", revela Marcelo Morgado, assessor de meio ambiente.  
Folha de S.Paulo (SP): O ano zero da tecnologia brasileira   Artigo de Antonio Gil   O país pode aumentar as suas exportações de tecnologia da informação, oferecendo sistemas para gerir produção agrícola e eleições, por exemplo O ano de 2011 foi marcado por grandes avanços no setor de tecnologia da informação (TI). Em uma economia com crescimento moderado, as projeções de crescimento para a área de TI foram de 13%, atingindo receitas de US$ 96 bilhões. É o Brasil se tornando mais competitivo, pois TI está na base da sociedade, trazendo ganhos de produtividade para todos os setores. Dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram que as empresas que investem em TI são 13,24% mais produtivas. A grande vitória do setor em 2011 foi a desoneração da folha de pagamentos. A medida, contemplada no Plano Brasil Maior, atende a uma das principais reivindicações do setor, intensivo em mão de obra. Com a mudança da contribuição previdenciária de 20% sobre a folha de pagamentos para 2,5% do faturamento, o incentivo para as empresas de TI e TIC (tecnologias de informação e comunicação) será de R$ 1 bilhão apenas em 2012. Nos três anos de vigência da desoneração, a previsão é de R$ 3 bilhões. Não é um custo pequeno, mas será compensado. Como a informalidade da mão de obra é um grande problema do setor, a tendência agora é de que ela diminua rápido. Com mais formalidade e maiores receitas de imposto de renda, a conta do Tesouro Nacional no item TI tenderá ao equilíbrio, ou até mesmo registrará ganhos. Quase 80% dos trabalhadores informais serão serão contratados pela CLT, produzindo um ambiente mais ético para os negócios, além de menos conflituoso na Justiça do Trabalho. As formas de contratação praticadas hoje no setor inviabilizam o crescimento das empresas brasileiras, pois criam passivos trabalhistas que turvam os balanços e dificultam a abertura de capital. A desoneração será total para as exportações, pois as receitas com as vendas para o exterior serão excluídas da base de cálculo. A tecnologia brasileira terá, assim, condições de conquistar maiores fatias do mercado no exterior. Excelência em TI o Brasil possui, com sistemas sem paralelo no mundo em serviços financeiros, eleições, gestão de produção agrícola, exploração de petróleo, além de diversas aplicações sofisticadas de TI. Nossas exportações, que ainda engatinham, têm potencial para evoluir dos atuais US$ 2,6 bilhões para US$ 20 bilhões em dez anos. TI poderá, ainda, ser um dos grandes motores da geração de empregos em 2012. Estudos da Brasscom revelam que os saldos entre as contratações e demissões de TI devem crescer 31% em 2012 nos seus oito mercados principais. Em 2012, os desafios do setor de TI e do governo serão implantar bons programas de qualificação da mão de obra, acelerar os programas de infraestrutura e investir em inovação. A demanda por banda larga deve aumentar até 35 vezes até 2019. Mas o maior de todos os desafios é transformar a tecnologia em um componente central para a produtividade da economia nacional. A representatividade de TI no PIB de países desenvolvidos é de cerca de 6%. No Brasil, ficamos em cerca de 4%. Mas temos excelência técnica para chegar lá. Com os incentivos obtidos, 2012 será o ano zero da nova caminhada da TI brasileira. ANTONIO GIL, 73, é presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom)
Folha de S.Paulo (SP): Com real forte, brasileiro compra mais no exterior [CHAMADA DE CAPA] Câmbio favorável, preço baixo, qualidade e variedade impulsionam o turismo de compras no exterior. Cada vez mais brasileiros viajam para comprar roupas, sapatos e eletrônicos mais baratos   Consumista, brasileiro vira sacoleiro global: Câmbio favorável, preço baixo, variedade e bom atendimento impulsionam turismo de compras no exterior Para especialistas, impostos, custos altos, ineficiência e falta de competição tornam o Brasil mais caro   Por TONI SCIARRETTA DE SÃO PAULO e VERENA FORNETTI DE NOVA YORK Cerca de 4 milhões de brasileiros devem viajar para o exterior nos próximos seis meses, segundo o Ministério do Turismo. Mais do que conhecer lugares e culturas diferentes, a maioria vai comprar roupas, sapatos, eletrônicos e outros mimos por menos da metade do preço no Brasil. Em 2011, os brasileiros gastaram perto de US$ 22 bilhões em viagens ao exterior, 33% mais do que em 2010, segundo a OMT (Organização Mundial do Turismo). O crescimento dos gastos dos brasileiros só perde para o dos chineses, que saltaram 38% e atingiram US$ 55 bilhões. Não por acaso, o presidente Obama anunciou na quinta-feira, na Disney, que vai facilitar a concessão de vistos a brasileiros e chineses. Preço, variedade, qualidade e real forte -que lembra o câmbio fixo dos anos 90- explicam por que o brasileiro é tão assediado no exterior. Mas o que faz uma pessoa pegar um avião para comprar o enxoval do bebê em Miami? É que ficou fácil comparar preços pela internet e mais gente pode fazer essa viagem. "Nos anos 80, o brasileiro ia ao Paraguai comprar videocassete. Agora, vai a Miami. Não é um comércio marginal nem desprezível; é um problema de custo, tributação e eficiência", diz Nuno Fouto, diretor do Provar (Programa de Administração de Varejo). Para Marcio Pochmann, presidente do Ipea, há ainda um fator subjetivo que torna "o de fora melhor que o nosso" por conta da herança colonial e do fechamento do país às importações: "O "made in Brazil" ainda não tem o mesmo peso para algumas pessoas". "Preço baixo é um apelo irresistível para o brasileiro, que tem uma veia consumista", diz Vera Rita de Mello Ferreira, psicóloga especialista em economia. "PERSONAL SACOLEIRA" Guia turística especializada em compras, Cristiane Barrientos cobra US$ 180 para ajudar brasileiros a achar pechinchas nos outlets da Flórida. Há três anos, atendia brasileiros do eixo Rio-São Paulo, interessados em compras para a família. No ano passado, seu público se ampliou: atende pessoas de todo o país que compram artigos para revender. "Não é para uso; é para vender mesmo. Gastam no mínimo US$ 1.000 por dia. O que eles procuram? Marca, marca, marca. No Brasil, custa uma fortuna." Grávida de seis meses, a advogada Carol Bottino queria comprar um carrinho de bebê que custava R$ 4.500 no Brasil. Pesquisou na internet e achou o mesmo modelo por US$ 500 em Miami. "Com o dinheiro do carrinho no Brasil, paguei a minha passagem e a do meu marido e ainda voltei com o carrinho." Para mobiliar a casa em Porto Alegre, o consultor gaúcho Sérgio Torres comprou cubas de pia para a cozinha por 30% do preço no Brasil e cadeiras Philippe Starck por um quarto do valor. "Levo tudo na mala. Mesmo pagando volume extra, compensa." "Faz cinco anos que não compro roupa no Brasil", disse Carlos Gustavo, 36, auxiliar de cartório. Nas férias, ele compra artigos que revende com ganho de até 100%. "Eles [americanos] ficam chocados com o tanto que a gente gasta. Mas absurdo é o preço no Brasil", disse Neusa Koga, 58, comerciante.
Revista Época (SP): Por que a empregada sumiu O trabalho de doméstica como existe hoje vai acabar. A transição será difícil. Mas as famílias brasileiras – todas – deveriam celebrar a mudança Por MARCOS CORONATO E MARCELO MOURA COM BRUNO SEGADILHA, FELIPE PONTES E NATÁLIA SPINACÉ   Algumas horas do início de 2012, a advogada paulistana Silvia Hauschild, mãe de dois filhos, se preparava para a ceia de Ano-Novo, tranquila. Ela confiava na ajuda que receberia de uma diarista, mas estava errada: sem nenhum aviso, a empregada faltou. "Tínhamos convidados para a ceia e para um churrasco no dia 1º e, de repente, fiquei na mão", diz Silvia. O imprevisto que aconteceu com a advogada na entrada de 2012 poderia ser explicado apenas como um acidente de percurso, mas não. Ele faz parte de um quadro muito maior, que marca a entrada do mercado de trabalho brasileiro no século XXI: o sumiço das empregadas domésticas como existem hoje. A mãe da advogada, de sólida classe média, tinha empregadas em casa noite e dia. Silvia tem uma empregada que não dorme em casa e sabe que não pode contar indefinidamente com ela. Nos próximos anos, essa personagem, que já foi onipresente nas casas brasileiras de maior renda, vai simplesmente deixar de existir, ao menos da forma como a conhecemos. O fenômeno não ocorrerá de forma rápida nem será o mesmo em todas as regiões do país, mas já está em curso em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte ou Porto Alegre e é inevitável que se espalhe. Por causa dele, os lares brasileiros terão de mudar. Essa mudança gigantesca está sendo movida por três fatores simultâneos: a melhor distribuição de renda regional, o crescimento da economia e a escolarização da população, que está causando uma espécie de revolução cultural. A questão regional é fácil de entender. Com o aumento de renda no Nordeste, secou a fonte de fornecimento de empregadas baratas. As meninas que antes vinham trabalhar em casas de família no Sudeste podem, agora, trabalhar com famílias de classe média de sua região ou arrumar outro tipo de emprego, sem migrar. O crescimento da economia, por sua vez, fez com que as moças que trabalham de empregada no Sudeste tenham alternativas de emprego e carreira. Podem escolher entre o trabalho doméstico e as atividades que pagam melhor ou oferecem mais horizontes. Por fim, a revolução cultural: tendo ido à escola, as jovens brasileiras simplesmente não querem mais trabalhar na casa dos outros, um fenômeno que já ocorreu em outros países. O trabalho doméstico carrega um estigma social e uma intrínseca falta de expectativas profissionais, problemas difíceis de compensar com mero aumento de salário. Quem pode escolher prefere não trabalhar na casa alheia, mesmo que seja para ganhar menos. A transformação demorou a chegar. O Brasil se acostumou à abundância de trabalho doméstico ao longo de quase 200 anos. Mesmo antes da abolição da escravidão, em 1888, moças de todas as raças migravam do campo para as cidades, a fim de trabalhar para famílias mais ricas, escapar da pobreza e aumentar a chance de encontrar um bom marido. Eram enredadas em relações de caráter dúbio, meio de trabalho, meio familiar, num novelo de padrinhos, madrinhas, agregados e favores. As moças recebiam normalmente abrigo e comida em troca de dar "ajuda" nos trabalhos da casa, como explica a economista Hildete Pereira de Melo, da Universidade Federal Fluminense (UFF), que há 20 anos estuda a evolução do emprego doméstico na história do Brasil. A "ajuda" virou trabalho remunerado na segunda metade do século XX. Mas esse mercado continuou dependente dos bolsões de pobreza, da desigualdade de renda entre regiões e do número de adultos sem instrução. Juntas, essas peças garantiram, até recentemente, uma oferta constante de pessoas dispostas a migrar para as capitais, morar na casa alheia e trabalhar por salários muito baixos, pequenos o bastante para caber no bolso da classe média tradicional. Mas o arranjo faz com que a economia funcione abaixo do grau de eficiência com que poderia. Uma parcela grande demais de mulheres (17% das que trabalham) se dedica ao serviço doméstico remunerado. Ele pode parecer precioso para quem conta com uma empregada eficiente e de confiança, mas produz pouco para a sociedade, não incentiva o estudo (também por causa das jornadas de trabalho imprevisíveis) e tolera a informalidade – não paga impostos nem forma poupança para a aposentadoria de quem trabalha. Trata-se de uma estrutura danosa para a economia. Nos últimos anos, ela começou a ruir. A CLASSE A DISPUTA COM A CLASSE C Em 2007, pela primeira vez na história, o número de mulheres atuando no comércio se aproximou do número de domésticas (até hoje o ofício que mais abriga mulheres no Brasil). O número de pessoas dispostas a aceitar quaisquer condições de trabalho caiu. "Fica difícil uma família competir com uma empresa na hora de contratar o trabalho de alguém por oito, dez horas diárias. Empregada doméstica vai ser coisa de gente rica", diz o economista Heron do Carmo, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP. Essas mudanças ainda não produziram o desaparecimento nacional das empregadas. Quem enfrenta dificuldades para contratar ou manter uma babá nas capitais do Sul e Sudeste pode se surpreender com as estatísticas nacionais. Em 2009, o Nordeste e o Centro-Oeste se destacaram pelo aumento da fatia de mulheres que prestam serviço doméstico remunerado. A fatia da força de trabalho que se dedica a empregos domésticos mantém-se firme perto de 7,8% desde o início da década passada. Cerca de 6,7 milhões de mulheres e 500 mil homens exercem atividades como empregada, faxineira, cozinheira, babá, motorista ou jardineiro. As empregadas, porém, ficaram mais escassas nos bairros ricos e nas maiores capitais porque a procura por elas cresceu. Uma nova classe média prospera e oferece às domésticas a chance de trabalhar mais perto de casa, em vez de percorrer longos trajetos até os bairros mais ricos. Ou seja, a classe C disputa essa mão de obra com as classes A e B. Diante do novo ambiente econômico, a reação das empregadas, no país inteiro, foi barganhar melhor. "As trabalhadoras domésticas das grandes capitais foram as primeiras, mas a escassez vai ser sentida no resto do país daqui a alguns anos", diz a socióloga Luana Pinheiro, coautora de um estudo a respeito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Nos próximos anos, as diaristas tendem a se transformar em "horistas" – trabalharão por hora e atenderão a mais residências por dia, como é normal na Europa e nos Estados Unidos. Vai desaparecendo, também, aquele tipo de empregada que dormia no serviço e se tornava quase uma agregada da família. O fim do trabalho doméstico remunerado nos moldes do século XX é uma ótima notícia. O país se torna melhor e mais rico com milhões de mulheres dedicando-se a atividades mais produtivas e com maior necessidade de estudo. Embora o Brasil esteja apenas iniciando esse caminho, o roteiro é razoavelmente conhecido, porque foi trilhado antes por outros países. No Reino Unido, a transformação ocorreu no fim do século XIX, quando o país ainda era a maior potência do mundo e a economia vivia uma fase eufórica com investimento em infraestrutura e tecnologia. O aumento de escolaridade das meninas britânicas, desde o fim do século XIX, já vinha reduzindo a quantidade de moças pobres disponíveis para o trabalho doméstico. Os empregadores não se acostumaram facilmente à novidade. O livro The servant problem: an attempt at its solution (O problema dos serviçais: uma tentativa de solução), de 1899, garantia que muitas das cozinheiras haviam se tornado beberronas e insolentes. "Após muito problema e gasto, quando conseguimos nossos serviçais, temos de permitir que façam o que quiserem, ou eles não permanecem". A avaliação soará familiar a muitas famílias brasileiras de classe média. Depois que a Primeira Guerra Mundial levou cerca de 2 milhões de mulheres para a labuta nas fábricas inglesas, elas não retornaram ao serviço doméstico, e o mercado de trabalho lá mudou para sempre, e para melhor. Nos Estados Unidos, a escritora Christine Frederick tratou do mesmo assunto em 1926, no livro The new housekeeping (O novo jeito de cuidar da casa). O texto era progressista: em depoimento, uma patroa visionária contava que havia abandonado o jeito "ditatorial" de lidar com a empregada em troca de uma "administração científica" das tarefas da casa. O diagnóstico que Christine fez da situação americana naquele momento lembra o do Brasil atual. "Menos serviçais são recrutados a cada ano, e a leva de irlandesas e alemãs que assumiram o serviço 20 anos atrás está sendo substituída por garotas do sul da Europa, da Boêmia, eslavas, muito mais difíceis de treinar em nosso ideal americano. Mas mesmo essa fonte está diminuindo." No Brasil de hoje, como nos Estados Unidos de décadas atrás, as jovens de famílias pobres passam a incluir em suas decisões mais do que salário. Elas querem expectativas. MAIS EM JOGO DO QUE SALÁRIO Multiplicam-se histórias como a da gaúcha Maiara Zimmer, de 17 anos, filha de empregada doméstica. Maiara começou a trabalhar como faxineira diarista aos 15 anos, mas resolveu tentar outro rumo profissional. Distribuiu currículos e, em 19 dias, foi contratada pela rede de lanchonetes McDonald"s como atendente de entregas aos clientes que passam de carro pela loja. Com quatro meses no cargo, como prêmio pelo desempenho, ganhou um curso técnico em administração. No ano passado, passou no vestibular de administração numa faculdade particular em Porto Alegre. Neste ano, a moça, que poderia ter continuado a fazer faxina, começará a cursar a faculdade enquanto trabalha como instrutora de atendentes no Aeroporto Internacional de Porto Alegre. "Se eu fosse doméstica, ficaria presa na mesma coisa. Numa empresa, você pode começar lá embaixo, mas tem possibilidade de crescer", diz. Essas possibilidades abertas que tanto empolgam Maiara ajudam a explicar algo mais que falta na vida de empregada – e que não pode ser compensado com dinheiro. A maioria prefere escapar desse tipo de ambiente, por uma questão que nada tem a ver com o salário: o trabalho doméstico carrega um estigma muito pesado. "Não é um tipo de trabalho levado a sério", diz Luana, do Ipea. "As relações entre a empregada e a patroa são pouco profissionais. A jovem que vai trabalhar no comércio, no telemarketing, sente-se mais valorizada." A engenheira Isabella Velletri e a advogada Priscila Leite, donas da agência de empregadas Home Staff, lidam com esse problema diariamente. "O preconceito de algumas pessoas que querem contratar empregada é chocante", afirma Isabella. "Encontramos gente que espera dedicação quase integral, com folgas quinzenais, em troca de pagamento muito baixo. Não dão ao empregado nenhuma perspectiva nem possibilidade de estudar. Por isso, muitas jovens pensam no trabalho doméstico como uma sina de que precisam escapar." A fuga das filhas de empregadas para outro rumo profissional faz com que a categoria envelheça rapidamente – a parcela com mais de 30 anos passou de 53% para 73% na última década. Tornou-se comum o roteiro seguido por Maria de Fátima dos Santos, de 57 anos, que trabalha há 33 em casas de famílias. Hoje, atua como diarista e ganha R$ 1.600 por mês. Ela se mostra satisfeita com o trabalho, concluiu o ensino médio e não pensa em voltar a estudar. Às filhas, no entanto, ela aplica outra regra. Fátima deu às três a possibilidade de entrar na faculdade. Para pagar os estudos delas, aumentava o número de faxinas, incluindo fins de semana e feriados. "Elas são o meu maior orgulho", diz. Nenhuma delas trabalhará em casa de família. O DECLÍNIO DAS PROFISSÕES "SERVIS" O efeito se repete em outras atividades que o brasileiro considera comuns, mas que são exóticas aos olhos de países mais desenvolvidos. A corrida dos jovens rumo a profissões que paguem melhor e tenham melhor imagem tende a fazer desaparecer as funções que o economista Naércio Menezes, da escola de negócios Insper, classifica como "servis". São aquelas em que se prestam serviços não especializados, como engraxates, empacotadores, manobristas, jardineiros e babás sem qualificação. Também rumam para a extinção profissões como ascensorista, frentista de posto de gasolina e cobrador de ônibus – todos fornecedores de pequenas comodidades, cujas funções podem facilmente ser assumidas pelo próprio consumidor, com uma pequena ajuda da tecnologia adequada. Vão pelo mesmo caminho os excessos criados para impressionar a classe média, como vendedores por todo lado em lojas que cobram barato. "No Brasil, você entra num rodízio e é cercado. Na França, há muitos bons restaurantes em que trabalham apenas o dono e um ou dois garçons", diz o economista João Sabóia, professor na Universidade Federal do Ro de Janeiro e especialista em mercado de trabalho. A evolução vai alterar alguns negócios e fazer surgir oportunidades. "Nas nossas lavanderias em outros países, um segundo atendente só vai para o balcão quando a fila tem mais de seis pessoas. Aqui, se não tiver dois o tempo todo, sou crucificado", diz Nelcindo Nascimento, diretor para a América Latina da 5àSec, maior franquia de lavanderias do mundo. "Uma rede de lavanderias fracassou ao adotar no Brasil, há alguns anos, o modelo americano de self-service, com máquinas que aceitam moedas. Daqui a algum tempo, essa modalidade pode dar certo." No futuro, os profissionais terão de ser mais bem aproveitados – uma cozinheira competente poderá prestar somente esse serviço a diversas famílias, em vez de se dividir entre a cozinha e a faxina numa casa só. É o caminho natural de uma economia que se torna mais sofisticada com uma população que cresce cada vez menos, explica Sabóia: "A mudança tem de ocorrer para o país crescer. As pessoas se deslocam de atividades menos produtivas para outras mais produtivas". A mudança de comportamento dos empregadores e das empregadas ao longo das últimas décadas foi retratada pela televisão e pelo cinema. As empregadas surgiram nas telas brasileiras como figurantes. Eram meros indicadores do grau de riqueza do dono da casa. A novela O grito, de 1975, foi a primeira a mostrar uma empregada que muda de condição – a personagem Albertina, de Ruth de Souza, era tão articulada e inteligente que se tornava uma conselheira da patroa. "A partir dali, os autores perceberam que elas podiam mais do que servir cafezinho", diz Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia pela Universidade de São Paulo (USP). Vieram protagonistas como Raimunda (interpretada por Cláudia Missura) e suas colegas no filme Domésticas, de 2001. Em 2009, na novela Cama de gato, a faxineira Rose (interpretada por Camila Pitanga) conseguia mudar de ofício. Em abril, uma nova novela, Marias do lar, da TV Globo, apresentará empregadas como protagonistas, mais instruídas e com ambições profissionais. É uma mudança simbólica importante, que sublinha a possibilidade da ascensão social. A definição de novos valores e de uma nova sensibilidade não ocorre apenas entre as empregadas. As famílias que antes as contratavam também estão passando por mudanças culturais, determinadas tanto por influências intelectuais estrangeiras (a classe média percebeu que nos países desenvolvidos esse tipo de relação de dependência é malvisto) quanto pelas mudanças práticas das condições de vida. O tamanho das moradias é um exemplo. Em quatro anos, caiu de 43% para menos de 16% a participação dos apartamentos com área superior a 90 metros quadrados no total de lançamentos. "Os apartamentos com área superior a 100 metros quadrados ainda têm quarto para empregada, mas a grande maioria dos compradores o usa para outro fim ou derruba a parede", diz Cyro Naufel Filho, diretor da consultoria imobiliária Lopes. Nesses novos ambientes, é impossível praticar a velha segregação espacial entre "casa grande e senzala" que as casas espaçosas permitiram no passado. Mas a questão não é apenas arquitetônica. Um número crescente de brasileiros se sente incomodado com o tipo de relação que a geração anterior cultivava naturalmente com as empregadas – autoritária, paternalista, assistencialista e dependente. O contato era invasivo para os dois lados. "Eu e meu marido já tivemos babá, cozinheira e passadeira, mas há quatro anos estamos sem empregada", diz a professora Paula de Faria, de 51 anos, mãe de três moças. "Como eduquei minhas filhas para serem autônomas, cada uma ficou responsável por uma coisa. Elas fazem faxina mesmo, sem frescura" (leia mais sobre isso na pág. 84). A classe média tradicional precisará aprender a cuidar de si mesma e a encarar o futuro de forma menos ranzinza. Silvia, a advogada que passou um aperto no Réveillon, não reclama do sumiço da empregada. "Ninguém passou fome", diz. "Arregaçamos as mangas e fizemos tudo, da decoração aos pratos. A gente viu que era possível abrir mão da empregada e a noite foi ótima."
Zero Hora (RS): A política da coação   Editorial   De todos os sintomas a indicar a urgência de uma reforma política no país, as reações de inconformidade com a indicação de Marco Antonio Raupp para suceder a Aloizio Mercadante no Ministério da Ciência e Tecnologia estão entre os mais preocupantes. Há consenso em escala nacional, se não planetária, de que o Brasil precisa investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação se quiser fazer frente aos desafios da recente revolução científica e tecnológica. As deficiências nesse terreno foram salientadas, entre outros, pela voz insuspeita de Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em palestra no 20º Fórum Nacional. O quadro traçado por Pochmann é desalentador. Tomando-se as empresas brasileiras em seu conjunto, apenas 1,3% dos representantes da indústria de transformação tinham atividades de pesquisa e desenvolvimento em 2005. O contingente de trabalhadores envolvidos em inovação era, nesse mesmo ano, de 47 mil pessoas num universo de 5,9 milhões de funcionários da indústria de transformação. Entre esses mesmos 47 mil, apenas 27 mil tinham graduação ou pós-graduação. Diante de quadro tão preocupante, nada mais salutar do que a decisão da presidente Dilma Rousseff de escalar um protagonista da pesquisa de ponta para a pasta da Ciência e Tecnologia. O currículo de Raupp, atual presidente da Agência Espacial Brasileira, fala por si: graduado em física pela Universidade do Rio Grande do Sul, é Ph.D. em matemática pela Universidade de Chicago e passou pela direção de várias instituições ligadas à área que comandará a partir de terça-feira. Em nota, Raupp afirmou ter "absoluta consciência da exigência sem precedentes para que a ciência, a tecnologia e a inovação contribuam de forma essencial para o desenvolvimento social e econômico do Brasil". É notório que a insatisfação de integrantes da direção do PT é motivada pelo fato de que o novo ministro não detém credenciais de quadro da cúpula partidária. O alto comando pressionava pela indicação do deputado federal Newton Lima (PT-SP), ex-prefeito de São Carlos. Cumpre lamentar que a chegada de um técnico do porte de Raupp ao ministério seja aquilatada não em função dos possíveis benefícios à ciência e à tecnologia, e sim dos supostos prejuízos a interesses particulares desta ou daquela agremiação partidária. Por legítimas e patrióticas que sejam, as necessidades de partidos e grupos políticos não podem se sobrepor aos interesses da nação. As dificuldades enfrentadas pela presidente da República na composição de seu ministério – notadamente os sucessivos escândalos que, no ano passado, custaram-lhe a demissão de sete auxiliares – são mais um fator a reforçar a urgência de uma reforma política no Brasil. Cantada em prosa e verso desde os primeiros anos de vigência da Constituição de 1988, tal reforma deve servir não para livrar o Executivo do contrapeso dos demais poderes, mas para permitir que, por meio do exercício soberano de suas prerrogativas, possa servir ao poder maior que emana do povo. A atual estrutura partidária e eleitoral, a sobreviver no futuro próximo, de nada servirá a não ser para consagrar o lema do "É dando que se recebe", não na acepção do frade de Assis, mas na dos bem menos desinteressados caciques políticos.
Chamada Pública nº 008/2012 Chamada Pública nº 008/2012 - Projeto “Gestão Pública e Capacidades Estatais para o Desenvolvimento” Vagas: 01 (uma) bolsa Doutor Prazo de inscrição: 19 de janeiro a  03 de fevereiro de 2012 Resultado: A partir de 13 de fevereiro de 2012 Início das bolsas:  março de 2012 Chamada Pública nº 008/2012 Clique aqui para ver o Resultado Acesse aqui para cadastrar seu currículo Informações básicas: Obs: Este texto é apenas informativo e não substitui o conteúdo da Chamada Pública. Atenção: Os candidatos que apresentarem proposta para os processos de seleção em aberto, quando do cadastramento do currículo, devem mencionar no campo "Projeto de atuação pretendido no Ipea" o nome do projeto ao qual desejam concorrer à bolsa.

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