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O Estado de São Paulo(SP): Cenário fiscal fica desafiador, diz Moody's Para agência, custo da energia dificulta, mas meta de superávit pode ser atingida Por Ricardo Leopoldo e Renée Pererira O vice-presidente da Moody's, Mauro Leos, afirmou ontem ao 'Broadcast', serviço em tempo real da 'Agência Estado', que o aumento das despesas de R$ 9 bilhões para R$ 13 bilhões do Tesouro com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), este ano, torna o cenário para as contas federais mais "desafiador". "Já havia restrições no Orçamento antes deste gasto extra, que o governo agora vai arcar, mesmo que tenha uma compensação de tributos. E isso deve requerer cortes adicionais de despesas, pois (os gastos) não estavam previstos", comentou. Contudo, ele destacou que a meta de superávit primário do governo, de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) "pode" ser atingida pelo setor público consolidado. Leos trabalha com a previsão de que, para 2014, o governo gere superávit primário de 1,9% do PIB e que o crescimento do País atinja 2,1%. "No contexto das projeções para este ano, o cenário mais provável é de continuar estável o rating do Brasil", apontou. Segundo a Moody's, a nota soberana do País é Baa2, com perspectiva neutra. Em setembro do ano passado, a empresa diminuiu a perspectiva do Brasil de positiva para estável, o que foi provocado sobretudo pelo desempenho das contas federais e sinais de baixa expansão do PIB por alguns anos. Ajuste fiscal. Na opinião do economista Mansueto de Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o próximo governo terá de sinalizar um ajuste fiscal bem maior e mais consistente para tentar reverter o cenário atual bastante complicado. Segundo ele, o governo caiu numa armadilha criada por ele mesmo, tanto no setor elétrico como no de combustível. E agora está pagando por isso. "Você consegue segurar preço por algum tempo, mas não por um prazo muito longo." Ele tem dúvidas de que todo esse dinheiro que será colocado no setor elétrico será suficiente para resolver o problema. O economista Amir Khair, especialista em finanças públicas, também atribui à obsessão do governo federal pelo controle da inflação boa parte dos problemas enfrentados pelo País na área energética. "É uma situação artificial querer controlar os preços administrados. Aí você arrasa a Petrobrás e a Eletrobrás de uma vez só e ainda exige que as empresas cumpram elevados programas de investimentos." Na avaliação dele, as medidas anunciadas ontem pelo ministro da Fazenda Guido Mantega para socorrer as distribuidoras de energia têm um foco específico na decisão da Standard & Poor's. Uma equipe da agência de classificação de risco está no Brasil para avaliar as contas do País e decidir se revisa para baixo ou não o rating nacional. O repasse do Tesouro para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) será compensado pela alta de tributos. "O governo não ia escapar de ter de elevar a carga tributária, apesar de ela ser mais alta que a média do continente", diz Mansueto.
O Estado de São Paulo (SP): Quase metade dos lares não tem telefone fixo Pesquisa do Ipea revela que o brasileiro está substituindo as linhas fixas tradicionais pelo celular pré-pago Quase metade dos domicílios brasileiros não tem telefone fixo, segundo estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O levantamento, que abrange 3.809 domicílios de 212 municípios, mostra que 45,6% dos lares brasileiros não possuem o aparelho.A principal razão para isso está no fato de os brasileiros estarem, cada vez mais, substituindo o fixo pelo celular (motivo alegado por 59,4% dos entrevistados). É o caso da Anne Grecco, de 30 anos, que não tem linha fixa desde que saiu da casa dos pais, há sete anos. No início, a jovem não contratou os erviço por causa do preço. Hoje, prefere não ter porque passa pouco tempo em casa. “Só vou a minha casa para dormir”, diz.“Eaí, ao comprar um combo, de TV mais internet, por exemplo, ficam empurrando o fixo. Não quero.” O diretor de digital da Nielsen, Thiago Moreira, vê na crescente adoção do pré-pago a causa para o abandono do fixo. “O pré-pago tirou o compromisso da assinatura mensal.” Combo A pesquisa do Ipea também mostra que os pacotes ainda não caíram no gosto popular. Dos entrevista dos pelo estudo, 70,6% dizem contratar os serviços separadamente, de empresas diferentes. Para o engenheiro Anderson Comitre,de SantoAndré,embora haja o inconveniente de pagar contas distintas, a vantagem está na possibilidade de ter pelo menos um serviço garantido quando o sinal de alguma das empresas cai.“ Antes tudo era de uma só empresa. Quando estava fora do ar, me sentia na Sibéria: ficava sem telefone, internet e TV.” João Maria de Oliveira, autor do estudo, afirma que existe expectativa de crescimento da oferta de pacotes com a autorização para que operadoras de telefonia passem a ofertar TV por assinatura.Em 2011, segundoOliveira, a Net/Embratel dominava 55% do mercado de TV por assinatura, fatia que caiu para 42% no ano passado. “A convergência de serviços no Brasil ainda não é efetiva”, explica. O que impede essa expansão, segundo ele, é a baixa área de cobertura da TV paga e, em menor escala, da internet. A pesquisa revelou que a presença da telefonia fixa e da banda larga é determinante para a oferta dos pacotes – esses serviços estão presentes, juntos, em 76,4% dos “combos”. O pacote mais contratado é o que contém o serviços de telefonia fixa e banda larga. Avaliação O estudo ainda avaliou a percepção das pessoas quanto ao serviço de telecomunicações contratado. O de pior desempenho é o de celulares, com 65,5% de avaliação positiva, contra 69,8% da internet,72,9% da telefonia fixa e 87,2% da TV paga.
Agência Xinhua (China): 40,8% de hogares brasileños tiene acceso a internet, según estúdio Cuatro de cada diez hogares brasileños (40,8 por ciento) tienen acceso a internet, según un estudio divulgado hoy jueves por el Instituto de Investigación Económica Aplicada (Ipea, en portugués), de la Presidencia del país. Entre los usuarios, 68 por ciento afirmó utilizar los servicios de la red mundial de computadoras a diario. La encuesta "Sistema de Indicadores de Percepción Social: Servicios de Telecomunicación", que consultó 3.800 hogares en 212 domicilios del país, reveló que 44,1 por ciento de los entrevistados está satisfecho con la calidad de la conexión. El modelo más común de acceso es la conexión por cable (32,8 por ciento), seguida por la telefonía fija (23), telefonía móvil (18,3), satélite (10,6), radio (10,2), otros medios (3,6) o línea discada (1,5). La mayor tasa de acceso está en la región Sudeste del país, donde 51,5 por ciento de los hogares tiene internet, seguida por el Sur (42,9 por ciento), Centro-Oeste (40,7 por ciento), Nordeste (29,2 por ciento) y Norte(20,7 por ciento). Más de la mitad de los entrevistados (55,2 por ciento) afirmó pagar de 31 a 70 reales (de 13 a 29 dólares) por el acceso. El estudio reveló también que 51,9 por ciento de los hogares brasileños tiene computador, y 84,5 por ciento posee teléfono celular. Entre los hogares con celulares, 78,6 por ciento utiliza aparatos prepago y sólo 2 por ciento pospago, y 3,9 por ciento utiliza ambas alternativas
Folha de S. Paulo (SP): Carlos Octávio Ocké-Reis: SUS, o desafio de ser único A Constituição de 1988 definiu que todo cidadão tem direito ao Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, o mercado de planos de saúde conta com pesados incentivos governamentais que representam uma peça-chave para a sua reprodução econômica: os planos são pagos pelas famílias, pelos empregadores e pelo próprio Estado via renúncia fiscal. Os gastos com planos de saúde podem ser abatidos da base de cálculo do imposto a pagar, tanto da pessoa física quanto da pessoa jurídica, o que reduz a arrecadação do governo federal. Se essa parcela dos impostos não fosse subtraída, poderia servir de base para aplicar dinheiro novo no setor público. Em 2011, a renúncia foi de R$ 15,8 bilhões, quase um quarto do gasto público federal em saúde. A renúncia com planos responde por R$ 7,7 bilhões desse total. Em contrapartida, o lucro líquido das operadoras cresceu, aproximadamente, três vezes em termos reais entre 2003 e 2011, alcançando R$ 4,9 bilhões no último ano. Esse tipo de gasto público indireto tende a afetar o SUS sem melhorar a qualidade dos serviços privados. Mas como? De várias maneiras: a renúncia subtrai recursos do SUS, que poderiam melhorar seu acesso e qualidade; ela reforça a iniquidade do sistema, piorando a distribuição do gasto público per capita para os estratos inferiores e intermediários de renda; os lobbies agravam tal iniquidade, dado que o poder econômico pode corroer a sustentabilidade política do SUS; os subsídios não desafogam completamente o SUS, já que a clientela dos planos continua utilizando seus serviços –vacinação, urgência e emergência, banco de sangue, transplante, hemodiálise, serviços de alto custo e de complexidade tecnológica etc. Assim, o SUS acaba socializando parte dos custos das operadoras. A Agência Nacional de Saúde (ANS) tem demonstrado rigor no que se refere às negativas de cobertura e tempo de espera, exatamente porque os planos não entregam o que prometem e a insatisfação dos consumidores não para de crescer. Desse modo, se os recursos oriundos da renúncia fossem aplicados na atenção primária (no Programa de Saúde da Família, por exemplo) e na média complexidade, o governo federal poderia justificar, sob o critério da equidade, a redução ou eliminação da renúncia de arrecadação fiscal. Parece razoável ao menos reivindicar que o Estado atue no sentido de atenuar esse conflito distributivo, regulando de alguma forma os subsídios dirigidos aos estratos superiores de renda. Afinal, além de regressivos, eles favorecem a lucratividade das operadoras, que estão cada vez mais concentradas, centralizadas e internacionalizadas. Para tornar crível essa política, o governo federal deve ampliar o financiamento, melhorar a gestão e fortalecer a participação social do SUS. Isso sem perder de vista a criação de estruturas institucionais e mecanismos regulatórios que reduzam o gasto das famílias e dos empregadores com planos privados de saúde, serviços hospitalares e remédios, tornando nosso sistema de saúde verdadeiramente único e universal. CARLOS OCTÁVIO OCKÉ-REIS, 46, é técnico de planejamento e pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Diest/Ipea)
Revista Forum (SP): Tereza Campello: Estudos desmentem o mito do "Bolsa Preguiça" A taxa de ocupação dos que recebem o Bolsa Família é praticamente idêntica à da população em geral: 75%. Ou seja, trabalham tanto quanto os demais brasileiros Por Luiz Carlos Azenha Três estudos incluídos num livro que faz o balanço dos dez anos do Bolsa Família desmentem o mito, espalhado por críticos do programa de transferência de renda, de que ele cria dependência e estimula a preguiça. Programa Bolsa Família: uma década de inclusão e cidadania inclui 33 artigos de 66 técnicos. Segundo a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, gente qualificada e independente do governo federal. Os estudos mencionados por ela demonstram que a taxa de ocupação dos que recebem o Bolsa Família é praticamente idêntico ao da população em geral: 75%. Ou seja, trabalham tanto quanto os demais brasileiros. Recentemente, o Viomundo publicou duas entrevistas de críticos à esquerda do Bolsa Família. A professora Lena Lavinas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisou os programas de transferência de renda da América Latina. Segundo ela, o Bolsa Família é mudança positiva, mas insuficiente. Dentre outras coisas, Lavinas afirmou: Publicamos, também, uma entrevista com um dos mais importantes especialistas em trabalho no Brasil, o professor Ricardo Antunes, da Unicamp paulista. Antunes disse que, ao contrário do que muitos dizem, ainda não acabou o gás do lulismo e que isso se deve ao Bolsa Família, que concorda ser "necessário". Mas Antunes cutucou: Por conta disso, abrimos espaço para que a ministra Tereza Campello polemizasse. Segundo a titular do MDS, além de desmontar a tese do Bolsa Preguiça os estudos demonstraram também que não é verdade que quem recebe o Bolsa Família procura a informalidade. Na verdade, sustenta a ministra, as pessoas ficam na informalidade por causo do despreparo para ingressar no mercado de trabalho formal. Campello disse que só há duas explicações para o fato de pessoas bem informadas repetirem as acusações desmontadas pelos estudos: motivos ideológicos dos que fazem oposição ao governo e "preconceito [contra os pobres], infelizmente". Na entrevista ao Viomundo, Campello disse que nunca, nem no governo Lula, nem no governo Dilma, se afirmou que o Bolsa Família era a panaceia para todos os males do Brasil. Porém, é o que tem impacto de forma mais rápida na qualidade de vida dos que recebem o benefício. A partir dele, criou-se um cadastro único que permite o desenvolvimento de outros programas. Tereza Campello diz que há "dezenas" de iniciativas acopladas ao Bolsa Família. Por exemplo, há alguns dias o governo Dilma cumpriu a meta de matricular um milhão de pessoas no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que oferece cursos profissionalizantes de 400 horas que preparam de pedreiros a cuidadores de idosos. Ao todo, são ofertados 530 cursos. Além disso, no atual governo foram construídas 500 mil cisternas, garantindo acesso à água de milhares de pessoas - dentre as quais há muitas cadastradas no Bolsa Família. Segundo a ministra, o Brasil se tornou referência mundial Na semana passada, 40 técnicos de países africanos estavam no país para conhecer detalhes sobre o Bolsa Família. Nesta semana, o Banco Mundial promove no Brasil um seminário Sul-Sul sobre "seguridade social" com representantes de 50 países. "Uma das coisas que eles falaram é isso, que o Brasil hoje não é mais um laboratório de políticas sociais, o Brasil é hoje uma universidade. Quem quiser aprender sobre políticas sociais tem que vir ao Brasil e aprender com a gente", afirmou a ministra, que ouviu isso em Washington, quando esteve no Banco Mundial para comemorar os 10 anos do Bolsa Família. Esta semana será inaugurada uma plataforma digital que tem o objetivo de ser espaço de troca de informações sobre programas de transferência de renda, World Without Poverty, parceria do MDS com Ipea, PNUD e Banco Mundial. Aqui abro parênteses para dar testemunho pessoal sobre aspectos pouco considerados do Bolsa Família e de outras mudanças relativamente recentes no Brasil. Em Cabrobó, Pernambuco, vi com meus próprios olhos a dinamização da economia local, que tem impacto especialmente no comércio. Por conta do Bolsa Família e de investimentos federais na região, dispararam as vendas de celulares e produtos de consumo da linha branca. Chegaram agências bancárias. A feira local se ampliou. Novos empregos foram criados O segundo aspecto, provavelmente relacionado ao aumento do poder de compra do salário mínimo, é mais difícil de mensurar. Nas minhas viagens pelo interior do Piauí e do Maranhão, vi muita gente que havia trocado a bicicleta e o jegue pela moto e se aventurava, tarde na vida, a conhecer a região. Uma guia que me atendeu em São Raimundo Nonato, no Piauí, tinha mais de 40 anos e pela primeira vez saia da cidade para viajar. Essa mobilidade geográfica simultânea de milhões de pessoas certamente tem impacto social e econômico ainda pouco avaliado.
Diário de notícias (SP): Internet chega a 41% dos domicílios brasileiros Um estudo divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) indica que 40.8% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet.Com alcance maior no Sudeste (51,5%), seguido por Sul (42,9%), Centro-Oeste (40,7%), Nordeste (29,2%) e Norte (20,7%). Essa edição da pesquisa domiciliar Sips (Sistema de Indicadores de Percepção Social) trata de serviços de telecomunicações – não há como comparar com levantamentos anteriores, pois os temas abordados eram outros. O estudo foi realizado em 3.809 domicílios de 212 municípios, durante junho de 2013. A margem geral de erro é de 1.34%, e a distribuição de respondentes por região reflete a proporcionalidade nacional. Em todo o país a forma mais comum de acesso residencial é a internet banda larga via estrutura de TV a cabo (32.8%). Na sequencia aparecem conexões via linha telefônica (23%), modem de telefonia móvel (18,3%), satélite (10,6%), rádio (10,2%), linha discada (1,5%) e outros (3,6%). Mais da metade dos entrevistados (55,2%) paga mensalmente entre R$ 31 e RS 70 pelo acesso. Cerca de 12,8% investem ate RS 30; 10,3% desembolsam de RS 71 a RS 100; 3.9% pagam de RS 101 a RS 150 e apenas 0,9% dos respondentes gastam mais de R$150. Entre os respondentes, 69,1% têm uma percepção positiva do serviço de internet residencial. Na divisão por tipo de acesso, a TV a cabo teve a melhor avaliação (78,4% positiva), enquanto o acesso via modem de telefonia móvel teve a pior (positivo para 60,9%). O levantamento também traz resultados sobre a telefonia móvel, considerando os domicílios pesquisados (e não o uso individual desses aparelhos). A conclusão é que 15,5% das residências brasileiras nãoo têm nenhum morador que utilize telefone celular. Nas demais casas, 78,6% têm somente moradores adeptos ao pré-pago, 2% apresentam usa exclusivo do pós-pago e 3,9% registram as duas modalidades. Em 38,1 % das residências pesquisadas, ao menos uma pessoa acessa a internet usando o celular. "A percepção da qualidade dos serviços de telefonia móvel aparentemente não com os relatos de reclamações nos institutos de defesa do consumidor. A avaliação d: serviços de telefonia móvel é positiva [para 65,5% dos respondentes”, diz o relatório.
Alagoas 24 horas (AL): Doenças de fácil prevenção têm relação com desenvolvimento da criança Em outubro de 2011, o economista e filósofo Eduardo Giannetti apontava como um dos principais problemas da educação básica brasileira a má formação neurológica de crianças por causa de doenças nos primeiros anos de vida. Entre os motivos, o saneamento básico precário de várias cidades brasileiras. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) do Ministério das Cidades, 53,8% da população brasileira não possui serviço de coleta de esgoto. Os pesquisadores do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) Paulo Roberto Corbucci e Eduardo Luis Zen publicaram, recentemente, estudo que relaciona fatores externos - entre eles o saneamento básico - com os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), citado por eles no material como principal indicador de desempenho do sistema educacional brasileiro. O estudo considerou os índices de abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo na comparação com os resultados no Ideb. Nos três casos, observou-se redução nos índices de educação baixos (menos de quatro pontos) de acordo com o aumento da presença dos serviços nos municípios. Na tabela de esgotamento sanitário, por exemplo, a proporção de Idebs baixos e médio-inferiores (entre quatro e cinco pontos) atinge 73% do total quando a incidência do serviço foi menor que 50%. Para Corbucci, o estudo sugere que as condições sociais têm impacto maior que a estrutura interna das escolas analisadas pela pesquisa, como presença de bibliotecas, laboratórios de informática e ciências e infraestrutura pedagógica. "Mostra que é um equívoco investir só na escola. O segredo é a agregação de políticas públicas, de forma matricial e sistêmica. Na verdade, as políticas afetam umas às outras", diz. A pesquisadora Anne Jardim Botelho, em sua tese de mestrado, abordou o tema utilizando dados sociais, cognitivos e de saúde de 210 crianças, com idades entre 7 e 11 anos, residentes em Americaninhas, comunidade rural de Minas Gerais. Segundo o estudo, crianças afetadas por doenças como a ascaridíase e "amarelão", decorrentes de problemas de saneamento básico da região, apresentaram piores resultados em testes aplicados. "Essas doenças são de fácil prevenção. São contraídas pela ingestão ou penetração na pele, através do solo ou de alimentos contaminados". Anne explica que as doenças podem afetar a formação escolar por dois mecanismos básicos. "Há prejuízo nutricional, alguns vermes se apropriam de nutrientes, principalmente calorias, vitaminas e minerais. Pode causar, inclusive, anemia. Isso afeta a boa formação do sistema nervoso e o desempenho cognitivo". O segundo ponto negativo seria a dificuldade de aprendizado gerada pelos sintomas. "Crianças com alta carga parasitária se sentem cansadas, apáticas, indispostas e sonolentas. Elas acabam perdendo o interesse nos processos escolares, faltam mais à aula". Quanto mais cedo pior Em artigo publicado em seu site, o médico Dráuzio Varella afirma que quadros de diarreia (sintoma comum relacionado a essas doenças) frequente durante os cinco primeiros anos de vida podem privar o cérebro das calorias necessárias para o desenvolvimento pleno e comprometer para sempre o quociente intelectual (QI). De acordo com ele, 87% das calorias ingeridas por recém nascidos são utilizadas na construção do cérebro. O número decai conforme a idade: 44% aos cinco anos e 34% aos dez, por exemplo. Citando os mesmos 87% para crianças de zero a dois anos, Giannetti afirma que essa informação deveria estar no centro do projeto de futuro do Brasil: o País não estaria sabendo resolver um problema de agenda social do século XIX e, assim, condenando parte da população brasileira ao fracasso intelectual. Anne defende investimentos na área de saneamento como uma das necessidades básicas para melhorar a educação básica, juntamente com a nutrição adequada de crianças. Até o final de 2014, o Instituto Trata Brasil promete lançar "estudo aprofundado que relaciona problemas de saneamento básico e educação", conforme o presidente executivo da instituição, Édison Carlos. O projeto é desenvolvido em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Folha de Pernambuco (PE): Número de telefones fixos no Brasil cai enquanto aumenta acesso à internet Um em cada dez residências não utiliza nenhum dos serviços de telecomunicações Por Danilo Aguiar No Brasil, mais de 70% da população adquire em separado serviços como internet, telefonia fixa e móvel e TV por assinatura, enquanto somente 19,7% têm esses serviços em pacotes combinados. Os dados constam na pesquisa divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Governo Federal. O pacote mais procurado é o que une telefonia fixa e banda larga. Das famílias entrevistadas, cerca de 46% não têm telefone fixo, demonstrando a caída no uso da modalidade. Desse número, a maioria fez a substituição do fixo pelo telefone celular - apesar de 25% deles afirmar não poder pagar os serviço de telefonia fixa. Segundo o Instituto, as redes celulares são vistas com o pior desempenho (65,5% de aprovação), vindo após a internet (69,8%), telefonia fixa (72,9%) e televisão paga (87,2%). Um em cada dez residências não utiliza nenhum dos serviços de telecomunicações. É possível que esses domicílios fiquem zona rural ou à margem de cidades-metrópole. Dentro desse quadro, a internet chegou a apenas 40,8% das residências brasileiras, onde a região Sudeste tem o maior número de acessos (51,5%), em segundo o Sul (42,9%), depois o Centro-Oeste (40,7%), Nordeste (29,2%) e Norte (20,7%). Dados A pesquisa do Ipea, chamada de "Sistema de Indicadores de Percepção Social: serviços de telecomunicação" analisou moradores de mais de 3.800 domicílios em 212 cidades espalhadas pelo País. da Federação.
Valor Econômico (SP): O que move nosso país Por Helio Mattar A mobilidade urbana é um dos temas prioritários da agenda em prol de uma sociedade do bem-estar com estilos mais sustentáveis de vida. Cidades onde o deslocamento de seus moradores é feito por meio de serviços de transporte e infraestrutura de má qualidade geram impactos negativos em todos os aspectos: social, ambiental, econômico e individual. Do ponto de vista social, impossibilita uma melhor qualidade de vida, seja pelo enorme tempo de deslocamento, seja pela falta de conforto no transporte coletivo e de massa. Do ponto de vista ambiental, o modelo de transportes urbanos é de baixa eficiência energética, com alta emissão de carbono - contribuindo para as mudanças climáticas - e alta geração de poluentes, trazendo prejuízos à saúde de todos. Visando explorar melhor os aspectos econômicos e individuais, o Instituto Akatu combinou os dados de sua última pesquisa "Rumo à Sociedade do Bem-Estar" com os dados do Ipea - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - e do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -, chegando a impressionantes impactos negativos decorrentes da imobilidade que tomou conta dos grandes centros urbanos. Há uma perda de autonomia na definição de como usar o próprio tempo, um bem precioso para o indivíduo Segundo o Ipea, o tempo médio gasto em deslocamento nas nove regiões metropolitanas (Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Brasília) é de 82 minutos. Caso esses 82 minutos diários fossem zerados e convertidos em horas trabalhadas, teríamos um ganho de produção de R$ 300 bilhões ao ano, o que representa 7,3% do PIB brasileiro. Obviamente, o deslocamento zero não é viável. Considerando como razoável um gasto de até 30 minutos por dia para ir e voltar do trabalho, apenas 26% da população, segundo a pesquisa do Akatu, tem este privilégio. Se a totalidade dos trabalhadores nas regiões metropolitanas tivesse o tempo médio de deslocamento reduzido de 82 para 30 minutos, e se os 52 minutos economizados fossem convertidos em horas trabalhadas, teríamos um ganho de produção de R$ 200 bilhões ao ano, equivalentes a mais de 5% do PIB brasileiro. O mais provável é que os 52 minutos economizados não sejam convertidos em horas trabalhadas, mas sim em horas de lazer, com a família, com os amigos, com o desenvolvimento pessoal, o que aumentaria muitíssimo a qualidade de vida dos trabalhadores. De outro lado, um cidadão desgastado pelo longo deslocamento em sistemas de transporte com má qualidade chega ao trabalho já cansado e, por isso, acaba produzindo menos. Um gasto menor de tempo de deslocamento não significa mais horas de produção, mas certamente significa maior produção nas horas trabalhadas. O Akatu usou a hipótese de que uma pessoa que gasta de 30 a 60 minutos por dia para ir e voltar do trabalho teria uma perda de produtividade de 2,5% em relação a pessoas que gastam menos de 30 minutos. E usou uma segunda hipótese para o tempo gasto no deslocamento de mais de 60 minutos, em que considerou uma perda de 5% na produtividade. Com essas hipóteses, a perda estimada de produção chega a R$ 90 bilhões ao ano, nas 9 regiões metropolitanas estudadas, chegando a 5% do PIB dessas regiões e a 2,5% do PIB brasileiro. O tempo "economizado" com uma melhor mobilidade urbana poderá retornar em qualidade de vida para cada cidadão. Pode ser convertido em práticas de cuidado consigo próprio, pelo maior tempo para praticar exercícios, para dormir, para o lazer, e para atividades de desenvolvimento pessoal e profissional. A pesquisa do Akatu mostra que a felicidade para o brasileiro envolve, prioritariamente, saúde (66%), convívio social (60%), qualidade de vida (36%) e profissão e estudos (27%). Quanto mais tempo disponível para si mesmo e menos estressante for a ida e volta do trabalho, mais feliz o brasileiro será. Considerando o tempo médio de deslocamento levantado pelo Ipea, os 82 minutos diários equivalem a quase 6 anos de uma vida produtiva, tempo suficiente para cursar uma faculdade. Caso o tempo médio fosse reduzido de 82 minutos para 30 minutos, a economia seria então de 1 mês e 1 semana em um ano, ou 3,5 anos em 35 anos. Já imaginou o que significaria para uma mãe ou um pai poder acompanhar em casa os primeiros 3,5 anos de seu filho? Ou acompanhar em meio período os primeiros 7 anos de seu filho? Se, do ponto de vista ambiental, a questão central da mobilidade é a eficiência energética, do ponto de vista econômico refere-se à perda de produção. Se, do ponto de vista social, salta aos olhos a perda de qualidade de vida da população em geral, do ponto de vista individual há uma perda de autonomia na definição de como usar o tempo, talvez o bem mais precioso para um indivíduo. O tempo é totalmente perecível, no sentido que só pode ser usado uma única vez, sendo uma verdadeira tragédia não poder escolher como usar o próprio tempo. Se os governos investirem em modelos eficazes e eficientes de mobilidade urbana, todos ganham em qualidade de vida e em produtividade econômica. É urgente que isso seja feito com coragem política para tomar as decisões necessárias. Os resultados da pesquisa realizada pelo Instituto Akatu mostram que a população das regiões urbanas preferem com nota 8, em uma escala de 0 a 10, a mobilidade com rapidez, conforto e segurança, em relação a ter um carro próprio, que recebeu nota 4. É isso mesmo: 8 a 4 em favor da mobilidade em vez do transporte com carro próprio. Os cidadãos percebem com clareza que cidades com maior mobilidade permitirão sociedades mais felizes para todos. Seria bom que os governantes levassem esse fato em consideração em suas decisões. O que mais deveriam considerar que não fosse o interesse de todos?
Valor Econômico (SP): A doutrina da azeitona Por David Kupfr Gradativamente, a indústria brasileira vai se ajustando ao quadro macroeconômico extremamente desafiador que se cristalizou nos últimos anos. A medida que as estatísticas do ano passado vão sendo divulgados e análises mais aprofundadas começam a vir a tona, percebe-se que, ao fim e ao cabo, o ano de 2013 não foi perdido. Muito além de um crescimento do PIB de apenas 2,3% - embora até razoável em comparação com o de outros países emergentes na difícil conjuntura mundial do período, sem dúvida frustrante em relação às expectativas - o ano passado mostrou mudanças positivas na trajetória de algumas importantes variáveis da cena industrial. Dentre as variáveis que apresentaram inflexão em 2013 e passaram a apontar para uma direção mais favorável cabe destacar os custos industriais e a produtividade. Após muitos anos, o indicador de custos industriais calculado pela CNI expandiu-se em ritmo inferior aos preços industriais, provocando um bem-vindo alívio na rentabilidade da produção. Parcela importante desse comportamento deve-se à queda dos custos de insumos intermediários, com destaque para a energia. Já o custo com pessoal apresentou crescimento de 7,5%, ainda que quando medido em dólares (relação câmbio-salário) o rendimento médio do trabalho na indústria tenha ficado 2,5% abaixo do nível verificado em 2012. Quanto à produtividade da indústria, em 2013 constatou-se um crescimento de 2,4%, em consequência de um aumento de 1,3% na produção e de uma queda de 1,2% no número total de horas pagas, de acordo com o IBGE. Apesar de insuficiente para compensar a estagnação acumulada nos dois anos anteriores, essa melhora na produtividade, juntamente com a desvalorização cambial, possibilitou que o indicador de custo salarial unitário da economia (remuneração em dólares paga para a obtenção de uma quantidade de produto, ajustada pela produtividade) recuasse 3,8% de janeiro a novembro de 2013. A interrupção da ascensão que vinha sendo exibida pelo indicador desde 2004 certamente deverá ajudar na recuperação da competitividade da indústria no corrente ano. Aqui é interessante alargar o período de observação. De acordo com a metodologia do Banco Central, ao final de 2004 o custo salarial unitário da economia brasileira estava em um nível quase 40% inferior ao de junho de 1994, no imediato pós-real. Isso significa que uma parcela significativa do crescimento dos salários à frente da produtividade ocorrido entre esses anos correspondeu, de verdade, a uma recomposição da remuneração do trabalho, provavelmente corroída pela inflação alta e crônica do período anterior. Tanto é assim que, tomando-se essa base em junho de 1994, ao final de 2008 os custos salariais haviam acumulado um aumento de 3,4% em 14 anos, montante que, em nenhuma hipótese, pode ser considerado como uma trajetória explosiva de crescimento. No entanto, após a grande crise de 2008 os números ganharam contornos diferentes. Em vista dos efeitos conjugados da revalorização cambial, da estagnação da produtividade e do forte aquecimento do mercado de trabalho, especialmente dos serviços, o custo salarial unitário iniciou uma verdadeira escalada que provocou um aumento acumulado de mais de 40% em apenas quatro anos. É exatamente a reversão dessas três condições adversas, com a desvalorização cambial, a retomada da produtividade e o esfriamento do mercado de trabalho ocorridos em 2013 que justifica a melhora no quadro esperado para o futuro próximo. Especificamente sobre o fôlego da retomada da produtividade, pesquisas recentes com empresários (CNI, Ipea) mostram que a ampla maioria dos entrevistados considera que a produtividade da sua empresa vem aumentando. Segundo, por exemplo, o Radar Ipea nº 41, de fevereiro de 2014, com referência aos últimos cinco anos, 68% das empresas estão nesse caso. Contrastado com o indicador agregado de produtividade que, ao contrário, mostra estagnação nesse período, fica um paradoxo a ser esclarecido: como ações individuais de busca de produtividade, consideradas bem-sucedidas da porta da fábrica para dentro, podem coexistir com um resultado agregado claramente tão pouco satisfatório. A explicação desse paradoxo requer uma reflexão sobre a economia política da produtividade no Brasil. Ainda de acordo com a mesma pesquisa, o principal obstáculo ao incremento da produtividade na opinião das empresas respondentes é a baixa qualificação da mão de obra. Em segundo lugar está a baixa escala de produção. O terceiro fator mais importante é o mau desempenho dos fornecedores em termos de prazo e de confiabilidade. Enfim, todos fatores externos à empresa. Somente depois desses aparecem a falta de investimento em inovação, a baixa qualidade dos equipamentos utilizados e os métodos de gestão inadequados, quer dizer, fatores que estão sob a esfera direta de atuação das próprias empresas. A produtividade é a azeitona na empada da produção. E, como ensina a sabedoria popular, ninguém coloca a sua azeitona na empada do outro. De acordo com o Dieese, com base nas Contas Nacionais do IBGE, em 2009 apenas 20% das ocupações pertenciam a setores com níveis de produtividade superiores à média da economia e, ainda, apenas 4% dos trabalhadores estavam em setores com o dobro ou mais do que essa média. Esse padrão tão desigual de geração de valor é o grande problema a ser enfrentado. E essa é uma empreitada coletiva, envolvendo capital e trabalho, que não conseguirá avançar sem que se construa um pacto social capaz de ordenar a forma como os ganhos de produtividade venham.

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