Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Inflação é menor para famílias de renda mais baixa pelo sexto mês consecutivo em novembro

Helio Montferre/Ipea

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda referente a novembro revela que, pelo sexto mês seguido, a inflação se mostrou mais amena para as famílias de menor poder aquisitivo. Os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta quarta-feira (13) indicam que a inflação de 0,20% observada nas três faixas de renda mais baixas em novembro foi significativamente inferior à registrada na classe de renda alta (0,58%).

Nesse contexto, a variação acumulada no ano para as famílias de renda muito baixa (2,6%) segue sendo menos da metade da taxa acumulada para as famílias de renda alta (5,6%). Ao longo dos últimos doze meses, os dados apontam um resultado semelhante, embora com menor discrepância. Enquanto a taxa de inflação para os domicílios da classe muito baixa é de 3,4%, as famílias de maior renda tiveram uma variação de preços de 6,1%, conforme a tabela abaixo:

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A desagregação por grupos revela que o principal fator de pressão inflacionária para as classes de renda mais baixas, em novembro, veio do grupo de “alimentos e bebidas”. As altas do arroz (3,7%), feijão-preto (4,2%), batata (8,8%), cebola (26,6%), carnes (1,4%) e aves e ovos (0,53%) explicam esta contribuição positiva dos alimentos para a inflação das famílias brasileiras, especialmente as de renda menos elevada. Ainda que em menor intensidade, essas famílias também foram influenciadas pelo grupo "habitação", sobretudo por conta da alta de 1,1% nas tarifas de energia elétrica. Essa alta inclusive anulou o alívio inflacionário vindo do recuo dos preços de artigos de limpeza (-0,53%).

Ao contrário das famílias mais ricas, as de menor poder aquisitivo tiveram uma descompressão inflacionária dos grupos “transporte” e “saúde e cuidados pessoais”. Esses domicílios foram beneficiados pelas quedas nos preços das tarifas de ônibus urbano (-1,2%), dos combustíveis (-1,6%) e dos artigos de higiene pessoal (-0,95%).

Para a faixa de renda alta, o maior impacto inflacionário de novembro veio da alta de 19,1% dos preços das passagens aéreas e de 0,76% dos planos de saúde. Adicionalmente, o grupo "despesas pessoais" também pressionou de forma significativa a inflação dessas famílias, devido aos reajustes dos serviços pessoais (0,41%) e de recreação (0,94%).

A comparação com novembro do ano passado revela uma desaceleração da inflação para todos os níveis de renda pesquisados, com exceção do segmento de renda alta. No que diz respeito às classes de renda mais baixas, a melhora da inflação é visível pelo desempenho favorável dos combustíveis e dos artigos de vestuário e limpeza, cujas variações de -1,6%, -0,35% e -0,53%, respectivamente, registradas em 2023, ficaram bem abaixo das observadas no mesmo período de 2022 (3,0%, 1,1% e 1,2%).

No que diz respeito às famílias de renda mais elevada, a alta mais intensa da inflação em novembro de 2023, comparativamente a novembro de 2022, veio, sobretudo, da piora no desempenho das passagens aéreas e dos serviços de recreação, cujas variações de 19,1% e 0,94%, este ano, contrastam fortemente com as apuradas no ano anterior (-9,8% e 0,34%, respectivamente).

Após a incorporação do resultado de novembro de 2023, apenas a classe de renda alta não registrou desaceleração da sua curva de inflação acumulada em doze meses. Em termos absolutos, as famílias de renda muito baixa são as que apresentam a menor taxa de variação no período (3,4%), enquanto a mais elevada está no segmento de renda alta (6,1%).

Acesse a íntegra do indicador 

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Proposta para uma nova modalidade de concessão do seguro desemprego no Brasil foi o assunto do Seminário das Quintas desta quinta-feira (07/12). O encontro contou com a presença de especialistas que discutiram o estudo sobre a inovações no cenário trabalhista do país. O evento pode ser assistido na integra no canal de youtube do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Mário Magalhães, especialista em políticas públicas e gestão governamental, apresentou o trabalho que propõe uma nova modalidade de concessão do seguro-desemprego, trazendo benefícios para trabalhadores, empresas e o governo. Magalhães acredita que o momento político é oportuno para o debate, devido ao "novo perfil da gestão do Ministério do Trabalho". O especialista explicou que essa é uma ideia antiga que vem desenvolvendo ao longo do tempo.

O mediador do evento, José Aparecido Ribeiro, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, promoveu a interação entre os participantes. O debatedor convidado foi Miguel Foguel, técnico de planejamento e pesquisa, que elogiou bastante os avanços apresentados pela proposta.

A proposta destaca uma modalidade revolucionária na concessão do seguro-desemprego, permitindo que os trabalhadores sejam reempregados sem perder o benefício, mediante a assinatura de um Contrato Prévio de Capacitação (CPC) com um novo empregador. O CPC terá duração mínima de um mês e máxima de cinco meses, correspondendo ao número de parcelas restantes do seguro-desemprego formal. A capacitação será feita a critério do empregador, seja por meio de cursos ou treinamento em serviço. O pagamento das parcelas do seguro-reemprego será feito junto com a remuneração do trabalhador, escalonando a divisão entre o governo e a empresa.

A regulamentação do seguro-reemprego estabelecerá critérios conforme a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) de contratação, buscando garantir a qualificação necessária para as diferentes ocupações. A proposta visa incentivar a capacitação profissional, reduzindo custos para o governo e as empresas. Entre os atributos esperados está o aumento da capacitação profissional, redução de despesas com o seguro-desemprego, fomento ao investimento em qualificação e mudança na atitude dos empresários em relação ao fator humano em seus negócios.

Apesar dos benefícios apresentados, a implementação do seguro-reemprego enfrenta desafios, como a necessidade de as empresas se adaptarem a políticas de qualificação e a possível resistência de alguns trabalhadores. Pontos críticos incluem o equilíbrio entre estímulo ao reemprego e qualificação, a duração do período de fidelização do vínculo e o possível impacto nos serviços públicos de emprego.

As estimativas apontadas no estudo indicam um impacto positivo na qualificação profissional, com potencial aumento de investimento em cursos. A adesão ao seguro-reemprego poderia gerar uma conversão significativa de parcelas do seguro-desemprego, promovendo benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. A proposta visa transformar o cenário trabalhista brasileiro, incentivando a qualificação e reduzindo despesas governamentais. É fundamental considerar cuidadosamente a implementação, ouvindo os principais interessados e ajustando a proposta conforme as necessidades do mercado.

O evento do Ipea proporcionou uma discussão rica e aberta sobre a proposta, inovadora em diversos aspectos, destacando a importância de repensar a relação entre trabalhadores, empresas e governo. O seguro-reemprego se apresenta como uma potencial solução para desafios do mercado de trabalho brasileiro, promovendo a capacitação e o crescimento profissional, ao mesmo tempo que qualifica a mão de obra do país.

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Briga de família e desemprego são os motivos mais citados por pessoas em situação de rua para explicar sua circunstância

Helio Montferre/Ipea

Problemas familiares e desemprego são as razões mais apontadas por pessoas em situação de rua para explicar sua circunstância. A exclusão econômica, dimensão que envolve o desemprego, a perda de moradia e a distância do local do trabalho, é citada por 54% das pessoas. Problemas de saúde – particularmente, mas não somente, aqueles relacionados à saúde mental – são apontados por 32,5%. A fragilização ou ruptura de vínculos familiares é citada por 47,3% e lidera a estatística que leva em consideração somente motivos individuais. O levantamento apresenta os valores absolutos e os percentuais das causas autodeclaradas de situação de rua. Essas causas não são excludentes, por isso os percentuais somam mais de 100%.

Levando em consideração somente motivos individuais, além da liderança dos problemas com familiares e companheiros (47,3%), aparecem razões como desemprego (40,5%), alcoolismo e outras drogas (30,4%), perda de moradia (26,1%), ameaça e violência (4,8%), distância do local de trabalho (4,2%), tratamento de saúde (3,1%), preferência ou opção própria (2,9%) e outros motivos (11,2%). Entretanto, é importante notar que as causas para a situação de rua no Brasil podem ser organizadas em três dimensões: a exclusão econômica, envolvendo a insegurança alimentar, o desemprego e déficit habitacional nos grandes centros; a fragilização ou ruptura de vínculos sociais, particularmente vínculos familiares e comunitários, por meio dos quais essas pessoas poderiam ser capazes de obter acolhimento em situações de dificuldade; e os problemas de saúde – particularmente, mas não somente, aqueles relacionados à saúde mental.

Os resultados são parte de uma série de dados presentes no texto para discussão “A população em situação de rua nos números do Cadastro Único”, de autoria do especialista em políticas públicas e gestão governamental da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marco Natalino, divulgado nesta segunda-feira (11). O trabalho analisa os dados sobre a população em situação de rua disponíveis no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (Cadastro Único ou CadÚnico), apresentando um perfil desse público.

A dimensão econômica se manifesta em três motivos elencados entre os motivos individuais: desemprego, perda de moradia e distância do local de trabalho. Por isso, quando conjugados, essa dimensão aparece como a principal razão dada por pessoas em situação de rua para falar sobre sua circunstância. É comum que as três dimensões usadas para organizar os dados se manifestem ao mesmo tempo. Por exemplo, metade daqueles que alegam motivações ligadas à saúde também apontam razões familiares para a situação de rua e 44% deles acrescentam motivações econômicas. Entre aqueles que falam em problemas familiares, 42% também têm motivações econômicas como causa de sua situação de rua e 34% relatam motivos de saúde.

A análise mostra também que o tempo de permanência na rua está fortemente associado ao motivo para a situação de rua. Os problemas familiares estão associados a um tempo de permanência a maior. Isso ocorre também com os motivos relacionados à saúde, em especial pelo uso abusivo de álcool e outras drogas. Por outro lado, razões econômicas, como o desemprego, estão associadas a episódios de rua de mais curta duração. No agregado, 33,7% da população em situação de rua está nesta condição pelo período de até 6 meses, 14,2% entre seis meses e um ano, 13% entre um e dois anos, 16,6% entre dois e cinco anos, 10,8% entre cinco e 10 anos e 11,7% há mais de 10 anos.

O estudo dos dados realizado por Natalino revela que 70% da população em situação de rua mora no mesmo estado em que nasceu. Além disso, embora as mulheres sejam somente 11,6% da população adulta em situação de rua, representam 35% das responsáveis familiares entre a parcela que vive com as famílias nessas circunstâncias. Mesmo entre os inscritos no Cadastro Único, 24% não possuem certidão de nascimento. Entre os adultos, 29% não têm título de eleitor e 24% não possuem carteira de trabalho. Apenas 58% das crianças e adolescentes de 7 a 15 anos e em situação de rua frequentam a escola. Pelo menos 69% da população adulta em situação de rua realiza alguma atividade para conseguir dinheiro, mas apenas 1% tinha um emprego com carteira assinada.

A maioria da população em situação de rua (68%) se declara negra. Os autodeclarados brancos são 31,1%. O número médio de anos de escolaridade entre os negros em situação de rua (6,7 anos) é menor que entre os brancos (7,4 anos). Sobre a circulação no território urbano, o Formulário PopRua informa onde a pessoa costuma dormir e com que frequência semanal. Aqueles que costumam dormir na rua com alguma frequência são 58%. Um terço costuma dormir em albergues com alguma frequência. Pouco mais de 3% costumam dormir em domicílios particulares, e 12% costumam dormir em outros espaços que não se enquadram entre os anteriores.

O objetivo do estudo é, ao apresentar um diagnóstico atual da situação, colaborar com o aprimoramento das políticas públicas voltadas à população em situação de rua. Em 25 de julho, o Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu uma medida cautelar, em resposta à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 976. Nela, determina a necessidade de elaboração, por parte do governo federal, de um plano de ação e monitoramento para a efetiva implementação da Política Nacional para a População em Situação de Rua e determina que tal plano se baseie em um diagnóstico desse público.

A publicação apresenta informações sobre as causas da situação de rua, o tempo de permanência na rua, as migrações, as áreas de circulação e permanência, os vínculos familiares, a participação em associações da sociedade civil e em atividades comunitárias, raça/cor, as pessoas com deficiência e em situação de rua, sexo, idade, acesso à documentação, à saúde e a benefícios sociais, escolaridade, trabalho e geração de renda.

Das 96 milhões de pessoas presentes no CadÚnico, em agosto de 2023, 227 mil estavam oficialmente registradas como em situação de rua. Esse número não pode ser considerado como um censo oficial da população de rua. A pesquisa destaca a complexidade do problema, que entre diversas dimensões, dificulta inclusive um levantamento fidedigno dos números totais de pessoas nessa circunstância. A pesquisa apresenta um método para a análise dos dados do Cadastro Único para esse público - incluindo dados de painel longitudinal - que pode ser replicado para outros públicos. Esses dados em painel podem, no futuro, permitir a análise individualizada dos percursos que levam as pessoas à situação de rua, bem como dos percursos que levam uma pessoa em situação de rua para um domicílio.

O texto para discussão serve de subsídio às políticas públicas voltadas para a sociedade e órgãos de Governo. Nesta mesma data, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) lançou o Plano de Ação e Monitoramento para Efetivação da Política Nacional para a População em Situação de Rua, entregue pelo governo federal ao STF no dia 27 de novembro. Em setembro, o Ipea e o MDHC, através de um acordo de cooperação, lançaram o “Guia Inclua – Pop Rua”, uma Avaliação de Riscos de Desatenção, Exclusão ou Tratamento Inadequado da População em Situação de Rua. O guia também abasteceu o governo federal com dados para elaboração do plano.

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Crescimento dos estabelecimentos religiosos no país é liderado por igrejas pentecostais e neopentecostais

Divulgação


Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado nesta quinta-feira (07), revela um surpreendente crescimento dos estabelecimentos religiosos no Brasil nos últimos 20 anos. Entre os 124.529 estabelecimentos existentes no país em 2021, 52% são evangélicos pentecostais ou neopentecostais, liderando o resultado, seguidos por 19% evangélicos tradicionais e 11% de católicos. Entre os evangélicos pentecostais, a Assembleia de Deus é a que possui o maior número de estabelecimentos, 14%. Apenas 8% dos estabelecimentos não puderam ser identificados, pois grande parte é composta por associações comunitárias, beneficentes ou educacionais.

A nota técnica, intitulada "Crescimento dos Estabelecimentos Evangélicos no Brasil nas Últimas Décadas", é de autoria de Fernanda De Negri, diretora de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação e Infraestrutura (Diset) do Ipea, Weverthon Machado, pesquisador de pós-doutorado na Utrecht University, e Eric Jardim Cavalcante, pesquisador bolsista na Diset. O estudo destaca uma notável tendência de crescimento, tanto em números absolutos quanto na dispersão geográfica em todo o território brasileiro. O avanço tem sido especialmente marcante no interior do país nos últimos anos, representando uma mudança significativa em relação ao crescimento anterior concentrado nas grandes cidades.

Em 2000, cerca de 15,4% da população brasileira se identificava como evangélica, número que subiu para aproximadamente 22,2% em 2010, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa ascensão é atribuída, em parte, à migração para áreas urbanas, onde a oferta de igrejas e eventos religiosos é maior. Além disso, as mudanças sociais e econômicas, como a urbanização acelerada e as desigualdades socioeconômicas, contribuíram para essa expansão, conforme destaca o estudo.

Os pesquisadores observam ainda uma tendência interessante, revelando que o crescimento das igrejas evangélicas não está limitado apenas às grandes cidades. Houve um aumento notável no número de estabelecimentos em áreas rurais e municípios menores, indicando uma interiorização das instituições religiosas.

"Houve um processo muito intenso de interiorização desses estabelecimentos no país ao longo dos últimos anos", conclui De Negri. Por fim, a pesquisa concluiu que o fenômeno evangélico no Brasil não é apenas um crescimento exponencial, mas também uma notável disseminação geográfica. O levantamento é a partir da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Acesse a íntegra da nota técnica

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Boletim Radar aponta desafios para o Brasil construir um futuro produtivo e sustentável

Diante dos desafios socioambientais que se apresentam para toda a humanidade, a edição temática nº 74 do Boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior, lançada nesta quinta-feira (07/12) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), tem como foco a "produção do futuro". Composto por cinco artigos, o Radar fomenta o debate sobre temas cruciais, como cidades inteligentes, Green Bonds, hidrogênio verde, micro e pequenas empresas, e a evolução do emprego de novos doutores no setor privado no Brasil.

Esta publicação é a primeira de uma série da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Ipea, em um projeto transversal e estruturante, que tem por objetivo traçar o tecido produtivo de um país em frente aos desafios para uma produção industrial.

O técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e editor desta edição do Radar, Mauro Oddo Nogueira, comenta que “o principal desafio para se pensar numa produção sustentável no Brasil é a histórica desigualdade socioeconômica do país. Ele enfatiza a necessidade de repensar o tecido produtivo brasileiro, considerando os três pilares da sustentabilidade: crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental”, disse.

A publicação explora o papel que o Estado brasileiro deve desempenhar e as políticas públicas necessárias para conduzir o país para uma transformação e um futuro melhor. “Esse é um desafio histórico do Brasil, que ao longo de seus 500 anos vem reproduzindo e ainda não conseguiu encontrar um caminho para superar de uma forma consistente. Isso acaba indo de encontro aos outros dois objetivos”, disse Nogueira.

Segundo Nogueira, a desigualdade social, tem impactos também no desenvolvimento econômico e de certo modo tem impactos também na preservação ambiental. “Nos estratos de baixa renda, que têm um imediatismo de sobrevivência, pensar em preservação do planeta, do médio para longo prazo, para quem precisa pensar em comer hoje, é um debate complicado. Então, esse é o grande desafio”, destacou.

Os cinco estudos da nova edição do Radar definem caminhos para superação desses desafios, contribuindo com o debate sobre desenvolvimento sustentável em temas específicos. O primeiro artigo trata do financiamento da indústria renovável e do desenvolvimento sustentável, apresentando uma proposta baseada nos Green Bonds, os chamados títulos verdes, que oferece uma análise de como financiar essa produção do futuro. O segundo artigo fala especificamente da questão energética, discutindo como alimentar de energia limpa essa produção, esse aparato produtivo e avalia o papel do hidrogênio verde no país.

O terceiro artigo aborda, de forma sustentável, as tecnologias digitais aplicadas e utilizadas nas cidades inteligentes, incorporando o conceito de sustentabilidade em seu sentido amplo. Isso inclui a inclusão social com qualidade de vida, a preservação ambiental e a construção de infraestrutura, com foco no desenvolvimento sustentável.

O quarto artigo trata das pequenas empresas, que, do ponto de vista da estrutura produtiva, talvez sejam o maior desafio. Isso porque são as empresas que se concentram no estrato mais baixo da produtividade, nos estratos de menor desenvolvimento tecnológico e de menor disponibilidade financeira. Nesse contexto, a agenda do desenvolvimento sustentável enfrenta mais dificuldades para superar obstáculos e ser difundida. O desafio é como levar essa agenda a esse universo de milhões de pequenas empresas, de baixíssima produtividade, e como reverter esse quadro. Esse artigo trata dos serviços empresariais, voltados à capacitação dessas empresas, para que possam se adequar à produção do futuro.

A nova edição do Radar aborda ainda o mercado de trabalho. No estudo, que parte da premissa de que a produção do futuro precisa e envolve tecnologias cada vez mais sofisticadas, considera-se que seu desenvolvimento pressupõe que novas vagas sejam abertas com emprego intensivo de tecnologias sofisticadas que precisam de capital humano e de profissionais altamente capacitados, que dominem ferramentas tecnológicas e que sejam capazes de desenvolver e aplicar conhecimentos de fronteira. Esse estudo avalia como o mercado de trabalho privado do Brasil vem tratando os profissionais mais qualificados, aqueles com formação de doutores.

Nogueira destaca ainda que a nova edição do Radar busca definir caminhos para a superação desses desafios e visa apoiar o governo federal na elaboração e implementação de políticas públicas, apontando os desafios e soluções práticas para o Brasil construir um futuro produtivo e sustentável, conforme os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.

Acesse a edição temática nº 74 do boletim Radar

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Filhos precisam estudar muito mais para obter mesma posição social dos pais

Helio Montferre/Ipea

Compreender as diferentes dimensões da dinâmica social no Brasil, a estratificação e a mobilidade social brasileira são temas que compõem o livro “Dinâmica Econômica, Mudanças Sociais e Novas Pautas de Políticas Públicas”, lançado nesta quarta-feira (06/12), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A obra, ao longo de seus nove capítulos, busca apresentar uma variedade de trabalhos que abordam os aspectos teórico-metodológicos do uso de tipologias de classes.

Organizado pelos pesquisadores do Ipea, João Cláudio Basso Pompeu, André Rego Viana,Luis Carlos Garcia Magalhães, e Ana Paula Vasconcelos Gonçalves, professora adjunta no Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o livro é resultado de dois anos de pesquisas e debates.

“Uma parte da obra é essencialmente teórica, baseada em uma longa discussão que busca resgatar a importância do uso da estratificação social e das categorias de classe para o debate de política pública no Brasil. Apresenta uma série de estudos de caso que são relevantes a reflexão sobre impactos em diversas políticas públicas”, explicou André Rego Viana.

Viana também ressaltou que as duas visões abordadas pela obra são capazes de compor um cenário abrangente, aprofundando, por meio de análises, a pauta da educação, a questão racial e as repercussões das alterações que ocorrem nas rendas das diferentes classes sociais para quadros políticos diversos.

Educação relativa

O sexto capítulo, intitulado "Fundamentos e Aplicações de uma Tipologia de Classes para o Brasil", do autor André Ricardo Salata, procura argumentar em defesa da relevância e adequação de se considerar a educação como um bem posicional, medindo-a de modo relativo. A ideia central é que o importante não é a quantidade absoluta de educação que o indivíduo possui, mas sim quanto ele obtém em relação aos demais. Nesse sentido, o valor, do ponto de vista do investimento pessoal, da educação alcançada por alguém depende da quantidade de educação que os demais possuem.

Salata conclui que, entre outras coisas, por mais que a expansão educacional possa ter tornado as chances de acesso a determinados níveis de ensino menos desiguais, ela também acaba por enfraquecer a estrutura de oportunidades atrelada àqueles níveis. “É possível, então, que uma das principais consequências da expansão educacional seja não a redução da associação entre classe de origem e escolaridade alcançada, mas sim que os indivíduos precisem acumular cada vez mais anos de estudo, chegar a níveis de ensino cada vez mais altos, a fim de permanecerem na mesma posição social de seus pais, configurando uma verdadeira corrida posicional”, disse.

A primeira parte do livro, os quatro primeiros capítulos, debate os aspectos teóricos e metodológicos que fundamentam a relevância do uso da análise de classes sociais. Essa seção também abrange as limitações desse procedimento para a compreensão de diferentes fenômenos sociais da realidade do Brasil. A segunda parte da obra utiliza a análise de classe para elaborar diagnósticos de diferentes problemas que afetam o bem-estar da sociedade brasileira.

O livro sugere que o conceito de classe, em suas variadas dimensões, permanece importante para a compreensão de muitos fenômenos sociais. “Os mapas de classe posicionais ajudam a descrever e analisar as diversas formas de desigualdades que condicionam o padrão de consumo, o acesso à educação e saúde, as oportunidades de vida dos indivíduos e, ainda, as possibilidades e os limites da ação coletiva para alterar a estrutura de classe na qual se inserem”, afirmam os organizadores da obra em suas considerações finais.

Além dos organizadores da obra e de Salata, assinam também artigos na coletânea Marcela Fernanda da Paz de Souza, Natália Leão, Luiz Rubens Câmara de Araújo, Carla Rodrigues Costa de Araújo, Kolai Zagbaï Joel Yannick, Flavio Carvalhaes e José Alcides Figueiredo Santos.

Os capítulos teórico-metodológicos tratam de temas como: percursos metodológicos dos estudos sobre estratificação social no Brasil (capítulo 1); tipologias de classe aplicadas à realidade brasileira (capítulo 2); procedimentos metodológicos utilizados para a construção da tipologia de classes adotada na pesquisa dinâmica econômica, mudanças sociais e novas pautas de políticas públicas (capítulo 3); e a tipologia ocupacional erikson-goldthorpe-portocarero: uma avaliação analítica e empírica (capítulo 4).

A segunda parte da obra, na seção de aplicações de tipologias de classe, trata dos assuntos: fundamentos e aplicações de uma tipologia de classes para o Brasil (capítulo 5); classe de origem e resultados educacionais: uma análise considerando o caráter posicional da escolaridade (capítulo 6); interações entre origem de classe e raça na transmissão das desigualdades no Brasil (capítulo 7); desindustrialização e mudança na estrutura de classes no Brasil: evidências a partir das pesquisas domiciliares no período 2002-2015 (capítulo 8); e grupos ocupacionais na PNAD Brasil (2002-2015): mudanças e pistas para um mapa de classes a partir da renda (capítulo 9).

Acesse a íntegra do livro ​

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Atlas da Violência estima que mais de 49 mil homicídios deixaram de ser devidamente classificados, entre 2011 a 2021

O Atlas da Violência 2023 , do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, revela que 49.413 mortes deveriam ter sido classificadas como homicídios, mas ficaram fora dos números, entre 2011 e 2021. A estimativa divulgada no Atlas é resultado de análises do Ipea, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo aponta também que, nesse período, o Brasil não conseguiu classificar a contento o conjunto de 126.382 óbitos, que foram registrados como morte violenta por causa indeterminada (MVCI). Essas mortes podem ser tanto decorrentes de acidentes quanto de suicídios ou homicídios, portanto, causas totalmente diferentes entre si.

O Atlas, divulgado nesta terça-feira (05/12) pelo Ipea e pelo FBSP, estima que o número de homicídios ocultos ao ano foi de 4.492 nesses 10 anos. Este índice corresponde à média de homicídios que ocorre anualmente no estado de São Paulo, ou à queda sem sobreviventes de 150 Boeings 787 lotados, em tragédias totalmente invisibilizadas.

O estudo também revela que, entre os anos de 2011 e 2021, 616.095 pessoas foram assassinadas, 47.847 apenas em 2021, conforme os registros oficiais do Ministério da Saúde. Esse número corresponde a uma taxa de 22,4 mortes por 100 mil habitantes.

No recorte por estados, a inclusão dos homicídios ocultos permite identificar quais estados têm maior incidência de homicídios, sendo as Unidades Federativas com maiores populações residentes as responsáveis por 72,5% dos homicídios ocultos do país. São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais lideram neste aspecto.

Os pesquisadores do Atlas alertam que, neste cenário de elevada incerteza sobre intencionalidade dos óbitos, ignorar as MVCI pode influenciar negativamente diagnósticos e formulações de políticas públicas, impedindo intervenções em aspectos sensíveis da sociedade. Os autores consideram também que, se não houvesse o aumento de armas de fogo em circulação entre 2019 e 2021, teria havido 6.379 homicídios a menos no Brasil, equivalendo a todos os homicídios na Região Norte do país em 2021 ou a mais do que todos os homicídios registrados nos estados da Região Sul nesse ano.

O Atlas da Violência traz informações e análises que ajudam a compreender e visibilizar as violências com diferentes recortes específicos. Há citações a violência contra a juventude e as crianças, violência contra as mulheres e os casos de feminicídio, violência contra pessoas negras, contra a população LGBTQIAP+, pessoas com deficiência, indígenas e idosos.

Entre 2020 e 2021, diversos estados registraram queda da taxa de homicídios em quase todas as regiões, com exceção da Região Norte, que apresentou altas de 34,9% para Amazonas, 17,1% para o Amapá e 16,2% para Rondônia. O Acre, contrariando a tendência regional, obteve a maior redução (-33,5%), seguido por Sergipe (-20,3%) e Goiás (-18,0%).

Desde 2016, esse índice de violência vinha diminuindo nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, conforme analisado nos Atlas da Violência 2019 e 2020. Além do armistício na guerra em as maiores facções do país, pelo controle do corredor internacional de drogas nas Regiões Norte e Nordeste, houve a mudança do regime demográfico em direção ao envelhecimento da população, com a subsequente diminuição do número de jovens entre 15 e 29 anos. Além disso, alguns estados e municípios brasileiros começaram a implementar ações e programas qualificados de segurança pública. 

Os recortes demográficos

Em 2021, de cada 100 jovens entre 15e 29 anos que morreram no Brasil por qualquer causa, 49 foram vítimas de violência letal. Dos 47.847 homicídios ocorridos em 2021, 50,6% tiveram como alvo jovens dessa faixa etária, totalizando 24.217 pessoas. Com isso, há uma média de 66 jovens assassinados por dia no país. Na série histórica dos últimos onze anos, entre 2011 e 2021, 326.532 jovens foram vítimas da violência letal no país.

Apesar dos números alarmantes, em 2021 houve uma queda de 6,2% no número absoluto de homicídios de jovens em 2021 em comparação com 2020. A taxa de homicídios para cada 100 mil jovens diminuiu de 51,8 para 49,0, representando uma redução de 5,4% em um ano e uma contração de 25,2% no período de 2016 a 2021.

Quanto às mulheres, na última década, mais de 49 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. Entre 2020 e 2021, a taxa geral de homicídios caiu 4,8%, mas no caso de homicídios femininos houve um crescimento de 0,3%. Em números absolutos de 2021, 3.858 mulheres foram assassinadas, conforme os dados oficiais. No entanto, o Atlas estima que o total dessas mortes violentas tenha sido de 4.603; ou seja, outras 745 mulheres sofreram agressões fatais sem que o Estado conseguisse registrar corretamente as causas dessas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI).

Historicamente, as pessoas negras são as maiores vítimas de violência no Brasil. Quando falamos da violência contra as mulheres, os dados não diferem: a violência letal é mais prevalente entre mulheres negras do que entre não negras. Em 2021, 2.601 mulheres negras foram vítimas de homicídio no Brasil, representando 67,4% do total de mulheres assassinadas naquele ano e uma taxa de aproximadamente 4,3 mulheres negras mortas para cada 100 mil habitantes desse grupo. Entre as mulheres não negras, essa taxa foi de 2,4 por 100 mil, quase 45% menor. Na comparação das taxas, o risco relativo de sofrer um homicídio é 1,8 vezes maior entre as mulheres negras do que entre as não negras.

Em 2021, o cenário em que o registro de homicídios de pessoas negras (soma de pretos e pardos, segundo a classificação do IBGE) lidera o ranking de mortes violentas se repetiu, totalizando 36.922 vítimas. Nesse ano, a população negra respondeu por 79% dos mortos, com uma taxa de 31,0 homicídios para cada 100 mil habitantes desse grupo populacional, contra a taxa de 10,8 para pessoas não negras (soma de amarelos, brancos e indígenas).

Violência contra idosos

Seguindo a tendência mundial, o novo regime demográfico brasileiro se caracteriza pelo crescimento mais acentuado da população idosa (com 60 anos ou mais) em relação aos outros grupos etários. Em 2022, a população idosa era composta por cerca de 32 milhões de pessoas, correspondendo a aproximadamente 15% da população brasileira. Por esse motivo, o Atlas reservou um capítulo para discutir a violência contra idosos e as diferentes formas pelas quais isso ocorre entre negros e não negros.

As mortes por causas violentas foram responsáveis por 4,7% do total de óbitos de homens negros e 4,3% no caso dos não negros em 2021. Os óbitos por causas externas incluem diversas formas de violência, como agressões, quedas e acidentes de transporte. A mortalidade por agressão foi cerca de 41% mais elevada para negros do que para não negros em 2021, quando o país registrou uma taxa de 16,6 óbitos por agressão por 100.000 habitantes para negros, e 9 por 100.000 para não negros.

No período de 2011 a 2021, houve uma diminuição na taxa desses óbitos de 23,4% para os idosos negros e de 40,2% para os não negros. Já em relação aos óbitos por agressão de mulheres idosas, registrou-se uma taxa de 2,1 por 100.000 para mulheres negras e de 1,8 por 100.000 para não negras. Houve uma redução de 19,8% na taxa de óbitos para as mulheres negras e de 28,1% para as não negras no período. Apesar de a variação ter sido negativa para todos os grupos, as taxas de decréscimo foram menores para homens e mulheres negros.

Acesse a íntegra do Atlas da Violência 2023

Confira o sumário executivo

Arte infográfico

Acesse o portal do Atlas da Violência

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Ministra Simone Tebet discute seus planos para os próximos quatro anos

Helio Montferre/Ipea

Simone Tebet, ministra de Estado do Planejamento e Orçamento (MPO), apresentou os 14 objetivos estratégicos, que foram definidos em 34 resultados-chave e 29 projetos para os próximos quatro anos, durante o lançamento do Planejamento Estratégico Integrado (PEI) da pasta na segunda-feira (4). Segundo a ministra, o Plano equivale, para o Ministério, ao que é o Plano Plurianual (PPA) para o Brasil. A cerimônia, reuniu representantes das secretarias do MPO e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A ministra enfatizou a participação ativa dos funcionários no processo, indicando que o PEI foi moldado considerando suas perspectivas. "Para fazer o PPA, ouvimos o Brasil. Para o PEI, ouvimos os vocês", declarou, ressaltando a importância de políticas públicas mais eficientes, visando à redução das desigualdades por meio de recursos bem aplicados.

Os objetivos estratégicos relacionam-se ao fortalecimento das relações institucionais com as entidades vinculadas; estimular o bem-estar e o desenvolvimento das pessoas; aperfeiçoar os processos de trabalho por meio da simplificação e transformação digital; e a governança em prol do alcance da missão institucional.

O secretário-executivo em exercício do MPO, Marcio de Oliveira Albuquerque, destacou o caráter colaborativo da elaboração do PEI, envolvendo todas as equipes ministeriais. Ele explicou que o plano não apenas visa atingir metas, mas também impulsionar o desenvolvimento de projetos em cada secretaria, sublinhando a relevância do intenso debate interno. Albuquerque salientou ainda que esta é a primeira vez que o planejamento do MPO incorpora órgãos subordinados, incluindo o Ipea e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O presidente substituto do Ipea, Claudio Roberto Amitrano, que participou da mesa de abertura, expressou a satisfação com a recriação do MPO e o fortalecimento do planejamento estratégico nas atividades do governo federal. “O próprio Ipea nasce de uma iniciativa do MPO”, lembrou Amitrano.

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Helio Montferre/Ipea

O envolvimento do Ipea na elaboração do PEI destaca a importância da cooperação entre órgãos estratégicos, ressaltando que o Instituto não apenas desempenha um papel importante no planejamento, mas também contribui para a eficácia das políticas públicas no país. O evento evidenciou a sinergia entre os diferentes setores governamentais na busca por uma gestão mais eficiente e focada no desenvolvimento sustentável do país.

Assista o evento no canal de youtube do MPO.

Acesse a apresentação feita durante o evento.

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"Venham, façam o concurso do Ipea. O Ipea é para todos", diz presidenta Luciana

Helio Montferre/Ipea

A presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Mendes Santos Servo, ressalta em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (04/12), a importância do primeiro concurso, depois de 15 anos, para a recomposição do quadro de pessoal do Instituto. O certame oferece 80 vagas distribuídas em três perfis e dez especialidades (ver quadro abaixo), com cotas de 10% para pessoas com deficiência e, pela primeira vez, 20% para negros. Segundo a presidenta, a expectativa é uma transição para um Ipea com mais diversidade. Luciana também anunciou que irá solicitar que haja um cadastro reserva correspondente a 25% do total de vagas, e que pretende buscar que este seja o primeiro de uma série de concursos regulares.

“Quando falamos de burocracia representativa, é importante que a representação social da população dentro dessa burocracia seja respeitada. Quando temos uma instituição essencialmente branca e masculina, é essa perspectiva que levamos para os nossos debates de políticas públicas. Trazer a diversidade para dentro do Ipea é fundamental. Então, venham, façam o concurso do Ipea. O Ipea é para todos”, disse Luciana.

A presidenta do Ipea afirmou que é uma preocupação muito grande do Instituto que as cotas sejam efetivas. “Temos várias barreiras que foram percebidas na realização de concursos anteriores e todo o processo de discussão do concurso do Ipea levou em consideração a retirada dessas barreiras ou a minimização delas. Fazer um concurso dentro da lei de cotas exigiu que se pensasse que esse tem de ser o mínimo. Temos 20% das vagas reservadas, como prevê a lei de cotas, mas esperamos que pessoas negras entrem pela concorrência geral para que consigamos aumentar a diversidade dentro do Ipea”, disse ela. O Ipea aumentou ainda a cota reservada para pessoas com deficiência (PcD), que era de 5%. Neste concurso, serão destinados 10% das vagas para PcD.

Luciana esclareceu que o Grupo de Trabalho do concurso 2023 avaliou questões relacionadas à diversidade e aspectos práticos da aplicação das provas que pudessem favorecer a participação, ampliando as possibilidades. Uma das barreiras ao acesso é a localização dos locais de prova, razão pela qual, neste certame, o Ipea optou por realizar o concurso nas 26 capitais de todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

A presidenta do Ipea explicou o motivo pelo qual o concurso do Ipea não abrangerá as 180 cidades, como ocorrerá com o Concurso Unificado Nacional. “O concurso unificado está sendo pensado para três milhões de pessoas, enquanto o do Ipea para 30 mil pessoas. Essa distribuição espacial tem de considerar também o número de candidatos que esperamos para o concurso porque senão o custo de realização do concurso o torna inviável. Entendemos também que colocar a prova num único dia facilita o deslocamento dos candidatos. Se fossem dois dias, o custo de deslocamento aumentaria”, explicou.

A coordenadora-geral de Contratações, Serviços Gerais e Apoio à Pesquisa do Ipea, Marinésia Lemos Souto, participou do evento ao lado da presidenta. Ela destacou que a realização do concurso é resultado de uma luta de 15 anos. “Esse momento é a realização de um desejo e um objetivo para o Ipea. O concurso é essencial para a continuação dessa casa e compreendemos que esta casa é essencial para subsidiar o governo quanto a suas políticas públicas”, declarou. A coordenadora-geral lembrou que o Ipea possui atualmente cerca de 700 projetos de pesquisa em andamento, envolvendo aproximadamente 150 técnicos de planejamento e pesquisa

Marinésia observou que, embora o Ipea não tenha controle na aplicação das provas do concurso, atuará para zelar pelo adequado andamento do processo como um todo. “O Instituto tem nomeado fiscais que acompanharão todo o processo que envolve o concurso. O certame tem regras claras que devem ser observadas e que buscam a lisura do processo de elaboração, aplicação e correção das provas e definição dos candidatos aprovados”, disse.

O coordenador do grupo de trabalho do concurso 2023 do Ipea, Pedro Miranda, reforçou o desejo do Ipea em renovar seus quadros, num processo pautado na diversidade e no desejo de inclusão de diferentes segmentos sociais no Instituto. “Esperamos que esses 80 novos ‘ipeanos’ venham renovar nossa capacidade de trabalho de forma bastante intensa. Que sejam 80 novas pessoas que venham trabalhar com a gente e que estejam conosco por muitos anos”, comentou.

O Ipea tem um hotsite especial para o concurso (http://www.ipea.gov.br/concurso). Além disso, dúvidas podem ser tiradas pela Central de Atendimento da Fundação Cesgranrio, por telefone (0800-701-2028) e por e-mail (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.). O atendimento é realizado de 2ª a 6ª feira, das 8h30 às 17h30 (hora de Brasília). Exceto feriados.

Assista aqui a íntegra do evento promovido pelo Ipea sobre o concurso

Confira o quadro de perfis, especialidades, e o número inicial de vagas:
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Financiamento chinês impulsiona projetos de energia renovável na América Latina

Helio Montferre/Ipea


À medida que o mundo enfrenta uma das maiores ameaças de mudanças climáticas, os países se veem desafiados a adotar medidas decisivas para conter o aumento da temperatura média do planeta. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicado nesta segunda-feira (04/12), aponta que a China emerge como peça fundamental no quebra-cabeça da transição energética global. Seu papel não se limita apenas ao status como o maior emissor mundial de carbono, mas também se destaca devido à sua postura na promoção de tecnologias verdes e energias renováveis.

O texto para discussão "Os Financiamentos chineses em energias renováveis na América Latina e os desafios das mudanças climáticas" explora a transformação do perfil chinês, passando de grande emissor de carbono para protagonista na luta contra as mudanças climáticas. O foco recai sobre o compromisso da China com a transição para uma economia de baixo carbono e seu impacto crescente na América Latina, uma região onde a China desempenha papel cada vez mais relevante. Esta versão do texto é uma revisão da edição nº 35 do Boletim de Economia e Política Internacional (Bepi).

Para Marco Aurélio Alves de Mendonça, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e um dos autores da publicação, "além dos fatores de liderança tecnológica que podem contribuir para a transição energética, sobretudo em países menores com déficit de infraestrutura, a China reforçará seu papel na liderança das negociações internacionais para o combate à grave crise climática que enfrentamos. O país buscará estabelecer sua tecnologia como padrão, garantindo poder não apenas na esfera internacional, mas também geopolítica", disse Mendonça. Ele destaca uma reação ocidental, principalmente dos EUA, e afirma que a "competição envolverá narrativas das mais diversas naturezas”, defende o pesquisador.

No século XXI, as mudanças climáticas tornaram-se uma realidade inegável. Eventos extremos, como inundações, secas, ondas de calor e incêndios florestais, são cada vez mais frequentes, causando consequências devastadoras para as populações e ecossistemas em todo o mundo. A ciência e registros do clima, aliados ao conceito do Antropoceno, apontam para a influência significativa das atividades humanas nas alterações dos padrões climáticos. Este modelo questiona o desenvolvimento baseado na queima de combustíveis fósseis e na exploração intensiva dos recursos naturais.

A comunidade internacional busca soluções para diminuir as mudanças climáticas e adaptar-se aos impactos em curso. O Acordo de Paris, firmado em 2015, estabeleceu metas ambiciosas, incluindo a limitação do aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Entretanto, as negociações sobre a distribuição dos ônus e responsabilidades têm sido ponto de disputa, com o princípio das "responsabilidades comuns, mas diferenciadas" (CBDR) no centro das discussões

Apesar de sua história de emissões limitadas em comparação com sua população e território, a China tornou-se o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo. Isso a coloca em posição peculiar no debate sobre as mudanças climáticas, uma vez que historicamente alinhava-se com os países em desenvolvimento, defendendo a responsabilidade dos países desenvolvidos. Dados disponíveis mostram que nos últimos anos, a China adotou postura mais proativa na busca por soluções sustentáveis, tanto em âmbito doméstico quanto internacional.

A China fez transição notável de país frequentemente visto como obstáculo às negociações climáticas para líder propositivo no cenário global. Isso ficou evidente durante o Acordo de Paris, quando o país se comprometeu a tomar medidas significativas para enfrentar as mudanças climáticas, reconhecendo sua importância no esforço global. Internamente, a China lançou a visão de uma "civilização ecológica", combinando desenvolvimento sustentável, economia circular e baixas emissões de carbono. O mais recente Livro Branco do país, delineando suas políticas de Desenvolvimento Verde, reflete esse compromisso com a sustentabilidade.

Uma das principais contribuições da China para reduzir as mudanças climáticas é o investimento em energias renováveis. O país lidera na capacidade de geração de energia renovável, com foco particular em energia eólica e solar. Suas empresas tornam-se globalmente competitivas na fabricação e exportação de tecnologias limpas, incluindo painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas. Simultaneamente, direciona seu financiamento externo para projetos verdes em todo o mundo, inclusive na América Latina. Ações como a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) e o Banco Asiático de Investimento e Infraestrutura (AIIB) mobilizam bilhões de dólares para projetos em países em desenvolvimento, contribuindo para a transição para uma economia de baixo carbono. ​

América Latina: Um Foco nas Energias Renováveis

A América Latina é uma região que possui um grande potencial para energias renováveis, dada sua abundância de recursos naturais. Países como o Brasil, o México e o Chile têm investido significativamente em fontes de energia limpa. A China reconheceu essa oportunidade e tem financiado projetos de energias renováveis na região, fortalecendo ainda mais seus laços com nações latino-americanas.

Os principais bancos estatais chineses desempenham um papel fundamental na concessão de crédito para projetos de energias renováveis, tanto no país quanto no exterior. Essas instituições, juntamente com os bancos de desenvolvimento, estão alinhando cada vez mais seus investimentos com os princípios de sustentabilidade e descarbonização.

Um Futuro Sustentável em Construção

A China está se destacando como líder propositivo na luta contra as mudanças climáticas. Sua transição para uma economia de baixo carbono e seus investimentos em energias renováveis têm o potencial de impulsionar o mundo em direção a um futuro mais sustentável. Ao financiar projetos de energias renováveis na América Latina e em outras partes do mundo, o país não apenas contribui para a mitigação das mudanças climáticas, mas também colhe os benefícios econômicos de liderar a transição energética global.

Os avanços da China na trajetória de descarbonização de sua matriz energética, desempenha um papel inovador para uma ecocivilização, uma visão política que prioriza a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico. Eles têm mostrado um compromisso significativo em elevar os padrões socioambientais de seus projetos de investimento externo direto (IED) e financiamentos internacionais. Isso não se traduz apenas em uma redução gradual da dependência do carvão, mas também em um foco crescente em projetos de energias renováveis.

A transição da China de financiadora de usinas de carvão para apoiadora de fazendas eólicas e parques solares no exterior reflete uma mudança significativa em seu perfil de atuação global. Busca refazer sua imagem como um ator ambientalmente responsável e alinhar suas práticas de cooperação para o desenvolvimento internacional com os princípios de desenvolvimento verde e de baixo carbono.

A América Latina desempenha um papel importante nesse cenário de transformação. A região concentra uma proporção considerável de projetos de geração de energia a partir de fontes limpas, o que a torna um destino estratégico para os investimentos. A diversificação dos atores financeiros e das modalidades de financiamento na região, incluindo bancos comerciais e operações de cofinanciamento, é fundamental para facilitar a implementação desses projetos.

O estudo apresenta dados que mostram que a mudança na abordagem da China em relação às energias renováveis e ao desenvolvimento verde tem implicações globais significativas. Como um dos principais investidores, financiadores e construtores de infraestrutura em escala global, a China desempenha um papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas e na promoção de práticas sustentáveis em todo o mundo. À medida que o país avança em sua trajetória de descarbonização, os impactos positivos podem ser sentidos em escala global, à medida que mais nações buscam seguir o exemplo da China na promoção de energias renováveis e na redução das emissões de carbono. Essa evolução da China em direção à ecocivilização e à promoção das energias renováveis tem implicações significativas para o futuro da sustentabilidade e do combate às mudanças climáticas em todo o mundo, com impacto direto na América Latina.

Acesse a íntegra do texto para discussão

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