Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Inflação acelera para todas as faixas de renda em fevereiro

Fotos: Pedro Ribas - ANPr/Fernando Frazão - Agência Brasil

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda apontou uma aceleração da inflação para todas as faixas de renda em fevereiro. As famílias de renda média-alta foram as mais afetadas, com uma taxa de 0,88%, devido aos reajustes das mensalidades escolares e dos combustíveis. As famílias de renda muito baixa tiveram a menor variação inflacionária, marcando 0,78%, impactadas pelo aumento dos preços dos alimentos e das tarifas de transporte urbano e integrado.

Os dados foram divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta quarta-feira (14) e indicam que, no acumulado em 12 meses até fevereiro, enquanto as famílias de renda muito baixa apresentaram a menor taxa de inflação (3,56%), a faixa de renda alta apontou a taxa mais elevada (5,44%), conforme a tabela abaixo:

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Para as famílias de renda média, média-alta e alta, o maior ponto de pressão inflacionária em fevereiro veio do grupo educação, influenciado pelo aumento de 6,1% das mensalidades escolares. Para essas faixas de renda, ainda em relação ao grupo de transportes, embora os reajustes da gasolina (2,9%) e do etanol (4,5%) também tenham contribuído positivamente para a inflação dessas famílias, em fevereiro, a queda de 10,7% das passagens aéreas gerou um forte alívio sobre a inflação da faixa de renda alta.

Já em relação às famílias de renda mais baixa, a alta dos preços dos alimentos e bebidas foi a principal responsável pela inflação pelo terceiro mês consecutivo, especialmente em itens importantes da cesta de consumo, como arroz (3,7%), feijão (5,1%), batata (6,8%), cenoura (9,1%), ovos (2,4%) e leite (3,5%). O grupo de transportes também influenciou esses domicílios, ainda que de menor intensidade. As principais influências foram os reajustes das passagens de ônibus urbano (1,9%) e do transporte público por integração (9,4%).

Na comparação com fevereiro de 2023, enquanto as três classes de menor renda apontaram alta da inflação, as três faixas de renda mais elevada registraram desaceleração inflacionária em fevereiro de 2024. Para os segmentos de renda mais baixa, a piora da inflação corrente é explicada pelo desempenho menos favorável dos alimentos no domicílio e das tarifas de ônibus urbano e transporte público integrado, cujas variações de 1,1%, 1,9% e 9,4%, respectivamente, registradas em 2024, ficaram acima das observadas no mesmo período de 2023 (0,04%, 0,47% e 0%).

Em contrapartida, para as famílias de maior renda, a alta menos intensa da inflação em fevereiro deste ano frente a fevereiro de 2023 veio das mensalidades escolares, cujo reajuste de 6,1% este ano foi menos intenso que o apurado no ano anterior (7,6%), além da deflação mais expressiva das passagens aéreas em fevereiro de 2024 (-10,7%), na comparação com o mesmo período de 2023 (-9,4%).

Acesse a íntegra do indicador

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Contas do governo central têm estimativa de déficit primário de R$ 61,3 bilhões em fevereiro

Helio Montferre/Ipea


O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, nesta quarta-feira (13), a estimativa preliminar do resultado primário das contas do governo federal em fevereiro de 2024. A previsão é de um déficit primário de R$ 61,3 bilhões no mês. A receita líquida somou R$ 129,8 bilhões, um crescimento de 20,8% em termos reais comparados com o mesmo mês em 2023. Já a despesa total chegou a R$ 191 bilhões, com um salto de 27,5% em comparação ao mesmo período do ano passado. Os dados acumulados do primeiro bimestre apresentaram um superávit de R$ 18,7 bilhões, ante o superávit de R$ 40,7 bilhões, registrado no mesmo período de 2023.

O aumento dos gastos em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2023 foi impactado por despesas não obrigatórias no valor de R$ 31 bilhões (145,6%) – com destaque para o pagamento de precatórios –, além do aumento das despesas do Poder Executivo sujeitas à programação financeira, no montante de R$ 6 bilhões, equivalente a 18,1%. Nos dois primeiros meses de 2024, o acumulado representa um crescimento real de R$ 51,3 bilhões (17,1%) em relação ao primeiro bimestre de 2023.

Fevereiro registrou um crescimento real de 17,5% quando comparado com o montante arrecadado no mesmo mês do ano passado, em função do bom desempenho da arrecadação, tanto das receitas administradas pela Receita Federal do Brasil (RFB), com expansão de 18,2%, como das não administradas pela RFB, com aumento de arrecadação de 61%, sempre em termos reais. Já os ganhos do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) apresentaram um crescimento de 3,8%. Assim, a receita líquida, após as transferências legais e constitucionais, registrou crescimento de R$ 22,3 bilhões (20,8%).

Um aumento expressivo nas despesas em relação ao mesmo mês do ano anterior foi registrado em fevereiro de 2024, impactado principalmente pelo pagamento de despesas com sentenças judiciais e precatórios, com um crescimento real de R$ 29,4 bilhões em relação ao mesmo período de 2023, pelo pagamento de despesas obrigatórias com controle de fluxo no valor de R$ 2,1 bilhões (8,5%) e pelo pagamento de despesas discricionárias do Poder Executivo de R$ 3,9 bilhões (48,1%).

Quanto às despesas totais, estima-se um crescimento de R$ 51,3 bilhões, equivalente a 17,1%. Esse aumento é explicado pelo incremento no pagamento de benefícios da previdência social na ordem de R$ 6,6 bilhões (4,9%); BPC/RMV em R$ 2,4 bilhões (16,5%); elevação real dos dispêndios com sentenças judiciais e precatórios, representando R$ 29,4 bilhões, equivalente a 7.275,6%; despesas obrigatórias com controle de fluxo, com R$ 2,9 bilhões (5,7%) e das despesas discricionárias do Poder Executivo, com R$ 4,9 bilhões (36,5%).

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Apesar do grande potencial para mudar o mundo, humanidade sabe pouco sobre inteligência artificial

Marcos André Pinto/ Academia Brasileira de Ciências


Enquanto a inteligência artificial (IA) se torna cada vez mais presente no cenário midiático e em diversos círculos sociais, o conhecimento sobre seus detalhes e impactos permanece bastante limitado. Esta foi uma contradição apontada pela diretora de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura (Diset) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fernanda De Negri, durante palestra na Conferência Inicial do Science (S20), realizada no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (11/03). O S20, um dos 13 grupos de engajamento que estão sob a abrangência do Grupo dos Vinte (G20), reúne as academias de ciências dos países do G20 que busca fomentar o diálogo entre a comunidade científica e os formuladores de políticas.

Durante sua apresentação, sob o título “Inteligência Artificial: desafios para a democracia e a sociedade”, De Negri destacou como a discussão acadêmica em torno da IA tem se intensificado recentemente. Ela salientou que, em 2023, foi atingida a marca de aproximadamente 300 mil trabalhos acadêmicos sobre o tema foram publicados. “A maioria desses trabalhos, porém, foi produzida nos últimos três ou quatro anos. Ou seja, nosso conhecimento ainda é limitado e seu desenvolvimento bastante recente. Sabemos muito pouco sobre os impactos da IA nas atividades econômicas e na sociedade de forma geral”, disse a diretora do Ipea.

Um dos pontos abordados foi a interação entre IA e democracia, considerada ainda mais incerta do ponto de vista da análise acadêmica. De Negri ressaltou que o que podemos dizer sobre os impactos da IA na democracia é ainda menos do que poderíamos falar sobre outros efeitos dessa tecnologia. “Não temos respostas definitivas a respeito disto. Sabemos que a IA é capaz de gerar fake news, deep fake e informação enganosa. Porém, os canais pelos quais tudo isso escoa e se espalha na sociedade não são as IAs propriamente, mas as plataformas de mídias sociais. Por isso, ainda não temos respostas sobre quais seriam os impactos sobre a democracia da disseminação da IA”, ponderou ela.

De Negri também abordou a questão do impacto da IA especificamente no trabalho e no emprego. Ela citou trabalhos de alguns pesquisadores para ilustrar um cenário em que a IA agrega em termos de fomento de produtividade, mas ameaça postos de trabalho gerando um dilema sobre o qual pouco se pode concluir a este ponto.

Além disso, a diretora tratou as condições que permitiram a emergência e o crescimento da IA nos anos recentes. Ela ainda salientou que o crescimento recente da IA foi direcionado pelo aumento exponencial da capacidade de desenvolvimento de dados que se tornou possível graças à internet e à digitalização de muitas atividades cotidianas. O crescimento da capacidade de produzir e processar informação tem sido insumo para essa nova tecnologia.

Por fim, De Negri ressaltou a respeito de como a concentração da capacidade computacional de altíssima performance em poucos países, como Estados Unidos e China, e seus impactos na científica e tecnológica relacionada à IA. “A concentração na produção de dados e na capacidade de processamento tem causado uma enorme concentração na produção científica e tecnológica relacionada com IA”, disse.

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Movimentos populares, trabalho de cuidado e a busca por vagas em creches públicas foram temas abordados no seminário "Lutas por Creches, Lutas do Cotidiano: Cuidado e Moralidade no Ativismo de Mulheres no Morro da Polícia", realizado no último Seminário das Quintas, promovido pela Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O evento debateu a articulação de mulheres, a maioria negra e periférica, no Morro da Polícia, localizado na zona leste de Porto Alegre (RS).

A doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ranna Mirthes Sousa Correa, apresentou o cotidiano de mulheres cuidadoras de crianças, como Teresa, Elza, Vitória e Sueli, ressaltando suas vivências e fazendo um paralelo com a necessidade de políticas públicas básicas. Ela reforçou que o atendimento e a oferta de creches são de responsabilidade constitucional dos municípios brasileiros. "A pesquisa avalia como a procura das famílias por vagas em creches consiste em um fio condutor que revela a indissociabilidade dessa busca com a garantia de direitos em plenitude e outras questões estruturais das mulheres", explicou Ranna.

Um dos destaques do debate foram as "casas de cuida-se", locais onde mulheres cuidam ou tomam conta de crianças em suas próprias residências ou em espaços alugados no Morro da Polícia e no Campo da Tuca, elevados da capital rio-grandense. A pesquisa foi conduzida entre 2017 e 2021, abordando o contexto da crise sanitária da Covid-19 e as discussões em torno do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, que combina o regime de cooperação entre a administração pública e as organizações da sociedade civil.

Outros atores sociais foram destacados no debate, como o Conselho Tutelar, administrado por representantes da sociedade civil para agilizar e prestar atendimento e garantir direitos para a infância, o Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente, o Fundo para a Infância e Adolescência, o Juizado da Infância e Juventude, a Promotoria Pública, os órgãos públicos e as redes de entidades de atendimento que executam serviços para a população em geral.

O Seminário das Quintas reúne pesquisadores e outros profissionais para debater trabalhos realizados, no âmbito do Ipea ou em outras instituições, cujos temas dialoguem com a agenda da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais. O encontro é transmitido ao vivo pelo canal do Ipea no YouTube. Além dos autores dos estudos em debate, outros pesquisadores com notório histórico de produção nos segmentos em pauta participam.

Assista ao encontro na íntegra

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Renda habitual média dos trabalhadores brasileiros cresceu 3,1% de 2022 para 2023

Helio Montferre/Ipea


Estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta sexta-feira (8), com base nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), aponta um crescimento de 3,1% na renda habitual média do trabalho em 2023, frente a 2022. As estimativas mensalizadas mostram que o rendimento habitual médio real em dezembro de 2023 (R$ 3.100) foi 0,7% maior que o observado no mês anterior (R$ 3.078) e 3,9% superior ao valor de dezembro de 2022 (R$ 2.985). Em janeiro de 2024, a estimativa mensal avançou para R$ 3.118.

No segundo trimestre de 2023, a renda média ficou acima da observada no mesmo trimestre de 2019 pela primeira vez desde a pandemia (0,6%). Já no quarto trimestre de 2023, a renda média superou o mesmo trimestre de 2019 em 2,1%. O rendimento habitual refere-se à remuneração recebida por empregados, empregadores e trabalhadores por conta própria, mensalmente, sem acréscimos extraordinários ou descontos esporádicos, ou seja, sem parcelas que não tenham caráter contínuo.

Os maiores aumentos na renda em comparação ao quarto trimestre de 2022 foram registrados nas regiões Norte (4,1%) e Nordeste (4%), entre os trabalhadores de 40 a 59 anos (4,1%), com ensino médio completo (3,2%). Apenas os trabalhadores que têm no máximo o ensino fundamental completo apresentaram queda na renda. O crescimento foi menor para os que habitam no Sul e Centro-Oeste, os maiores de 60 anos, homens e chefes de família.

Os rendimentos habituais recebidos pelas mulheres registraram crescimento interanual maior que os dos homens ao longo de todos os trimestres de 2023 – revertendo o desempenho de anos anteriores. No quarto trimestre, o aumento entre as mulheres foi de 4,2%, contra 2,5% de alta na renda média habitual dos homens.

Na análise por tipo de vínculo, excluindo os empregadores, os empregados do setor privado sem carteira foram aqueles que apresentaram um maior crescimento interanual da renda no quarto trimestre de 2023 (6,9%). Depois de alguns trimestres com forte elevação nos rendimentos, os trabalhadores autônomos obtiveram um aumento de 0,3% em relação ao mesmo trimestre de 2022. Já os trabalhadores do setor público e os empregados com carteira assinada registraram altas de 3,9% e 2,1%, respectivamente.

No recorte por setor, no quarto trimestre de 2023, houve queda da renda no transporte (-1,7%) e na construção (-3,8%), em relação ao mesmo período de 2022. Já os trabalhadores da indústria (5,7%), do comércio (5,9%) e da administração pública (4,6%) obtiveram as maiores altas no último trimestre do ano passado. Outro ponto positivo foi a recuperação da renda na agricultura (0,9%), após uma forte queda de 4,6% no trimestre anterior.

Confira a íntegra do estudo

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T20 Brasil encerra Conferência Inicial e mira participação social como legado

Helio Montferre/Ipea - Reprodução transmissão T20 Brasil

A ideia de ampliar os espaços de participação para formulações no âmbito do Grupo dos Vinte (G20) foi uma das tônicas da Conferência Inicial do T20 Brasil. Transformar essa participação social ampliada nos processos de pensar soluções para os desafios globais e políticas públicas efetivas e usar a plataforma do G20 para promovê-las tem um grande potencial de transformar-se em um importante legado da presidência do Brasil do G20. Entre 4 e 6 de março, a Conferência Inicial reuniu coordenadores líderes e coordenadores das forças-tarefa e de seus subtópicos, bem como dirigentes institucionais e autoridades governamentais para dialogar sobre os primeiros trabalhos de seleção das propostas de policy briefs, falar a respeito das estruturas deliberativas e realizar discussões conceituais como a que pretende pensar no tipo de legado que a atual presidência do G20, exercida pelo Brasil até novembro, pode oferecer.

A Conferência Inicial do Think20 (T20) Brasil marcou o início formal das atividades do grupo. O evento teve a participação de dezenas de representantes de think tanks e centros de pesquisa nacionais e internacionais. O T20 é um dos 13 grupos de engajamento que o G20 carrega consigo. Cada um deles aborda um tema, mas, ao contrário dos demais, o T20 não trabalha com um assunto específico. Seu objetivo está ligado à produção, ao debate, à consolidação e apresentação de ideias para enfrentar os desafios atuais e emergentes que poderiam ser abordados pelo processo do G20. O trabalho do T20 é feito tendo como parâmetro pesquisas baseadas em evidências.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Fundação Alexandre de Gusmão (Funag) e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) estão à frente do Comitê Organizador do T20 Brasil. “Temos muito trabalho pela frente, mas desde já está claro como esse diálogo entre os think tanks tem sido e será muito importante, não apenas para o contexto do G20, mas para todo o processo que continuaremos a realizar”, disse a presidenta do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo.

Luciana reforçou o convite para que aqueles que tomaram parte na Conferência Inicial do T20 Brasil participem da chamada de artigos para a edição 34 da Revista Tempo do Mundo, do Ipea. A publicação terá como título “Os desafios e as oportunidades enfrentados pelo G20 durante e após a presidência brasileira” e receberá manuscritos até 31 de março de 2024. O lançamento da publicação está previsto para junho de 2024. A edição busca fomentar produções científicas que abordem o papel do G20 em um contexto de acirramento das disputas geopolíticas e da crise do multilateralismo, estimulando debates sobre o amplo e multifacetado processo de desenvolvimento econômico e social em âmbito mundial.

A exemplo do que ocorrera no dia de abertura, nos dois outros dias da Conferência Inicial do T20 Brasil coordenadores líderes das forças-tarefa dialogaram com os coordenadores de cada subtópico do seu grupo. A pauta girou em torno das propostas de policy briefs selecionadas e dos temas e critérios usados para classificar a abordagem desses trabalhos. Nesses dois dias, falaram representantes das forças-tarefa quatro (comércio e investimento para um crescimento sustentável e inclusivo), três (reforma da arquitetura financeira internacional), dois (ação climática sustentável e transições energéticas justas e inclusivas), e cinco (transformação digital inclusiva).

Mesa redonda
O assessor diplomático da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Westmann, reforçou a ideia de construção de um legado inclusivo para os processos de formulação do G20, incluindo aqueles realizados pelo T20, como marca da liderança brasileira no grupo. Ele falou durante a mesa redonda de encerramento, “Roteiro em direção às recomendações”, realizada no último dia da Conferência Inicial. “A participação social será um legado da presidência brasileira”, disse. “Aumentar a participação e a incidência das decisões ou recomendações de agentes que não necessariamente se enquadram nos eixos político e financeiro no processo decisório do G20”, acrescentou Westmann, ao falar sobre o que o governo busca fazer.

Westmann destacou que as áreas nas quais o Executivo federal enxerga mais potencial de contribuição são aquelas ligadas à redução das desigualdades. “Mais especificamente na luta contra a fome e a pobreza, combate às mudanças climáticas, promoção do desenvolvimento sustentável e em mudanças nos mecanismos de governança global. A questão é: como trazer essas prioridades para a agenda internacional do G20?”, declarou.

O assessor diplomático da Secretaria-Geral da Presidência da República defendeu que não se pode fazer política pública sem um olhar para aqueles que serão afetados por essa política ou que serão responsáveis por implementá-las. “Isso se aplica à arena internacional. Precisamos ouvir as pessoas que queiram participar na formulação dessas políticas”, defendeu. Westmann disse ainda ver sinergias entre aquilo que as forças-tarefa do T20 discutiram ao longo da conferência e as prioridades da Presidência da República. “Um ótimo primeiro passo, fruto de um longo processo de negociação que envolveu o Cebri, a Funag, o Ipea, o gabinete da Presidência e o Itamaraty para alinhar essas expectativas”, resumiu.

Emergência climática
No último dia da Conferência Inicial, a presidenta do Ipea participou de uma conversa com o embaixador André Corrêa do Lago, secretário do Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores e conselheiro do Cebri. Entre diferentes temas, eles falaram a respeito da importância dos think tanks no esforço de combate às mudanças climáticas. “Acredito que podemos fazer do G20 uma ponte para as principais lacunas que percebemos no sistema internacional. Pode realmente nos permitir fazer uma transição para uma economia e uma estrutura internacional que leve em consideração as mudanças climáticas no caminho do desenvolvimento”, disse Lago.

O embaixador fez também uma crítica, com um aspecto autocrítico, a respeito de como a economia tem tratado a questão climática. Ele é economista. “Falhamos como economistas em verdadeiramente integrar as mudanças climáticas no pensamento econômico. Embora tenhamos alguns novos economistas brilhantes que estão pensando sobre isso, o jeito usual de lidar com a economia não incorporou a questão das mudanças climáticas como deveria”, afirmou.

O T20 volta a se reunir no mês de julho para a Conferência Intermediária. Na ocasião, coordenadores líderes das forças-tarefa deverão apresentar as recomendações finais de suas forças-tarefa e participar de discussões. Durante essa segunda conferência será divulgado o comunicado final. O documento será então debatido na última conferência do ano, em novembro, e dele serão retiradas as propostas a serem encaminhadas ao G20.

Assista aqui à íntegra da Conferência inicial do T20 Brasil:
Primeiro Dia
Segundo Dia
Terceiro Dia

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Forças-tarefa do T20 Brasil discutem os desafios globais e o caminho para chegar a soluções

Helio Montferre/Ipea

O desafio em torno da revitalização do multilateralismo e da implementação de políticas públicas que levem ao desenvolvimento sustentável, combatam a mudança climática e diminuam desigualdades em diferentes realidades sociais, econômicas, políticas e culturais foi um dos temas de destaque entre os debates realizados no primeiro dia da Conferência Inicial do T20 Brasil, na segunda-feira (04/03). O evento, sempre em formato virtual, terá atividades programadas até quarta-feira (06/03). O grupo promoverá o diálogo e selecionará propostas que sirvam de alicerce para a formulação de políticas públicas e soluções que serão oferecidas ao Grupo dos Vinte (G20).

O G20 reúne 19 países, a União Europeia e, a partir deste ano, a União Africana, e discute anualmente iniciativas de cooperação nas áreas econômico-financeiras e do desenvolvimento. Ele é um dos principais fóruns de cooperação econômica internacional. A Conferência Inicial do T20 Brasil foi mediada pelo diretor de Estudos Internacionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fabio Veras Soares, e teve a participação de dezenas de representantes de think tanks e centros de pesquisa nacionais e internacionais.

No primeiro dia da Conferência, coordenadores líderes das forças-tarefa 1 (Combater as desigualdades, a pobreza e a fome) e 6 (Reforçar o multilateralismo e a governação global) dialogaram com os coordenadores de cada subtópico do seu grupo. Os representantes dos subtópicos fizeram um panorama das propostas de policy briefs selecionadas e falaram a respeito de temas e critérios usados para classificar a abordagem desses trabalhos. Essas propostas dizem respeito a pesquisas acadêmicas que servirão de insumos para a formulação de políticas públicas e recomendações que serão oferecidas ao G20, durante a 3ª reunião dos sherpa, no começo de julho deste ano, como forma de avançar nas prioridades destacadas pela presidência brasileira do G20.

A Conferência Inicial colocou os coordenadores líderes e coordenadores das forças-tarefa nesse ambiente compartilhado para dialogar a respeito das primeiras impressões e dos passos a seguir. Nesse sentido, foram alvo de análise processos de avaliação das propostas, carga de trabalho e discussão de procedimentos e recomendações. No contexto dessa discussão, houve destaque para os muitos desafios que envolvem não apenas a adoção de uma política pública, mas as formas de replicação delas em diferentes contextos culturais, sociais, políticos, econômicos e administrativos.

O próprio processo de formulação a partir dos trabalhos acadêmicos e daquilo que eles oferecem como embasamento para a construção de uma recomendação ao G20 foi alvo de atenção. Esse aspecto abrange as maneiras como o T20 pode contribuir, não apenas para agendas em andamento discutidas no G20, mas em alguns processos globais mais abrangentes. Aparecem então questões como quais agendas multilaterais adicionais deveriam as forças-tarefa do T20 prestarem atenção e o que deve ser levado em consideração no processo de fazer recomendações realmente concretas, práticas e exequíveis para os líderes do G20.

Abertura

Na abertura da Conferência Inicial do T20 Brasil, a presidenta do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo, destacou a importância do trabalho coletivo, que é a essência do T20, não somente no contexto brasileiro, mas mundial. O T20 Brasil conta com o apoio e colaboração de mais de 100 instituições nacionais e internacionais. "É importante ter em mente que não podemos pensar o desenvolvimento do Brasil de forma isolada. Enfrentar os desafios globais demanda cooperação internacional para identificar soluções de consenso mútuo", disse a presidenta do Ipea. “Por essa razão, durante a presidência da Índia no G20, intensificamos nosso engajamento institucional nos processos do T20 aproveitando a participação de nossos pesquisadores, que remonta ao ano de 2014, na presidência australiana do G20. Foi por meio dessa atuação que decidimos juntar forças com nossos parceiros, a Fundação Alexandre de Gusmão (Funag) e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), para organizar o T20 Brasil”, completou.

A diretora-presidente do Cebri, Julia Dias Leite, apontou que o T20 Brasil oferece uma oportunidade valiosa de engajamento entre diferentes think tanks nacionais e internacionais. “Acreditamos que o T20 resultará num impacto significativo nos processos políticos do G20, contribuindo para influenciar outros think tanks globalmente”, afirmou. A dirigente estimulou o aprofundamento das discussões promovidas na conferência no sentido de melhorar modelos econômicos e diminuir os impactos sobre o clima, promovendo a diversidade e preservando as vidas das pessoas.

A presidente da Funag, Marcia Loureiro, declarou que encontros multilaterais recentes têm demonstrado que, apesar dos desafios geopolíticos atuais, há cada vez mais convergência em torno da necessidade de combater desigualdades e a fome e no sentido de promover o desenvolvimento sustentável e reformular as instituições de governança global. “Não há dúvidas de que o T20 está numa posição especial para oferecer propostas concretas e ideias inovadoras. Vimos o crescimento e amadurecimento do T20 na última presidência (Índia) e estou certa de que nossa conferência mostrará a energia positiva que pode ser gerada por uma rede de pesquisa e colaboração como esta”, afirmou.

 

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Nova edição da revista Planejamento e Políticas Públicas apresenta oito artigos inéditos

Artigos sobre desigualdade de rendimento e o programa Bolsa Família estão na nova edição da revista Planejamento e Políticas Públicas (PPP), publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta terça-feira (05/03). A publicação número 65 é composta por oito artigos assinados por 24 pesquisadores. Esta edição traz uma diversidade de temas, desde a desigualdade de gênero até a estrutura econômica regional.

O editor e técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Mario Jorge Cardoso de Mendonça, explica que os estudos abordam temas relacionados à economia, trabalho, meio ambiente e políticas públicas. Para ele, "a revista proporciona uma leitura enriquecedora, que contribui muito com o debate público e a sociedade, com uma linguagem acessível, sem perder o rigor científico".

O primeiro artigo, "Gap de Rendimentos por gênero no Brasil: o que mudou com a pandemia da Covid-19?", traz uma análise da desigualdade de rendimentos no mercado de trabalho, focando nos impactos da pandemia. Os autores exploram a persistência das disparidades de renda entre gêneros, evidenciando a necessidade de atenção contínua a essas questões.

Avaliando a mobilidade urbana, o segundo artigo, "Impacto dos Corredores de Ônibus na Velocidade de Outros Veículos em São Paulo", explora dados sobre os efeitos das faixas exclusivas de ônibus na dinâmica do trânsito em São Paulo, fornecendo subsídios práticos para políticas de transporte.

Já o terceiro estudo, "Avaliação de Impacto do Programa Bolsa Trabalho sobre a Inserção dos Jovens de Osasco-SP no Ensino Formal", avalia o impacto do Programa Bolsa Família na inserção dos jovens de Osasco, localizada na região Metropolitana de São Paulo, destacando a eficácia do programa no combate ao abandono e à evasão escolar.

O quarto artigo trata da "Dependência na Duração das Flutuações Econômicas no Brasil: evidências para o período 1947-2017". O estudo analisa a possibilidade de haver dependência na duração dos ciclos econômicos de produção no Brasil. A pesquisa investigou se as fases dos ciclos, como expansões e recessões, tendem a se prolongar ou encurtar ao longo do tempo. Para isso, os pesquisadores construíram uma série histórica do produto interno bruto (PIB) trimestral, abrangendo o período de 1947 a 2017, e aplicaram diferentes métodos estatísticos para avaliar a dependência na duração desses ciclos. Os resultados indicaram a presença de dependência positiva, sugerindo que as fases dos ciclos econômicos tendem a se prolongar.

A proporção do esforço dedicado pelos especialistas a cada uma das etapas do ciclo orçamentário é destacada no quinto artigo, intitulado "O Estado da Arte em Pesquisas sobre Orçamento Público Brasileiro após o Novo Regime Fiscal", que traz uma revisão bibliográfica sobre o orçamento público brasileiro, destacando as áreas mais abordadas pelos especialistas e identificando lacunas importantes para futuras pesquisas.

A relação entre políticas ambientais e prevenção de desastres é analisada no artigo "A Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais Está Disposta a Prevenir Desastres?". Os autores abordaram a eficácia da recém-regulamentada Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais. O estudo evidencia a inclusão dos serviços ecossistêmicos de regulação que contribuem para a redução do risco de desastres (RRD) nessa legislação.

Avaliando a implementação da Estratégia NutriSUS, a pesquisa "Estudo Quali-Quantitativo sobre a Implementação da Estratégia Nutrisus: a experiência de quem fez" destaca os desafios e as oportunidades na busca por diminuir a prevalência de anemia infantil. Finalizando a edição, uma análise detalhada da estrutura econômica da região Nordeste e seus estados oferece um panorama do desenvolvimento da região. 

Acesse a Edição nº 65 da Revista PPP

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Estados Unidos são o principal destino de militares brasileiros no exterior

Fotos: Flickrs Exército/Aeronáutica/Marinha

Os Estados Unidos são o principal destino dos postos e missões militares brasileiras no exterior. Quanto maior as patentes, maior é a fatia dos Estados Unidos como destino dos cursos de militares brasileiros. Os dados são do texto para discussão “O Setor de Defesa Brasileiro no Exterior: Desafios, Oportunidades e Subsídios para a Revisão dos Documentos de Defesa” publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O trabalho é de autoria do técnico de planejamento e pesquisa, Pedro Silva Barros, em parceria com os pesquisadores Paula Macedo Barros e Raphael Camargo Lima. O objetivo do estudo é contribuir com a avaliação da atuação do setor de defesa brasileiro no exterior, por meio de uma análise exploratório das principais missões militares no estrangeiro. O país norte-americano também concentra o maior número de postos de oficiais de ligação e estágios.

Entre os anos de 2020 e 2023, 134 militares brasileiros fizeram cursos nos Estados Unidos. Dentre esses, 97 eram oficiais superiores. O segundo país que mais recebeu militares brasileiros nesse período foi a Suécia, com 63 militares (somente um oficial superior). Há aqui influência do projeto de treinamento relacionado à compra dos caças Gripen. "Houve quase dez vezes mais oficiais superiores em cursos nos Estados Unidos do que em qualquer outro país. Isso é claramente uma dissonância entre o objetivo da política externa brasileira, de autonomia e equidistância entre as principais potencias, e a concentração exacerbada em único parceiro”, afirma Barros.

Os Estados Unidos lideram também o ranking de países em que militares brasileiros realizaram cursos de pós-graduação stricto senso no exterior entre 2020 e 2023, com 27 estudantes militares brasileiros nesse período. Em seguida aparecem Reino Unido (9), Alemanha (5) e Argentina (5). Os Estados Unidos também lideram os levantamentos relacionados aos destinos de militares brasileiros associados a organizações internacionais, comissões de aquisições no exterior e em exercício funcional em instituições de ensino militares. “Há um contraste imenso entre os Estados Unidos, de um lado, e China e Rússia, de outro. Praticamente, não há militares brasileiros fazendo cursos nos países Brics”, diz Barros.

O estudo analisa o cenário, destacando que, embora seja esperado que os Estados Unidos, como uma das maiores potências militares do mundo, atraiam parcela significativa das missões internacionais dos militares brasileiros, a oferta de cursos, estágios e outras atividades internacionais jamais é politicamente neutra. Os pesquisadores ponderam que há interesses de alinhamentos estratégico e doutrinário nessa oferta, que, em última instância, podem ser contrários ao interesse brasileiro.

“Ao concentrar em um único parceiro da forma como verificamos nesse período, perdemos a oportunidade reunir conhecimento sobre países que são importantes no cenário internacional e que estão em espaços de decisão multilaterais, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Além disso, caminhamos na contramão das demandas que temos de visão de um mundo cada vez mais complexo, com mais tensões e multipolar”, avalia Barros.

A pesquisa também destaca o papel da Colômbia como destino de militares brasileiros no período de 2020 a 2023, em alguns casos, sendo mais relevante do que a Argentina, um parceiro histórico e tradicional do Brasil na América do Sul. A Colômbia recebeu 10 militares brasileiros no conjunto de instrutores e monitores, ficando atrás apenas dos Estados Unidos neste quesito.

O trabalho usou onze indicadores da atuação internacional do setor de defesa: atos internacionais sobre defesa e assuntos militares; aditâncias, adidos militares e equipes de apoio; cursos, treinamentos e capacitações militares no exterior; pós-graduações no exterior; postos de instrutores e monitores no exterior; funções militares em organizações internacionais; comissões militares especiais de aquisições no exterior; missões técnicas e assessorias militares; funções em instituições de ensino de educação profissional militar; intercâmbios em forças estrangeiras, oficiais de ligação e outros postos relevantes; e funções relacionadas à base industrial de defesa.

Além disso, o estudo traz ainda uma série de recomendações políticas para a atuação internacional do setor de defesa. Pondera a respeito de tópicos como atuação internacional do setor de defesa, entorno estratégico, Junta Interamericana de Defesa, comissões de aquisição e reequilíbrio de poder e multipolaridade. Sobre este último, sugere reequilibrar a atuação internacional do setor de defesa brasileiro, reduzindo o peso relativo dos Estados Unidos, e a busca de oportunidades em outros países de interesse do Brasil, especialmente potências emergentes, em um contexto de multipolaridade e aumento de competição estratégica.

Confira a íntegra do estudo

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Especialistas debatem gastos públicos e privados para a redução de emissão de efeito estufa no Brasil

Helio Montferre/Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) promoveu na terça-feira (27) um seminário para debater os gastos públicos e privados para a redução de emissão de efeito estufa no Brasil. A partir do texto para discussão intitulado “Gastos Federais, Alavancagem de Capital Privado e Receitas Advindas da Venda de Reduções Certificadas de Emissões (Rces) no Contexto do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo no Brasil”, os pesquisadores destacaram o orçamento destinado à agenda do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo entre 2000 e 2020, onde o Brasil destinou 0,02% dos recursos do então Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para projetos com esse fim.

As Reduções Certificadas de Emissões (RCEs), conhecidas como créditos de carbono, são emitidos quando um país atinge uma meta específica de redução de emissão de gases do efeito estufa. O Brasil ocupa o quarto lugar entre os maiores geradores de créditos de carbono. “A vantagem que o MDL oferece para um país que hospeda um projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), além de reduzir o custo para agentes que têm a obrigação de diminuir suas emissões, é de diversos benefícios, incluindo o investimento estrangeiro eventual, a entrada de recursos da própria geração dos créditos e a capacitação para trabalhar com tecnologias de baixa emissão”, disse Gustavo Luedemann, técnico de planejamento e pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea.

Entre 2000 e 2020, o montante anual de recursos orçamentários destinados à agenda do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo representou, em média, 0,02% do orçamento total do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, totalizando US$ 7.311.255,95 (aproximadamente R$ 36.135.882,53 na cotação atual do dólar). “Os números são pequenos, não porque o Brasil investe pouco na política de mudança climática, mas sim porque custou pouco regular este mercado dentro do Protocolo de Kyoto”, afirma Luedemann.

A mobilização de capital internacional a partir da venda de créditos de carbono no Brasil foi de aproximadamente US$ 600 milhões, enquanto o gasto privado total desses projetos, em 22 anos, foi de US$ 26,1 bilhões. Os autores concluem que o investimento público foi pequeno comparado ao que o MDL alavancou de recursos privados para projetos de baixa emissão.

O estudo analisou os gastos federais brasileiros, entre ações orçamentárias específicas e despesas de pessoal (servidores de carreira e consultores) do Ministério da Ciência e Tecnologia designados à agenda no período de 2000 a 2020, com consulta à base de dados do MDL e documentos oficiais do governo, assim como a mobilização de capital internacional.

“Quando se chega à conclusão de que os gastos privados foram maiores do que o retorno dos certificados, uma vez que os projetos foram aprovados e as RCEa foram comercializados, houve um ‘apadrinhamento’ das iniciativas ambientais, em que o poder público abria caminho para que o setor privado seguisse”, diz Flávia Witkowski Frangetto, pesquisadora bolsista na Dirur e da organização Rede Clima.

O trabalho é assinado pelo técnico de planejamento e pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais, Gustavo Luedemann; Heloisa Tozato, Luísa Fancelli Coelho e Heloisa Tozato, ambas pesquisadoras bolsistas da Dirur e da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima).

Confira aqui a íntegra do estudo

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