O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) e a Universidade de Brasília (UnB) realizam nesta quinta-feira, dia 3, às 9h, o debate A Administração Pública no Estado Democrático - Proposta da lei orgânica para a administração pública e entes de colaboração. O evento será no Auditório Joaquim Nabuco, da Faculdade de Direito da UnB, e se insere no ciclo de debates Direito e Gestão Pública.
O objetivo do encontro é apresentar e debater a proposta de uma nova estrutura orgânica para o funcionamento da Administração Pública Federal e de suas relações com entes de colaboração. Tal proposta foi elaborada por uma Comissão de Juristas, instituída pela Portaria nº 426 de 6 de dezembro de 2007, do MPOG. Para discutir essa iniciativa, estarão no debate os juristas Sergio de Andréa e José Eduardo Sabo Paes.
A proposta da Comissão de Juristas atende à constatação das autoridades do governo de que há um esgotamento no modelo atual da administração pública - e isso tem provocado dificuldades para a ação estatal ágil e de qualidade no atendimento às demandas sociais e do mercado. Os interessados devem confirmar presença pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou pelos telefones (61) 2020-4969 e 2020-4296.
IQD de setembro registra aumento, mas continua instável
Entre todos os subíndices que compõem o indicador do Ipea, apenas o de Qualidade da Inserção Externa apresentou queda
O Índice de Qualidade do Desenvolvimento (IQD) de setembro, calculado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), registrou aumento em relação ao mês anterior, marcando 235,4 pontos, mas permanecendo na zona de instabilidade. O resultado aponta que o crescimento do Brasil ocorre em descompasso com índices de melhor distribuição de renda e de inserção internacional do País.
O IQD é uma pesquisa mensal realizada pelo Ipea que capta se o desenvolvimento vivido pelo País contempla os requisitos de crescimento econômico com distribuição dos frutos do progresso e, também, aponta se esse movimento tende a sustentar-se no tempo. Para tanto, o indicador é segmentado em três componentes: Índice de Qualidade do Crescimento, Índice de Qualidade da Inserção Externa e Índice de Qualidade do Bem-Estar.
O crescimento pode variar entre 500 pontos (todos os itens favoráveis ao crescimento) e zero ponto (todos desfavoráveis). Os três componentes são pontuados. A escala vai de péssima qualidade do desenvolvimento a ótima qualidade do desenvolvimento. Em setembro, o Índice de Qualidade do Bem-Estar, embora melhorando 3% em relação a março de 2009, apresenta estabilidade, com elevada pontuação (314,8). Esse patamar, segundo a pesquisa do Ipea, indica que a área social continua a contribuir para a melhoria da qualidade do desenvolvimento brasileiro, criando uma base importante para sua sustentação.
Já o Índice de Qualidade da Inserção Externa sofreu, desde abril de 2009, uma queda significativa, passando de 189,2 pontos naquele mês para 175,7 em setembro (-7,1%). O resultado, de acordo com a pesquisa, indica que os problemas dos países ricos ainda provocam muitas dificuldades para a melhor inserção do País no exterior e também refletem desconfiança interna.
Ipea apresentou novo estudo sobre a PNAD 2008
Comunicado da Presidência nº 36, sobre Juventude e Desigualdade Racial, foi divulgado nesta quinta-feira por técnicos da Disoc
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Foto: Sidney Murrieta
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A pesquisadora Joana Mostafa fala sobre juventude durante a
apresentação do Comunicado da Presidência n° 36
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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta quinta-feira, 3 de dezembro, às 10h, mais um estudo da série sobre a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Coordenado pela Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc), o Comunicado da Presidência nº 36 - PNAD 2008: Primeiras Análises apresenta dois tópicos, Juventude e Desigualdade Racial.
No tema Juventude, é analisada a situação dos jovens brasileiros, com recortes de faixa etária, gênero e regiões, nos quesitos educação, mercado de trabalho e transição escola-trabalho. Consideram-se jovens aqueles entre 15 e 29 anos, uma população que soma hoje 49,7 milhões de pessoas, cerca de 26,2% da população total. Entre as constatações do trabalho, está a evolução, entre 1998 e 2008, da escolaridade nesse grupo.
O texto mostra que os jovens adolescentes brasileiros (de 15 a 17 anos) têm diminuído a participação no mercado de trabalho, o que é uma boa notícia, pois essa idade deve ser destinada ao aprofundamento nos estudos. A participação caiu de 45% em 1998 para 37% em 2008. “A idade média de entrada no mercado de trabalho tem aumentado nas duas classes das pontas, aqueles com faixa de renda de cinco ou mais salários mínimos e os de renda menor que ¼ de salário mínimo. Entre os fatores que motivam isso estão o mercado de trabalho mais pujante, que faz com que a renda dos pais melhore, e políticas como o Bolsa Família”, explicou Joana Mostafa, técnica da Disoc.
O segundo tema do Comunicado foi apresentado a partir da contribuição da desigualdade regional para a desigualdade de raças no Brasil. Como as regiões mais ricas apresentam maior porcentagem de pessoas brancas, uma parte da desigualdade racial é necessariamente resultado das desigualdades entre regiões.
O Comunicado revela que a distância relativa de renda média entre negros e brancos no Brasil diminuiu. Em 2004, a renda dos brancos era 2,15 vezes maior, e em 2008 era 1,99 vez. “Políticas específicas para a população negra são necessárias, mas insuficientes para acabar com a desigualdade racial no Brasil”, afirmou o técnico da Disoc Rafael Ozório, destacando a importância de se reduzir também as disparidades regionais.
Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 36
Seminário apresenta experiências mundiais de desenvolvimento
Evento promovido pelo Ipea e pela Universidade de São Paulo terá palestras, debates e o lançamento do livro Trajetórias Recentes do Desenvolvimento
Nesta segunda-feira, dia 30, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizará o seminário Experiências de Desenvolvimento: China, Índia, Rússia e África do Sul. O encontro, que terá apresentações e debates entre profissionais do Instituto e da universidade, será na Universidade de São Paulo (USP).
Além das apresentações, também haverá o lançamento do livro Trajetórias Recentes do Desenvolvimento: Estudos de Experiências Internacionais Selecionadas, organizado por José Celso Cardoso Jr., Luciana Acioly e Milko Matijascic. A publicação se insere no projeto Perspectivas do Desenvolvimento Brasileiro, do Ipea. Os capítulos da obra descrevem e analisam estratégias de desenvolvimento adotadas por vários países, como Argentina, China, Estados Unidos, México, e Rússia.
O evento ocorrerá das 14h às 18h no saguão do auditório do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. (envie nome, telefone e instituição onde atua). As vagas são limitadas.
Potencial da biodiversidade foi tema de seminário
Especialistas se reuniram no Ipea para discutir a agenda ambiental, que ganha destaque com a proximidade da COP 15
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Foto: Sidney Murrieta
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Participantes do seminário, realizado pelo Ipea, discutiram
os desafios e oportunidades da biodiversidade amazônica
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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) promoveu na terça-feira, 1° de dezembro, o seminário Potencialidades Econômicas da Biodiversidade Amazônica: Desafios e Oportunidades. O evento, promovido pela Coordenação de Meio Ambiente da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur), foi transmitido ao vivo pelos sítios do Ipea (www.ipea.gov.br e www.ipea.gov.br).
Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP 15), este mês na Dinamarca, especialistas e pesquisadores de universidades e de órgãos de governo discutiram temas como os programas e projetos voltados para a biodiversidade; as políticas públicas para a Amazônia; a concessão de florestas e distritos florestais sustentáveis; as alternativas sustentáveis para a geração de energia e a eficiência dos Fundos Constitucionais.
O evento, realizado no auditório do Ipea em Brasília, contou com a participação do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Samuel Pinheiro Guimarães, do presidente do Ipea, Marcio Pochmann; da diretora da Dirur, Liana Carleial; e do coordenador de Meio Ambiente, José Aroudo Mota, além de representantes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e dos ministérios do Meio Ambiente; da Ciência e Tecnologia e dos Transportes.
Em entrevista à Agência Ipea, Guimarães apontou como principais desafios da região o combate ao desmatamento, a regularização fundiária, o zoneamento econômico da região, a demarcação das terras públicas e o conhecimento das riquezas do subsolo. “Hoje, apenas cerca de 15% de nosso território é conhecido do ponto de vista geológico. Desses 85% que não são conhecidos, grande parte se encontra na Amazônia. O conhecimento dos recursos minerais da Amazônia é extremamente importante”, ressaltou o ministro.
Segurança
O coordenador de Meio Ambiente do Ipea reforçou a fala do ministro e destacou que se deve concentrar reforços na Amazônia, não só de segurança militar, mas também de segurança científica, construindo laboratórios, escolas técnicas e universidades nas florestas. “É preciso descentralizar recursos de algumas áreas para a região amazônica, a fim de conhecer melhor as informações da floresta e transformar isso em recursos econômicos capazes de melhor a qualidade de vida da população local”, afirmou Mota.
O ministro da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin, defendeu que a melhor alternativa econômica sustentável para a Amazônia é a pesca e a aquicultura, com uma estimativa de 6 milhões de toneladas. Segundo ele, os fatores que justificariam essa escolha são o fato de a região ser a maior reserva de água doce do mundo, a existência de espécies nobres e diversificadas e de rápido crescimento, a rentabilidade da aquicultura por hectare ser muito maior que a produção de gado, a marca Amazônia ter um grande apelo comercial e, principalmente, a preservação da floresta.
A gerente de projeto do Ministério do Meio Ambiente, Nazaré Lima Soares, apresentou os resultados do Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil. O projeto, implantado no Brasil com a contribuição dos países do G-7, Comissão Europeia e Holanda, tinha como objetivo gerar metodologias inovadoras para gestão, uso e proteção dos recursos naturais da Amazônia e da Mata Atlântica. O projeto terminou recentemente com avanços expressivos para o Brasil, como a demarcação de quase metade das terras indígenas na Amazônia.
O coordenador do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), Imar César de Araújo, e o gerente executivo de concessões florestais do Serviço Florestal Brasileiro, Marcelo Arguelles, encerraram o painel da manhã.
Veja os gráficos sobre o Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais no Brasil
Veja os gráficos sobre Amazônia: Aquicultura e Pesca
Veja os gráficos sobre Concessão de Florestas e Distritos Florestais Sustentáveis
Veja os gráficos sobre o Programa Luz para Todos na Amazônia
Veja os gráficos sobre Alternativas e Soluções para Geração de Energia na Amazônia
Veja os gráficos sobre Políticas e Projetos do Ministério dos Transportes para a Amazônia
Veja os gráficos sobre Logística dos Setores Produtivos Difusos da Amazônia
Veja os gráficos sobre Políticas e Projetos do MCT para a Amazônia
Veja os gráficos sobre Desafios de CT&I na Amazônia
Veja os gráficos sobre Fundo Amazônia
Veja os gráficos sobre Eficiência dos Fundos Constitucionais
Foto: SAE![]() |
| Ministro-chefe da SAE (E), Samuel Guimarães, ao lado do novo subchefe-executivo, Luiz Alfredo Salomão |
O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Samuel Pinheiro Guimarães, deu posse na tarde desta quinta-feira, 26, a Luiz Alfredo Salomão como subchefe-executivo. “Tenho certeza de que ele dará uma formidável colaboração nas tarefas que o presidente Lula nos encomendou porque, além do Plano Brasil 2022, temos outros temas para tratar, como a Amazônia e a reforma do Estado”, afirmou Guimarães, se referindo ao plano de desenvolvimento que culminará com o aniversário de 200 anos da independência do País.
Em seu discurso de posse, Luiz Alfredo Salomão, ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro por quatro mandatos, destacou que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) será de fundamental importância para a elaboração do plano de desenvolvimento nacional para 2022. Ele lembrou que foi servidor do Ipea e agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro da SAE a oportunidade de retornar à vida pública.
Alfredo Salomão é diretor e professor da Escola de Políticas Públicas e Governo, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Formado em engenharia elétrica pela UFRJ e especialista em Análise Econômica, ele atuou como secretário estadual de Obras e Meio Ambiente, secretário estadual de Indústria, Comércio, Ciência e Tecnologia, e secretário estadual de Transportes.
Especialistas debatem rede urbana no Paraná
Seminário é desdobramento de pesquisa feita por instituições estaduais e coordenada pelo Ipea
Pesquisadores de instituições de pesquisa e universidades brasileiras reuniram-se para discutir os desafios gerados pelas metrópoles brasileiras. Eles participaram de oficinas de trabalho e de um seminário sobre a rede urbana no Brasil, promovido pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), entre os dias 16 e 19 de novembro,
O seminário foi um desdobramento da pesquisa Dinâmica Urbana dos Estados, desenvolvida pelo Proredes, grupo de instituições estaduais de planejamento e pesquisa, e coordenada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O objetivo era analisar aspectos do sistema urbano dos estados integrantes da pesquisa no período entre 2000 e 2008, com foco nas transformações no perfil demográfico, produtivo e funcional das cidades, bem como na sua distribuição espacial.
Coordenador do projeto, o pesquisador do Ipea Bolívar Pêgo Filho disse que é um desafio trabalhar em conjunto com estados tão distantes entre si e com realidades tão distintas. “Cada instituição tem uma visão diferente sobre os temas e o Ipea tem uma visão nacional. Ao mesmo tempo em que as diferenças são desafiadoras, elas também fortalecem a riqueza desta relação”.
Segundo Pêgo, os resultados do trabalho devem ser divulgados em dois anos. “As propostas finais devem ser encaminhadas aos agentes executores e à sociedade geral. Depois teremos condições de avaliar os resultados, fazendo estudos de caso”, disse.
Além do Ipea e do Ipardes, participam do estudo sobre rede urbana os seguintes órgãos estaduais ligados ao planejamento e pesquisa: Idesp, do Pará; SEI, da Bahia; Sepin, de Goiás; Fundação Uniselva, de Mato Grosso; Seade e Emplasa, de São Paulo; Ceperj, do Rio de Janeiro; Seplan, de Alagoas; Fapems, de Mato Grosso do Sul, e IJSN, dd Espírito Santo.
Ipea homenageia Celso Furtado
Livro traz ensaios sobre os 50 anos de lançamento da obra clássica do economista, Formação Econômica do Brasil
Foto: João Viana![]() |
| Samuel Pinheiro Guimarães, ministro-chefe da SAE, falou sobre o papel de Furtado no desenvolvimento econômico do Brasil |
“Celso Furtado mapeou o País, mas o [nosso] dever de casa continua incompleto.” A ressalva, feita pelo professor Marco Formiga, do CNI/Senai-DN e UnB, durante a mesa-redonda que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) promoveu em Brasília, no último dia 27 de novembro, foi endossada pelo ministro Samuel Pinheiro Guimarães, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
“Ele teve um papel de relevância extraordinária na história do desenvolvimento econômico do Brasil”, afirmou o ministro. Além de Pinheiro Guimarães e Formiga, compunham a mesa o diretor João Sicsú, da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, e Ricardo Bielschowsky, integrante da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal).
A mesa-redonda discutiu o lançamento dos livros Cinquenta Anos de Formação Econômica do Brasil - Ensaios sobre a Obra Clássica de Celso Furtado e Diálogos para o Desenvolvimento – Volume 1, ambos do Ipea.
Na primeira parte do evento, em que também foi lançada a edição comemorativa de 50 anos da obra Formação Econômica do Brasil, publicada pela Companhia das Letras, o público do auditório, formado por professores, gestores governamentais e universitários, assistiu ao filme O Longo Amanhecer, uma cinebiografia de Celso Furtado produzida por José Mariani. Além de entrevistas com Furtado, o documentário traz depoimentos de pensadores e intelectuais que fazem uma análise das ideias do economista e de sua participação em diversos projetos desenvolvidos no Brasil a partir dos anos 1940.
A diretora do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, Rosa Freire D’Aguiar Furtado, viúva do economista, ao agradecer o empenho dos organizadores do livro do Ipea, Tarcisio Patrício de Araújo, Salvador Teixeira Werneck Vianna e Júnior Macambira, manifestou a ideia de que o Instituto possa comemorar o centenário dessa obra de Furtado com um Brasil em condições bem melhores, inspiradas nas propostas de desenvolvimento.
Ipea e Socicom discutiram políticas de comunicação
Jornalistas e pesquisadores se reuniram na capital pernambucana e debateram propostas para a 1ª Confecom
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com a Federação Brasileira das Sociedades Científicas da Comunicação (Socicom), promoveu na segunda-feira, dia 23, na capital pernambucana, o seminário Encontro Brasil Ipea 45 anos: Um Novo Ciclo de Pensamento Nacional - Uma reflexão sobre a 1° Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).
O evento, parte das comemorações dos 45 anos do Instituto, contou com o apoio da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), da Associação dos Correspondentes Estrangeiros (ACE) e do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Pernambuco (SJPE). Das 9h às 16h, o debate reuniu pesquisadores, jornalistas e estudiosos, que discutiram as políticas nacionais de comunicação na sede da Fundaj, em Recife (PE).
José Marques de Melo, presidente da Socicom, abriu o evento ressaltando que "esse é um acontecimento singular da história nacional, em que celebramos a convergência de três segmentos da sociedade brasileira que permaneceram incomunicáveis durante muito tempo". Segundo o professor e doutor, finalmente o Estado, a academia e a sociedade civil se encontram para dialogar sobre as políticas nacionais de comunicação, tema crucial para a consolidação da democracia.
O assessor-chefe de Comunicação do Ipea, Daniel Castro, revelou que a proposta é transformar o debate realizado no seminário em livro. Segundo Castro, para o Ipea, o evento também é um fato histórico, na medida em que é o primeiro seminário aprofundado sobre o tema promovido pelo Instituto. "Vamos rediscutir e olhar a comunicação como algo que é estudado também por economistas, um passo fundamental para quem pensa as políticas de comunicação no Brasil", afirmou.
Políticas de comunicação no mundo
Jan Rocha, ex-correspondente da BBC no Brasil, inaugurou o primeiro painel, Comunicação, o debate lá fora. Rocha apresentou a tradicional empresa de comunicação britânica e destacou o papel da BBC em procurar ser uma fonte objetiva de notícias, mas chamou a atenção para o fato de que os documentários estão perdendo espaço para programas populares, e a BBC começa a ceder às pressões comerciais.
Ao final, Rocha citou o pesquisador Pedro Guareschi, defensor de que "a comunicação deve fazer parte da cesta básica do brasileiro, assim como o arroz e o feijão". Jan sugeriu que, como na Inglaterra, houvesse no Brasil um esforço de tornar os projetos e políticas acessíveis à população em geral. "Se você vai ao médico, há panfletos explicando os programas de saúde do governo com uma linguagem simples", exemplificou.
A jornalista peruana Verônica Goyzueta, da Associação dos Correspondentes Estrangeiros (ACE), sediada em São Paulo, contou que a democracia na comunicação já está se fazendo em outros países da América Latina, como na Argentina, onde o Parlamento votou uma lei que reviu as concessões a empresas de comunicação que concentravam grande poder econômico e ideológico, como o grupo Clarín. Na Venezuela, foi o presidente, Hugo Chávez, quem cortou concessões à RCTV, apenas se utilizando da aplicação de uma lei que não era cumprida.
"Falta o Brasil fazer o mesmo, revendo concessões de empresas de comunicação ligadas a famílias de políticos, como os Sarney e os Magalhães, por exemplo", comentou a jornalista, preocupada com os grupos econômicos que compram veículos de comunicação de referência. Goyzueta argumentou também que, em outros países, ou é obrigatório o diploma para exercer o jornalismo, ou há a necessidade de um conselho, uma organização da profissão. Hoje, o Brasil não adota nenhuma das alternativas.
Wu Zhihua, correspondente do Diário do Povo, o maior jornal da China, comentou os novos desafios e oportunidades para as imprensas chinesa e brasileira. O jornalista citou pesquisas que mostram que 80% dos jovens na China leem notícias pela internet e explicou que os jornais da China buscam ser empresas fortes e consolidadas, de forma a enfrentar o desafio de se adaptar às novas tecnologias. Também investem na diversificação das notícias, na setorização, na ênfase nos jornais locais para se aproximarem mais dos leitores e atenderem várias camadas sociais.
O correspondente do Diário do Povo terminou sua exposição apontando que, no Brasil, os jornais locais não têm espaço para crescer e faltam jornais setorizados. Para ele, enquanto na China há jornais pioneiros publicados somente para estudantes, com linguagem e conteúdo voltado para eles, no Brasil falta a transmissão de conhecimento em todos os setores.
Brasil pode influenciar metas dos países na COP 15
Em seminário no Ipea, representantes brasileiros na conferência sobre o clima discutiram suas perspectivas
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| Especialistas que participaram do seminário no Ipea debateram metas que o Brasil deve apresentar na Dinamarca |
As metas do Brasil para a redução nas emissões de gases de efeito estufa podem influenciar positivamente os números que serão apresentados por outros países durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP 15), em Copenhague (Dinamarca), em dezembro. A conclusão é dos palestrantes do seminário Brasil Rumo a Copenhague: Perspectivas para a COP 15 de Mudanças Climáticas, realizado Ipea nesta terça-feira, 24 de novembro.
O embaixador extraordinário para Mudança do Clima do Ministério das Relações Exteriores, Sérgio Serra, diz que os números apresentados pelo Brasil são ambiciosos, não apenas nos objetivos de redução da trajetória de emissões, mas também em termos absolutos. "A proposta do Brasil foi bem recebida e poderá influenciar outros países, tanto os desenvolvidos, que até agora têm sido tão modestos nas suas ofertas, quanto os em desenvolvimento."
Segundo a representante do Ministério do Meio Ambiente, Andrea Sousa, a proposta do Brasil foi construída em conjunto pelos ministérios e órgãos de governo com base em estimativas de redução em diferentes setores. O total de redução nas emissões ficará entre 36% a 39% até 2020. Para atingir o objetivo, o País pretende reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% no mesmo período. Para o cerrado, o objetivo de redução é de 40%.
Acordo provável
"O Brasil adotou uma política correta, de ir esticando a corda, ou seja, de se posicionar gradualmente em relação aos acordos a serem tratados", argumentou a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), presidente da Comissão Mista de Acompanhamento das Mudanças Climáticas do Congresso Nacional, depois de defender que dificilmente a conferência terminará sem acordo.
Ideli disse ainda que o Brasil, além de apresentar números significativos de redução da emissão dos gases de efeito estufa até 2020, poderá chegar a Copenhague com dois projetos de lei que ainda tramitam no Congresso Nacional: a Lei do Fundo Nacional de Mudanças Climáticas e a Política Nacional de Mudanças Climáticas.
Para o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, é preciso tratar o tema do ponto de vista técnico. "O diálogo com base no conhecimento nos abre melhores oportunidades de desenhar caminhos e opções de políticas". Para isso, o Ipea previu, no último concurso público, realizado no final de 2008, vagas específicas para a área da sustentabilidade ambiental.