Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Proteção social na América Latina foi tema de seminário

Proteção social na América Latina foi tema de seminário

Ian Walker, do Banco Mundial, propôs no Ipea um novo modelo para estender a proteção social efetiva no subcontinente

Foto: Sidney Murrieta
Walker disse que o sistema de proteção social
é defasado, pois não considera a informalidade

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada recebeu nesta quarta-feira, dia 7, o especialista em proteção social do Banco Mundial Ian Walker. Ele foi o palestrante do seminário Proteção Social para o século 21: como a América Latina e o Caribe podem estender proteção social efetiva a todos os cidadãos, promovido pela Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea.

O evento também contou com a participação de Jorge Abrahão, diretor da Disoc. Walker destacou que o trabalho realizado pelo Ipea é conhecido em toda a América Latina e se tornou referência. Discorreu ainda sobre as inovações de proteção social nos países latino-americano nos últimos 20 anos, que buscam inverter a má distribuição de renda, principal causadora dos baixos índices de proteção aos mais pobres.

Segundo ele, o sistema adotado atualmente é construído sobre uma base falsa, pois parte do pressuposto de que todos trabalham formalmente, todos têm direitos, e o governo tem recursos. Porém, Walker argumenta que o trabalho informal é uma parte significativa e não integra essa contagem, defasando o sistema. Para ele, é necessária uma reformulação no sistema a fim de diminuir o déficit entre arrecadação e receita, garantindo o benefício a todos.

O economista ressaltou que o Brasil é o mais avançado em políticas de proteção social na América Latina e no Caribe. Afirmou que o País investe em profissionalização dos desempregados por meio de recursos como o seguro desemprego, que facilitam a volta ao mercado de trabalho e fazem com que a roda da economia continue girando. Em contrapartida, quando é analisado o investimento em proteção social para os 20% mais pobres, o Brasil fica atrás de países como a Argentina, demonstrando que há falhas no sistema.

Nesse contexto, Walker propõe um modelo de categorias estáveis, entre trabalho formal e informal. Acredita na necessidade de reformar os sistemas distributivos e criar programas não-contributivos de forma a estender o benefício aos mais pobres. Tais medidas também diminuiriam a vulnerabilidade do País e permitiriam alcançar as três metas que baseiam a proteção social: manter nivelado o consumo durante a vida das pessoas, estabelecer o sistema de flexão social para prevenir a pobreza e promover o acesso ao capital humano para toda a sociedade, garantindo a produtividade.

Instituto quer debate com redes de conhecimento

Instituto quer debate com redes de conhecimento

Ideia do Ipea é retomar o pensamento crítico nacional para o planejamento de longo prazo

Foto: Pedro Libânio
Mário Theodoro ressaltou a importância
da proteção social no projeto de equidade

No primeiro de uma série de debates programados para ocorrerem em comemoração aos 45 anos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea e a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj-PE) realizaram nesta terça-feira (6) um seminário no Recife (PE). Houve consenso entre os pesquisadores de ambas as instituições sobre os rumos positivos que o Brasil vem tomando no sistema de assistência e proteção social, e sobre as conquistas de equidade no País desde o processo de redemocratização instalado há quase três décadas.

Houve consenso, também, sobre o fato de que ainda há muito a fazer: o Brasil continua a ocupar lugar de destaque no ranking dos mais desiguais e precisa crescer com melhor distribuição de riqueza e sustentabilidade ambiental. Como promover esse tipo de desenvolvimento? As discussões sobre o tema farão parte de uma rede de conhecimento que o Ipea está construindo com 25 instituições regionais de estudo e pesquisa, anunciou Mário Lisboa Theodoro, diretor de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais (Dicod) do Ipea. Ele convidou a Fundaj a integrar a rede.

 No seminário Encontros Brasil Ipea 45 Anos: Um Novo Ciclo do Pensamento Nacional, Theodoro mostrou ao público um panorama da economia brasileira com taxa de desemprego de 7,2% em 2008, menor patamar desde 1996, o que significa mais recursos previdenciários e poder de ampliação da rede de proteção social. Para ele, esse é um caminho sem volta que o Brasil precisa percorrer.

“Grande parte da equidade conseguida no País se deve ao sistema de proteção social. Precisamos reconstruir um sistema de planejamento de proteção social que pense o Brasil até 2030”, afirmou, depois de observar a tendência de baixa fecundidade e aumento no número de idosos previsível nos dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).
  
Papel das instituições
O pesquisador do Ipea Giorgio Romano Schutte, ao expor sobre a inserção internacional do Brasil na governança global, apontou alguns acertos do País nas relações internacionais, por conta de ter mantido bancos públicos, políticas sociais e foco no crescimento com melhor distribuição de renda.

Trata-se, segundo ele, de um debate que já ocorria internacionalmente na Organização das Nações Unidas (ONU). “Na década de 1990, as crises financeiras mostravam os limites do Consenso de Washington para os países emergentes,” disse. “A crise financeira global mostrou a importância do papel das instituições nacionais e internacionais”, ponderou, ao lembrar que o “milagre” de alguns países asiáticos ocorreu justamente porque eles não seguiram o receituário do consenso.

Romano acredita que a crise agilizou a volta do coletivo e do Estado, e que não está em debate a desglobalização, mas sim a globalização organizada, a governança global. “Falta uma convenção sobre o desenvolvimento, e o Brasil terá papel de destaque nessa convenção”, acrescentou o pesquisador ao observar que o País foi convidado a integrar o G-20, o Comitê da Basileia e acaba de conquistar o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016. As mudanças climáticas, na visão de Romano, também “criaram um novo paradigma tecnológico com janelas de oportunidades para áreas ricas em biodiversidade, como o Brasil”.

Mercado interno 
Para a economista da Fundaj Tania Bacelar, um dos maiores acertos da política econômica dos últimos anos foi o de investimento no mercado interno. Na região Nordeste, representou uma diminuição de 50% da pobreza. “Mas ainda há muito a ser feito. Continuamos desiguais e com índice de desenvolvimento humano muito baixo”, afirmou. Ela sugeriu que o Ipea e a rede de pesquisadores do Nordeste discutam a reforma da estrutura fundiária “perversa” que existe na região. "O quadro econômico e social no meio rural precisa ser revisto", ressaltou.

A economista destacou os benefícios dos investimentos da Petrobras no Nordeste, mas observou que a região parece ter ficado de fora da integração com os países vizinhos. “Vão fazer rodovias ligando vários estados aos países vizinhos, mas o Nordeste parece estar meio esquecido nesse planejamento”, destacou, ao solicitar estudos a respeito do assunto.    

Formação de quadros
O diretor da Dicod anunciou que em breve o Ipea vai complementar o sistema de formação de quadros técnicos no Brasil. Já está pronta a minuta de um projeto de lei que o governo pretende mandar ao Congresso criando a Escola Nacional de Planejamento para o Desenvolvimento, que funcionará no Instituto. A proposta é formar mais técnicos que pensem o planejamento em longo prazo.

Ipea analisa dados sobre educação, gênero e migração

Ipea analisa dados sobre educação, gênero e migração

Comunicado da Presidência nº 32 avalia os três temas com base nos números da PNAD 2008

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta quarta-feira, dia 7, às 10h, a terceira análise de uma série de cinco estudos sobre a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise, reunida no Comunicado da Presidência nº 32, traz novas percepções sobre os temas "educação, gênero e migração". Por exemplo, aponta que, mantendo-se a tendência atual, o País levará cerca de cinco anos para atingir a média de escolaridade obrigatória pela Constituição.

No capítulo sobre migração, uma constatação é a de que São Paulo volta a atrair mais migrantes de estados do Nordeste e do próprio Sudeste, depois de um período de perda populacional. O trabalho doméstico é o tópico central no capítulo sobre gênero, o qual compara o aumento na quantidade de prestadores desse tipo de serviço - inclusive do número de diaristas - com o desenvolvimento da renda.

O texto referente à educação revela que apenas uma região do Brasil já ultrapassou a média de escolaridade obrigatória de 8 anos estabelecida na Constituinte de 1988. O estudo traz diversas tabelas e gráficos comparando regiões, faixas etárias e raças. A apresentação do Comunicado da Presidência nº 32 ficou a cargo de Jorge Abrahão, diretor de Estudos e Políticas Sociais (Disoc), e dos técnicos de Planejamento e Pesquisa da Disoc Herton Araújo e Natália Fontoura. O evento, realizado no auditório do Ipea em Brasília, pôde ser acompanhado on-line pelos sites http://www.ipea.gov.br e www.ipea.gov.br.

Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 32

Veja os gráficos sobre educação

Veja os gráficos sobre gênero (trabalho doméstico)

Veja os gráficos sobre migração

Ipea analisa dados sobre educação, gênero e migração

Ipea analisa dados sobre educação, gênero e migração

Comunicado da Presidência nº 32 avalia os três temas com base nos números da PNAD 2008

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta quarta-feira, dia 7, às 10h, a terceira análise de uma série de cinco estudos sobre a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise, reunida no Comunicado da Presidência nº 32, traz novas percepções sobre os temas "educação, gênero e migração". Por exemplo, aponta que, mantendo-se a tendência atual, o País levará cerca de cinco anos para atingir a média de escolaridade obrigatória pela Constituição.

No capítulo sobre migração, uma constatação é a de que São Paulo volta a atrair mais migrantes de estados do Nordeste e do próprio Sudeste, depois de um período de perda populacional. O trabalho doméstico é o tópico central no capítulo sobre gênero, o qual compara o aumento na quantidade de prestadores desse tipo de serviço - inclusive do número de diaristas - com o desenvolvimento da renda.

O texto referente à educação revela que apenas uma região do Brasil já ultrapassou a média de escolaridade obrigatória de 8 anos estabelecida na Constituinte de 1988. O estudo traz diversas tabelas e gráficos comparando regiões, faixas etárias e raças. A apresentação do Comunicado da Presidência nº 32 ficou a cargo de Jorge Abrahão, diretor de Estudos e Políticas Sociais (Disoc), e dos técnicos de Planejamento e Pesquisa da Disoc Herton Araújo e Natália Fontoura. O evento, realizado no auditório do Ipea em Brasília, pôde ser acompanhado on-line pelos sites http://www.ipea.gov.br e www.ipea.gov.br.

Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 32

Veja os gráficos sobre educação

Veja os gráficos sobre gênero (trabalho doméstico)

Veja os gráficos sobre migração

Debate sobre políticas públicas reuniu técnicos do Ipea

Debate sobre políticas públicas reuniu técnicos do Ipea

Representantes do Instituto e do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão discutiram a avaliação de políticas de Estado

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos (SPI) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) promoveram na sexta-feira, dia 2, um debate sobre a avaliação das políticas públicas federais. O evento ocorreu no auditório do Ministério e contou com a presença do secretário de Planejamento e Investimentos Estratégicos, Afonso Almeida, e do diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão, que abriram o seminário.

O diretor de Estudos do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest), José Celso Cardoso Jr., além dos técnicos do Instituto Mansueto Almeida, Maria da Piedade, Luseni Aquino e Divonzir Gusso apresentaram a publicação Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento e Políticas Públicas, o mais novo trabalho do Ipea que faz um balanço das principais políticas públicas brasileiras.

Afonso Almeida abordou os desafios contemporâneos do planejamento governamental e defendeu que é fundamental ter uma política para a área social do governo, principalmente para a educação. “Quando olhamos os desenhos dos programas com grande impacto para a sociedade, nossa contribuição não foi muito grande. Assim foi com programas como Bolsa Família, Luz para Todos, o novo Pronad. Percebemos que não estávamos muito contemporâneos”, avaliou o secretário. Segundo ele, a parceria com o Ipea é essencial, pois o Instituto oferece toda formulação acadêmica para aplicá-la nas políticas públicas.

Abrahão, por sua vez, disse que o Instituto está fazendo o que é seu desejo desde o início: “produzir conhecimento e disseminá-lo para o governo auxiliando na tomada de decisões e na formulação de políticas públicas.” A publicação do Instituto será apresentada para outras áreas do governo, principalmente as setoriais.

José Celso Cardoso Jr. afirmou que o debate no Ipea parte da constatação de que a atividade de planejamento governamental hoje não deve ser desempenhada como outrora, de forma centralizada e com viés essencialmente normativo. “Há a evidente questão de que, em contextos democráticos, o planejamento não pode ser nem concebido nem executado de forma externa e coercitiva aos diversos interesses, atores e arenas sociopolíticas em disputa no cotidiano. Não há, como talvez tenha havido no passado, um ‘cumpra-se’ que se realiza automaticamente de cima para baixo pelas cadeias hierárquicas do Estado, até chegar aos espaços da sociedade e da economia.” 

O planejamento e as políticas públicas nas dimensões da produção e da inovação foram o tema da exposição de Mansueto Almeida. Ele destacou que a política industrial está diversificada e colocou o Brasil como líder global em muitos setores, como o da agricultura. Mas ponderou que, apesar de o número de empresas ter mais que duplicado em toda década de 1990, não se pode afirmar que aumentou a inovação com bases anuais. “A história da industrialização do Brasil aponta uma legislação muito favorável ao capital estrangeiro, seguindo o modelo de comprar tecnologia, o que dificultou nossa inovação”, explicou.

Em seguida, Maria da Piedade abordou as questões regional, urbana e ambiental das políticas públicas. Luseni Aquino refletiu sobre o desenvolvimento brasileiro a partir das questões relativas à efetivação dos direitos, inclusão social e a melhoria da qualidade de vida, enquanto Divonzir Gusso analisou temas emergentes na área social.

Previdência atinge a maior cobertura na década

Previdência atinge a maior cobertura na década

 

Análise da PNAD revela ainda desemprego decrescente e redução na informalidade no trabalho

091001_PNAD2RiointraTécnicos da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea apresentaram na manhã desta quinta-feira, 1º de outubro, mais análises da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2008). A segunda entrevista coletiva, realizada na sede do Instituto no Rio de Janeiro, trouxe boas notícias nas áreas de previdência e mercado de trabalho, mas novidades preocupantes em matéria de demografia (leia a matéria seguinte).

A primeira parte da apresentação do Comunicado da Presidência nº 31 coube ao técnico de Planejamento e Pesquisa (TPP) Leonardo Rangel. Ele revelou que, segundo a PNAD, a cobertura previdenciária do Brasil atingiu o ponto mais alto da década até agora, com 59,6% da população economicamente ativa (PEA) inserida. No entanto, ele lembrou que um terço da PEA brasileira ainda corresponde a trabalhadores informais, que não contribuem para a previdência.

“Isso significa que o emprego com carteira assinada cresceu, o número de contribuintes cresceu, mas a informalidade persiste e responde por cerca de 31,1 milhões de pessoas”, afirmou Rangel. Os empregos com carteira pularam de 30,4% da PEA em 2001 para 35,7% em 2008. Já os contribuintes passaram de 44,3% para 51% no mesmo período.

O estudo incluiu uma simulação que demonstra a relevância da previdência enquanto reguladora da pobreza. Se todos os benefícios pagos fossem retirados, a parcela de indigentes (que ganham menos de ¼ de salário mínimo per capita) na população passaria de 10% para 20,19%. Seriam mais 17 milhões de indivíduos nessa situação.

Cai a informalidade

O TPP Carlos Henrique Corseuil apresentou o artigo escrito com Lauro Ramos sobre evolução do mercado de trabalho entre 2001 e 2008. Os avanços nessa área são patentes: o grau de informalidade no emprego é o menor da década, o desemprego é o menor desde 1996, e o rendimento real médio de todos os trabalhos é o maior da década, de acordo com a PNAD 2008.

O grau de informalidade - razão entre trabalhadores sem carteira, por conta própria e não remunerados sobre o total de ocupados - ficou em 49,4% em 2008 e vem caindo desde 2002. “A tendência é acelerarmos essa queda”, disse Corseuil. Já o desemprego está na casa dos 7,2%, e o rendimento real médio atingiu R$ 944,38. “Devemos ressaltar que a queda recente no desemprego é puxada pelo aumento na demanda por trabalho, pois a taxa de participação está estável, sem retração”, lembrou o técnico da Disoc.

Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 31

Veja a apresentação Mercado de Trabalho

Veja a apresentação Tendências Demográficas


Fecundidade brasileira está abaixo do nível de reposição

Caso a tendência continue, previsão é de que o número absoluto de brasileiros começará a cair a partir de 2030
 
Uma análise sobre os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-2008, do IBGE) feita pelo Ipea mostra um processo acelerado de envelhecimento da população brasileira. Em 1992, a média de filhos tidos por uma mulher no País era de 2,8. Em 2008, foi de apenas 1,8 - abaixo do chamado nível de reposição, em torno de 2,1, necessário para que a quantidade de indivíduos não cresça nem diminua.
 
A estatística foi apresentada em entrevista coletiva pela técnica de Planejamento e Pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) Ana Amélia Camarano. Ela e Solange Kanso assinam o artigo sobre demografia no Comunicado da Presidência nº 31, divulgado nesta quinta-feira na sede do Ipea no Rio de Janeiro.
 
"Devemos atingir por volta de 2030 o perfil de uma população chamada de superenvelhecida, como é o caso do Japão hoje", disse Camarano. A PNAD 2008 revela que a parcela da população de 15 a 29 anos atingiu seu máximo e começará a cair a partir de 2010.
 
Hoje, a população maior de 80 anos já cresce a taxas de 4% ao ano. Depois de 2030, crescerá na faixa de 6%. A partir de 2010, metade da população em idade ativa do Brasil terá mais de 45 anos. Segundo Camarano, a fecundidade cai mais nas regiões Norte e Nordeste, pois ambas são as que apresentavam as maiores taxas.
 
Ao comentar as consequências desse processo, a técnica considerou que, no futuro, serão necessárias decisões difíceis. "Uma alternativa para a previdência e o mercado de trabalho seria manter o trabalhador na ativa por um número maior de anos. Mas isso mexe em questões como saúde ocupacional, redução do preconceito contra o trabalho do idoso, etc.", afirmou.
 
Outro aspecto interessante do estudo é que o arranjo familiar brasileiro, predominantemente de "casal com filhos", caiu 12 pontos percentuais de 1992 para 2008, representando agora 50,5% do total. Cresceram os casos de casais sem filhos e de pais e mães morando sozinhos. Com sua inserção maior no mercado de trabalho, as mulheres aumentaram a contribuição sobre a renda das famílias - de 30% em 1992 para 40,6% em 2008.

Veja a apresentação Tendências Demográficas

Ipea e Fundaj realizam seminário no Recife

Ipea e Fundaj realizam seminário no Recife

Instituto vai debater na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) a situação econômico-social global e as influências brasileiras

090901_marioteodoroEm continuidade às comemorações dos 45 anos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), sua Diretoria de Estudos, Cooperação Técnica e Políticas Internacionais (Dicod) promove, no dia 6 de outubro, no Recife (PE), o seminário Encontros Brasil Ipea 45 Anos: Um Novo Ciclo do Pensamento Nacional, em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).

A Dicod dedica-se à promoção de uma melhor articulação institucional, interna e externa, de modo a maximizar os benefícios das múltiplas atividades em que o Ipea se envolve, e sua ação se dá por meio das atividades de gestão e planejamento.

O diretor da Dicod, Mário Lisboa Theodoro, e o pesquisador do Ipea Giorgio Romano Schutte farão uma exposição sobre a situação e influência do Brasil na conjuntura internacional, e debaterão o panorama da região Nordeste com os economistas da Fundaj Tania Bacelar e Luis Henrique Romani Campos.

O evento será aberto ao público e à imprensa no horário das 10h às 12h,  na Fundação Joaquim Nabuco (Av. Dezessete de Agosto, 2187, Casa Forte, de Recife).

A série de seminários Encontros Brasil Ipea 45 Anos: Um Novo Ciclo do Pensamento Nacional vai promover debates em diversas capitais do País com cada uma das diretorias do Instituto. Acompanhe a programação:

Outubro

Recife - 6 (terça-feira) - Dicod

Salvador - 8 (quinta-feira) - Dimac

Belém - 14 (quarta-feira) - Disoc

Brasília - 20 (terça-feira) - Diest

Aracajú - 22 (quinta-feira) - Dirur

Brasília - 27 (terça-feira) - Dides

São Paulo - 29 (quinta-feira) - Diset

Ipea fecha acordo com a Caixa

Ipea fecha acordo com a Caixa

 
Instituto vai avaliar as implicações do PAC nas áreas de habitação e saneamento no Complexo do Alemão no Rio de Janeiro

Foto: Lia Marinho
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Qual é o impacto das intervenções urbanísticas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)? Com o objetivo de responder a essa pergunta e desenvolver metodologias para avaliar os empreendimentos nas áreas de habitação e saneamento do PAC, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Caixa Econômica Federal firmaram um acordo de cooperação técnica nesta quarta-feira, dia 30.

O estudo será realizado pelo instituto com base nas ações implementadas no Complexo do Alemão (RJ). A área escolhida para a pesquisa funciona como projeto de referência na construção de métodos que poderão ser ampliados para outros locais. “Para o Ipea, é uma oportunidade inédita acompanhar esse tipo de intervenção e, ao mesmo tempo, ter condições de oferecer indicadores para avaliar o seu impacto. Haverá algumas dificuldades em obter os dados, por isso esse esforço, que não será pequeno, servirá de parâmetro para ações feitas em outros momentos”, afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.

A presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, explicou a escolha do Complexo do Alemão por ser uma área que traz muitos desafios com uma intervenção urbana muito grande. “Lá havia famílias que jamais receberam qualquer apoio público. O estudo no Complexo do Alemão vai nos permitir ter a metodologia do Ipea para avaliar o impacto das ações que a Caixa também executa em diversas regiões do país.”

Maria Fernanda ressaltou ainda a relevância dessa parceria “não só por o Ipea ser um instituto de altíssima credibilidade e uma referência no Brasil quanto ao pensamento crítico que traz reflexões e, principalmente, mudanças, mas também por a Caixa ser a grande executora do PAC em infraestrutura urbana.”

Impacto ao longo do tempo

Pochmann acrescentou que o Brasil tem tradição em realizar grandes intervenções, mas que, de certa maneira, geram um impacto muito localizado, não tem uma efetividade ao longo do tempo. “O acordo traz então uma chance de testar a metodologia e inovar do ponto de vista das ações que dizem respeito aos recursos públicos. Além de exercer nossa missão, é um privilégio ajudar a monitorar ações dessa natureza”, disse o presidente.

O prazo para apresentação do relatório final é de um ano. Pochmann, porém, prevê a conclusão de um primeiro produto no primeiro trimestre de 2010 a fim de subsidiar a participação da Caixa no Fórum Urbano Mundial.

O trabalho, intitulado Implementação de metodologia para avaliação da intervenção urbanística no Complexo do Alemão (RJ), será coordenado pelo técnico de Pesquisa e Planejamento da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur) Alexandre Manoel da Silva.

Outro programa que poderá ser avaliado pelo Ipea em um possível acordo com a Caixa é o Minha casa, minha vida, do governo federal. “Assim como o PAC, esse programa é massivo. Vai se fazer casas como nunca se fez no Brasil e isso tem um impacto nas cidades. É fundamental avaliar a qualidade de vida gerada por essa intervenção”, afirma o vice-presidente da Caixa, Jorge Hereda.

Previdência atinge a maior cobertura na década

Previdência atinge a maior cobertura na década

 

Análise da PNAD revela ainda desemprego decrescente e redução na informalidade no trabalho

091001_PNAD2RiointraTécnicos da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea apresentaram na manhã desta quinta-feira, 1º de outubro, mais análises da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2008). A segunda entrevista coletiva, realizada na sede do Instituto no Rio de Janeiro, trouxe boas notícias nas áreas de previdência e mercado de trabalho, mas novidades preocupantes em matéria de demografia (leia a matéria seguinte).

A primeira parte da apresentação do Comunicado da Presidência nº 31 coube ao técnico de Planejamento e Pesquisa (TPP) Leonardo Rangel. Ele revelou que, segundo a PNAD, a cobertura previdenciária do Brasil atingiu o ponto mais alto da década até agora, com 59,6% da população economicamente ativa (PEA) inserida. No entanto, ele lembrou que um terço da PEA brasileira ainda corresponde a trabalhadores informais, que não contribuem para a previdência.

“Isso significa que o emprego com carteira assinada cresceu, o número de contribuintes cresceu, mas a informalidade persiste e responde por cerca de 31,1 milhões de pessoas”, afirmou Rangel. Os empregos com carteira pularam de 30,4% da PEA em 2001 para 35,7% em 2008. Já os contribuintes passaram de 44,3% para 51% no mesmo período.

O estudo incluiu uma simulação que demonstra a relevância da previdência enquanto reguladora da pobreza. Se todos os benefícios pagos fossem retirados, a parcela de indigentes (que ganham menos de ¼ de salário mínimo per capita) na população passaria de 10% para 20,19%. Seriam mais 17 milhões de indivíduos nessa situação.

Cai a informalidade

O TPP Carlos Henrique Corseuil apresentou o artigo escrito com Lauro Ramos sobre evolução do mercado de trabalho entre 2001 e 2008. Os avanços nessa área são patentes: o grau de informalidade no emprego é o menor da década, o desemprego é o menor desde 1996, e o rendimento real médio de todos os trabalhos é o maior da década, de acordo com a PNAD 2008.

O grau de informalidade - razão entre trabalhadores sem carteira, por conta própria e não remunerados sobre o total de ocupados - ficou em 49,4% em 2008 e vem caindo desde 2002. “A tendência é acelerarmos essa queda”, disse Corseuil. Já o desemprego está na casa dos 7,2%, e o rendimento real médio atingiu R$ 944,38. “Devemos ressaltar que a queda recente no desemprego é puxada pelo aumento na demanda por trabalho, pois a taxa de participação está estável, sem retração”, lembrou o técnico da Disoc.

Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 31

Veja a apresentação Mercado de Trabalho

Veja a apresentação Tendências Demográficas

Sensor Econômico entra na zona de confiança

Sensor Econômico entra na zona de confiança

Indicador medido pelo Ipea deixa o cenário de apreensão, atinge 23,2 pontos e confirma recuperação depois da crise global

O indicador Sensor Econômico, medido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), confirmou o ritmo acelerado de melhoria e, em agosto, atingiu 23,2 pontos na escala que varia de -100 a +100. O novo indicador foi divulgado pelo Instituto nesta quarta-feira, 30, e pela primeira vez desde o começo do ano se situa na zona de confiança.

O Sensor Econômico é composto por quatro aspectos: Contas Nacionais, Parâmetros Econômicos, Desempenho das Empresas e Aspecto Social. Em agosto, todos exceto Parâmetros Econômicos apresentaram uma evolução positiva. O avanço na percepção das Contas Nacionais se deveu, em grande parte, ao aumento da confiança na trajetória do produto industrial e das exportações. O índice do produto industrial saltou de 5,6 pontos em julho para 30,6 em agosto.

Enquanto os Parâmetros Econômicos tiveram pouca alteração em relação a julho - trata-se do aspecto mais bem avaliado -, o Desempenho das Empresas chegou a 13,4 pontos, ainda na zona de apreensão. Os Aspectos Sociais também continuam em cenário de apreensão e progridem em ritmo mais lento que os demais aspectos. Ao atingir 23,2 pontos, o Sensor Econômico obtém a sexta alta seguida, confirmando o cenário de recuperação depois da crise financeira que estourou no último trimestre de 2008.

Leia a íntegra do Sensor Econômico referente a agosto

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