Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

País precisa aperfeiçoar distribuição e gestão de recursos

País precisa aperfeiçoar distribuição e gestão de recursos


Publicação Brasil em Desenvolvimento, do Ipea, afirma que avanço das políticas sociais depende da execução financeira


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Marcio Pochmann e José Celso Cardoso Jr. apresentaram a publicação Brasil em Desenvolvimento

A redemocratização do Brasil e a promulgação da Constituição de 1988 promoveram avanços em políticas públicas de bem-estar social compatíveis com nações mais desenvolvidas, mas o País precisa solucionar em curto, médio e longo prazos questões de qualidade, distribuição e gestão das políticas públicas.

Essas questões permeiam o mais novo trabalho do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre políticas públicas - o livro Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento e Políticas Públicas -, lançado nesta terça-feira, dia 15, na sede do Instituto em Brasília. A divulgação ocorreu na semana de comemoração dos 45 anos do Ipea.

Trata-se, segundo o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, “de um documento executado de forma coletiva, em parceria com especialistas e gestores do poder público, com o objetivo de refletir sobre as áreas de atuação do Estado”. Em 30 capítulos distribuídos por três volumes e um sumário analítico, o Ipea faz balanço das principais políticas públicas brasileiras.

O Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, criado pela Constituição de 1988 para que a população brasileira tivesse acesso ao atendimento público de saúde, é hoje uma referência mundial. Dar continuidade a essa política pública na sociedade do século 21, segundo Pochmann, “é uma questão que exige o aperfeiçoamento das ações do Estado em qualidade, distribuição e gestão dos recursos”.

Outro exemplo citado por Pochmann foi o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), do governo federal. “Todos sabem que o governo alocou muitos recursos para o PAC, mas que o programa apresenta problemas de execução”, observou o presidente do Ipea.

Os 30 capítulos foram divididos em cinco partes que avaliam as políticas de inserção internacional e macroeconomia brasileiras, o planejamento e políticas públicas nas dimensões da produção e da inovação, nas dimensões regional, urbana e ambiental, nas dimensões de produção social e da geração de oportunidades e políticas com enfoques específicos e temas emergentes na área social. “O esforço de reflexão realizado visa institucionalizar e sistematizar, no Ipea, uma prática de acompanhamento, análise, avaliação e prospecção das diversas políticas, programas e ações governamentais de âmbito sobretudo federal”, afirmou o pesquisador do Ipea e coordenador editorial dos livros, José Celso Cardoso Jr.

A ideia, segundo Cardoso, é que ao longo dos anos as políticas públicas possam ser aperfeiçoadas. Questionados sobre as parcerias do trabalho, Pochmann e Cardoso destacaram a participação do Ipea em redes de pesquisas estaduais, laborais, patronais e em organizações não-governamentais, além da parceria com centros acadêmicos.

Até o fim do ano, o Ipea vai realizar uma série de encontros sobre o trabalho. Em outubro, já está marcado um seminário para debater a questão do controle de gastos com gestores do Tribunal de Contas da União, da Controladoria Geral da União (CGU), dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e com procuradores do Ministério Público.

Acesse aqui o volume 1 do Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento e Políticas Públicas

Acesse aqui o volume 2 do Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento e Políticas Públicas

Acesse aqui o volume 3 do Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento e Políticas Públicas

Acesse aqui o Sumário Analítico do Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento e Políticas Públicas

Ipea completa 45 anos a serviço do desenvolvimento brasileiro

Ipea completa 45 anos a serviço do desenvolvimento

Evento começa às 15h no auditório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em Brasília.

Este mês o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) completa 45 anos de existência. A cerimônia oficial do aniversário é nesta quarta-feira, dia 16, a partir das 15h, no auditório do Ipea em Brasília (SBS, Qd. 1, Ed. BNDES, subsolo). Fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o Instituto realiza atividades de pesquisa que fornecem suporte técnico e institucional às ações governamentais para a formulação e reformulação de políticas públicas e programas de desenvolvimento brasileiros.

Como parte das comemorações, o Instituto preparou uma série de eventos (vide programação abaixo) que vai do lançamento de seu mais novo trabalho sobre políticas públicas - o livro Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento e Políticas Públicas - a apresentações de artistas populares e da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro.

O aniversário do Ipea é uma marca importante em uma época histórica do nosso País. Época marcante por comportar a maior crise do capitalismo pós-1929. Passados 80 anos, o mundo se vê no centro de um novo furacão econômico, com impacto social sem precedentes. É neste contexto histórico que se dará a comemoração dos 45 anos do Instituto. Data sugestiva para promover a visão de um novo ciclo do pensamento nacional.

Afinal, qual o retrato do país nestes últimos 45 anos? Que metas alcançou? Que projetos de desenvolvimento escolheu? Quais os resultados obtidos desse desenvolvimento? E como tratou as questões sociais? O Ipea tem condições de apresentar esse retrato à sociedade. Está em sua missão: "Produzir, articular e disseminar conhecimento para aperfeiçoar as políticas públicas e contribuir para o planejamento do desenvolvimento brasileiro".

Debate nacional
Mas qual será o retrato do Brasil daqui a 45 anos? Que metas podem ser alcançadas? Que planejamento terá de ser feito? Será que esta geração está apta a promover esse debate? Um novo pensamento nacional é possível? A resposta emergirá de um debate, que deverá reunir na capital federal e demais regiões, as mais importantes lideranças da sociedade. Cada diretoria do Ipea discutirá seus temas específicos em uma localidade diferente. Tal processo deverá culminar na formulação de um documento-base que apresentará as propostas desta geração, que irão nortear a estratégia de desenvolvimento econômico social do Brasil para os próximos 45 anos.

A cerimônia oficial de comemoração acontece nesta quarta, dia 16, às 15h, em Brasília. Estão previstas as presenças do Excelentíssimo Senhor presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro de Assuntos Estratégicos, Daniel Barcelos Vargas (interino), e da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, além de autoridades e representantes dos mais diversos segmentos da sociedade brasileira.

Mais informações: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Cada evento (e sua programação) será informado por convite eletrônico

 

Agenda cultural

15 de setembro (terça-feira)
20h - Apresentação da Orquestra Sinfônica de Brasília
Teatro Nacional - Brasília

1º outubro (quinta-feira)
20h - Show com artistas populares
Clube da Caixa - Brasília (data no Rio de Janeiro ainda será confirmada)

 

Agenda dos eventos

Setembro
14 (segunda-feira)
10h - Lançamento do Boletim Regional, Urbano e Ambiental
Auditório Ipea - Brasília

15 (terça-feira)
10h - Lançamento do livro
Brasil em Desenvolvimento - Estado, Planejamento e Políticas Públicas
Auditório Ipea - Brasília

16 (quarta-feira)
9h - Apresentação do livro ao Conselho de Orientação
Brasil em Desenvolvimento - Estado, Planejamento e Políticas Públicas
Auditório Ipea - Brasília

15h às 17h - Cerimônia oficial
Auditório Ipea - Brasília

17 (quinta-feira)
8h30 às 11h - Lançamento do livro Da Pobreza ao Poder - Como Cidadãos Ativos e Estados Efetivos Podem Mudar o Mundo
Palestrante: Duncan Green (coordenador de estudos e projetos da Oxfam)
Auditório Ipea - Brasília

14h30 - Lançamento do Prêmio João Paulo dos Reis Velloso
Forum Nacional, Rio de Janeiro

18 (sexta-feira)
9h20 - Seminário Economia de Ecossistemas e da Biodiversidade
Auditório Ipea - Brasília

28 e 29 (segunda e terça-feiras)
9h às 18h e das 9h às 13h30 - I Encontro Brasileiro do Ensino de Desenvolvimento
Palestrantes: Marcio Pochmann e Maria da Conceição Tavares
Porto Alegre (RS)

Novembro
11 (quarta-feira)

14h às 18h - Seminário Global e Latino-Americano*
Porto Alegre

18 (quarta-feira)
14h às 18h - Seminário Legislativo*
Brasília

25 (quarta-feira)
14h às 18h
Seminário de Comunicação*
Rio de Janeiro

* Colóquios fechados das 9h às 12h / Seminários abertos das 14h às 18h

Agenda das Diretorias

Outubro
6 (terça-feira)

Dicod
Recife

8 (quinta-feira)
Dimac
Salvador

14 (quarta-feira)
Disoc
Belém

20 (terça-feira)
Diest
Brasília

22 (quinta-feira)
Dirur
Aracaju

27 (terça-feira)
Dides
Brasília

29 (quinta-feira)
Diset
São Paulo

Conjuntura em Foco analisa índices de preços

Conjuntura em Foco analisa índices de preços

Boletim lançado em São Paulo aponta que setor de comércio e serviços tem sido responsável pelo aquecimento da economia
 
O Ipea divulgou nesta quinta-feira, dia 3, a terceira edição do Conjuntura em Foco, que traz análises sobre os índices de preços e comportamento da inflação. O estudo foi apresentado no Sebrae da cidade de São Paulo pelo técnico do Ipea Roberto Messenberg, coordenador do Grupo de Análises e Previsões (GAP), da Diretoria de Estudos Macroeconômicos (Dimac). O boletim aponta para uma recuperação do PIB brasileiro, embora a taxa de desemprego possa ainda mostrar alguns sinais resultantes da crise. Foi constatada uma forte inflexão da produção industrial no ultimo trimestre de 2008 e queda do investimento privado na economia e na produção industrial.

Para Messenberg, o Brasil ainda é muito dependente do crédito externo. "Muitos desses créditos ingressam no País pelas instituições financeiras que os repassam ao mercado", enfatizou.  Segundo o coordenador, a balança comercial do Brasil está sólida graças à performance dos produtos básicos exportados pelo País. No caso da indústria, o valor dos bens exportados de forma geral caiu. Com elevada taxa de juros frente a outras nações, o Brasil tem atraído capital estrangeiro e é esse fato o responsável pela valorização do real. Mas Messenberg alertou para os efeitos da entrada de dólares. "Com o dólar desvalorizado, acende a luz de alerta para a indústria nacional, pois o valor de produtos exportados manufaturados cai, prejudicando a relação câmbio/salário", afirmou o técnico.

O boletim mostra que o setor de comércio e serviços está sustentando a economia e a arrecadação, em um movimento contrário ao da indústria. O mercado interno permaneceu aquecido com as medidas anticíclicas adotadas pelo governo, que mantiveram o nível de renda e de consumo. Porém, há a necessidade de tornar mais dinâmico o setor industrial. "Quando a produção da indústria de transformação, que recolhe muito imposto, cai, isso tem um forte impacto na economia nacional. O que tem garantido a arrecadação é o setor de comércio e serviços", disse Messenberg.

O Conjuntura em Foco aponta que a retomada do nível de arrecadação e a possibilidade de crescimento mais forte do PIB passam pela recuperação do investimento na economia. "A taxa de investimento do setor privado precisa aumentar. O setor público tem obrigação de estimular os investimentos para fazer com que se abra a perspectiva de lucro, de forma que a iniciativa privada invista", defendeu Messenberg.

O estudo revelou ainda a evolução do emprego nos últimos 12 meses e dados sobre finanças públicas, com ênfase na balança comercial e seu superávit primário.

Leia a íntegra do Conjuntura em Foco nº 3

Brasil e China compartilham experiências sociais

Brasil e China compartilham experiências sociais

Seminário promovido pelo IPC-IG, com apoio do Ipea, reuniu autoridades dos dois países no auditório do Instituto

Rita Bered de Curtis, da Divisão de Temas Sociais do Itamaraty, também participou do seminário

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizou em seu auditório na manhã desta segunda-feira, dia 24, o Seminário Internacional China-Brasil: Compartilhando Experiências em Proteção Social. O encontro, promovido pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), órgão ligado às Nações Unidas, reuniu autoridades brasileiras e do país asiático para discutir programas e iniciativas dos dois governos em matéria de promoção e proteção social.

Na mesa de abertura do evento estiveram presentes pelo lado brasileiro Rita Bered de Curtis (foto), da Divisão de Temas Sociais do Ministério das Relações Exteriores, Mário Lisboa Theodoro, diretor de Cooperação e Desenvolvimento (Dicod) do Ipea, e Eliana Pedrosa, secretária de Estado de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do Governo do Distrito Federal. Cui Guozhu discursou como diretor da delegação chinesa no Brasil. Degol Hailu, diretor interino do IPC-IG, e Maristela Baioni, representante-residente assistente do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, também se pronunciaram.

"Reduzir a pobreza a níveis consensuados é um desafio que tanto o Brasil quanto a China têm, para que possam alçar um patamar de países mais iguais, com o status de desenvolvimento que desejamos", afirmou Mário Theodoro. Maristela Baioni fez um breve comentário sobre os projetos brasileiros, ressaltando que estão fundamentados em princípios como "democracia, participação da sociedade e descentralização".

Progressos
A segunda mesa foi inaugurada por Liu Qiu, diretor do Escritório para o Alívio da Pobreza e Desenvolvimento da Província de Anhui. "Os pobres da China representavam 75% da população pobre de países em desenvolvimento em 1980. De 1990 a 2002, a população chinesa que saiu da pobreza representa 90% do total mundial", explicou Liu Qiu. Ele lembrou, porém, que ainda há instabilidade no combate à pobreza na China, e estimou que 10% da população com registro de melhoria no padrão de vida volta à miséria todos os anos. Mesmo diante dos desafios, como desastres naturais e as desigualdades mais patentes em algumas regiões, o Partido Comunista Chinês mantém a meta de eliminar a miséria do país até 2020.

Liu Junwen, diretor-geral adjunto do Escritório para o Alívio da Pobreza e Desenvolvimento do Conselho do Estado da China, expôs detalhes do sistema de proteção social chinês. Ele revelou como é o sistema de aposentadoria (15 anos de contribuição para receber o benefício básico), de seguro-desemprego e de assistência médica nas cidades, entre outros programas - que incluem ainda a assistência para pessoas atingidas por desastre natural.

Encerrando o evento, o diretor de Estudos Sociais (Disoc) do Ipea, Jorge Abrahão, explicou parte dos programas de proteção e promoção social do Brasil. Ele apresentou números da previdência e do seguro-desemprego e citou ainda alguns conteúdos transversais dessas políticas, como a igualdade racial e a transição demográfica. "O sistema de proteção social do Brasil acaba sendo responsável por mover um quarto da economia nacional. De 1990 para cá, tem abarcado cerca de 22% do PIB em gastos diretos", afirmou Abrahão. Por parte da China, Liu Junwen disse que os gastos sociais não chegam a 22% do PIB, mas que é difícil de se comparar metodologias, pois o cálculo chinês deixa de fora parte dos investimentos em educação e saúde, por exemplo.

Caixa e Ipea assinam contrato para realização de estudo

Caixa e Ipea assinam contrato para realização de estudo

Pelo acordo, Instituto vai pesquisar a lucratividade obtida pela rede lotérica no ano passado

090902_convenio_caixaO Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Caixa firmaram nesta quarta-feira, dia 2, contrato para a realização de uma pesquisa sobre a lucratividade da rede lotérica em 2008. O Instituto vai avaliar a rentabilidade das 8.865 agências lotéricas espalhadas pelo Brasil, considerando a totalidade de receitas e despesas do ano passado. O contrato foi assinado em Brasília pelo presidente do Ipea, Marcio Pochmann, e pela gerente operacional da Caixa, Ana Maria Canton (foto).

O trabalho será coordenado pelo técnico do Ipea José Mauro Morais, que ressaltou a abrangência da pesquisa com uma amostra significativa, permitindo resultados confiáveis. "O estudo possibilitará que se avance no conhecimento da importância da rede lotérica na prestação de serviços nos municípios brasileiros e em estudos posteriores a respeito de seu impacto na geração de renda, empregos e impostos", acrescentou.

O Ipea já havia realizado pesquisa com o mesmo tema em um acordo feito ano passado com a Caixa, indicando que 28,2% dos lotéricos no país apresentaram prejuízo e 83% dos empresários têm lucro médio mensal abaixo de R$ 2.500,00. A diferença é que o primeiro estudo analisou receitas e despesas da rede lotérica de apenas três meses (março, abril e maio) de 2007. Já a pesquisa que será elaborada atualiza as informações com dados de 2008 e avalia o período de janeiro a dezembro do ano passado.

Segundo Canton, a análise anterior feita pelo Ipea subsidiou a Caixa para conseguir o aumento do preço da aposta da Mega-Sena e da Lotofácil, os dois principais produtos lotéricos vendidos na rede. "Com base no primeiro estudo, tivemos um conhecimento de qual é a situação econômico-financeira da rede lotérica. Como foi extremamente positivo para a Caixa, estamos repetindo o mesmo estudo em um período diferente. Depois de ter feito reajustes, queremos saber como ficou a rentabilidade das lotéricas", explicou.

O Ipea identificará a rentabilidade das lotéricas de acordo com regiões e tamanho das agências e tem um ano para apresentar os resultados da avaliação.

IPTU poderia ser aproveitado para reduzir desigualdades

IPTU poderia ser aproveitado para reduzir desigualdades

Comunicado da Presidência do Ipea foi apresentado na Câmara dos Deputados e analisa o tributo

Em audiência conjunta organizada pelas Comissões de Finanças e Tributação e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, apresentou um estudo sobre o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Política Fiscal e Justiça Social no Brasil: o Caso do IPTU é o título do Comunicado da Presidência nº28.

Em sua apresentação no plenário 4 da Câmara, Pochmann fez primeiramente uma explicação sobre o panorama da tributação no Brasil. Em 1980, a carga bruta correspondia a 24,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2008, essa parcela já havia subido para 35,8%. "No entanto, quando se retiram subsídios, transferências e pagamento de juros da dívida, a carga líquida restante ficou em 15,5% em 1980 e 14,8% do PIB em 2008", disse Pochmann.

"No Brasil, pessoas que têm mais renda são beneficiadas pelo sistema tributário. Além disso, é bom ser proprietário (de imóvel), que paga em tese menos tributos em relação aos não proprietários", acrescentou o presidente do Ipea. Segundo o Comunicado nº 28, uma diferença básica entre os tributos sobre propriedade brasileiros e impostos semelhantes no exterior é que, no Brasil, eles são cobrados em termos de governos locais, mas a fixação das alíquotas ocorre em nível estadual ou federal.

Pochmann descreveu como a arrecadação do IPTU e sua participação na receita perderam relevância nos últimos anos. O tributo poderia ser melhor aproveitado para reduzir desigualdades sociais e promover distribuição de renda, de acordo com o estudo. Numa situação hipotética, se a cobrança do tributo fosse homogeneizada segundo o perfil geográfico e social do município - levando-se em conta a unidade federativa de vinculação do município, a renda per capita, a renda total, o número de habitantes e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) -, a arrecadação aumentaria em R$ 25,576 milhões.

Esse valor, se aplicado em programas sociais como o Bolsa Família, seria suficiente para tirar 2,39 milhões de pessoas de uma situação muito próxima à da linha de pobreza e 94 mil da indigência. Ou então, num segundo cenário, resgataria 1,44 milhões de brasileiros da indigência e 1,32 da situação de pobreza.

Também participaram da audiência na Câmara o prefeito de Vitória (ES), João Coser, que apresentou sua experiência de tributação na capital capixaba, e os deputados José Guimarães e Claudio Vignatti. "Depois de sua apresentação, estou convencido de que a proposta de reforma tributária em debate nesta casa é pouco eficiente por não tocar numa questão central: distribuição de renda", afirmou o deputado Guimarães, se referindo à explanação de Pochmann.

Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 28

Consumo de máquinas no País dá sinais de estabilidade

Consumo de máquinas no País dá sinais de estabilidade

 

Indicador foi apresentado durante a divulgação, no Ipea, do boletim Radar

 

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Marcio Wohlers e Fernanda De Negri, da Diset, explicaram o conteúdo do Boletim Radar

O diretor de Estudos Setoriais do Ipea (Diset), Marcio Wohlers, e a diretora-adjunta Fernanda De Negri apresentaram na manhã desta terça-feira, dia 25, no auditório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a terceira edição do boletim Radar - Tecnologia, Produção e Comércio Exterior. Um dos três artigos presentes na publicação da Diset aponta para a estabilidade do consumo de máquinas e equipamentos no País depois do auge da crise, no primeiro trimestre deste ano.

Fernanda De Negri comentou os dois primeiros artigos do Radar. O primeiro deles, sobre o impacto da crise global no setor de máquinas e equipamentos, revela que a taxa de investimento como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) teve queda brusca a partir do terceiro trimestre de 2008, caindo de 18,6% para 14,6% no primeiro trimestre de 2009.

"O impacto da crise no setor de bens de capital é preocupante do ponto de vista de como será a retomada da economia brasileira, se ocorrerá de maneira suficientemente competitiva, capaz de difundir progresso técnico para o restante da economia nacional", afirmou Fernanda de Negri sobre o texto, de autoria de Bruno César Araújo. Ela explicou ainda que o consumo aparente de máquinas e equipamentos no País - muito relacionado à taxa de investimento - dá sinais de estabilidade depois de uma forte queda no final de 2008 (veja o gráfico nº 2 na íntegra do documento, abaixo).

Recuperação

Os dois primeiros artigos da publicação analisam o impacto da crise global sobre o setor de máquinas e equipamentos e sobre a evolução da indústria brasileira como um todo. O terceiro aborda relações entre concorrência, mudança tecnológica e crescimento. A apresentação foi transmitida ao vivo pelo site do Ipea.

O segundo artigo do boletim aborda processos de recuperação da indústria na crise atual e em momentos anteriores de retração da economia brasileira. Os autores, Divonzir Arthur Gusso e Luiz Dias Bahia, mostram que os primeiros setores a se recuperar são os de bens de consumo duráveis e de bens de capital. "Isso aconteceu em 1999/2000 e também entre 2003 e 2004. Parece ser um padrão que se repete nos momentos de redução da atividade econômica brasileira", disse Fernanda De Negri.

O diretor Marcio Wohlers encerrou o evento comentando o terceiro artigo do boletim Radar, assinado por Luís Felipe Giesteira e José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho. Wohlers reforçou a relevância do diálogo entre economia, ciência, tecnologia, inovação e crescimento. "Esse diálogo é importante para permitir análises econômicas que consigam chegar mais perto da realidade econômica das empresas, para que as análises não fiquem apenas em um nível de abstração muito alto", declarou o diretor da Diset.

Leia a íntegra do Boletim Radar

 

Ipea fechou acordo com o Banco Central de Atlanta

Ipea fechou acordo com o Banco Central de Atlanta

Parceria terá início por quatro setores: macroeconomia, bancos regionais, bancarização dos não bancarizados e impacto econômico da migração

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fechou um memorando de cooperação com o Federal Reserve Bank (banco central) de Atlanta, por meio do Centro das Américas, ligado à instituição financeira norte-americana. "É o primeiro acordo desse tipo entre o Ipea e uma instituição financeira fora do Brasil", ressaltou o presidente do Instituto, Marcio Pochmann.

Em um primeiro momento, serão quatro os temas de cooperação: macroeconomia, bancos regionais, bancarização dos não bancarizados e impacto econômico da migração. No entanto, o acordo permite a inclusão de mais temas. "O Centro das Américas concentra uma série de atividades, como conferências de pesquisa, análise de tendências econômicas, assistência técnica e acesso público à educação", disse Stephen Kay, coordenador do Centro.

O memorando de cooperação foi assinado por Pochmann e David Altig, vice-presidente sênior e diretor de pesquisa do FED de Atlanta. Depois do ato, Altig proferiu a palestra Is it over yet? ("Será que já acabou?", em tradução livre), na qual expôs seu ponto de vista sobre a recuperação da economia dos EUA passado o momento mais crítico da crise mundial.

"Quando falamos da crise do setor financeiro, sim, parece que acabou. Mas e a recessão? Essa provavelmente acabou. Se medirmos por crescimento negativo ou positivo do PIB dos EUA, parece claro que haverá crescimento positivo no terceiro trimestre deste ano, talvez um pouco menos que no Japão ou na Europa", afirmou Altig. O vice-presidente sênior do FED-Atlanta apresentou gráficos sobre empréstimos interbancários nos EUA, emprego, vendas, receitas e despesas do governo para mostrar que a situação da maior economia do planeta ainda é delicada, mas dá indícios de melhora.

"A realidade do emprego pode ser pior, pois muitos postos em tempo integral se transformaram agora em tempo parcial. Em relação à quantidade de pessoas que trabalham em tempo parcial e gostariam de atuar em tempo integral, esse número está muito acima do registrado em qualquer outra recessão depois da 2ª Guerra Mundial", declarou Altig. Ele afirmou que é necessário um novo sistema regulatório da economia "voltado não apenas para evitar o fracasso, mas para administrar o fracasso".

Debate no Rio destaca novo modelo de desenvolvimento

Debate no Rio destaca novo modelo de desenvolvimento

Em comemoração pelo Dia do Economista, Ipea participou de seminário sobre o cenário pós-crise no Corecon-RJ

Para celebrar o Dia do Economista, o Conselho Regional de Economia (Corecon) do Rio realizou na quinta-feira (13) um debate sobre as consequências da crise e sugestões para o país se beneficiar neste momento de oportunidades. O encontro teve palestras de João Paulo de Almeida Magalhães e Carlos Lessa, membros do Conselho de Orientação do Ipea, José Carlos de Assis e João Sicsú (diretor de Estudos Macroeconômicos).

Entre os palestrantes, um consenso: a crise demonstrou a ineficácia do modelo neoliberal como paradigma irrefutável do desenvolvimento no Brasil e na América Latina. "Estamos vivendo uma crise importante, a qual comprova que o neoliberalismo ao qual se curvou a América Latina não deu certo aqui, nem em outros países", afirmou Magalhães, comentando seu livro O que fazer depois da crise.

O conselheiro do Ipea enfatizou as diferenças entre crescimento econômico clássico e retardatário, e elogiou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), embora com a ressalva de que "ainda está muito aquém" das necessidades do Brasil. "Precisamos de uma estratégia capaz de mostrar o que o país vai fazer nos próximos 30 ou 80 anos."

João Carlos de Assis, autor de A crise da globalização, acrescentou que o Brasil sofreu menos com a crise devido, em boa parte, ao fato de praticamente 40% do sistema bancário ser estatal. "Entre setembro do ano passado e junho último, o crédito dos bancos públicos cresceu 25%. Nos privados, o aumento foi de menos de 4%", explicou.

Segundo Assis, a crise atual ainda é subestimada. "Dizem que a economia está se recuperando, que tudo vai voltar ao normal o quanto antes. Trata-se apenas de uma tentativa de se evitar o que, no começo da crise, parecia inevitável: uma profunda reestruturação do capitalismo."

Papel do Estado

O diretor da Dimac, João Sicsú, criticou os que insistem na ideia do corte de gastos públicos como solução "para qualquer problema" na economia brasileira. "Os liberais não querem só cortar gastos, querem orçamento muito pequeno. Mas esse orçamento reduzido não faz bem à economia privada. Quanto mais orçamento, mais empresas fortes, mais crescimento. O setor privado precisa de estabilidade e menos incerteza. Quem cumpre esse papel de reduzir a incerteza é o Estado", afirmou.

Sicsú, que ao lado de Armando Castelar organizou o livro Sociedade e Economia, considerou 2009 um ano de recuperação para o país e declarou que, a partir de 2010, o Brasil estará numa rota "bastante aceitável" de crescimento. Ele defendeu a carga tributária brasileira, afirmando que ela tem tamanho adequado, mas ainda é mal distribuída. Para o diretor da Dimac, é preciso se pensar em uma nova estrutura de recolhimento de impostos.

Encerrando a noite de palestras, Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fez uma análise do panorama de nações emergentes, como China, Argentina, e sobretudo o Brasil, após a crise. Segundo ele, haveria um acordo tácito entre China e Estados Unidos para a sustentação e hegemonia do dólar, objetivo estratégico chinês. "Não acho que a China vai se mover para empurrar o yuan e jogar para baixo o dólar. Acho que ela usará sua força para ocupar a periferia mundial num padrão neovitoriano", afirmou.

O economista explicou também como os interesses brasileiros em países como Argentina, Chile e Angola estão sendo afetados pelo crescimento da influência comercial e econômica chinesa. Ele citou o exemplo do mercado de minério de ferro. Lessa criticou bastante a matriz logística brasileira e disse acreditar que a crise mundial ser arrastará por mais tempo, pois "as massas de capital fictício ainda são colossais, e muitas empresas continuam paralisadas após o festival especulativo".

Após a crise, desenvolvimento mais justo é o desafio

Após a crise, desenvolvimento mais justo é o desafio

Em seminário na sede do Ipea, especialistas destacam renascimento do keynesianismo e cobram melhor governança para lidar com períodos de instabilidade

O seminário realizado no auditório do Ipea integra o ciclo Perspectivas do Desenvolvimento Brasileiro

Enquanto o mundo ainda se recupera da crise que explodiu em setembro de 2008, pensar em novos modelos de desenvolvimento torna-se tarefa premente para os governos e a sociedade civil. Essa urgência permeou o seminário Crise como oportunidade, ocorrido terça-feira (18) na sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em Brasília. Participaram como palestrantes Ladislau Dowbor, professor de economia e administração da PUC-SP, Paul Singer, titular da Secretaria Nacional de Economia Solidária, ligada ao Ministério do Trabalho, e Silvio Caccia Bava, coordenador-executivo do Instituto Pólis e editor do Le Monde Diplomatique Brasil.

Diante de um auditório lotado, Singer afirmou que a crise proporcionou uma "grande oportunidade". "Todos os governos do mundo simplesmente jogaram fora os ensinamentos da ortodoxia neoliberal e tiraram Keynes da naftalina. Isso significa aumentar o gasto público e o crédito o máximo possível", disse. Segundo o secretário, o Brasil passou de maneira mais fácil pela turbulência por ter quase metade de seu sistema bancário nas mãos do governo federal.

Singer considera que a crise já foi superada apenas do ponto de vista financeiro, não na perspectiva social. "A crise definitivamente sacudiu o que era a ortodoxia mundial do neoliberalismo e o enfraquecimento dos Estados nacionais, a globalização imposta. A oportunidade que ela nos oferece é de uma outra agenda de prioridades", completou. Segundo ele, a agenda anterior, dos "homens de negócios", tinha como prioridades o controle inflacionário e o equilíbrio fiscal. Agora, ganham relevância a agenda ecológica e a redução das diferenças econômicas e sociais.

Para Ladislau Dowbor, o problema atual não é tanto a produção, mas a melhoria da governança do sistema para que todos tenham um mínimo de qualidade de vida. Dowbor apresentou um gráfico de megatendências sobre população, PIB, espécies em extinção, uso de água, entre outros itens, todos convergindo para uma escalada sem precedentes desde o começo do século passado. "Estamos destruindo o planeta por um sistema que beneficia um terço da população (...) Estruturalmente, estamos amarrados em um processo de desigualdade e destruição ambiental", declarou, lembrando que 82,7% da produção mundial é consumida por apenas 20% da humanidade.

Depois que Singer citou uma volta ao keynesianismo, Caccia Bava levantou dúvidas sobre a possibilidade de a crise erguer uma "social-democracia global", um retorno completo às premissas de Keynes. "Começo a achar que não, pois não vejo atores sociais pressionando por essas posições, por uma agenda mais aberta de alternativas políticas", afirmou. "Então, provavelmente, vamos continuar tendo uma sequência de crises, com mais concentração de poder no sistema financeiro." O seminário foi mediado pelo assessor da Presidência do Ipea Milko Matijascic e teve transmissão ao vivo pelo site do Instituto.

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