Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Lula empossa ministro e pede modernização do Estado

Lula empossa ministro e pede modernização do Estado

Samuel Pinheiro Guimarães assume a Secretaria de Assuntos Estratégicos. Presidente quer projeto de desenvolvimento para 2022

Foto: Sidney Murrieta
Samuel Pinheiro foi empossado pelo presidente
Lula em cerimônia no Itamaraty

Em cerimônia que reuniu diversas autoridades, Samuel Pinheiro Guimarães foi empossado nesta terça-feira, dia 20, como novo ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE). Ex-secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Guimarães substitui o ministro interino Daniel Vargas na SAE. Depois de assinar a posse do diplomata, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que ele se empenhe em diversos temas cruciais para o desenvolvimento brasileiro.

“É preciso pensar a estrutura do Estado, em como modernizar o funcionamento da máquina, porque fomos criando uma quantidade de teias de aranha, de embaraços, que ainda hoje sentimos dificuldades”, disse Lula. Ele ressaltou a importância de um projeto de desenvolvimento com ações concretas até 2022, quando o País vai comemorar 200 anos de independência. “Gostaria que fosse trabalhado com muita inteligência um esboço daquilo que a gente quer construir para quando completarmos 200 anos de independência.”

O presidente propôs um novo Programa de Aceleração do Crescimento de 2011 a 2015, capaz de preparar o Brasil para os grandes eventos esportivos internacionais que sediará em sequência: Jogos Militares (2011), Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016). E mencionou alguns temas que permeiam a pauta na SAE, como a Amazônia e a estratégia de defesa. “Se tem uma coisa extraordinária que essa crise econômica permitiu, e que aqueles que têm olhos não queriam enxergar, é que não é possível um país sobreviver se o Estado for débil, fraco, e o mercado forte. Tem coisas que o mercado não sabe ou não quer fazer”, continuou Lula.

Em seu discurso de posse, Guimarães disse que espera colaborar com o governo em diversos temas estratégicos. “A tarefa é difícil, mas contarei com as instituições da Presidência da República para realizá-la”, afirmou o novo ministro. “A Secretaria vem realizando diversos trabalhos em diferentes temas, como planejamento e abordagem de grandes questões nacionais. Há sempre novas áreas estratégicas, e espero que a Secretaria possa colaborar com cada um dos ministérios no andamento e execução desses temas.”

Samuel Pinheiro Guimarães é diplomata de carreira. Concluiu o curso do Instituto Rio Branco em 1963. É mestre em Economia pela Boston University e possui 18 livros publicados, entre eles Quinhentos Anos de Periferia. Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, agradeceu a contribuição de Guimarães ao Itamaraty e afirmou que o ex-secretário-geral “ousou pensar o Brasil numa época em que isso não era moda, em que se imaginava que as forças do mercado, as bolsas de valores, criariam um País diferente”.

Ipea promoveu seminário sobre câmbio, crescimento e inflação

Ipea promoveu seminário sobre câmbio, crescimento e inflação

Instituto recebeu em Brasília o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa

O Ipea recebeu na quarta-feira, dia 14, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Ele ministrou uma palestra organizada pela Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) sobre câmbio, crescimento e inflação.
 
O secretário afirmou que há uma taxa de câmbio que maximiza o crescimento, e isso é possível por meio de controles de capital abrangente. “A definição de taxa de câmbio é mais derivativa do que baseada em fluxo de investimentos e tem efeitos permanentes no crescimento da economia.” Ele ressaltou que o real foi uma das moedas que mais se valorizaram frente ao dólar neste ano e também foi a que mais se volatizou.

Barbosa observou que o preço de commodities e a taxa de câmbio tiveram uma relação direta mais intensa a partir de 2006, resultado de uma política agressiva de metas de inflação. “A política cambial continua a mesma iniciada em 1999, com câmbio flutuante. O que muda substancialmente é a acumulação de reservas internacionais. Tenta-se conciliar a política de câmbio flutuante com operações do mercado de câmbio para diminuir a vulnerabilidade externa do País, acumulando um grande estoque de reservas internacionais”, explicou Barbosa.

Em relação à política fiscal, o secretário argumentou que é um dos determinantes de longo prazo da taxa de câmbio, assim como outros fatores. Mas, nos últimos anos, a influência da política fiscal sobre a taxa de câmbio tem sido pequena. “As flutuações na taxa de câmbio têm sido mais determinadas pela movimentação dos fluxos de capitais e pelas operações derivativas.”

O secretário do Ministério da Fazenda afirmou ainda que, desde a adoção do sistema de metas de inflação, a política brasileira tem sido bem-sucedida em controlar o aumento de preços, mas a volatilidade da taxa de câmbio está entre as mais elevadas do mundo. “O grande desafio para a política nos próximos anos é conciliar um câmbio estável e competitivo com o controle da inflação”, concluiu.

Política social do País é tema de discussão

Política social do País é tema de discussão

Correspondentes estrangeiros conheceram em São Paulo os avanços brasileiros e projeções

Os avanços brasileiros nos quesitos proteção e promoção social a partir da Constituição Federal de 1988, além de perspectivas para o futuro, foram discutidos nesta quinta-feira, 15, na capital paulista, em um encontro com jornalistas de veículos internacionais com o apoio da Associação de Correspondentes Estrangeiros (ACE) de São Paulo.


O debate aconteceu no Escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista, e contou com a presença do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, e do diretor de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Instituto, Jorge Abrahão de Castro (foto).

Durante o encontro, foram apresentadas as novas publicações Políticas Sociais: acompanhamento e análise - Vinte Anos da Constituição Federal e Situação Social Brasileira 2007. O primeiro faz uma reflexão, em três volumes, sobre a política social do Brasil desde 1988; o segundo livro reúne as análises apresentadas em 2008 pelo Ipea a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2007 do IBGE.


Jorge Abrahão mostrou que o País investe hoje 21,9% do PIB no gasto público social, ou seja, ¼ da riqueza produzida. Mas, segundo ele, ainda temos um "sistema incompleto". "O Brasil, apesar de tardiamente e de maneira incompleta, conseguiu incorporar uma proteção social, calcada basicamente na previdência."

Desigualdade cai
O País paga, hoje, cerca de 28 milhões de benefícios de seguridade social. Apenas com a previdência do Regime Geral isso corresponde a 7% do PIB, o que significa aporte na economia e verdadeira transferência de renda. Outro ponto a chamar a atenção foi o da taxa de fecundidade no Brasil, que é de 1,8 filho por mulher, um nível abaixo da taxa de reposição.

Isso também gera mudança nos arranjos domiciliares, com a incidência cada vez maior de famílias monoparentais. "O envelhecimento da população é um processo acelerado. Projeções da matriz social brasileira mostram que, em 2040, nós seremos o Japão de hoje", afirmou Abrahão.

Marcio Pochmann, presidente do Ipea, encerrou a apresentação com um panorama da trajetória recente de evolução social e econômica do País e de suas perspectivas. "Pobreza e desigualdade caíram muito, mas ainda somos um país muito desigual", disse. No entanto, ele frisou que a reação do País à crise internacional foi uma mudança de paradigma.

Os programas de transferência de renda e as ações anticíclicas do governo mostraram sua eficácia ao conseguir manter a queda da pobreza e da desigualdade durante toda a crise. "Isso foi algo inédito", mostrou Pochmann, para quem as classes mais desfavorecidas eram sempre as primeiras a sofrer com impactos externos.

Veja os gráficos sobre política e situação social brasileira

Política social do País é tema de discussão

Política social do País é tema de discussão

Correspondentes estrangeiros conheceram em São Paulo os avanços brasileiros e projeções para a área

Foto: Daniel Castro
Jorge Abrahão fez um relato sobre a situação social do Brasil
para os correspondentes estrangeiros em São Paulo

Os avanços brasileiros nos quesitos proteção e promoção social a partir da Constituição Federal de 1988, além de perspectivas para o futuro, foram discutidos nesta quinta-feira, 15, na capital paulista, em um encontro com jornalistas de veículos internacionais com o apoio da Associação de Correspondentes Estrangeiros (ACE) de São Paulo.

O debate aconteceu no Escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista, e contou com a presença do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, e do diretor de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Instituto, Jorge Abrahão de Castro.

Durante o encontro, foram apresentadas as novas publicações Políticas Sociais: acompanhamento e análise - Vinte Anos da Constituição Federal e Situação Social Brasileira 2007. O primeiro faz uma reflexão, em três volumes, sobre a política social do Brasil desde 1988; o segundo livro reúne as análises apresentadas em 2008 pelo Ipea a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2007 do IBGE.

Jorge Abrahão mostrou que o País investe hoje 21,9% do PIB no gasto público social, ou seja, ¼ da riqueza produzida. Mas, segundo ele, ainda temos um "sistema incompleto". "O Brasil, apesar de tardiamente e de maneira incompleta, conseguiu incorporar uma proteção social, calcada basicamente na previdência."

Desigualdade cai
O País paga, hoje, cerca de 28 milhões de benefícios de seguridade social. Apenas com a previdência do Regime Geral isso corresponde a 7% do PIB, o que significa aporte na economia e verdadeira transferência de renda. Outro ponto a chamar a atenção foi o da taxa de fecundidade no Brasil, que é de 1,8 filho por mulher, um nível abaixo da taxa de reposição.

Isso também gera mudança nos arranjos domiciliares, com a incidência cada vez maior de famílias monoparentais. "O envelhecimento da população é um processo acelerado. Projeções da matriz social brasileira mostram que, em 2040, nós seremos o Japão de hoje", afirmou Abrahão.

Marcio Pochmann, presidente do Ipea, encerrou a apresentação com um panorama da trajetória recente de evolução social e econômica do País e de suas perspectivas. "Pobreza e desigualdade caíram muito, mas ainda somos um país muito desigual", disse. No entanto, ele frisou que a reação do País à crise internacional foi uma mudança de paradigma.

Os programas de transferência de renda e as ações anticíclicas do governo mostraram sua eficácia ao conseguir manter a queda da pobreza e da desigualdade durante toda a crise. "Isso foi algo inédito", mostrou Pochmann, para quem as classes mais desfavorecidas eram sempre as primeiras a sofrer com impactos externos.

Veja os gráficos sobre política e situação social brasileira

Em Belém, Ipea divulga o novo Boletim de Políticas Sociais


Em Belém, Ipea divulga o novo Boletim de Políticas Sociais

Publicação elaborada pela Disoc possui quatro volumes de análises e reflexões sobre aspectos da área social desde 1988

O encontro Brasil Ipea 45 anos: Um Novo Ciclo do Pensamento Nacional realizado em Belém nesta quarta-feira, 14, marcou a divulgação do Boletim de Políticas Sociais nº 17. A edição especial da publicação, produzida pela Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, traz quatro volumes de análises e reflexões sobre aspectos sociais ocorridos no Brasil desde a Constituição de 1988.

“Trata-se de um esforço da diretoria para acompanhar as políticas em 12 áreas sociais. Para nós, é um documento histórico porque faz a reflexão da política social brasileira nos aspectos mais gerais de 1988 para cá”, resumiu o diretor da Disoc, Jorge Abrahão, durante o seminário em Belém. Em cerca de 800 páginas dos quatro volumes, os técnicos de Planejamento e Pesquisa do Ipea tentaram responder em quais áreas houve avanços, quais tiveram mais dificuldades, e apontam lições aprendidas nesse período de 20 anos.

“Alguns capítulos são mais positivos, como um sobre previdência. Já os capítulos sobre questão agrária e segurança pública são mais tensos. Outras questões analisadas são, por exemplo, direitos humanos e acesso à Justiça”, acrescentou o técnico da Disoc José Aparecido Ribeiro, que também participou do seminário em Belém. Ele aproveitou para divulgar na capital paraense outras duas publicações do Ipea: Brasil em Desenvolvimento: Estado, Planejamento e Políticas Públicas, lançada em setembro, e Juventude e Políticas Sociais no Brasil, que será impressa ainda neste ano.

Durante a manhã, em uma mesa-redonda, o Boletim de Políticas Sociais nº 17 foi distribuído a acadêmicos paraenses, integrantes do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (IDESP), e representantes do governo estadual e outras instituições. O evento, realizado no IDESP e fechado ao público, serviu para uma troca de experiências entre o Ipea e órgãos que trabalham com desenvolvimento estadual.

Como parte de sua política de aprofundamento dos estudos sobre o desenvolvimento brasileiro, o Ipea abrirá uma representação em Belém. A intenção do Instituto é inaugurar, também em breve, um escritório no Nordeste. A atuação do Ipea diretamente em outras regiões – sediado em Brasília, ele possui escritórios no Rio de Janeiro – foi pedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia de comemoração dos 45 anos da fundação pública, em 16 de setembro passado.

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