Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Brasil tem condição de vencer a pobreza extrema até 2016

Brasil tem condição de vencer a pobreza extrema até 2016
Comunicado da Presidência nº 38, apresentado em São Paulo, analisa a melhoria nos indicadores sociais

Fotos de: Luciana Pierre

O Brasil encontra-se diante da oportunidade histórica de praticamente erradicar a pobreza extrema até 2016 e obter o menor índice de desigualdade de renda desde que os registros começaram a ser feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1960. Para atingir esses resultados, o País precisa manter o ritmo de melhorias sociais observado nos últimos cinco anos, segundo o Comunicado da Presidência nº 38, apresentado nesta terça-feira, 12, em São Paulo.

O estudo, intitulado Pobreza, desigualdade e políticas públicas, foi detalhado pelo presidente do Instituto, Marcio Pochmann, no auditório da Superintendência da Caixa Econômica na Praça da Sé. O documento mostra que, entre 2003 e 2008, a queda média anual na taxa nacional de pobreza extrema (até ¼ de salário mínimo per capita) foi de 2,1%. Já a queda média anual na taxa de pobreza absoluta (até meio salário mínimo per capita) foi de 3,1%.

Caso o desempenho do período 2003-2008 seja projetado para 2016, o Brasil chegará ao ano da Olimpíada no Rio de Janeiro com indicadores sociais próximos aos dos países desenvolvidos, aponta o Comunicado da Presidência. O índice de Gini (uma das mais conhecidas medidas de desigualdade de renda), por exemplo, atingiria 0,488 naquele ano, ante 0,544 em 2008. Quanto mais próximo de 1, mais desigual é o país. A Itália tem, atualmente, um índice de 0,33, enquanto nos Estados Unidos ele é de 0,46, e na Alemanha, de 0,26.

"Se em 2008 a taxa de pobreza absoluta era de 28,8%, em 2016 pode chegar a 4%. Da mesma forma, a pobreza extrema pode ser reduzida a 0%", afirmou Pochmann, ressaltando que acabar definitivamente com a pobreza é um desafio que nem países altamente desenvolvidos conseguem superar. O presidente do Ipea declarou que o intervalo de 2003 a 2008 foi o melhor período de redução da pobreza no País.

Entre os motivos para essa melhoria, Pochmann destacou a maneira como o Estado se estruturou, desde a Constituição de 1988, para lidar com a problemática da pobreza. "Até 1988, o Estado atendia a população de maneira quase filantrópica, ou não atendia. As grandes estruturas de atendimento armadas desde a Constituição estão em sintonia com aquelas existentes em países desenvolvidos", disse.

"A despeito do crescimento econômico pequeno nos anos 1990, as mudanças evitaram que pudéssemos ter desestruturação social", continuou o presidente do Ipea, que mencionou ainda a descentralização das políticas públicas (com papel maior assumido pelos municípios) e a maior participação da sociedade na conformação e gestão das políticas sociais como fatores preponderantes para os avanços.

Segundo Pochmann, o Instituto divulgará em breve uma outra pesquisa com a mesma temática, analisando a mudança do perfil dos pobres no Brasil nas últimas quatro décadas.

Leia a íntegra do Comunicado da Presidência nº 38

Veja os gráficos

Crise financeira afetou setor de recicláveis em 2009

Crise financeira afetou setor de recicláveis em 2009

Tendência de diminuir produção prejudicou catadores no Brasil, mostra Boletim de Mercado de Trabalho: Conjuntura e Análise

A crise financeira internacional, que teve seu pior momento entre novembro de 2008 e fevereiro de 2009, afetou o setor de reciclagem, que em todo o mundo tem preços ditados pela Bolsa de Valores de Londres. As commodities de materiais recicláveis (aparas de papel, sucata de ferro e plásticos) são classificadas como mercadorias primárias, ou matérias-primas, que têm seu preço cotado de forma global.

Isso significa que os materiais coletados pelos catadores têm preços, são negociados em vários países e estão sujeitos às variações que as indústrias praticam ao redor do mundo, cotados em dólar. No Brasil, por exemplo, o preço do quilo de plástico caiu de R$ 1 para R$ 0,60, e o do plástico de garrafas pet, de R$ 1,20 para R$ 0,35. A redução também foi drástica para os preços do quilo do jornal, dos papelões especiais e finos e dos papéis misturados e brancos.

Essas informações constam no artigo “A crise financeira e os catadores de materiais recicláveis”, produzido pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e publicado no último boletim Mercado de trabalho: Conjuntura e Análise, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O boletim traz ainda artigos sobre trabalho infantil, desigualdade de rendimentos, participação das mulheres no mercado, e o fortalecimento da economia solidária como caminho alternativo ao processo de desenvolvimento do Brasil.

 Cadeia produtiva suja

Segundo o MNCR, a reciclagem quebrou no País, com indústrias de beneficiamento fechando as portas e a consequente ocorrência de milhares de demissões. “Os efeitos”, afirma o documento, “podem ser vistos até hoje, pois o setor não se recuperou por completo.”

Estimativas do Movimento apontam que no Brasil 90% de tudo que é reciclado vêm das mãos dos cerca de 800 mil catadores e catadoras em atividade nas ruas das metrópoles, que atuam dentro de lixões a céu aberto ou organizados em cooperativas e associações.

Quem mais sofreu com a crise, na visão do MNCR, foram os catadores de materiais recicláveis, “a ponta de uma cadeia produtiva injusta, conhecida como cadeia produtiva suja – um sistema de produção que é sustentado pelo trabalho precarizado de catadores que exercem a atividade sem qualquer vínculo empregatício.”

Leia o boletim Mercado de trabalho: conjuntura e análise

 

Produção industrial de novembro tem crescimento de 4,7%

Produção industrial de novembro tem crescimento de 4,7%

Há melhoras em todos os indicadores setoriais utilizados pelo Ipea na previsão do PIM em comparação com igual período de 2008

A Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que a produção industrial de novembro deve crescer 4,7%  em relação ao mesmo mês de 2008. É o que aponta o indicador de Produção Industrial Mensal (PIM), documento produzido pela Dimac/Ipea.

Em novembro de 2009, todos os indicadores setoriais do PIM apresentaram crescimento na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A produção industrial de outubro de 2009 registrou queda de 3,2% na comparação com o mesmo mês de 2008. Já na variação em relação a setembro, na série com ajuste sazonal, o resultado voltou a ser positivo, com a produção avançando 2,2%.

O setor de autoveículos recuou 4,0% ante o mês de outubro. O documento produzido pelo Ipea prevê também que a indústria avance 4,7% na comparação interanual, com pequena retração de 0,1% na margem.

Dentre os indicadores setoriais, o principal destaque ficou por conta da demanda por energia, que avançou 5,4% na passagem de outubro para novembro.

O principal destaque voltou a ser o setor de bens de capital. Segundo a pesquisa do Ipea, após o crescimento de 5,0% em setembro, o setor acelerou seu ritmo de expansão, avançando 5,9% no mês de outubro. Este resultado, ressalta o documento, “reforça as perspectivas de uma recuperação consistente dos níveis de investimento, o que, por sua vez, será importante para ampliar o potencial de crescimento sustentável da economia.”

Compõem a PIM quatro indicadores usados no modelo de previsão da produção física da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): fluxo de veículos pesados em rodovias concedidas; produção de autoveículos; produção de papelão; e carga de energia.

 Todos esses indicadores apresentaram crescimento na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Leia a íntegra do Indicador PIM de dezembro

 

 

Sensor Econômico registra melhora das expectativas do setor produtivo

Sensor Econômico registra pequena melhora das expectativas

Maior confiança do setor produtivo em relação às contas nacionais contribuiu para elevação do indicador divulgado em dezembro

O Sensor Econômico de dezembro, indicador das expectativas do setor produtivo em relação ao futuro da economia medido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresentou elevação em novembro, tendo registrado 29,2 pontos. Apesar de pequeno, o aumento compensou a variação negativa observada em outubro e fez com que o indicador superasse o nível de setembro (26,0 pontos). 

O resultado, no intervalo entre +20 e +60 (confiança), significa que o setor acredita em crescimento econômico e melhora social, ainda que pequenos. As avaliações de três dos quatro aspectos do Sensor melhoraram: elevação dos índices das contas nacionais e do aspecto social e das expectativas quanto ao desempenho das empresas. Parâmetros econômicos foram o único a apontar redução da confiança. O índice das contas nacionais experimentou o maior aumento, tendo passado de 45,5 pontos em outubro para 55,3 em novembro.

O Sensor indicou também que o setor de comércio e serviços foi o mais otimista em relação às contas nacionais (61,6 pontos), e o menos confiante quanto aos parâmetros econômicos (31,4 pontos).

 Leia a íntegra do Sensor Econômico n° 11

Radar traça cenários para a banda larga no Brasil

Radar traça cenários para a banda larga no Brasil

Quinta edição do boletim mostra como a redução do preço da banda larga afetaria o número de acessos; publicação traz ainda artigos sobre o setor produtivo e gastos com inovação

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou nesta segunda-feira, 21, a quinta edição do boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior. Produzida pela Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, Inovação, Produção e Infraestrutura (Diset), a publicação traz três artigos, que tratam dos impactos da crise sobre o setor produtivo brasileiro, de variáveis para a avaliação de políticas de ciência e tecnologia e dos motivos pelos quais a densidade de acessos de banda larga ainda é baixa no Brasil.

O primeiro artigo, O setor produtivo brasileiro em três cenas, trata dos impactos da crise financeira internacional sobre o setor produtivo no Brasil. Para pôr à prova a hipótese de que o Brasil já saiu da crise, o texto recupera características de três momentos: o período que vai de 2007 até o início da crise financeira, com altas taxas de crescimento e investimento e com expectativas positivas sobre o desempenho da economia; o situado entre o início da crise, em 2008, e os primeiros sinais de recuperação, marcado por forte incerteza; e o período posterior a esses sinais, ainda com dúvidas sobre o futuro do setor produtivo.

No segundo artigo, Banda larga no Brasil – por que ainda não decolamos, os autores traçam cenários para o mercado de acesso à internet, com base em pesquisas que apontam o preço como o principal entrave para o acesso à rede em lares com computador. Segundo o artigo, o brasileiro paga, relativamente, pelo menos 7,2 vezes mais que o americano e o japonês pela internet, e a velocidade é inferior. Os cenários projetam os efeitos da redução de preços pelo serviço no número de acessos e no faturamento das empresas e sugere que o mercado de banda larga seja usado como estratégia de desenvolvimento em áreas atualmente relegadas, como a produção de equipamentos para a última milha e a produção de conteúdo e serviços para uma população incluída digitalmente.

O terceiro texto da publicação trata das Variáveis Proxy para os gastos empresariais em inovação com base no pessoal ocupado técnico-científico disponível na Relação Anual de Informações Sociais (Rais). O artigo mostra que a variável PO TEC, que equivale ao pessoal ocupado técnico científico, e outras semelhantes, podem ser usadas, em caso de ausência de informações sobre gastos em inovação, para avaliar as políticas de ciência e tecnologia com base em dados disponíveis anualmente, como é o caso da Rais.  

Acesse a íntegra do Boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior

Ministério da Previdência Social e Ipea assinam acordo

Ministério da Previdência Social e Ipea assinam acordo

Termo aditivo amplia a parceria entre os dois órgãos e prevê a realização, pelo Ipea, de novos trabalhos sobre a previdência

 

                                               Foto:Victor Soares (MPS)
Carlos Eduardo Gabas e Marcio Pochmann assinaram o
acordo, que vai gerar duas novas pesquisas

Um acordo entre o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Ministério da Previdência Social (MPS) vai permitir a realização de dois novos estudos sobre previdência. O termo aditivo de cooperação técnica, assinado nesta quinta-feira (17), prevê trabalhos sobre a Ouvidoria-Geral da Previdência Social e as inter-relações entre previdência e questões regionais.

O documento foi assinado pelo presidente do Ipea, Marcio Pochmann; pelo secretário-executivo da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas; pelo secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, e pelo diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão.  A Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) será a responsável pelos estudos, ao lado da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur).

Pochmann disse que o acordo ajuda a entender melhor a realidade da previdência nos estados e municípios. A pesquisa vai mapear o processo de distribuição de renda entre as regiões que mais contribuem para a arrecadação e as que mais recebem benefícios. “Isso dá vazão a um papel importantíssimo da Previdência Social em termos do federalismo brasileiro”, afirmou. O outro estudo, sobre a Ouvidoria-Geral, vai fazer uma leitura externa dos dez anos do órgão, completados em 2008.

Segundo o secretário-executivo da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, os estudos vão colaborar para a formatação de futuras políticas públicas do MPS. “Teremos um perfil desses segmentos, um diagnóstico. E, de uma maneira mais efetiva, podemos formular nossas políticas para fazer o enfrentamento dos desafios que virão”, afirmou.

Para Pochmann, a Previdência Social é um instrumento fundamental no enfrentamento da desigualdade e da pobreza no Brasil. “Se for mantida a trajetória da previdência, junto a políticas públicas inovadoras recentes, devemos chegar a 2016 com um Brasil superando a pobreza extrema, o que significará uma conquista inegável.”

 

 

Brasil conta com bônus demográfico, revela a OIT

Brasil conta com bônus demográfico, revela a OIT

Organização lançou relatório no Ipea e alertou que o futuro dos idosos depende de políticas de emprego decente

                                                                          Foto: Sidney Murrieta
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José Ribeiro (D): "Uma maneira de aproveitar o bônus
demográfico é investir na população em idade ativa"

O Brasil está em uma situação de “bônus demográfico” que representa oportunidade para o País, no sentido de criar políticas públicas que garantam o emprego decente e a consequente seguridade social para cerca de  65 milhões de idosos em 2050. Essa é uma das conclusões apresentadas pelo pesquisador José Ribeiro, do Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, durante o lançamento, nesta quarta-feira (16), do documento Perfil do Trabalho Decente no Brasil.

O estudo, divulgado no auditório do Ipea em Brasília, foi publicado pelo Escritório da OIT, com o apoio financeiro da União Europeia, no âmbito do projeto Monitorando e Avaliando o Progresso no Trabalho Decente (MAP). Segundo o documento, a proporção da população com 65 anos ou mais de idade que recebe aposentadoria ou pensão no Brasil cresceu entre 1992 e 2007. A tendência é que cresça ainda mais até 2050 e aumente numa proporção muito maior que o número de jovens em idade ativa.

“Uma maneira de aproveitar o bônus demográfico é exatamente investir bastante na população em idade ativa, ou seja,  nessa população que é, hoje, numerosa e integra a força de trabalho”, explicou José Ribeiro. O perfil do trabalho decente integra dados de acesso ao emprego produtivo com igualdade de oportunidade, direitos, proteção social e diálogo social.

Os governos e os Estados-membros da OIT, assim como as organizações de empregadores e trabalhadores, adotaram a Declaração sobre Justiça Social para uma Globalização Equitativa em 2008, durante a Conferência Internacional de Trabalho. Em setembro de 2008, uma reunião tripartite de peritos especialistas em medição do trabalho decente forneceu as diretrizes para que o Escritório da OIT compilasse um conjunto de indicadores.

Em novembro de 2008, o governo do Brasil, juntamente com a Áustria, Malásia, Tanzânia e Ucrânia, manifestou interesse em colaborar com a iniciativa. Em agosto deste ano, o Escritório da OIT no Brasil organizou uma oficina tripartite de indicadores do trabalho decente que contou com a participação de representantes do Ministério do Trabalho e Emprego, de organizações de empregadores e trabalhadores, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ipea, além de membros da academia.

Avanços
O relatório apresenta dados positivos para o Brasil, como o declínio do trabalho infantil, o crescimento do número de contratos formais e a proporção de idosos que recebem aposentadoria ou pensão. As análises e os indicadores das dimensões de gênero e raça, no entanto, mostram que o negro ainda tem muito a conquistar no País. Em 2007, no item igualdade de oportunidade no tratamento do emprego, somente 12% dos empregados no nível de dirigente eram negros. Os dados são da PNAD 2007, já que, segundo Ribeiro, o trabalho já estava pronto quando o IBGE divulgou a PNAD 2008.

O documento mostra que, apesar do crescimento da participação das mulheres no mercado formal de trabalho, não se deve perder vista a invisibilidade do trabalho feminino. “O conceito de trabalho é baseado em uma definição de atividade econômica que não abarca um conjunto de atividades mais comumente realizadas pelas mulheres”, explica o relatório da OIT. No Brasil, em 2007, do contingente total de 24,5 milhões de mulheres com idade entre 15 e 64 anos classificadas na condição de “inativas economicamente”, cerca de 92,0% (22,5 milhões) realizavam afazeres domésticos.

A solenidade de lançamento do documento Perfil do Trabalho Decente no Brasil contou com a participação do presidente do Ipea, Marcio Pochmann; da diretora do Escritório da OIT no Brasil, Laís Abramo; do representante dos empregadores brasileiros no conselho de administração da OIT, Dagoberto Godoy; do técnico do ministério do Trabalho e Emprego (MTE) Sérgio Paixão; e do representante União Geral dos Trabalhadores (UGT), Paulo Nascimento. O debate, seguido pela apresentação de José Ribeiro, foi mediado por Jorge Abrahão, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea.

Pesquisador do Ipea tem trabalho premiado pela Anpec

Pesquisador do Ipea tem trabalho premiado pela Anpec

O estudo, uma tese de doutorado, recebeu o prêmio Haralambos Simeonidis, criado para estimular as atividades de reflexão e pesquisa em economia no Brasil

O pesquisador do Ipea Carlos Henrique Leite Corseuil recebeu o prêmio Haralambos Simeonidis, da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (ANPEC), concedido aos melhores artigos e teses da área. O trabalho premiado, Labour Market Dynamics Under Imperfect Information, trata dos determinantes da rotatividade dos trabalhadores no mercado de trabalho. O prêmio foi entregue durante o Encontro Nacional de Economia, promovido pela ANPEC em Foz do Iguaçu (PR) entre os dias 8 e 11 de dezembro.

O trabalho premiado foi feito como tese de doutorado do pesquisador. A tese usa dados brasileiros e medidas próprias para demonstrar evidências de que tanto a substituicão de trabalhadores em uma dada estrutura organizacional quanto as mudanças nessa estrutura são consequências de um processo de aprendizado sobre a escolha mais adequada. Isso significa que a empresa não tem informações específicas no início da relação de trabalho ou da operação sob uma estrutura organizacional, mas, com o passar do tempo, aprende e decide sobre as mudanças.

Incentivo
O prêmio Haralambos Simeonidis foi criado pela ANPEC em 1982, para estimular as atividades de reflexão e pesquisa em economia no Brasil. São premiados, anualmente, os melhores trabalhos nas categorias artigos, livros e teses de doutorado. Cada autor pode submeter apenas um trabalho e o julgamento é feito no sistema de blind review, em que o anonimato é preservado. O valor da premiação oferecida pelo Corecon-SP é agora de R$ 10 mil para cada categoria (valor bruto, antes do desconto do imposto de renda).
 

 

Crescimento leva a setor público mais abrangente

Crescimento leva a setor público mais abrangente

Melhoria dos indicadores econômicos resulta em estrutura ampliada do Estado para atender às necessidades, aponta publicação do Ipea

Foto: Assessoria de Imprensa da Caixa
O estudo apresentado por Marcio Pochmann em São Paulo
analisa a situação dos municípios em nove áreas

O estudo Presença do Estado no Brasil: Federação, suas Unidades e Municipalidades destrincha a situação do País, suas regiões, estados e municípios em nove áreas: previdência social, assistência social, saúde, educação, trabalho, bancos públicos, infraestrutura, segurança pública e cultura. Um dos temas abordados durante a apresentação do documento em São Paulo, nesta terça-feira (15), foi o tamanho do setor público e seu papel no desenvolvimento nacional.

No Brasil, onde a informalidade ainda corresponde a uma parte representativa do mercado de trabalho, 21% das ocupações formais são relacionadas ao serviço público. O estudo revela que o Distrito Federal possui a maior quantidade de servidores públicos por habitante (um a cada 6,4), seguido do Acre (um a cada 6,6). Em números absolutos, no entanto, São Paulo é o estado com maior número de servidores, sejam federais, estaduais ou municipais.

Segundo Marcio Pochmann, presidente do Ipea, que apresentou a nova publicação do Instituto, o serviço público brasileiro evolui para atender à população de maneira mais eficiente. “Temos condições de nos tornar a quinta economia do mundo. Melhor que isso, seria tornar-se a quinta sociedade do mundo”, declarou.

Os números da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) que permitiram o levantamento do Ipea mostram ainda que, dos 8,3 milhões de servidores públicos do Brasil em 2008, 4,2 milhões estavam empregados nas áreas de saúde e educação. “No Brasil, como também ocorreu nos países desenvolvidos, o emprego público geralmente cresce à medida que se efetua o desenvolvimento econômico, pois este cria a necessidade de aumento dos serviços públicos, notadamente, nas áreas de infraestrutura e de educação e saúde”, afirma a publicação do Instituto.

O livro mostra ainda que 2.968 dos 5.564 municípios do País não possuem agência de bancos públicos (neste estudo, foram considerados o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o Banco do Nordeste). A conclusão é que 30 milhões de brasileiros – ou 42,2% do território nacional - não têm acesso a banco público por meio de agência bancária. Minas Gerais possui a maior parcela de municípios descobertos (16,8%), e 63,4% das agências estão nas regiões Sul ou Sudeste.

Pochmann declarou, ainda, que o Ipea deverá divulgar estudos semelhantes a cada ano. Nas próximas edições, pretende-se apresentar a presença do Estado nas fronteiras brasileiras e a condição de urbanidade (acesso a um conjunto de serviços no meio urbano) da população – já que, de acordo com o IBGE, mais de 80% dos habitantes do Brasil vivem em cidades. Presença do Estado no Brasil: Federação, suas Unidades e Municipalidades é composta por um livro com dados referentes às regiões e estados brasileiros, mais um CD com tabelas que detalham a situação dos municípios nas nove áreas estudadas. O conteúdo integral pode ser acessado pelos sites do Ipea.

Leia a íntegra do estudo

Veja a apresentação sobre a pesquisa

Ipea analisa diferença de salários públicos e privados
Instituto analisa diferença de salários nos setores público e privado
Nível de instrução é um dos principais fatores para a diferença de 56% no salário médio a favor do setor público (todas as esferas de governo)

 Divulgado nesta segunda-feira, dia 14, o Comunicado da Presidência nº 37: Salários no Setor Público Versus Salários no Setor Privado no Brasil apresenta os condicionantes para a disparidade de vencimentos entre essas áreas e elementos importantes para discussão do tema.

 O estudo mostra como, em 2008, o salário médio no serviço público era 56% maior que no setor privado. Em 1998, a diferença era de 33%. Estes dados são calcados nas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa diferença se explica principalmente pelo perfil dos ocupados segundo o grau de instrução. Cerca de um terço dos trabalhadores no setor público tem nível superior completo, enquanto, no setor privado, em 2008, esse número era de 11,4%.

Na outra ponta do espectro, por exemplo, o setor privado empregava, em 2008, 27,7% de pessoas com o ensino fundamental incompleto e 17,8% com o fundamental completo. Na administração pública, havia 22% de empregados com até o fundamental completo. 

Comparação internacional
Para a formulação dos dados e de forma a evitar distorções nos resultados, foram considerados apenas empregados assalariados, com idade entre 25 e 59 anos, e contribuintes da previdência.

 O Comunicado da Presidência nº 37 também mostra que a disparidade entre salários no setor público e privado no País não difere da de outros países, assim como o peso do gasto do governo central com o funcionalismo no total de gastos do governo federal.

 Leia o comunicado na íntegra

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