Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Boletim Radar aponta desafios para o Brasil construir um futuro produtivo e sustentável

Diante dos desafios socioambientais que se apresentam para toda a humanidade, a edição temática nº 74 do Boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior, lançada nesta quinta-feira (07/12) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), tem como foco a "produção do futuro". Composto por cinco artigos, o Radar fomenta o debate sobre temas cruciais, como cidades inteligentes, Green Bonds, hidrogênio verde, micro e pequenas empresas, e a evolução do emprego de novos doutores no setor privado no Brasil.

Esta publicação é a primeira de uma série da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Ipea, em um projeto transversal e estruturante, que tem por objetivo traçar o tecido produtivo de um país em frente aos desafios para uma produção industrial.

O técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e editor desta edição do Radar, Mauro Oddo Nogueira, comenta que “o principal desafio para se pensar numa produção sustentável no Brasil é a histórica desigualdade socioeconômica do país. Ele enfatiza a necessidade de repensar o tecido produtivo brasileiro, considerando os três pilares da sustentabilidade: crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental”, disse.

A publicação explora o papel que o Estado brasileiro deve desempenhar e as políticas públicas necessárias para conduzir o país para uma transformação e um futuro melhor. “Esse é um desafio histórico do Brasil, que ao longo de seus 500 anos vem reproduzindo e ainda não conseguiu encontrar um caminho para superar de uma forma consistente. Isso acaba indo de encontro aos outros dois objetivos”, disse Nogueira.

Segundo Nogueira, a desigualdade social, tem impactos também no desenvolvimento econômico e de certo modo tem impactos também na preservação ambiental. “Nos estratos de baixa renda, que têm um imediatismo de sobrevivência, pensar em preservação do planeta, do médio para longo prazo, para quem precisa pensar em comer hoje, é um debate complicado. Então, esse é o grande desafio”, destacou.

Os cinco estudos da nova edição do Radar definem caminhos para superação desses desafios, contribuindo com o debate sobre desenvolvimento sustentável em temas específicos. O primeiro artigo trata do financiamento da indústria renovável e do desenvolvimento sustentável, apresentando uma proposta baseada nos Green Bonds, os chamados títulos verdes, que oferece uma análise de como financiar essa produção do futuro. O segundo artigo fala especificamente da questão energética, discutindo como alimentar de energia limpa essa produção, esse aparato produtivo e avalia o papel do hidrogênio verde no país.

O terceiro artigo aborda, de forma sustentável, as tecnologias digitais aplicadas e utilizadas nas cidades inteligentes, incorporando o conceito de sustentabilidade em seu sentido amplo. Isso inclui a inclusão social com qualidade de vida, a preservação ambiental e a construção de infraestrutura, com foco no desenvolvimento sustentável.

O quarto artigo trata das pequenas empresas, que, do ponto de vista da estrutura produtiva, talvez sejam o maior desafio. Isso porque são as empresas que se concentram no estrato mais baixo da produtividade, nos estratos de menor desenvolvimento tecnológico e de menor disponibilidade financeira. Nesse contexto, a agenda do desenvolvimento sustentável enfrenta mais dificuldades para superar obstáculos e ser difundida. O desafio é como levar essa agenda a esse universo de milhões de pequenas empresas, de baixíssima produtividade, e como reverter esse quadro. Esse artigo trata dos serviços empresariais, voltados à capacitação dessas empresas, para que possam se adequar à produção do futuro.

A nova edição do Radar aborda ainda o mercado de trabalho. No estudo, que parte da premissa de que a produção do futuro precisa e envolve tecnologias cada vez mais sofisticadas, considera-se que seu desenvolvimento pressupõe que novas vagas sejam abertas com emprego intensivo de tecnologias sofisticadas que precisam de capital humano e de profissionais altamente capacitados, que dominem ferramentas tecnológicas e que sejam capazes de desenvolver e aplicar conhecimentos de fronteira. Esse estudo avalia como o mercado de trabalho privado do Brasil vem tratando os profissionais mais qualificados, aqueles com formação de doutores.

Nogueira destaca ainda que a nova edição do Radar busca definir caminhos para a superação desses desafios e visa apoiar o governo federal na elaboração e implementação de políticas públicas, apontando os desafios e soluções práticas para o Brasil construir um futuro produtivo e sustentável, conforme os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.

Acesse a edição temática nº 74 do boletim Radar

Coordenação - Ipea
(61) 2026-5501
(21) 3515-8704 / (21) 3515-8578
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Filhos precisam estudar muito mais para obter mesma posição social dos pais

Helio Montferre/Ipea

Compreender as diferentes dimensões da dinâmica social no Brasil, a estratificação e a mobilidade social brasileira são temas que compõem o livro “Dinâmica Econômica, Mudanças Sociais e Novas Pautas de Políticas Públicas”, lançado nesta quarta-feira (06/12), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A obra, ao longo de seus nove capítulos, busca apresentar uma variedade de trabalhos que abordam os aspectos teórico-metodológicos do uso de tipologias de classes.

Organizado pelos pesquisadores do Ipea, João Cláudio Basso Pompeu, André Rego Viana,Luis Carlos Garcia Magalhães, e Ana Paula Vasconcelos Gonçalves, professora adjunta no Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o livro é resultado de dois anos de pesquisas e debates.

“Uma parte da obra é essencialmente teórica, baseada em uma longa discussão que busca resgatar a importância do uso da estratificação social e das categorias de classe para o debate de política pública no Brasil. Apresenta uma série de estudos de caso que são relevantes a reflexão sobre impactos em diversas políticas públicas”, explicou André Rego Viana.

Viana também ressaltou que as duas visões abordadas pela obra são capazes de compor um cenário abrangente, aprofundando, por meio de análises, a pauta da educação, a questão racial e as repercussões das alterações que ocorrem nas rendas das diferentes classes sociais para quadros políticos diversos.

Educação relativa

O sexto capítulo, intitulado "Fundamentos e Aplicações de uma Tipologia de Classes para o Brasil", do autor André Ricardo Salata, procura argumentar em defesa da relevância e adequação de se considerar a educação como um bem posicional, medindo-a de modo relativo. A ideia central é que o importante não é a quantidade absoluta de educação que o indivíduo possui, mas sim quanto ele obtém em relação aos demais. Nesse sentido, o valor, do ponto de vista do investimento pessoal, da educação alcançada por alguém depende da quantidade de educação que os demais possuem.

Salata conclui que, entre outras coisas, por mais que a expansão educacional possa ter tornado as chances de acesso a determinados níveis de ensino menos desiguais, ela também acaba por enfraquecer a estrutura de oportunidades atrelada àqueles níveis. “É possível, então, que uma das principais consequências da expansão educacional seja não a redução da associação entre classe de origem e escolaridade alcançada, mas sim que os indivíduos precisem acumular cada vez mais anos de estudo, chegar a níveis de ensino cada vez mais altos, a fim de permanecerem na mesma posição social de seus pais, configurando uma verdadeira corrida posicional”, disse.

A primeira parte do livro, os quatro primeiros capítulos, debate os aspectos teóricos e metodológicos que fundamentam a relevância do uso da análise de classes sociais. Essa seção também abrange as limitações desse procedimento para a compreensão de diferentes fenômenos sociais da realidade do Brasil. A segunda parte da obra utiliza a análise de classe para elaborar diagnósticos de diferentes problemas que afetam o bem-estar da sociedade brasileira.

O livro sugere que o conceito de classe, em suas variadas dimensões, permanece importante para a compreensão de muitos fenômenos sociais. “Os mapas de classe posicionais ajudam a descrever e analisar as diversas formas de desigualdades que condicionam o padrão de consumo, o acesso à educação e saúde, as oportunidades de vida dos indivíduos e, ainda, as possibilidades e os limites da ação coletiva para alterar a estrutura de classe na qual se inserem”, afirmam os organizadores da obra em suas considerações finais.

Além dos organizadores da obra e de Salata, assinam também artigos na coletânea Marcela Fernanda da Paz de Souza, Natália Leão, Luiz Rubens Câmara de Araújo, Carla Rodrigues Costa de Araújo, Kolai Zagbaï Joel Yannick, Flavio Carvalhaes e José Alcides Figueiredo Santos.

Os capítulos teórico-metodológicos tratam de temas como: percursos metodológicos dos estudos sobre estratificação social no Brasil (capítulo 1); tipologias de classe aplicadas à realidade brasileira (capítulo 2); procedimentos metodológicos utilizados para a construção da tipologia de classes adotada na pesquisa dinâmica econômica, mudanças sociais e novas pautas de políticas públicas (capítulo 3); e a tipologia ocupacional erikson-goldthorpe-portocarero: uma avaliação analítica e empírica (capítulo 4).

A segunda parte da obra, na seção de aplicações de tipologias de classe, trata dos assuntos: fundamentos e aplicações de uma tipologia de classes para o Brasil (capítulo 5); classe de origem e resultados educacionais: uma análise considerando o caráter posicional da escolaridade (capítulo 6); interações entre origem de classe e raça na transmissão das desigualdades no Brasil (capítulo 7); desindustrialização e mudança na estrutura de classes no Brasil: evidências a partir das pesquisas domiciliares no período 2002-2015 (capítulo 8); e grupos ocupacionais na PNAD Brasil (2002-2015): mudanças e pistas para um mapa de classes a partir da renda (capítulo 9).

Acesse a íntegra do livro ​

Comunicação - Ipea
(61) 2026-5501
(21) 3515-8704 / (21) 3515-8578
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Ministra Simone Tebet discute seus planos para os próximos quatro anos

Helio Montferre/Ipea

Simone Tebet, ministra de Estado do Planejamento e Orçamento (MPO), apresentou os 14 objetivos estratégicos, que foram definidos em 34 resultados-chave e 29 projetos para os próximos quatro anos, durante o lançamento do Planejamento Estratégico Integrado (PEI) da pasta na segunda-feira (4). Segundo a ministra, o Plano equivale, para o Ministério, ao que é o Plano Plurianual (PPA) para o Brasil. A cerimônia, reuniu representantes das secretarias do MPO e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A ministra enfatizou a participação ativa dos funcionários no processo, indicando que o PEI foi moldado considerando suas perspectivas. "Para fazer o PPA, ouvimos o Brasil. Para o PEI, ouvimos os vocês", declarou, ressaltando a importância de políticas públicas mais eficientes, visando à redução das desigualdades por meio de recursos bem aplicados.

Os objetivos estratégicos relacionam-se ao fortalecimento das relações institucionais com as entidades vinculadas; estimular o bem-estar e o desenvolvimento das pessoas; aperfeiçoar os processos de trabalho por meio da simplificação e transformação digital; e a governança em prol do alcance da missão institucional.

O secretário-executivo em exercício do MPO, Marcio de Oliveira Albuquerque, destacou o caráter colaborativo da elaboração do PEI, envolvendo todas as equipes ministeriais. Ele explicou que o plano não apenas visa atingir metas, mas também impulsionar o desenvolvimento de projetos em cada secretaria, sublinhando a relevância do intenso debate interno. Albuquerque salientou ainda que esta é a primeira vez que o planejamento do MPO incorpora órgãos subordinados, incluindo o Ipea e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O presidente substituto do Ipea, Claudio Roberto Amitrano, que participou da mesa de abertura, expressou a satisfação com a recriação do MPO e o fortalecimento do planejamento estratégico nas atividades do governo federal. “O próprio Ipea nasce de uma iniciativa do MPO”, lembrou Amitrano.

231240 lancamento plano estrategico institucional interna

Helio Montferre/Ipea

O envolvimento do Ipea na elaboração do PEI destaca a importância da cooperação entre órgãos estratégicos, ressaltando que o Instituto não apenas desempenha um papel importante no planejamento, mas também contribui para a eficácia das políticas públicas no país. O evento evidenciou a sinergia entre os diferentes setores governamentais na busca por uma gestão mais eficiente e focada no desenvolvimento sustentável do país.

Assista o evento no canal de youtube do MPO.

Acesse a apresentação feita durante o evento.

Comunicação – Ipea
(21) 3515-8704 / 3515-8578
(61) 2026-5501 / 99427-4553
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Atlas da Violência estima que mais de 49 mil homicídios deixaram de ser devidamente classificados, entre 2011 a 2021

O Atlas da Violência 2023 , do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, revela que 49.413 mortes deveriam ter sido classificadas como homicídios, mas ficaram fora dos números, entre 2011 e 2021. A estimativa divulgada no Atlas é resultado de análises do Ipea, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo aponta também que, nesse período, o Brasil não conseguiu classificar a contento o conjunto de 126.382 óbitos, que foram registrados como morte violenta por causa indeterminada (MVCI). Essas mortes podem ser tanto decorrentes de acidentes quanto de suicídios ou homicídios, portanto, causas totalmente diferentes entre si.

O Atlas, divulgado nesta terça-feira (05/12) pelo Ipea e pelo FBSP, estima que o número de homicídios ocultos ao ano foi de 4.492 nesses 10 anos. Este índice corresponde à média de homicídios que ocorre anualmente no estado de São Paulo, ou à queda sem sobreviventes de 150 Boeings 787 lotados, em tragédias totalmente invisibilizadas.

O estudo também revela que, entre os anos de 2011 e 2021, 616.095 pessoas foram assassinadas, 47.847 apenas em 2021, conforme os registros oficiais do Ministério da Saúde. Esse número corresponde a uma taxa de 22,4 mortes por 100 mil habitantes.

No recorte por estados, a inclusão dos homicídios ocultos permite identificar quais estados têm maior incidência de homicídios, sendo as Unidades Federativas com maiores populações residentes as responsáveis por 72,5% dos homicídios ocultos do país. São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais lideram neste aspecto.

Os pesquisadores do Atlas alertam que, neste cenário de elevada incerteza sobre intencionalidade dos óbitos, ignorar as MVCI pode influenciar negativamente diagnósticos e formulações de políticas públicas, impedindo intervenções em aspectos sensíveis da sociedade. Os autores consideram também que, se não houvesse o aumento de armas de fogo em circulação entre 2019 e 2021, teria havido 6.379 homicídios a menos no Brasil, equivalendo a todos os homicídios na Região Norte do país em 2021 ou a mais do que todos os homicídios registrados nos estados da Região Sul nesse ano.

O Atlas da Violência traz informações e análises que ajudam a compreender e visibilizar as violências com diferentes recortes específicos. Há citações a violência contra a juventude e as crianças, violência contra as mulheres e os casos de feminicídio, violência contra pessoas negras, contra a população LGBTQIAP+, pessoas com deficiência, indígenas e idosos.

Entre 2020 e 2021, diversos estados registraram queda da taxa de homicídios em quase todas as regiões, com exceção da Região Norte, que apresentou altas de 34,9% para Amazonas, 17,1% para o Amapá e 16,2% para Rondônia. O Acre, contrariando a tendência regional, obteve a maior redução (-33,5%), seguido por Sergipe (-20,3%) e Goiás (-18,0%).

Desde 2016, esse índice de violência vinha diminuindo nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, conforme analisado nos Atlas da Violência 2019 e 2020. Além do armistício na guerra em as maiores facções do país, pelo controle do corredor internacional de drogas nas Regiões Norte e Nordeste, houve a mudança do regime demográfico em direção ao envelhecimento da população, com a subsequente diminuição do número de jovens entre 15 e 29 anos. Além disso, alguns estados e municípios brasileiros começaram a implementar ações e programas qualificados de segurança pública. 

Os recortes demográficos

Em 2021, de cada 100 jovens entre 15e 29 anos que morreram no Brasil por qualquer causa, 49 foram vítimas de violência letal. Dos 47.847 homicídios ocorridos em 2021, 50,6% tiveram como alvo jovens dessa faixa etária, totalizando 24.217 pessoas. Com isso, há uma média de 66 jovens assassinados por dia no país. Na série histórica dos últimos onze anos, entre 2011 e 2021, 326.532 jovens foram vítimas da violência letal no país.

Apesar dos números alarmantes, em 2021 houve uma queda de 6,2% no número absoluto de homicídios de jovens em 2021 em comparação com 2020. A taxa de homicídios para cada 100 mil jovens diminuiu de 51,8 para 49,0, representando uma redução de 5,4% em um ano e uma contração de 25,2% no período de 2016 a 2021.

Quanto às mulheres, na última década, mais de 49 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. Entre 2020 e 2021, a taxa geral de homicídios caiu 4,8%, mas no caso de homicídios femininos houve um crescimento de 0,3%. Em números absolutos de 2021, 3.858 mulheres foram assassinadas, conforme os dados oficiais. No entanto, o Atlas estima que o total dessas mortes violentas tenha sido de 4.603; ou seja, outras 745 mulheres sofreram agressões fatais sem que o Estado conseguisse registrar corretamente as causas dessas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI).

Historicamente, as pessoas negras são as maiores vítimas de violência no Brasil. Quando falamos da violência contra as mulheres, os dados não diferem: a violência letal é mais prevalente entre mulheres negras do que entre não negras. Em 2021, 2.601 mulheres negras foram vítimas de homicídio no Brasil, representando 67,4% do total de mulheres assassinadas naquele ano e uma taxa de aproximadamente 4,3 mulheres negras mortas para cada 100 mil habitantes desse grupo. Entre as mulheres não negras, essa taxa foi de 2,4 por 100 mil, quase 45% menor. Na comparação das taxas, o risco relativo de sofrer um homicídio é 1,8 vezes maior entre as mulheres negras do que entre as não negras.

Em 2021, o cenário em que o registro de homicídios de pessoas negras (soma de pretos e pardos, segundo a classificação do IBGE) lidera o ranking de mortes violentas se repetiu, totalizando 36.922 vítimas. Nesse ano, a população negra respondeu por 79% dos mortos, com uma taxa de 31,0 homicídios para cada 100 mil habitantes desse grupo populacional, contra a taxa de 10,8 para pessoas não negras (soma de amarelos, brancos e indígenas).

Violência contra idosos

Seguindo a tendência mundial, o novo regime demográfico brasileiro se caracteriza pelo crescimento mais acentuado da população idosa (com 60 anos ou mais) em relação aos outros grupos etários. Em 2022, a população idosa era composta por cerca de 32 milhões de pessoas, correspondendo a aproximadamente 15% da população brasileira. Por esse motivo, o Atlas reservou um capítulo para discutir a violência contra idosos e as diferentes formas pelas quais isso ocorre entre negros e não negros.

As mortes por causas violentas foram responsáveis por 4,7% do total de óbitos de homens negros e 4,3% no caso dos não negros em 2021. Os óbitos por causas externas incluem diversas formas de violência, como agressões, quedas e acidentes de transporte. A mortalidade por agressão foi cerca de 41% mais elevada para negros do que para não negros em 2021, quando o país registrou uma taxa de 16,6 óbitos por agressão por 100.000 habitantes para negros, e 9 por 100.000 para não negros.

No período de 2011 a 2021, houve uma diminuição na taxa desses óbitos de 23,4% para os idosos negros e de 40,2% para os não negros. Já em relação aos óbitos por agressão de mulheres idosas, registrou-se uma taxa de 2,1 por 100.000 para mulheres negras e de 1,8 por 100.000 para não negras. Houve uma redução de 19,8% na taxa de óbitos para as mulheres negras e de 28,1% para as não negras no período. Apesar de a variação ter sido negativa para todos os grupos, as taxas de decréscimo foram menores para homens e mulheres negros.

Acesse a íntegra do Atlas da Violência 2023

Confira o sumário executivo

Arte infográfico

Acesse o portal do Atlas da Violência

231205 infografico atlas

Comunicação | Ipea
(61) 2026-5501
(21) 3515-8704 / (21) 3515-8578
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
www.ipea.gov.br

Analítica Comunicação
(55 11) 2579-5520
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
www.forumseguranca.org.br

"Venham, façam o concurso do Ipea. O Ipea é para todos", diz presidenta Luciana

Helio Montferre/Ipea

A presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Mendes Santos Servo, ressalta em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (04/12), a importância do primeiro concurso, depois de 15 anos, para a recomposição do quadro de pessoal do Instituto. O certame oferece 80 vagas distribuídas em três perfis e dez especialidades (ver quadro abaixo), com cotas de 10% para pessoas com deficiência e, pela primeira vez, 20% para negros. Segundo a presidenta, a expectativa é uma transição para um Ipea com mais diversidade. Luciana também anunciou que irá solicitar que haja um cadastro reserva correspondente a 25% do total de vagas, e que pretende buscar que este seja o primeiro de uma série de concursos regulares.

“Quando falamos de burocracia representativa, é importante que a representação social da população dentro dessa burocracia seja respeitada. Quando temos uma instituição essencialmente branca e masculina, é essa perspectiva que levamos para os nossos debates de políticas públicas. Trazer a diversidade para dentro do Ipea é fundamental. Então, venham, façam o concurso do Ipea. O Ipea é para todos”, disse Luciana.

A presidenta do Ipea afirmou que é uma preocupação muito grande do Instituto que as cotas sejam efetivas. “Temos várias barreiras que foram percebidas na realização de concursos anteriores e todo o processo de discussão do concurso do Ipea levou em consideração a retirada dessas barreiras ou a minimização delas. Fazer um concurso dentro da lei de cotas exigiu que se pensasse que esse tem de ser o mínimo. Temos 20% das vagas reservadas, como prevê a lei de cotas, mas esperamos que pessoas negras entrem pela concorrência geral para que consigamos aumentar a diversidade dentro do Ipea”, disse ela. O Ipea aumentou ainda a cota reservada para pessoas com deficiência (PcD), que era de 5%. Neste concurso, serão destinados 10% das vagas para PcD.

Luciana esclareceu que o Grupo de Trabalho do concurso 2023 avaliou questões relacionadas à diversidade e aspectos práticos da aplicação das provas que pudessem favorecer a participação, ampliando as possibilidades. Uma das barreiras ao acesso é a localização dos locais de prova, razão pela qual, neste certame, o Ipea optou por realizar o concurso nas 26 capitais de todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

A presidenta do Ipea explicou o motivo pelo qual o concurso do Ipea não abrangerá as 180 cidades, como ocorrerá com o Concurso Unificado Nacional. “O concurso unificado está sendo pensado para três milhões de pessoas, enquanto o do Ipea para 30 mil pessoas. Essa distribuição espacial tem de considerar também o número de candidatos que esperamos para o concurso porque senão o custo de realização do concurso o torna inviável. Entendemos também que colocar a prova num único dia facilita o deslocamento dos candidatos. Se fossem dois dias, o custo de deslocamento aumentaria”, explicou.

A coordenadora-geral de Contratações, Serviços Gerais e Apoio à Pesquisa do Ipea, Marinésia Lemos Souto, participou do evento ao lado da presidenta. Ela destacou que a realização do concurso é resultado de uma luta de 15 anos. “Esse momento é a realização de um desejo e um objetivo para o Ipea. O concurso é essencial para a continuação dessa casa e compreendemos que esta casa é essencial para subsidiar o governo quanto a suas políticas públicas”, declarou. A coordenadora-geral lembrou que o Ipea possui atualmente cerca de 700 projetos de pesquisa em andamento, envolvendo aproximadamente 150 técnicos de planejamento e pesquisa

Marinésia observou que, embora o Ipea não tenha controle na aplicação das provas do concurso, atuará para zelar pelo adequado andamento do processo como um todo. “O Instituto tem nomeado fiscais que acompanharão todo o processo que envolve o concurso. O certame tem regras claras que devem ser observadas e que buscam a lisura do processo de elaboração, aplicação e correção das provas e definição dos candidatos aprovados”, disse.

O coordenador do grupo de trabalho do concurso 2023 do Ipea, Pedro Miranda, reforçou o desejo do Ipea em renovar seus quadros, num processo pautado na diversidade e no desejo de inclusão de diferentes segmentos sociais no Instituto. “Esperamos que esses 80 novos ‘ipeanos’ venham renovar nossa capacidade de trabalho de forma bastante intensa. Que sejam 80 novas pessoas que venham trabalhar com a gente e que estejam conosco por muitos anos”, comentou.

O Ipea tem um hotsite especial para o concurso (http://www.ipea.gov.br/concurso). Além disso, dúvidas podem ser tiradas pela Central de Atendimento da Fundação Cesgranrio, por telefone (0800-701-2028) e por e-mail (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.). O atendimento é realizado de 2ª a 6ª feira, das 8h30 às 17h30 (hora de Brasília). Exceto feriados.

Assista aqui a íntegra do evento promovido pelo Ipea sobre o concurso

Confira o quadro de perfis, especialidades, e o número inicial de vagas:
231204 quadro
Comunicação - Ipea
(61) 2026-5501
(21) 3515-8704 / (21) 3515-8578
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Subcategorias



Reportar Erro
Escreva detalhadamente o caminho percorrido até o erro ou a justificativa do conteúdo estar em desacordo com o que deveria. O que deveria ter sido apresentado na página? A sua ajuda será importante para nós, obrigado!

Form by ChronoForms - ChronoEngine.com