Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Baixa remuneração do setor elétrico no Brasil pode desestimular investimentos

A remuneração média das concessionárias de distribuição de energia elétrica no Brasil é menor do que o estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o que pode comprometer parte dos investimentos de empresas do setor. A conclusão é da nota técnica A Remuneração de Capital no Setor de Distribuição de Energia Elétrica: Investigação de Excedentes Econômicos na Prorrogação das Concessões, da técnica em planejamento e pesquisa Katia Rocha, da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O trabalho investiga a questão levantada na Consulta Pública 152, realizada em junho de 2023 pelo Ministério de Minas e Energia, sobre a utilização dos ganhos excedentes em favor de contrapartidas sociais como condicionante para a prorrogação das 20 concessões que vencem entre 2025 e 2031. Juntas, elas atendem 62% do mercado de distribuição do país.

“Muito embora o governo tenha sinalizado o recuo da proposta, os achados são especialmente preocupantes num contexto de mudanças regulatórias sensíveis previstas para os próximos anos, com impactos significativos para empresas e para os consumidores, além das diretrizes a respeito da renovação das concessões”, disse Katia. Segundo ela, há sobre a mesa questões como a abertura do mercado livre, os encargos e subsídios que oneram sobremaneira a tarifa do consumidor cativo, os descontos às fontes incentivadas e micro e minigeração distribuída (MMGD) e a inserção de novas tecnologias de geração, armazenamento e gerenciamento pelo lado da demanda.

Os resultados apontam que não houve indício de ganho econômico excessivo durante o período analisado (2014-2022). Na média, retorno sobre o capital investido (Roic) das empresas do setor foi de 11,29% no período analisado. Esse valor está abaixo da taxa regulatória de remuneração de capital estabelecida pela Aneel, de 13,37%, utilizada como benchmark. A comparação do Roic de uma empresa com seu custo de capital representa uma métrica de mercado adequada para estimar os ganhos excedentes econômicos e revela, assim, se o capital investido está sendo empregado de maneira eficaz.

Katia explica que, caso o Roic seja sistematicamente superior ao custo de capital, a empresa está adicionando valor econômico. “Caso contrário, não há remuneração adequada do capital. Há destruição de valor. O mercado considera spreads (diferença entre o Roic e o custo de capital) superiores a 2% como valor econômico adicionado. Porém, no Brasil, no período avaliado, notamos valores bem abaixo desse patamar”, diz a autora do estudo.

O trabalho destaca a importância de análises comparativas entre a remuneração de capital efetiva e o respectivo alinhamento regulatório estabelecido pelo regulador, visto ser um setor estratégico que remunera toda a cadeia do sistema elétrico brasileiro, incluindo geração, transmissão e encargos do sistema.

O estudo conclui que "a adequada remuneração de capital incentiva os investimentos necessários à agenda de modernização do setor, que visa o fornecimento de energia ao menor custo possível, com correta precificação de atributos, eficiência na alocação de custos e riscos, e a racionalização dos encargos e subsídios, possibilitando uma redução estrutural da tarifa de energia elétrica dos consumidores".

Acesse a nota técnica 

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Retrospectiva Ipea 2023


​A volta do Ministério do Planejamento e Orçamento

O ano de 2023 foi de renovação e de resgate do papel institucional do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com a recriação do Ministério do Planejamento e Orçamento, o Instituto voltou a vincular-se àquele que foi seu ministério de origem.

No dia 20 de janeiro, a ministra de Estado do Planejamento e Orçamento, Simone Nassar Tebet, anunciou o nome de Luciana Mendes Santos Servo, técnica de planejamento e pesquisa, como a nova titular da presidência do Instituto. A posse se daria, efetivando a presidenta e sua toda a sua diretoria, a 15 de março. Em quase 60 anos de existência, Luciana é a terceira mulher a assumir a presidência e a primeira mulher negra a ocupar o cargo.

Plano Plurianual

Desde os primeiros meses de 2023, o Ipea contribuiu com a elaboração do PPA. Desde a definição de indicadores até o oferecimento de subsídios a vários dos temas estratégicos, o Ipea ofereceu o auxílio de suas técnicas e técnicos. Ao longo do primeiro semestre, esteve presente em várias plenárias em todo o país que tornaram o processo de construção deste plano o mais participativo dentre todos os PPAs.

Concurso

Outra frente de atuação foi aberta na interação com o novo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Com apoio do MPO, o Ipea conseguiu junto ao MGI a autorização para preencher 80 vagas para o cargo de técnico de planejamento e pesquisa, depois de quinze anos sem poder renovar seus quadros. Esse será o primeiro concurso público do instituto a ser realizado sob a vigência da Lei de Cotas Raciais. Embora não esteja no rol dos órgãos que farão parte do Concurso Nacional Unificado, o Ipea analisou e sugeriu, a pedido do MGI, as melhores opções de cidades para a realização do concurso para que se possa garantir melhoria do acesso às provas e favorecer a diversidade regional e socioeconômica.

Agenda estratégica

O Ipea definiu, a partir do segundo semestre, sua Agenda Estratégica do Ipea 2024-2026. A agenda tem por ideia-força o desenvolvimento inclusivo, sustentável e democraticamente construído. Esses três eixos servem de referência para a construção da agenda prioritária a ser trilhada por cada diretoria finalística nos trabalhos de pesquisa e assessoria ao Estado brasileiro. Se espera que a atuação do Ipea  fortaleça seu perfil aplicado à formulação de políticas e programas; assessoria de apoio à decisão; planejamento de médio e longo prazo; análise, produção de dados e avaliação, e que isso favoreça a construção de ciclos e sistemas de monitoramento e avaliação; e também que reforce o protagonismo brasileiro no cenário internacional.

Beneficiômetro e Prioriza SUS

Dois exemplos de implementação da agenda estratégica são os projetos do Beneficiômetro da Seguridade Social e Prioriza SUS. O Beneficiômetro da Seguridade Social, mais que um portal, é uma iniciativa inédita para analisar os avanços da seguridade social no Brasil. A plataforma apresenta indicadores das três áreas da seguridade (saúde, previdência e assistência social), todos reunidos em um mesmo portal. Essa ferramenta é um esforço do Ipea para preencher lacunas no entendimento dos avanços na oferta de benefícios das políticas públicas, proporcionando informações abrangentes que ultrapassam as tradicionais métricas financeiras. Esses dados e indicadores consolidados contam com textos auxiliares que ajudam a analisá-los e explicá-los.

O Prioriza SUS analisa e recomenda ações de aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde, com destaque para a gestão, visando assegurar o acesso da população a bens e serviços de saúde de forma universal, igualitária e integral por meio desse sistema.

135 anos de abolição

A questão da igualdade racial é parte da agenda estratégica e uma linha de pesquisa consolidada ao longo das últimas décadas no Instituto. Em novembro deste ano, mês da consciência negra, o Ipea e o Ministério da Igualdade Racial promoveram o seminário 135 anos da Abolição – Entre a Escravidão e o Racismo. O evento reuniu pesquisadores, acadêmicos e formuladores de políticas públicas com o objetivo de dialogar sobre os efeitos do racismo no Brasil.

Sustentabilidade: transição energética e nova economia

Publicações, eventos e assessorias do Ipea, de várias diretorias, foram desenvolvidos neste ano sobre outro tema estratégico para a agenda do Ipea: a sustentabilidade ambiental. A transição energética é um dos temas essenciais, assim como Bioeconomia, nova economia da Amazônia e nova economia industrial. 

O seminário Amazônia, Bioeconomia e Políticas Públicas apontou a capacidade de a região Amazônica ser essencial para a descarbonização da economia brasileira. O Ipea discutiu também o papel do financiamento chinês no impulsionamento de projetos de energia renovável na América Latina. 

Produção do futuro

A agenda estratégica da produção do futuro prioriza estudos sobre a produção sustentável e transição energética; o aumento da produtividade e inclusão; a infraestrutura resiliente e para a economia do futuro; e o financiamento do desenvolvimento.

Um primeiro esforço de aproximação foi reunido na edição temática nº 74 do Boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior. Temas cruciais dessa agenda, como cidades inteligentes, green bonds, hidrogênio verde, micro e pequenas empresas, e a evolução do emprego de novos doutores no setor privado no Brasil. Além desses estudos, um intenso trabalho de assessoria governamental e advocacy tem sido levado a cabo para demonstrar a importância e as oportunidades abertas para a implementação dessa agenda.

Integração sulamericana

Dentre as várias pesquisas sobre integração sulamericana, o Ipea está à frente de estudos sobre o corredor bioceânico que vai unir Argentina, Brasil, Chile e Paraguai. A rota vai ligar os países atlânticos aos do Pacífico, neste continente. São os estudos do Ipea que demonstram como a institucionalidade mais avançada do projeto, em termos de sua governança, tem sido essencial para desatar nós na evolução do projeto, o que também é um bom exemplo para a discussão de outros projetos de infraestrutura de grande envergadura e complexidade. 

Think20 Brasil

O Ipea ampliou seu protagonismo internacional com a criação da agenda Think20 Brasil (T20), tendo como parceiros a Fundação Alexandre de Gusmão (Funag) e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). O T20 vai reunir centros de pesquisa de todo o mundo para subsidiar as decisões das maiores economias globais congregadas no G20, grupo que reúne 19 países-membros e a União Europeia e União Africana.

Reforma tributária

O Ipea produziu alguns dos estudos mais importantes sobre o tema e pautou a discussão sobre pontos importantes do debate público. Um desses estudos avalia que o PIB pode crescer até 2,4% acumulado com a reforma tributária no Brasil, a depender da proposta final a ser promulgada. A nota técnica estima também o quanto as variações de maior ou menor alíquota, a depender das isenções tributárias, geram em termos de maior crescimento econômico, mas os ganhos ou perdas regionais e setoriais tornam uma ou outra opção mais viável em termos de sua aceitação. 

Outro estudo pontua que a reforma tributária pode beneficiar mais de 80% dos municípios e 60% dos estados. Entre os mais favorecidos estão justamente os municípios mais pobres – 98% com PIB per capita abaixo da média nacional.

Mostramos também o quanto as medidas de desoneração tributária​ em vigor beneficiam não os setores que mais empregam, e sim alguns dos que mais demitiram no país. Portanto, se abriu mão de receita sem qualquer contrapartida em termos de empregabilidade. 

Com isso, o Ipea honrou sua trajetória pioneira de estudos sobre tributação e posicionou-se mais uma vez como uma referência essencial do debate sobre as ineficiências do atual sistema, oferecendo alternativas para trilhar um novo caminho em direção a uma maior justiça tributária no país.

Atlas da Violência

Outra divulgação de destaque este ano foi o retorno do Atlas da Violência, uma parceria do Ipea com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo estimou que mais de 49 mil homicídios deixaram de ser devidamente classificados, entre 2011 a 2021. Somente em 2021, ano abordado pelo estudo, 48 mil pessoas foram assassinadas. Apesar da redução de 4,8% em relação a 2020, houve uma alta de alta nas taxas de homicídios de mulheres, negros, indígenas e população LGBTQIA+.

População em situação de rua

O Ipea elaborou o estudo sobre A população em situação de rua nos números do Cadastro Único. As pessoas nessa condição estão entre as mais vulneráveis e desassistidas pelas políticas e programas governamentais. 

Conhecer quem elas são e por que estão nessa situação é um passo crucial para que o Estado e a sociedade possam entender qual a melhor forma de agir.

O estudo revelou que o preconceito contra essa população não tem respaldo mínimo na evidência. Por exemplo, se descobriu, pelo Cadastro, que as brigas de família (47,3%) e o desemprego (40,5%) são os motivos mais citados como causa para a situação de rua, superando o uso abusivo de álcool e outras drogas (30,4%). 

Evidências sobre o crime de porte de drogas

O Ipea ofereceu ao debate público pesquisas com conclusões minuciosas e surpreendentes sobre a falta de critérios objetivos na apreensão de drogas. Apontou também que os registros imprecisos de quantidades de drogas apreendidas são patentes nas operações policiais e na instrução processual.

Tais estudos são o resultado de uma linha de pesquisa desenvolvida há cerca de uma década e que tem sido citada em votos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a matéria. O resultado pode ocasionar um grande impacto sobre as apreensões, condenações e prisões pelo crime de porte de drogas ilícitas. O Ipea também ofereceu ao ao Ministério da Justiça e Segurança Pública um relatório consolidado sobre o perfil de pessoas processadas em ações criminais por tráfico de drogas. Foram analisados 253 processos dos Tribunais Regionais Federais e mais de 5 mil processos dos Tribunais de Justiça estaduais.

Pós-graduação

Uma nova turma do mestrado profissional do Ipea, já selecionada este ano, começará suas atividades letivas no ano que vem. Foram disponibilizadas 25 vagas presenciais em Brasília, todas destinadas a ocupantes de cargo efetivo em exercício em órgão ou entidade das administrações públicas federal, estadual ou municipal, além de empregados públicos federais, estaduais ou municipais concursados, efetivos e em exercício.

O mestrado profissional do Ipea forma profissionais do setor público brasileiro se valendo da reputação de quase 60 anos do Instituto dedicados à pesquisa, formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas e programas governamentais. 

LGBTQIA+

Pela primeira vez em seus quase 60 anos, o Ipea demonstrou seu compromisso em promover o respeito à comunidade LGBTQIA+ no Brasil. O evento simultâneo, em Brasília e Rio de Janeiro, evidenciou como a violência e o preconceito ainda fazem parte da vida de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais. Durante os meses de junho e julho, o Ipea estampou as cores da diversidade e abraçou a causa que mobiliza servidoras(es) e colaboradoras(es), independentemente de orientação sexual.

Publicações, eventos e notícias

Publicamos, em 2023, 256 estudos e pesquisas, com 21.190 páginas editoradas. O resultado supera o do ano de 2022, que teve 243 publicações e 20.921 páginas editoradas. Tivemos uma média de mais de um evento e matéria para o portal, por dia. Esse trabalho impulsionou uma grande exposição positiva do Ipea na mídia, ao longo do ano. 

Implementou-se também a diretriz de facilitar e estimular o acesso de autoras e autores de pesquisa aos mais diversos veículos de mídia, o que elevou nosso atendimento à imprensa para quase 45 atendimentos mensais.

De cada dez matérias publicadas citando o Instituto, cerca de 9 (88,7%) tiveram referências positivas, tanto indicando a importância dos estudos quanto a sua reputação de boa credibilidade enquanto fonte.

Para se ter uma ideia, o valor monetário correspondente ao espaço ocupado pelo Ipea em matérias jornalísticas, se convertido em publicidade, seria da ordem 31 milhões de reais em média, por mês, segundo dados coletados pela empresa de clipping contratada para aferir esse impacto. Em um ano, este valor acumulado (mais de 372 milhões) é muitas vezes maior que o orçamento do próprio Instituto - seis vezes seu orçamento para gastos discricionários.

A partir do segundo semestre, dobramos o engajamento recebido em redes sociais, que passou de 10 mil para mais de 20 mil. O Ipea começou a adotar como padrão as transmissões multiplataforma de seus eventos, o que significou que eles passaram a ser transmitidos simultaneamente pelo Webex, Youtube, LinkedIn e Facebook.

Assista ao vídeo da nossa retrospectiva:

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Desigualdade salarial do emprego formal no Brasil tem queda de 20%

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) lançou nesta terça-feira (26/12) a edição número 76 do Boletim Mercado de Trabalho: Conjuntura e Análise (BMT). O estudo “Desigualdade Salarial no Setor Formal da Economia Brasileira: a importância dos componentes intrafirma, entre firmas e entre setores”, parte da coletânea do boletim, revela que houve uma queda de 20% na desigualdade salarial no setor formal entre os anos de 2007 a 2019. Essa redução da desigualdade salarial entre trabalhadores formais brasileiros tem como base decomposições realizadas pelos pesquisadores Pedro Souza, Fabio Maciel e Miguel Foguel.

O técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e também editor do boletim, Sandro Pereira Silva, afirma que esta edição contém diversas contribuições para a análise do mercado de trabalho brasileiro. “A diversidade de assuntos que a publicação abrange, além do acompanhamento permanente dos indicadores de mercado de trabalho, fazem com que ela se consolide cada vez mais como uma das mais relevantes sobre essa temática no país e uma importante referência para a formulação de políticas públicas que tratem do segmento”, disse.

De acordo com os dados até o fim do segundo trimestre de 2023, a taxa de desemprego segue trajetória de queda, atingindo 8% da força de trabalho brasileira. O número de pessoas em situação de desemprego involuntário chega a 8,6 milhões em todo o país. Embora na comparação com o mesmo período de 2022 tenha havido uma queda de 1,3 pontos percentuais, a diminuição do desemprego verifica-se de maneira desigual em diferentes segmentos sociais. Entre as mulheres, o desemprego registrado no segundo trimestre de 2023 foi de 9,6%, e entre negros, pardos e indígenas foi de 9,5%. Cada ponto percentual nesta estatística corresponde a aproximadamente 1.075.570 de pessoas.

O levantamento utilizou como insumo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o registro administrativo do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O periódico traz também outros 11 artigos, o tradicional texto de análise de conjuntura do mercado de trabalho brasileiro, além de outras seções que abrangem distintas dimensões do mercado de trabalho no Brasil. Na seção de Notas Técnicas, além do texto já citado sobre a queda da desigualdade salarial no setor formal da economia brasileira, os destaques vão para a relação entre complexidade econômica e geração de emprego e a apresentação de uma proposta de avaliação do desempenho recente do mercado de trabalho brasileiro.

A seção Políticas em Foco conta com dois textos que avaliam o Sistema Nacional de Emprego (Sine) a nível nacional, e um terceiro que discute o banimento do amianto no Brasil no contexto da saúde e segurança do trabalhador.

Na seção de Economia Solidária e Políticas Públicas, os textos abordam temas como a incubação universitária de cooperativas populares, os sistemas comunitários de finanças solidárias e os desafios da inclusão social na cadeia da reciclagem.

Por fim, esta edição do boletim conta com uma seção especial sobre Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural, composta por mais três textos. O primeiro faz um levantamento de políticas para a agricultura e o desenvolvimento rural a nível estadual. O segundo discute o potencial das compras públicas da agricultura familiar para a segurança alimentar e nutricional de crianças e adolescentes via Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O periódico encerra com outro texto sobre a temática das compras públicas de produtos da agricultura familiar, desta vez com foco no seu potencial enquanto instrumento de inclusão produtiva no Brasil.

Confira a edição nº 76 do Boletim Mercado de Trabalho

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Ipea e MME lançam estudo sobre a extensão da cadeia produtiva da mineração no PIB brasileiro

Agência Vale

Qual a importância da cadeia produtiva da economia mineral no produto interno bruto (PIB) brasileiro? De acordo com o estudo “A extensão da cadeia produtiva da economia mineral no PIB brasileiro”, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Ministério de Minas e Energia (MME), nesta quinta-feira (21), a cadeia produtiva da economia mineral nas últimas décadas variou entre 2,5% e 4% do PIB brasileiro. Em valores, essa variação representou um valor estimado de R$ 150 bilhões e R$ 340 bilhões, em reais de 2021.

De acordo com o levantamento, a mineração de ferro e a siderurgia são os grandes destaques da economia mineral brasileira, tanto pela ótica do PIB quanto pela força de arrasto produtivo. Nos últimos anos, a importância da mineração de ferro aumentou, enquanto a importância da siderurgia caiu. A demanda final incidente sobre a manufatura, a construção civil e a própria extração mineral são os maiores vetores de ativação da produção econômica da cadeia produtiva da economia mineral.

O estudo apresenta uma metodologia de mensuração da cadeia produtiva que abrange desde a extração de minerais até o processamento, distribuição e utilização de produtos finais. Além disso, destaca os desafios à mensuração da cadeia produtiva, devido à complexa interconexão entre setores. No contexto da mineração brasileira, a existência de números e metodologias divergentes geram debates frequentes entre entidades de classe, órgãos governamentais e sociedade civil. Essas discrepâncias de dados, por exemplo, motivam uma preocupação nas discussões públicas sobre políticas de crescimento econômico e proteção ambiental.

A adoção de uma metodologia de cálculo mais criteriosa possibilitou avaliar o impacto do setor da mineração na economia brasileira, desde a atividade de mineração até a transformação mineral. O levantamento baseou-se em avanços recentes da técnica de Matriz Insumo-Produto (MIP) para calcular o PIB da economia mineral, consolidando não apenas uma visão abrangente sobre sua cadeia produtiva, mas também uma metodologia aplicável a outras cadeias produtivas do Brasil.

Para o especialista em políticas públicas e gestão governamental, Rafael Leão, e um dos autores da pesquisa, “o papel de um setor produtivo na economia de um país é tradicionalmente avaliado pela sua contribuição para o PIB. Contudo, quando se trata da análise de cadeias produtivas, a abordagem convencional do cálculo do PIB precisa ser ajustada para capturar a complexa interconexão entre diferentes setores, e o conceito de ‘arrasto produtivo’ permite capturar a parcela do PIB de todo o restante da economia que foi gerada pelas atividades econômicas de extração e transformação mineral eliminando o problema de dupla contagem”.

O secretário Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do MME, Vitor Saback comentou sobre a importância do estudo. “A partir de agora, temos um método para fazer o levantamento centralizado dos dados para o setor mineral. Isso é fundamental para nossa base de dados e, para interpretar os números que temos no Brasil e, com eles, encontrar e solucionar os gargalos, visando sempre uma mineração social, sustentável e segura”, disse.

A pesquisa está no âmbito das ações decorrentes do termo de execução descentralizada firmado entre o Ministério e o Ipea, que tem por objetivo mapear e diagnosticar o setor de mineração brasileiro.

Acesse a íntegra do estudo

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Ipea prevê crescimento de 3,2% do PIB neste ano e mantém em 2,0% a estimativa para 2024

APPA

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, nesta quarta-feira (20), a Visão Geral da Conjuntura, uma análise detalhada sobre o desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre de 2023 e previsões para 2024. A expectativa é de que o produto interno bruto (PIB) avance 3,2% neste ano, especialmente devido à melhoria no consumo das famílias – sustentado pelo aumento consistente da massa salarial ampliada – e às exportações, ancoradas em produtos agropecuários e petróleo. No quarto trimestre, é esperado um crescimento de 3,0% frente ao mesmo período de 2022. Para 2024, a estimativa do PIB permaneceu em 2,0%, conforme a tabela abaixo:

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A desaceleração do crescimento prevista para 2024 em relação a 2023 é justificada principalmente pela queda esperada do valor adicionado da agropecuária (-3,2%), penalizada por fatores climáticos adversos. Porém, outras commodities, como o petróleo, podem ter desempenho positivo, dada a competitividade das áreas do pré-sal, em especial se a expectativa de manutenção do ritmo de crescimento do PIB mundial em 2024 se concretizar.

O PIB estimado pelo Ipea para 2023 recuou 0,1 ponto percentual em relação à Visão Geral da Conjuntura divulgada em setembro, que previa 3,3%. O ajuste também se deveu também a uma adequação das previsões a revisões da série histórica do PIB, devido à atualização das Contas Anuais pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que acaba suscitando revisões nas séries trimestrais, em termos de composição da oferta e demanda. Isso contribuiu para que o resultado do terceiro trimestre – avanço de 0,1%, na comparação com o período imediatamente anterior – fosse inferior aos 0,3% que eram esperados pelo Instituto.

Apesar da redução dos preços das commodities em 2023, o ritmo de crescimento das exportações se manteve, na medida em que houve aumento nas quantidades vendidas, resultando em forte impulso externo para o resultado do PIB. Já o desempenho do setor agropecuário, apoiado pela supersafra agrícola, e a expansão acima do esperado da produção do petróleo criaram as condições necessárias para o Brasil conquistar novos mercados, suprindo a demanda que antes era atendida por concorrentes.

A queda do preço das commodities, por sua vez, ajudou a reduzir a inflação. Como divulgado ontem (19/12), a previsão do Ipea para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2023 foi reduzida de 4,8%, para 4,6%. Os efeitos da desaceleração inflacionária mostraram-se mais intensos para as classes de renda mais baixas, pois ocorreram em bens com maior proporção no orçamento das famílias de baixa renda, como os alimentos. Além disso, a fragilidade financeira das famílias diminuiu no segundo semestre do ano, com menor comprometimento da renda para pagamento de dívidas.

Essa combinação de fatores alavancou os efeitos sobre o poder de compra da contínua elevação da massa de rendimentos do trabalho ampliada por benefícios sociais (consubstanciados em programas como o Bolsa Família e nos benefícios previdenciários, elevados com a política valorização do salário mínimo), contribuindo para explicar a elevada contribuição do consumo das famílias ao PIB. A ampliação do poder de compra das famílias foi canalizada para o setor de serviços e, com isso, é possível compreender o papel desempenhado pelo setor no crescimento do PIB de 2023.

A elevação da demanda interna tem sido explicada em todo ano pela expansão de um consumo de massa, aquele financiado pela elevação da massa de rendimento das famílias, incluindo não somente a renda do trabalho como também dos benefícios sociais, inclusive a previdência social. Essa expansão dinamiza o setor de serviços, abrangendo os de utilidade pública (classificados como pertencentes ao setor industrial), e o setor de bens não duráveis. Contudo, parte dessa expansão do consumo não se transforma em demanda à indústria manufatureira porque é dinamizada para as compras de importações, como é o caso de bens semiduráveis

A expansão do setor de serviços, tipicamente intensivos em mão de obra, ajuda a elucidar a sustentação do emprego. O Grupo de Conjuntura da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea projetou uma alta de 2,6% no setor de serviços em 2023 e de 2,1% em 2024, fazendo com que ele siga como um dos principais impulsionadores do PIB. Em relação à indústria, a alta deve ser de 1,4% neste ano e de 2,5% em 2024. A perspectiva para a agricultura é de um salto de 16,7% em 2023, seguido de retração de 3,2% no próximo ano.

O dinamismo da economia em 2023, no entanto, não teve como contrapartida o aumento da arrecadação. A queda do preço das commodities reduziu os lucros das empresas exportadoras e, com isso, houve queda nas receitas tributárias incidentes sobre o lucro e rendas da exploração de recursos naturais. Além disso, a deterioração da indústria, em um crescimento liderado por serviços e agropecuária, tende a diminuir a elasticidade da receita tributária com relação ao PIB, na medida em que a incidência tributária sobre a indústria é maior. A queda da arrecadação em um cenário de aumento de gastos, em linha com a proposta da PEC de transição (PEC 32/2022), ampliou o déficit fiscal, o que tende a ser revisto com a implementação do novo arcabouço fiscal em 2024. 

Os técnicos de planejamento e pesquisa do Ipea também projetam um cenário de reação dos investimentos e do setor industrial no ano que vem, particularmente devido à elevada aprovação de financiamentos em infraestrutura por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a programas federais, como o Minha Casa, Minha Vida, e a programas de incentivo ao crédito do governo federal com sistema de garantias. Soma-se a isso a trajetória de queda prevista para a taxa de juros Selic.

Acesse a Visão Geral da Carta de Conjuntura

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Ipea revisa projeções de inflação medida pelo IPCA de 4,8% para 4,6% e pelo INPC de 4,5% para 4,2% em 2023

Helio Montferre/Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, nesta terça-feira (19), as projeções atualizadas para a inflação brasileira para 2023 e 2024. A análise revisou para baixo as variações do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2023, cujas projeções foram revistas de 4,8% e 4,5% (em setembro) para 4,6% e 4,2% (em dezembro), respectivamente, conforme as tabelas abaixo:

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De acordo com os pesquisadores do Ipea, embora o principal foco de pressão sobre a inflação de 2023 tenha origem no comportamento dos preços administrados, com variação no ano de 8,8%, esse grupo vem apresentando uma trajetória mais benevolente, sobretudo após a queda do preço da gasolina nos últimos meses, proporcionada pelo recuo das cotações internacionais do petróleo combinada com a recente apreciação cambial. Houve também a melhora no desempenho dos alimentos e dos bens industriais, em particular os bens de consumo duráveis, com deflações acumuladas no ano de 1,8% e 0,54%, respectivamente.

Para 2024, as projeções do Grupo de Conjuntura do Ipea indicam que o processo de descompressão inflacionária deve se manter. Com isso, as altas previstas para o IPCA e para o INPC foram de 4,0% e 3,8%, respectivamente. O alívio inflacionário para o próximo ano virá da desaceleração dos preços administrados e, em menor intensidade, da melhora do comportamento dos serviços livres.

No caso dos preços administrados, as taxas previstas de 4,4% no IPCA e de 4,2% no INPC estão baseadas, em grande parte, em um desempenho mais favorável dos combustíveis. Já para os serviços livres, as altas projetadas de 5,0% e 4,6% no IPCA e no INPC, respectivamente, repercutem um crescimento mais moderado da demanda, tendo em vista o arrefecimento da atividade econômica estimado o próximo ano.

Os alimentos e os bens industriais, por outro lado, devem apresentar taxas de inflação mais altas no ano que vem, mesmo diante de um cenário de estabilidade de commodities e câmbio. Em relação aos alimentos no domicílio, além da projeção de uma safra 2,8% menor que a registrada em 2023, os efeitos climáticos causados pelo El Niño também devem prejudicar parte da produção de frutas, verduras e legumes, sobretudo no primeiro quadrimestre do ano.

Desta forma, as altas projetadas para os alimentos em 2024 são de 3,9% no IPCA e de 4,1% no INPC. No que diz respeito aos bens industriais, as estimativas de uma inflação maior para este segmento, com taxas previstas de 2,1% no IPCA e de 1,9% no INPC, decorrem, em grande parte, de uma recuperação dos preços dos bens de consumo duráveis, reverberando uma melhora nas condições de crédito e do nível de endividamento das famílias.

Os pesquisadores, no entanto, não descartam o surgimento de riscos inflacionários adicionais, que podem limitar este processo de desinflação em 2024. Além da ocorrência de efeitos climáticos ainda mais intensos, reversões nas trajetórias de commodities, especialmente as energéticas, e do câmbio, podem resultar em taxas de variações de preços mais elevadas.

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Taxa de desocupação avança de 7,7% em setembro para 8,0% em outubro

Helio Montferre/Ipea

O mercado de trabalho brasileiro continua apresentando bons resultados, mesmo diante de uma leve alta na taxa de desocupação. A análise divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta segunda-feira (18) mostra que o aumento da desocupação em outubro, em termos dessazonalizados, ocorreu devido a um crescimento mais robusto da força de trabalho em relação ao observado na ocupação. Assim, mesmo com um aumento de 0,1% na ocupação em outubro em comparação a setembro, o crescimento de 0,6% na força de trabalho resultou no avanço da taxa de desocupação de 7,7% para 8,0%.

Entretanto, observar-se que a taxa de desocupação de 8,0% em outubro é 0,5 ponto percentual menor do que a registrada no final de 2022. No mesmo mês, após a dessazonalização, a força de trabalho atingiu 108,3 milhões, registrando um avanço de 1,1% no ano. Quanto à ocupação, os dados indicam, em outubro, um total de 99,4 milhões de trabalhadores, representando um crescimento de 1,5% nos dez primeiros meses do ano.

Os dados foram calculados pelo Instituto a partir da série trimestral da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo diante de um ritmo mais moderado, a criação de empregos com carteira assinada tem apresentado bom desempenho, contribuindo para o aumento da formalização do mercado de trabalho brasileiro. De janeiro de 2022 a outubro de 2023, o nível médio de formalização do mercado de trabalho chegou a 57,7%, ultrapassando o período pré-pandemia, onde a taxa média era de 57,1%.

Ao desagregar a taxa de formalidade por idade, observa-se que, nos últimos dois anos, todos as faixas etárias apresentaram melhora nos níveis de formalização, com crescimento mais significativo ocorrendo no grupo dos trabalhadores mais jovens (18 a 24 anos), cuja taxa avançou de 54,4% para 58,1%. Em relação à escolaridade, entre o terceiro trimestre de 2021 e o terceiro trimestre de 2023, com exceção do grupo de trabalhadores com nível superior, todos os demais demonstram uma elevação nos níveis de formalização. Destaque para os ocupados com ensino fundamental incompleto, cuja taxa saltou de 33,5% para 36,0%. Nota-se, contudo, que mesmo diante de uma desaceleração, a taxa de formalidade entre os trabalhadores com nível superior (78,5%) permanece bem acima da registrada nos outros segmentos educacionais.

Nos últimos doze meses, encerrados em outubro, a economia do país gerou expressivas 1,46 milhão de novas vagas com registro, conforme divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Os números ajustados pelo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) revelam uma expansão interanual de 3,4% no estoque de trabalhadores formais, evidenciando a vitalidade desse setor em outubro.

Em termos absolutos, alguns setores se destacaram na criação de empregos formais durante esse período. O comércio liderou com 282,1 mil novos postos, seguido por serviços administrativos (258,2 mil), construção civil (156,4 mil) e alojamento e alimentação (127,4 mil). Esses dados sinalizam uma dinâmica positiva no mercado de trabalho, destacando a resiliência e recuperação da economia em diversos setores. 

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Trabalhos de pesquisadores do Ipea recebem destaque no 51º Encontro Nacional de Economia

A presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Mendes Santos Servo, e técnicos de planejamento e pesquisa estiveram presentes no 51º Encontro Nacional de Economia, promovido anualmente pela Associação Nacional dos Centros de Pós-graduação em Economia (Anpec 2023), que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, entre os dias 12 e 15 de dezembro.

Quinze artigos inéditos, assinados por 17 pesquisadores do Instituto, foram selecionados e apresentados no Encontro da Anpec, recebendo destaque em oito categorias (veja abaixo). Além disso, o Ipea organizou duas mesas de debates. Um dos objetivos do encontro é estimular o diálogo e a troca de experiências entre economistas e profissionais de outros segmentos.

A presidenta do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo, participou da sessão especial que abordou aspectos da economia da saúde em duas perspectivas específicas. Houve um debate sobre a importância da economia da saúde nas políticas públicas e a respeito da aplicação do tema para análise de filas de transplante. Além da presidenta, o técnico de planejamento e pesquisa Alexandre Marinho também participou da discussão desses assuntos na sessão especial.

“Ao longo dos anos tornou-se uma tradição a participação do Ipea no Encontro Nacional de Economia, o que sinaliza a excelência dos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos pelos técnicos de planejamento e pesquisa da casa. Em particular, dialogar sobre a economia da saúde nessas duas dimensões foi importante para desenvolver e aprofundar temas que podem ter grande impacto positivo no bem-estar das pessoas e no uso eficiente de recursos destinados à saúde, área com grande demanda em diferentes segmentos”, afirmou Luciana.

Nesta edição, o Encontro trouxe como tema de destaque as contribuições para a economia da professora na Universidade de Harvard, Claudia Goldin. Neste ano, ela foi laureada com o Prêmio de Economia concedido pela Academia Real de Ciências da Suécia. A técnica de planejamento e pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea, Ana Luiza de Holanda Barbosa, falou sobre as realizações da professora estadunidense. Ela avaliou também a perspectiva histórica da participação das mulheres no mercado de trabalho.

O Encontro da Anpec é um dos mais importantes eventos científicos no campo da economia. Nele, são selecionados trabalhos inéditos que investigam as fronteiras do conhecimento científico na teoria econômica, na economia política e na econometria. Ao longo dos quatro dias do evento, foram realizados painéis e sessões temáticas que debateram o panorama nacional e temas regionais específicos.

Confira a seguir os trabalhos do Ipea que foram selecionados pela Anpec para o 51º Encontro Nacional de Economia: 

4 - Macroeconomia, Economia monetária e finanças

Inflação de preços e de salários no brasil: uma análise empírica de 1999 a 2022

Michelle Malher (UFRJ/IE) - Júlia Braga (UFF/Ipea) - Luiz Fernando de Paula (IE/UFRJ) 

5 - Economia do Setor Público

Consolidação fiscal e sustentabilidade da dívida pública: subsídios para um regime fiscal pós-pandemia

Sérgio Ricardo de Brito Gadelha (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa - IDP) - Geraldo Sandoval Góes (Ipea)

Government’s capacity to tax and infant health: evidence from the tax-capacity program

Carlos Andres Charris Vizcaino (UCB) - Alícia Cechin (Ipea)

8 – Microeconomia, métodos quantitativos e finanças

Investimentos em infraestrutura e metodologias de indenização de ativos – o modelo de opções reais

Katia Rocha (Ipea) - Naielly Lopes Marques (PUC-RIO, UFJF)

9 - Economia Industrial e da Tecnologia

Digital platform firms’ venture investments worldwide: patterns of u.s. and chinese big techs

Bruno Prado Prates (UFMG/CEDEPLAR) - Tulio Chiarini (Ipea) - Leonardo Costa Ribeiro (UFMG/CEDEPLAR)

Inteligência artificial no brasil: produção científica e determinantes da adoção pelas empresas

Maurício Benedeti Rosa (Ipea) - Luis Claudio Kubota (Ipea)

10 – Economia Regional e Urbana

CAPITAL HUMANO, PRODUTIVIDADE E CONVERGÊNCIA REGIONAL NO BRASIL DE 2013 A 2022

Cristiano da Costa da Silva (Ipea) - José Ronaldo Souza Júnior (Ipea/ IBMEC) - Tarsylla da S. de G. Oliveira (Ipea)

National policy to combat violence against women: evidence from women's police stations

Antonio Vinícius Barbosa (UFPB) - Paula Macedo Barros (Ipea)

11 – Economia Agrícola e do Meio Ambiente

Pesticide use in brazil: virtuous or vicious cycle?

Loredany Consule Crespo Rodrigues (UFV) - José Gustavo Féres (Ipea) - Alexandre Bragança Coelho (UFV)

12 – Economia Social e Demografia Econômica

Impactos do programa de apoio à formação de médicos especialistas em áreas estratégicas para o sistema único de saúde no brasil sobre a conclusão, atuação e interiorização

Aléssio Tony Cavalcanti de Almeida (UFPB) - Luciana Mendes Santos Servo (Ipea)

INTERGENERATIONAL MOBILITY AND REGIONAL INEQUALITY IN BRAZIL

Leonardo Monasterio (Ipea - IDP) - Eduardo Cenci (University of Nebraska At Omaha) - Daniel Lopes (Observatório da Indústria - CNI)

Teacher Education And Student Achievement: Evidence From Brazil Using Differences Across Subjects

Mauricio Cortez Reis (Ipea)

The cost of food for those with food insecurity: the brazilian case

Leonardo Santos de Oliveira (IBGE) - Luciana Alves dos Santos (IBGE) - Ana Luiza N.H. Barbosa (Ipea) 

13 – Economia do Trabalho

Os setores que mais (des)empregam no brasil e os beneficiados pela desoneração da folha salarial

Marcos Dantas Hecksher (Ipea)

Skills and employment transitions in brazil

Philipp Ehrl (FGV-RJ) - Willian Adamczyk (ILO) - Leonardo Monasterio (Ipea, IDP)

Renda média dos trabalhadores volta a crescer 4,2% após permanecer estável ao longo do primeiro semestre deste ano

Helio Montferre/Ipea

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado nesta sexta-feira (15), aponta um aumento de 4,2% nos rendimentos habituais reais médios do trabalho no Brasil durante o terceiro trimestre de 2023, em comparação com o mesmo período do ano passado. As estimativas mensalizadas mostram que o rendimento habitual médio real em setembro deste ano, no valor de R$ 3.059, foi 3,8% maior que o observado no mês anterior, de R$ 2.946,00 e 3,4% superior do que o valor registrado em junho do mesmo ano.

Além disso, os dados apresentaram um aumento de 3,7% em relação ao valor de dezembro de 2022, que foi de R$ 2.950. Já a renda efetiva média em setembro, no valor de R$ 3.188,00 (maior valor da série histórica), foi 3,3% maior que o observado no mês anterior, R$ 3.086. No mês de outubro, a estimativa da renda mensal recuou para R$ 3.101,00.

A nota “Retrato dos Rendimentos do Trabalho – Resultados da PNAD Contínua do Terceiro Trimestre de 2023” teve como base os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Rendimento habitual refere-se à remuneração recebida por empregados, empregadores e trabalhadores por conta própria, mensalmente, sem acréscimos extraordinários ou descontos esporádicos, ou seja, sem parcelas que não tenham caráter contínuo.

Os maiores aumentos na renda em comparação ao mesmo período do ano passado foram registrados na região Sudeste, entre os trabalhadores jovens de 14 a 24 anos, com ensino superior. Embora nenhum grupo demográfico de trabalhador tenha apresentado queda na renda, mas o crescimento foi menor para os que habitam no Sul e em regiões não metropolitanas, os maiores de 60 anos, aqueles com ensino fundamental completo e os chefes de família.

Com base nos dados da Pnad Contínua, o estudo também traz análises por corte de gênero. Os rendimentos habituais recebidos pelas mulheres, que vinham apresentando desempenho inferior ao dos homens ao longo de 2023, registraram um crescimento interanual maior nos três primeiros trimestres de 2023, atingindo 4,5%, em comparação com os 4% da renda habitual dos homens. 

Na análise por tipo de vínculo, os trabalhadores do setor privado com carteira tiveram o menor crescimento dos rendimentos no terceiro trimestre de 2023, com elevação da renda habitual de 2,3%. Por outro lado, os trabalhadores do setor público tiveram elevação de sua renda em 3,6%. O maior aumento da renda habitual ocorreu para os trabalhadores informais, que apresentaram acréscimo de 7,5% para os trabalhadores por conta própria e de 6,3% para os sem carteira.

No recorte por setor, no terceiro trimestre de 2023, houve uma maior desaceleração do crescimento da renda nos setores de comércio e construção, com aumento interanual da renda habitual de 2,5% e 1,9%, respectivamente. Os trabalhadores da indústria, serviços pessoais e coletivos, assim como aqueles que atuam com alojamento e alimentação, apresentaram um crescimento maior em relação ao trimestre anterior, destacando-se o setor de alojamento e alimentação, que mantém um crescimento robusto da renda há quatro trimestres consecutivos. O destaque negativo foi a queda de 4,6% na renda média interanual no terceiro trimestre de 2023 na agricultura.

Um efeito significativo da pandemia foi o aumento da proporção de domicílios sem renda do trabalho, que subiu de 22,7% no primeiro trimestre de 2020 para 28,7% no segundo. No terceiro trimestre de 2023, a proporção de domicílios nessa situação ficou em 23,2%, mais de um ponto percentual acima do observado no mesmo trimestre do ano anterior.

Acesse a íntegra do estudo 

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Fórum internacional no Ipea discute desenvolvimento, transformação digital e financiamento do desenvolvimento

Helio Montferre/Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Observer Research Foundation (ORF America) realizaram a “Conferência de Brasília sobre Justiça Social: Preparando o Cenário para a presidência brasileira do G20” na sede do Ipea em Brasília nos dias 14 e 15 de dezembro. O encontro reuniu representantes das três instituições responsáveis pelo Comitê Organizador do T20 – Ipea, a Fundação Alexandre de Gusmão (Funag) e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) –, além de Think Tanks da Índia, responsáveis pela gestão anterior do T20, e da África do Sul, que assume em dezembro de 2024. A União Africana, novo membro do G20, participou com sua Agência de Desenvolvimento, AUDA-NEPAD. Entre gestores de políticas do Brasil que participaram como moderadores ou palestrantes, a secretária de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do Ministério do Planejamento e Orçamento, Renata Amaral, e o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção. 

Na mesa de abertura, a presidenta do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo, lembrou que o evento é o primeiro evento paralelo do T20 durante a presidência do Brasil no G20. Luciana Servo agradeceu a presença da comitiva indiana e elogiou a atuação do país durante os eventos do T20 ao longo de 2023. Ela reforçou que o T20 brasileiro fará um resgate das propostas dos anos anteriores para potencializar a implantação. “Quero ressaltar que a nossa presidência será marcada por orientações que busquem a justiça social”, reforçou a Presidenta. Para ela é preciso, neste momento, a busca por um novo conceito de desenvolvimento.  

Também estavam presentes a presidenta da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), embaixadora Marcia Loureiro e o conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), embaixador Marcos Caramuru. Por videoconferência participou o diretor executivo da ORF America, Dhruva Jaishankar. Marcia Loureiro defendeu em sua fala que o grupo sirva para “combater desigualdades e com a pluralidade reconhecer as diferenças de cada lugar para buscar recursos e reduzir vulnerabilidades”. Caramuru disse acreditar ser preciso “utilizar os mecanismos internacionais para reduzir as diferenças, mas com novas soluções”. Dhruva encerrou a abertura defendendo “uma nova arquitetura digital global, mais transparente e acessível” e que os mecanismos financeiros sejam revistos.

A primeira mesa abordou a Transição do G20: Delimitando a Agenda de Desenvolvimento, com moderação da presidenta do Ipea. Os panelistas foram o diretor de Estudos Internacionais do Ipea, Fabio Veras, Anit Mukherjee da ORF America, Elizabeth Sidiropoulos da South Africa Institute of International Affairs, e Marcos Caramuru. A mesa discutiu o papel das finanças e da tecnologia na promoção do desenvolvimento, da sustentabilidade, e da equidade. Deu foco às prioridades da presidência brasileira, fez um balanço da presidência indiana, e indicou caminhos para um G20 com maior impacto sobre futuro do multilateralismo. Além de discutir os caminhos para que as propostas do T20, e outros grupos de engajamento, tenham mais impacto no G20.

A carta conceitual que orientou o encontro esclarece que, à medida que o mundo se recupera dos impactos da pandemia de Covid-19, os formuladores de políticas enfrentam desafios em níveis global, regional, nacional e local. Mudanças climáticas aceleradas, crescente dívida pública, inflação e desigualdade são apenas alguns dos problemas em destaque. A estrutura multilateral estabelecida nas últimas sete décadas está sob crescente desafio com o surgimento de novos poderes globais, incluindo coalizões emergentes na Ásia, África e América Latina.

A conferência destaca a oportunidade significativa para remodelar o discurso sobre desenvolvimento global, colocando justiça social e climática no centro da agenda. Inovações em finanças e tecnologias podem melhorar o acesso a serviços, com sustentabilidade, criar oportunidades de emprego e aprimorar a transparência e a qualidade da governança pública. Simultaneamente, essas iniciativas têm o potencial de reduzir as desigualdades e superar as lacunas tecnológicas entre economias avançadas e aquelas do Sul Global, avançando em direção a um novo paradigma de desenvolvimento para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2030 proposto pela Organização das Nações Unidas.

Ao longo do último ano, a presidência do G20 pela Índia buscou abordar alguns desses desafios globais, conforme refletido na Declaração de Líderes de Nova Delhi, acordada na cúpula de setembro de 2023. Com as próximas presidências rotativas do G20 a cargo do Sul Global, há uma oportunidade única para o Brasil e, posteriormente, a África do Sul, impulsionarem a agenda de finanças para o desenvolvimento, destacando a justiça climática e social, a luta contra a desigualdade e as mudanças climáticas, além da reforma das desatualizadas instituições multilaterais globais.

Liderança Digital para o Desenvolvimento Sustentável

À medida que os países exploram o potencial da tecnologia digital para o desenvolvimento, as experiências e especializações do Brasil e da Índia podem servir de guia para uma digitalização inclusiva nos países do Sul Global. Ao longo da última década, a Índia estabeleceu uma infraestrutura digital em escala populacional, incluindo identificação digital (Aadhaar), Unified Payments Interface (UPI), vacinação contra a Covid-19 (Co-Win) e Transferência Direta de Benefícios (DBT) para proteção social, entre outros. Esses bens públicos digitais podem ser utilizados por entidades públicas e privadas para atender às necessidades específicas da economia digital, como verificação de identidade, pagamentos digitais, aprendizado remoto, prestação de serviços de saúde, empregos qualificados, transição energética e administração da justiça.

O Brasil avançou com a adoção de pagamentos digitais, recibo fiscal eletrônico, banco de dados de saúde digital, a plataforma gov.br e o projeto de moeda digital (real). O Brasil e a Índia podem acelerar o progresso em direção aos ODS, oferecendo liderança não apenas no G20, mas globalmente, amplificando as vozes dos países do Sul Global.

A conferência serve como base para dar continuidade ao foco na transformação digital, proteção social e ação climática durante a transição da presidência do G20 da Índia para o Brasil. O objetivo é criar uma comunidade diversificada de políticas e práticas que fornecerá insumos e orientações ao processo do G20, com o Ipea e a ORF America como principais interlocutores e organizadores.

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