Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Filhos precisam estudar muito mais para obter mesma posição social dos pais

Helio Montferre/Ipea

Compreender as diferentes dimensões da dinâmica social no Brasil, a estratificação e a mobilidade social brasileira são temas que compõem o livro “Dinâmica Econômica, Mudanças Sociais e Novas Pautas de Políticas Públicas”, lançado nesta quarta-feira (06/12), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A obra, ao longo de seus nove capítulos, busca apresentar uma variedade de trabalhos que abordam os aspectos teórico-metodológicos do uso de tipologias de classes.

Organizado pelos pesquisadores do Ipea, João Cláudio Basso Pompeu, André Rego Viana,Luis Carlos Garcia Magalhães, e Ana Paula Vasconcelos Gonçalves, professora adjunta no Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o livro é resultado de dois anos de pesquisas e debates.

“Uma parte da obra é essencialmente teórica, baseada em uma longa discussão que busca resgatar a importância do uso da estratificação social e das categorias de classe para o debate de política pública no Brasil. Apresenta uma série de estudos de caso que são relevantes a reflexão sobre impactos em diversas políticas públicas”, explicou André Rego Viana.

Viana também ressaltou que as duas visões abordadas pela obra são capazes de compor um cenário abrangente, aprofundando, por meio de análises, a pauta da educação, a questão racial e as repercussões das alterações que ocorrem nas rendas das diferentes classes sociais para quadros políticos diversos.

Educação relativa

O sexto capítulo, intitulado "Fundamentos e Aplicações de uma Tipologia de Classes para o Brasil", do autor André Ricardo Salata, procura argumentar em defesa da relevância e adequação de se considerar a educação como um bem posicional, medindo-a de modo relativo. A ideia central é que o importante não é a quantidade absoluta de educação que o indivíduo possui, mas sim quanto ele obtém em relação aos demais. Nesse sentido, o valor, do ponto de vista do investimento pessoal, da educação alcançada por alguém depende da quantidade de educação que os demais possuem.

Salata conclui que, entre outras coisas, por mais que a expansão educacional possa ter tornado as chances de acesso a determinados níveis de ensino menos desiguais, ela também acaba por enfraquecer a estrutura de oportunidades atrelada àqueles níveis. “É possível, então, que uma das principais consequências da expansão educacional seja não a redução da associação entre classe de origem e escolaridade alcançada, mas sim que os indivíduos precisem acumular cada vez mais anos de estudo, chegar a níveis de ensino cada vez mais altos, a fim de permanecerem na mesma posição social de seus pais, configurando uma verdadeira corrida posicional”, disse.

A primeira parte do livro, os quatro primeiros capítulos, debate os aspectos teóricos e metodológicos que fundamentam a relevância do uso da análise de classes sociais. Essa seção também abrange as limitações desse procedimento para a compreensão de diferentes fenômenos sociais da realidade do Brasil. A segunda parte da obra utiliza a análise de classe para elaborar diagnósticos de diferentes problemas que afetam o bem-estar da sociedade brasileira.

O livro sugere que o conceito de classe, em suas variadas dimensões, permanece importante para a compreensão de muitos fenômenos sociais. “Os mapas de classe posicionais ajudam a descrever e analisar as diversas formas de desigualdades que condicionam o padrão de consumo, o acesso à educação e saúde, as oportunidades de vida dos indivíduos e, ainda, as possibilidades e os limites da ação coletiva para alterar a estrutura de classe na qual se inserem”, afirmam os organizadores da obra em suas considerações finais.

Além dos organizadores da obra e de Salata, assinam também artigos na coletânea Marcela Fernanda da Paz de Souza, Natália Leão, Luiz Rubens Câmara de Araújo, Carla Rodrigues Costa de Araújo, Kolai Zagbaï Joel Yannick, Flavio Carvalhaes e José Alcides Figueiredo Santos.

Os capítulos teórico-metodológicos tratam de temas como: percursos metodológicos dos estudos sobre estratificação social no Brasil (capítulo 1); tipologias de classe aplicadas à realidade brasileira (capítulo 2); procedimentos metodológicos utilizados para a construção da tipologia de classes adotada na pesquisa dinâmica econômica, mudanças sociais e novas pautas de políticas públicas (capítulo 3); e a tipologia ocupacional erikson-goldthorpe-portocarero: uma avaliação analítica e empírica (capítulo 4).

A segunda parte da obra, na seção de aplicações de tipologias de classe, trata dos assuntos: fundamentos e aplicações de uma tipologia de classes para o Brasil (capítulo 5); classe de origem e resultados educacionais: uma análise considerando o caráter posicional da escolaridade (capítulo 6); interações entre origem de classe e raça na transmissão das desigualdades no Brasil (capítulo 7); desindustrialização e mudança na estrutura de classes no Brasil: evidências a partir das pesquisas domiciliares no período 2002-2015 (capítulo 8); e grupos ocupacionais na PNAD Brasil (2002-2015): mudanças e pistas para um mapa de classes a partir da renda (capítulo 9).

Acesse a íntegra do livro ​

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Atlas da Violência estima que mais de 49 mil homicídios deixaram de ser devidamente classificados, entre 2011 a 2021

O Atlas da Violência 2023 , do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, revela que 49.413 mortes deveriam ter sido classificadas como homicídios, mas ficaram fora dos números, entre 2011 e 2021. A estimativa divulgada no Atlas é resultado de análises do Ipea, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estudo aponta também que, nesse período, o Brasil não conseguiu classificar a contento o conjunto de 126.382 óbitos, que foram registrados como morte violenta por causa indeterminada (MVCI). Essas mortes podem ser tanto decorrentes de acidentes quanto de suicídios ou homicídios, portanto, causas totalmente diferentes entre si.

O Atlas, divulgado nesta terça-feira (05/12) pelo Ipea e pelo FBSP, estima que o número de homicídios ocultos ao ano foi de 4.492 nesses 10 anos. Este índice corresponde à média de homicídios que ocorre anualmente no estado de São Paulo, ou à queda sem sobreviventes de 150 Boeings 787 lotados, em tragédias totalmente invisibilizadas.

O estudo também revela que, entre os anos de 2011 e 2021, 616.095 pessoas foram assassinadas, 47.847 apenas em 2021, conforme os registros oficiais do Ministério da Saúde. Esse número corresponde a uma taxa de 22,4 mortes por 100 mil habitantes.

No recorte por estados, a inclusão dos homicídios ocultos permite identificar quais estados têm maior incidência de homicídios, sendo as Unidades Federativas com maiores populações residentes as responsáveis por 72,5% dos homicídios ocultos do país. São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais lideram neste aspecto.

Os pesquisadores do Atlas alertam que, neste cenário de elevada incerteza sobre intencionalidade dos óbitos, ignorar as MVCI pode influenciar negativamente diagnósticos e formulações de políticas públicas, impedindo intervenções em aspectos sensíveis da sociedade. Os autores consideram também que, se não houvesse o aumento de armas de fogo em circulação entre 2019 e 2021, teria havido 6.379 homicídios a menos no Brasil, equivalendo a todos os homicídios na Região Norte do país em 2021 ou a mais do que todos os homicídios registrados nos estados da Região Sul nesse ano.

O Atlas da Violência traz informações e análises que ajudam a compreender e visibilizar as violências com diferentes recortes específicos. Há citações a violência contra a juventude e as crianças, violência contra as mulheres e os casos de feminicídio, violência contra pessoas negras, contra a população LGBTQIAP+, pessoas com deficiência, indígenas e idosos.

Entre 2020 e 2021, diversos estados registraram queda da taxa de homicídios em quase todas as regiões, com exceção da Região Norte, que apresentou altas de 34,9% para Amazonas, 17,1% para o Amapá e 16,2% para Rondônia. O Acre, contrariando a tendência regional, obteve a maior redução (-33,5%), seguido por Sergipe (-20,3%) e Goiás (-18,0%).

Desde 2016, esse índice de violência vinha diminuindo nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, conforme analisado nos Atlas da Violência 2019 e 2020. Além do armistício na guerra em as maiores facções do país, pelo controle do corredor internacional de drogas nas Regiões Norte e Nordeste, houve a mudança do regime demográfico em direção ao envelhecimento da população, com a subsequente diminuição do número de jovens entre 15 e 29 anos. Além disso, alguns estados e municípios brasileiros começaram a implementar ações e programas qualificados de segurança pública. 

Os recortes demográficos

Em 2021, de cada 100 jovens entre 15e 29 anos que morreram no Brasil por qualquer causa, 49 foram vítimas de violência letal. Dos 47.847 homicídios ocorridos em 2021, 50,6% tiveram como alvo jovens dessa faixa etária, totalizando 24.217 pessoas. Com isso, há uma média de 66 jovens assassinados por dia no país. Na série histórica dos últimos onze anos, entre 2011 e 2021, 326.532 jovens foram vítimas da violência letal no país.

Apesar dos números alarmantes, em 2021 houve uma queda de 6,2% no número absoluto de homicídios de jovens em 2021 em comparação com 2020. A taxa de homicídios para cada 100 mil jovens diminuiu de 51,8 para 49,0, representando uma redução de 5,4% em um ano e uma contração de 25,2% no período de 2016 a 2021.

Quanto às mulheres, na última década, mais de 49 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. Entre 2020 e 2021, a taxa geral de homicídios caiu 4,8%, mas no caso de homicídios femininos houve um crescimento de 0,3%. Em números absolutos de 2021, 3.858 mulheres foram assassinadas, conforme os dados oficiais. No entanto, o Atlas estima que o total dessas mortes violentas tenha sido de 4.603; ou seja, outras 745 mulheres sofreram agressões fatais sem que o Estado conseguisse registrar corretamente as causas dessas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI).

Historicamente, as pessoas negras são as maiores vítimas de violência no Brasil. Quando falamos da violência contra as mulheres, os dados não diferem: a violência letal é mais prevalente entre mulheres negras do que entre não negras. Em 2021, 2.601 mulheres negras foram vítimas de homicídio no Brasil, representando 67,4% do total de mulheres assassinadas naquele ano e uma taxa de aproximadamente 4,3 mulheres negras mortas para cada 100 mil habitantes desse grupo. Entre as mulheres não negras, essa taxa foi de 2,4 por 100 mil, quase 45% menor. Na comparação das taxas, o risco relativo de sofrer um homicídio é 1,8 vezes maior entre as mulheres negras do que entre as não negras.

Em 2021, o cenário em que o registro de homicídios de pessoas negras (soma de pretos e pardos, segundo a classificação do IBGE) lidera o ranking de mortes violentas se repetiu, totalizando 36.922 vítimas. Nesse ano, a população negra respondeu por 79% dos mortos, com uma taxa de 31,0 homicídios para cada 100 mil habitantes desse grupo populacional, contra a taxa de 10,8 para pessoas não negras (soma de amarelos, brancos e indígenas).

Violência contra idosos

Seguindo a tendência mundial, o novo regime demográfico brasileiro se caracteriza pelo crescimento mais acentuado da população idosa (com 60 anos ou mais) em relação aos outros grupos etários. Em 2022, a população idosa era composta por cerca de 32 milhões de pessoas, correspondendo a aproximadamente 15% da população brasileira. Por esse motivo, o Atlas reservou um capítulo para discutir a violência contra idosos e as diferentes formas pelas quais isso ocorre entre negros e não negros.

As mortes por causas violentas foram responsáveis por 4,7% do total de óbitos de homens negros e 4,3% no caso dos não negros em 2021. Os óbitos por causas externas incluem diversas formas de violência, como agressões, quedas e acidentes de transporte. A mortalidade por agressão foi cerca de 41% mais elevada para negros do que para não negros em 2021, quando o país registrou uma taxa de 16,6 óbitos por agressão por 100.000 habitantes para negros, e 9 por 100.000 para não negros.

No período de 2011 a 2021, houve uma diminuição na taxa desses óbitos de 23,4% para os idosos negros e de 40,2% para os não negros. Já em relação aos óbitos por agressão de mulheres idosas, registrou-se uma taxa de 2,1 por 100.000 para mulheres negras e de 1,8 por 100.000 para não negras. Houve uma redução de 19,8% na taxa de óbitos para as mulheres negras e de 28,1% para as não negras no período. Apesar de a variação ter sido negativa para todos os grupos, as taxas de decréscimo foram menores para homens e mulheres negros.

Acesse a íntegra do Atlas da Violência 2023

Confira o sumário executivo

Arte infográfico

Acesse o portal do Atlas da Violência

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Ministra Simone Tebet discute seus planos para os próximos quatro anos

Helio Montferre/Ipea

Simone Tebet, ministra de Estado do Planejamento e Orçamento (MPO), apresentou os 14 objetivos estratégicos, que foram definidos em 34 resultados-chave e 29 projetos para os próximos quatro anos, durante o lançamento do Planejamento Estratégico Integrado (PEI) da pasta na segunda-feira (4). Segundo a ministra, o Plano equivale, para o Ministério, ao que é o Plano Plurianual (PPA) para o Brasil. A cerimônia, reuniu representantes das secretarias do MPO e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A ministra enfatizou a participação ativa dos funcionários no processo, indicando que o PEI foi moldado considerando suas perspectivas. "Para fazer o PPA, ouvimos o Brasil. Para o PEI, ouvimos os vocês", declarou, ressaltando a importância de políticas públicas mais eficientes, visando à redução das desigualdades por meio de recursos bem aplicados.

Os objetivos estratégicos relacionam-se ao fortalecimento das relações institucionais com as entidades vinculadas; estimular o bem-estar e o desenvolvimento das pessoas; aperfeiçoar os processos de trabalho por meio da simplificação e transformação digital; e a governança em prol do alcance da missão institucional.

O secretário-executivo em exercício do MPO, Marcio de Oliveira Albuquerque, destacou o caráter colaborativo da elaboração do PEI, envolvendo todas as equipes ministeriais. Ele explicou que o plano não apenas visa atingir metas, mas também impulsionar o desenvolvimento de projetos em cada secretaria, sublinhando a relevância do intenso debate interno. Albuquerque salientou ainda que esta é a primeira vez que o planejamento do MPO incorpora órgãos subordinados, incluindo o Ipea e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O presidente substituto do Ipea, Claudio Roberto Amitrano, que participou da mesa de abertura, expressou a satisfação com a recriação do MPO e o fortalecimento do planejamento estratégico nas atividades do governo federal. “O próprio Ipea nasce de uma iniciativa do MPO”, lembrou Amitrano.

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Helio Montferre/Ipea

O envolvimento do Ipea na elaboração do PEI destaca a importância da cooperação entre órgãos estratégicos, ressaltando que o Instituto não apenas desempenha um papel importante no planejamento, mas também contribui para a eficácia das políticas públicas no país. O evento evidenciou a sinergia entre os diferentes setores governamentais na busca por uma gestão mais eficiente e focada no desenvolvimento sustentável do país.

Assista o evento no canal de youtube do MPO.

Acesse a apresentação feita durante o evento.

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"Venham, façam o concurso do Ipea. O Ipea é para todos", diz presidenta Luciana

Helio Montferre/Ipea

A presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Mendes Santos Servo, ressalta em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (04/12), a importância do primeiro concurso, depois de 15 anos, para a recomposição do quadro de pessoal do Instituto. O certame oferece 80 vagas distribuídas em três perfis e dez especialidades (ver quadro abaixo), com cotas de 10% para pessoas com deficiência e, pela primeira vez, 20% para negros. Segundo a presidenta, a expectativa é uma transição para um Ipea com mais diversidade. Luciana também anunciou que irá solicitar que haja um cadastro reserva correspondente a 25% do total de vagas, e que pretende buscar que este seja o primeiro de uma série de concursos regulares.

“Quando falamos de burocracia representativa, é importante que a representação social da população dentro dessa burocracia seja respeitada. Quando temos uma instituição essencialmente branca e masculina, é essa perspectiva que levamos para os nossos debates de políticas públicas. Trazer a diversidade para dentro do Ipea é fundamental. Então, venham, façam o concurso do Ipea. O Ipea é para todos”, disse Luciana.

A presidenta do Ipea afirmou que é uma preocupação muito grande do Instituto que as cotas sejam efetivas. “Temos várias barreiras que foram percebidas na realização de concursos anteriores e todo o processo de discussão do concurso do Ipea levou em consideração a retirada dessas barreiras ou a minimização delas. Fazer um concurso dentro da lei de cotas exigiu que se pensasse que esse tem de ser o mínimo. Temos 20% das vagas reservadas, como prevê a lei de cotas, mas esperamos que pessoas negras entrem pela concorrência geral para que consigamos aumentar a diversidade dentro do Ipea”, disse ela. O Ipea aumentou ainda a cota reservada para pessoas com deficiência (PcD), que era de 5%. Neste concurso, serão destinados 10% das vagas para PcD.

Luciana esclareceu que o Grupo de Trabalho do concurso 2023 avaliou questões relacionadas à diversidade e aspectos práticos da aplicação das provas que pudessem favorecer a participação, ampliando as possibilidades. Uma das barreiras ao acesso é a localização dos locais de prova, razão pela qual, neste certame, o Ipea optou por realizar o concurso nas 26 capitais de todos os estados brasileiros e no Distrito Federal.

A presidenta do Ipea explicou o motivo pelo qual o concurso do Ipea não abrangerá as 180 cidades, como ocorrerá com o Concurso Unificado Nacional. “O concurso unificado está sendo pensado para três milhões de pessoas, enquanto o do Ipea para 30 mil pessoas. Essa distribuição espacial tem de considerar também o número de candidatos que esperamos para o concurso porque senão o custo de realização do concurso o torna inviável. Entendemos também que colocar a prova num único dia facilita o deslocamento dos candidatos. Se fossem dois dias, o custo de deslocamento aumentaria”, explicou.

A coordenadora-geral de Contratações, Serviços Gerais e Apoio à Pesquisa do Ipea, Marinésia Lemos Souto, participou do evento ao lado da presidenta. Ela destacou que a realização do concurso é resultado de uma luta de 15 anos. “Esse momento é a realização de um desejo e um objetivo para o Ipea. O concurso é essencial para a continuação dessa casa e compreendemos que esta casa é essencial para subsidiar o governo quanto a suas políticas públicas”, declarou. A coordenadora-geral lembrou que o Ipea possui atualmente cerca de 700 projetos de pesquisa em andamento, envolvendo aproximadamente 150 técnicos de planejamento e pesquisa

Marinésia observou que, embora o Ipea não tenha controle na aplicação das provas do concurso, atuará para zelar pelo adequado andamento do processo como um todo. “O Instituto tem nomeado fiscais que acompanharão todo o processo que envolve o concurso. O certame tem regras claras que devem ser observadas e que buscam a lisura do processo de elaboração, aplicação e correção das provas e definição dos candidatos aprovados”, disse.

O coordenador do grupo de trabalho do concurso 2023 do Ipea, Pedro Miranda, reforçou o desejo do Ipea em renovar seus quadros, num processo pautado na diversidade e no desejo de inclusão de diferentes segmentos sociais no Instituto. “Esperamos que esses 80 novos ‘ipeanos’ venham renovar nossa capacidade de trabalho de forma bastante intensa. Que sejam 80 novas pessoas que venham trabalhar com a gente e que estejam conosco por muitos anos”, comentou.

O Ipea tem um hotsite especial para o concurso (http://www.ipea.gov.br/concurso). Além disso, dúvidas podem ser tiradas pela Central de Atendimento da Fundação Cesgranrio, por telefone (0800-701-2028) e por e-mail (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.). O atendimento é realizado de 2ª a 6ª feira, das 8h30 às 17h30 (hora de Brasília). Exceto feriados.

Assista aqui a íntegra do evento promovido pelo Ipea sobre o concurso

Confira o quadro de perfis, especialidades, e o número inicial de vagas:
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Financiamento chinês impulsiona projetos de energia renovável na América Latina

Helio Montferre/Ipea


À medida que o mundo enfrenta uma das maiores ameaças de mudanças climáticas, os países se veem desafiados a adotar medidas decisivas para conter o aumento da temperatura média do planeta. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicado nesta segunda-feira (04/12), aponta que a China emerge como peça fundamental no quebra-cabeça da transição energética global. Seu papel não se limita apenas ao status como o maior emissor mundial de carbono, mas também se destaca devido à sua postura na promoção de tecnologias verdes e energias renováveis.

O texto para discussão "Os Financiamentos chineses em energias renováveis na América Latina e os desafios das mudanças climáticas" explora a transformação do perfil chinês, passando de grande emissor de carbono para protagonista na luta contra as mudanças climáticas. O foco recai sobre o compromisso da China com a transição para uma economia de baixo carbono e seu impacto crescente na América Latina, uma região onde a China desempenha papel cada vez mais relevante. Esta versão do texto é uma revisão da edição nº 35 do Boletim de Economia e Política Internacional (Bepi).

Para Marco Aurélio Alves de Mendonça, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e um dos autores da publicação, "além dos fatores de liderança tecnológica que podem contribuir para a transição energética, sobretudo em países menores com déficit de infraestrutura, a China reforçará seu papel na liderança das negociações internacionais para o combate à grave crise climática que enfrentamos. O país buscará estabelecer sua tecnologia como padrão, garantindo poder não apenas na esfera internacional, mas também geopolítica", disse Mendonça. Ele destaca uma reação ocidental, principalmente dos EUA, e afirma que a "competição envolverá narrativas das mais diversas naturezas”, defende o pesquisador.

No século XXI, as mudanças climáticas tornaram-se uma realidade inegável. Eventos extremos, como inundações, secas, ondas de calor e incêndios florestais, são cada vez mais frequentes, causando consequências devastadoras para as populações e ecossistemas em todo o mundo. A ciência e registros do clima, aliados ao conceito do Antropoceno, apontam para a influência significativa das atividades humanas nas alterações dos padrões climáticos. Este modelo questiona o desenvolvimento baseado na queima de combustíveis fósseis e na exploração intensiva dos recursos naturais.

A comunidade internacional busca soluções para diminuir as mudanças climáticas e adaptar-se aos impactos em curso. O Acordo de Paris, firmado em 2015, estabeleceu metas ambiciosas, incluindo a limitação do aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Entretanto, as negociações sobre a distribuição dos ônus e responsabilidades têm sido ponto de disputa, com o princípio das "responsabilidades comuns, mas diferenciadas" (CBDR) no centro das discussões

Apesar de sua história de emissões limitadas em comparação com sua população e território, a China tornou-se o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo. Isso a coloca em posição peculiar no debate sobre as mudanças climáticas, uma vez que historicamente alinhava-se com os países em desenvolvimento, defendendo a responsabilidade dos países desenvolvidos. Dados disponíveis mostram que nos últimos anos, a China adotou postura mais proativa na busca por soluções sustentáveis, tanto em âmbito doméstico quanto internacional.

A China fez transição notável de país frequentemente visto como obstáculo às negociações climáticas para líder propositivo no cenário global. Isso ficou evidente durante o Acordo de Paris, quando o país se comprometeu a tomar medidas significativas para enfrentar as mudanças climáticas, reconhecendo sua importância no esforço global. Internamente, a China lançou a visão de uma "civilização ecológica", combinando desenvolvimento sustentável, economia circular e baixas emissões de carbono. O mais recente Livro Branco do país, delineando suas políticas de Desenvolvimento Verde, reflete esse compromisso com a sustentabilidade.

Uma das principais contribuições da China para reduzir as mudanças climáticas é o investimento em energias renováveis. O país lidera na capacidade de geração de energia renovável, com foco particular em energia eólica e solar. Suas empresas tornam-se globalmente competitivas na fabricação e exportação de tecnologias limpas, incluindo painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas. Simultaneamente, direciona seu financiamento externo para projetos verdes em todo o mundo, inclusive na América Latina. Ações como a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) e o Banco Asiático de Investimento e Infraestrutura (AIIB) mobilizam bilhões de dólares para projetos em países em desenvolvimento, contribuindo para a transição para uma economia de baixo carbono. ​

América Latina: Um Foco nas Energias Renováveis

A América Latina é uma região que possui um grande potencial para energias renováveis, dada sua abundância de recursos naturais. Países como o Brasil, o México e o Chile têm investido significativamente em fontes de energia limpa. A China reconheceu essa oportunidade e tem financiado projetos de energias renováveis na região, fortalecendo ainda mais seus laços com nações latino-americanas.

Os principais bancos estatais chineses desempenham um papel fundamental na concessão de crédito para projetos de energias renováveis, tanto no país quanto no exterior. Essas instituições, juntamente com os bancos de desenvolvimento, estão alinhando cada vez mais seus investimentos com os princípios de sustentabilidade e descarbonização.

Um Futuro Sustentável em Construção

A China está se destacando como líder propositivo na luta contra as mudanças climáticas. Sua transição para uma economia de baixo carbono e seus investimentos em energias renováveis têm o potencial de impulsionar o mundo em direção a um futuro mais sustentável. Ao financiar projetos de energias renováveis na América Latina e em outras partes do mundo, o país não apenas contribui para a mitigação das mudanças climáticas, mas também colhe os benefícios econômicos de liderar a transição energética global.

Os avanços da China na trajetória de descarbonização de sua matriz energética, desempenha um papel inovador para uma ecocivilização, uma visão política que prioriza a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico. Eles têm mostrado um compromisso significativo em elevar os padrões socioambientais de seus projetos de investimento externo direto (IED) e financiamentos internacionais. Isso não se traduz apenas em uma redução gradual da dependência do carvão, mas também em um foco crescente em projetos de energias renováveis.

A transição da China de financiadora de usinas de carvão para apoiadora de fazendas eólicas e parques solares no exterior reflete uma mudança significativa em seu perfil de atuação global. Busca refazer sua imagem como um ator ambientalmente responsável e alinhar suas práticas de cooperação para o desenvolvimento internacional com os princípios de desenvolvimento verde e de baixo carbono.

A América Latina desempenha um papel importante nesse cenário de transformação. A região concentra uma proporção considerável de projetos de geração de energia a partir de fontes limpas, o que a torna um destino estratégico para os investimentos. A diversificação dos atores financeiros e das modalidades de financiamento na região, incluindo bancos comerciais e operações de cofinanciamento, é fundamental para facilitar a implementação desses projetos.

O estudo apresenta dados que mostram que a mudança na abordagem da China em relação às energias renováveis e ao desenvolvimento verde tem implicações globais significativas. Como um dos principais investidores, financiadores e construtores de infraestrutura em escala global, a China desempenha um papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas e na promoção de práticas sustentáveis em todo o mundo. À medida que o país avança em sua trajetória de descarbonização, os impactos positivos podem ser sentidos em escala global, à medida que mais nações buscam seguir o exemplo da China na promoção de energias renováveis e na redução das emissões de carbono. Essa evolução da China em direção à ecocivilização e à promoção das energias renováveis tem implicações significativas para o futuro da sustentabilidade e do combate às mudanças climáticas em todo o mundo, com impacto direto na América Latina.

Acesse a íntegra do texto para discussão

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Presidenta do Ipea fala sobre o concurso do Instituto em entrevista coletiva

A presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Mendes Santos Servo, concederá entrevista coletiva na segunda-feira (04/12), às 09h30, sobre a organização e realização do concurso do Instituto. A entrevista será no auditório Anna Peliano, na sede do Ipea, em Brasília (702/902 Sul, Bloco C, Torre B, térreo). Estarão presentes, além da presidenta, o coordenador do Grupo de Trabalho sobre o Concurso do Ipea, Pedro Miranda, e a coordenadora-geral de Contratações, Serviços Gerais e Apoio à Pesquisa, Marinésia Lemos Souto.

Os jornalistas presentes ao auditório poderão fazer perguntas ao final da apresentação inicial, enquanto os que assistirem pelo YouTube do Ipea deverão enviar dúvidas pelo WhatsApp institucional da Coordenação Geral de Imprensa e Comunicação Social do Ipea (61 99427-4553).

O edital do concurso do Ipea foi publicado no Diário Oficial da União de quinta-feira, 30 de novembro. São 80 vagas distribuídas por dez especialidades. Qualquer pessoa com diploma de nível superior pode concorrer. A banca organizadora é a Fundação Cesgranrio. O último concurso do Ipea foi realizado em 2008.

Credenciamento de imprensa – Os veículos de imprensa interessados em participar presencialmente da entrevista devem realizar o credenciamento por meio do formulário online.

Em caso de dúvida, entre em contato pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou pelo telefone (61) 2026-5501.

Rota que vai ligar Atlântico ao Pacífico desbrava o território e testa alternativa

Edemir Rodrigues

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) participou da X Reunião de Coordenadores Nacionais e Mesas Técnicas do Corredor Rodoviário Bioceânico (Brasil, Paraguai, Argentina e Chile) e do IV Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio, realizado nos dias 27 e 28 de novembro, na cidade de Iquique, no Chile. O técnico de planejamento e pesquisa, Pedro Silva Barros, da Diretoria de Estudos Internacionais, representou o Ipea nos eventos e na coordenação da Mesa "Produção e Comércio", do Grupo de Trabalho (GT) do Corredor Bioceânico, e apresentou um estudo durante o Fórum dos Territórios Subnacionais.

O GT do Corredor Rodoviário Bioceânico reúne periodicamente as delegações de Brasil, Argentina, Chile e Paraguai e se consolidou em um importante espaço para discutir a integração física sul-americana. Esse diálogo ganhou força, sobretudo no contexto de retomada dessa agenda de integração, desde a reunião de presidentes sul-americanos, em 30 de maio de 2023, em Brasília, e da realização do seminário "Uma nova agenda para a de infraestrutura para a integração regional", realizado pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Ipea no início de novembro.

Na ata aprovada pela mesa "Produção e Comércio", houve destaque para o compromisso das delegações em realizar novos trabalhos para identificar, no trajeto do corredor, as empresas com projetos de encadeamentos produtivos. Além disso, estão no radar dessa análise as flexibilidades de regras de origem dos acordos comerciais entre os países do corredor e os produtos que podem ser exportados pelas saídas para o Pacífico e o Atlântico. As delegações também se comprometeram a realizar reuniões virtuais a cada três meses para avaliar os avanços dos pontos acordados.

O Ipea tem participado ativamente das reuniões do GT do Corredor Rodoviário Bioceânico. O Instituto tem também publicado estudos sobre as possibilidades de melhoria da governança do corredor, a respeito da integração econômica entre o Brasil e os países que fazem parte do corredor e que abordam a projeção brasileira aos mercados do Pacífico. Em todas as publicações sobre o Corredor Rodoviário Bioceânico, o Ipea tem apontado a relevância da participação ativa de governos subnacionais para o êxito deste projeto de infraestrutura. Durante os eventos, os estudos do Instituto foram reconhecidos como importantes insumos para a formulação e avaliação de políticas públicas relacionadas aos corredores bioceânicos.

Por ocasião do IV Fórum dos Territórios Subnacionais do Corredor Bioceânico de Capricórnio, estiveram presentes representantes do Ministério de Planejamento e Orçamento (MPO), do governo do Mato Grosso do Sul e a comitiva sul-mato-grossense, integrada por representantes de governos locais, empresários e instituições de ensino e pesquisa do estado. O diretor de Assuntos Institucionais do MPO, Luciano Severo, acompanhou a comitiva brasileira que partiu de carro de Porto Murtinho (MS) até a cidade de Iquique.

Severo coordena os trabalhos do Subcomitê de Integração e Desenvolvimento Sul-Americano do MPO, que conta com a participação do Ipea e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O trabalho, orientado pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, definiu cinco rotas de integração e desenvolvimento: Ilha das Guianas; Manta-Manaus; Quadrante Rondon; Capricórnio; e Porto Alegre-Coquimbo.

O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, destacou o papel do governo federal, por meio do MPO, em coordenar os esforços para consolidar os corredores bioceânicos como rotas de desenvolvimento e logística, garantindo maior competitividade à economia sul-mato-grossense.

Confira abaixo as publicações produzidas pelo Ipea a respeito desse tema:

- Corredores Bioceânicos e Agronegócio: o caso do algodão brasileiro (Capítulo do livro "Agropecuária Brasileira: evolução, resiliência e oportunidades" do Ipea)

- Redes de atores e o seu papel no desenvolvimento de corredores: diagnóstico e proposta de governança para o corredor rodoviário bioceânico Mato Grosso do Sul - portos do norte do Chile (Texto de Discussão 2901/2023)

- Redes de actores y su rol en el desarrollo de corredores: diagnóstico y propuesta de gobernanza para el corredor bioceánico vial Mato Grosso do Sul – puertos del norte de Chile (Texto de Discusión 01/2023)

- Red Interoceánica en América del Sur: Corredores bioceánicos y el Rol de los Estados Articuladores (Boletín FAL-Cepal 392) (Boletín FAL-Cepal 392)

- A Dinâmica Recente do Algodão no Mato Grosso: Possibilidades de Exportação para o Peru e Ásia-Pacífico (Nota Técnica Dinte 48/2022)

- Integração Econômica Argentina-Brasil: reconstruindo pontes (Nota Técnica Dinte 44/2022)

- A Ponte do Abunã e a Integração da Amacro ao Pacífico (Nota Técnica Dinte 35/2021) 

- O Protagonismo do Mato Grosso do Sul para a Resiliência do Corredor Rodoviário Bioceânico – artigo na revista Monções

- Transformaciones Geoeconómicas en América del Sur: Amacro, Integración Regional y Asia Pacífico - documento de trabalho do Observatório Ásia-Pacífico da Aladi

- Livro Corredor Bioceânico de Mato Grosso do Sul ao Pacífico: Produção e Comércio na Rota da Integração Sul-Americana, publicado pelo Ipea e a Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (Uems)

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Confira o edital do concurso do Ipea, que terá inscrições a partir de 5 de dezembro

Helio Montferre/Ipea

O concurso do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) terá provas de conhecimentos gerais, conhecimentos específicos (ambas de múltipla escolha) e discursiva no dia 25 de fevereiro de 2024, com resultado final previsto para 27 de maio. A publicação do edital no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (30) trouxe os detalhes do processo que selecionará os novos 80 servidores federais para a fundação pública vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento. Todos assumirão o cargo de técnico de planejamento e pesquisa, com remuneração inicial de R$ 20.924,80.

Os candidatos devem ter nível superior completo em qualquer área de formação, independentemente da especialidade escolhida. A prova de conhecimentos gerais será a mesma para todas as especialidades presentes no edital, com questões sobre língua portuguesa, língua inglesa, realidade brasileira atual e Estado e políticas públicas. Por sua vez, as provas discursiva e de conhecimentos específicos cobrarão conteúdos direcionados a cada perfil e especialidade.

O edital ressalta que os aprovados nas especialidades do perfil “planejamento, pesquisa e avaliação de políticas públicas e da gestão governamental” terão atribuições voltadas à elaboração de pesquisas econômicas e sociais, assessoramento, monitoramento e avaliação de ações governamentais. Os aprovados nos dois outros perfis não terão como atribuição a realização de pesquisas, mas o aperfeiçoamento da gestão no Instituto.

Confira o quadro de perfis, especialidades, e o número inicial de vagas:

CARGO

PERFIL

ESPECIALIDADE

Nº TOTAL VAGAS INICIAIS

Técnico de Planejamento e Pesquisa

I. Planejamento, Gestão e Logística

1. Gestão e Logística

13

II. Planejamento e Gestão do Conhecimento e de Dados

1. Processo Editorial

3

2. Comunicação Social e Divulgação Científica

5

3. Ciência de Dados

4

4. Infraestrutura de Tecnologia da Informação

5

5. Desenvolvimento de Sistemas

5

III. Planejamento, Pesquisa e Avaliação de Políticas Públicas e da Gestão Governamental

1. Políticas Públicas e Desenvolvimento

16

2. Políticas Públicas e Sociedade

16

3. Políticas Públicas e Avaliação

8

4. Políticas Públicas e Sustentabilidade

5

 

As provas de conhecimentos gerais e discursiva serão realizadas no período da manhã do dia 25 de fevereiro. Já a prova de conhecimentos específicos ocorrerá no mesmo dia, à tarde. As inscrições terão início às 10h (hora de Brasília) de 5 de dezembro de 2023 e se encerrarão às 16h de 10 de janeiro de 2024. Elas poderão ser feitas na página web da Fundação Cesgranrio (www.cesgranrio.org.br) e custarão R$ 180. O concurso terá 20% das vagas destinadas a candidatos autodeclarados negros e 10% para pessoas com deficiência. A autodeclaração precisará ser feita no ato da inscrição.

As provas objetivas, as provas discursivas, a avaliação por equipe multiprofissional dos candidatos que solicitarem concorrer como pessoa com deficiência e o procedimento de heteroidentificação dos candidatos que se autodeclararem negros serão realizadas nas 26 capitais de todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. A etapa final do certame, a prova de títulos, será de 21 a 23 de março, com o envio de documentos comprobatórios pela página web da Cesgranrio. Ela terá caráter classificatório e não eliminatório.

Os candidatos aprovados terão lotação inicial na sede do Ipea, em Brasília-DF, durante o período de 12 meses. A lotação posterior na sede, em Brasília, ou na Unidade do Ipea no Rio de Janeiro ocorrerá de acordo com as necessidades administrativas e a política de remoção do Instituto.

O último concurso público para o Ipea foi realizado em 2008. A missão do Instituto é aprimorar as políticas públicas essenciais ao desenvolvimento brasileiro, por meio da produção e disseminação de conhecimentos e da assessoria ao Estado nas suas decisões estratégicas.

Acesse a íntegra do edital do concurso do Ipea

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Presidenta celebra concurso do Ipea como resultado de esforço conjunto

Helio Montferre/Ipea

A publicação do edital do concurso do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica (Ipea) nesta quinta-feira (30/11) é um resultado de amplo esforço coletivo. Após 15 anos, o Ipea realizará um novo concurso para reforçar seu quadro de servidores, uma vez que último certame ocorreu em 2008. A presidenta do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo, agradece o apoio e empenho fundamental da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, que validaram a importância das análises do Ipea e sua contribuição para tornar mais efetivas as entregas do Estado brasileiro para a sociedade.

“Há uma demanda represada que começamos a atender depois de 15 anos. O concurso do Ipea, cujo edital foi publicado hoje, só foi possível com a anuência das ministras. Desde o primeiro dia da gestão, Simone Tebet compreendeu que era uma prioridade e deu todo suporte para que pudéssemos realiza-lo. Além disso, a Ministra Esther Dweck e sua equipe compreenderam as justificativas que apresentamos para contemplar o Ipea, autorizando a realizam desse concurso. No momento em que celebramos essa conquista, é importante agradecer esse apoio e o reconhecimento da importância institucional do Ipea para o Estado brasileiro ”, disse a presidenta do Ipea.

Luciana destaca também o esforço do Grupo de Trabalho montado pelo Ipea com o objetivo de organizar os detalhes e trâmites do concurso. “Desde que começamos a dialogar a respeito do concurso, o grupo atuou diuturnamente cuidando de cada detalhe. É uma satisfação divulgar o concurso depois de tanto tempo, e é igualmente gratificante ver o resultado do ótimo trabalho daqueles que se entregaram à tarefa de tornar isso uma realidade”, afirmou a presidenta.

O concurso visa repor a força de trabalho do Ipea, que possui servidores distribuídos entre sua sede, em Brasília, e a Gerência Regional do Rio de Janeiro. Será organizado em duas etapas: provas objetiva e discursiva, que ocorrerão em todas as capitais dos estados e no Distrito Federal, e a avaliação de títulos. A prova está marcada para o dia 25 de fevereiro de 2024, com o resultado final previsto para 27 de maio.

No ano em que completará 60 anos, o Instituto terá seu quadro ampliado e poderá cumprir, em condições mais favoráveis, sua missão de “aprimorar as políticas públicas essenciais ao desenvolvimento brasileiro, por meio da produção e disseminação de conhecimentos e da assessoria ao Estado nas suas decisões estratégicas”.

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Lançada a edição comemorativa de 15 anos Boletim Regional, Urbano e Ambiental

Helio Montferre/Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, nesta quarta-feira (29/11), a edição especial comemorativa de 15 anos do Boletim Regional, Urbano e Ambiental (Brua), que reúne 17 artigos principais de pesquisa desenvolvidos pela Diretoria de Estudos Regionais, Urbanos e Ambientais (Dirur) durante o período. Criado em 2008, o Boletim chegou à sua 30ª edição com artigos que sintetizam estudos do Ipea sobre temas fundamentais para os debates sobre as políticas territoriais do Brasil na atualidade.

Para o diretor de Estudos Regionais, Urbanos e Ambientais, Aristides Monteiro Neto, houve uma significativa ampliação do escopo de temas relacionados às políticas centradas no território. "Quando o Boletim foi criado no fim de 2008, havia um clima de renovação de equipes e linhas de pesquisa por força da entrada de novos pesquisadores por meio de concurso público. Com mais pesquisadores, a Dirur passou a se abrir para além de suas áreas já consolidadas do regional e urbano, a alguns temas emergentes à época como relações federativas, meio ambiente e desenvolvimento rural”, disse.

No retrospecto da publicação, destacam-se pesquisas robustas de avaliação de políticas regionais, urbanas e habitacionais, de meio ambiente e sustentabilidade alimentar. Está também presente em investigações sobre eficiência do gasto público em governos subnacionais, capacidades governativas e cooperação federativa, além de possuir estudos circunstanciados sobre regiões de fronteira, transposição e revitalização do Rio São Francisco e recursos hídricos, incluindo também a produção de indicadores para o gasto ambiental e para o cálculo do índice de vulnerabilidade social (IVS).

Como desdobramento da consolidação destes estudos, o esforço de assessoria governamental ganhou espaço significativo na agenda da Diretoria, com aportes para avaliação de políticas para o Conselho de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas (Cemap) do governo federal, assim como para os Ministérios do Desenvolvimento Regional, do Meio Ambiente, das Cidades, das Relações Institucionais, do Desenvolvimento Social, da Defesa, e Superintendências Regionais de Desenvolvimento (Sudam, Sudene e Sudeco) entre outros.

A maioria das experiências apresentadas representa uma pesquisa de duração de médio e longo prazos, algumas com longevidade de dez anos ou mais. O artigo do diretor Aristides Monteiro Neto nesta edição destaca a realização ao longo de quase uma década de pesquisa de um conjunto de estudos sobre o Desenvolvimento Regional do Brasil, elencando as contribuições que o próprio Ipea fez ao longo dos anos para uma Economia das Políticas Regionais.

A biodiversidade e os serviços ecossistêmicos também são frutos de uma longeva pesquisa. Ao longo de 14 anos, pesquisadores da Coordenação de Estudos em Sustentabilidade Ambiental do Ipea, em parceria com diversas instituições nacionais, desenvolveram uma série de estudos. Os resultados obtidos reforçam que a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos são um importante componente do capital natural brasileiro, gerador de benefícios econômicos e bem-estar, em escala global. Dessa forma, esses são temas indissociáveis e cada vez mais estratégicos para o desenvolvimento econômico, socialmente inclusivo e ambientalmente sustentável do Brasil.

A editora do Boletim e técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, Rute Imanishi Roderigues, ressalta a longevidade de alguns estudos, como o caso de pesquisadores que estão trabalhando há muito tempo com determinados temas, desde antes da criação do próprio Boletim. “Tem gente que está trabalhando há 20 anos em determinados temas, acompanhando políticas e programas e, com isso, os textos são bastante informativos e de gente que conhece bem os temas apurados aqui”, frisou. Para ela,“a publicação não só mostram a bagagem e o quanto se acumulou de pesquisa na Dirur como mostra que juntos, eles têm uma potência maior, pois nós vemos interrelações e conexões entre os textos e dão uma força muito maior para o trabalho da diretoria”.

Esta edição especial também faz um apanhado sobre os principais estudos produzidos pelo Ipea nos últimos 15 anos sobre mobilidade urbana. Houve também o desenvolvimento de estudos sobre tendências da mobilidade, mostrando o notável aumento do transporte individual e o declínio do transporte público nas últimas décadas, com impactos significativos sobre as condições de mobilidade da população e repercussões sobre a tarifa do transporte público. Há também estudos focados na mobilidade sustentável, em que a valorização do transporte não motorizado e do transporte público coletivo torna-se política crucial para reduzir as externalidades negativas produzidas nos sistemas de mobilidade urbana.

Acesse a edição especial de 15 anos do Boletim Regional, Urbano e Ambiental (Brua)

Lançamento do Número 30 Especial Comemorativo de 15 Anos do Boletim Regional, Urbano e Ambiental (Brua)

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