Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Ipea revisa projeções de inflação medida pelo IPCA de 4,8% para 4,6% e pelo INPC de 4,5% para 4,2% em 2023

Helio Montferre/Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, nesta terça-feira (19), as projeções atualizadas para a inflação brasileira para 2023 e 2024. A análise revisou para baixo as variações do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2023, cujas projeções foram revistas de 4,8% e 4,5% (em setembro) para 4,6% e 4,2% (em dezembro), respectivamente, conforme as tabelas abaixo:

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De acordo com os pesquisadores do Ipea, embora o principal foco de pressão sobre a inflação de 2023 tenha origem no comportamento dos preços administrados, com variação no ano de 8,8%, esse grupo vem apresentando uma trajetória mais benevolente, sobretudo após a queda do preço da gasolina nos últimos meses, proporcionada pelo recuo das cotações internacionais do petróleo combinada com a recente apreciação cambial. Houve também a melhora no desempenho dos alimentos e dos bens industriais, em particular os bens de consumo duráveis, com deflações acumuladas no ano de 1,8% e 0,54%, respectivamente.

Para 2024, as projeções do Grupo de Conjuntura do Ipea indicam que o processo de descompressão inflacionária deve se manter. Com isso, as altas previstas para o IPCA e para o INPC foram de 4,0% e 3,8%, respectivamente. O alívio inflacionário para o próximo ano virá da desaceleração dos preços administrados e, em menor intensidade, da melhora do comportamento dos serviços livres.

No caso dos preços administrados, as taxas previstas de 4,4% no IPCA e de 4,2% no INPC estão baseadas, em grande parte, em um desempenho mais favorável dos combustíveis. Já para os serviços livres, as altas projetadas de 5,0% e 4,6% no IPCA e no INPC, respectivamente, repercutem um crescimento mais moderado da demanda, tendo em vista o arrefecimento da atividade econômica estimado o próximo ano.

Os alimentos e os bens industriais, por outro lado, devem apresentar taxas de inflação mais altas no ano que vem, mesmo diante de um cenário de estabilidade de commodities e câmbio. Em relação aos alimentos no domicílio, além da projeção de uma safra 2,8% menor que a registrada em 2023, os efeitos climáticos causados pelo El Niño também devem prejudicar parte da produção de frutas, verduras e legumes, sobretudo no primeiro quadrimestre do ano.

Desta forma, as altas projetadas para os alimentos em 2024 são de 3,9% no IPCA e de 4,1% no INPC. No que diz respeito aos bens industriais, as estimativas de uma inflação maior para este segmento, com taxas previstas de 2,1% no IPCA e de 1,9% no INPC, decorrem, em grande parte, de uma recuperação dos preços dos bens de consumo duráveis, reverberando uma melhora nas condições de crédito e do nível de endividamento das famílias.

Os pesquisadores, no entanto, não descartam o surgimento de riscos inflacionários adicionais, que podem limitar este processo de desinflação em 2024. Além da ocorrência de efeitos climáticos ainda mais intensos, reversões nas trajetórias de commodities, especialmente as energéticas, e do câmbio, podem resultar em taxas de variações de preços mais elevadas.

Leia a íntegra do estudo

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Taxa de desocupação avança de 7,7% em setembro para 8,0% em outubro

Helio Montferre/Ipea

O mercado de trabalho brasileiro continua apresentando bons resultados, mesmo diante de uma leve alta na taxa de desocupação. A análise divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta segunda-feira (18) mostra que o aumento da desocupação em outubro, em termos dessazonalizados, ocorreu devido a um crescimento mais robusto da força de trabalho em relação ao observado na ocupação. Assim, mesmo com um aumento de 0,1% na ocupação em outubro em comparação a setembro, o crescimento de 0,6% na força de trabalho resultou no avanço da taxa de desocupação de 7,7% para 8,0%.

Entretanto, observar-se que a taxa de desocupação de 8,0% em outubro é 0,5 ponto percentual menor do que a registrada no final de 2022. No mesmo mês, após a dessazonalização, a força de trabalho atingiu 108,3 milhões, registrando um avanço de 1,1% no ano. Quanto à ocupação, os dados indicam, em outubro, um total de 99,4 milhões de trabalhadores, representando um crescimento de 1,5% nos dez primeiros meses do ano.

Os dados foram calculados pelo Instituto a partir da série trimestral da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo diante de um ritmo mais moderado, a criação de empregos com carteira assinada tem apresentado bom desempenho, contribuindo para o aumento da formalização do mercado de trabalho brasileiro. De janeiro de 2022 a outubro de 2023, o nível médio de formalização do mercado de trabalho chegou a 57,7%, ultrapassando o período pré-pandemia, onde a taxa média era de 57,1%.

Ao desagregar a taxa de formalidade por idade, observa-se que, nos últimos dois anos, todos as faixas etárias apresentaram melhora nos níveis de formalização, com crescimento mais significativo ocorrendo no grupo dos trabalhadores mais jovens (18 a 24 anos), cuja taxa avançou de 54,4% para 58,1%. Em relação à escolaridade, entre o terceiro trimestre de 2021 e o terceiro trimestre de 2023, com exceção do grupo de trabalhadores com nível superior, todos os demais demonstram uma elevação nos níveis de formalização. Destaque para os ocupados com ensino fundamental incompleto, cuja taxa saltou de 33,5% para 36,0%. Nota-se, contudo, que mesmo diante de uma desaceleração, a taxa de formalidade entre os trabalhadores com nível superior (78,5%) permanece bem acima da registrada nos outros segmentos educacionais.

Nos últimos doze meses, encerrados em outubro, a economia do país gerou expressivas 1,46 milhão de novas vagas com registro, conforme divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Os números ajustados pelo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) revelam uma expansão interanual de 3,4% no estoque de trabalhadores formais, evidenciando a vitalidade desse setor em outubro.

Em termos absolutos, alguns setores se destacaram na criação de empregos formais durante esse período. O comércio liderou com 282,1 mil novos postos, seguido por serviços administrativos (258,2 mil), construção civil (156,4 mil) e alojamento e alimentação (127,4 mil). Esses dados sinalizam uma dinâmica positiva no mercado de trabalho, destacando a resiliência e recuperação da economia em diversos setores. 

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Trabalhos de pesquisadores do Ipea recebem destaque no 51º Encontro Nacional de Economia

A presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Mendes Santos Servo, e técnicos de planejamento e pesquisa estiveram presentes no 51º Encontro Nacional de Economia, promovido anualmente pela Associação Nacional dos Centros de Pós-graduação em Economia (Anpec 2023), que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, entre os dias 12 e 15 de dezembro.

Quinze artigos inéditos, assinados por 17 pesquisadores do Instituto, foram selecionados e apresentados no Encontro da Anpec, recebendo destaque em oito categorias (veja abaixo). Além disso, o Ipea organizou duas mesas de debates. Um dos objetivos do encontro é estimular o diálogo e a troca de experiências entre economistas e profissionais de outros segmentos.

A presidenta do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo, participou da sessão especial que abordou aspectos da economia da saúde em duas perspectivas específicas. Houve um debate sobre a importância da economia da saúde nas políticas públicas e a respeito da aplicação do tema para análise de filas de transplante. Além da presidenta, o técnico de planejamento e pesquisa Alexandre Marinho também participou da discussão desses assuntos na sessão especial.

“Ao longo dos anos tornou-se uma tradição a participação do Ipea no Encontro Nacional de Economia, o que sinaliza a excelência dos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos pelos técnicos de planejamento e pesquisa da casa. Em particular, dialogar sobre a economia da saúde nessas duas dimensões foi importante para desenvolver e aprofundar temas que podem ter grande impacto positivo no bem-estar das pessoas e no uso eficiente de recursos destinados à saúde, área com grande demanda em diferentes segmentos”, afirmou Luciana.

Nesta edição, o Encontro trouxe como tema de destaque as contribuições para a economia da professora na Universidade de Harvard, Claudia Goldin. Neste ano, ela foi laureada com o Prêmio de Economia concedido pela Academia Real de Ciências da Suécia. A técnica de planejamento e pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea, Ana Luiza de Holanda Barbosa, falou sobre as realizações da professora estadunidense. Ela avaliou também a perspectiva histórica da participação das mulheres no mercado de trabalho.

O Encontro da Anpec é um dos mais importantes eventos científicos no campo da economia. Nele, são selecionados trabalhos inéditos que investigam as fronteiras do conhecimento científico na teoria econômica, na economia política e na econometria. Ao longo dos quatro dias do evento, foram realizados painéis e sessões temáticas que debateram o panorama nacional e temas regionais específicos.

Confira a seguir os trabalhos do Ipea que foram selecionados pela Anpec para o 51º Encontro Nacional de Economia: 

4 - Macroeconomia, Economia monetária e finanças

Inflação de preços e de salários no brasil: uma análise empírica de 1999 a 2022

Michelle Malher (UFRJ/IE) - Júlia Braga (UFF/Ipea) - Luiz Fernando de Paula (IE/UFRJ) 

5 - Economia do Setor Público

Consolidação fiscal e sustentabilidade da dívida pública: subsídios para um regime fiscal pós-pandemia

Sérgio Ricardo de Brito Gadelha (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa - IDP) - Geraldo Sandoval Góes (Ipea)

Government’s capacity to tax and infant health: evidence from the tax-capacity program

Carlos Andres Charris Vizcaino (UCB) - Alícia Cechin (Ipea)

8 – Microeconomia, métodos quantitativos e finanças

Investimentos em infraestrutura e metodologias de indenização de ativos – o modelo de opções reais

Katia Rocha (Ipea) - Naielly Lopes Marques (PUC-RIO, UFJF)

9 - Economia Industrial e da Tecnologia

Digital platform firms’ venture investments worldwide: patterns of u.s. and chinese big techs

Bruno Prado Prates (UFMG/CEDEPLAR) - Tulio Chiarini (Ipea) - Leonardo Costa Ribeiro (UFMG/CEDEPLAR)

Inteligência artificial no brasil: produção científica e determinantes da adoção pelas empresas

Maurício Benedeti Rosa (Ipea) - Luis Claudio Kubota (Ipea)

10 – Economia Regional e Urbana

CAPITAL HUMANO, PRODUTIVIDADE E CONVERGÊNCIA REGIONAL NO BRASIL DE 2013 A 2022

Cristiano da Costa da Silva (Ipea) - José Ronaldo Souza Júnior (Ipea/ IBMEC) - Tarsylla da S. de G. Oliveira (Ipea)

National policy to combat violence against women: evidence from women's police stations

Antonio Vinícius Barbosa (UFPB) - Paula Macedo Barros (Ipea)

11 – Economia Agrícola e do Meio Ambiente

Pesticide use in brazil: virtuous or vicious cycle?

Loredany Consule Crespo Rodrigues (UFV) - José Gustavo Féres (Ipea) - Alexandre Bragança Coelho (UFV)

12 – Economia Social e Demografia Econômica

Impactos do programa de apoio à formação de médicos especialistas em áreas estratégicas para o sistema único de saúde no brasil sobre a conclusão, atuação e interiorização

Aléssio Tony Cavalcanti de Almeida (UFPB) - Luciana Mendes Santos Servo (Ipea)

INTERGENERATIONAL MOBILITY AND REGIONAL INEQUALITY IN BRAZIL

Leonardo Monasterio (Ipea - IDP) - Eduardo Cenci (University of Nebraska At Omaha) - Daniel Lopes (Observatório da Indústria - CNI)

Teacher Education And Student Achievement: Evidence From Brazil Using Differences Across Subjects

Mauricio Cortez Reis (Ipea)

The cost of food for those with food insecurity: the brazilian case

Leonardo Santos de Oliveira (IBGE) - Luciana Alves dos Santos (IBGE) - Ana Luiza N.H. Barbosa (Ipea) 

13 – Economia do Trabalho

Os setores que mais (des)empregam no brasil e os beneficiados pela desoneração da folha salarial

Marcos Dantas Hecksher (Ipea)

Skills and employment transitions in brazil

Philipp Ehrl (FGV-RJ) - Willian Adamczyk (ILO) - Leonardo Monasterio (Ipea, IDP)

Renda média dos trabalhadores volta a crescer 4,2% após permanecer estável ao longo do primeiro semestre deste ano

Helio Montferre/Ipea

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado nesta sexta-feira (15), aponta um aumento de 4,2% nos rendimentos habituais reais médios do trabalho no Brasil durante o terceiro trimestre de 2023, em comparação com o mesmo período do ano passado. As estimativas mensalizadas mostram que o rendimento habitual médio real em setembro deste ano, no valor de R$ 3.059, foi 3,8% maior que o observado no mês anterior, de R$ 2.946,00 e 3,4% superior do que o valor registrado em junho do mesmo ano.

Além disso, os dados apresentaram um aumento de 3,7% em relação ao valor de dezembro de 2022, que foi de R$ 2.950. Já a renda efetiva média em setembro, no valor de R$ 3.188,00 (maior valor da série histórica), foi 3,3% maior que o observado no mês anterior, R$ 3.086. No mês de outubro, a estimativa da renda mensal recuou para R$ 3.101,00.

A nota “Retrato dos Rendimentos do Trabalho – Resultados da PNAD Contínua do Terceiro Trimestre de 2023” teve como base os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Rendimento habitual refere-se à remuneração recebida por empregados, empregadores e trabalhadores por conta própria, mensalmente, sem acréscimos extraordinários ou descontos esporádicos, ou seja, sem parcelas que não tenham caráter contínuo.

Os maiores aumentos na renda em comparação ao mesmo período do ano passado foram registrados na região Sudeste, entre os trabalhadores jovens de 14 a 24 anos, com ensino superior. Embora nenhum grupo demográfico de trabalhador tenha apresentado queda na renda, mas o crescimento foi menor para os que habitam no Sul e em regiões não metropolitanas, os maiores de 60 anos, aqueles com ensino fundamental completo e os chefes de família.

Com base nos dados da Pnad Contínua, o estudo também traz análises por corte de gênero. Os rendimentos habituais recebidos pelas mulheres, que vinham apresentando desempenho inferior ao dos homens ao longo de 2023, registraram um crescimento interanual maior nos três primeiros trimestres de 2023, atingindo 4,5%, em comparação com os 4% da renda habitual dos homens. 

Na análise por tipo de vínculo, os trabalhadores do setor privado com carteira tiveram o menor crescimento dos rendimentos no terceiro trimestre de 2023, com elevação da renda habitual de 2,3%. Por outro lado, os trabalhadores do setor público tiveram elevação de sua renda em 3,6%. O maior aumento da renda habitual ocorreu para os trabalhadores informais, que apresentaram acréscimo de 7,5% para os trabalhadores por conta própria e de 6,3% para os sem carteira.

No recorte por setor, no terceiro trimestre de 2023, houve uma maior desaceleração do crescimento da renda nos setores de comércio e construção, com aumento interanual da renda habitual de 2,5% e 1,9%, respectivamente. Os trabalhadores da indústria, serviços pessoais e coletivos, assim como aqueles que atuam com alojamento e alimentação, apresentaram um crescimento maior em relação ao trimestre anterior, destacando-se o setor de alojamento e alimentação, que mantém um crescimento robusto da renda há quatro trimestres consecutivos. O destaque negativo foi a queda de 4,6% na renda média interanual no terceiro trimestre de 2023 na agricultura.

Um efeito significativo da pandemia foi o aumento da proporção de domicílios sem renda do trabalho, que subiu de 22,7% no primeiro trimestre de 2020 para 28,7% no segundo. No terceiro trimestre de 2023, a proporção de domicílios nessa situação ficou em 23,2%, mais de um ponto percentual acima do observado no mesmo trimestre do ano anterior.

Acesse a íntegra do estudo 

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Fórum internacional no Ipea discute desenvolvimento, transformação digital e financiamento do desenvolvimento

Helio Montferre/Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Observer Research Foundation (ORF America) realizaram a “Conferência de Brasília sobre Justiça Social: Preparando o Cenário para a presidência brasileira do G20” na sede do Ipea em Brasília nos dias 14 e 15 de dezembro. O encontro reuniu representantes das três instituições responsáveis pelo Comitê Organizador do T20 – Ipea, a Fundação Alexandre de Gusmão (Funag) e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) –, além de Think Tanks da Índia, responsáveis pela gestão anterior do T20, e da África do Sul, que assume em dezembro de 2024. A União Africana, novo membro do G20, participou com sua Agência de Desenvolvimento, AUDA-NEPAD. Entre gestores de políticas do Brasil que participaram como moderadores ou palestrantes, a secretária de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do Ministério do Planejamento e Orçamento, Renata Amaral, e o presidente da Dataprev, Rodrigo Assumpção. 

Na mesa de abertura, a presidenta do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo, lembrou que o evento é o primeiro evento paralelo do T20 durante a presidência do Brasil no G20. Luciana Servo agradeceu a presença da comitiva indiana e elogiou a atuação do país durante os eventos do T20 ao longo de 2023. Ela reforçou que o T20 brasileiro fará um resgate das propostas dos anos anteriores para potencializar a implantação. “Quero ressaltar que a nossa presidência será marcada por orientações que busquem a justiça social”, reforçou a Presidenta. Para ela é preciso, neste momento, a busca por um novo conceito de desenvolvimento.  

Também estavam presentes a presidenta da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), embaixadora Marcia Loureiro e o conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), embaixador Marcos Caramuru. Por videoconferência participou o diretor executivo da ORF America, Dhruva Jaishankar. Marcia Loureiro defendeu em sua fala que o grupo sirva para “combater desigualdades e com a pluralidade reconhecer as diferenças de cada lugar para buscar recursos e reduzir vulnerabilidades”. Caramuru disse acreditar ser preciso “utilizar os mecanismos internacionais para reduzir as diferenças, mas com novas soluções”. Dhruva encerrou a abertura defendendo “uma nova arquitetura digital global, mais transparente e acessível” e que os mecanismos financeiros sejam revistos.

A primeira mesa abordou a Transição do G20: Delimitando a Agenda de Desenvolvimento, com moderação da presidenta do Ipea. Os panelistas foram o diretor de Estudos Internacionais do Ipea, Fabio Veras, Anit Mukherjee da ORF America, Elizabeth Sidiropoulos da South Africa Institute of International Affairs, e Marcos Caramuru. A mesa discutiu o papel das finanças e da tecnologia na promoção do desenvolvimento, da sustentabilidade, e da equidade. Deu foco às prioridades da presidência brasileira, fez um balanço da presidência indiana, e indicou caminhos para um G20 com maior impacto sobre futuro do multilateralismo. Além de discutir os caminhos para que as propostas do T20, e outros grupos de engajamento, tenham mais impacto no G20.

A carta conceitual que orientou o encontro esclarece que, à medida que o mundo se recupera dos impactos da pandemia de Covid-19, os formuladores de políticas enfrentam desafios em níveis global, regional, nacional e local. Mudanças climáticas aceleradas, crescente dívida pública, inflação e desigualdade são apenas alguns dos problemas em destaque. A estrutura multilateral estabelecida nas últimas sete décadas está sob crescente desafio com o surgimento de novos poderes globais, incluindo coalizões emergentes na Ásia, África e América Latina.

A conferência destaca a oportunidade significativa para remodelar o discurso sobre desenvolvimento global, colocando justiça social e climática no centro da agenda. Inovações em finanças e tecnologias podem melhorar o acesso a serviços, com sustentabilidade, criar oportunidades de emprego e aprimorar a transparência e a qualidade da governança pública. Simultaneamente, essas iniciativas têm o potencial de reduzir as desigualdades e superar as lacunas tecnológicas entre economias avançadas e aquelas do Sul Global, avançando em direção a um novo paradigma de desenvolvimento para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2030 proposto pela Organização das Nações Unidas.

Ao longo do último ano, a presidência do G20 pela Índia buscou abordar alguns desses desafios globais, conforme refletido na Declaração de Líderes de Nova Delhi, acordada na cúpula de setembro de 2023. Com as próximas presidências rotativas do G20 a cargo do Sul Global, há uma oportunidade única para o Brasil e, posteriormente, a África do Sul, impulsionarem a agenda de finanças para o desenvolvimento, destacando a justiça climática e social, a luta contra a desigualdade e as mudanças climáticas, além da reforma das desatualizadas instituições multilaterais globais.

Liderança Digital para o Desenvolvimento Sustentável

À medida que os países exploram o potencial da tecnologia digital para o desenvolvimento, as experiências e especializações do Brasil e da Índia podem servir de guia para uma digitalização inclusiva nos países do Sul Global. Ao longo da última década, a Índia estabeleceu uma infraestrutura digital em escala populacional, incluindo identificação digital (Aadhaar), Unified Payments Interface (UPI), vacinação contra a Covid-19 (Co-Win) e Transferência Direta de Benefícios (DBT) para proteção social, entre outros. Esses bens públicos digitais podem ser utilizados por entidades públicas e privadas para atender às necessidades específicas da economia digital, como verificação de identidade, pagamentos digitais, aprendizado remoto, prestação de serviços de saúde, empregos qualificados, transição energética e administração da justiça.

O Brasil avançou com a adoção de pagamentos digitais, recibo fiscal eletrônico, banco de dados de saúde digital, a plataforma gov.br e o projeto de moeda digital (real). O Brasil e a Índia podem acelerar o progresso em direção aos ODS, oferecendo liderança não apenas no G20, mas globalmente, amplificando as vozes dos países do Sul Global.

A conferência serve como base para dar continuidade ao foco na transformação digital, proteção social e ação climática durante a transição da presidência do G20 da Índia para o Brasil. O objetivo é criar uma comunidade diversificada de políticas e práticas que fornecerá insumos e orientações ao processo do G20, com o Ipea e a ORF America como principais interlocutores e organizadores.

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Inflação é menor para famílias de renda mais baixa pelo sexto mês consecutivo em novembro

Helio Montferre/Ipea

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda referente a novembro revela que, pelo sexto mês seguido, a inflação se mostrou mais amena para as famílias de menor poder aquisitivo. Os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta quarta-feira (13) indicam que a inflação de 0,20% observada nas três faixas de renda mais baixas em novembro foi significativamente inferior à registrada na classe de renda alta (0,58%).

Nesse contexto, a variação acumulada no ano para as famílias de renda muito baixa (2,6%) segue sendo menos da metade da taxa acumulada para as famílias de renda alta (5,6%). Ao longo dos últimos doze meses, os dados apontam um resultado semelhante, embora com menor discrepância. Enquanto a taxa de inflação para os domicílios da classe muito baixa é de 3,4%, as famílias de maior renda tiveram uma variação de preços de 6,1%, conforme a tabela abaixo:

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A desagregação por grupos revela que o principal fator de pressão inflacionária para as classes de renda mais baixas, em novembro, veio do grupo de “alimentos e bebidas”. As altas do arroz (3,7%), feijão-preto (4,2%), batata (8,8%), cebola (26,6%), carnes (1,4%) e aves e ovos (0,53%) explicam esta contribuição positiva dos alimentos para a inflação das famílias brasileiras, especialmente as de renda menos elevada. Ainda que em menor intensidade, essas famílias também foram influenciadas pelo grupo "habitação", sobretudo por conta da alta de 1,1% nas tarifas de energia elétrica. Essa alta inclusive anulou o alívio inflacionário vindo do recuo dos preços de artigos de limpeza (-0,53%).

Ao contrário das famílias mais ricas, as de menor poder aquisitivo tiveram uma descompressão inflacionária dos grupos “transporte” e “saúde e cuidados pessoais”. Esses domicílios foram beneficiados pelas quedas nos preços das tarifas de ônibus urbano (-1,2%), dos combustíveis (-1,6%) e dos artigos de higiene pessoal (-0,95%).

Para a faixa de renda alta, o maior impacto inflacionário de novembro veio da alta de 19,1% dos preços das passagens aéreas e de 0,76% dos planos de saúde. Adicionalmente, o grupo "despesas pessoais" também pressionou de forma significativa a inflação dessas famílias, devido aos reajustes dos serviços pessoais (0,41%) e de recreação (0,94%).

A comparação com novembro do ano passado revela uma desaceleração da inflação para todos os níveis de renda pesquisados, com exceção do segmento de renda alta. No que diz respeito às classes de renda mais baixas, a melhora da inflação é visível pelo desempenho favorável dos combustíveis e dos artigos de vestuário e limpeza, cujas variações de -1,6%, -0,35% e -0,53%, respectivamente, registradas em 2023, ficaram bem abaixo das observadas no mesmo período de 2022 (3,0%, 1,1% e 1,2%).

No que diz respeito às famílias de renda mais elevada, a alta mais intensa da inflação em novembro de 2023, comparativamente a novembro de 2022, veio, sobretudo, da piora no desempenho das passagens aéreas e dos serviços de recreação, cujas variações de 19,1% e 0,94%, este ano, contrastam fortemente com as apuradas no ano anterior (-9,8% e 0,34%, respectivamente).

Após a incorporação do resultado de novembro de 2023, apenas a classe de renda alta não registrou desaceleração da sua curva de inflação acumulada em doze meses. Em termos absolutos, as famílias de renda muito baixa são as que apresentam a menor taxa de variação no período (3,4%), enquanto a mais elevada está no segmento de renda alta (6,1%).

Acesse a íntegra do indicador 

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Proposta para uma nova modalidade de concessão do seguro desemprego no Brasil foi o assunto do Seminário das Quintas desta quinta-feira (07/12). O encontro contou com a presença de especialistas que discutiram o estudo sobre a inovações no cenário trabalhista do país. O evento pode ser assistido na integra no canal de youtube do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Mário Magalhães, especialista em políticas públicas e gestão governamental, apresentou o trabalho que propõe uma nova modalidade de concessão do seguro-desemprego, trazendo benefícios para trabalhadores, empresas e o governo. Magalhães acredita que o momento político é oportuno para o debate, devido ao "novo perfil da gestão do Ministério do Trabalho". O especialista explicou que essa é uma ideia antiga que vem desenvolvendo ao longo do tempo.

O mediador do evento, José Aparecido Ribeiro, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, promoveu a interação entre os participantes. O debatedor convidado foi Miguel Foguel, técnico de planejamento e pesquisa, que elogiou bastante os avanços apresentados pela proposta.

A proposta destaca uma modalidade revolucionária na concessão do seguro-desemprego, permitindo que os trabalhadores sejam reempregados sem perder o benefício, mediante a assinatura de um Contrato Prévio de Capacitação (CPC) com um novo empregador. O CPC terá duração mínima de um mês e máxima de cinco meses, correspondendo ao número de parcelas restantes do seguro-desemprego formal. A capacitação será feita a critério do empregador, seja por meio de cursos ou treinamento em serviço. O pagamento das parcelas do seguro-reemprego será feito junto com a remuneração do trabalhador, escalonando a divisão entre o governo e a empresa.

A regulamentação do seguro-reemprego estabelecerá critérios conforme a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) de contratação, buscando garantir a qualificação necessária para as diferentes ocupações. A proposta visa incentivar a capacitação profissional, reduzindo custos para o governo e as empresas. Entre os atributos esperados está o aumento da capacitação profissional, redução de despesas com o seguro-desemprego, fomento ao investimento em qualificação e mudança na atitude dos empresários em relação ao fator humano em seus negócios.

Apesar dos benefícios apresentados, a implementação do seguro-reemprego enfrenta desafios, como a necessidade de as empresas se adaptarem a políticas de qualificação e a possível resistência de alguns trabalhadores. Pontos críticos incluem o equilíbrio entre estímulo ao reemprego e qualificação, a duração do período de fidelização do vínculo e o possível impacto nos serviços públicos de emprego.

As estimativas apontadas no estudo indicam um impacto positivo na qualificação profissional, com potencial aumento de investimento em cursos. A adesão ao seguro-reemprego poderia gerar uma conversão significativa de parcelas do seguro-desemprego, promovendo benefícios tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. A proposta visa transformar o cenário trabalhista brasileiro, incentivando a qualificação e reduzindo despesas governamentais. É fundamental considerar cuidadosamente a implementação, ouvindo os principais interessados e ajustando a proposta conforme as necessidades do mercado.

O evento do Ipea proporcionou uma discussão rica e aberta sobre a proposta, inovadora em diversos aspectos, destacando a importância de repensar a relação entre trabalhadores, empresas e governo. O seguro-reemprego se apresenta como uma potencial solução para desafios do mercado de trabalho brasileiro, promovendo a capacitação e o crescimento profissional, ao mesmo tempo que qualifica a mão de obra do país.

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Briga de família e desemprego são os motivos mais citados por pessoas em situação de rua para explicar sua circunstância

Helio Montferre/Ipea

Problemas familiares e desemprego são as razões mais apontadas por pessoas em situação de rua para explicar sua circunstância. A exclusão econômica, dimensão que envolve o desemprego, a perda de moradia e a distância do local do trabalho, é citada por 54% das pessoas. Problemas de saúde – particularmente, mas não somente, aqueles relacionados à saúde mental – são apontados por 32,5%. A fragilização ou ruptura de vínculos familiares é citada por 47,3% e lidera a estatística que leva em consideração somente motivos individuais. O levantamento apresenta os valores absolutos e os percentuais das causas autodeclaradas de situação de rua. Essas causas não são excludentes, por isso os percentuais somam mais de 100%.

Levando em consideração somente motivos individuais, além da liderança dos problemas com familiares e companheiros (47,3%), aparecem razões como desemprego (40,5%), alcoolismo e outras drogas (30,4%), perda de moradia (26,1%), ameaça e violência (4,8%), distância do local de trabalho (4,2%), tratamento de saúde (3,1%), preferência ou opção própria (2,9%) e outros motivos (11,2%). Entretanto, é importante notar que as causas para a situação de rua no Brasil podem ser organizadas em três dimensões: a exclusão econômica, envolvendo a insegurança alimentar, o desemprego e déficit habitacional nos grandes centros; a fragilização ou ruptura de vínculos sociais, particularmente vínculos familiares e comunitários, por meio dos quais essas pessoas poderiam ser capazes de obter acolhimento em situações de dificuldade; e os problemas de saúde – particularmente, mas não somente, aqueles relacionados à saúde mental.

Os resultados são parte de uma série de dados presentes no texto para discussão “A população em situação de rua nos números do Cadastro Único”, de autoria do especialista em políticas públicas e gestão governamental da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marco Natalino, divulgado nesta segunda-feira (11). O trabalho analisa os dados sobre a população em situação de rua disponíveis no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (Cadastro Único ou CadÚnico), apresentando um perfil desse público.

A dimensão econômica se manifesta em três motivos elencados entre os motivos individuais: desemprego, perda de moradia e distância do local de trabalho. Por isso, quando conjugados, essa dimensão aparece como a principal razão dada por pessoas em situação de rua para falar sobre sua circunstância. É comum que as três dimensões usadas para organizar os dados se manifestem ao mesmo tempo. Por exemplo, metade daqueles que alegam motivações ligadas à saúde também apontam razões familiares para a situação de rua e 44% deles acrescentam motivações econômicas. Entre aqueles que falam em problemas familiares, 42% também têm motivações econômicas como causa de sua situação de rua e 34% relatam motivos de saúde.

A análise mostra também que o tempo de permanência na rua está fortemente associado ao motivo para a situação de rua. Os problemas familiares estão associados a um tempo de permanência a maior. Isso ocorre também com os motivos relacionados à saúde, em especial pelo uso abusivo de álcool e outras drogas. Por outro lado, razões econômicas, como o desemprego, estão associadas a episódios de rua de mais curta duração. No agregado, 33,7% da população em situação de rua está nesta condição pelo período de até 6 meses, 14,2% entre seis meses e um ano, 13% entre um e dois anos, 16,6% entre dois e cinco anos, 10,8% entre cinco e 10 anos e 11,7% há mais de 10 anos.

O estudo dos dados realizado por Natalino revela que 70% da população em situação de rua mora no mesmo estado em que nasceu. Além disso, embora as mulheres sejam somente 11,6% da população adulta em situação de rua, representam 35% das responsáveis familiares entre a parcela que vive com as famílias nessas circunstâncias. Mesmo entre os inscritos no Cadastro Único, 24% não possuem certidão de nascimento. Entre os adultos, 29% não têm título de eleitor e 24% não possuem carteira de trabalho. Apenas 58% das crianças e adolescentes de 7 a 15 anos e em situação de rua frequentam a escola. Pelo menos 69% da população adulta em situação de rua realiza alguma atividade para conseguir dinheiro, mas apenas 1% tinha um emprego com carteira assinada.

A maioria da população em situação de rua (68%) se declara negra. Os autodeclarados brancos são 31,1%. O número médio de anos de escolaridade entre os negros em situação de rua (6,7 anos) é menor que entre os brancos (7,4 anos). Sobre a circulação no território urbano, o Formulário PopRua informa onde a pessoa costuma dormir e com que frequência semanal. Aqueles que costumam dormir na rua com alguma frequência são 58%. Um terço costuma dormir em albergues com alguma frequência. Pouco mais de 3% costumam dormir em domicílios particulares, e 12% costumam dormir em outros espaços que não se enquadram entre os anteriores.

O objetivo do estudo é, ao apresentar um diagnóstico atual da situação, colaborar com o aprimoramento das políticas públicas voltadas à população em situação de rua. Em 25 de julho, o Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu uma medida cautelar, em resposta à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 976. Nela, determina a necessidade de elaboração, por parte do governo federal, de um plano de ação e monitoramento para a efetiva implementação da Política Nacional para a População em Situação de Rua e determina que tal plano se baseie em um diagnóstico desse público.

A publicação apresenta informações sobre as causas da situação de rua, o tempo de permanência na rua, as migrações, as áreas de circulação e permanência, os vínculos familiares, a participação em associações da sociedade civil e em atividades comunitárias, raça/cor, as pessoas com deficiência e em situação de rua, sexo, idade, acesso à documentação, à saúde e a benefícios sociais, escolaridade, trabalho e geração de renda.

Das 96 milhões de pessoas presentes no CadÚnico, em agosto de 2023, 227 mil estavam oficialmente registradas como em situação de rua. Esse número não pode ser considerado como um censo oficial da população de rua. A pesquisa destaca a complexidade do problema, que entre diversas dimensões, dificulta inclusive um levantamento fidedigno dos números totais de pessoas nessa circunstância. A pesquisa apresenta um método para a análise dos dados do Cadastro Único para esse público - incluindo dados de painel longitudinal - que pode ser replicado para outros públicos. Esses dados em painel podem, no futuro, permitir a análise individualizada dos percursos que levam as pessoas à situação de rua, bem como dos percursos que levam uma pessoa em situação de rua para um domicílio.

O texto para discussão serve de subsídio às políticas públicas voltadas para a sociedade e órgãos de Governo. Nesta mesma data, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) lançou o Plano de Ação e Monitoramento para Efetivação da Política Nacional para a População em Situação de Rua, entregue pelo governo federal ao STF no dia 27 de novembro. Em setembro, o Ipea e o MDHC, através de um acordo de cooperação, lançaram o “Guia Inclua – Pop Rua”, uma Avaliação de Riscos de Desatenção, Exclusão ou Tratamento Inadequado da População em Situação de Rua. O guia também abasteceu o governo federal com dados para elaboração do plano.

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Crescimento dos estabelecimentos religiosos no país é liderado por igrejas pentecostais e neopentecostais

Divulgação


Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicado nesta quinta-feira (07), revela um surpreendente crescimento dos estabelecimentos religiosos no Brasil nos últimos 20 anos. Entre os 124.529 estabelecimentos existentes no país em 2021, 52% são evangélicos pentecostais ou neopentecostais, liderando o resultado, seguidos por 19% evangélicos tradicionais e 11% de católicos. Entre os evangélicos pentecostais, a Assembleia de Deus é a que possui o maior número de estabelecimentos, 14%. Apenas 8% dos estabelecimentos não puderam ser identificados, pois grande parte é composta por associações comunitárias, beneficentes ou educacionais.

A nota técnica, intitulada "Crescimento dos Estabelecimentos Evangélicos no Brasil nas Últimas Décadas", é de autoria de Fernanda De Negri, diretora de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação e Infraestrutura (Diset) do Ipea, Weverthon Machado, pesquisador de pós-doutorado na Utrecht University, e Eric Jardim Cavalcante, pesquisador bolsista na Diset. O estudo destaca uma notável tendência de crescimento, tanto em números absolutos quanto na dispersão geográfica em todo o território brasileiro. O avanço tem sido especialmente marcante no interior do país nos últimos anos, representando uma mudança significativa em relação ao crescimento anterior concentrado nas grandes cidades.

Em 2000, cerca de 15,4% da população brasileira se identificava como evangélica, número que subiu para aproximadamente 22,2% em 2010, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa ascensão é atribuída, em parte, à migração para áreas urbanas, onde a oferta de igrejas e eventos religiosos é maior. Além disso, as mudanças sociais e econômicas, como a urbanização acelerada e as desigualdades socioeconômicas, contribuíram para essa expansão, conforme destaca o estudo.

Os pesquisadores observam ainda uma tendência interessante, revelando que o crescimento das igrejas evangélicas não está limitado apenas às grandes cidades. Houve um aumento notável no número de estabelecimentos em áreas rurais e municípios menores, indicando uma interiorização das instituições religiosas.

"Houve um processo muito intenso de interiorização desses estabelecimentos no país ao longo dos últimos anos", conclui De Negri. Por fim, a pesquisa concluiu que o fenômeno evangélico no Brasil não é apenas um crescimento exponencial, mas também uma notável disseminação geográfica. O levantamento é a partir da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Acesse a íntegra da nota técnica

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Boletim Radar aponta desafios para o Brasil construir um futuro produtivo e sustentável

Diante dos desafios socioambientais que se apresentam para toda a humanidade, a edição temática nº 74 do Boletim Radar: Tecnologia, Produção e Comércio Exterior, lançada nesta quinta-feira (07/12) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), tem como foco a "produção do futuro". Composto por cinco artigos, o Radar fomenta o debate sobre temas cruciais, como cidades inteligentes, Green Bonds, hidrogênio verde, micro e pequenas empresas, e a evolução do emprego de novos doutores no setor privado no Brasil.

Esta publicação é a primeira de uma série da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Ipea, em um projeto transversal e estruturante, que tem por objetivo traçar o tecido produtivo de um país em frente aos desafios para uma produção industrial.

O técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e editor desta edição do Radar, Mauro Oddo Nogueira, comenta que “o principal desafio para se pensar numa produção sustentável no Brasil é a histórica desigualdade socioeconômica do país. Ele enfatiza a necessidade de repensar o tecido produtivo brasileiro, considerando os três pilares da sustentabilidade: crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental”, disse.

A publicação explora o papel que o Estado brasileiro deve desempenhar e as políticas públicas necessárias para conduzir o país para uma transformação e um futuro melhor. “Esse é um desafio histórico do Brasil, que ao longo de seus 500 anos vem reproduzindo e ainda não conseguiu encontrar um caminho para superar de uma forma consistente. Isso acaba indo de encontro aos outros dois objetivos”, disse Nogueira.

Segundo Nogueira, a desigualdade social, tem impactos também no desenvolvimento econômico e de certo modo tem impactos também na preservação ambiental. “Nos estratos de baixa renda, que têm um imediatismo de sobrevivência, pensar em preservação do planeta, do médio para longo prazo, para quem precisa pensar em comer hoje, é um debate complicado. Então, esse é o grande desafio”, destacou.

Os cinco estudos da nova edição do Radar definem caminhos para superação desses desafios, contribuindo com o debate sobre desenvolvimento sustentável em temas específicos. O primeiro artigo trata do financiamento da indústria renovável e do desenvolvimento sustentável, apresentando uma proposta baseada nos Green Bonds, os chamados títulos verdes, que oferece uma análise de como financiar essa produção do futuro. O segundo artigo fala especificamente da questão energética, discutindo como alimentar de energia limpa essa produção, esse aparato produtivo e avalia o papel do hidrogênio verde no país.

O terceiro artigo aborda, de forma sustentável, as tecnologias digitais aplicadas e utilizadas nas cidades inteligentes, incorporando o conceito de sustentabilidade em seu sentido amplo. Isso inclui a inclusão social com qualidade de vida, a preservação ambiental e a construção de infraestrutura, com foco no desenvolvimento sustentável.

O quarto artigo trata das pequenas empresas, que, do ponto de vista da estrutura produtiva, talvez sejam o maior desafio. Isso porque são as empresas que se concentram no estrato mais baixo da produtividade, nos estratos de menor desenvolvimento tecnológico e de menor disponibilidade financeira. Nesse contexto, a agenda do desenvolvimento sustentável enfrenta mais dificuldades para superar obstáculos e ser difundida. O desafio é como levar essa agenda a esse universo de milhões de pequenas empresas, de baixíssima produtividade, e como reverter esse quadro. Esse artigo trata dos serviços empresariais, voltados à capacitação dessas empresas, para que possam se adequar à produção do futuro.

A nova edição do Radar aborda ainda o mercado de trabalho. No estudo, que parte da premissa de que a produção do futuro precisa e envolve tecnologias cada vez mais sofisticadas, considera-se que seu desenvolvimento pressupõe que novas vagas sejam abertas com emprego intensivo de tecnologias sofisticadas que precisam de capital humano e de profissionais altamente capacitados, que dominem ferramentas tecnológicas e que sejam capazes de desenvolver e aplicar conhecimentos de fronteira. Esse estudo avalia como o mercado de trabalho privado do Brasil vem tratando os profissionais mais qualificados, aqueles com formação de doutores.

Nogueira destaca ainda que a nova edição do Radar busca definir caminhos para a superação desses desafios e visa apoiar o governo federal na elaboração e implementação de políticas públicas, apontando os desafios e soluções práticas para o Brasil construir um futuro produtivo e sustentável, conforme os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030.

Acesse a edição temática nº 74 do boletim Radar

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