Brasil pode influenciar metas dos países na COP 15

Brasil pode influenciar metas dos países na COP 15

Em seminário no Ipea, representantes brasileiros na conferência sobre o clima discutiram suas perspectivas


Foto: Sidney Murrieta
Especialistas que participaram do seminário no Ipea debateram
metas que o Brasil deve apresentar na Dinamarca

As metas do Brasil para a redução nas emissões de gases de efeito estufa podem influenciar positivamente os números que serão apresentados por outros países durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP 15), em Copenhague (Dinamarca), em dezembro. A conclusão é dos palestrantes do seminário Brasil Rumo a Copenhague: Perspectivas para a COP 15 de Mudanças Climáticas, realizado Ipea nesta terça-feira, 24 de novembro.

O embaixador extraordinário para Mudança do Clima do Ministério das Relações Exteriores, Sérgio Serra, diz que os números apresentados pelo Brasil são ambiciosos, não apenas nos objetivos de redução da trajetória de emissões, mas também em termos absolutos. "A proposta do Brasil foi bem recebida e poderá influenciar outros países, tanto os desenvolvidos, que até agora têm sido tão modestos nas suas ofertas, quanto os em desenvolvimento."

Segundo a representante do Ministério do Meio Ambiente, Andrea Sousa, a proposta do Brasil foi construída em conjunto pelos ministérios e órgãos de governo com base em estimativas de redução em diferentes setores. O total de redução nas emissões ficará entre 36% a 39% até 2020. Para atingir o objetivo, o País pretende reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% no mesmo período. Para o cerrado, o objetivo de redução é de 40%.

Acordo provável
"O Brasil adotou uma política correta, de ir esticando a corda, ou seja, de se posicionar gradualmente em relação aos acordos a serem tratados", argumentou a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), presidente da Comissão Mista de Acompanhamento das Mudanças Climáticas do Congresso Nacional, depois de defender que dificilmente a conferência terminará sem acordo.

Ideli disse ainda que o Brasil, além de apresentar números significativos de redução da emissão dos gases de efeito estufa até 2020, poderá chegar a Copenhague com dois projetos de lei que ainda tramitam no Congresso Nacional: a Lei do Fundo Nacional de Mudanças Climáticas e a Política Nacional de Mudanças Climáticas.

Para o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, é preciso tratar o tema do ponto de vista técnico. "O diálogo com base no conhecimento nos abre melhores oportunidades de desenhar caminhos e opções de políticas". Para isso, o Ipea previu, no último concurso público, realizado no final de 2008, vagas específicas para a área da sustentabilidade ambiental.