Abertura da Code reúne ministros e pensadores

Abertura da Code reúne ministros e pensadores


Marcio Pochmann, Cândido Mendes, João Paulo dos Reis Velloso e os ministros Samuel Pinheiro Guimarães e Juca Ferreira abriram a Code

Foto: Sidney Murrieta

Juca Ferreira, Samuel Guimarães, João Paulo dos Reis Velloso e  Marcio
Pochmann analisasam o desenvolvimento do País na abertura da Code

“O Brasil não mais aceita ser liderado. Pretende contribuir para o novo projeto de desenvolvimento mundial, multipolar e compatível com a repartição justa da riqueza e a sustentação do planeta para as novas gerações.” Foi com essa fala que o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, abriu a 1° Conferência Nacional do Desenvolvimento, realizada pelo Instituto do dias 24 a 26 de novembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Mais de mil pessoas, de diversos segmentos da sociedade, participaram da abertura do evento.

O presidente afirmou que somente a ruptura com as políticas neoliberais hegemonizadas na passagem para o século 21 permitiu ao País retomar o caminho do desenvolvimento. “Antes não se poderia elevar o valor do salário mínimo, porque gerava informalidade e desemprego, não se deveria aumentar o gasto social, porque desorganizava as finanças públicas, não se deveria apoiar investimento nas empresas públicas, porque haveria mais ineficiência, assim como se deveria manter banco público aprisionado, para não fazer subir ainda mais a taxa de juros”, disse Pochmann. 

Ao final, destacou que o desenvolvimento está sendo tratado de forma inédita nesta Conferência, “não mais como um assunto somente de especialistas em sala VIP, que em seus gabinetes fechados e protocolares pretendiam definir os rumos da nação”. Agradeceu o apoio de quase 50 organizações governamentais e da sociedade civil que tornou possível a construção do evento com oito grandes painéis e quase uma centena de oficinas, documentários, filmes, lançamentos de livros, minicursos e apresentações culturais.

Cultura e desenvolvimento
O Ministro da Cultura, Juca Ferreira, apontou a exclusão cultural do Brasil e defendeu a urgência de incluir a cultura na agenda do desenvolvimento. Citou dados do Ipea e do IBGE que revelaram que apenas 5% dos brasileiros entraram alguma vez em um museu, 13% vão ao cinema e somente 17% compram livros.

“A cultura é o que nos caracteriza como seres humanos, é uma necessidade básica, um direito. E, por isso, o Estado tem a obrigação de garantir seu acesso a todos.” Argumentou ainda que a cultura qualifica todas as relações sociais, diminui a violência, aumenta a tolerância e a aceitação da diversidade.

Juca Ferreira ressaltou a importância da economia da cultura, da construção de uma indústria cultural forte, alertando que ela não faz parte do mapa das políticas econômicas. “A cultura brasileira responde por quase 7% do PIB e 6% do emprego formal do País e deveria estar no mesmo patamar de investimentos do agronegócio e da indústria.”

Para mais informações sobre a Conferência, acesse www.ipea.gov.br/code

 Leia o discurso do presidente do Ipea, Marcio Pochmann

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