Especialistas debateram ciberciência cidadã no Ipea

Especialistas debateram ciberciência cidadã no Ipea

Computação Voluntária e Inteligência Distribuída foram alguns dos conceitos debatidos durante o seminário 

“A capacidade de processamento dos bilhões de computadores pessoais e smartphones conectados à internet no mundo inteiro é maior do que qualquer supercomputador existente. Esses recursos podem ajudar a desenvolver projetos importantes para a ciência”, afirmou François Grey, diretor do Centro de Ciberciência Cidadã (Citizen CyberScience Centre), na abertura do primeiro dia do Brasil@Home, no auditório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A frase do cientista, membro do Cern, um dos pirncipais laboratórios de física de partículas, traduz a filosofia por trás da Ciberciência Cidadã.

“As pessoas podem contribuir para projetos científicos oferecendo recursos do seu computador ou um pouco do seu tempo livre”, disse Lucas Mation, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e um dos organizadores do evento. Ele explicou que o Brasil@Home surgiu da necessidade de divulgar essa ideia entre membros da comunidade científica, desenvolvedores e pessoas comuns no país. “Nos últimos 15 anos, institutos de vários países têm resolvido problemas importantes com a colaboração da sociedade, com custos muito baixos, mas essa prática ainda está concentrada nos principalmente na Europa e nos Estados Unidos”, argumentou.

A Ciberciência Cidadã trabalha com dois conceitos básicos: a computação voluntária e a inteligência distribuída. No primeiro caso, voluntários conectados à internet permitem que parte da capacidade de processamento do seu computador ou smartphone seja usada para cálculos e simulações em pesquisas científicas.

Um exemplo são os trabalhos sobre mudanças climáticas realizados na Universidade de Oxford, Reino Unido. Os pesquisadores usaram a capacidade ociosa de 50 mil computadores para simular modelos de previsões climáticas e estudar as possíveis alterações que a emissão de gases na atmosfera poderia causar no clima. Os resultados do estudo comprovaram que existe influência desses gases na frequência maior de algumas catástrofes naturais.

Já a inteligência distributiva define o trabalho efetivo de pessoas nas pesquisas, para digitalizar ou classificar dados e imagens. O recurso foi usado, por exemplo, para mapear o padrão de dispersão da malária no continente africano. A pesquisa forneceu subsídios para que o governo de Moçambique mudasse as políticas públicas de combate à doença.

“Para o Ipea, a Ciberciência Cidadã pode ser útil na coleta de dados em pesquisas econômicas e na avaliação de políticas públicas”, afirmou Mation. “O Brasil é o quinto país com mais pessoas conectadas e existe uma tradição de open source. A colaboração pela internet poderia ajudar em projetos de ciência básica, na proteção ambiental e em pesquisas humanitárias, por exemplo”, completou François Grey. O evento contou com a exposição dos especialistas especialistas Dan Rowlands, Philip Brohan, David Anderson, Francisco Vilar, Javier de la Torre, Ben Segal e Daniel Lombraña González.

Entre os dias 3 e 6 de maio, ocorrerão eventos do Brasil@Home no Rio de Janeiro e em São Paulo. No Rio haverá, além de palestras, uma Hackfest, encontro com a participação de cientistas e desenvolvedores para elaborar projetos-pilotos de Ciberciência Cidadã. Para obter mais informações sobre as atividades, acesse a página do projeto no Brasil.