A inflação desacelerou para quase todas as faixas de renda em maio, com exceção das famílias de alta renda. Os dados são do Indicador de Inflação por Faixa de Renda, divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
As famílias de renda alta, superior a R$ 22,998,22 mensais, foram o único grupo a registrar aceleração inflacionária entre abril e maio, passando de 0,24% para 0,38% no período. Nas demais faixas de renda, deflação dos combustíveis e o comportamento mais favorável dos produtos farmacêuticos contribuíram para a desaceleração dos preços.
Em termos absolutos, entretanto, os domicílios de renda muito baixa, com rendimento inferior a R$ 2.299,82, registraram a maior inflação em maio (0,83%), enquanto a menor variação de preços foi observada entre as famílias de renda alta (0,38%), conforme a tabela abaixo.
Inflação por faixa de renda (Em %)

Elaboração: Grupo de Conjuntura da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Dimac/Ipea).
Obs.: IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.
Essa inflação mais elevada para a classe de renda muito baixa é explicada pelo aumento dos alimentos no domicílio e o reajuste da tarifa de energia elétrica, considerando o peso desses itens nas cestas de consumo dessas famílias.
No acumulado de 2026, a faixa de renda muito baixa registra a maior inflação (3,46%), pressionada sobretudo pela alta de 5,7% nos preços dos alimentos no domicílio nos cinco primeiros meses do ano. Em contrapartida, as famílias de renda alta apresentam a menor taxa (2,83%), beneficiadas pelas deflações de 5,0% nas passagens aéreas e de 15,8% nos transportes por aplicativo. Já no acumulado de doze meses, a menor inflação é observada entre as famílias de renda baixa (4,29%), enquanto o segmento de renda alta registra a maior taxa (5,26%).
As principais pressões inflacionárias de maio vieram dos grupos “alimentos e bebidas”, “habitação” e “saúde e cuidados pessoais”. No primeiro caso, os destaques foram os reajustes de itens importantes da cesta de consumo, arroz (1,7%), feijão carioca (6,4%), batata (44,7%), tomate (20,6%), cebola (16,8%) e carnes (1,4%). Já para os grupos habitação e saúde, a pressão veio dos aumentos da tarifa de energia elétrica (3,7%) e dos artigos de higiene (2,0%). Para as famílias de renda alta, também pesaram os reajustes de serviços pessoais e de recreação, como tratamento de animais (1,8%) e hospedagem (0,82%).
Na comparação com maio de 2025, observa-se que, todas as faixas de renda registraram aceleração da inflação. Além do desempenho menos favorável dos alimentos no domicílio, com alta de 1,7% em 2026, ante 0,02% em 2025, a alta dos produtos de higiene (2,0%), das passagens aéreas (3,2%) e dos serviços de recreação (0,36%) neste ano, acima das variações observadas no ano anterior (0,41%, -11,3% e 0,28%, respectivamente), explicam grande parte da pressão inflacionária atual.
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