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Ipea eleva projeção do PIB para 1,8% em 2026 e mantém inflação em 4,2%

Economia começa o ano com mais força, mas cenário externo e juros ainda impõem incertezas

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revisou para cima a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, que passou de 1,6% para 1,8%. A estimativa para 2027 foi mantida em 2,0%, indicando uma aceleração moderada da atividade nos próximos anos. Os dados constam da nova edição da Visão Geral da Conjuntura, divulgada nesta quinta-feira, 9 de abril.

A revisão reflete, sobretudo, um início de ano mais favorável do que o esperado. Após um fim de 2025 marcado por perda de dinamismo, os indicadores de janeiro apontam crescimento disseminado entre setores, incluindo aqueles mais sensíveis ao crédito. 

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“O cenário segue em movimento, e os dados mais recentes indicam uma melhora no início de 2026. Nosso trabalho é justamente acompanhar essas mudanças de forma contínua, com base em evidências, ajustando as projeções sempre que os fundamentos da economia assim indicarem”, explica o coordenador de Acompanhamento e Estudos da Conjuntura, Claudio Hamilton dos Santos.

Publicada trimestralmente, a Visão Geral da Conjuntura reúne a leitura do Ipea sobre os principais movimentos da economia brasileira, combinando análise de dados recentes com projeções para os próximos períodos. O acompanhamento sistemático permite identificar mudanças de tendência, qualificar o debate público e orientar decisões em um cenário marcado por incertezas.

“O papel do Ipea é justamente esse: acompanhar, interpretar e comunicar o que os dados mostram, sem perder de vista a complexidade do cenário. Nosso compromisso é com análises consistentes, que ajudem a entender os movimentos da economia em tempo real”, completa Claudio Amitrano, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea.

Crescimento com apoio do consumo e da renda - O cenário segue sustentado principalmente pelo consumo das famílias, favorecido pela expansão da renda, pelo mercado de trabalho ainda aquecido e por políticas públicas que mantêm o acesso ao crédito. Ao mesmo tempo, o avanço da atividade continua limitado pelos efeitos do aperto monetário recente.

A economia brasileira mantém um padrão já observado nos últimos anos: setores mais influenciados pela renda e/ou pela demanda externa, como agropecuária, indústria extrativa e serviços, seguem com desempenho mais robusto, enquanto segmentos mais sensíveis aos juros apresentam maior desaceleração.

Para o primeiro trimestre de 2026, a expectativa é de crescimento de 0,8% frente ao trimestre anterior e de 1,4% na comparação interanual, com destaque para serviços e consumo das famílias. 

Juros, guerra e incertezas externas - Apesar da melhora no curto prazo, o cenário permanece condicionado a fatores externos e à trajetória dos juros. O início do ciclo de redução da taxa Selic tende a favorecer a atividade ao longo do ano, mas sua velocidade ainda é incerta.

A escalada das tensões no Oriente Médio aumentou a volatilidade internacional e pode impactar preços de commodities, especialmente o petróleo, o que traz efeitos mistos para o Brasil: ao mesmo tempo em que pressiona a inflação, pode favorecer exportações e receitas. 

Inflação estável, mas com mudança de composição - A projeção para a inflação em 2026, medida pelo IPCA, foi mantida em 4,2%, mas houve mudanças relevantes na composição.

Os preços de alimentos e serviços livres foram revisados para baixo, refletindo melhora recente desses componentes. Por outro lado, a alta esperada nos combustíveis levou à revisão para cima dos preços administrados, pressionados pelo aumento do petróleo no mercado internacional. 

Investimentos ainda fracos, mas com perspectiva de recuperação - Os investimentos seguem como principal ponto de atenção. Apesar de sinais de melhora na margem, ainda acumulam retração e devem recuar 1,1% em 2026, com recuperação prevista apenas em 2027.

Já o consumo das famílias deve crescer 1,5% em 2026, sustentado pela renda e por medidas como reajuste do salário mínimo e mudanças no Imposto de Renda, ainda que pressionado por juros elevados e endividamento.

Setores: serviços lideram, indústria ainda pressionada - Pelo lado da oferta, o setor de serviços deve continuar sendo o principal motor da economia. A indústria tende a avançar de forma moderada, ainda limitada pelo custo do crédito, enquanto a agropecuária mantém crescimento positivo, embora em desaceleração após o forte desempenho de 2025.

Acesse a Visão Geral da Carta de Conjuntura

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