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Após recuo, inflação acelera para todas as famílias em dezembro

Apesar da aceleração no último mês de 2025, na comparação com novembro, o acumulado do ano indica que, à exceção da faixa de renda alta, todas as demais classes apresentaram queda da inflação em relação a 2024

Foto: Helio Montferre/Ipea 

A inflação acelerou para todas as faixas de renda em dezembro. Mesmo com o alívio inflacionário registrado no grupo habitação, causado pela queda de 5,4% das tarifas de energia elétrica, o encerramento da deflação dos alimentos e os reajustes mais intensos nos grupos transportes e saúde e cuidados pessoais explicam o avanço da inflação no mês.  Os dados são do Indicador de Inflação por Faixa de Renda, divulgado na última sexta-feira (16) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

No acumulado do ano de 2025, os dados indicam que, à exceção da faixa de renda alta, todas as demais classes apresentaram queda da inflação em relação a 2024. Enquanto a inflação das famílias que ganham até R$ 2.105,99 recuou de 4,9%, em 2024, para 3,8%, em 2025, a inflação das famílias que possuem renda maior que R$ 21.059,92 avançou de 4,4% para 4,7% no período considerado. Essa descompressão inflacionária ao longo de 2025 decorreu, principalmente, da melhora no comportamento dos preços dos alimentos no domicílio, cuja variação acumulada no ano recuou de 8,2% em 2024 para 1,4% em 2025.


No acumulado em doze meses, com os dados de dezembro incluídos, as famílias que ganham até R$ 2.105,99 passaram a registrar a menor taxa inflacionária (3,8%), enquanto as famílias que possuem renda maior que R$ 21.059,92 apresentaram a taxa mais elevada no período considerado (4,7%).


A aceleração inflacionária entre novembro e dezembro foi parcialmente compensada pela deflação do grupo habitação. Este grupo foi favorecido pela queda de 2,4% nas tarifas de energia elétrica. As principais contribuições positivas para a inflação vieram dos grupos alimentos e bebidas, transportes e saúde e cuidados pessoais.

No grupo alimentos e bebidas, apesar das deflações observadas em cereais (- 1,7%) e leites e derivados (- 2,3%), os aumentos de preços dos tubérculos (1,7%), das carnes (1,5%) e das aves e ovos (0,26%) fizeram com que a alimentação no domicílio se configurasse como o principal foco de pressão inflacionária para as classes de renda mais baixa. Por outro lado, para os estratos de renda mais elevada, o principal fator de alta nesse grupo foi o reajuste dos serviços de alimentação fora do domicílio (0,60%).

Em relação aos transportes, as faixas de renda mais afetadas foram as de renda média e alta, sobretudo por causa dos aumentos em itens que têm peso maior na cesta de consumo dessas famílias, como gasolina (0,18%), etanol (2,8%), transporte por aplicativo (13,8%) e passagens aéreas (12,6%). Já a pressão vinda do grupo saúde e cuidados pessoais surge a partir dos reajustes dos produtos farmacêuticos (0,39%), itens de higiene (0,52%), serviços médicos e odontológicos (0,85%) e planos de saúde (0,49%).

Na comparação com dezembro de 2024, os dados mostram que, embora tenha ocorrido um recuo generalizado das taxas de inflação, a desaceleração foi mais intensa nas faixas de renda mais baixa. Esse resultado vem da melhora do desempenho dos alimentos no domicílio, cuja taxa de variação mensal passou de 1,2% em dezembro de 2024 para 0,14% em dezembro de 2025.

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