Desenvolvimento Regional

Desenvolvimento das fronteiras amazônicas depende de integração entre infraestrutura e bioeconomia, defende técnico do Ipea na COP-30

Pedro Silva Barros, que se dedica a pesquisas sobre o tema, participou de painel que ocorreu na Green Zone no último sábado, 15

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) teve representante em mais um momento importante da COP-30, que ocorre em Belém do Pará neste mês. O técnico de planejamento e pesquisa Pedro Silva Barros participou, no último sábado (15), de um painel que tratou sobre os desafios e oportunidades das fronteiras amazônicas, realizado na Green Zone da Conferência.

Barros é coordenador do projeto Integração Regional: o Brasil e a América do Sul, da Diretoria de Estudos Internacionais do Ipea. Durante sua fala, ele destacou que o desenvolvimento dessas regiões só é viável quando planejado em cooperação entre os países vizinhos. Além disso, ressaltou que a COP constitui um espaço oportuno para promover o diálogo entre os países amazônicos.

“[A Conferência] é um espaço de defesa do multilateralismo. Pensar fronteira implica em defender também o multilateralismo, porque não haverá desenvolvimento de fronteira do lado brasileiro sem desenvolvimento conjunto com os países vizinhos”, detalhou.

Além disso, ele defendeu que, para o desenvolvimento das áreas fronteiriças é necessário aliar bioeconomia com infraestrutura, considerando a realidade e as necessidades da Amazônia. “Esse é o desafio também dos planos que a gente vai construir no ano que vem para as regiões de fronteira amazônica. Não tem desenvolvimento sem infraestrutura”, reforçou Barros.

O evento foi promovido pelo Consórcio da Amazônia Legal, com apoio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Do Ipea, além do técnico Barros, participaram do momento os bolsistas Helitton Carneiro, Leandro Fontes Corrêa e Matheus Valadares.

Trabalho em andamento

A participação no painel integra atividades desenvolvidas em conjunto com o GSI, o MIDR e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) na produção de insumos para a primeira Estratégia Nacional de Fronteiras e seu planejamento territorial.

Ao longo de 2025, a equipe do projeto percorreu municípios fronteiriços da Amazônia e localidades dos países vizinhos, dialogando com autoridades, setor privado, sociedade civil e academia. A pesquisa aponta que essas regiões formam a “periferia da periferia”, marcadas por marginalização institucional, e cujo desenvolvimento depende de maior integração territorial.

O estudo busca subsidiar a articulação entre infraestrutura, bioeconomia e desenvolvimento regional, especialmente diante de novos investimentos, como a ponte entre Guajará-Mirim (RO) e Guayaramerín (Bolívia). Entre as propostas, destacam-se a adoção de um Acordo de Localidades Fronteiriças Vinculadas, a ser implementado no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), e a elaboração de planos diretores conjuntos para cidades-gêmeas.

Os informes técnicos resultantes da cooperação entre o Ipea e o MIDR que subsidiam os Planos de Desenvolvimento e Integração da Faixa de Fronteira (PDIF) serão publicados pelo Ipea em formato de livro no início de 2026. O estudo também destaca avanços recentes em políticas públicas voltadas à região amazônica - como o novo PAC, o Plano Nacional de Bioeconomia e as Rotas de Integração - embora reforce a necessidade de maior articulação entre essas iniciativas e de um recorte territorial específico para a Amazônia.

O painel

Durante a sessão, os debatedores enfatizaram a importância da integração para fortalecer a presença do Estado nas regiões de fronteira. Para Vitarque Coelho, coordenador-geral de Gestão do Território do MIDR, embora as fronteiras do arco norte apresentem baixos níveis de desenvolvimento, especialmente nas cidades gêmeas há uma oportunidade estratégica para a integração e o desenvolvimento regional, considerando o elevado nível de interações sociais e comerciais entre as populações dos dois lados da fronteira.

Jorgiene Oliveira, diretora de Planejamento e Articulação de Políticas da Sudam, destacou o papel da instituição na governança territorial da Amazônia, incluindo a promoção da participação social da população indígena. Já Jéssica Ojana, assessora técnica e pesquisadora do Ibam, apontou a relevância dos diagnósticos e das bases de dados para os Planos de Desenvolvimento e Integração da Faixa de Fronteira (PDIFF), essenciais para enfrentar desafios agravados nesses territórios, como a maior suscetibilidade a eventos climáticos extremos.

Já José Benoni Carneiro, secretário-adjunto da Secretaria de Acompanhamento e Gestão de Assuntos Estratégicos do GSI, ressaltou que não há política ambiental e climática efetiva sem desenvolvimento econômico e social, o que exige segurança e uma atuação articulada entre as instituições responsáveis pela proteção desse território.

Assista à transmissão do painel no YouTube, no canal da Amazônia Legal.

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