Economia. Desenvolvimento Econômico
Inflação desacelera em outubro, com maior alívio para famílias de baixa renda
Famílias de renda mais baixa tiveram leve deflação em outubro
Publicado em 17/11/2025 - Última modificação em 17/11/2025 às 16h31
Economia. Desenvolvimento Econômico
Famílias de renda mais baixa tiveram leve deflação em outubro
Publicado em 17/11/2025 - Última modificação em 17/11/2025 às 16h31
Foto: Helio Montferre/Ipea
A inflação perdeu força para todas as faixas de renda em outubro. Entre as famílias de renda muito baixa, que apresentam renda domiciliar inferior a R$ 2.202,02, houve deflação de 0,03%. Os dados são do Indicador de Inflação por Faixa de Renda, divulgado nesta sexta (14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Além da deflação dos alimentos, que segue aliviando o custo de vida, a queda nos preços do grupo habitação e de artigos de residência também ajudou a frear a inflação em outubro, sobretudo para as famílias de menor renda.
A queda dos preços dos alimentos consumidos em casa, pelo quinto mês seguido, ajudou a reduzir a pressão inflacionária. O movimento reflete as deflações de itens importantes da cesta de consumo, como cereais (-1,8%), frutas (-0,7%), hortaliças e verduras (-0,6%), aves e ovos (-0,5%) e leite e derivados (-1,0%).
Além disso, a queda de 2,4% na tarifa de energia elétrica, que compensou parte da alta provocada em setembro pelo fim do Bônus de Itaipu, e o recuo de 0,9% nos preços de eletroeletrônicos também contribuíram para a desaceleração mais intensa da inflação em outubro nas três faixas de renda mais baixas.
Entre as famílias de renda alta, com renda domiciliar acima de R$ 22.020,22, a desaceleração foi mais moderada. Após a taxa de 0,35% registrada em setembro, a inflação caiu para 0,22% em outubro. Nesse grupo, o impacto da queda dos alimentos e da energia elétrica é menor. Além disso, as altas dos combustíveis, das aéreas e dos serviços pessoais limitaram o alívio inflacionário.
Nas três faixas de renda subsequentes, a desaceleração da inflação também foi limitada. Além do menor impacto da queda dos alimentos e da energia, pesaram as altas nos grupos transportes, saúde e despesas pessoais. Em transportes, os reajustes das passagens aéreas (4,5%), do transporte por aplicativo (2,3%) e dos combustíveis (0,32%) puxaram a pressão. Já em saúde e despesas pessoais, os aumentos dos planos de saúde (0,50%) e dos serviços de recreação (0,55%) foram os principais responsáveis pela alta.
No acumulado de 2025, as maiores altas continuam concentradas nas faixas de renda baixa (3,89%) e muito baixa (3,84%), enquanto a menor variação segue na renda alta, com 3,16%.
Nos últimos 12 meses, a inflação foi mais alta entre as famílias de renda média-alta (4,78%) e de renda alta (4,96%). Já as famílias de renda muito baixa registraram variação de 4,43%.
Na comparação com outubro de 2024, os dados mostram que todas as faixas de renda registraram uma forte descompressão inflacionária, com exceção da renda alta, na qual a desaceleração foi mais moderada.
Esse cenário de inflação mais benigna reflete não apenas o melhor desempenho dos alimentos em 2025, que acumulam deflação de 0,16%, ante a alta de 1,2% no ano passado, mas também a queda de 2,4% na energia elétrica em outubro, contraste com o aumento de 4,7% registrado no mesmo mês de 2024.
Para as famílias de renda mais alta, parte do alívio inflacionário trazido pela queda dos alimentos e da energia em 2025 foi parcialmente anulada pelos reajustes mais fortes das passagens aéreas e dos combustíveis. As altas de 4,5% e 0,32% neste ano contrastam com as quedas de 11,5% e 0,17% registradas em 2024.
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