Ciência. Pesquisa. Metodologia. Análise Estatística

Pesquisador do Ipea figura pelo quinto ano consecutivo entre os cientistas mais influentes do mundo

Rafael Pereira é reconhecido internacionalmente por suas contribuições nas áreas de transporte e mobilidade urbana

O técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Rafael Pereira foi incluído, pelo quinto ano consecutivo (2020 a 2024), entre os 2% de cientistas mais influentes do mundo, segundo levantamento internacional publicado pela editora Elsevier em parceria com a Universidade Stanford (EUA). A lista reúne pesquisadores com maior impacto de citações em suas áreas de atuação.

Atual chefe de ciência de dados do Ipea, Pereira se destaca por estudos nas áreas de mobilidade, transporte e planejamento urbano. Além desse reconhecimento, ele também integra a lista dos pesquisadores brasileiros mais influentes em políticas públicas, elaborada pela Agência Bori em parceria com a plataforma internacional Overton.

Ao longo da carreira, o pesquisador já recebeu prêmios internacionais de relevância, como o Lee Schipper Memorial Scholarship da World Resources Institute (WRI, 2017), o melhor doutorado em transportes pela Associação Americana de Geografia (AAG, 2019) e o Jovem Pesquisador do Ano pelo International Transport Forum, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Reconhecimento e papel do Ipea

Para Pereira, a presença recorrente na lista reflete não apenas conquistas individuais, mas o fortalecimento da pesquisa desenvolvida pelo Ipea. “Ser incluído nessa lista mostra o potencial de alcance que o Ipea tem no campo acadêmico, na política pública e ainda internacionalmente”, afirma. “É o reconhecimento de um trabalho rigoroso, importante e de qualidade internacional.”

O pesquisador destaca que o apoio institucional do Ipea foi determinante para o avanço de sua trajetória, especialmente durante o doutorado realizado no exterior, com suporte da instituição. Essa formação ampliou sua rede internacional de pesquisa, permitindo que seus estudos sobre o Brasil dialogassem com experiências de outros países.

Segundo ele, o Ipea oferece condições únicas de trabalho, com acesso a bases de dados, liberdade intelectual e colaboração direta com órgãos de governo. Essa estrutura possibilita a produção de conhecimento aplicado e relevante tanto para o país quanto para a comunidade científica internacional.

Impacto e alcance global

Embora o ranking da Elsevier/Stanford se baseie apenas em citações acadêmicas, Pereira ressalta que o impacto da pesquisa vai além desse indicador. “O ranking é um reconhecimento do que já fizemos, mas também ajuda a abrir portas para novas parcerias e projetos”, explica. “Espero que essa visibilidade fortaleça o diálogo do Ipea com órgãos como o Ministério das Cidades e a Secretaria de Mobilidade Urbana.”

Ele destaca, ainda, que o Ipea desenvolve ferramentas de ciência de dados e pacotes computacionais de uso internacional — um deles, criado por sua equipe, já ultrapassou um milhão de downloads e é utilizado por instituições estrangeiras, como Statistique Canadá (Statcan), instituição com atuação semelhante ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Brasil. “Esse tipo de resultado mostra um impacto real, que vai muito além das citações”, afirma.

Metodologia

O ranking da Elsevier e da Universidade Stanford é elaborado anualmente a partir de um indicador composto de citações, calculado com base nos dados da Scopus, uma das maiores plataformas globais de indexação científica e que reúne milhões de artigos, livros e trabalhos acadêmicos revisados por pares, permitindo medir de forma padronizada o impacto e o alcance da produção científica em diferentes áreas do conhecimento. A metodologia identifica os pesquisadores que estão entre os 2% mais citados ou entre os 100 mil autores de maior influência no mundo.

Já a lista elaborada em parceria entre a Bori e a base de dados Overton considera citações em documentos estratégicos, relatórios técnicos e pareceres usados por governos, organismos internacionais e organizações da sociedade civil publicados desde 2019 até a data de extração das informações (julho de 2025). No total, 107 pesquisadores brasileiros foram relacionados, cujos trabalhos embasaram, mais de 33,5 mil documentos de políticas públicas. A instituição com mais nomes relacionados no ranking do ano passado foi a Universidade de São Paulo (Usp), com 22 pesquisadores.