A nova edição do Boletim Regional, Urbano e Ambiental (Brua) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) foi lançada nesta terça-feira (21). A publicação foi preparada especialmente para a COP30, que acontece a partir de 10 de novembro em Belém, e traz discussões sobre a crise climática.
“O Brua tem um significado importante para a diretoria. Ele funciona como um canal de vocalização dos nossos trabalhos, do nosso ofício e das ocupações e reflexões que fazemos sobre o território. Com esse boletim, pretendemos alcançar públicos mais amplos”, disse Aristides Monteiro Neto, diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea (Dirur/Ipea). “Na Esplanada, sempre temos alguns interlocutores especiais, e é também para eles que direcionamos esse esforço”, completou.
Adriana Moura, coordenadora de Meio Ambiente da Dirur/Ipea, destacou a importância da agenda climática para a Dirur. “Como nossa presidenta tem enfatizado, nosso objetivo é continuar atuando na agenda de implementação pós-COP, apoiando com conhecimento a execução dos compromissos assumidos”, disse.
A 35ª edição do Brua será enviada diretamente para a presidência da COP, assim como outras publicações do Ipea sobre o assunto. Segundo Luciana Servo, presidenta do Ipea, o Instituto vai atuar na agenda de implementação da COP30.
“Pensamos em como, a partir da agenda que se desenvolve ao longo do ano em Belém, avançar para uma discussão sobre a implementação, que, na verdade, é a grande entrega da COP 30”, explicou a presidenta. “Uma das discussões principais foi justamente não retroceder e consolidar algumas das questões da agenda, preparando o terreno para que pudéssemos avançar na implementação”.
Um dos editores do número 35, Gustavo Luedemann, destacou a articulação entre servidores novos e antigos para a escrita dos artigos que compõem o Brua. “Recebemos uma quantidade enorme de submissões dos nossos novos colegas que ingressaram no último concurso. Por um lado, isso traz um certo grau de endogenia, por outro, traz também a bagagem desses novos servidores para a discussão interna e nos permite conhecer melhor o trabalho deles”, disse o técnico de planejamento e pesquisa.
Marcel Bursztyn, professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB), reforçou a necessidade de integrar políticas e coordenar diferentes áreas setoriais. “Assim como defendemos a integração de disciplinas para que estudos sobre temas complexos não sejam unidimensionais e considerem múltiplos aspectos, devemos aplicar o mesmo princípio na formulação de políticas públicas”, disse. “A responsabilidade do Ipea é enorme nesse sentido”.
A publicação – A nova edição do boletim traz nove artigos que contribuem para compreender e enfrentar o desafio climático a partir da realidade brasileira. Para Sérgio Felipe Melo, um dos autores do artigo “A COP30 e a construção de um novo modelo de Desenvolvimento Regional Sustentável para a Amazônia”, existem propostas de modelos de desenvolvimento que podem gerar crescimento econômico, mas, ao mesmo tempo, desarticular ou desordenar, no curto e médio prazo, o modo de vida das populações tradicionais, que representam grande parte da riqueza da Amazônia.
O estudo propõe o uso da bioeconomia como modelo de desenvolvimento que permita a melhoria da estrutura produtiva regional e posiciona a COP30 como um evento catalisador da da construção de um amplo pacto sobre o desenvolvimento regional amazônico.
“A COP 30 pode se apresentar como um evento capaz de construir uma trajetória mais coordenada entre os diversos atores: o governo federal, os governos estaduais e a sociedade civil organizada, incluindo empresas e organizações comunitárias”, explica o pesquisador. “Parte dessa proposta parte da premissa de que é necessário equilibrar os modelos econômicos que se pretendem implementar na região amazônica com o equilíbrio necessário entre a natureza e a sociedade local, respeitando o saber ancestral e o conhecimento tradicional”.
A partir de uma abordagem que divide o território nacional em sete “Brasis” – seis biomas e o Sistema Costeiro-Marinho (SCM) –, o artigo “Sete Brasis: os Biomas Terrestres, o Sistema Costeiro-Marinho e estratégias para lidar com o desafio climático nesses territórios” visa apoiar gestores na formulação de políticas mais conectadas às especificidades socioecológicas desses territórios.
A técnica de planejamento e pesquisa Cláudia Salema, uma das autoras, explicou que a ideia era destacar a interconexão entre os biomas e a importância de políticas contextualizadas.
“Nossa síntese serve como ponto de partida, oferecendo inspiração para a formulação de políticas públicas mais alinhadas às realidades territoriais do Brasil”, disse a pesquisadora. “Os biomas sustentam modos de vida próprios, com pessoas e populações tradicionais que se adaptaram a essas regiões e acumularam muito conhecimento ao longo do tempo. A perspectiva socioecológica amplia a compreensão dos biomas, não os vendo apenas como sistemas naturais, mas como sistemas mais amplos, integrados à sociedade”.
No caso da Amazônia, por exemplo, iniciativas de mitigação incluem a economia florestal de baixo carbono. Em termos de adaptação, a pesquisadora destacou a valorização dos conhecimentos tradicionais: as populações tradicionais, imersas nesses ambientes, observam fenômenos e os compreendem de maneira diferenciada.
Existe uma alta correlação entre a exposição a eventos climáticos extremos e a presença de populações pobres e negras. Com base nessa correlação, o artigo “Segregação Urbana e Crise Climática: um ensaio a partir do caso de São Paulo” inicia uma discussão sobre segregação urbana e vulnerabilidade climática nas cidades brasileiras.
O estudo é produto da criação do GT transversal de Combate ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial e contou com a parceria de pesquisadores do Núcleo de Pesquisa e Formação em Raça, Gênero e Justiça Racial do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Afrocebrap).
Para Thor Ribeiro, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, o mesmo processo que criou a cidade segregada também gerou a vulnerabilidade climática dos territórios e das populações pobres. “É necessário pensar em um novo planejamento urbano voltado para a redução dessas desigualdades, que também funcione como uma política de adaptação climática”, aponta o pesquisador.
Acesse a Edição nº 35 do Brua
Comunicação - Ipea
(61) 2026-5501
(21) 3515-8704 / (21) 3515-8578
Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.