Divulgação Ipea
Como mais uma etapa do projeto que apoia o Ministério das Cidades na elaboração do Plano Nacional de Habitação (PlanHab 2040), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) promoveu, na última semana (16 e 17/07), uma oficina para discutir políticas de aluguel, com foco em locação social e auxílios temporários. O evento reuniu pesquisadores, gestores públicos e sociedade civil, incluindo movimentos de moradia, para discutir programas de aluguel estruturados e permanentes como parte da política de habitação para o país.
“O Governo Federal já está fazendo alguns pilotos interessantes em Recife e Campo Grande. O desafio no plano é dar escala para a locação social e disciplinar os auxílios monetários, especialmente no caso de desastres ambientais, que vêm se agravando”, sintetizou o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, Thor Ribeiro.
O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Adauto Cardoso, que coordena tecnicamente o projeto, ressaltou que é fundamental que o plano consiga diversificar as políticas habitacionais, indo além da estratégia de provisão, que já está bem estabelecida por meio do programa Minha Casa, Minha Vida.
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Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre 2000 e 2022, o percentual de pessoas que moram de aluguel passou de 12,3% para 20,9%. “A gente, de fato, precisa pensar olhando cenários demográficos futuros. A transferência de propriedade é importante e vai continuar, mas precisa ser complementada, e a locação social é uma forma que, apesar dos enormes desafios para desenvolver e adaptar, já tem algumas experiências em curso. Passou da hora disso ser colocado efetivamente como proposta a ser desenvolvida e ampliada”, afirmou.
No evento, algumas dessas políticas de aluguel social que estão sendo desenvolvidas por governos locais foram apresentadas, como as das prefeituras de Recife (PE) e Contagem (MG) e a da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar).
Modalidades
Na locação social imóveis públicos ou privados são destinados à moradia da população de baixa renda, por meio de pagamento de aluguel (subsidiado ou não), sem transferência da propriedade. Esse não é, no entanto, o único formato de política de aluguel possível.
A professora de Planejamento Urbano e Regional e uma das coordenadoras do LabCidade da Universidade de São Paulo (USP), Paula Santoro, explicou que escassez de terras, disputa de espaço nas cidades e mudanças no mundo do trabalho são fatores que levam ao aumento do aluguel como forma de acesso à moradia.
Ele cresce, também, como opção para governos, que podem lançar mão de diversas modalidades: regulação, auxílio aluguel, vouchers ou vale-moradia, aluguel como opção de compra e a própria locação social. “O que é fundamental é ter uma estratégia política. Não nos faltam modalidades, falta estratégia para moradia ser direito e não mercadoria”, afirmou a professora.
Programação
No primeiro dia de oficina, as discussões contemplaram iniciativas do governo federal para programas de locação social; experiências de locação social por Estados e Municípios; estratégias de governança e mobilização dos terrenos públicos; mudanças climáticas e políticas de aluguel.
No segundo dia, os participantes trabalharam na construção de propostas e sugestões para o Plano Nacional de Habitação 2040. Para isso, elencaram problemas sobre os quais os programas devem atuar, as causas desses problemas, o público-alvo e os beneficiários. Depois, passaram à discussão das ações prioritárias e, por fim, dos atores, governança e arranjos institucionais que devem ser estabelecidos.
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