Meio Ambiente. Recursos Naturais

Ipea participa do lançamento do Hub de Economia e Clima, em São Paulo

Estiveram presentes no evento a presidenta Luciana Servo e o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas Cláudio Amitrano

Foto: Instituto Clima e Sociedade

A presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Servo, e o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas Claudio Amitrano participaram, nesta terça-feira (8/7), do lançamento do Hub de Economia e Clima, em São Paulo. O Hub é uma iniciativa do Instituto Clima e Sociedade (iCS) e foi realizado na sede da revista Exame. O evento reuniu representantes do setor público, da academia e de organizações da sociedade civil para debater caminhos para alinhar o desenvolvimento econômico brasileiro à agenda climática.

O Hub foi criado para articular centros de pesquisa, empresas e formuladores de políticas públicas em torno de soluções sustentáveis que integrem as dimensões econômica, ambiental e social. A programação incluiu dois painéis temáticos e o anúncio da edição 2025 do Prêmio iCS de Economia e Clima, voltado a estudos científicos com potencial de impacto sobre políticas públicas de baixo carbono.

Luciana Servo foi uma das painelistas da primeira mesa, dedicada às oportunidades da agenda climática para o desenvolvimento socioeconômico do país. Ela destacou a importância do planejamento de longo prazo para lidar com crises climáticas e sociais, enfatizando o papel do Estado na articulação de políticas transversais. “Nós operamos em um modelo reativo: em 2024, dos R$ 94 bilhões orçados para programas ambientais, R$ 82 bilhões foram usados para emergências. Precisamos migrar para uma lógica de prevenção”, afirmou.

Luciana também chamou a atenção para a fragmentação de políticas públicas e a falta de coordenação entre os níveis de governo e instituições financeiras. De acordo com a presidenta, o Brasil tem recursos e capacidade técnica de sobra, mas perde escala e efetividade por falta de articulação. “Não vamos conseguir enfrentar a crise climática se continuarmos atuando de forma descoordenada. A resposta precisa ser integrada e em rede”, completou.

Já Claudio Amitrano integrou o segundo painel, sobre o papel da pesquisa econômica aplicada para orientar políticas públicas alinhadas à transição ecológica. O diretor ressaltou os desafios conceituais e metodológicos enfrentados por economistas, em especial macroeconomistas, na formulação de modelos que deem conta da complexidade das transformações ambientais e seus impactos econômicos. “Nós chegamos atrasados e muitas vezes mal preparados para lidar com desigualdades, gênero, raça e com a questão climática. Estamos correndo atrás para recuperar esse atraso.”

O diretor chamou atenção para o fato de que as políticas climáticas envolvem elevados custos e são concentradas no curto prazo, enquanto os benefícios são difusos e percebidos apenas no longo prazo. Esse descompasso, segundo ele, dificulta o apoio social e político necessário à implementação das medidas. “Estamos diante de uma crise climática que já não é mais uma questão do futuro — ela impacta o presente, o preço dos alimentos, a produtividade, a renda. A urgência é real, mas ainda não conseguimos transformar esse senso de urgência em modelos capazes de orientar a tomada de decisão.”

Amitrano também enfatizou a fragmentação dos métodos econômicos disponíveis atualmente para lidar com o tema e a necessidade de um maior hibridismo na modelagem. Para isso seria preciso combinar diferentes abordagens teóricas, da economia ambiental à ecológica, passando também por modelos baseados em agentes, simulações com aprendizado e crescimento endógeno. “Nossos modelos de equilíbrio geral computável mostram que impostos sobre carbono reduzem emissões, mas também derrubam o PIB. Quando introduzimos agentes que aprendem e tecnologias limpas, o resultado se inverte: é possível crescer e descarbonizar ao mesmo tempo”, concluiu.

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