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Seminário reúne gestores públicos e especialistas para discutir transformação ecológica no Brasil

No evento, foram discutidos modelos macroeconômicos que ajudam a formular políticas que equilibrem desenvolvimento econômico e proteção ambiental

Créditos: Helio Montferre/Ipea

Para apoiar o governo brasileiro no Plano de Transformação Ecológica (PTE) e fomentar o debate entre atores diversos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sediou, na última semana (20 e 21), o seminário “Transformação Ecológica no Brasil: Ferramentas de Análise e Construção de Políticas Públicas”. Promovido pela Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal) e pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), o evento discutiu questões como integração das ferramentas analíticas na formulação de políticas, impactos do PTE e dinâmica macroeconômica da transformação ecológica.

“O Ipea foi criado para apoiar o governo brasileiro no debate sobre desenvolvimento, o que, no passado, era visto de forma mais restrita e hoje incorpora novas dimensões, como a ecológica. Nós congregamos pessoas e instituições que querem debater honestamente, cientificamente, os problemas do Brasil e do mundo”, afirmou o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas, Claudio Amitrano.

No evento, foram discutidos diversos modelos macroeconômicos que têm incorporado a perspectiva ambiental, de forma a trazer mais robustez nas análises e apoiar os formuladores de políticas públicas na tomada de decisão. Esses modelos fornecem informações sobre a viabilidade econômica de diferentes medidas, ajudando a formular políticas que equilibrem o desenvolvimento econômico com a proteção ambiental. “Hoje falamos de modelos macroambientais, macroecológicos, mas no futuro serão apenas modelos macroeconômicos, porque os que não incorporarem essa perspectiva se tornarão irrelevantes”, disse Amitrano.

Além da dimensão ambiental, propriamente dita, os participantes discutiram o imbricamento com a profunda desigualdade socioeconômica brasileira. “O objetivo, além da questão climática em si, é superar nossas históricas e estruturais questões de desigualdade. Compreender como esse conjunto de políticas para transformação ecológica impactam a situação de desigualdade permanece um desafio”, disse a subsecretária de Desenvolvimento Econômico Sustentável do Ministério da Fazenda (MF), Cristina Reis, no encerramento do seminário.

Retomando discussões realizadas ao longo do evento, Guilherme Magacho, economista sênior na AFD, reforçou a importância de criar modelos que sejam adequados à realidade do país, para que possam contribuir para políticas que, efetivamente, impactem a descarbonização da economia. “O Brasil tem suas peculiaridades, não pode apenas pegar modelos de fora e adaptar. Tem que fazer aqui, até mesmo para criar nossas competências, para adensar as cadeias produtivas nos setores que nos interessam”, defendeu.

Carlos de Miguel, da Cepal, ressaltou a profundidade das análises apresentadas durante o seminário e a importância de extrair dos modelos as “mensagens políticas” que levem ao objetivo de fazer a transição energética.

Além do Ipea, MF, Cepal e AFD, participaram do seminário representantes dos ministérios do Meio Ambiente (MMA), do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI); da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); da Universidade de Exeter; da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), do Banco Mundial e do Banco Central do Brasil (BCB).

2025\3\20-21 Seminário “Transformação Ecológica no Brasil: Ferramentas de Análise e Construção de Políticas Públicas”

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