Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Provas objetivas e discursiva do concurso público do Ipea serão neste domingo, dia 25

Helio Montferre/Ipea

No próximo domingo, dia 25 de fevereiro, serão aplicadas as provas objetivas e discursiva do concurso público do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para preenchimento de 80 vagas do cargo de técnico de planejamento e pesquisa. A Fundação Cesgranrio é a organizadora do certame.

As provas de conhecimentos gerais e discursiva serão no período da manhã. Já a prova de conhecimentos específicos ocorrerá no mesmo dia, no turno da tarde. A entrada só será permitida mediante a apresentação do cartão de confirmação de inscrição, que deve ser impresso na página da Cesgranrio e contém todas as informações sobre horários e local.

Os inscritos devem chegar ao local das provas com 1 hora de antecedência, portando o cartão de confirmação de inscrição, documento de identidade com foto utilizado na inscrição e caneta esferográfica de tinta preta e transparente.

O candidato aprovado terá jornada de trabalho de 40 horas semanais e remuneração inicial no valor de R$ 20.924,80 mensais. Todos assumirão o cargo de técnico de planejamento e pesquisa. Os resultados finais (das provas objetivas) e provisório (da prova discursiva) deverão ser publicados no dia 21 de março.

Acesse as informações sobre o concurso do Ipea

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Estudo aponta que políticas públicas adotadas nas últimas décadas permitiram a resposta à pandemia

Peter Ilicciev/ Fiocruz

A atuação do Sistema de Inovação em Saúde Brasileiro (Sisb) no enfrentamento da emergência sanitária provocada pela covid-19 mostrou que as competências da Fiocruz e do Butantan foram essenciais para a resposta rápida do Brasil à pandemia. Essa análise é foco de um estudo divulgado nesta sexta-feira (23) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O desenvolvimento de tais competências ocorreu como resultado de políticas implicitamente orientadas por missões, implementadas ao longo da história do país. No entanto, as insuficiências no desenho e na implementação dessas políticas contribuíram para explicar tanto o alcance quanto os limites da resposta brasileira.

O texto para discussão intitulado “A Resposta do Sistema Brasileiro de Inovação em Saúde à Covid-19: as políticas públicas e o papel da Fiocruz e do Butantan” analisou o papel dos dois laboratórios oficiais – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Butantan – no enfrentamento da pandemia de covid-19 no Brasil, a partir da análise do processo de construção de suas capacidades produtivas e inovativas e das políticas públicas que os apoiaram.

As pesquisadoras Priscila Koeller, analista de planejamento e orçamento na Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Ipea, em coautoria com as professoras e pesquisadoras Ana Lúcia Tatsch e Marisa dos Reis Azevedo Botelho, apontam no estudo que, do ponto de vista institucional, o esforço de enfrentamento da pandemia não foi capaz de aproveitar as oportunidades para potencializar o desenvolvimento do Sisb. A resposta não promoveu novas articulações, como uma maior interação entre os laboratórios públicos e as empresas privadas. O contexto de desarticulação das políticas de inovação também explica por que o desenvolvimento de vacinas se concentrou nas duas instituições (Fiocruz e Butantan), uma vez que não foram definidas, durante o período, políticas específicas para aprimorar o Sistema de Inovação em Saúde Brasileiro.

O trabalho ressalta que esse contexto de desarticulação das políticas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) que antecedeu o período pandêmico teve peso significativo na incapacidade do Brasil, em um primeiro momento, de desenvolver uma vacina própria para covid-19, ao contrário do que ocorreu em países como China e Índia. Além disso, as pesquisadoras chamam a atenção para o fato de laboratórios privados brasileiros não terem apresentado resposta alguma relacionada ao desenvolvimento de imunizantes durante a crise sanitária. A indústria nacional também enfrentou dificuldade em suprir a demanda por medicamentos e equipamentos necessários ao atendimento dos pacientes infectados. Até mesmo a capacidade de oferta de máscaras, aventais e outros equipamentos de proteção individual foi insuficiente.

Apesar das fragilidades do Sistema de Inovação em Saúde Brasileiro e das oportunidades não aproveitadas durante a pandemia, o estudo evidencia que políticas adotadas nas últimas décadas proporcionaram suporte para que a Fiocruz e o Instituto Butantan pudessem assegurar a oferta de vacinas, soros e medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, a oferta dessas vacinas foi baseada na estratégia de importação de tecnologia estrangeira.

Entre essas políticas, podem ser destacados a estratégia de identificação de missão específica, em que se estabelece um objetivo mais pontual, e o uso do poder de compra do Estado. Entretanto, apesar do aumento da capacidade produtiva de vacinas, não houve ampliação da capacidade de inovação endógena. O alcance da autossuficiência e independência nacional só será possível quando o país não apenas produzir, mas também desenvolver e inovar.

As pesquisadoras ressaltam a necessidade de articulação entre as políticas e os instrumentos utilizados para potencializar o Sisb para mudar o quadro atual. Elas apontam algumas medidas para promover essas mudanças, bem como o apoio à pesquisa e ao desenvolvimento de novos imunizantes e medicamentos, a estruturação da pesquisa não clínica e clínica, ampliação do parque produtivo, o desenvolvimento de fornecedores locais, especialmente de ingrediente farmacêutico ativo (IFA), o suporte e financiamento a startups e avanços na regulação. Além disso, destacam que os desafios só serão alcançados com uma política industrial e de inovação que persista às mudanças políticas. Para tanto, são necessárias recomposição robusta e a estabilidade de recursos para planejar e investir na infraestrutura científica e tecnológica do país.

Confira a íntegra do estudo

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Inflação impacta mais as famílias de menor renda em janeiro

Helio Montferre/Ipea

A inflação desacelerou em janeiro para as famílias de renda alta e média, mas avançou entre aquelas de renda baixa. O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mostra que a alta inflacionária no mês foi de 0,66% para o segmento de renda muito baixa e de 0,59% para o de renda baixa, refletindo, principalmente, o aumento de preços dos alimentos. As famílias com maiores rendimentos tiveram a menor variação no período (0,04%).

No acumulado em 12 meses até janeiro, porém, as famílias de renda muito baixa apresentaram a menor taxa de inflação (3,47%). A maior variação ficou com o segmento de renda alta (5,67%), conforme a tabela abaixo:

240219 tabela indicadores

Na análise por grupos, “alimentos e bebidas” e “saúde e cuidados pessoais” foram os que mais contribuíram para a inflação em janeiro. A maior pressão inflacionária para as classes de rendas mais baixas veio do grupo “alimentos e bebidas”, especialmente devido ao aumento dos preços dos alimentos no domicílio – como cereais (6,8%), tubérculos (11,1%), frutas (5,1%) e óleos e gorduras (2,1%). Em menor escala, o grupo “saúde e cuidados pessoais” também contribuiu para a inflação das classes de renda mais baixas, com os reajustes de 0,70% nos produtos farmacêuticos e 0,94% nos produtos de higiene pessoal.

Na comparação com janeiro de 2023, as duas classes de renda mais baixas não registraram desaceleração inflacionária. As faixas de renda muito baixa e baixa enfrentaram uma piora no cenário explicada, em boa parte, pelo desempenho dos alimentos no domicílio e dos artigos de higiene pessoal. As variações de preços desses itens, de 1,8% e 0,94%, respectivamente, ficaram acima das observadas no mesmo período de 2023 (0,60% e -1,3%).

Por sua vez, as faixas de renda mais elevada tiveram uma alta menos intensa da inflação no primeiro mês do ano, frente a janeiro de 2023. Isso ocorreu devido à melhora no comportamento das passagens aéreas, que registraram deflação de -15,2% este ano (-0,51% em janeiro de 2023). Os combustíveis também colaboraram para essa tendência, com uma queda de 0,39% em janeiro deste ano, ante um aumento de 0,68% no mesmo período de 2023.

Acesse a íntegra do indicador

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Alunos especiais podem concorrer a três vagas no Mestrado do Ipea

Estão abertas, até o dia 20 de fevereiro, as inscrições para três vagas na turma do Mestrado Profissional em Políticas Públicas e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O público-alvo são alunos especiais - aqueles não regulares, mas que se matriculam em uma disciplina ofertada no curso de mestrado.

Para a inscrição, os interessados devem preencher o requerimento de matrícula, anexar o certificado ou declaração de conclusão do ensino superior, de matrícula ou conclusão de pós-graduação em economia e currículo Lattes, e enviar para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Após análise, a Coordenação do curso entrará em contato com os candidatos aprovados.

As aulas serão ministradas na sede do Ipea, em Brasília. Desta vez, três disciplinas são ofertadas: às segundas-feiras, das 08h30 às 12h30, as aulas são de “Tópicos Especiais em Políticas Públicas: Democracia e Participação Política”, com o professor Daniel Pitangueira de Avelino; às quartas, os professores Aristides Monteiro Neto e Sandra Silva Paulsen ministram, das 18h30 às 22h30, a aula sobre “Território e Meio Ambiente”. Por fim, às sextas-feiras, o professor André de Mello e Souza lecionará a disciplina “Globalização e Inserção Internacional”, das 08h30 às 12h30.

Para mais informações, acesse a página do Mestrado.

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Boletim analisa aspectos que levaram a região Norte a liderar crescimento da violência no Brasil

A macrorregião Norte do Brasil se destaca no cenário brasileiro como uma das áreas onde a criminalidade e a violência letal mais cresceram recentemente. Por exemplo, a taxa de homicídios aumentou 260,3% na região entre 1980 e 2019, em comparação com a média nacional de 85% no mesmo período. Investigar as causas desse crescimento é uma das missões da edição nº 36 do Boletim de Análise Político-Institucional (Bapi), publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A publicação visa analisar os fenômenos que determinam os padrões de violência em diferentes partes do Brasil por meio de métodos qualitativos de pesquisa e análise.

Onze artigos do Boletim buscam discutir o problema da violência na região Norte sob diferentes pontos de vista. Esse debate está dividido em cinco eixos temáticos: dinâmica da violência e letalidade na região Norte; avanço da fronteira agrícola e conflitos fundiários; facções, tráfico de drogas e narcogarimpo; violência contra população indígena e povos tradicionais; e violência e instituições na região Norte. A edição é organizada por Maria Paula Santos, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, juntamente com as pesquisadoras bolsistas Angelina Parreiras e Victória Hoff da Cunha.

A análise reunida nesta edição revela um cenário abrangente e diverso do crime e da violência letal na região Norte do país, onde diversas causas econômicas, políticas e sociais se combinam para além da degradação ambiental. O boletim destaca conexões entre diferentes atores e processos criminais, incluindo grilagem de terras, exploração ilegal de recursos naturais e narcotráfico, além de fatores institucionais.

Elementos cruciais para a compreensão desse cenário incluem a expansão recente das facções criminosas de base prisional nos estados do Norte, o aumento da circulação de armas de fogo na região, o enfraquecimento das políticas e instituições de controle socioambiental e o incentivo à exploração predatória de recursos naturais pelo governo federal entre 2019 e 2022. Esses fatores ressaltam a necessidade urgente de políticas públicas coordenadas e eficazes.

O artigo que abre a publicação do Bapi aborda “Dinâmica dos homicídios na região Norte do Brasil”, de autoria de Danilo Santa Cruz Coelho, Alisson Gomes dos Santos e Henrique José de Paula Alves, traz dados estatísticos referentes à evolução histórica dos homicídios da região Norte, destacando os perfis das vítimas – raça, gênero, idade e escolaridade –, bem como os instrumentos utilizados pelos agressores.

Já o segundo artigo “Dinâmicas dos mercados ilegais, criminalidade e representações sobre a violência: a cartografia dos conflitos na faixa de fronteira Brasil, Colômbia e Peru no estado do Amazonas”, produzido por Pedro Rapozo, Reginaldo Conceição da Silva e Taciana de Carvalho Coutinho, apresenta o contexto específico da região de fronteira do Alto Solimões, no Amazonas, a partir dos estudos produzidos pelo Núcleo de Estudos Socioambientais da Amazônia (Nesam), situado em Tabatinga, Amazonas, onde atuam os autores.

O segundo eixo temático traz o artigo “Agrobandidagem e a expansão da fronteira na Amazônia Sul-Ocidental”, de Ricardo Gilson da Costa Silva, que se refere a expansão da fronteira agrícola e das economias extrativas na Amazônia Sul-Ocidental, cujos impactos sociais e ambientais atingem territórios protegidos e propriedades familiares.

O terceiro eixo, “Facções, tráfico de drogas e narcogarimpo”, abrange cinco artigos:  O primeiro, “Dinâmica da violência e do crime na macrorregião Norte do Brasil: o efeito das facções criminais”, de Camila Caldeira Nunes Dias, traz um diagnóstico das dinâmicas sociais, políticas e econômicas que possibilitaram a expansão das facções de base prisional sudestinas por todo o Brasil. O artigo seguinte, “Relações transfronteiriças do narcotráfico na Amazônia: dos crimes conexos aos desafios da segurança regional”, de Aiala Colares de Oliveira Couto, procura demonstrar como a fragilidade institucional, a falta de fiscalização e a negligência do Estado propiciaram o fortalecimento de redes criminosas no contexto transfronteiriço da região Norte.

O artigo “A cocaína na Amazônia: o tráfico de drogas e a redistribuição das redes criminais no sudoeste amazônico”, de Rodolfo Jacarandá, tratar da relação dos estados do Acre, de Rondônia e de Mato Grosso com os países de fronteira, Peru e Bolívia, dois dos maiores produtores mundiais de cocaína. Enquanto o artigo “Narcogarimpo” na Terra Indígena Yanomami, de Rodrigo Chagas, foca nos modelos de negócios adotados diferencialmente pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo; e Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro junto às áreas de garimpo na Terra Indígena Yanomami (TI Yanomami).

O artigo “Violência e povos indígenas na Amazônia brasileira”, de Frederico Barbosa e Isabella Lunelli, apresenta um quadro ampliado das violações de direitos e de elementos estruturais – como a ideologia integracionista – que perpetuam a exclusão e a violência contra os povos indígenas no Brasil.

A edição se encerra com o eixo temático “Violência e instituições na região Norte”, sendo dois ensaios: “Muito além das facções: uma agenda de pesquisas sobre ilegalismos, violências e Estado na Amazônia”, por Fábio Candotti e Flávia Melo; e por fim, o artigo “Matar e morrer no Amapá: letalidade policial, sensos de justiça e regimes de desumanização”, de Marcus Cardoso, Carolina Lemos, Vinícius Barriga, Jade Figueiredo e Juliana Rocha.

Confira aqui a íntegra da edição nº 36 do Boletim de Análise Político-Institucional

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Contas do governo central têm estimativa de superávit primário de R$ 77,9 bilhões em janeiro

Helio Montferre/Ipea


O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou, nesta sexta-feira (9), uma estimativa preliminar do resultado primário das contas do governo federal em janeiro de 2024. A previsão é de um superávit primário de R$ 77,9 bilhões no mês. A despesa total somou R$ 158,3 bilhões, um crescimento de 6,7% em relação a janeiro de 2023. Já a receita líquida do governo central totalizou R$ 236,1 bilhões, representando um aumento de 2,3% na mesma base de comparação, todas as variações em termos reais.

Na comparação entre janeiros, as receitas administradas pela Receita Federal do Brasil (RFB) registraram alta de R$ 10,8 bilhões (5,8%). O bom desempenho das receitas administradas foi impactado pela elevação da arrecadação do Imposto de Renda em R$ 2,7 bilhões (2,6%), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em R$ 6,5 bilhões (25,5%) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em R$ 2,6 bilhões (8,9%).

Adicionalmente, houve aumento na arrecadação de receitas previdenciárias do regime geral de previdência social (RGPS), com alta de 9,3% (R$ 4,5 bilhões), e queda de 16,4% (R$ 5,7 bilhões) nas receitas não administradas pela RFB, parcialmente justificado pelo pagamento de dividendos da Petrobras, no montante de R$ 6,6 bilhões, que ocorreu em 2023 sem contrapartida em janeiro deste ano.

Quanto às despesas, estima-se um crescimento de R$ 10 bilhões em relação a janeiro de 2023, equivalente a 6,7%. Esse aumento é explicado pelo incremento no pagamento de benefícios da previdência social na ordem de R$ 2,9 bilhões (4,4%); BPC/RMV em R$ 1,2 bilhão (16,1%); Fundeb em R$ 1,5 bilhão (21,5%); subsídios, subvenções e Proagro em R$ 1,1 bilhão (65,3%); e pelas despesas discricionárias em R$ 1,2 bilhão (23%).

Os dados acumulados em doze meses até janeiro deste ano indicam um déficit primário de R$ 236,4 bilhões, ante o superávit de R$ 49,4 bilhões no mesmo período terminado em janeiro de 2023.  Em janeiro, a receita total apresentou um crescimento real de 3,6%, quando comparada com o montante arrecadado no mesmo mês do ano passado.

Nesse período, a receita total registrou uma variação real negativa de 2,7%, uma queda de R$ 67,9 bilhões. Dois fatores principais contribuíram para esse resultado: uma menor arrecadação de receitas não administradas pela RFB, com redução de R$ 95,3 bilhões no período, ou 22,9%; e uma retração de 0,4% nas receitas administradas pela RFB, equivalente a R$ 5,9 bilhões. Por sua vez, a receita do RGPS acumula um crescimento real de 5,8%, no montante de R$ 33,4 bilhões.

Ao mesmo tempo, as despesas totais cresceram R$ 242,1 bilhões (12,5%), com as maiores variações ocorrendo nas despesas obrigatórias com controle de fluxo, no valor de R$ 92,6 bilhões (38,4%), impactadas pela revisão do programa Bolsa Família no ano passado. Além disso, os principais itens desse crescimento foram os pagamentos de benefícios previdenciários, totalizando R$ 65,7 bilhões (7,7%); precatórios, no valor de R$ 53,7 bilhões (291,7%); e despesas discricionárias em R$ 24,1 bilhões (14,8%).

Acesse a íntegra do estudo  

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Acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia traria benefícios econômicos para o Brasil

Um estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) concluiu que o Brasil seria beneficiado em termos de aumento do produto interno bruto (PIB), de investimentos e de ganhos na balança comercial caso o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entre em vigor. Entre 2024 e 2040, o acordo provocaria um crescimento de 0,46% no PIB brasileiro – o equivalente a US$ 9,3 bilhões a preços constantes de 2023 –, em relação ao cenário de referência. O estudo mostra também que, em termos relativos, o país obteria ganhos maiores que os da União Europeia (aumento de 0,06% no PIB) e dos demais países do Mercosul (alta de 0,20%).

As negociações entre os dois blocos se arrastam há 25 anos e o tema voltou às manchetes na semana passada, quando a Comissão Europeia reiterou o interesse em concluir o acordo, apesar da oposição da França. Os autores consideraram como referência os dados e projeções de PIB feitas pelo Fundo Monetário Internacional para os anos de 2014 a 2026. Até 2040, as taxas de crescimento do último ano foram replicadas.

O acordo aumentaria os investimentos no Brasil em 1,49%, na comparação com o cenário sem a parceria. Nesse sentido, a exemplo do PIB, o Brasil também teria vantagens substancialmente maiores do que a União Europeia (0,12%) e os demais países do Mercosul (0,41%). Na balança comercial, o país teria um ganho de US$ 302,6 milhões, ante US$ 169,2 milhões nos demais países do Mercosul e queda de US$ 3,44 bilhões na União Europeia (UE), com as reduções tarifárias e concessões de cotas de exportação previstas.

O aumento da importação brasileira em função do acordo seria mais expressivo nos primeiros anos, chegando a um pico de US$ 12,8 bilhões em 2034. Depois, recuaria para US$ 11,3 bilhões em 2040. As exportações, por sua vez, aumentariam continuamente no período até alcançarem um ganho acumulado de US$ 11,6 bilhões, como resultado de três possíveis efeitos: a queda das tarifas de importação na UE; o aumento das quantidades exportadas em alguns setores, em função das cotas de exportação concedidas pela UE; e a redução do custo doméstico de insumos e de bens de capital propiciado pela queda das tarifas no país, tornando os produtos brasileiros mais baratos e competitivos no mercado internacional.

No caso da União Europeia, as importações cresceriam mais rapidamente nos primeiros anos e continuariam evoluindo mais lentamente após o 10º ano do acordo, até alcançarem um ganho de 0,16% em 2040. As exportações também aumentariam, mas em nenhum momento superariam as importações, fechando 2040 com ganho de 0,12%. Para os demais países do Mercosul, as importações subiriam nos primeiros dez anos do acordo, atingindo em 2034 variação de 1,10%, mas perderiam fôlego nos anos seguintes, com a variação acumulada recuando para 0,92% em 2040. Já as exportações teriam queda nos primeiros seis anos do acordo, revertendo o movimento e passando a crescer, até atingirem alta de 0,97% em 2040.

“O benefício que o Brasil teria com o acordo é maior que o dos parceiros do Mercosul porque a economia brasileira é mais diversificada e teria ganhos mais extensos em termos setoriais”, explicou Fernando Ribeiro, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, um dos autores do estudo, ao lado de Admir Junior e Weslem Faria. “Em relação à UE, o ganho do Brasil é maior em termos de percentual do PIB. A economia da UE é muito maior que a brasileira e, normalmente, quando um parceiro grande faz acordo com um menor, os ganhos que ele tem são proporcionalmente menores. Então, é natural que o Mercosul e, em especial, o Brasil, tenham benefícios proporcionalmente maiores com o acordo”, completou.

As simulações revelaram ainda que o acordo teria efeitos sobre o valor da produção e o nível de emprego, com um padrão bem marcante no Brasil: quase todos os setores do agronegócio observariam ganhos, e as perdas seriam concentradas em alguns setores industriais, com destaque para veículos e peças; metais ferrosos; artigos do vestuário e acessórios; produtos de metal; têxteis; farmacêuticos; máquinas e equipamentos; e equipamentos eletrônicos.

Acesse a íntegra do estudo

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Ipea debate Rotas da Integração da América do Sul em conferência regional

Créditos / Foto CAF

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) marcou presença na Conferência “Uma Região de Soluções Globais”, promovida pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) na Cidade do Panamá. O técnico de planejamento e pesquisa Pedro Silva Barros e a secretária-adjunta de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do Ministério do Planejamento e Orçamento, Vanessa Carvalho, participaram do painel que apresentou a iniciativa Rotas de Integração do Brasil com os demais países da América do Sul. Moderado pelo gerente de infraestrutura da CAF, Toni Silveira, o painel, realizado em 01/02, discutiu os desafios mais relevantes para o processo de integração da América do Sul e formas de assegurar uma governança duradoura para esse processo.

O pesquisador apresentou análises da Diretoria de Estudos Internacionais do Ipea sobre o avanço da produção brasileira para Oeste, com alto crescimento das exportações de estados mediterrâneos, como o Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia, que se dirigem majoritariamente para a Ásia-Pacífico, e como o Acre, Amazonas e Roraima, que têm em seus vizinhos – respectivamente Peru, Colômbia e Venezuela – o principal destino de suas vendas externas. Esse movimento ocorreu concomitantemente ao maior dinamismo do mercado asiático e ao avanço da participação do Brasil no total das exportações mundiais de produtos como carnes e algodão.

Barros também destacou as características do comércio intrarregional, que será ampliado com as rotas de integração: alta participação de produtos com maior intensidade tecnológica, mais acessíveis às pequenas e médias empresas, e oportunidade mais viável para iniciar o processo de internacionalização de setores que tradicionalmente se dirigem exclusivamente ao mercado doméstico.

Vanessa Carvalho pontuou a importância da criação de mecanismos efetivos de coordenação interna, nos países, entre os órgãos intervenientes, e de coordenação externa, para garantir uma governança perene para o tema, de modo que ele siga avançando. Ela informou que o Ministério do Planejamento e Orçamento pretende criar uma Comissão Interministerial para promover esta coordenação.

A secretária-adjunta reforçou que uma governança orientada por objetivos comuns, como aquela que já existe em torno do Eixo de Capricórnio – uma das 5 rotas de integração – pode ser utilizada como um bom modelo de governança nas demais rotas. Por fim, destacou o papel dos bancos de desenvolvimento em alavancar recursos que permitam aos países superar restrições fiscais para o financiamento desses projetos, e que o apoio técnico dessas instituições também terá papel relevante para que tenhamos projetos bem estruturados e planejados em cada uma das rotas priorizadas.

O Ipea participa do Subcomitê de Integração e Desenvolvimento da América do Sul do Ministério do Planejamento e Orçamento. 

Publicações do Ipea sobre integração física da América do Sul estão disponíveis no Portal Ipea.

Confira, também, o roteiro de pontos debatidos, com mapas, dados e hyperlinks para os estudos originais
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Acesse o vídeo com a íntegra da Conferência

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Seminário debate processo de recuperação do mercado de trabalho brasileiro

Helio Montferre/Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) promoveu na tarde de quinta-feira (1º de fevereiro) mais uma edição do Seminário das Quintas. Nessa edição, a Nota Técnica 112, que tem como tema “Conjuntura do Mercado de Trabalho no Brasil – Análise dos Dados até o Terceiro Trimestre de 2023”, foi a pauta em debate. O estudo conclui que o mercado de trabalho brasileiro segue em processo de recuperação e a população ocupada fechou o terceiro trimestre na casa dos 99,8 milhões de trabalhadores, alta de 0,6% frente ao mesmo período do ano anterior. O segmento formal registrou alta de 1,1%, enquanto os empregos informais tiveram um recuo de 0,1%. A nota aponta ainda que o total de assalariados com carteira de trabalho assinada no Brasil ficou em 48%, superior ao mesmo trimestre de 2022, que foi 47,2%.

Segundo a nota, os setores com maiores índices de formalização de sua força de trabalho são ligados à atividade industrial – indústria extrativa (87,5%), serviços industriais de utilidade pública (80,9%) e indústria de transformação (66,7%) –, bem como os de administração pública (75,0%) e saúde e educação (68,1%), todos com mais de dois terços de sua força de trabalho ocupada em condição formalizada. Por sua vez, os setores de serviços pessoais (17,8%), agropecuária (19,5%), construção civil (24,2%), serviços domésticos (24,5%) e alojamento e alimentação (31,3%) apresentam os menores percentuais, com menos de um terço de sua força de trabalho formalizada.

A pesquisa destaca que a taxa de desocupação foi de 7,7% no trimestre, diminuição de um ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano anterior. “Agora já chegando num patamar estacionário, em que cada vez mais fica difícil de diminuir. Nas metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8 (que tratam de trabalho decente e crescimento econômico), para 2030, o Brasil se comprometeu com uma taxa de 6,9%. Estamos caminhando para isso, mas quanto mais baixa a taxa, mais difícil é de diminuir”, explicou o técnico de planejamento e pesquisa Sandro Pereira Silva, um dos autores da nota. O trabalho também é assinado pelos pesquisadores bolsistas Gabriela Carolina Rezende Padilha e Léo Veríssimo Fernandes, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc).

O Brasil tem um contingente de 8,3 milhões de indivíduos em situação de desemprego involuntário e mais da metade da população ocupada está na informalidade. “Cerca de um terço dessa população de 8,3 milhões em situação de desocupação está nessa condição há mais de um ano. Sabemos que, quanto mais tempo a pessoa se mantém nessa situação de desocupação, mais difícil é sua reintegração (ao mercado de trabalho). É uma população que precisa ser observada e ser objeto de políticas públicas”, completou Silva.

O Seminário das Quintas tem por objetivo avaliar trabalhos realizados pela Disoc. Ele é transmitido ao vivo pelo canal oficial do Ipea no YouTube. Além dos autores dos estudos em debate, outros pesquisadores com notório histórico de produção nos segmentos em pauta participam. Nesta edição, o mediador foi o técnico de planejamento e pesquisa José Aparecido Ribeiro.

Assista esta edição do Seminário das Quintas

Confira a íntegra da Nota Técnica 112

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Aula magna marca início do ano letivo no Mestrado Profissional do Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) promoveu, na manhã desta segunda-feira, (29/01) a aula magna do Mestrado Profissional em Políticas Públicas e Desenvolvimento, dando início às atividades de 2024. A aula foi ministrada pelo secretário de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas e Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento e Orçamento, Sergio Pinheiro Firpo. Além dele, participaram da solenidade o presidente substituto do Ipea, Claudio Roberto Amitrano, o coordenador de Pós-Graduação e Capacitação do Ipea, Almir de Oliveira Junior, e o especialista em políticas públicas e gestão governamental Daniel Pitangueira de Avelino.

“Este mestrado foi pensado para oferecer o conhecimento técnico e acadêmico que temos aqui no Ipea, associado ao conhecimento tácito, prático, que também possuímos, por meio de nossa interação com os demais órgãos do Estado brasileiro, sobre a produção de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento brasileiro”, disse Amitrano. Ele falou sobre o histórico do Ipea na capacitação e formação de quadros que possam atuar no aperfeiçoamento de políticas públicas. “Acreditamos que a boa política pública é capaz de auxiliar na construção de uma trajetória de desenvolvimento virtuosa e positiva e que legue à toda sociedade brasileira um bom padrão de vida.”

Firpo abordou a atuação da Secretaria de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas e Assuntos Econômicos (SMA) e a trajetória a partir da recriação do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), por meio do desmembramento do antigo Ministério da Economia. Ele explicou os quatro eixos de atuação da SMA, divididos entre apoio ao aprimoramento das políticas públicas, institucionalização de revisão de despesas, a comunicação e debate de avaliações com gestores, Congresso e sociedade, e a articulação e fomento.

O secretário também apresentou o histórico do Conselho de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas (CMAP) e assinalou sua importância. “A avaliação pode melhorar a qualidade do gasto”, resumiu ele. “A avaliação vai medir se aquela política pública é efetiva, se tem uma taxa de cobertura adequada, se atende à população alvo, se há desperdícios.”

Ele falou ainda do processo de aperfeiçoamento das políticas públicas por meio da associação entre as avaliações e os indicadores atribuídos a cada uma delas, bem como pelo diálogo com os gestores das políticas. “Essa relação com os gestores de políticas públicas é fundamental para que a avaliação seja bem-feita e para que as recomendações sejam, de fato, usadas pelos gestores”, declarou. “Nesse sentido, tenho de reconhecer que o Ipea tem tido um papel fundamental nesses processos de avaliação ao longo dos anos. Trabalhamos na Secretaria com executores e coordenadores de avaliações. O Ipea tem trabalhado tanto na execução quanto na coordenação nas várias avaliações que têm sido fundamentais para que a gente possa entender quais são os principais problemas e obstáculos das políticas e oferecer soluções para os gestores.”

Confira aqui a íntegra da Aula Magna do Mestrado Profissional em Políticas Públicas e Desenvolvimento

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