Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Plano apresentado pelo Ipea e MMA oferece subsídios para fortalecer Sistema Nacional do Meio Ambiente nos próximos 10 anos

Foto: Thiago Albuquerque/Ipea

Consolidar e estruturar o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), com foco nos próximos 10 anos e considerando a atuação integrada do governo federal, estados e municípios. Esse é o objetivo dos subsídios para o Plano Decenal de Fortalecimento do Sisnama, apresentados nesta terça-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

A apresentação do documento, bem como de um Sumário Executivo do Diagnóstico do Sistema Nacional do Meio Ambiente, foi um dos destaques da solenidade realizada na sede do Ibama em comemoração ao aniversário de 45 anos do Sisnama, instituído pela Lei nº 6.938/1981. Ambos os trabalhos podem ser conferidos na plataforma Brasil Participativo, onde há uma consulta pública aberta que possibilita à população enviar suas sugestões, até o dia 7 de abril, para o Plano Decenal de Fortalecimento do Sisnama.

As pesquisas que resultaram nestes produtos foram realizadas pela Coordenação de Estudos em Sustentabilidade Ambiental da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur) do Ipea entre 2024 e 2025, por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado junto ao MMA.

Para o levantamento dos dados utilizados, foram realizadas entrevistas com gestores ambientais e aplicada uma enquete com a participação de mais de 2 mil pessoas de todos os estados brasileiros e mais de 700 municípios. Entre os participantes, estão servidores e gestores de diversos órgãos e instituições federais, estaduais/distritais e municipais, integrantes de organizações da sociedade civil, acadêmicos e representantes de colegiados.

Durante o lançamento do Plano Decenal, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, agradeceu ao Ipea pela parceria e destacou que o Brasil precisa contar com um sistema forte para avançar na agenda da sustentabilidade.

“Para que haja de fato controle e participação social na formulação e na implementação das políticas e nos processos de autocorreção do sistema, é preciso que a gente tenha um Sisnama fortalecido. A política ambiental é transversal, e é de responsabilidade do governo federal, dos estados, dos municípios e da sociedade civil. Ela precisa de densidade para ter condições de se expandir”, afirmou.

A presidenta do Ipea, Luciana Servo, salientou que a entrega do Plano de Fortalecimento do Sisnama está alinhada à missão do Instituto de qualificar a tomada de decisão do Estado e o debate público através da pesquisa informada por evidências. “Essa pesquisa cumpre todos os requisitos do que a gente entende que é um bom trabalho feito pelo Ipea. Ela não se olhou somente como a entrega de uma consultoria, mas também como parte de um pensar sobre o Estado brasileiro. Foi desenhada de forma muito inteligente, com o propósito de olhar o Sisnama como um sistema e promover o diálogo com seus atores federativos: o governo federal, os governos estaduais e os municípios”, disse.

Visão Sisnama 2036

O objetivo do Plano Decenal é que, em 2036, o Sisnama seja um sistema cooperativo, capilarizado e financeiramente sustentável, com presença institucional efetiva nos territórios e capacidades institucionais consolidadas nos municípios. Dessa forma, assegurará a implementação integrada da Política Nacional do Meio Ambiente e a efetivação do direito constitucional ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Para isso, o documento propõe que, no eixo Governança, sejam fortalecidas a Comissão Tripartite Nacional e as Comissões Tripartites Estaduais, e qualificados os colegiados ambientais. Além disso, destaca a necessidade de implementação do Sistema Nacional de Informações sobre Meio Ambiente (Sinima) como instrumento nacional de integração e governança das informações ambientais do Sisnama.

No eixo Capacidades, o Plano sugere a definição de um Referencial Nacional de Capacidades Institucionais para a Gestão Ambiental Municipal, incluindo dimensões relacionadas a recursos humanos, qualificação técnica, infraestrutura administrativa e capacidade de execução orçamentária. Outra proposta é o estabelecimento de um Programa Nacional de Fortalecimento da Gestão Ambiental Municipal, compreendendo diagnóstico, metas e mecanismos de cooperação federativa, e de um Programa Nacional de Formação e Capacitação de Gestores (PNC), voltado aos três níveis federativos.

Em relação ao eixo Sustentabilidade Financeira, o Plano propõe a definição de uma Estratégia Nacional de Financiamento do Sisnama de médio e longo prazo, bem como o aperfeiçoamento e diversificação das fontes orçamentárias destinadas ao financiamento do Sistema. Defende, ainda, a instituição de um mecanismo permanente voltado a potencializar o acesso a recursos extraorçamentários nacionais e internacionais.

Para fins de monitoramento e avaliação, os mecanismos propostos também contemplam a instituição de um Relatório Bienal do Sisnama que embasará a revisão estratégica do Plano, a cada três anos.

A coordenadora de Estudos em Sustentabilidade Ambiental da Dirur, Adriana Moura, destacou que um dos desafios a serem enfrentados para o aperfeiçoamento do Sisnama é que a gestão nos territórios permanece fragmentada. “Constatamos que é necessária uma visão abrangente do território, principalmente por biomas, para que os entes possam cooperar em questões comuns nesses territórios. Essa cooperação ainda é insuficiente”, disse.

Conforme Gesmar Rosa dos Santos, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e um dos integrantes da equipe responsável pela pesquisa, duas questões fundamentais são o levantamento preciso dos custos de manutenção do Sisnama e dos fundos de financiamento do sistema.

“Também temos dúvidas sobre como fortalecer a participação social, e temos interesse em continuar discutindo esse assunto com a sociedade civil. Tivemos grandes aprendizados com o Ministério do Meio Ambiente, com a Associação Nacional de Municípios e Meio Ambiente (Anamma) e a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), e isso tem que ser convertido em dados devolutivos para a sociedade”, apontou.

Homenagem a Paulo Nogueira Neto

No início da solenidade, foi realizada uma homenagem ao professor universitário e ambientalista Paulo Nogueira Neto (1922-2019), primeira pessoa a ocupar a coordenação da Secretaria Especial do Meio Ambiente, que deu origem ao MMA, e um dos responsáveis pela criação do Sisnama.

Além da entrega simbólica de uma placa a seu filho Paulo Nogueira Júnior, que participou do evento de forma remota, foi descerrada a placa que nomeia o Auditório Professor Paulo Nogueira Neto no edifício sede do Ibama. Também foi realizado o plantio de mudas de palmeiras nativas nos jardins do local.

O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, sublinhou a importância do trabalho de Nogueira Neto para a construção da política ambiental brasileira. “Ele era uma referência para mim desde que eu era muito jovem. Trabalhei com educação ambiental e usava documentos feitos pelo Paulo, até que fui conhecê-lo no ano 2000, quando eu estava no Conama e ele representava a Associação de Defesa do Meio Ambiente (Adema) de São Paulo. Convivi com ele por 11 anos e estamos muito felizes por homenagear o Paulo com o nome desse auditório, pois é um reconhecimento muito justo e merecido”, realçou.

2026\03\10 - Sisnama 45 Anos – Caminhos para o Fortalecimento da Cooperação Federativa

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Presidenta do Ipea participa de painel sobre economia do Nordeste em evento do Banco do Nordeste

Foto: 2S Produções

As políticas de transferências de renda e de redução da pobreza extrema, somadas à dinâmica do mercado de trabalho, estão dando boas condições ao Nordeste para se destacar no cenário nacional. Foi o que afirmou a presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Servo, durante o painel “Economia do Nordeste, cenário macroeconômico e estratégia de atuação do BNB”, realizado pelo Banco do Nordeste, na última quinta-feira, 5, em Natal (RN).

Luciana cita a queda da taxa de pobreza extrema no Brasil de 17,7%, em 2022, para 6,6% em 2024. “Essa redução da pobreza foi puxada pelo Nordeste. Sessenta por cento da redução da pobreza que aconteceu nesse período veio da Região”, afirma.

As expectativas de juros e inflação são fatores favoráveis ao Nordeste, avalia Rogério Sobreira, economista chefe do Banco do Nordeste (BNB). A estimativa é que a inflação fique em 4%, este ano, e a taxa básica de juros fique entre 12,5 e 12%, estimulando novos investimentos e o consumo das famílias. 

Esse cenário dá continuidade ao movimento que a região já vem registrando nos últimos anos, avalia o economista. “Enquanto, no Brasil, a taxa de desocupação caiu 3,7 pontos percentuais, entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, no Nordeste, a queda foi de nada menos que 5,2 pontos percentuais”, afirma.

Cenário internacional

A economia do Nordeste também deve manter sua resiliência frente a crises mundiais e continuar seu crescimento, de acordo com Rogério Sobreira. Os impactos de conflitos internacionais no Irã podem surtir poucos efeitos devido à expectativa de que não durem mais de três meses, tempo considerado curto para criar grandes impactos nos preços internacionais de commodities como o petróleo.

O sócio e Global Head da Vinci Compass e diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças, José Carlos Carvalho, avalia que o Brasil está bem posicionado em relação aos conflitos mundiais e ainda pode se beneficiar do cenário macroeconômico. “Há uma coisa interessante acontecendo nos Estados Unidos: eles estão desacelerando o crescimento, ainda é um nível bom, de 2%. A China anunciou que vai crescer entre 4,5 e 5%, diminuindo seu crescimento muito pouco em relação ao que observado no passado. E a China importa 40% das commodities do Brasil. Então se o mundo crescer muito, os bancos centrais têm de subir os juros e isso é ruim para o Brasil. Se o mundo entrar em recessão, é ruim porque o Brasil exporta commodities. O mundo morno, que é o que está acontecendo, é bom para o Brasil”, avalia.

*Com informações da Assessoria de Imprensa do Banco do Nordeste

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Construído com apoio do Ipea, plano para fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente será lançado nesta terça pelo MMA

Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real

Em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lança, nesta terça-feira (10), um documento com subsídios para o Plano Decenal de Fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). A solenidade, que será realizada a partir das 9h na sede do Ibama (SCEN Trecho 2 - Edifício Sede - L4 Norte), integra as comemorações pelo aniversário de 45 anos do Sisnama, instituído pela Lei nº 6.938/1981.

Além dos subsídios para fortalecimento do Sistema, um Sumário Executivo do Diagnóstico do Sisnama também será apresentado durante o evento. As pesquisas foram realizadas pela Coordenação de Estudos em Sustentabilidade Ambiental da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur) entre 2024 e 2025, por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado junto ao MMA. As metas principais do projeto foram a realização de um Diagnóstico sobre o Sisnama e a elaboração de propostas para subsidiar o fortalecimento do Sisnama e seus instrumentos.

Para o levantamento dos dados utilizados no estudo, foram realizadas entrevistas com gestores ambientais e aplicada uma enquete com a participação de mais de 2 mil pessoas de todos os estados brasileiros e mais de 700 municípios. Entre os participantes, incluem-se servidores e gestores de diversos órgãos e instituições federais, estaduais/distritais e municipais, integrantes de organizações da sociedade civil, acadêmicos e representantes de colegiados.

Articulação avança, mas falta financiamento e infraestrutura

Entre as conclusões do estudo, está a constatação de que ao longo de seus 45 anos de existência, o Sisnama alcançou importantes avanços, mas ainda há desafios relevantes a serem superados, principalmente fragilidades da gestão ambiental no nível municipal. Os Sistemas Estaduais de Meio Ambiente (Sisemas) foram implantados em todas as UFs, mas o quadro é bastante heterogêneo, com estados com infraestruturas e capacidades administrativas avançadas e outros com capacidades ainda insuficientes para uma gestão ambiental efetiva.  

De modo geral, as Comissões Tripartites nos níveis federal e estadual, compostas por representantes das esferas federal, estadual/distrital e municipal, são consideradas de grande importância para coordenar a gestão ambiental e precisam de maior protagonismo. Além disso, foram identificadas boas práticas de gestão territorial ou de concretização de parcerias praticadas entre os entes federativos de diferentes regiões do país.

No entanto, o Sisnama enfrenta limitações consideráveis em todas as esferas de governo, como falta de servidores efetivos e recursos orçamentários insuficientes. A falta de pessoal aparece como o aspecto mais crítico, apontado por 82,6% dos respondentes federais, 77,3% estaduais/distritais e 68,2% municipais.

Os mecanismos institucionais de participação do Sistema – tais como conselhos, comissões, comitês de bacia, conferências e audiências públicas – vêm ampliando a presença formal da sociedade nos espaços de governança ambiental. Contudo, tais mecanismos ainda enfrentam desafios de representatividade, capacidade técnica, continuidade e efetividade política.

Conforme Gesmar Rosa dos Santos, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e um dos integrantes da equipe responsável pela pesquisa, o Sisnama teve avanços importantes em seus 45 anos, mas enfrenta obstáculos. “O Sistema avançou no aspecto institucional, na definição de obrigações, nas respostas de proteção ambiental, mesmo com pequena estrutura administrativa e com escassos recursos de pessoal e financeiros. Entretanto, há grandes lacunas tanto de capacidades institucionais, de infraestrutura e de recursos financeiros, quanto de governança, de capacitação de pessoal e de articulação participativa dentro e fora dos órgãos que o compõem”, resume.

Júlia Benfica Senra, também técnica do Ipea e atuante no projeto, aponta algumas iniciativas propostas para que o Sisnama possa alcançar um novo patamar de consolidação. “Algumas medidas administrativas consideradas importantes para o aprimoramento da gestão ambiental incluem a capacitação e qualificação continuada de servidores; melhoria da remuneração e do plano de carreira; realização de concursos para os órgãos ambientais; geração, organização e integração de dados ambientais; e padronização de procedimentos internos e digitalização de processos”, diz.

Ela destaca que é importante realizar o dimensionamento de capacidades de pessoal e de infraestruturas necessárias para cumprir as responsabilidades de cada ente considerando a execução de todos os instrumentos da política ambiental. Salienta também que é preciso focar no auxílio a municípios com as maiores dificuldades, tendo como parâmetro as características territoriais de cada bioma no qual se encontram. “Outra medida essencial é o aperfeiçoamento e a ampliação das fontes e dos mecanismos de financiamento do Sisnama, com vistas a garantir um orçamento perene e suficiente para a execução das políticas e da governança ambiental no Brasil”, afirma Senra.

Após o evento, o MMA promoverá uma consulta pública por meio da Plataforma Participa + Brasil para coletar novas propostas da população. Na sequência, será feita a consolidação das sugestões recebidas com o objetivo de desenvolver e implementar o Plano Decenal de Fortalecimento do Sisnama. Todas essas etapas contarão com a participação do Ipea.

Sobre o Sistema Nacional do Meio Ambiente

O Sisnama, instituído pela Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) - Lei nº 6.938/1981, constitui a estrutura organizacional responsável pela gestão ambiental no Brasil. Integra órgãos e instituições de todos os níveis de governo – federal, estadual/distrital e municipal – com o objetivo de proteger e melhorar a qualidade ambiental do país.

Desde a criação do MMA, em 1992, vêm sendo implementadas diversas ações voltadas à estruturação do Sisnama. A partir da década de 1990, destacam-se iniciativas que buscaram fortalecer a capacidade institucional e a articulação federativa do Sistema, como o Programa Nacional do Meio Ambiente (PNMA I e II). Em 2004, foram instituídas as Comissões Tripartites, posteriormente consolidadas pela Lei Complementar nº 140/2011, que dispõe sobre a cooperação e as atribuições dos entes federativos na gestão ambiental.

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Demanda interna por bens industriais tem recuo de 2,6% em dezembro

Foto: Pedro Revillion Palácio Piratini

O Indicador Ipea Mensal de Consumo Aparente de Bens Industriais recuou 2,6% na comparação entre dezembro e novembro, na série com ajuste sazonal. Na comparação mensal houve queda de 1,8% na produção destinada ao mercado interno, enquanto as importações de bens industriais recuaram 6,1%. Apesar da desaceleração no fim do ano, o consumo aparente acumulou alta de 1,1% em 2025.

O trimestre móvel encerrado em dezembro registrou queda de 2,3% frente ao trimestre terminado em setembro. Na comparação interanual, o indicador mensal caiu 3,2% em relação a dezembro de 2024, enquanto a variação das médias móveis trimestrais foi negativa em 2,1%.

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Entre as classes de produção, a indústria extrativa apresentou queda de 14,8% na margem, após alta de 10,1% no período anterior. No trimestre móvel, o recuo foi de 3,9%. Já o consumo aparente da indústria de transformação caiu 2,3% na comparação dessazonalizada, acumulando retração de 1,7% no trimestre encerrado em dezembro.

Na desagregação por grandes grupos econômicos, houve retração disseminada na comparação dessazonalizada, com destaque para as quedas de bens de capital (-5,3%) e bens intermediários (-4,3%). No trimestre, destacou-se o avanço de bens de consumo duráveis (9,5%) e, no acumulado em doze meses, os bens de capital lideraram o crescimento (6,2%).

Na desagregação setorial, entre os 22 segmentos da indústria de transformação, apenas seis cresceram na comparação com o mês anterior. Com isso, o índice de difusão, que mede a proporção de setores em alta, caiu de 50,0% em novembro para 27,3% em dezembro.

Na comparação interanual, nove segmentos cresceram em dezembro, com destaque para farmoquímicos (15,8%) e borracha e plástico (7,0%). No acumulado em doze meses, quatorze setores avançaram em 2025, liderados por outros equipamentos de transporte (34,5%), máquinas e equipamentos (6,0%) e têxteis (5,3%).

O indicador ilustra a demanda interna por bens industriais, definida como a parcela da produção industrial doméstica destinada ao mercado interno, adicionada às importações.

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Aliança Global contra a Fome e a Pobreza inaugura escritório no Ipea para transformar compromisso político em ação concreta

Foto: Thiago Albuquerque/Ipea

Brasília foi oficializada, nesta semana (3 de março), como um dos centros de iniciativa global voltada ao combate à fome e à pobreza. O edifício-sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) passou a abrigar um dos escritórios do Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, cuja sede fica na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma.

A cerimônia marcou o estabelecimento de uma estrutura técnica dedicada a conectar demandas nacionais a financiamento e conhecimento especializado. O escritório em Brasília atuará em sinergia com a sede, em Roma, e com outros polos regionais, fortalecendo a articulação entre países-membros da Aliança da América Latina e Caribe e dos demais continentes.

Antes da solenidade, a primeira-dama Janja Lula da Silva visitou as instalações do escritório no Ipea e destacou o papel estratégico do Instituto na produção de evidências para políticas públicas. “É fundamental o trabalho do Ipea para o desenvolvimento de muitas políticas públicas. A gente reconhece e agradece”, afirmou. Janja também ressaltou que o momento marca a passagem da fase de construção institucional para a implementação efetiva: “agora é a Aliança funcionando, o mecanismo funcionando e as políticas públicas sendo implementadas nos países”.

A Aliança Global e o Brasil como ator estratégico no combate à fome

A abertura reuniu autoridades do governo federal, do Ipea e do Mecanismo de Apoio da Aliança. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, reforçou o sentido político da iniciativa ao afirmar que “a fome não é uma fatalidade, é uma escolha política”. Segundo ele, a criação da Aliança representa a decisão de transformar essa escolha em prioridade global.

Dias destacou que, embora haja sinais recentes de redução da subalimentação em algumas regiões, conflitos geopolíticos e a redução do orçamento da cooperação internacional colocam em risco os avanços alcançados. Nesse contexto, a institucionalização do Mecanismo de Apoio da Aliança amplia a capacidade de coordenação entre governos, organismos multilaterais e bancos de desenvolvimento.

Representando a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Nassar Tebet, a secretária nacional de Planejamento, Virgínia de Ângelis, enfatizou que o combate à fome integra o núcleo estratégico do Plano Plurianual 2024–2027. Para ela, a cooperação internacional é decisiva, mas não substitui a responsabilidade doméstica: “a cooperação apoia, acelera e qualifica, mas não substitui a mobilização interna. O compromisso nacional é insubstituível”.

A presidenta do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo, ressaltou que sediar um dos escritórios da Aliança representa o reconhecimento da trajetória técnica do Instituto, que completa 61 anos.

“Receber o escritório regional da Aliança reafirma a missão do Ipea de informar, por meio de evidências, a tomada de decisão do Estado brasileiro. Fortalecer uma agenda baseada em conhecimento é estratégico para o desenvolvimento”, afirmou.

Servo destacou ainda que o Instituto já vinha contribuindo tecnicamente com a força-tarefa internacional desde a presidência brasileira do G20, apoiando a formulação de propostas e o desenho institucional do mecanismo por meio da participação de técnicos de pesquisa e planejamento da DINTE e da DISOC.

O ipea também mobilizou a rede de instituições e especialistas construída pelo Centro Internacional de Políticas para o Desenvolvimento Inclusivo (IPCid, na sigla em inglês). Entre estas parcerias ela destacou a grande contribuição dada pela plataforma socialprotection.org, mantida em colaboração com o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Social das Nações Unidas (UNRISD, na sigla em inglês).

O diretor do Mecanismo de Apoio, Renato Godinho, explicou que a estrutura foi concebida para ser enxuta e orientada a resultados. “Somos uma equipe pequena, pensada para ligar os pontos: conectar quem tem recursos e conhecimento a quem precisa implementar políticas”. Segundo ele, o número de países em processo de formulação de planos nacionais passou de 12 para 17, sinalizando que a Aliança já produz efeitos concretos na mobilização política interna dos governos.

Cooperação, financiamento e implementação: o papel dos diferentes atores

O segundo momento do evento reuniu representantes de governos, organismos multilaterais, bancos de desenvolvimento, filantropia e sociedade civil para discutir os caminhos de implementação da Aliança. Durante o painel, os participantes responderam a perguntas feitas por Charlotte Bilo, chefe do escritório da Aliança no Ipea e moderadora da mesa.

O embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, reafirmou o compromisso de seu país em compartilhar tecnologias e experiências de mitigação da pobreza por meio da cooperação Sul-Sul. Ele argumentou que, para além dos investimentos em produção material, o combate global à fome deve focar no “progresso do ser humano” e na garantia de dignidade, sendo essencial para a construção de uma “comunidade com um futuro compartilhado” diante dos atuais desafios geopolíticos.

O ministro conselheiro da Embaixada da Espanha no Brasil, Juan José Escobar Stemmann, destacou a copresidência espanhola no Conselho da Aliança e reiterou o compromisso financeiro de seu país, incluindo aportes ao fundo conjunto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

O representante do Unicef no Brasil, Joaquin González-Aleman, defendeu que as políticas de combate à fome tenham as crianças no centro das prioridades. “A fome na infância compromete o desenvolvimento de forma irreversível. Colocar crianças e adolescentes no centro é condição para romper o ciclo intergeracional da pobreza”, afirmou.

Pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Annette Bettina Killmer detalhou o potencial de mobilização de recursos para a região e citou projetos já em curso nas áreas de saúde e educação no Brasil, alinhados às metas da Aliança.

Representando a sociedade civil, o diretor do Instituto Fome Zero, José Graziano da Silva, trouxe uma perspectiva histórica ao lembrar que iniciativas globais anteriores fracassaram quando não consolidaram mecanismos estáveis de financiamento e governança. Para ele, a sustentabilidade institucional é condição indispensável para que a Aliança alcance seus objetivos. Também representando a sociedade civil, Ariane Brugnhara, da Ação da Cidadania, destacou a capilaridade das organizações sociais como a ponte indispensável para que compromissos globais cheguem de forma efetiva aos territórios. Ela enfatizou que a institucionalização da participação social não apenas traduz essas políticas para a realidade local, mas garante a produção de conhecimento aplicado e o monitoramento contínuo, assegurando que as ações alcancem as populações que enfrentam as formas mais agudas de desigualdade.

Representando a filantropia e a sociedade civil, Andre Degenszajn, do Instituto Ibirapitanga, destacou que a filantropia atua como uma incubadora de inovações, oferecendo a agilidade e a tolerância ao risco necessárias para testar novos modelos e alavancar iniciativas. Ele explicou que, através da Aliança, esses sucessos em menor escala podem ser identificados e posteriormente escalados por governos com o apoio de bancos multilaterais. Além disso, Degenszajn alertou que a fome e a obesidade são faces da mesma moeda e que as soluções não devem se apoiar em alimentos ultraprocessados, mas sim focar na qualidade e nos impactos da alimentação na saúde.

Encerrando o evento, Keiti Gomes, diretora de Estudos Internacionais do Ipea, explicou que o Pilar do Conhecimento, liderado a partir de Brasília, será responsável pela curadoria técnica da chamada Cesta de Políticas: um repositório de instrumentos com impacto comprovado por evidências. A iniciativa organiza soluções como transferência de renda, alimentação escolar, apoio à agricultura familiar, proteção social e inclusão produtiva, adaptáveis às realidades nacionais. “O objetivo não é produzir modelos únicos, mas oferecer um conjunto de políticas com evidência de impacto, que possam ser ajustadas aos contextos locais”, concluiu.

Inauguração do Escritório do Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza no Ipea

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A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza abre escritório regional em Brasília

Foto: Thiago Albuquerque

Marcando mais um passo na luta contra a fome e a pobreza, a Aliança Global inaugurou, nesta terça-feira (3.03), o escritório regional em Brasília, instalado no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A solenidade contou com a presença do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, da primeira-dama Janja Lula da Silva e copresidente da Aliança Global, Wellington Dias, juntamente com a presidente do Ipea, Luciana Servo, entre outras autoridades.

O escritório de Brasília é o primeiro hub regional da Aliança em plena operação, fortalecendo o Mecanismo Global de Apoio junto a sua sede principal em Roma. A presença ampliada reforça o compromisso de longo prazo da Aliança em unir esforços liderados pelos países com apoio internacional.

O lançamento ocorre na esteira de um novo relatório das Nações Unidas que mostra que os países da América Latina e do Caribe reduziram a subalimentação pelo quarto ano consecutivo. Esse progresso reflete esforços nacionais contínuos e ações direcionadas em toda a região. Muitas dessas experiências estão documentadas na Cesta de Políticas da Aliança Global, que agrega instrumentos de políticas públicas baseados em evidências e lições de implementação advindas de países de diferentes regiões.

Também estiveram presentes na inauguração representantes seniores da China, de Cuba, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Programa Mundial de Alimentos (WFP) e de outros membros da Aliança.

“A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza é uma prioridade do governo do presidente Lula. Nasceu da convicção de que a fome não é uma fatalidade, é uma escolha política. E o Brasil decidiu liderar o esforço global para reverter essa escolha”, enfatizou o ministro Wellington em seu discurso no evento. 
Para Dias, a inauguração do escritório marca a consolidação institucional da Aliança. “O Mecanismo de Apoio irá operar com escritórios em Roma, Bangkok, Adis Abeba, Washington e Brasília. Essa presença global reforça a projeção internacional da Aliança e a capacidade de apoiar os países onde eles mais precisam”, disse.

A primeira-dama Janja Lula da Silva destacou a importância da criação do Escritório durante a presidência brasileira do G20 e reforçou a importância de consolidar o trabalho de forma consistente e que ultrapasse a agenda política. “É um grande valor ter o escritório regional da Aliança em Brasília para apoiar a implementação de políticas na América Latina e no Caribe, e funcionar como um centro de conhecimento e curadoria de políticas da Aliança”, afirmou.

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A presidenta do Ipea, Luciana Servo, lembrou que o instituto apoiou tecnicamente a Força Tarefa contra a Fome e a Pobreza do G20 e fez parte da equipe interina do Mecanismo de Apoio da Aliança Global ao longo de 2025.  
 
"O escritório regional da Aliança Global em Brasília lidera o Pilar do Conhecimento dessa iniciativa e age como ponto focal para as demandas de cooperação técnica e financeira vindas de países da América Latina e do Caribe. Receber o escritório demonstra o reconhecimento desta instituição como produtora de conhecimento, como centro de excelência em monitoramento e avaliação de políticas públicas e em cooperação internacional", afirmou. "Além disso, reforça sua missão institucional de informar, por evidências, a tomada de decisão do Estado e o debate público, particularmente nos processos voltados ao combate à fome e a pobreza. O Ipea seguirá apoiando o secretariado da Aliança na manutenção da Cesta de Políticas Públicas e nas demandas de cooperação técnica", completou.

Formalizada na Cúpula do G20 de 2024 no Rio de Janeiro, a Aliança Global coordena políticas, financiamento e apoio técnico para acelerar os esforços de erradicação da fome e da pobreza extrema até 2030. Além de atuar como um hub para mobilizar apoio a programas conduzidos por governos na região, o escritório de Brasília vai liderar a curadoria da Cesta de Políticas, ajudando a conectar a demanda de diferentes países a soluções comprovadas.

Os avanços da América Latina no combate à fome não são apenas uma história regional de sucesso, mas também uma base para cooperação. Por meio da Aliança, formuladores de políticas da região trabalharão lado a lado com seus pares na África e na Ásia para adaptar abordagens comprovadas contra a fome e a pobreza às diferentes realidades locais. A urgência de fortalecer a cooperação é clara. Países da África Subsaariana e do Sul da Ásia continuam enfrentando insegurança alimentar aguda, com interrupções nas rotas marítimas pelo Mar Vermelho e aumento dos preços dos combustíveis após a instabilidade no Oriente Médio adicionando outras camadas de risco.

À medida que as tensões geopolíticas continuam a desafiar os esforços coordenados para acabar com a fome e a pobreza, a abertura do escritório desta terça-feira  sinaliza o compromisso contínuo da Aliança de basear as ações contra a fome e a pobreza em evidências, parcerias e soluções de propriedade nacional. 

Inauguração do Escritório do Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza no Ipea

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PIB de 2025 cresce 2,3% e confirma projeção feita pelo Ipea

Divulgação Codesp

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado coincide com a estimativa apresentada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) na Carta de Conjuntura elaborada pela Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac), que já indicava um carry-over de 2,3% para o ano.

Na Nota de Conjuntura nº 69, o Grupo de Conjuntura da Dimac avaliava que, mantido o ritmo observado até o terceiro trimestre — quando o PIB avançou 0,1% na série dessazonalizada —, a economia encerraria 2025 com crescimento de 2,3%. A análise também destacava a desaceleração gradual da atividade ao longo do ano, após expansões mais fortes no início de 2025, em linha com o cenário projetado anteriormente.

Para o coordenador de Acompanhamento e Estudos da Conjuntura na Dimac, Cláudio Hamilton Matos dos Santos, a convergência entre projeção e resultado reflete a consistência do diagnóstico traçado ao longo do ano. “Os dados confirmam um processo de desaceleração gradual da economia, já antecipado nas nossas análises, em um contexto de política monetária crescentemente contracionista e perda de fôlego da demanda interna”, afirma.

O diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, Claudio Roberto Amitrano, explica que historicamente o Instituto tem realizado projeções precisas ou muito próximas da realidade, o que atesta a seriedade do trabalho. “Desde 2023, o grupo de conjuntura do Ipea tem apresentado uma elevada acurácia em suas projeções, relativamente superior ao Boletim Focus e outros grupos de conjuntura. Ao final do primeiro semestre do ano passado, aliás, já apontávamos que o resultado do PIB em 2025 seria próximo a esse identificado agora", argumenta.

Desaceleração ao longo do ano

Segundo o IBGE, o crescimento de 2025 foi puxado principalmente pela agropecuária (11,7%, contra previsão de 11,0% do grupo de conjuntura) e pelas indústrias extrativas (8,6%), menos afetadas pelo ciclo econômico do que, por exemplo, a indústria de transformação (-0,2%) ou o setor de serviços (1,8%).

Do ponto de vista da demanda, o destaque ficou por conta das exportações (6,4%,), ajudadas pela desvalorização do real no primeiro semestre do ano e pelo excelente desempenho da agropecuária e da indústria extrativa mineral, enquanto o consumo das famílias desacelerou frente a 2024.

A análise do Ipea já apontava que, mesmo com mercado de trabalho ainda resiliente, os efeitos defasados e contemporâneos da política monetária restritiva tenderiam a moderar o ritmo da atividade e, por essa via, o desempenho dos setores da economia mais sensíveis a este último e o PIB propriamente dito.

A confirmação do resultado consolida o acompanhamento sistemático realizado pelo Ipea, que monitora de forma contínua os indicadores da economia brasileira e atualiza suas projeções à luz da evolução do cenário interno e externo.

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Mapa das OSCs amplia transparência e visibilidade das organizações no Brasil

Em 27 de fevereiro, é comemorado em mais de 145 países o Dia Mundial das ONGs. No Brasil, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é o responsável por gerir o Mapa das Organizações da Sociedade Civil (OSCs). Segundo a plataforma, são 672.215 organizações ativas no Brasil em janeiro de 2026. A previsão é legal: o mapa foi instituído pelo Decreto nº 8.726/2016, que regulamenta a Lei nº 13.019/2014, o Marco Regulatório das OSCs.

A plataforma digital busca dar visibilidade à atuação das OSCs, especialmente em iniciativas realizadas em parceria com o poder público, ampliar o acesso a informações sobre a relevância e a diversidade de projetos desenvolvidos por essas organizações, disponibilizar bases de dados para pesquisas e subsidiar gestores na formulação e no aperfeiçoamento de políticas públicas.

O trabalho é baseado em um conjunto amplo e em expansão de bases de dados, provenientes de fontes públicas e privadas, atualizadas de forma contínua. As próprias organizações também podem enviar informações, em um processo colaborativo de alimentação de dados. Cada organização dispõe de uma página própria, que pode atuar como uma espécie de vitrine institucional na internet, ao permitir a ela detalhar e atualizar informações detalhadas sobre suas atividades.

Outra vantagem é o aumento da transparência no repasse de recursos e no acompanhamento do uso de verbas, além de servir como instrumento de planejamento governamental, com estatísticas, índices e indicadores por regiões, estados e municípios.

Para pesquisadores, o Mapa também facilita o acesso a bases de dados oficiais, organizadas e georreferenciadas, apoiando análises quantitativas e qualitativas de forma ágil e gratuita. Para o público em geral, a ferramenta amplia o acesso a informações sobre iniciativas desenvolvidas por OSCs em articulação com os diferentes níveis de governo.

“Estamos prestes a concluir uma análise da expansão das OSCs religiosas, por denominação religiosa. Vamos incluir também dados sobre transferências federais para essas OSCs”, conta Felix Garcia Lopez, técnico de planejamento e pesquisa e coordenador do portal. “Em alguns meses vamos disponibilizar um levantamento inédito das transferências de recursos orçamentários de estados e capitais para OSCs. Conhecemos pouco sobre o perfil e papel das OSCs que recebem recursos de entes subnacionais. A ideia é contribuir para um retrato mais realista”, diz.

Metodologia – O Mapa das OSCs adota critérios baseados em referências nacionais e internacionais. Entre elas estão os estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (Fasfil), realizados desde 2002, e a Classificação dos Objetivos das Instituições sem Fins Lucrativos a Serviço das Famílias (COPNI), da Organização das Nações Unidas (ONU), que assegura comparabilidade internacional na identificação dessas entidades.

São consideradas OSCs apenas organizações que atendem simultaneamente a cinco requisitos: serem privadas, ou seja, fora da estrutura estatal; não terem finalidade lucrativa, ainda que possam gerar excedentes destinados às atividades institucionais; estarem formalmente constituídas; possuírem autonomia administrativa para gerir suas ações; e terem caráter voluntário, podendo ser criadas livremente por grupos de pessoas ou fundadores.

A identificação das OSCs no Mapa é realizada a partir da base de CNPJs no país, disponibilizado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB). A esta base se aplica um algoritmo sofisticado, desenvolvido pelo Ipea, para extrair o que seriam OSCs e, integrando outras bases de dados, definir suas finalidades de atuação. A atualização dessas informações agora passou a ocorrer mensalmente. O Mapa das OSC acaba de disponibilizar dados referentes ao ano de 2026..

Além dessas fontes, o Mapa incorpora bases auxiliares para ampliar e qualificar as informações, incluindo dados sobre vínculos de emprego, certificações, projetos e repasses de recursos. Entre elas estão o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), a Certificação de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) e o Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).

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Nota de pesar - Falecimento do economista Mario Theodoro

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) comunica, com pesar, o falecimento do economista Mario Theodoro, ocorrido nesta quarta-feira, 26 de fevereiro de 2026. Ele foi servidor do Instituto, tendo sido diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto no período de 2007 a 2011.

Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília (UnB), com mestrado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutorado em Ciências Econômicas pela Université Paris I – Panthéon-Sorbonne, Mario Theodoro construiu trajetória marcada pela atuação no serviço público, na pesquisa e no ensino superior.

Também foi secretário-executivo da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), de 2011 a 2013, e consultor legislativo do Senado Federal até abril de 2019. Atuou como professor associado da UnB e, mais recentemente, como professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania (PPGDH/UnB).

Com experiência na área de economia, dedicou-se a temas como mercado de trabalho, setor informal, desigualdades e políticas sociais, com ênfase na questão racial. É autor do livro A Sociedade Desigual: racismo e branquitude na formação do Brasil, lançado em 2022. "Mário é uma referência de pesquisador, pensador e ser humano. Figura afável, serena, sensibilidade admirável. Sua trajetoria é um legado de luta. Parte deixando saudades", declarou o pesquisador Antônio Teixeira, representante do grupo Presença negra, do Ipea.

A presidenta Luciana Santos Servo registrou o reconhecimento pela contribuição de Mario Theodoro ao Instituto e ao debate sobre o desenvolvimento e as desigualdades no Brasil. “Mario Theodoro foi um pesquisador excepcional, grande professor, formador e referência obrigatória nos estudos sobre racismo e discriminação racial. Sua obra, especialmente 'A sociedade desigual: racismo e branquitude na formação do Brasil', permanece como leitura fundamental. Seus ensinamentos, sua ética, sua coerência e sua luta seguem nos inspirando. Mario é parte da história do Ipea e do Brasil, e seu legado permanece conosco.”

O velório será realizado na capela 10 do Cemitério Campo da Esperança em Brasília, das 14h às 16h desta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026.

Ipea lança primeiro Plano Estratégico de Inserção Internacional

Foto: Helio Montferre/Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou o Plano Estratégico de Inserção Internacional (2026-2031), primeiro documento institucional voltado a estruturar, de forma sistêmica, a atuação internacional da Casa. Classificado como ideia de inovação no Portfólio Estratégico do Ipea em 2025, o plano integra o Planejamento Estratégico Institucional (PEI) 2024-2031 e está atualmente entre os projetos institucionais que compõem essa carteira.

O documento tem como eixo central a organização e a qualificação das práticas internacionais já existentes, conectando-as diretamente à missão institucional do Ipea e aos 15 objetivos estratégicos do PEI. “O documento não é um fim em si mesmo, mas um meio para que o Ipea possa atingir seus objetivos estratégicos e fortalecer suas capacidades institucionais”, afirma Rafael de Moraes Baldrighi, técnico de planejamento e pesquisa no Gabinete da Presidência, coordenador do projeto e um dos autores do plano.

INTERNACIONALIZAÇÃO COMO ESTRATÉGIA INSTITUCIONAL

O plano parte do reconhecimento de que o Ipea já é um órgão altamente internacionalizado, mas identifica a necessidade de institucionalizar, fortalecer a governança e integrar essas iniciativas à estratégia da Casa. Ao todo, são 36 propostas distribuídas em três dimensões — pesquisa, política e gestão — com prazos iniciais até dezembro de 2027.

As ações deverão ser acompanhadas, a partir de 2026, pelo Comitê Temático de Internacionalização (Cotin), criado em dezembro de 2025 como colegiado transversal responsável pelo monitoramento das entregas. Está previsto ainda um ciclo formal de avaliação e ajustes ao longo de 2028, mantendo a vigência do plano até 2031, em alinhamento ao PEI.

O documento destaca que a proposta não visa ampliar indiscriminadamente o número de acordos, viagens ou participação em fóruns e plataformas internacionais, tampouco criar escritórios no exterior. “A proposta não é ampliar indiscriminadamente acordos ou iniciativas, mas organizar e dar maior coerência estratégica às ações internacionais já desenvolvidas pela Casa”, destaca Baldrighi. O objetivo é qualificar as parcerias já existentes, aprimorar a governança e fortalecer capacidades institucionais.

DIAGNÓSTICO INTERNO REVELA FORTE PRESENÇA INTERNACIONAL

Para fundamentar as propostas, o Gabinete da Presidência (Gabin) realizou, entre fevereiro e maio de 2025, dezessete entrevistas e reuniões setoriais internas com as doze unidades de execução do Ipea e áreas estratégicas como Coordenação de Capacitação e Desenvolvimento de Pessoais (Codep), Diretoria de Estudos Internacionais, IPCid, Coordenação de Editoração e Produção Editorial e Assessoria Executiva.

Entre março e abril de 2025, também foi aplicado um survey interno, que recebeu 216 respostas válidas — 172 de servidores, 29 de terceirizados, 13 de bolsistas e 2 de estagiários — representando taxa superior a 50% dos 335 servidores ativos em abril de 2025.

Os resultados evidenciam a dimensão internacional da Casa. Aproximadamente 20% dos respondentes possuem diploma de ensino superior emitido por instituição estrangeira. Mais de 18% indicaram trabalhar ativamente com parceiros internacionais ou estrangeiros sediados no Brasil. Considerando apenas o ano de 2024, 37,5% das respostas apontaram trabalho conjunto com parceiros internacionais.

No que se refere à formalização dessas relações, 16 respostas indicaram participar de projetos internacionais com existência de documento vinculante entre o Ipea e instituição estrangeira parceira, enquanto 24 apontaram ausência de acordo formal — sendo que 13, desse grupo, manifestaram interesse em formalização.

O levantamento também identificou elevado nível de proficiência em idiomas estrangeiros. Das 216 respostas, 194 indicaram algum nível de domínio. Considerando os níveis B2, C1 e C2 do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas, foram registrados 151 proficientes em inglês, 58 em espanhol e 33 em francês. Ao mesmo tempo, 106 servidores manifestaram interesse em cursos de inglês, 90 em espanhol, 71 em francês e 37 em mandarim.

ACORDOS VIGENTES E COMPARAÇÃO COM PARES INSTITUCIONAIS

Em abril de 2025, o Ipea mantinha 19 acordos internacionais válidos com organismos multilaterais e instituições estrangeiras, incluindo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e o Development Research Center (DRC), da China.

Além do diagnóstico interno, o plano inclui estudo comparativo com seis organismos da administração pública federal — Enap, Embrapa, Capes, Fiocruz, IBGE e Finep — e benchmarking com sete think tanks internacionais. A análise mostrou que, diferentemente desses pares, o Ipea ainda não possuía plano ou estratégia internacional formalmente integrada ao seu planejamento estratégico, nem política editorial estruturada para publicações em língua estrangeira, programa de capacitação permanente em competências internacionais ou plataforma institucional voltada a uma audiência internacional.

36 AÇÕES ESTRUTURADAS EM PESQUISA, POLÍTICA E GESTÃO

As propostas contemplam iniciativas de capacitação, comunicação, governança e fortalecimento de redes. Entre elas estão a criação de programas contínuos de formação em inglês, espanhol, francês e mandarim; capacitação em representação institucional internacional e media training; elaboração de política editorial para publicação e tradução em línguas estrangeiras; criação de aba internacional no website; e versão de newsletter em inglês voltada ao público externo.

Também estão previstas a tradução para o inglês dos 18 produtos da edição 2026 dos Cadernos ODS, a consolidação de uma summer/winter school internacional anual, a criação de mecanismos de governança de acordos internacionais, uma estratégia de internacionalização para o Mestrado do Ipea e a publicação de relatório anual em inglês voltado ao público internacional, com evento de lançamento.

As ações possuem prazos distribuídos entre junho de 2026 e dezembro de 2027, com metas graduais de execução e finalização, considerando o contexto institucional, orçamentário e o período eleitoral de 2026.

MONITORAMENTO, METAS E CICLO DE AJUSTES

O acompanhamento das entregas será realizado pelo Gabinete da Presidência em conjunto com a Coordenação-Geral de Planejamento (CGPLA), com registro das ações no sistema Petrvs. Estão previstos ciclos anuais de monitoramento em 2026 e 2027, além de um ciclo de ajustes ao longo de 2028.

A meta geral estabelece que todas as ações sejam ao menos iniciadas no semestre previsto e que haja percentuais progressivos de finalização nos períodos subsequentes. Os resultados serão apresentados semestralmente à Diretoria Colegiada (Dircol).

“Ao alinhar a inserção internacional aos objetivos do PEI, o plano busca consolidar a internacionalização como eixo estruturante da governança institucional do Ipea”, afirma Baldrighi.

Com isso, o plano transforma a internacionalização em elemento integrado à estratégia institucional, fortalecendo a capacidade do Ipea de qualificar a tomada de decisão do Estado brasileiro e ampliar sua interlocução no cenário internacional de produção e difusão de conhecimento aplicado a políticas públicas.

Acesse o Plano Estratégico aqui

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