#02 – Março de 2025
Veja nesta edição:
- Destaques: perfil das pessoas que realizam serviço doméstico e de cuidados no Brasil; gênero e raça na liderança de grupos de pesquisa; seminário sobre luta por direitos dos povos de matrizes africanas
- Ponto Ipea: impactos, na economia brasileira, da tarifa de 25% sobre importação de aço pelos Estados Unidos
- Zoom: Política Nacional de Cuidados
- Em números: concentração de renda, potencial de produção de hidrogênio de baixo carbono pelo Brasil e injustiça climática
- De olho: últimas notícias sobre o Ipea
- Marque na agenda: seminário sobre governança dos fundos constitucionais e lançamento da Revista Tempo do Mundo
Mulheres negras são quase 70% no serviço doméstico e de cuidados no Brasil
Entre as pessoas que declaram realizar trabalho doméstico e/ou de cuidados remunerados no Brasil, 69,9% são mulheres negras. Esse é o resultado da Pesquisa Nacional sobre Trabalho Doméstico e de Cuidados Remunerados, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea) em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), com 1.196 participantes. Do total de respondentes, 93,9% eram mulheres e 6,1% homens.
Os resultados estão no artigo "O Cuidado Enquanto Ocupação: Em Que Condições?” e foram apresentados na última quarta-feira (19), durante o seminário Trabalho, Cuidado e Parentalidades, promovido pelo Ipea em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.
Ana Amélia Camarano apresenta resultado da pesquisa sobre trabalho de cuidado remunerado.
Foto: Bruno Lima
Parceria. Essa não é a única ação desenvolvida pelo Ipea em parceria com o MIR. O Instituto tem um Termo de Execução Descentralizada vigente com o Ministério, para desenvolver estudos e atividades de disseminação do conhecimento que ampliem a produção e a análise de indicadores desagregados por raça e que fortaleçam as capacidades de implementar políticas para enfrentamento ao racismo.
Formação antirracista. De forma inédita, Ipea, MIR e Enap estão trabalhando na elaboração de um protocolo de promoção da igualdade racial e enfrentamento ao racismo nos serviços e políticas públicas do país. A iniciativa pretende subsidiar o programa Formação e Iniciativas Antirracistas (Fiar).
Apesar dos avanços, mulheres e negros ainda são sub-representados na ciência brasileira
A participação de mulheres e pessoas negras entre os líderes de grupos de pesquisa no Brasil cresceu entre 2000 e 2023, mas ainda existem desigualdades marcantes. O percentual de grupos liderados por pessoas negras saltou de 11,6% para 28,1%. No mesmo período, os grupos cujas líderes são mulheres negras aumentaram de 4,7% para 14%. Ou seja, homens negros possuem menos liderança em grupos de pesquisa no Brasil e, para mulheres negras, a situação é ainda pior.
A participação varia bastante a depender da área do conhecimento. Em Medicina, por exemplo, a proporção de líderes homens negros e mulheres negras, em 2023, foi de 7% e 9,2%, respectivamente. A maior representação de homens negros foi em Geografia (20,4%), e de mulheres negras em Economia doméstica (33,3%) e em Serviço Social (25,7%).
O cenário também varia conforme a região do país. Em 2023, a participação de liderança negra foi de 24,2% no Centro-Oeste, 37,7% no Nordeste, 44,4% no Norte, 15,1% no Sudeste e 7,8% no Sul. Os dados foram publicados no estudo "Fronteiras Desiguais: um exame crítico da participação negra interseccionada com sexo na liderança científica brasileira”.
Povos de matrizes africanas na luta por direitos
Wanderson do Nascimento, professor da Universidade de Brasília (UnB) e Mãe Baiana de Oyá, yalorixá do Ilé Axé Oyá Bagan, foram os palestrantes do seminário “Os povos de matrizes africanas na luta por direitos”, que aconteceu no último dia 20, com presença de representantes do Ipea, do Iphan, do Ministério da Igualdade Racial (MIR) e da Fundação Palmares. O evento foi promovido pelo grupo Presença Negra, um coletivo de servidores do Ipea e do Iphan que tem se dedicado a dar voz a pessoas e a grupos que, normalmente, estão fora dos registros oficiais.
Deserto de dados. Entre muitos temas relevantes, os participantes falaram sobre como a falta de dados dificulta a elaboração de políticas públicas. Luzi Borges, diretora de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana e Povos de Terreiro do MIR, caracterizou o cenário como deserto de dados. “Não sabemos qual a população de pessoas de terreiro no Brasil”, disse. Wanderson do Nascimento reforçou: “é parte da política de extermínio das nossas memórias". A gravação do evento está disponível no YouTube.

No dia 12 de março entrou em vigor nos Estados Unidos a tarifa de 25% sobre importação de aço e alumínio. O coordenador de Relações Econômicas Internacionais do Ipea, Fernando Ribeiro, conduziu um estudo para estimar o impacto da medida na economia brasileira.
Na Pilar, ele comenta os principais resultados, o contexto em que ocorre a taxação e como o Brasil pode lidar com a questão.
Para saber mais, acesse o estudo na íntegra.

Política de cuidados no Brasil
Um grande avanço do último ano para a agenda de igualdade de gênero foi a aprovação da Política Nacional de Cuidados. Ela reconhece o direito a receber cuidado e o direito de cuidar. A política também estabelece a oferta de equipamentos sociais que possibilitem às famílias compartilharem as tarefas de cuidado com o Estado, o mercado e a comunidade. Com ela, o Brasil se alinha, finalmente, ao patamar da América Latina.
Implementação. Agora, está em vias de ser publicado o Plano Nacional de Cuidados, um instrumento para efetivamente tirar a política do papel. Batizado Brasil que Cuida, ele traz compromissos como extensão da cobertura e ampliação da jornada em creches e instituições de educação infantil, serviços de atenção domiciliar e Centros Dias para pessoas idosas e com deficiência, formação para cuidadores e gestores públicos, lavanderias coletivas, entre outras. A secretária nacional de Cuidados e Família do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Laís Abramo, deu mais detalhes do plano e do processo de elaboração durante seminário promovido pelo Ipea.
Ana Amélia Camarano apresenta resultado da pesquisa sobre trabalho de cuidado remunerado.
Foto: Bruno Lima
Assessoria ao Estado. O Ipea tem participado ativamente das discussões sobre a política de cuidados desde o início. Fomos um dos membros permanentes do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) que elaborou a política, assessoramos na definição do marco conceitual e, mais recentemente, assinamos um Termo de Execução Descentralizada com o MDS para realização de estudos e produção de indicadores que subsidiem a implantação e o aprimoramento da Política e do Plano Nacional de Cuidados. Os temas a serem trabalhados são variados: famílias em situação de rua; pessoas em situação de acolhimento; uso do tempo; inclusão do cuidado no Beneficiômetro da Seguridade Social; e monitoramento das ações do plano.
Indo mais fundo. O Ipea tem muito acúmulo na discussão sobre cuidados. O livro “Cuidar, Verbo Transitivo: caminhos para a provisão de cuidados no Brasil”, por exemplo, traz uma série de artigos sobre temas como equidade racial e agenda de cuidados, política de creches e cuidado infantil, desafios para medir o trabalho remunerado, experiências internacionais e muito mais. Essa e outras publicações sobre o tema pode ser encontradas no repositório.

- 23,6%.É a parcela da renda disponível no Brasil concentrada nas mãos do 1% mais rico da população. Já os 0,1% mais ricos acumulam 11,9% da renda total. Os dados estão na nota técnica do Ipea Progressividade Tributária: diagnóstico para uma proposta de reforma, que foi usada na exposição de motivos do Projeto de Lei que amplia a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e prevê a tributação mínima de 10% para quem ganha mais de R$ 50 mil mensais.
- 800.000 toneladas. A estimativa é que o Brasil pode chegar a esse valor de produção de hidrogênio de baixo carbono por ano até 2030. Além de atender a demanda nacional, estudo aponta que o país está bem posicionado para ser exportador, principalmente para a Europa, que busca reduzir emissões de gás carbônico.
- 312%. É o percentual ultrapassado pelos Estados Unidos no orçamento de carbono. Não é o único país em débito: Canadá e Bélgica ultrapassaram 254% e 300%, respectivamente, e o Brasil consumiu 158%. Apesar de os países desenvolvidos serem os maiores responsáveis pelas emissões, são os países tropicais que enfrentam os maiores impactos das mudanças do clima, de acordo com o estudo do International Policy Centre for Inclusive Development (IPCid), do Ipea.

- Seminário discute desafios para consolidação do Estado digital no Brasil
- Ipea desenvolve estudos para subsidiar a elaboração do Plano Nacional de Habitação
- Coordenados pelo Ipea, especialistas elaboram recomendações para lideranças do BRICS
- Ipea debate impactos sociais e econômicos do Corredor Bioceânico em seminário internacional
- Com foco em proteção social, segurança alimentar e nutrição, revista Policy in Focus é lançada no Timor-Leste
- Seminário “Governança nos Fundos Constitucionais e Políticas Públicas Territoriais”: o evento acontecerá nos dias 8 e 9 de abril, das 9h às 18h, no Ipea, com transmissão pelo YouTube (/@agenciaipea). Inscrições abertas para participação presencial. Com transmissão pelo YouTube (/@agenciaipea).
- Lançamento da Revista Tempo do Mundo nº 35 – Desenvolvimento Fronteiriço, Migrações e Transversalização do Tema de Gênero na Política Externa Brasileira: no dia 23 de abril, das 15h30 às 17h30, na sede do Ipea, em Brasília. Haverá transmissão pelo YouTube (/@agenciaipea).


