Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada

Veja nesta edição:

  • Destaques: Ipea é referência no debate sobre o fim da escala 6x1, que avança no Congresso | Parceria com a Fazenda vai monitorar o mercado de apostas no Brasil | Estudo analisa contribuição para financiar transporte coletivo e reduzir tarifas | Pesquisa sobre desinformação | Livro em parceria com o MDIC
  • Ponto Ipea: 7º. episódio da 2ª. Temporada: O cuidado na vida das pessoas com deficiência
  • Zoom: Emergência climática e um cálculo de dívidas por emissão de CO2
  • Em números: Estudo analisa os efeitos redistributivos da introdução de dois novos fatores de ponderação no Fundeb
  • De olho: Gestores públicos participam de capacitação sobre igualdade racial | Ipea recepciona delegação do Planapp, de Portugal | Proporção de indígenas na liderança de grupos de pesquisa cresce mais de 50% em 23 anos
  • Marque na agenda: Lançamento da 81ª edição do Radar | Atlas da Violência 2026 | Lançamento do livro Políticas Públicas Informadas por Evidências | Oficina INCLUA | Lançamento Boletim Mercado de Trabalho 81

Ipea é referência no debate sobre o fim da escala 6x1, que avança no Congresso

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criou uma comissão especial para analisar duas propostas de emenda à Constituição (PECs) que preveem o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso semanal. O tema ganhou força após o presidente Lula enviar ao Congresso um projeto de lei com o mesmo objetivo.

Referência no debate sobre a redução da jornada de trabalho, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou, em fevereiro, uma nota técnica que mostrou que a diminuição da carga semanal para 40 horas teria impacto direto inferior a 1% no custo operacional de grandes setores da economia, como indústria e comércio, que concentram mais de 13 milhões de trabalhadores. O estudo adota uma abordagem diferente de parte da literatura acadêmica, ao analisar a medida como um aumento do custo da hora trabalhada, e não como uma redução automática do Produto Interno Bruto (PIB).

Parceria com a Fazenda vai monitorar o mercado de apostas no Brasil

O Ministério da Fazenda e o Ipea firmaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para desenvolver um sistema público de indicadores sobre o setor de apostas. A iniciativa prevê a análise de dados do Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP) e de bases como RAIS e Cadastro Único. O objetivo é medir aspectos como mercado ilegal, endividamento das famílias e impactos na saúde mental. O sistema também deve identificar riscos ao sistema financeiro e ao esporte. A proposta é fortalecer a regulação com base em evidências, conforme previsto na Lei nº 14.790/2023, que dispõe sobre modalidade de apostas de quota fixa.

Estudo analisa contribuição para financiar transporte coletivo e reduzir tarifas

Uma nova nota técnica analisa a criação de uma Contribuição Social para o Transporte Público Urbano (CTPU), cobrada sobre a folha de pagamento, como alternativa para ampliar o financiamento do transporte coletivo no Brasil. O estudo aponta que o instrumento pode fortalecer o setor, reduzir tarifas e gerar efeitos distributivos positivos, beneficiando principalmente a população de baixa renda, principal usuária do transporte público. Os pesquisadores examinaram o potencial de ampliação do acesso ao transporte coletivo por meio dessa nova fonte de arrecadação, além de seus impactos distributivos e dos principais desafios para sua eventual implementação no país.

As simulações mostram que mesmo alíquotas inferiores a 1% poderiam gerar receitas expressivas. Em alguns cenários, uma contribuição entre 0,5% e 1% sobre a folha de pagamento seria suficiente para ampliar de forma significativa o volume atual de subsídios ao setor em diversas cidades. O estudo também considera os efeitos da redução das tarifas sobre a demanda. Com queda de 50% no valor da passagem, a procura pelo transporte coletivo poderia crescer entre 34% e 50%. Em cenários de gratuidade, o aumento da demanda pode variar entre 67% e 100%, o que exigiria planejamento adicional, expansão da oferta e mais recursos para garantir o equilíbrio dos sistemas.

A análise do Ipea indica que a contribuição sobre a folha pode se configurar como uma alternativa relevante no conjunto de instrumentos discutidos para ampliar o financiamento do transporte público urbano no Brasil. Ao mesmo tempo, o estudo reforça que não há solução única para a crise do setor e que os resultados dependem diretamente das escolhas de política pública.

Servidor, responda ao questionário da pesquisa Desinformação e Políticas Públicas

Em parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU) e com apoio do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) está realizando a pesquisa Desinformação e Políticas Públicas, voltada a servidoras e servidores que ocupam cargos em comissão ou funções de confiança na Administração Pública Federal. O convite para a pesquisa, que pode ser respondida até 2 de junho, é feito pelo aplicativo SouGov. O objetivo da pesquisa é mapear como servidores e gestores públicos percebem, vivenciam e lidam com episódios de desinformação no cotidiano institucional, bem como os impactos desse fenômeno sobre os processos de formulação, implementação e avaliação de políticas públicas. A pesquisa é anônima, sem coleta de dados pessoais identificáveis, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) e a Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 510/2016.

Trajetória das agências reguladoras no Brasil é o tema de livro em parceria com MDIC

Fruto de uma parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o livro O Estado Regulador Brasileiro: Três Décadas de Reformas e Agencificação (1996-2026) analisa as três décadas de atuação das agências reguladoras no país. O volume é organizado pelo especialista em políticas públicas e gestão governamental Bruno Queiroz Cunha, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental. Dividida em 11 capítulos, a obra inclui textos escritos por integrantes de diferentes órgãos e instituições, que abordam diversos aspectos da atuação regulatória do Estado.

Entre outros tópicos, há discussões sobre tendências atuais, como a criação de mercados a partir da atividade regulatória, com foco nos casos dos medicamentos genéricos e do Pix. Também é abordada a importância crescente da atuação das agências reguladoras do setor energético nas áreas ambientais e de sustentabilidade.

Ponto Ipea

O cuidado na vida das pessoas com deficiência

Ao longo da vida, todas as pessoas cuidam e são cuidadas. Para pessoas com deficiência, essa dinâmica ganha quais contornos? Este episódio discute os cuidados no dia a dia, os desafios de uma sociedade capacitista e as políticas públicas sobre o tema. Participam do episódio Juliana Coutinho Oliveira, escritora; Liliane Bernardes, especialista em políticas públicas e gestão governamental; e Anna Paula Feminella, ex-secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

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Zoom

Uma proposta para quantificar e reparar dívidas climáticas

Justiça climática. Um estudo publicado pela Diretoria de Estudos Internacionais propõe um modelo para operacionalizar o conceito e a norma da justiça climática no que se refere à responsabilidade histórica por emissões de carbono.

Dívidas. Países que emitem mais carbono do que sua cota justa, a qual foi calculada igualmente por habitante, contraem uma dívida climática com o restante do mundo. A noção baseia-se no princípio do poluidor-pagador: compensações por perdas e danos são pagos por externalidades negativas, não punições.

O cálculo. O estudo distribui o orçamento global de carbono compatível com o limite de 1,5°C (que é de 2.790 GtCO₂) de forma igualitária, por habitante, a partir de 1990. A dívida em toneladas de carbono foi convertida em valor monetário com base no custo social do carbono (mediana de US$ 417/tCO₂).

Estimativas por países. Considerando as emissões de combustíveis fósseis e produção de cimento (EFOS) desde 1990, os EUA têm a maior dívida climática, cuja mediana foi estimada em US$ 48 trilhões. Em seguida, os maiores devedores são Japão (US$ 10 trilhões) e Alemanha (US$ 7,6 trilhões). Todos os países do G7 ultrapassaram suas cotas.

Indo mais fundo. No caso do Brasil, quando se incluem as emissões por uso da terra e mudança do uso da terra, o país consumiu 168% de sua cota, um reflexo de altos níveis de desmatamento. Os países mais pobres não têm dívida. Nigéria, Bangladesh, Tanzânia e Etiópia, por exemplo, usaram uma fração mínima de seus orçamentos de carbono.

Como e com que recursos pagar. As dívidas podem ser pagas financiando energia renovável, adaptação climática, transferências de renda ou mesmo educação e saúde. Para isso, um imposto de 2% sobre bilionários e centimilionários poderia arrecadar até US$ 390 bilhões/ano. Um imposto corporativo mínimo global de 15% (já aprovado por mais de 135 países) traria entre US$ 155 bilhões e US$ 192 bilhões/ano.

Desigualdade. Pagamentos de dívidas climáticas são justos e permitem conciliar mitigação, adaptação e desenvolvimento sustentável, segundo o estudo. “A crise climática afeta de forma desigual quem menos a causou. As populações mais pobres têm menos recursos para se proteger das mudanças climáticas e estão mais sujeitas às variações do clima”, explica o autor, Rodrigo Fracalossi.

Em números

Novo estudo analisa como as novas regras do Fundeb podem tornar o financiamento da educação básica mais redistributivo no Brasil. O texto examina os efeitos redistributivos decorrentes da introdução de dois novos fatores de ponderação no Fundeb: o nível socioeconômico dos estudantes (NSE) e a disponibilidade de recursos vinculados à educação (DRec), ambos previstos na Emenda Constitucional (EC) nº 108/2020 e regulamentados pela Lei nº 14.113/2020.

8% a 15%: é o aumento potencial no valor por aluno nas redes de ensino mais vulneráveis com a adoção de novos critérios redistributivos no Fundeb, enquanto redes mais ricas teriam ganhos menores ou até perdas relativas.

15: é o número de estados que apresentam aumentos médios superiores a 2% na distribuição de recursos com os novos critérios do Fundeb, com destaque para Maranhão, Pará, Ceará e Piauí.

0,120 para 0,105: é a redução do índice de Gini das receitas vinculadas à educação nos cenários projetados pelo estudo para 2026, indicando menor desigualdade fiscal entre as redes de ensino.

Esses achados confirmam o caráter progressivo do novo desenho do Fundeb, que reforça a equidade territorial no financiamento da educação básica brasileira, ao direcionar recursos adicionais para redes situadas em contextos de maior vulnerabilidade social e menor disponibilidade de receitas educacionais. Leia o texto na íntegra.

De olho
Marque na agenda
  • Lançamento da 81ª edição do boletim Radar: no dia 4 de maio, com apresentação de artigos sobre emigração de doutores no Brasil, liderança indígena na pesquisa científica, desafios da integração de energias renováveis no setor elétrico e permanência de trabalhadores na formalidade. Inscreva-se aqui.
  • Atlas da Violência 2026 - Coletiva de imprensa: acontece no dia 26 de maio, às 10h, na Biblioteca Parque, no Rio de Janeiro. Haverá também transmissão pelo Youtube.
  • Lançamento do livro Políticas Públicas Informadas por Evidências: conhecimentos, arranjos e capacidades para a governança democrática: também no próximo dia 26, às 14h, no evento Semana de Avaliação, na Embrapa Brasília.
  • Oficina INCLUA: ocorre no dia 26, às 16h, também durante a Semana de Avaliação, na Embrapa Brasília. Inscrições aqui.
  • Lançamento do Boletim Mercado de Trabalho 81 – seção Política em Foco: acontece no dia 6 de maio, das 15h30 às 17h30, com debates sobre inteligência artificial e mais, em Brasília (sala Ana Bete) e na Gerência Regional no Rio de Janeiro. Inscreva-se aqui.

Veja nesta edição:

  • Destaques: Inauguração do Escritório da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza | Parceria Sisnama | IVS+A | Ipea e MIR lançam Guia INCLUA Igualdade Racial e Cartilha de Gestão Pública Antirracista
  • Ponto Ipea: 6º. episódio da 2ª. Temporada: Brasil, um país que envelhece
  • Zoom: O PL Antifacção e políticas de enfrentamento ao crime organizado
  • Em números: Retrato de Gênero no Brasil
  • De olho: Luciana Servo na Assembleia Legislativa de MG | Tributação progressiva no combate às mudanças climáticas | Mapa das OSCs | Nota de pesar - Mário Theodoro
  • Marque na agenda: Pesquisa sobre Desinformação | Seminário "Experiências institucionais em combate ao racismo e promoção da igualdade racial”

Aliança Global contra a Fome e a Pobreza inaugura escritório no Ipea

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Foto: Thiago Albuquerque / Ipea

No início de março, o escritório do Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza foi inaugurado no edifício-sede do Ipea, em Brasília. A sede fica na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma.

A Aliança tem como objetivo acelerar o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de erradicação da fome e da pobreza. O Ipea vai representar o Brasil em um dos três pilares constituintes da Aliança, o de conhecimento. O Instituto vai apoiar os membros da Aliança na implementação, melhoria ou ampliação de uma série de instrumentos políticos, entre eles a proteção social, em particular apoio à criança e à família, programas de alimentação escolar, acesso a serviços básicos, e transferências monetárias condicionadas.

Ipea e MIR lançam guia de Igualdade Racial e cartilha de Gestão Pública Antirracista

O Guia INCLUA Igualdade Racial e a Cartilha de Gestão Pública Antirracista resultam de uma parceria entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR) e o Ipea, no âmbito da INCLUA: Plataforma de Recursos Pró-Equidade em Políticas Públicas. A parceria envolve o desenvolvimento de ferramentas de avaliação e de apoio à ação para o enfrentamento ao racismo institucional e às múltiplas formas de discriminação que podem ocorrer na condução de políticas e serviços públicos.

Os parceiros realizam, em 7 e 9 de abril, as oficinas de apresentação do Guia INCLUA Igualdade Racial e da Cartilha de Gestão Pública Antirracista. Coordenadas pela Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest) do Ipea, as atividades têm como público-alvo os integrantes da Assessoria de Participação Social e Diversidade (Aspad) da Secretaria-Geral da Presidência da República e, no dia 9, gestores federais, estaduais e municipais.

Ipea propõe nova dimensão ambiental para o IVS

O Ipea apresentou uma proposta de ampliação do Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). A ideia é incluir uma nova dimensão ambiental ao indicador. O plano foi debatido no seminário Índice de Vulnerabilidade Social e Ambiental e o Fortalecimento do Sistema Único de Saúde, organizado em parceria com o Ministério da Saúde.

A proposta em debate é criar o IVS+A, incorporando o componente ambiental à análise da vulnerabilidade. O objetivo é refletir melhor os impactos das mudanças climáticas e do território na vida das pessoas. Criado em 2012, o IVS identifica situações de ausência ou insuficiência de ativos essenciais para a população. Atualmente, o índice reúne 16 indicadores, organizados em três dimensões: capital humano; renda e trabalho; infraestrutura urbana.

Ipea e MMA apresentam plano para fortalecer políticas de meio ambiente

O Ipea e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançaram os subsídios para o Plano Decenal de Fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). O objetivo da iniciativa é que, em 2036, o Sisnama seja um sistema cooperativo, capilarizado e financeiramente sustentável, com presença institucional efetiva nos territórios e capacidades institucionais consolidadas nos municípios. Para isso, o documento elaborado pelo Ipea inclui propostas nos eixos de Governança, Capacidades e Sustentabilidade Financeira.

O trabalho pode ser conferido na plataforma Brasil Participativo, onde há uma consulta pública que possibilita à população enviar suas sugestões, até o dia 7 de abril, para o Plano de Fortalecimento do Sisnama.

Ponto Ipea

Brasil, um país que envelhece

O Brasil acorda, a cada dia, um pouco mais velho. Mas estamos preparados para isso? O envelhecimento populacional transforma as famílias, o trabalho, a economia e as formas de cuidar. Este episódio discute as desigualdades que marcam quem envelhece e como pensar o cuidado nesse cenário. Participam do episódio Alexandre da Silva, secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa; Ana Amélia Camarano; e Alberto Silva Filho, pesquisadores do Ipea.

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Zoom

Políticas públicas e enfrentamento ao crime. No aguardo da sanção pelo governo federal, o Projeto de Lei 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção, foi submetido a diversas – e criticadas – alterações ao longo de sua tramitação. As mudanças incidem especialmente sobre o foco central da proposta, que originalmente buscava atingir a cúpula das facções e fortalecer a inteligência estatal no combate ao crime organizado.
Antigos métodos. Para Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas da Violência, publicado pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a versão aprovada na Câmara dos Deputados representou um retrocesso em relação ao texto original vindo do Senado, desviando o foco do combate às lideranças criminosas para uma abordagem punitivista de baixa efetividade.
Evidências. As críticas dialogam com evidências do Atlas da Violência. O Brasil registrou 43.892 homicídios em 2022, podendo ter chegado a cerca de 49 mil ao considerar casos subnotificados. Os estudos também mostram que políticas centradas no encarceramento em massa não reduziram de forma consistente a violência e contribuíram para o fortalecimento de facções, muitas delas surgidas dentro do sistema prisional. Um padrão que, segundo Cerqueira, se repete quando o foco recai apenas sobre a base do crime.
Indo mais fundo. Apesar disso, há sinais de mudança. O Atlas aponta queda de cerca de 20% nos homicídios em dez anos e redução contínua desde 2018 . “Estamos vivendo uma ‘revolução invisível’, com políticas baseadas em evidências”, afirma o pesquisador. Para ele, o caminho mais eficaz combina inteligência, integração institucional e ações preventivas voltadas a jovens em vez da repetição de estratégias que já se mostraram ineficientes.

Em números

Março marca um dos dias ativistas mais importantes do país. No Dia Internacional da Mulher, olhar para os dados é essencial para compreender as desigualdades de gênero no Brasil. Pesquisas do Ipea analisam indicadores sociais e econômicos que revelam desafios ainda presentes no cotidiano das mulheres. Do tempo dedicado ao trabalho doméstico e de cuidados às diferenças de renda e participação no mercado de trabalho.
Essas evidências ajudam a qualificar o debate público e a orientar políticas voltadas à promoção da igualdade de gênero.
51,5%. É a participação das mulheres na população brasileira, maioria demográfica que contrasta com desigualdades persistentes em renda e trabalho.
54,1%. É a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho, cerca de 20 pontos percentuais abaixo da dos homens (74,3%).
10 horas. É o tempo adicional que as mulheres dedicam, em média, por semana, ao trabalho doméstico e de cuidados não remunerado, em relação aos homens. 69,9%. É o percentual de mulheres negras entre as pessoas que exercem trabalho doméstico e de cuidados remunerado no Brasil, evidenciando desigualdades de gênero e raça.
Acesse o Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça: são mais de 300 indicadores produzidos, analisados e disponibilizados, além de mais de 2 mil gráficos para download.

De olho
Marque na agenda
  • Participe da pesquisa Desinformação e Políticas Públicas. O questionário, que pode ser respondido até 15 de maio, tem duração de cerca de 15 minutos. Feito em parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o levantamento irá mapear como servidores e gestores públicos percebem, vivenciam e lidam com episódios de desinformação no cotidiano institucional. Servidoras e servidores ocupantes de cargo em comissão ou função de confiança da Administração Pública Federal receberão o convite pelo aplicativo SouGov.
  • No próximo dia 27 de abril, o Ipea sedia o seminário "Experiências institucionais em combate ao racismo e promoção da igualdade racial”. O encontro, na sede do Instituto, em Brasília, reunirá diferentes instituições para compartilhar práticas, construir parcerias e debater novos caminhos na promoção da equidade racial na esfera pública. Transmissão pelo canal do Ipea no YouTube.

Veja nesta edição:

  • Destaques: A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais | Prêmio Mulher Economista | Comitiva à China | Dia das ONGs
  • Ponto Ipea: 5º. episódio da 2ª. Temporada: Todo mundo tem as mesmas 24h?
  • Zoom: Uma nova ocupação no século 21?
  • Em números: A representação de pessoas trans nas bases de dados oficiais do Brasil
  • De olho: Pesquisa sobre profissionais de segurança pública | Brasil em cenário protecionista | Chamada para eventos científicos e acadêmicos
  • Marque na agenda: Semana da Avaliação

Fim da escala 6x1 teria impacto inferior a 1% nos custos de grandes setores

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um novo estudo contesta a ideia de que a redução da jornada leva automaticamente à queda do PIB. Foram analisados os custos de uma redução da jornada para 40h e 36h: mais de 13 milhões de trabalhadores estão empregados em setores como indústria e comércio, nos quais o impacto direto de uma redução da jornada para 40 horas seria inferior a 1% do custo operacional. A redução da jornada de trabalho elevaria o custo médio do trabalho celetista em 7,84% no caso de uma jornada de 40 horas semanais e em 17,57% caso a jornada fosse reduzida para 36 horas.

As jornadas mais longas predominam em ocupações de baixa remuneração, menor escolaridade e maior rotatividade. A grande maioria dos 44 milhões de trabalhadores celetistas em 2023 tinha jornada de 44h semanais: 31.779.457, o que equivale a 74%. Em 31 dos 87 setores econômicos analisados, mais de 90% dos trabalhadores têm jornadas acima de 40h semanais. A remuneração mensal média para os vínculos de 40h semanais é de R$ 6.211. Os trabalhadores com jornada de 44h recebem, em média, apenas 42,3% desse valor. A desigualdade é ainda maior quando se observa o salário por hora: a remuneração horária da jornada de 44 horas corresponde a 38,5% daquela registrada entre os contratos de 40 horas semanais. Mais de 83% dos vínculos de pessoas com ensino médio completo ou menos estão nessa condição, proporção que cai para 53% entre aqueles com ensino superior completo.

Presidenta do Ipea, Luciana Servo recebe a medalha Mulher Economista do Ano

Luciana Servo foi eleita Mulher Economista de 2025 pelo Sistema Cofecon/Corecons, que reúne o Conselho Federal de Economia (Cofecon) e os conselhos regionais de Economia. Ela recebeu o prêmio durante cerimônia realizada no dia 6 de fevereiro na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A premiação busca reconhecer e valorizar mulheres que atuam em funções estratégicas na economia, tanto no campo teórico quanto no aplicado, e que contribuem, com seu conhecimento e atuação, para o desenvolvimento econômico com justiça social. “Receber esse prêmio é, antes de tudo, uma honra, porque eu estou seguindo uma linha de mulheres economistas que eu admiro imensamente, mulheres que alinham rigor intelectual com um compromisso público profundo”, afirmou a presidenta durante a cerimônia.

Missão do Ipea à China fortalece cooperação em inovação e saúde

Entre 26 e 31 de janeiro, uma comitiva do Ipea esteve em missão institucional à China para ampliar a cooperação bilateral em desenvolvimento produtivo, inovação e saúde pública. A agenda incluiu reuniões com centros de pesquisa governamentais, universidades e instituições estratégicas nas áreas de macroeconomia, política industrial e tecnologia.

Os encontros abordaram temas como financiamento ao desenvolvimento, empresas estatais, envelhecimento populacional e digitalização de serviços públicos de saúde. O Instituto apresentou iniciativas como a Nova Indústria Brasil (NIB), as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), e discutiu possibilidades de pesquisa conjunta e intercâmbio de pesquisadores.

Mapa das OSCs é ferramenta estratégica para as organizações brasileiras

O Dia Mundial das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) foi celebrado em 27 de fevereiro. No Brasil, o Ipea é responsável por gerir o Mapa das OSCs, criado a partir do Decreto 8.726/2016, que regulamenta o Marco Regulatório das OSCs. Essa plataforma virtual de transparência pública é colaborativa e contém dados de organizações de todo o Brasil: são 661.869 ativas. O site traz informações sistematizadas a partir dos dados gerais, com infográficos dinâmicos com os principais indicadores.

Ponto Ipea

Todo mundo tem as mesmas 24h?

O relógio marca o mesmo tempo para todos, mas a vida não. As desigualdades aparecem nas horas de deslocamento, nas jornadas múltiplas e, sobretudo, nas rotinas de cuidado que recaem majoritariamente sobre as mulheres.

O episódio discute como o tempo é distribuído de forma desigual, o que as pesquisas conseguem medir e por que isso importa para o desenho de políticas públicas. Participam Carolina de Assis, astrônoma; Gabriela Freitas da Cruz, pesquisadora do Ipea; e Joana Mostafa, pesquisadora e coordenadora de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações na Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea.

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Zoom

Uma nova ocupação no século 21?

O envelhecimento acelerado da população brasileira e a institucionalização recente da Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024) foram os principais motivadores da pesquisa liderada pela técnica de planejamento e pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Sociais, Ana Amélia Camarano, referência no tema. Apesar da centralidade do cuidado na organização social e econômica do país, o Brasil ainda produz poucos dados específicos sobre quem são e em que condições trabalham as pessoas que exercem o cuidado de forma remunerada.

Cuidado remunerado ainda é majoritariamente feminino e negro. 93,9% das respondentes são mulheres, e 66,2% são mulheres negras. A sobrerrepresentação de mulheres negras confirma a persistência da divisão racial do trabalho no setor de cuidados.

Desigualdade racial dentro da mesma ocupação. Mulheres negras concentram-se nas faixas de menor escolaridade, recebem rendimentos mais baixos e enfrentam maior tempo médio de deslocamento (até 66 minutos entre domésticas negras, contra 48,5 minutos entre não negras).

A informalidade estruturante. O acordo verbal é uma das formas predominantes de contratação, e a principal via de acesso ao trabalho ainda é a indicação pessoal (cerca de 90% entre domésticas). Isso reforça a fragilidade de direitos trabalhistas e a dependência de redes informais.

A maioria recebe entre 1 e 1,5 salário mínimo. Entre 41% e 43% das trabalhadoras estão nessa faixa. Mulheres negras estão mais concentradas nas faixas abaixo de 1 salário-mínimo, evidenciando desigualdade intraocupacional.

Em números

Estudo da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais evidencia que, apesar de avanços na coleta de dados sobre identidade de gênero em registros administrativos federais, o Estado brasileiro ainda produz um retrato insuficiente da população trans.

6 áreas de políticas públicas. Assistência social, educação, saúde, registros de identidade, trabalho e previdência, e direitos humanos concentram os dados identificados sobre população trans.

40% É o contingente aproximado da população brasileira registrado no CadÚnico, principal porta de entrada para políticas de assistência social. Em novembro de 2024, o formulário passou a incluir campos específicos para identificar pessoas trans e travestis, além de opções sobre identidade de gênero.

12 sistemas mapeados. A maioria das bases de dados investigadas possui acesso sigiloso, sobretudo as que são ligadas a registros civis, trabalho, previdência e saúde, como CPF, CNIS, Rais, CadSUS e Sinan. Mesmo em dados públicos, como o Censo SUAS, o Disque 100 e o Sisdepen, as informações disponíveis são, em geral, agregadas e anonimizadas, o que limita análises mais detalhadas e interseccionais.

100%. Todos os sistemas analisados apresentam algum tipo de limitação. Seja por ausência de campo específico, falta de padronização ou inconsistência no preenchimento, nenhuma base oferece retrato completo da população trans.

De olho
Marque na agenda
  • Semana da Avaliação. De 26 a 28 de maio, em Brasília, o encontro chega à sua segunda edição para aprofundar o debate sobre o papel da avaliação na construção de políticas públicas mais justas, eficientes e informadas por evidências. Especialistas, gestores e pesquisadores do Ipea, Enap, Fiocruz e Embrapa se reúnem para discutir métodos, resultados e desafios da avaliação no Brasil. Informações sobre inscrição em breve.

Veja nesta edição:

  • Destaques: Protocolo para pesquisa nacional sobre catadores e catadoras / Revista Tempo do Mundo bem avaliada pela Capes
  • Ponto Ipea: 4º. episódio da 2ª. temporada: Trabalho Doméstico - Conquista de direitos
  • Zoom: PIB brasileiro com acordo Mercosul-EU
  • Em números: Metade dos professores da educação básica terá isenção do Imposto de Renda
  • De olho: Boletim Radar / Prêmio Tesouro Nacional / Roda de conversa Democracia e Vida Cotidiana / Mulher Economista

Revista Tempo do Mundo bem avaliada pela Capes

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Classificada como Qualis A2 na avaliação da Capes referente ao quadriênio 2021–2024, a Revista Tempo do Mundo consolida seu papel como espaço qualificado de debate sobre política internacional e desenvolvimento. Entre 2021 e 2024, a publicação manteve sua periodicidade quadrimestral, com 16 edições e cerca de 200 artigos organizados em dossiês temáticos coordenados por especialistas, voltados às agendas centrais da política externa brasileira.

A mais recente edição da revista, dedicada ao BRICS, reforça esse posicionamento ao reunir 21 artigos sobre governança global, multilateralismo e os desafios da presidência brasileira do bloco em 2025. O dossiê analisa o papel do BRICS em um cenário de fragmentação geopolítica e destaca a atuação do Brasil na articulação do Sul Global, ampliando o debate acadêmico sobre cooperação econômico-financeira, reformas institucionais e inserção internacional do país.

Ipea e Ministério das Mulheres firmam parceria para pesquisa sobre catadoras e catadores

A presidenta do Ipea, Luciana Servo, e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, assinaram um protocolo de intenções para a realização de estudos e pesquisas na área de recicláveis, com foco na situação das mulheres catadoras. O compromisso prevê a realização de uma pesquisa nacional voltada a produzir um diagnóstico abrangente sobre a cadeia da reciclagem no Brasil e sobre quem compõe a força de trabalho do setor em todas as regiões do país. A pesquisa é elaborada no âmbito do GT5 do Comitê Interministerial para Inclusão Socioeconômica de Catadoras e Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis (CIISC). A ideia é dimensionar a força de trabalho com recortes regionais e comparações territoriais que permitirão compreender diferentes contextos sociais, econômicos e ambientais que estruturam o trabalho da reciclagem no país. A pesquisa também vai estimar fluxos de materiais recicláveis, compostáveis e reaproveitáveis, considerando etapas como produção, importação, reciclagem, compostagem, aterramento e exportação.

Ponto Ipea

O reconhecimento do trabalho doméstico como trabalho é uma conquista recente e ainda desigual. Neste episódio, o Ponto Ipea discute a trajetória das trabalhadoras domésticas na luta por direitos, como a PEC das Domésticas e a Convenção nº 189 da OIT, mostrando os avanços e os desafios da formalização no Brasil. O debate conta com a participação de Maria Noeli dos Santos, liderança sindical e trabalhadora doméstica; Tamis Porfírio, socióloga e autora de A cor das empregadas: A invisibilidade racial no debate do trabalho doméstico remunerado; e Luana Pinheiro, pesquisadora do Ipea e diretora de Economia do Cuidado do MDS.

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Zoom

Depois de quase 30 anos de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia entra em 2026 em sua fase decisiva, à espera da ratificação pelos países membros. O avanço do tratado reacende o debate sobre como ele pode afetar a economia brasileira.

Acordo Mercosul–União Europeia vai impactar o consumidor? O principal efeito do acordo nos preços ao consumidor tende a ser indireto, ao reduzir os custos de produção no país com a importação de máquinas e insumos a preços menores. O acordo pode aumentar a competitividade das empresas brasileiras, com efeitos positivos sobre investimentos, produtividade e, ao longo do tempo, sobre preços e oferta de bens no mercado interno. Mas pode haver também efeitos diretos de queda de preços de produtos vendidos diretamente a consumidor, como bebidas, laticínios e automóveis, embora este efeito deva acontecer de forma gradual ao longo do tempo.

De olho no agro. No Brasil e nos demais países do Mercosul, o agronegócio seria amplamente beneficiado (à exceção de alguns setores, como fibras naturais e leite e laticínios) e as perdas na indústria de transformação seriam concentradas em poucos setores e, ainda assim, com taxas de variação modestas. Sem contar alguns setores que teriam ganhos de produção e emprego, especialmente calçados e artefatos de couro e metais não ferrosos – indica a nota Avaliação dos impactos do Acordo de Livre Comércio Mercosul-União Europeia, publicada em dezembro de 2023 pelo técnico Fernando Ribeiro, da Diretoria de Estudos Internacionais.

Indo mais fundo. A indústria de transformação tende a ter ganho líquido, com aumento estimado de US$ 500 milhões na produção. Quedas em alguns setores seriam compensadas por avanços em áreas com forte demanda na UE, ampliando as exportações brasileiras. O resultado contraria a ideia de que acordos com economias mais desenvolvidas prejudicam a indústria como um todo.

Setores. As importações brasileiras cresceriam em todos os setores, com destaque para máquinas, equipamentos, produtos de metal e eletrônicos, além de alguns segmentos do agronegócio, como carnes, açúcar, bebidas e óleos vegetais.

Em números

Outra nota técnica publicada indica o impacto que a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil terá para os professores da educação básica. 620 mil: Número de professores que deixarão de pagar o imposto.

51,6%: Percentual de docentes isentos a partir de 2026. Antes, eram apenas 19,7%.
82,2%: Dos profissionais da rede privada estarão isentos. Na rede pública, esse percentual é de 42,5%.
1 milhão: Quantidade de professores que terão aumento na renda disponível, seja por isenção ou redução do IRPF. O benefício atinge 73,5% dos professores do Brasil.
R$ 5.079,84: Ganho médio anual estimado para os professora. É como um 14º salário derivado da reforma tributária.

De olho

Veja nesta edição:

  • Destaques: Recomendações para a COP30; Dívidas climáticas; Empregabilidade trans
  • Ponto Ipea: Um olhar para o cuidado
  • Zoom: Inovação & tecnologias ambientais
  • Em números: Inadequações habitacionais no Brasil
  • De olho: Pobreza infantil; Conferência Internacional sobre Comércio e Desenvolvimento; panorama econômico global
  • Marque na agenda: II Seminário: Melhorias Habitacionais – da Saúde do Habitat à Economia Popular; Presença Negra: Forjar Imaginários, Formar Novos Quilombos

COP 30: Recomendações reforçam papel do Brasil na agenda climática global

O Ipea elaborou o Relatório Pré-Evento da COP30, que acontece até sexta-feira (21) de novembro em Belém (PA), com recomendações estratégicas para subsidiar as negociações internacionais e orientar políticas públicas nacionais. O documento reúne propostas debatidas em sete painéis com temas como justiça climática, ciência de dados e transição agroalimentar sustentável, reforçando o papel do Brasil como liderança global na construção de uma agenda climática justa e inclusiva.

Entre as recomendações estão: incorporar a justiça climática como eixo central das políticas de adaptação, fortalecer a infraestrutura pública de dados climáticos e promover uma Aliança Global pela Transição Agroalimentar. As propostas apontam caminhos concretos para integrar equidade social, soberania de dados e sustentabilidade nas políticas públicas. Confira em breve no portal do Ipea.

Imposto sobre super-ricos e imposto corporativo pagariam dívida climática

Um novo estudo do Ipea lista opções justas de arrecadação para os pagamentos de dívidas climáticas: um imposto de 2% sobre centimilionários e um imposto corporativo internacional de 15% poderiam gerar mais de US$ 500 bilhões anuais, que deveriam priorizar países de baixa renda e população mais vulnerável. A dívida climática de um país é a diferença entre o que ele emitiu em toneladas de CO₂ desde 1990 e o seu limite alocado com base na sua população. Para dar um valor real a essa dívida, utiliza-se o conceito de custo social do carbono (SCC), preço pago pela sociedade em danos econômicos por cada tonelada extra de CO₂ lançada na atmosfera (US$ 417 por tonelada de CO₂). Os Estados Unidos é o país que mais ultrapassou seu orçamento de carbono, com 326%, tendo acumulado uma dívida climática de US$ 47,9 trilhões.

Pessoas trans ganham 32% menos e ocupam menos de 25% dos empregos formais no Brasil

Uma nota técnica revelou um panorama inédito sobre a inserção de pessoas trans no mercado formal de trabalho brasileiro. O estudo identificou 38,7 mil pessoas trans entre 14 e 64 anos, majoritariamente jovens (59,8% têm entre 18 e 30 anos) e concentradas no Sudeste (51,1%). Apesar dos avanços, apenas um quarto dessas pessoas têm emprego formal, proporção inferior à da população geral, e as desigualdades são ainda mais marcantes entre mulheres trans e nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Além da baixa inserção, as pessoas trans empregadas formalmente recebem, em média, 32% menos que a média nacional e estão concentradas em setores de menor prestígio, como comércio e serviços. A presença em cargos públicos ou de maior qualificação é mínima e as desigualdades se ampliam quando cruzadas com raça e cor: pessoas trans negras, pardas e indígenas têm rendimentos significativamente menores.

Ponto Ipea

O cuidado é um trabalho que sustenta a vida – mas que segue invisível, desvalorizado e marcado por desigualdades de gênero, classe e raça. O episódio inicial da segunda temporada do podcast Ponto Ipea traz as vozes da socióloga Helena Hirata, de Luana Pinheiro, pesquisadora do Ipea e atual diretora de Economia do Cuidado do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), e de Joana Mostafa, pesquisadora e coordenadora de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Ipea.

O podcast está disponível no Spotify, Deezer, Amazon ou Youtube


Zoom

Inovação e os caminhos brasileiros

Áreas mais prósperas. A inovação voltou ao centro do debate econômico com o Nobel de 2025. Graziela Zucoloto, coordenadora-geral de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura (Diset/Ipea), enfatiza que os avanços históricos em setores como petróleo, aviação e, mais recentemente, farmacêutico indicam a capacidade brasileira para gerar conhecimento e difundir tecnologia.

Adaptação. Zucoloto destaca que a inovação brasileira nem sempre acontece via ‘produtos’ inéditos no cenário global, mas em soluções adaptadas às necessidades sociais e produtivas do país. Em muitos casos a inovação se dá pela incorporação de tecnologias já existentes, com ganhos diretos de produtividade e inclusão.

Impactos sociais e econômicos profundos. Outro ponto central é a relação entre inovação e sustentabilidade. A pesquisadora associa o conceito de “destruição criativa” à substituição de tecnologias poluentes por processos produtivos mais limpos, movimento que define as tecnologias ambientais.
Transição com investimento. Com potencial expressivo na adoção de energias renováveis, como solar e eólica, o Brasil pode se beneficiar com essa transição. O desafio está em garantir continuidade às políticas públicas que sustentam esse ciclo, especialmente diante de restrições orçamentárias que podem reduzir o investimento em pesquisa e desenvolvimento. Fortalecer o financiamento à ciência e estimular a inovação verde são passos decisivos para um modelo de desenvolvimento sustentável e competitivo.

Em números

Novo estudo do Ipea traz um diagnóstico atualizado das inadequações habitacionais no Brasil e estima o custo para superá-las, evidenciando a necessidade de uma política de habitação estruturada.

16,3 milhões. É a quantidade de famílias brasileiras que vivem em casas com inadequações como falta de abastecimento de água pela rede pública e de esgotamento sanitário.
1,2 milhão dessas famílias vivem em casas sem banheiro. Delas, 83,5% são chefiadas por pessoas negras e 70% por mulheres.
12%. É o total de famílias da Bahia que moram em situação inadequada. É o estado com maior concentração, seguido por Pará (9,41%), Pernambuco (8,17%) e Rio de Janeiro (7,82%).
R$274 bilhões. É o custo estimado para superar os problemas habitacionais identificados.

De olho
Marque na agenda
  • Seminário: Melhorias Habitacionais – da Saúde do Habitat à Economia Popular: acontece nos dias 24 e 25 de novembro, das 08h30 às 19h, em Brasília. Interessados podem se inscrever para participar presencialmente. Com transmissão pelo canal do Ipea no YouTube.
  • Presença Negra: Forjar Imaginários, Formar Novos Quilombos: encontro marca o Dia da Consciência Negra e celebra a data no próximo dia 27, das 14h às 17h30, com exibição do filme Vozes e Vãos. Com transmissão pelo canal do Ipea no YouTube

Veja nesta edição:

  • Destaques: Recorde de renda e menor nível de pobreza e desigualdade / Reservas e minerais estratégicos / Posse dos novos servidores do Ipea
  • Ponto Ipea: 3º episódio da 2ª temporada: Trabalho Doméstico - ‘Ela é quase da família’
  • Zoom: Oficina Cidadã de Dados e a Política de Habitação
  • Em números: Mortalidade e morbidade das motocicletas e os riscos da implantação do mototáxi no Brasil
  • De olho: Principais notícias
  • Marque na agenda: Participe da pesquisa Evidências e Mudança do Clima

Brasil registra recorde de renda e menor nível de pobreza e desigualdade

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Em 2024, o Brasil teve os melhores resultados da série histórica das pesquisas domiciliares analisadas pelo Ipea: a renda domiciliar per capita cresceu cerca de 70%, o coeficiente de Gini (indicador de desigualdade na distribuição de renda) recuou quase 18% e a taxa de extrema pobreza caiu de 25% para menos de 5%. O aquecimento do mercado de trabalho, somado a políticas de transferência de renda mais eficazes, sustenta esse avanço. Confira a nota.

Com minerais estratégicos em alta, Brasil tem oportunidade para expandir a produção

O Brasil reúne amplas reservas de minerais estratégicos para a transição energética, como grafita, terras raras, manganês, níquel e bauxita, mas ainda explora pouco esse potencial em termos de produção e indústria. O país concentra fatias relevantes das reservas globais desses insumos, ao mesmo tempo em que a produção de vários deles recuou nos últimos anos, em contraste com a expansão observada em outros grandes atores.
O estudo do Ipea, fruto de acordo de cooperação técnica com a Agência Nacional de Mineração (ANM), alerta para o risco de o país permanecer como exportador de minérios brutos e importador de tecnologias verdes de alto valor agregado. Para reverter esse quadro, o texto aponta a necessidade de alinhar política mineral, industrial e energética, reduzir incertezas regulatórias, ampliar investimentos em prospecção e pesquisa geológica e fortalecer a capacidade industrial ligada à economia verde.

Novos servidores: renovação de quadros reforça missão institucional e diversidade

A cerimônia de posse coletiva de 20 novos técnicos de planejamento e pesquisa marcou um novo ciclo de renovação do Ipea, com a chegada de servidores que se somam aos 80 nomeados em 2024. No encontro, a presidência e as diretorias enfatizaram a força da marca do instituto, o papel estratégico na produção de evidências para qualificar políticas públicas e a importância de uma atuação integrada, diversa e transversal sempre atenta às desigualdades sociais, raciais, regionais e ambientais.

Ponto Ipea

O terceiro episódio da 2a. temporada discute como a herança do passado escravista atravessa o trabalho doméstico no Brasil, um setor marcado por desigualdades e por ambiguidades afetivas nas relações entre patrões e trabalhadoras. Aqui conversam a socióloga Tamis Porfírio, a trabalhadora doméstica Maria Noeli dos Santos e Joana Mostafa, pesquisadora e coordenadora de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc).

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Zoom

Melhorias habitacionais e assistência técnica. A moradia é um dos principais temas da agenda de políticas públicas no Brasil, marcada por um déficit ainda elevado e, sobretudo, por milhões de domicílios que apresentam condições inadequadas de habitabilidade. Esse diagnóstico esteve no centro do Seminário Melhorias Habitacionais: da Saúde do Habitat à Economia Popular, que discutiu como grande parte do problema habitacional hoje não está apenas na falta de casas, mas na precariedade de moradias já existentes, com impactos diretos sobre a saúde e o bem-estar da população.

Indo mais fundo. A saída passa por uma política robusta de melhorias habitacionais, articulada à Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (Athis, prevista na Lei nº 11.888/2008), levando engenheiros, arquitetos e equipes técnicas para apoiar reformas e qualificar moradias ocupadas, sem depender exclusivamente da construção de novas unidades.

Parcerias em habitação e urbanização. Há uma trajetória de cooperação do Ipea com o Ministério das Cidades na formulação de políticas de habitação e urbanização de assentamentos precários, incluindo o Plano Nacional de Habitação (PlanHab) e iniciativas de reabilitação de áreas centrais, além de parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-BR) sobre inadequações habitacionais.

Oficina cidadã de dados. O Ipea vai promover esse espaço de formação e prática em que comunidades e organizações sociais aprendem a produzir, organizar e analisar informações sobre a própria realidade habitacional. Moradores, coletivos e movimentos locais levantam dados de forma colaborativa como sujeitos que definem o que querem conhecer e monitorar. Essa produção subsidia diagnósticos e ajuda a pautar políticas públicas mais próximas das necessidades reais dos territórios.

Assessorias técnicas e sociedade civil. Em novembro, a primeira oficina abordou a produção cidadã de dados como ferramenta estratégica para políticas sociais, com foco nas melhorias habitacionais vinculadas à Athis. Foram apresentadas 19 inadequações habitacionais identificadas em estudos recentes, discutidas as possibilidades de levantamento via CadÚnico e SUS, e aplicado um questionário seguido de debate entre os participantes, além da apresentação de uma experiência piloto. A próxima edição está prevista para fevereiro de 2026.

Autogestão reduz custos e amplia protagonismo. "A articulação com os movimentos sociais é fundamental para termos uma política compreensiva de moradia no Brasil, ou seja, não limitada àquilo que historicamente o país fez, que é a produção de novas unidades numa parceria entre o poder público e o capital privado das construtoras", defendeu Renato Balbim, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.

Em números

Intitulado Mortalidade e Morbidade das Motocicletas e os Riscos da Implantação do Mototáxi no Brasil, um estudo da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur) analisa a explosão da frota de motocicletas no país e seus efeitos sobre a segurança viária e o sistema de saúde. A nota técnica recompõe a evolução das mortes e internações de motociclistas nas últimas décadas, estima o custo desses sinistros para o Sistema Único de Saúde (SUS) e discute os riscos de ampliar serviços como o mototáxi sem regras claras de segurança e fiscalização..

40%: É a participação das motos nas mortes por acidentes de trânsito no Brasil em 2023, ante apenas 3% no fim dos anos 1990
60%: É o percentual de internações por acidentes de transporte terrestre no SUS que envolvem motociclistas, mostrando o peso desse tipo de veículo na rede hospitalar
R$ 270 milhões: é o montante gasto em 2024 com internações de vítimas de sinistros com motos, quase dois terços de todas as despesas hospitalares ligadas a acidentes de trânsito.

De olho

Veja nesta edição:

  • Destaques: Seminário ‘Do Conhecimento à Ação – Diálogo Estratégico para a COP30’; conferência de think tanks do Sul Global em São Paulo
  • Ponto Ipea: Nomeação de pesquisador do Ipea para elaboração do Relatório Global sobre o Desenvolvimento Sustentável da ONU
  • Zoom: : Modelagem macroambiental
  • Em números: niversalização de serviços de saneamento básico
  • De olho: Impacto de emendas parlamentares; plataforma GovHub; dados do Fundeb em debate no Senado; prêmio da FIEMG
  • Marque na agenda:Relatório Perspectivas Econômicas Mundiais do FMI; lançamento do livro Monitoramento e Avaliação da Política Externa; lançamento da Edição nº 71 da Revista Planejamento e Políticas Públicas

Seminário Internacional discute propostas e desafios para implementação da Agenda de Ação da COP30

Foto: Helio Montferre/Ipea

Nos dias 9 e 10 de outubro o Ipea reuniu, em Brasília, especialistas nacionais e internacionais, representantes do governo e da sociedade civil no seminário “Do Conhecimento à Ação: Diálogo Estratégico para a COP30”. O objetivo foi criar um espaço de debate sobre temas centrais à pauta climática, com foco na implementação das políticas, e propor recomendações para a Agenda de Ação da conferência, marcada para novembro, em Belém (PA). Confira alguns destaques:
Uso de dados na resposta a eventos climáticos
Representantes do Ipea e de outros órgãos como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) discutiram o papel dos dados na formulação de soluções para eventos climáticos no Brasil. Para eles, os sistemas de dados podem fornecer governança climática em nível subnacional e aprimorar a capacidade de resposta do governo.
Rafael Pereira, coordenador de Ciência de Dados do Ipea, apresentou a experiência recente de apoio às ações federais nas enchentes do Rio Grande do Sul, em abril de 2024. O trabalho envolveu o mapeamento de pessoas e empresas atingidas, com o uso do Geocode BR, pacote em linguagem R totalmente aberto e gratuito, capaz de geolocalizar grandes bases de dados nacionais — como os 40 milhões de domicílios do Cadastro Único — em cerca de uma hora, sem custo adicional.
Sistemas alimentares sustentáveis
Embora a maior parte da atenção ao debate climático vá para o tema da transição energética, o sistema agroalimentar responde por ⅓ das emissões na escala global. No Brasil, considerando os efeitos direto e indiretos, essa participação é de 75%. No encontro, especialistas abordaram os desafios para a implementação de políticas públicas favoráveis à transição para sistemas alimentares sustentáveis. O sistema agroalimentar pode dar respostas rápidas para o enfrentamento da crise climática por já ter um conjunto de tecnologias na chamada agropecuária regenerativa. Como vantagem adicional, o Brasil tem um número grande de pequenos produtores, produtores familiares e comunidades tradicionais, que poderiam se beneficiar dos recursos para transição.
“Precisa de uma mensagem muito clara: precisamos superar a monotonia que hoje marca as várias dimensões do sistema agroalimentar global, a monotonia da produção agrícola, da produção animal e do consumo. Porque por trás dessa monotonia estão formas de relação entre sociedade e natureza que geram enormes impactos ambientais e para a saúde humana”, disse Arilson Favaretto, professor da Universidade de São Paulo (USP).
Soberania digital aplicada ao clima
No painel que discutiu Inteligência Artificial para Clima, o debate chegou em uma das estratégias da atual gestão federal sobre o tema: privilegiar dados públicos, modelos e softwares abertos e preservar o domínio tecnológico local. Foram apontados riscos, como a governança, a captação privada e o greenwashing. O debate também alertou para a dependência de nuvens/softwares estrangeiros e para os efeitos de jurisdições externas sobre dados estratégicos.
“Precisamos observar que estrutura vamos criar para governar essa tecnologia. Já se estão montando fóruns internacionais em que decisões sobre o desenvolvimento da IA e sua governança estão sendo tomadas e isso está sendo muito dominado pelos principais países do norte, sobretudo os Estados Unidos. Precisamos elaborar como atuar nesses espaços e participar dessa governança como um ator importante”, reforçou Sérgio Queiroz, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.
Emergência climática e soluções foram abordados na primeira temporada do Ponto Ipea, o podcast do Instituto e Pesquisa Econômica Aplicada. Quer se aprofundar no tema? Os episódios estão disponíveis no Spotify, Deezer, Amazon e Youtube.

Conferência reunirá 71 think tanks do Sul Global em São Paulo

Nos dias 27 e 28 de outubro acontecerá, em São Paulo, a Southern Voice Conference 2025, um evento bienal que reúne os principais think tanks da África, Ásia, América Latina e Caribe para compartilhar pesquisas e repensar, de forma coletiva, os desafios atuais do desenvolvimento global.
Neste ano, somos um dos co-anfitriões do encontro, que terá o tema “Reimaginando a Arquitetura do Desenvolvimento Global”. O objetivo é ir além do diagnóstico e apresentar propostas de soluções concretas para os desafios da atualidade, colocando as perspectivas do Sul Global no centro do debate.
O evento terá quatro plenárias principais: 1- Prioridades do Sul para a Liderança do Desenvolvimento; 2- Perspectivas do Sul, Influência Global: Repensando Nosso Papel; 3- Rumo à Agenda Pós-2030: Moldando a Arquitetura do Desenvolvimento, 4- Ação Coletiva para 2026-2028: Das Ideias à Implementação. Além disso, haverá trilhas temáticas para exploração aprofundada de interesses e oportunidades compartilhados. Para saber mais, acesse o site da conferência.

Ponto Ipea

Fabio Veras, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, foi indicado pelo governo brasileiro e nomeado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para integrar o Grupo Independente de Cientistas, responsável pela elaboração do Relatório Global sobre o Desenvolvimento Sustentável 2027. O documento é o principal insumo científico a orientar as deliberações da Cúpula dos ODS. “O relatório pode oferecer um roteiro com pontos de entrada para a transformação. Ele pode mostrar como diferentes áreas — saúde, educação, meio ambiente, erradicação da pobreza, combate à mudança climática — estão interconectadas e ajudar os governos a desenharem estratégias mais coerentes e integradas”, disse o pesquisador.

 

Zoom

A Estratégia Brasil 2050
Não é difícil imaginar que o clima impacta a economia e que a economia impacta o clima. Mas como avaliar esse impacto? Como incluir a variável clima nas modelagens e nas projeções macroeconômicas? O Ipea tem se debruçado sobre esse desafio e a área de macroeconomia está desenvolvendo projetos de pesquisa em três níveis.
Modelos de uso do solo.
O primeiro deles é o desenvolvimento de modelos de uso do solo. O objetivo é avaliar o impacto da mudança do clima em diversos biomas e, consequentemente, as implicações na produção agrícola e pecuária.
Estrutura produtiva.
Dando um passo adiante, também estão sendo desenvolvidos modelos que começam a olhar para a estrutura produtiva como um todo, a partir de matrizes insumo-produto e de emissão de carbono equivalente. A ideia é a seguinte: mudanças econômicas alteram o uso de determinados insumos, o que, por sua vez, altera o padrão de emissão de carbono. Um exemplo seria a instituição de um o imposto sobre carbono: ele pode, ao mesmo tempo, reduzir as emissões, ter impacto negativo no PIB e nos empregos e impacto positivo na seara fiscal. Ter modelos econômicos que ajudem a avaliar esses impactos contribui para a melhor tomada de decisão.
Política monetária, fiscal e consumo.
No terceiro nível, há iniciativas de pesquisa para medir o impacto macroeconômico propriamente dito. Esses modelos estão tentando avaliar as políticas fiscais e monetárias necessárias para lidar com eventos climáticos e o impacto delas em PIB, inflação e emprego. Em breve, haverá muitos estudos do Ipea publicados sobre o tema. Fique de olho em nossos canais!

Em números

R$ 300,89 a R$ 393,93. É a faixa de custo operacional anual por pessoa para universalizar os serviços de água e esgoto usando como referência os municípios mais eficientes do país. O Ipea analisou dados oficiais e cidades que já prestam bem o serviço para calcular valores-referência por porte. Esses números ajudam gestores a planejar contratos e programas com custos realistas.
37,8%. É a parcela de água potável perdida na distribuição. Além disso, apenas 52,2% do esgoto coletado é tratado (2022). 2033. É o ano-meta do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) para universalização: 99% dos domicílios com água e 92% com esgoto; em 2022, os índices estavam em 95,6% e 77,4%, respectivamente.

De olho
Marque na agenda
  • Apresentação do relatório Perspectivas Econômicas Mundiais do FMI – World Economic Outlook – WEO: acontece no próximo dia 22/10, às 9h, no auditório do Iphan em Brasília. Interessados podem se inscrever para participar presencialmente.
  • Lançamento do livro Monitoramento e Avaliação da Política Externa – Bases Normativas, Questões Teórico-Metodológicas e as Particularidades do Caso Brasileiro: será no dia 22/10, das 15h às 17h, no Ipea. Estão abertas as inscrições para participação presencial. Haverá transmissão pelo YouTube.
  • Lançamento da revista Planejamento e Políticas Públicas (PPP): Edição nº 71 da publicação tem o tema Meio Ambiente. O lançamento será no dia 28/10, das 9h às 12h, na sede do Ipea em Brasília. Com transmissão pelo YouTube.

Veja nesta edição:

  • Destaques: Transferência de renda e mercado de trabalho; capacidade fiscal e índice de desenvolvimento das cidades; desigualdade de raça e gênero e impactos distributivos dos gastos públicos; aposentadorias especiais no Brasil
  • Ponto Ipea: O papel da Amazônia na regulação do clima
  • Zoom: Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza
  • Em números: Emendas parlamentares destinadas a saúde e assistência social; envelhecimento populacional no Brasil e na América Latina
  • De olho: Celebração do Consenso de Brasília; agronegócio como motor de crescimento e exportações; financiamento climático no crescimento econômico
  • Marque na agenda: Seminário sobre transição justa; integração e qualificação de dados públicos; envelhecimento populacional e protagonismo legislativo e orçamentário do Congresso Nacional.

Transferência de renda levou mulheres a deixarem trabalhos precários

O aumento do piso do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, em agosto de 2022, resultou em uma leve redução na participação de beneficiários no mercado de trabalho - entre 2% e 4%. O efeito, porém, foi restrito a casos muito específicos, sobretudo de pessoas em ocupações precárias. As mulheres foram as mais impactadas: embora representassem 43% dos beneficiários que estavam na força de trabalho antes do reajuste, elas responderam por 61% das saídas após o aumento. A proporção é ainda maior entre as que são responsáveis pelo cuidado de crianças de até 10 anos. A Nota Técnica indica que não se trata de um desincentivo generalizado ao trabalho, mas de uma mudança localizada, que permitiu a algumas mulheres abandonarem ocupações precárias para se dedicar às tarefas de cuidado doméstico.

Norte e Nordeste concentram casos críticos de vulnerabilidade fiscal e socioeconômica

Um estudo do Ipea analisou a relação entre a receita total per capita — isto é, quanto dinheiro público cada município tem disponível, em média, por habitante — e o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC). Os resultados mostram que 38,5% dos municípios brasileiros estão no grupo de baixa receita e baixo IDSC, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Já a maior parte da população (56%) vive em cidades de baixa receita, mas com alto IDSC, comuns no Sul e em várias capitais.
O grupo de alta receita e alto IDSC, por sua vez, aparece com destaque em São Paulo e no Rio Grande do Sul, mas não está presente em alguns estados do Norte e do Nordeste. Já os municípios com alta receita e baixo IDSC se concentram principalmente no Centro-Oeste, em especial no Mato Grosso.
O estudo aponta que regiões com maior capacidade de governança conseguem formular estratégias coletivas mais eficazes, enquanto regiões com baixa governança enfrentam maiores déficits sociais e institucionais. Para superar os desafios, é necessário fortalecer as capacidades locais de arrecadação, de planejamento e de execução de políticas. Confira o trabalho completo aqui.

Serviços públicos beneficiam negros e mulheres pobres, mas falham em reduzir disparidades

Qual o papel redistributivo dos gastos públicos com saúde e educação no Brasil com foco na desigualdade de raça e gênero? Uma pesquisa desenvolvida em conjunto com o Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades | FEA-USP revela que esses benefícios incidem principalmente sobre os 10% mais pobres e as famílias chefiadas por mulheres negras, demonstrando um caráter pró-pobres e pró-negros.
Embora a saúde e educação públicas reduzam a desigualdade de renda total, elas alteram pouco a desigualdade atribuída às diferenças entre os grupos raciais e de gênero. O efeito redistributivo ocorre pela concentração da população negra nos estratos de renda mais baixos, que utilizam estes serviços substancialmente mais, e não por políticas desenhadas especificamente para enfrentar essas disparidades.

Brasil tem 39% de aposentadorias especiais, acima da média internacional

No Brasil, 38,7% do total de aposentadorias do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) têm tratamento diferencial em razão do vínculo ocupacional ou do exercício de trabalhos penosos, árduos ou insalubres. Isso representa mais que três vezes a amplitude da Grécia (11%), país membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que possui maior proporção.
Para o autor do estudo, é preciso mais rigor técnico na criação e manutenção das aposentadorias especiais, além de revisões periódicas nos critérios de concessão e o aperfeiçoamento de políticas de segurança e saúde do trabalho. Entre as prioridades para corrigir as distorções estão o alinhamento das regras dos militares às dos trabalhadores civis e o fortalecimento de programas de requalificação e comunicação de riscos, facilitando a transição para empregos mais saudáveis, especialmente para trabalhadores de idade mais avançada e com baixo nível de qualificação.

Ponto Ipea

No último episódio da série sobre mudança de clima, as atenções se voltam à Amazônia. Palco da COP30, o bioma enfrenta cenário crítico de desmatamento e queimadas ao mesmo tempo em que muito se fala de seu papel vital na regulação do clima. Mas o que é, de fato, a Amazônia? Do que ela é capaz? Edel Moraes, secretária Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Bruna Rocha, arqueóloga e professora da Universidade Federal do Oeste do Pará; e Gustavo Luedemann, pesquisador do Ipea discutem essas e outras questões.

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Zoom

Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

Quase um ano após o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, o Ipea vem exercendo função primordial na operacionalização do acordo multilateral. O instituto é responsável pela curadoria de programas que compõem a Cesta de Políticas da Aliança, até que o processo de contratação do mecanismo de apoio seja finalizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Baseada em evidências.  Na curadoria, o Ipea avalia os instrumentos de políticas públicas a partir de cinco critérios definidos nos documentos fundadores da Aliança, aprovados durante a força-tarefa do G20. Também analisa evidências e boas práticas nacionais e internacionais.

Erradicação da pobreza. Um dos cinco critérios para Inclusão para Instrumentos de Políticas e Experiências de Países é contribuir, principalmente, para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 1 e 2 da Agenda 2030.

Políticas selecionadas.  Até agora, mais de 50 instrumentos já foram incluídos na cesta. Eles são apresentados em dois níveis: o primeiro mais geral, com uma breve descrição de suas características, e o segundo trazendo a experiência de países, destacando variações de desenho, implementação e impactos. Conheça aqui os macrotemas.

Deu match. O Ipea também atua em outra frente, que é o apoio para implementação das políticas de combate à fome e à pobreza. Para isso, tenta alinhar a demanda de alguns países - seja por apoio técnico ou financeiro - com a oferta de suporte de outras nações. Até agora, são nove países que estão tendo seus projetos avaliados.

Membro da força-tarefa e coordenação inicial. O Brasil comprometeu-se a financiar 50% dos custos do Mecanismo de Apoio até 2030, com contribuições adicionais de Noruega, Portugal e Espanha. Desde o início, o Ipea tem atuado ao lado do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) para viabilizar as operações iniciais da Aliança.

Sede. O Ipea será responsável por preparar o espaço físico, em Brasília, que sediará o principal escritório da Aliança no Sul Global. Nessa representação serão alocados quatro funcionários do mecanismo que atuarão a partir do Brasil.

Em números

227%. É esse o percentual de crescimento dos valores destinados à assistência social por meio de emendas parlamentares entre 2005 e 2024. Embora vultosos, os recursos não alcançam todos os municípios. Em 2022 e 2023, 50% das cidades brasileiras não receberam nenhuma verba de emenda parlamentar para a assistência social e apenas entre 5% e 10% dos municípios obtiveram valores superiores a R$ 50 per capita/ano.

R$ 186 por habitante. Foi o valor de emendas parlamentares destinadas à atenção primária à saúde recebido por Alagoas, que liderou o ranking. No Distrito Federal, a média por habitante foi de apenas R$0,80. Na atenção especializada, o maior valor per capita foi registrado no Amapá (R$262) e o menor em Santa Catarina (R$39,60).

R$ 93,3 bilhões por mês. Foi o valor movimentado pela população com mais de 60 anos em 2023, o que equivale a 22,9% da renda total das famílias brasileiras. Dados mostram a necessidade de repensar estratégias de desenvolvimento a partir do envelhecimento populacional.

De olho
Marque na agenda
  • Seminário Projeto de Transição Justa no Âmbito das Finanças Sustentáveis: acontecerá nos dias 16 e 17 de setembro, das 9h às 18h, na sede do Ipea em Brasília. Com transmissão pelo YouTube.
  • Seminário Integração e Qualificação de Dados Públicos - Caminhos para a gestão e transparência: com representantes do Ipea, Ouvidoria-Geral da União, Controladoria-Geral da União, ministérios da Fazenda e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e da Universidade de Brasília, evento acontecerá no dia 23/9, das 9h às 12h. Interessados podem se inscrever para participar presencialmente ou assistir pelo YouTube.
  • Seminário Beneficiômetro - Envelhecimento populacional e os desafios para a seguridade social: no dia 25/9, das 14h às 17h30, na sede do Ipea, em Brasília. Serão discutidos desafios, inovações institucionais e coordenação multinível de políticas. Inscrições para participação presencial no site do Ipea. Com transmissão pelo YouTube.

Veja nesta edição:

  • Destaques: Avaliação de gastos tributários; consulta pública para revisão das metas dos ODS
  • Ponto Ipea: Cidades, racismo ambiental e mudança do clima
  • Zoom: : Estratégia Brasil 2050
  • Em números: Inovação por micro e pequenas empresas; arrecadação com Imposto Global Mínimo
  • De olho: Assistência técnica de conservação do patrimônio cultural; inteligência artificial nos países do BRICS; seleção para programa de Mestrado do Ipea; gasto social com crianças e adolescentes
  • Marque na agenda: Evento sobre coesão social, desenvolvimento social inclusivo e democracia.

Gastos tributários chegam a R$ 520 bilhões e acendem alerta sobre necessidade de avaliação permanente

Os gastos tributários, compostos por isenções, deduções, alíquotas diferenciadas e regimes especiais, alcançaram cerca de R$ 520 bilhões em 2023. Apenas os subsídios da União, excluídos os benefícios de estados e municípios, representam cerca de 6% do PIB, o que equivale a seis vezes o custo do Bolsa Família, o maior programa de transferência de renda do mundo.

Seminário discutiu o impacto desses gastos no orçamento federal e a urgência de institucionalizar a avaliação desses incentivos. O Ipea produziu um Policy Brief com o resumo dos estudos apresentados e materiais sintéticos com algumas informações debatidas sobre imposto de renda, incentivos fiscais para Amazônia e Nordeste e MEI.

Foto: Helio Montferre/Ipea

Consulta Pública para revisão das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Está aberta, até o dia 31 de agosto, a Consulta Pública para revisão e adequação das metas globais dos ODS à realidade brasileira. As propostas, desenvolvidas em 17 oficinas temáticas coordenadas pelo Ipea em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República e com a Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), estão disponíveis na plataforma Brasil Participativo. Qualquer pessoa com cadastro ativo no gov.br pode contribuir!

Ponto Ipea

A primeira temporada do Ponto Ipea, o podcast do Instituto e Pesquisa Econômica Aplicada, está abordando a mudança do clima. Já passamos por justiça climática, transição energética, mineração, financiamento e inovação. Agora, é hora de ouvir sobre cidades, resiliência climática e racismo ambiental. O episódio conta com a participação de Paula Balduíno, diretora de Políticas para Quilombolas e Ciganos do Ministério da Igualdade Racial; Lídia Lins, advogada, pesquisadora e ativista; e Gesmar Rosa dos Santos, pesquisador do Ipea.

O podcast está disponível no Spotify, Deezer, Amazon ou Youtube


Zoom

A Estratégia Brasil 2050 é um plano de longo prazo para enfrentar os desafios do desenvolvimento, coordenado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). Com ampla experiência em desenho e avaliação de políticas públicas, o Ipea está participando das discussões e contribuindo na realização de diagnósticos, com atenção especial à sustentabilidade ambiental e climática.

Compreender o passado e o presente e planejar o futuro. O Ipea fez uma análise situacional e retrospectiva do desenvolvimento brasileiro para fundamentar a Estratégia Brasil 2050. Ela abarcou diversos temas relevantes, organizados em três eixos: desenvolvimento social e garantia de direitos; desenvolvimento econômico e sustentabilidade socioambiental e climática; fortalecimento das instituições democráticas, das capacidades estatais e da soberania nacional. Uma síntese dessa análise está publicada no site do MPO.

Indo mais fundo. Para quem quer aprofundar em temas específicos, há 27 análises situacionais sobre temas como agricultura familiar, inclusão digital, mineração, educação, segurança pública, governo digital, entre muitos outros.

Macroeconomia. Para elaboração da Estratégia Brasil 2050 também estão sendo desenvolvidos quatro estudos estratégicos. O Ipea está à frente de um deles, o de macroeconomia. O objetivo é analisar projeções e cenários para promover um desenvolvimento econômico sustentável, justo e inclusivo.

Infraestrutura e demografia. A instituição também deu contribuições ao estudo de infraestrutura e está realizando trabalhos sobre transição demográfica. No dia 5 de agosto, promoveu, em parceria com o MPO, a Oficina da Estratégia Brasil 2050: Oportunidades e Desafios do Envelhecimento Populacional. No evento, foram apresentados dados que mostram o rápido envelhecimento populacional da América Latina e do Caribe e como essas tendências demográficas causam impactos sobre a economia brasileira. Para se ter ideia, em 2023, a população com mais de 60 anos movimentou cerca de R$ 93,3 bilhões por mês, o equivalente a 22,9% da renda total das famílias brasileiras.

Construção conjunta. Foram muitos momentos de elaboração coletiva no projeto. Junto com representantes de outras instituições, especialistas do Ipea participaram de oficinas de estudos temáticos, de megatendências e incertezas, de cenários, de visão de futuro e objetivos de longo prazo.

Como vamos? E para monitorar se a implementação do plano está no caminho certo, o Instituto ajudou na elaboração de indicadores e metas para 15 objetivos estratégicos e para a visão de futuro, com pontos de controle nos anos de 2030, 2040 e 2050.

Em números

51%. É esse o percentual das micro e pequenas empresas (MPE) entre as organizações brasileiras que lançaram produtos inteiramente novos no mercado entre 2015 e 2017. Os dados estão em nota técnica sobre o papel das pequenas empresas na dinâmica das inovações no Brasil.

R$ 145,6 bilhões. É o valor que poderia ser gerado aos cofres públicos se os 2% mais ricos da população pagassem um Imposto Global Mínimo de 14%, equiparando a contribuição àquela paga por grupos que ganham menos. Proposta está na Nota de Conjuntura 19.

De olho
Marque na agenda
  • Coesão Social, Desenvolvimento Social Inclusivo e Democracia - Subsídios e Desafios para a Implementação de Políticas Sociais de Qualidade: evento paralelo no âmbito da VI Conferência Regional sobre Desenvolvimento Social na América Latina e no Caribe. Acontecerá no dia 01/09, das 14h às 18h, na sede do Iphan, em Brasília. Com transmissão pelo canal do Ipea no YouTube.

Veja nesta edição:

  • Destaques: reforma do imposto de renda; lançamento de portfólio de projetos do BRICS; plataforma para integração de base de dados e aprimoramento da gestão
  • Ponto Ipea: lançamento do podcast do Ipea; Bolsa Família e busca por emprego
  • Zoom: sociedade civil no combate ao racismo ambiental
  • Em números: impacto salarial no Concurso Público Nacional Unificado
  • De olho: últimas notícias sobre o Ipea
  • Marque na agenda: seminário Hipossuficiência e Patrimônio Cultural; oficina da Estratégia Brasil 2050; avaliação do gasto tributário no Brasil; seminário sobre Fundeb

Governo perde R$ 200 bilhões com tributação reduzida do lucro das empresas beneficiadas com regimes especiais

Regimes especiais de tributação, benefícios fiscais e brechas na legislação tributária levam a uma perda de arrecadação de aproximadamente R$ 200 bilhões pelo governo brasileiro. A revisão desses dispositivos criaria espaço fiscal para reduzir a alíquota nominal de IRPJ, a exemplo do que fizeram 31 dos 38 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) entre 2003 e 2023.

Essa é uma das propostas que integram estudo publicado recentemente pelo Ipea, que traz um diagnóstico detalhado do modelo de tributação da renda no Brasil e traz alternativas para torná-lo mais justo e eficiente. Saiba mais.

Ipea lança documento que sistematiza ações do BRICS desde o seu surgimento

Quantos mecanismos de cooperação foram desenvolvidos pelos países do BRICS desde a fundação do bloco? Quais foram os principais resultados atingidos? Como os diferentes países se engajaram nas iniciativas?

Essas e outras questões são respondidas em um portfólio que foi lançado durante o XVII Fórum Acadêmico do BRICS (FABRICS) e traz informações sobre os mais de 180 mecanismos de cooperação do bloco, servindo de referência para a adesão de novos participantes.

Prioridades. O evento foi realizado em Brasília, nos dias 25 e 26 de junho, e reuniu representantes de nove delegações internacionais para discutir os temas prioritários à presidência brasileira do bloco: saúde global; inteligência artificial; comércio e finanças; mudança do clima; arquitetura multilateral de paz e segurança; e desenvolvimento institucional.

Ipea no BRICS. Essa é uma realização do Conselho de Think Tanks do BRICS (BTTC), presidido pelo Ipea em 2025. Neste ano, o Instituto também é o representante do governo brasileiro na Rede de Think Tanks de Finanças do bloco (BTTNF). Nesta página você acompanha as principais ações do Ipea no BRICS.

Foto: Helio Montferre/Ipea

Plataforma integra bases de dados e aprimora gestão estratégica no Ipea

Para facilitar o uso estratégico de dados e informações na gestão, o Ipea conta, agora, com uma plataforma em software livre que integra diferentes bases de dados disponibilizadas por sistemas estruturantes do Governo Federal (como Compras.gov.br, Transferegov.br, SIAFI e SIAPE) e por sistemas próprios do Instituto.

A solução foi desenvolvida pelo Laboratório Avançado de Produção, Pesquisa e Inovação em Software (LAPPIS) da Universidade de Brasília (UnB), por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED). Além da integração automatizada e segura das bases, a plataforma permite visualização personalizada dos dados de acordo com cada necessidade, como orçamento, finanças, estrutura organizacional, força de trabalho, entre outras.

De acordo com a presidenta do Ipea, Luciana Mendes Santos Servo, a proposta pode escalar e trazer uma série de benefícios para a gestão de políticas públicas. “Essa solução, além de ser uma melhoria de gestão para o Ipea e para o governo, traz informações importantes de pesquisa sobre as capacidades estatais, que podem gerar um conjunto de estudos em várias áreas”, concluiu.

Ponto Ipea

Novidade na podosfera

Acaba de ser lançado nos principais tocadores o Ponto Ipea, podcast do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. A primeira temporada trata de mudança do clima. No primeiro episódio, Ana Toni, secretária executiva da Cop 30; Luciana Servo, presidenta do Ipea; Paula Balduíno, diretora no Ministério da Igualdade Racial; e Suliete Baré, diretora no Ministério dos Povos Indígenas falam sobre justiça climática. Escute agora mesmo.

O podcast está disponível no Spotify, Deezer, Amazon ou Youtube

Transferência de renda

Quem nunca ouviu que o Bolsa Família desestimula a busca por emprego? Esse mito popularmente conhecido como “efeito preguiça” foi questionado por artigo recente do Ipea. Com dados da PNAD Contínua, a análise revela que, mesmo com a ampliação expressiva do programa social entre 2019 e 2023, houve avanço nos indicadores de trabalho com carteira assinada,especialmente entre os mais pobres.

Marcos Hecksher, técnico de planejamento e pesquisa, destrincha os dados. Confira:


Zoom

Combate ao racismo ambiental

Escuta pública para construir as agendas de pesquisa tem sido uma das maiores premissas do Presença Negra, coletivo de servidores do Ipea para promoção da luta pela igualdade racial no Brasil. Assim, a intersecção entre raça, gênero e clima foi tema de encontro da casa com organizações da sociedade civil.

Rede de dados. Mapear dados e fontes sobre os impactos da crise climática a partir de marcadores como classe, raça, gênero, idade e território foi o encaminhamento principal do encontro. Também se buscou promover a incidência política junto a órgãos públicos, fortalecendo uma agenda comum de enfrentamento ao racismo ambiental.

Indo mais fundo. A defesa de uma abordagem interseccional e territorializada foi central em todas as discussões. Raça e gênero precisam ser consideradas categorias primárias em todo e qualquer levantamento de dados estatísticos nas informações socioeconômicas e climáticas.

“Passar da página três”. Ir além do diagnóstico sobre as desigualdades para realmente alterar o fenômeno. A tarefa é monitorar indicadores e contribuir para alterá-los. A produção de dados exige um ecossistema de colaboração entre diversas os atores.

Lideranças. O evento, em parceria com o Geledés - Instituto da Mulher Negra, reuniu representantes de instituições públicas e organizações não governamentais. No debate estavam o Observatório do Clima, Instituto Alana, Instituto Pólis, Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA/UFRJ), Casa Fluminense, Observatório da Branquitude e a Rede por Adaptação Antirracista. Um relatório que sistematiza as discussões e os encaminhamentos será publicado posteriormente.

Em números

Já com data para sua segunda edição, o Concurso Público Nacional Unificado registrou mudanças significativas no impacto salarial dos aprovados no ano passado, conforme mostra a análise que o Ipea fez, em parceria com o Ministério da Gestão e Inovação (MGI).

Os selecionados via CPNU apresentaram avanços expressivos em mobilidade social pautada na diversidade. A maioria dos selecionados experimenta uma melhoria significativa em relação à remuneração anterior no mercado de trabalho:

  • 2,48 vezes. Esse foi o aumento médio na remuneração de mulheres pretas, pardas e indígenas aprovadas no CPNU — o maior entre todos os grupos. Homens pretos, pardos e indígenas também registraram avanço expressivo, com incremento de 2,35 vezes no salário.
  • R$ 7.657,37. Essa era a média da remuneração dos aprovados no CPNU antes do concurso - o equivalente a R$ 214,38 por hora trabalhada. Desde janeiro de 2025 esse valor é 2,1 vezes maior.
  • 71,8%. Esse percentual dos candidatos acredita que o ingresso no serviço público representa um aumento real de renda e um avanço significativo na mobilidade social, especialmente entre mulheres, pessoas pretas, pardas e indígenas.
De olho
Marque na agenda
  • Seminário Hipossuficiência e Patrimônio Cultural: uma agenda atravessada pela judicialização: nos dias 4 e 5 de agosto, Ipea e Iphan realizam o evento, que vai discutir o conceito de hipossuficiência relacionado à propriedade de patrimônio tombado e formas de regulamentar a questão. Com transmissão ao vivo pelo canal do Iphan no YouTube.
  • Oficina da Estratégia Brasil 2050 - Oportunidades e Desafios do Envelhecimento Populacional: evento acontece no dia 5 de agosto, das 14h às 18h, na sede do Ipea em Brasília. Na abertura, representantes do Ipea, do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) e da Comissão Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD). Transmissão pelo YouTube do Ipea.
  • Seminário sobre gasto tributário e justiça fiscal no Brasil: evento abordará temas como avaliação de gastos, modelo de tributação da renda, regimes especiais e incentivos setoriais. Acontecerá no dia 6 de agosto, das 9h às 18h, na sede do Ipea, em Brasília, com transmissão pelo YouTube.
  • Seminário Um Fundeb Mais Progressivo? Efeitos redistributivos da ponderação por nível socioeconômico e por recursos vinculados à educação: evento acontecerá no dia 7 de agosto, das 15h às 17h, na sede do Ipea, em Brasília. Com transmissão pelo YouTube.



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