Palavra de Especialista

Gestão do Conhecimento: uma questão de competitividade empresarial

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Rose Mary Juliano Longo


Nos dias de hoje, torna-se difícil perceber as imensas oportunidades que estão ocultas sob o manto de uma crise internacional “sem precedentes”. A primeira reação das organizações passa pela cautela com o uso de seus recursos, refletindo um corte e ou cancelamento de qualquer atividade que não seja essencial ao negócio. Esses cortes, na maioria das vezes lineares, podem agravar, ao invés de amenizar, a situação econômico-financeira da organização e impactam diretamente a estratégia empresarial. Ao fazê-lo, executivos acabam por não potencializar as oportunidades que esta crise internacional oferece às empresas que se pretendem competitivas neste milênio.

A longevidade com sucesso das organizações depende, sim, de certo conservadorismo financeiro, mas principalmente de: a) colaboradores que têm um forte senso de identidade com a marca a que servem, e que, portanto têm orgulho de pertencer à organização; b) um estilo de gestão que possibilita o desenvolvimento do potencial criativo de todos os seus gestores e colaboradores; c) liderança que fomenta e estimula o processo de aprendizagem organizacional; e d) foco central na estratégia da empresa e não na perspectiva de lucro imediato.

Neste contexto é fundamental abrir espaço em suas organizações para a construção coletiva de conhecimento que gera inovação, pois, vivemos em um mundo altamente imprevisível em que a inexistência de alternativas diversificadas limita a possibilidade de crescimento sustentável das organizações. O conhecimento emerge, assim, como elemento fundamental de diferenciação das organizações, em grande parte impulsionado pelo avanço tecnológico e pelo acesso a níveis mais sofisticados de informação estratégica.

Antes, porém, de se poder falar em Gestão do Conhecimento, torna-se imprescindível pensar se a organização oferece condições para que o conhecimento seja criado em suas dependências. Nesse sentido, entende-se por criação do conhecimento em uma organização a capacidade que ela tem de criar novos métodos, processos e inovações, disseminá-los nas diversas instâncias organizacionais e incorporá-los aos demais produtos, serviços e sistemas.

O processo de construção coletiva de conhecimento organizacional só é possível em um ambiente de aprendizagem que favoreça o compartilhamento de experiências e de informações entre os indivíduos. A organização que aprende é aquela que dispõe de processos sistematizados onde este conhecimento é compartilhado de maneira significativa entre seus colaboradores, e isso pode contribuir para o crescimento da empresa.

O aprendizado organizacional é fonte sustentável de vantagem competitiva, pois acredita que o verdadeiro diferencial entre as organizações são as pessoas que a constituem. As pessoas são únicas, com seus paradigmas, objetivos, habilidades, formas de enxergar, pensar, falar e agir. Estas características influenciam suas ações que repercutem diretamente na sociedade.

A gestão do conhecimento pode ser entendida como o motor que impulsiona o processo de transformação organizacional, propiciando um ambiente favorável para geração, compartilhamento, retenção e aplicação de conhecimentos que fazem parte do saber coletivo e que resultam em diferenciais competitivos para a organização. Assim, o conhecimento é tratado como insumo da estratégia que tem como seu produto a inovação.