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Perfil - John Maynard Keynes

2009 . Ano 6 . Edição 52 - 05/07/2009

Por Pedro Barreto, de Brasília


O nome e a obra de John Maynard Keynes acendem muitas polêmicas, mas nenhuma delas coloca em dúvida seu destaque e influência como um dos grandes economistas do século 20. Considerado por muitos o "pai" da moderna macroeconomia, ele deixou um legado sistemático e profundo sobre o funcionamento do capitalismo. Sua obra mais importante, Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, publicada em 1936, chocou-se com o pensamento neoclássico da época, mas levantou questões fundamentais para a reforma do capitalismo após a Grande Depressão. A principal delas foi a defesa do papel regulatório do Estado para minimizar as instabilidades do mercado

Nascido em 1883, na Inglaterra, em uma família de intelectuais, Keynes estudou em Eton e Cambridge, no King?s College. Teve uma vida acadêmica ativa, sempre envolvido em assuntos de interesse público. Graduou-se em Matemática em 1905 e, a partir daí, sob a orientacão de Alfred Marshall, um dos mais famosos economistas da época, passou a aproximar-se cada vez mais dos temas ligados à economia. Passou dois anos na Ásia, no India Office, experiência que resultou em seu primeiro livro sobre economia: Indian Currency and Finance.

Em 1908, tornou-se professor de economia em Cambridge, onde lecionou até 1915. Dividia seu tempo como editor do Economic Journal, onde permaneceu até 1945, um ano antes de sua morte. Ao sair de Cambridge, passou a trabalhar no Tesouro britânico. Uma de suas missões foi preparar a delegação do país para a Conferência de Paz de Paris, em 1919. No entanto, mostrou-se veementemente contra as duras medidas econômicas impostas pelos aliados à Alemanha e acabou não participando da assinatura do Tratado de Versalhes.

O fato o levou a publicar, no mesmo ano, uma de suas obras mais relevantes: As Consequências Econômicas da Paz. Ela reúne análise técnica sobre o tratado e as reparações do pós-guerra, bem como propostas para se enfrentar os problemas das economias europeias na época. Traz críticas agudas à França, que segundo ele, manteve uma posição gananciosa nas discussões econômicas após a guerra, esquecendo a importância da recuperacão da Alemanha para todo o continente.

Teoria Geral - Na década de 1920, mesmo longe do Tesouro britânico, Keynes se manteve ativo nos debates públicos sobre economia, escrevendo artigos em revistas e publicações especializadas. Travou grande discussão com as autoridades britânicas sobre as condições da volta da libra ao padrão ouro, na qual defendia uma desvalorização de pelo menos 10% em relação à paridade antes da Primeira Guerra Mundial. O Tesouro manteve a postura de não redução e, nos anos seguintes, a economia britânica teve um pífio desempenho.

Nos anos seguintes, o economista se debruçou em pesquisas e estudos para aquele que seria seu principal livro. Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda e definiu a principal característica da escola de pensamento keynesiana, ao identificar o investimento produtivo como um fenômeno monetário, associado à poupança, o que abria espaço para a entrada do Estado como forma de gerar demanda e assim garantir o pleno emprego.

"Ele deixou um legado importantíssimo, ao evidenciar que o capitalismo não pode operar com as próprias forças, porque não possui mecanismos de autosustentação que provoquem demanda suficiente. Se observarmos o que ocorre nas décadas seguintes, o pressuposto é correto, e ajudou o capitalismo a superar seus ciclos de recessão e instabilidade", aponta Gilberto Tadeu Lima, professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP).

Ele ressalta, no entanto, que não se pode distanciar as proposições de Keynes do período então vivido pela economia mundial, abatida pela Grande Depressão e pelo pós-guerra. "Para Keynes, o Estado pode, sim, expandir a demanda sem causar efeitos colaterais, mas em determinadas circunstâncias. O problema é muito bem identificado, mas não se pode enxergar este remédio como a solução exata para todas as ocasiões. Essa é uma importante percepção sobre a teoria keynesiana", sustenta Gilberto Tadeu Lima.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Keynes envolveu-se com temas ligados ao financiamento da guerra e ao restabelecimento do comércio internacional. Publicou o panfleto "Como Pagar a Guerra", em 1940, no qual propôs mecanismos de poupança compulsória a fim de proteger a economia da crise inflacionária que se anunciava para o pós-guerra. Em 1944, foi um dos grandes nomes do encontro de Bretton Woods, que articulou a reconstrução da economia mundial.

O professor Márcio Gomes Pinto Garcia, do departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, assinala que a despeito das polêmicas suscitadas após a publicação da Teoria Geral, o pensamento de Keynes percorre as discussões econômicas em qualquer segmento. "A contribuição foi fundamental para o desenvolvimento da macroeconomia. Keynes levantou questões e propostas que ajudaram a aperfeiçoar o capitalismo e inserir o sistema em um ciclo sustentável de crescimento".