Publicações

Estudo do CTS-Ipea revela inconsistências na RAIS sobre doutores

Achados contribuem para o aprimoramento dos procedimentos de coleta e tratamento de informações na base de dados, ampliando a agenda de pesquisa sobre a qualidade de registros administrativos utilizados na literatura e em políticas públicas

Profissionais com formação avançada em pesquisa são fundamentais na atual economia do conhecimento, atuando no desenvolvimento de novas tecnologias e como mediadores entre a universidade e os setores público e privado. Os programas de doutorado ganharam particular relevância nesse contexto, de modo que compreender a inserção profissional de seus egressos é crucial para identificar as potencialidades e fragilidades do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), e subsidiar o desenho de políticas educacionais e de inovação.

           Leia também

 

Uma das principais fontes de informação sobre o mercado de trabalho de doutores é a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), cada vez mais utilizada em estudos sobre o mercado de doutores e o sistema brasileiro de CT&I. Suas informações são fornecidas diretamente pelas organizações empregadoras, podendo muitas vezes conter erros ou inconsistências de preenchimento, comprometendo a qualidade dos resultados de análises baseadas nessas informações. Até o momento, porém, nenhum estudo havia investigado em profundidade esse problema, nem estimado a confiabilidade ou a magnitude dos erros na variável de escolaridade da RAIS.

Em artigo publicado em abril na Revista Brasileira de Inovação, os pesquisadores Daniel Gama e Colombo, especialista em políticas públicas e gestão governamental no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e Priscila Koeller, analista de planejamento e orçamento no Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) do Ipea, debruçaram-se sobre essa lacuna ao investigar os registros de vínculos empregatícios na RAIS de doutores titulados em universidades brasileiras entre 2013 e 2021.

Os resultados indicam um elevado nível de imprecisão na variável de instrução e escolaridade. De modo geral, apenas 45% dos registros estavam corretos entre os empregados que obtiveram o título de doutor até oito anos antes do respectivo ano-base da RAIS.

O estudo mostra ainda que tal imprecisão não é homogênea entre os registros da RAIS. Destaca-se entre os resultados que a proporção de registros incorretos é maior no setor público e em organizações não-educacionais. O estudo também verificou uma maior incidência de erros nos registros de doutores titulados mais recentemente ou que concluíram o doutorado após o início do vínculo empregatício, sugerindo que os empregadores podem demorar — ou mesmo deixar de — atualizar a informação de escolaridade de seus empregados.

Segundo os autores, os achados contribuem para o aprimoramento dos procedimentos de coleta e tratamento dos dados da RAIS, ampliando a agenda de pesquisa sobre a qualidade de registros administrativos utilizados na literatura e em políticas públicas.

O artigo “Análise dos registros da RAIS de escolaridade de doutores titulados em universidades brasileiras” encontra-se disponível na íntegra. Para acessá-lo, clique aqui.