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Em terra de gigantes

Estudo feito por pesquisador do CTS-Ipea analisa os desafios de iniciativas domésticas de vídeo sob demanda para se consolidar e enfrentar um ambiente altamente competitivo e dominado por grandes conglomerados

Gigantes como Netflix, Amazon Prime Video e Hulu dominam o mercado de streaming de vídeo. Ainda assim, plataformas locais continuam a surgir em resposta a contextos culturais e econômicos específicos. No entanto, pouco se sabe sobre como essas plataformas domésticas se posicionam em países de renda média e baixa—onde o mercado é amplamente controlado por conglomerados globais—, ou mesmo as estratégias que adotam para se diferenciar e enfrentar um ambiente altamente competitivo e desafiador.

Um novo estudo publicado em fins de janeiro na revista científica Journal of Digital Media & Policy procura preencher essa lacuna na literatura especializada e avançar na compreensão do mercado de vídeo sob demanda no Brasil à luz do caso da Filme Filme, empresa brasileira controladora de uma plataforma de streaming de vídeo que buscou competir com a gigante inglesa MUBI por meio de um modelo de negócios diferenciado. A Filme Filme encerrou suas atividades em 2023, quatro anos após seu lançamento, evidenciando barreiras estruturais que limitam o crescimento de plataformas domésticas em mercados altamente concentrados.

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No estudo, os pesquisadores Tulio Chiarini, analista em ciência e tecnologia do Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (CTS-Ipea), e Marcus Vinicius da Nova Filho, mestre em  Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), situam o caso da Filme Filme em um debate mais amplo sobre plataformização e organização industrial das indústrias culturais, oferecendo uma visão sobre os desafios relacionados à sustentação de iniciativas locais de streaming nas economias emergentes, além de discutir as implicações para as políticas públicas destinadas a promover a soberania digital e a diversidade cultural.

Para acessar o artigo na revista Journal of Digital Media & Policy, clique aqui.