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Pesquisador do CTS-Ipea caracteriza produção científica brasileira em IA
Contingente de artigos na área ainda é muito inferior ao dos países líderes, mas as taxas de adoção da tecnologia pelas empresas nacionais estão alinhadas às de países europeus
Publicado em 03/12/2025 - Última modificação em 03/12/2025 às 13h18
As evidências disponíveis até o momento indicam que o uso da Inteligência Artificial (IA) nos processos empresariais ainda é limitado. Ainda assim, países como China e Estados Unidos já se adiantam no desenvolvimento dessa tecnologia. Para que as economias emergentes não fiquem para trás, é essencial que estejam preparadas por meio de políticas públicas favoráveis à inovação, as quais podem ser formuladas de maneira mais eficiente se os fatores que influenciam a adoção da IA pelas empresas forem melhor compreendidos.
Pensando nisso, os pesquisadores Luis Kubota, técnico de planejamento e pesquisa no Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (CTS-Ipea), e Maurício Benedeti Rosa, analista econômico na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), caracterizaram a literatura científica sobre IA no Brasil e no mundo, avaliando também os determinantes de sua adoção pelas empresas.
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Para isso, valeram-se de uma ferramenta bibliométrica desenvolvida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e de técnicas de modelagem paramétrica. Os resultados obtidos na análise indicam que a produção científica brasileira nessa área é muito inferior à dos países líderes. Em contrapartida, as taxas de adoção da tecnologia pelas empresas nacionais estão alinhadas às de países europeus.
Segundo os autores do trabalho, publicado em fins de novembro na revista EconomiA, da Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec), os principais determinantes técnicos para a adoção da IA nas firmas brasileiras envolvem o uso da internet das coisas (IoT), da computação em nuvem, da análise de big data e a existência de uma política de segurança digital, o que reforça a necessidade de harmonizar as diferentes estratégias governamentais relacionadas à transformação digital no Brasil.
Em termos de colaboração com outros países, uma estratégia potencial para acelerar a produção científica nacional poderia envolver um maior engajamento com a China, líder global na produção de literatura científica relacionada à IA, que não figura entre os principais parceiros do Brasil, apesar da parceria entre ambos no âmbito dos BRICS, bloco de países emergentes que, originalmente, também inclui Rússia, Índia e África do Sul.
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