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Bolsas FAPESP têm efeito positivo sobre rendimentos futuros de ex-beneficiários
Estudo sugere que elas podem ajudá-los a conquistar melhores oportunidades profissionais ou contribuir de forma mais significativa para as instituições às quais estão vinculados, o que se refletiria em salários mais altos
Publicado em 26/11/2025 - Última modificação em 26/11/2025 às 15h08
Bolsas de pesquisa competitivas são reconhecidas pela comunidade científica como instrumentos eficientes e justos para direcionar recursos públicos limitados a projetos de alta relevância e impacto. No entanto, pouco se sabe sobre os benefícios individuais desse tipo de investimento para os próprios beneficiários.
Diante disso, os pesquisadores Daniel Gama e Colombo, especialista em políticas públicas e gestão governamental e coordenador de Métodos, Dados e Projeções Microeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), e Fernanda De Negri, ex-diretora do Ipea e atual secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde do Ministério da Saúde, analisaram o impacto da concessão de bolsas de pesquisa nos salários de ex-bolsistas.
A análise teve como foco bolsas de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado concedidas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a maior agência estadual de fomento à pesquisa do país. Eles examinaram os rendimentos dos candidatos desde três anos antes até dez anos depois do período da bolsa. “O estudo se concentra na margem intensiva, considerando apenas indivíduos que tinham vínculo empregatício tanto antes quanto depois da bolsa para a qual se candidataram”, explica Gama e Colombo.
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Os resultados indicam que as bolsas concedidas pela FAPESP têm um efeito positivo e estatisticamente significativo sobre os rendimentos futuros dos bolsistas, com impacto médio de 4,5%. “Esse efeito persiste ao longo do tempo e cresce após os primeiros anos seguintes à concessão, começando em 2,7% no primeiro ano e atingindo 4,8% ou mais na maioria dos anos a partir do quinto", destaca o pesquisador.
Essa associação positiva aparece em todos os níveis, embora os resultados sejam menos robustos para bolsistas de graduação e mestrado. Os maiores impactos foram observados nos estágios mais avançados: 7,6% para doutorado e 4% para pós-doutorado.
Segundo os autores do estudo, publicado este mês na revista Research Evaluation, o impacto positivo das bolsas FAPESP sobre os rendimentos de ex-bolsistas sugere que elas podem ajudá-los a conquistar melhores oportunidades profissionais ou contribuir de forma mais significativa para as instituições às quais estão vinculados, o que se refletiria em salários mais altos. “Esses retornos estão alinhados a argumentos teóricos de que bolsas de pesquisa competitivas podem elevar os salários de ex-bolsistas ao impulsionar a acumulação de capital humano, ampliar redes acadêmicas e gerar efeitos de sinalização no mercado de trabalho”, conclui Gama e Colombo.



