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Novo medicamento dobra sobrevida de pessoas com câncer de pâncreas

Resultados constam de um estudo envolvendo 500 pessoas com câncer de pâncreas metastático dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia, todas sem resposta a uma rodada inicial de quimioterapia

Uma pílula de uso diário parece dobrar o tempo de sobrevivência de pessoas com câncer de pâncreas — uma das formas mais agressivas e difíceis de tratar da doença —, mesmo após elas deixarem de responder ao tratamento com quimioterapia. A nova droga também apresenta menos efeitos colaterais do que a quimioterapia convencional. 

Os resultados constam de um estudo envolvendo 500 pessoas com câncer de pâncreas metastático dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia, todas sem resposta a uma rodada inicial de quimioterapia. Os participantes foram divididos em dois grupos: o primeiro recebeu daraxonrasib diariamente, enquanto o segundo continuou a receber infusões da quimioterapia padrão.

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Os pesquisadores constataram que os participantes do grupo tratado com daraxonrasib sobreviveram, em média, 13,2 meses, em comparação com 6,7 meses no grupo que recebeu quimioterapia.

Além disso, apenas 1% dos participantes do grupo tratado com daraxonrasib interromperam o uso do medicamento devido a efeitos colaterais, como erupções cutâneas, enquanto 11% dos pacientes do grupo da quimioterapia suspenderam o tratamento em razão de eventos adversos, como fadiga.

Apesar dos resultados surpreendentes, o tratamento com daraxonrasib está longe de representar uma cura. São alguns meses a mais de vida, o que é muito promissor, mas ainda não são anos, e os pacientes continuam morrendo da doença.

Ensaios clínicos em andamento já tentam identificar se a combinação da daraxonrasib com outros medicamentos experimentais ou com a própria quimioterapia seria capaz de produzir resultados ainda melhores. Eles também avaliam se a daraxonrasib poderia ser usado como terapia de primeira linha em pacientes que ainda não receberam tratamento.

Nos Estados Unidos, aproximadamente 60 mil pessoas recebem o diagnóstico da doença por ano; 50 mil morrem. No Brasil, são 13 mil novos diagnósticos anuais; aproximadamente 12 mil morrem.

O tratamento padrão envolve quimioterapia, mas, ainda assim, a maioria dos pacientes sobrevive, em média, apenas de três a seis meses. A sobrevida em cinco anos, para a forma metastática, é de cerca de 3%.

A combinação da ausência de exames de rastreamento de rotina e de sintomas vagos, como dor nas costas, faz com que a doença geralmente seja identificada apenas quando já se espalhou para outras partes do corpo. 

Os autores do trabalho já submeteram os resultados à agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA). Eles esperam obter a aprovação do medicamento para uso em pessoas com câncer de pâncreas metastático que já passaram por quimioterapia nos próximos meses.