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Pesquisador do CTS participa de seminário sobre combate ao racismo e igualdade racial
Tulio Chiarini apresentou os resultados de estudos sobre a representatividade negra na liderança de grupos de pesquisa no Brasil, com base em dados do CNPq
Publicado em 13/05/2026 - Última modificação em 13/05/2026 às 14h20
O pesquisador Tulio Chiarini, analista em ciência e tecnologia do Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (CTS-Ipea), foi um dos convidados do seminário “Experiências institucionais em combate ao racismo e promoção da igualdade racial”, promovido pelo Ipea no último dia 27 de abril, em Brasília. Ele integrou a mesa “Do negro-tema ao negro-vida: experiências institucionais de enfrentamento ao racismo e combate à discriminação racial em instituições de pesquisa e no assessoramento governamental”, mediada por Synthia Santana, técnica de planejamento e pesquisa na Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura (Diset) e membro do Programa Transversal de Combate ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial, ambos do Ipea.
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Na ocasião, Chiarini apresentou os resultados de estudos sobre a representatividade negra na liderança de grupos de pesquisa no Brasil, desenvolvidos no âmbito do CTS-Ipea com base em dados do Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os dados indicam uma expressiva sub-representação da população negra na liderança desses grupos: embora representem cerca de 55% da população brasileira, ocupam apenas 22,5% das posições de liderança.
Segundo Chiarini, essa desigualdade torna-se ainda mais evidente quando os dados são analisados sob a perspectiva interseccional, considerando variáveis como raça/cor e sexo. Homens e mulheres brancos lideram, respectivamente, 32,2% e 31,7% dos grupos de pesquisa. Entre homens e mulheres negros, esses percentuais caem para 12,2% e 10,4%, respectivamente. “Trata-se do primeiro estudo desenvolvido no país sobre lideranças de grupos de pesquisa com recorte de raça/cor e sexo”, destacou o pesquisador.
Ele também apresentou dados de estudos de sua co-autoria que analisam essa desigualdade sob outras perspectivas, incluindo recortes regionais, grandes áreas do conhecimento e campos STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática, na sigla em inglês). Os resultados mostraram um padrão consistente em todas essas variáveis, reproduzindo-se de forma ainda mais acentuada em áreas consideradas de maior prestígio social, como medicina, engenharias e algumas áreas das ciências exatas. Tal “prestígio” normalmente está associado a fatores como maior volume de financiamento, reconhecimento social, proximidade com setores estratégicos do Estado e do mercado, capacidade de influência institucional, impacto científico medidos por indicadores tradicionais, salários e centralidade histórica nas políticas de ciência e tecnologia.
O pesquisador chamou a atenção ainda para dados sobre o impacto da diversidade no estabelecimento de colaborações externas. Nesse caso, os resultados sugerem que grupos mais diversos, com mulheres e pesquisadores não brancos em posições de liderança, não têm necessariamente maiores níveis de cooperação — diferentemente do que aponta parte da literatura internacional, que associa maior diversidade a mais colaboração e inovação. “O sistema brasileiro pune a diversidade”, destacou Chiarini.
O seminário “Experiências institucionais em combate ao racismo e promoção da igualdade racial” encontra-se disponível na íntegra no YouTube.
A fala de Chiarini tem início em 2:23:54.
